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7 de outubro de 2019

De Portugal, da “Descolonização Exemplar” e dos PALPs

Figura 1 - Simulambuco, Cabinda, República de Angola.


Pergunta:

Resposta:


Não vou responder directamente à sua pergunta, caro Joao Vicente, mas vou-lhe dar umas dicas.

Já teve notícia do Tratado de Simulambuco, assinado na localidade de Simulambuco, a 1 de Fevereiro de 1885, pelo representante de Portugal, Guilherme Augusto de Brito Capello, então capitão tenente da Armada e comandante da corveta “Rainha de Portugal”, e pelos príncipes, chefes e oficiais do reino de Negoio, Cacongo e Loango?


Figura 2 - Reinos de Loango, Cacongo, Negoio, Congo, Angola, Matamba e Benguela cerca de 1770. Angola e Benguela eram reinos da Coroa de Portugal. Os restantes eram independentes mas, normalmente, aliados de Portugal.

Pelo Tratado de Simulambuco os Barões de Cabinda colocaram-se sob protecção do Rei de Portugal, na época Dom Luís I, e furtaram-se a serem "comidos" pelos Belgas, ou pelos Franceses.

O Muatiânvua fez, aliás, o mesmo.

A presença de Portugal em África poupou aos povos das dita "Colónias Portuguesas" o serem disputados pelas Grandes Potências: Inglaterra e França, primeiro, as duas anteriores e a Alemanha, depois.

Portugal era uma Pequena Potência, que garantia a Ordem e a Liberdade de Comércio nas suas colónias, bens intangíveis de as Grandes Potências beneficiavam… sem gastarem uma libra, um franco, um marco.

No fim da Guerra dos Trinta e Um Anos (1914–1945) a Alemanha estava derrotada, e ocupada, a França derrotada, mas não ocupada, a Inglaterra vitoriosa, mas na bancarrota, e as novas Grandes Potências – EUA e URSS – resolveram que também queriam ter Fazendas em África.

Portugal aguentou, aguentou, aguentou, e, em 1974–75, retirou.

E quando Portugal retirou os territórios entraram a ser disputados entre os EUA e a URSS, primeiro, entre a América, a China e a Rússia, depois.

E a disputa foi sangrenta!

Depois temos a propaganda:
  1. Salazar era mau, pior que um lacrau.
  2. O Estado Novo era Fascista, Nazi mesmo.
  3. Os Portugueses era Colonialistas, Escravistas, Racistas, Mata-Pretos.
  4. E por aí fora.
Em termos práticos Portugal serviu de escudo aos territórios e às suas populações durante mais ou menos um século.

Foram tudo rosas?

Não foram!

Mas se comparar com o que o Rei Leopoldo II, e os Belgas, fizeram no Congo, ou com o Genocídio dos Hererós e Namaquas na Damaralândia… foi o céu!



Fontes das ilustrações
  1. Tratado de Simulambuco, Parte 2”. João Cláudio Macosso. YouTube. Publicada a 29 de Março de 2019. Recuperada a 05 de Outubro de 2019. 
  2. Kingdom of Kongo”. GlobalSecurity.org. Sem data de publicação. Recuperada a 07 de Outubro de 2019. 


Etiqueta principal: História.
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1 de dezembro de 2018

Minha Pátria é a Língua Portuguesa

lusofonia estatal



Estimativa da população dos nove estados de língua oficial portuguesa em 2018, 2030 e 2050.


Minha pátria é a lingua portuguesa escreveu Fernando Pessoa.

Minha pátria é minha língua escreveu e cantou Caetano Veloso.

Mas seja a língua portuguesa fátria, mátria, pátria, o facto é que é hoje a língua oficial de nove estados que, no seu conjunto, possuem uma população total estimada de cerca em trezentos milhões de almas, que se encontra em crescimento.


estimativa das populações em valor absoluto


Estimativa das populações de Portugal, Brazil, Ex-colónias e PALOPs em 2018, 2030 e 2050.

Nos gráficos acima e abaixo Portugal é Portugal; Brazil é o Brasil; Ex-colónias – os territórios que foram vítimas da descolonização de 1974-75 – são Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste; PALOPs – os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa – são Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Portanto as Ex-colónias incluem Timor Leste mas não a Guiné Equatorial e os PALOPs incluem a Guiné Equatorial mas não Timor Leste


estimativa das populações em valor relativo


Estimativa das populações de Portugal, Brazil, Ex-colónias e PALOPs em 2018, 2030 e 2050.


2018


Estimativa das populações, por território, em 2018.


2030


Estimativa das populações, por território, em 2030.


2050


Estimativa das populações, por território, em 2050.


lusofonia não estatal


É sabido que existem territórios cujas populações têm a Língua Portuguesa, ou um dos seus muitos Crioulos, como língua materna.

É também sabido que a Língua Portuguesa está expandindo para os estados limítrofes dos que a têm como língua oficial.

Tanto quanto é do meu conhecimento, este fenómeno não está estudado, menos ainda quantificado. 


conclusão


Não faço ideia do que levou António de Oliveira Salazar a afirmar que Portugal não é um país europeu e tende cada vez mais a sê-lo cada vez menos., mas, tivesse sido o que tivesse sido, parece-me que acertou em cheio.



Origem do texto e das figuras
  • Álvaro Aragão Athayde em coisas & loisas.


Referências
  1. A minha pátria é a língua portuguesa por Fernando Pessoa em Wikisource.
  2. Minha Pátria é a língua portuguesa por Arnaldo Saraiva em Portal de Periódicos da UFPB.
  3. Língua por Caetano Veloso em Letras.mus.br.
  4. A canção “Língua” de Caetano Veloso – um minucioso tratado da Língua Portuguesa por Luisa Bertrami D'Angelo em NotaTerapia.
  5. Língua portuguesa em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  6. 2018 World Population by Country at World Population Review


Etiqueta principal: Geopolítica.
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