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31 de julho de 2021

A nossa idemocracia

Charge – Democracia


A Constituição da República Portuguesa de 1976 é uma constituição idemocrática, isto é, não democrática, porque, com excepção do Presidente da República, os eleitos não representam os cidadãos eleitores mas os dirigentes partidários.

E os dirigentes partidários representam, por sua vez, os interesses dos seus patrocinadores, patrocinadores que podem ser, e são, organizações económicas, financeiras, ideológicas, políticas, religiosas, quer nacionais e quer estrangeiras.


É mau?

É, e muito.


Pode ser corrigido?

Pode, e facilmente.


Basta que o país seja dividido em duzentos círculos uninominais, de cinquenta mil habitantes cada, e que qualquer cidadão eleitor se possa candidatar a representar os habitantes de um círculo desde que a sua declaração de candidatura seja subscrita por mil cidadãos eleitores residentes no círculo.


Este sistema acaba com os partidos?

Não.

Este sistema retira aos partidos o Monopólio da Representação Política que a Constituição da República Portuguesa de 1976 lhes ortougou.


Este sistema aproxima os eleitos dos eleitores e vice-versa?

Parece-me evidente que sim.


Este sistema torna a Constituição da República Portuguesa de 1976 mais democrática?

Parece-me evidente que sim.


Este sistema prejudica os dirigentes e quadros dos partidos políticos e quantos esperam a dar-se bem na vida por estarem nas boas graças dos ditos dirigentes e quadros dos partidos políticos?

Parece-me evidente que sim.


Isso é bom?

Parece-me evidente que sim.








Etiqueta principalIdemocracia.

25 de junho de 2021

António de Oliveira Salazar: O outro retrato

 


Gostei.

É um documento histórico.

É um documento histórico não pelo que diz sobre Salazar mas pelo que diz sobre como, entre Fevereiro-Março de 1961 e Abril-Maio de 1974, aproximadamente, um Grupo de Jovens Universitários Nacional-Sindicalistas Portugueses da Metrópole via a Evolução da Situação.

Riccardo Marchi fala em alguns deles na sua obra Ideias e Percursos das Direitas Portuguesas.

Desse grupo uns adesivaram, outros sumiram, outros, poucos, mantiveram-se coerentes, ideológica ou partidariamente, e politicamente activos.

Jaime Nogueira Pinto, que foi dos poucos que não adesivou nem sumiu, tem feito uma carreira de historiador e de ideólogo na área político-ideológica auto, e hetero, dita “de direita”, signifique isso o que significar.

Não comprei nem li as anteriores edições desta obra, não me lembro porquê, certamente por não as ter considerado interessantes, mas comprei e li esta.

E comprei e li esta edição muito mais pelo Prefácio (o “Novo prólogo do autor” do título) do que por tudo o resto.

Jaime Nogueira Pinto nasceu a 4 de Fevereiro de 1946, está com 75 anos, eu nasci a 28 de Julho 1947 e, como sou cerca de 18 meses mais novo, ainda não fiz os 74.

Estamos ambos velhos e em tempo de balanço.







Etiqueta principal: História de Portugal.

10 de junho de 2021

Activei a conta no VK

 

Captura de ecrã 2021-06-10, às 07.30.59

Criei uma conta no VK – uma rede social russa semelhante à rede americana Facebook – em Setembro de 2018, no mesmo mês em criei este blogue, e pela mesma razão: o ter sido expulso do Facebook, o ter sido descriado (um nelogismo criado a partir de criado), sendo que a descriação é um homicídio virtual e um damnatio memoriae real: os Administradores do Facebook matam (virtualmente) o utilizador e destroem-lhe todo o conteúdo já publicado, conteúdo que custou ao utilizador muito tempo e muito trabalho.

Criei a conta no VK mas acabei por não a activar.

Activei-a agora.





Referências
  1. A primeira publicação neste blogue: Um blogue? Porquê?
  2. A minha conta no VK: Álvaro Athayde






Etiqueta principal: Censura.

19 de maio de 2021

Estupidez Humana




Segundo Carlo M. Cipolla as Leis Fundamentais da Estupidez Humana são 5, cinco, e a primeira é (página 19):

Inevitavelmente toda a gente subestima sempre o número de indivíduos estúpidos em circulação.


Segundo Nassim Nicholas Taleb, o prefaciador, Carlo M. Cipolla, o autor, tem uma definição formal axiomática do que significa ser estúpido (página 14):

Estúpido é alguém que prejudica os outros sem procurar qualquer ganho para si mesmo – constratando com o bandido, de comportamento, mais previsível, que ganha algo ao prejudicar-nos.


Ainda segundo Carlo M. Cipolla, o autor, para além das evidentes implicações pessoais, a Estupidez Humana tem implicações sociais verificando-se que (formulação minha com base no texto das páginas 51 a 55 51 a 55): 

As culturas, estados, sociedades, em ascensão, ou expansão, tendem a ter mais dirigente inteligentes dos que dirigentes estúpidos, verificando-se o inverso nas culturas, estados, sociedades, em descensão, ou contracção.


Li o livrinho – que tem ao todo 64 páginas, incluindo as páginas de guarda, de título, de índice, etc. – em menos de duas horas.


Obrigatório ler!








Etiqueta principal: Estupidez Humana.

13 de maio de 2021

O que é, hoje, “ser extremista”?

 

Afirmação Paradoxal
Antítese e Paradoxo




Na acepção filosófica e política actual “ser extremista” é “não negociar”, “não pactuar”.

Num ambiente filosófico que afirma que “é absolutamente verdade que a verdade não existe” e que “é absolutamente verdade que tudo é relativo”.

Num ambiente político que afirma que “é absolutamente verdade que tudo é negociável” e que “é absolutamente verdade que tudo é redutível a dinheiro”.

Num tal ambiente filosófico e político “não pactuar”, “não negociar”, “afirmar algo e não o desafirmar”, “tomar uma posição e não a destomar”, é “ser extremista”.

Actualmente quem não for extremista negoceia, pactua, diz-se e desdiz-se, avança e recua, vende-se, sempre na maior das calmas e com a maior cara-de-pau.

Se o não fizer não singra na vida, é acusado de ser o responsável por todos os males do mundo, é ostracizado e é perseguido.









Etiqueta principal: Extremismo.

6 de maio de 2021

Era uma vez um Grão-Duque

Aleksandr Mikhailovich. Nós, os Romanov. Alma dos Livros, 2021.



Esta obra de Aleksandr Mikhailovich – que se fosse português se chamaria Alexandre Miguéis, Alexandre filho de Miguel – é, simultaneamente, várias coisas:

  1. É a sua auto-biografia.
  2. É a sua descrição da agonia e morte da Rússia Imperial.
  3. É a sua descrição da participação da Rússia na Guerra Russo-Japonesa de 1904-1905.
  4. É a sua descrição da participação da Rússia na Guerra Germano-Russo de 1914-1917.
  5. É a sua descrição da Revolução de Fevereiro (de 23 de Fevereiro a 3 de Março de 1917, no calendário juliano, de 08 a 16 de Março de 1917, no calendário gregoriano), e na Revolução Branca (fase da Revolução Russa que ocorreu de Março a Novembro de 1917).
  6. É a sua descrição das hostilidades entre 15 de Março de 1917, data da abdicação de Nicolau II da Rússia, e a sua saída da Rússia a bordo do contratorpedeiro britânico H.M.S. Forsythe, a 11 de Dezembro de 1918.
  7. É a sua descrição da sua participação na Conferência de Paz de Paris (1919–1920), aberta a 18 de Janeiro de 1919.
  8. É a sua descrição da entrega da Rússia a Lenine e a Trótski pelos Estados Unidos da América, França, Inglaterra e Itália.
  9. É, finalmente, a sua referência à necessidade de uma revolução espiritual e à Religião do Amor.

Written 13 years after the execution of the Tsar and his family this is one of the best histories I've read of the end of Imperial Russia.
Traduzindo Escrita 13 anos após a execução do Czar e da sua família, esta é uma das melhores histórias que li sobre o fim da Rússia Imperial.
This is the second time I’ve read the memoirs of GD Sandro, the first time through the collected works. Of all the GDs, Sandro remains the most accessible due to his writings. Whatever one thinks of the man, there is great value in these memoirs. I don’t quibble with the so-called and over-rated “truth”. This is clearly the “truth” as GD Sandro believed or wanted to believe which in itself is illuminating.
Traduzindo Esta é a segunda vez que leio as memórias do GD Sandro, a primeira vez nas Obras Coletadas. De todos os GDs, Sandro continua sendo o mais acessível devido aos seus escritos. O que quer que se pense do homem, há grande valor nestas memórias. Eu não questiono a assim chamada e tão superestimada “verdade”. Esta é claramente a “verdade” na qual o GD Sandro acreditava, ou queria acreditar, o que é, por si só, esclarecedor.

Em minha opinião esta obra é de leitura obrigatória para quem queira compreender a Guerra dos Impérios (1914-1945), a subsequente Guerra Fria (1945-1991), o actual conflito entre os Impérios Ocidentais, encabeçados pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos, e os Impérios Orientais, encabeçados pela Rússia e pela China.

E é-o tanto mais porque não é crível que os actuais dirigentes da Federação Russa a não conheçam e a não tenham lido e meditado… há muito tempo.


25 de abril de 2021

Liberdade, Liberdade

O abandono da Liberdade



Liberdade, Liberdade, 
Quem a tem chama-lhe sua, 
Já não tenho Liberdade, 
Nem de pôr o pé na rua.




O que mais me irrita é ouvir os Fascistas, os Social-Fascistas, os Ladrões, os Homicidas, os Saqueadores, os Genocidas, aos gritos de Liberdade! Liberdade!






Etiqueta principal: 25 de Abril.

27 de março de 2021

Rotativismo Democrático

 

Partido Socialista (PS) à esquerda, Partido Social-Democrata (PSD) à direita.



Prós e Contras com Arnaldo Matos - Parte 1


Prós e Contras com Arnaldo Matos - Parte 2



Passar do PS para o PSD é como passar do pé esquerdo para o pé direito.

Passar do PSD para o PS é como passar do pé direito para o pé esquerdo.


E as mãos?

As mãos? Uma lava a outra!


Uma lava a outra e ambas lavam a cara.


Perdão!

Ambas lavam as caras.


Será que não existe na política senão este corpo com duas caras?


Existem outros corpos sim.

Arnaldo de Matos e Adriano Moreira demonstram-no cabalmente.


Existem ainda mais corpos, e outros mais podem ser inventados, nada obriga os portugueses a sujeitarem-se ao corpo com uma cabeça de duas caras.










Etiqueta Principal: Rotativismo Democrático.

21 de março de 2021

Assobia para o lado



assobia para o lado


Saúde e dinheiro para gastos, tesão

Pouco mais importa como brinda o meu amigo João

Com esse brinde eu começo uma canção

Que não prescinde uma certa reflexão


Em menos de nada, a gente já foi boy

Tenta ser o Winnie em vez de quereres ser o cowboy

Escolhe bem as tuas guerras, o que não te mada moi

Ambição é boa, mas quando cega, destrói (No doubt)


Quem te fala não sabe nada, mas vai a meio do caminho

Não vale a pena fazê-lo sozinho

De que serve a jornada se não partilhas a chegada

Bem regada com o teu vizinho


Ouve o meu conselho, se tiveres pra aí virado

Verdadeiro sucesso é amar e ser amado

Se disserem o contrário não fiques preocupado

Nã, assobia para o lado


Assobia para o lado

Assobia para o lado

Assobia para o lado


Eu só quero tar tranquilo, rodeado de algumas coisas

Que preciso para ter a minha paz

Pra quê andar atrás daquilo que não controlo

Quando na verdade o essêncial satisfaz


A maioria não está necessáriamente certa

Questiona o que te dizem, mantém-te alerta

Não tenhas medo arriscar a vida é uma oferta

Mas essa porta, não fica para sempre aberta


Não percas muito tempo a pensar no que vão dizer

Por aí, na dúvida sorri

Respeita a vontade que pulsa dentro de ti

Para viveres em pleno a passagem por aqui


Ouve o meu conselho se tiveres pra aí virado

Não precisas de luz pra te sentires realizado

Se disserem o contrário não fiques preocupado

Nã, nã, assobia para o lado


Assobia para o lado

Assobia para o lado

Assobia para o lado


Ma' nada

Assobia para o lado


Assobia para o lado

Assobia para o lado


Há sempre um mano enjoado

No caminho pra'o trabalho

No trânsito parado

Aquele tipo mal educado

Que nunca sorri ou responde

Quando é cumprimentado

Esquece!

Não te rales muito bro

Preocupa-te com aquilo

Que é realmente importante

Quanto ao resto, sabes...

Assobia para o lado

Assobia para o lado




Há nos confins da Ibéria um povo





Fontes
  1. O Tuga e o Confinamento. Old Boys Network. WhatsApp Image 2021-03-16 at 21.21.56.
  2. Carlão - Assobia Para O LadoCarlão Oficial. YouTube. 13/03/2020. 
  3. Letras - Carlão - Assobia para o Lado. Musixmatch. 16 de março de 2021.
  4. Caixa “Toma”. MRBP.CER.0375© Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa. Sem data.
  5. Há nos confins da Ibéria um povo… Citador. Sem data.






Etiqueta PrincipalGuerra Cultural.

11 de março de 2021

“Matança da Páscoa” - O Golpe de 11 de Março de 1975


A Matança da Páscoa, também conhecida como operação matança da Páscoa, é a designação de uma suposta operação militar de preparação de um golpe de estado em Portugal, em 1975, atribuída por certos comentadores ao Partido Comunista Português, apoiado pela União Soviética, que passaria pelo assassínio de várias personalidades contrárias a Moscovo. Entre as personalidades a abater estariam 500 oficiais e 1000 civis apoiantes do antigo presidente Spínola.

Os receios causados pela divulgação desta suposta operação desencadearam o golpe de 11 de Março de 1975. Vasco Lourenço, implicado nesta acção, declarou mais tarde que não havia lista nenhuma na operação matança da Páscoa. Diz terem sido serviços de informação americanos ou russos que puseram a circular essa ideia com o fim de «lançar a casca de banana aos spinolistas». A mesma opinião seria partilhada por Manuel Alfredo de Mello: «… foi estendida uma casca de banana ao Spínola e os seus apaniguados caíram, deixando a retaguarda de um lado da resistência ao PCP desmantelada».

História 
A 8 de Março de 1975, António de Spínola foi avisado pelos serviços secretos espanhóis e franceses que estaria em marcha a operação da “Matança da Páscoa”, tendo a mesma informação sido comunicada a organizações da extrema-direita militar lideradas pelo general Tavares Monteiro. Esta circulação de rumores impulsionou Spínola a reagir, tendo montado de forma mal preparada e mal organizada o golpe de 11 de Março de 1975.

Em 2014, aquando da publicação de documentos do Departamento de Estado dos Estados Unidos referentes à política externa norte-americana entre os anos 1969–1977, foi divulgado que Frank Carlucci e William Hyland indicavam António de Spínola como sendo àquela data o maior risco para os objectivos norte-americanos.

Referências
— Ver “Matança da Páscoa (Golpe de 11 de março de 1975)”. Wikipédia, a enciclopédia livre. Esta página foi editada pela última vez às 20h03min de 13 de março de 2021.



🇵🇹 Portuguese Revolution - 11 Mars 1975 - “Matança da Páscoa” (In Portuguese only)

Comentário de Duarte Simões há 1 semana

Nesse dia, cheguei à minha janela da cozinha num oitavo andar e olhei PARA BAIXO 👇 para ver passar uma parelha de T-6 da FAP! Foi inesquecível..!

Posso-vos afirmar que absolutamente ninguém percebia um corno do que se estava a passar. Nem eu, com dez anos, nem Frank Carlucci, o Embaixador dos Estados Unidos, nem o Exército, nem a população, nem o Governo, ninguém! Foi o maior granel de que me lembro. Andava tropa pelas ruas, civis armados de G-3, tudo a gritar que a Reação não passará, T-6, F-86 e Alouettes a abrir a baixa altitude sobre Lisboa, tudo excitadíssimo e ninguém se entendia.

Retrospectivamente até parece cómico e foi, mas houve pelo menos um morto e uma série de feridos no RALIS e isso já não tem piada nenhuma.

O PREC foi um período extraordinário que valeu a pena viver. Mil vezes mais interessante do que esta chachada do Covid. Se tivesse havido Covid na altura ninguém ligava nenhuma nem cumpriria ordens estúpidas do Governo.

Este vídeo, que foi publicado a 16/02/2020, tem actualmente 15.579 visualizações e 84 comentários, alguns bem interessantes.



A Carnation Revolution, a primeira Regime Change Operation a que foi dada uma cor, logo a primeira Colour Revolution, correu mal do ponto de vista dos seus promotores, como todas têm corrido, e exactamente pelas mesmas razões:

  1. Nem todos pensam a agem como os estadunidenses pensam que eles pensarão e agirão.
  2. Existem actores que os estadunidenses não controlam, por vezes de que nem sequer conhecem a existência, ou reconhecem a importância.


Globalmente falando:

  1. Todos enganaram todos.
  2. Todos perderam, embora uns mais, outro menos.
  3. Alguns, poucos, ganharam umas coisinhas, poucas.







Etiqueta Principal: PREC.

8 de março de 2021

Para que necessita Portugal de ter Forças Armadas?


Portugal, pouco território, muito maritório.


O mapa “Portugal é Mar”, publicado pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), o artigo “O anunciado reforço das competências do Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas”, publicado pelo Observador, o meu comentário ao dito artigo, também no Observador, e a minha resposta à pergunta em título.


o artigo

O anunciado reforço das competências do Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas

Acentuar, desta forma, a irrelevância das Forças Armadas, é manter a estratégia que tem sido seguida pelo poder político, ao evitar tratar as matérias que verdadeiramente importam.

Joaquim Formeiro Monteiro, 
Tenente General (ex-Quartel Mestre General do Exército) 
• Observador • às 00:04 de 05 de Março de 2021 

As recentes declarações do Ministro da Defesa Nacional (MDN), em sede da Comissão Parlamentar de Defesa Nacional, e divulgadas nalguns órgãos de comunicação social, revelaram o seu propósito em propor o alargamento das competências do CEMGFA no âmbito de uma nova Lei Orgânica de Bases das Forças Armadas (LOBOFA) a apresentar, brevemente, na Assembleia da República, e vieram levantar algumas questões, que importava medir e avaliar.

Na actual LOBOFA, o CEMGFA tem a responsabilidade de planeamento e implementação da estratégia militar operacional, tendo, para o efeito, os Chefes do Estado Maior dos Ramos (CEM’s) na sua dependência hierárquica para as questões que envolvem a prontidão, o emprego e a sustentação das Forças e meios da componente operacional do Sistema de Forças Nacional (SFN).

No art.º 10º da referida Lei, essas responsabilidades encontram-se explicitamente inscritas num conjunto de competências, que asseguram ao CEMGFA o comando e o controlo operacional das Forças Armadas (FA) através das capacidades operacionais dos Ramos, incluindo as missões das Forças Nacionais Destacadas, bem como as acções no âmbito da Protecção Civil.

No referido diploma, fica bem claro que os CEM’s se relacionam directamente com o CEMGFA, como Comandantes subordinados, mantendo na sua dependência as questões relacionadas com a geração, recrutamento e sustentação das Forças, bem como as responsabilidades no âmbito das operações específicas dos respectivos Ramos.

Questiona-se, então, qual o sentido das afirmações do MDN sobre o lançamento das bases do futuro das FA e o que pretende referir, concretamente, quando indica que quer colocar os CEM’s dos Ramos na dependência hierárquica do CEMGFA, quando tal disposição já está contemplada no quadro da LOBOFA em vigor?

O que pretende dizer, quando afirma não fazer sentido pensar na autonomia dos Ramos, quando, efectivamente, a subordinação dos mesmos ao CEMGFA, através dos respectivos CEM’s, já se encontra materializada no referido diploma?

Qual a sua intenção, ainda, ao referir não haver a intenção de menorizar os Ramos, indicando que os mesmos continuarão a existir e a deter uma identidade própria e vincada, enquanto propõe, entretanto, que os respectivos Estados Maiores fiquem sob a coordenação do CEMGFA e os CEM’s deixem de despachar directamente com o ministro?

O que pretende afirmar, finalmente, quando assinala que com um novo diploma sobre organização das FA se irá melhorar o processo de gestão das mesmas e acabar com as redundâncias verificadas?

Sobre este aspecto, importaria que o MDN pudesse esclarecer os Portugueses sobre quais as missões que as FA não tenham vindo a cumprir com relevância e reconhecimento, quer internamente, quer ao nível internacional, e como se questiona o processo de gestão do seu emprego, quando se assiste a uma continuada redução dos recursos atribuídos para o seu funcionamento, sem prejuízo, no entanto, da sua proficiência?

No mesmo sentido, impunha-se que indicasse quando e de que forma a coordenação entre o CEMGFA e os CEM’s não se tenha vindo a pautar, em cada momento, pela eficiência colocada nos processos de planeamento e de emprego das forças e na optimização das capacidades do SFN disponíveis, e, nesse sentido, como pode sugerir a existência de redundâncias, que, no seu entender, se impõem eliminar?

Parece concluir-se, então, que o facto da LOBOFA em vigor contemplar, já, respostas às questões que o MDN, agora, vem colocar para justificar o reforço das competências do CEMGFA, deixa transparecer o objectivo último da sua proposta, o qual se prende, na sua essência, com a desejada subalternização dos CEM’s, ao cortar a sua relação directa com a tutela, tornando-a, deste modo, exclusiva com o CEMGFA e esvaziando o papel do Conselho de Chefes de Estado Maior, ao perder a sua função deliberativa, atribuindo-lhe um mero papel consultivo.

Resta, assim, um indisfarçável propósito da menorização das FA, pela irrelevância atribuída aos Comandantes dos Ramos, ao ponto de os posicionar num patamar inferior ao das forças de segurança, cujos chefes continuarão a manter uma relação directa e privilegiada com a respectiva tutela política.

Acentuar, desta forma, a irrelevância das FA, não é mais do que manter a estratégia que tem sido seguida pelo poder político, ao evitar tratar as matérias que, verdadeiramente, importam às FA e aos militares e que passam pela drástica quebra dos efectivos, pela paralisia dos processos de reequipamento e pela sistemática suborçamentação de que são alvo, a par do não cumprimento da lei da Condição Militar, da desconstrução do Serviço de Saúde Militar, em particular do Hospital das Forças Armadas, e da pré-falência da Assistência na Doença aos Militares (ADM) e do Instituto de Acção Social das Forças Armadas (IASFA).


o meu comentário ao dito artigo

Os partidos políticos da III República temem os militares.

Do BE ao CDS-PP todos os temem porque todos receiam que os militares lhes façam o que fizeram aos políticos da I República e, também, aos da II República.

Temem os militares mas não podem extinguir as Forças Armadas (FA) por razões que ainda não compreendi.

Muito possivelmente por medo puro e simples.

Não podendo extinguir as FA tentam anulá-las e nesse esforço desconsideram os militares, o que é tudo menos avisado.

Entretanto os militares perdem-se em queixas, questiúnculas e reclamações e parecem ser incapazes de explicar ao país, políticos incluídos, para que diabo necessita Portugal de ter FA.

O resultado é assistirmos a uma lamentável troca de galhardetes entre dois grupos de incompetentes.


a minha resposta à pergunta em título

Para que necessita Portugal de ter Forças Armadas?

O Arquipélago Português.

A Terceira República Portuguesa é, actualmente e geograficamente falando, um arquipélago de três arquipélagos:

  1. O Arquipélago Madeirense, com duas ilhas habitadas e cerca de duzentos e quarenta mil habitantes.
  2. O Arquipélago Açoriense, com nove ilhas habitadas e cerca de duzentos e quarenta e sete mil habitantes.
  3. O Arquipélago Continentalense, com cerca de nove milhões e seiscentos e noventa mil habitantes e muitas ilhas, sendo as duas maiores a Ilha Lisbonense, com cerca de dois milhões e duzentos e cinquenta mil habitantes, e a Ilha Portuense, com cerca de um milhão e setecentos e cinquenta mil habitantes.

Dir-me-ão certamente que a Grande Lisboa e o Grande Porto não são ilhas porque a água não as rodeia por todos os lados, mas o facto é que o são porque quem nelas nasceu, cresceu, habita, trabalha, vive uma vida e tem uma mentalidade que em nada, ou em pouco, se distingue da vida e da mentalidade de madeirenses e micaelenses.

Tendo a geografia da Terceira República Portuguesa estas características arquipelágicas Portugal necessita Forças Armadas (FA) para poder garantir a segurança e a defesa do seu território e, principalmente, do seu maritório, um maritório que é estratégica e economicamente importantíssimo e cobiçadíssimo.

Logo, e atendendo à geografia, as FA são necessárias à garantia da:

  1. Liberdade e segurança da circulação entre os três arquipélagos.
  2. Defesa do território, isto é, das partes emersas dos três arquipélagos.
  3. Defesa do maritório, isto é, das partes imersas dos três arquipélagos (mar territorial, zona económica exclusiva, plataforma continental), um maritório que é estratégica e economicamente importantíssimo e cobiçadíssimo.

As Principais Rotas Marítimas Internacionais.

As Principais Rotas Aéreas Internacionais.

A Área Portuguesa de Pesquisa e Resgate.





2 de março de 2021

Os quiduxos das mamãs

Copinho de leite para o mano mais fofo e queriducho




Sou um tipo muito atado,
Ando mal-habituado,
A fazer só o que quero,
Tenho tudo, nunca espero.
A mamã é uma querida,
Lava a roupa, dá comida,
Faz de mim um incapaz,

Mas eu sou um bom rapaz,
Bom rapaz!

Apesar de ter escolha,
Não saio da minha bolha.
Estou tranquilo, estou tão bem,
Ao colo da minha mãe,
Que eu adoro, que me adora,
Que me liga de hora a hora,
Porque eu sou um incapaz.

Mas eu sou um bom rapaz,
Bom rapaz!

Acho que já sou capaz,
De fazer o que a mãe faz,
Mas é perfeito assim!
A Mamã faz por mim,
Tudo o que eu deixo para trás,
Como se eu fosse um incapaz!

Bom rapaz!
Bom rapaz!

Quando esbanjo o meu dinheiro,
Ela parte o mealheiro,
Sou o seu filho adorado,
Não quer ver-me atrapalhado.

Saio à rua,
Ela faz figas,
Liga aflita p’rás amigas,
Porque eu sou um incapaz,

Mas eu sou um bom rapaz!
Bom rapaz!

Deixa-me a roupa dobrada, p’ra eu vestir de madrugada e prepara-me a marmita com iogurte e uma barrita para, ao meio da manhã, eu me lembrar da mamã que alimenta o incapaz.

Mas eu sou um bom rapaz,
Bom Rapaz!

Acho que já sou capaz,
De fazer o que a mãe faz,
Mas é perfeito assim!
A Mamã faz por mim.

Tudo o que eu deixo para trás,
Como se eu fosse um incapaz!
Bom rapaz! Bom rapaz!




Os quiduxos das mamãs…

… têm uma certa tendência a “jogar do outro lado”, o que é complicado para as eventuais sensorte e, também, a alaparem-se nas tetas da política, o que é complicado para todas as, e todos os, sem-sorte.







Etiqueta principal: Caricatura Política.

23 de fevereiro de 2021

A “Bazuca” e a Escravidão por Dívida


Orçamento e Escravidão por Dívida


Uma imagem, um artigo, dois comentários.


artigo

O Jogo do Rapa

O governo já aprovou. Os “aliados” também. Ainda há margem para negociação e ajuste, mas o essencial está ali. Seguiu para o Parlamento, com cedências e compromissos assumidos. Como é hábito. Quem sempre protestou contra o facto de as negociações orçamentais serem feitas “nas costas dos deputados” está agora silencioso. É normal: as negociações parlamentares são precedidas ou seguidas de discussões a dois ou três, mais ou menos discretas. Só se queixa quem não faz parte dessas conversas.

António Barreto • Diário de Notícias • 16 de Outubro de 2016 - 00:00 • Original

Mais do que nunca, o Orçamento é objecto de luta intensa. As razões são evidentes. Primeiro, há o confronto entre governo e oposição. O dinheiro é pouco, a Europa está a ver, as agências de rating também, o endividamento continua a crescer, a economia estagna e o investimento reduz. Ora, as promessas de acabar com a austeridade e iniciar um novo ciclo de prosperidade eram muitas. Sem resultados visíveis. O que é preocupante.

Segundo, há a luta entre aliados. Os partidos que apoiam o governo têm de satisfazer clientes, não podem ficar de mãos a abanar. Entre estes, as negociações são mais duras do que as convencionais entre situação e oposição. O PCP e o Bloco têm de mostrar alguma coisa: taxas e sobretaxas, aumentos de pensões e de subsídios sociais. Seja o que for, mas que permita justificar a “paz social” que se vive nas escolas, nos hospitais, na administração e nos transportes públicos. O PCP e o Bloco abandonaram a rua, mas é preciso que tal não se perceba.

O Orçamento é a folha de contabilidade de mais de metade da economia portuguesa: competir por fatias de orçamento é lutar pela divisão de poder, pelos interesses das classes e pelos ganhos e perdas. Como pouca coisa vive fora do Orçamento, é o prato essencial. A maior parte dos grupos económicos depende das encomendas do Estado, dos investimentos públicos e dos fundos europeus. As obras também. Tal como o novo emprego. Subsídios, bolsas, pensões e benefícios dependem do Estado. As discussões que se conhecem e de que a imprensa se fez eco são relativas aos pagamentos ao Estado ou do Estado. Não há praticamente quem queira debater a economia, a actividade das empresas, os planos de investimento, as prioridades industriais e de serviços ou as condições de crédito à actividade económica. Nada disso parece ter qualquer importância! Como também não foram marcantes as discussões sobre o Serviço Nacional de Saúde ou o sistema público de educação. Na verdade, a discussão aproximou-se muito daquele antigo Jogo do Rapa, em que o pião ditava a sorte de cada jogador: Rapa, Deixa, Tira e Põe!

Como toda a gente sabe que a prosperidade não é possível para breve, que vai ser necessário fazer sacrifícios, que as ameaças de sanções e de cortes de fundos são reais e que o investimento continua a não dar sinais de vida, o que é mais interessante é ver que ninguém, da situação e da oposição, quer ficar na fotografia. Muito pelo contrário, a agitação é toda para culpar os outros do que vai correr mal.

O problema é que quanto maior for a economia no Orçamento, ou dele dependente, menores são o crescimento e a eficácia. Como menor é o investimento privado. É verdade que aumenta a capacidade de decisão política e que assim se consolida o velho lugar-comum do primado da política, isto é, da subordinação da economia à política. Convém no entanto recordar que alguns dos maiores desastres da humanidade, como a colectivização forçada soviética, a revolução cultural chinesa e a economia de guerra nazi são boas ilustrações desse princípio. Cá em Portugal, a ditadura, a Censura, a guerra em África, o analfabetismo persistente, o condicionamento industrial e a nacionalização de empresas são também, à nossa escala, bons exemplos da “política no posto de comando”. É bom recordar!


primeiro comentário

Escravidão por Dívida

Uma questão radical:

Será que o objectivo do Governo, ou de quem nele manda,
não é mesmo levar Portugal a um novo resgate?

Quem beneficiaria se Portugal fosse de novo resgatado?


segundo comentário

Política Primeiro

A “política no posto de comando” a “política primeiro”, «politique d'abord» no original, foi, e é, característico do Maurrasianismo (de Charles Maurras), do Nacionalismo Integral e do Integralismo Lusitano,  não do Marxismo (de Karl Marxe do Socialismo Científico, quer na sua versão Social-democrata quer na sua versão Comunista.

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Bazuca e Escravidão por Dívida


Quanto está acima da linha acima foi publicado no meu descriado Facebook Profile Álvaro Aragão Athayde em 

numa data que não sei precisar, mas certamente posterior 16 de Outubro de 2016, a data do artigo de António Barreto que transcrevi e re-transcrevo.

O Facebook Profile foi descriado, quanto lá tinha sido publicado desapareceu, mas a minha pasta que continha as imagens e o rascunho não desapareceu, e foi a partir desse rascunho e dessas imagens que me foi possível reconstruir o que então publiquei e agora republico.

Na dita pasta estava ainda um gráfico sobre a Evolução Histórica da Dívida Pública de Portugal, gráfico que então não publiquei mas que agora vou publicar:

Dívida Pública Portuguesa 1850-2012
Do semanário “Expresso”, mas não consegui recuperar a hiperligação para o original.


Entretanto, e ao procurar a dita hiperligação, encontrei mais gráficos sobre a mesma questão, Evolução Histórica da Dívida Pública de Portugal:

Dívida Pública Portuguesa 1850-2010
O Ser, a Aldrabice e a Propaganda

Dívida Pública Portuguesa 1850-2018
A grande mentira


Lembrei-me da publicação “Orçamento e Escravidão por Dívida” e fui recuperá-la por causa da Bazuca que ai vem e tanto entusiasma o tanta gente.

A Bazuca é Dívida!

A Bazuca é Dívida, mais Dívida!!!

Parte dessa Dívida já foi contraída pela Comissão Europeia em nome dos Estados da União Europeia – logo de Portugal… também –, a restante será contraída pelos Portugueses – Estado, Empresas, Particulares – se para a contraírem tiverem crédito junto das competentes instituições: bancos, capitalistas, emprestadores, financiadores, como preferirem chamar-lhes







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