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10 de junho de 2021

Activei a conta no VK

 

Captura de ecrã 2021-06-10, às 07.30.59

Criei uma conta no VK – uma rede social russa semelhante à rede americana Facebook – em Setembro de 2018, no mesmo mês em criei este blogue, e pela mesma razão: o ter sido expulso do Facebook, o ter sido descriado (um nelogismo criado a partir de criado), sendo que a descriação é um homicídio virtual e um damnatio memoriae real: os Administradores do Facebook matam (virtualmente) o utilizador e destroem-lhe todo o conteúdo já publicado, conteúdo que custou ao utilizador muito tempo e muito trabalho.

Criei a conta no VK mas acabei por não a activar.

Activei-a agora.





Referências
  1. A primeira publicação neste blogue: Um blogue? Porquê?
  2. A minha conta no VK: Álvaro Athayde






Etiqueta principal: Censura.

18 de abril de 2021

Vai Maria vai, vai com as outras tomar a vacina!


Uma manada de herbívoros selvagens segue as trilhas ancestrais.

Os adultos percorrem os caminhos que aprenderam a percorrer quando eram jovens. Os jovens, que seguem na manada com os adultos, aprendem a percorrer os caminhos que percorrerão quando forem adultos.

Uma manada de herbívoros domesticados é conduzida pelos pastores.



Os Homo sapiens sapiens, a espécie humana, a nossa espécie, é uma espécie social que umas vezes se comporta como as manadas de herbívoros selvagens, outras como as manada de herbívoros domesticados, outras ainda como as alcateias de lobos, ou as matilhas de cães.







Etiqueta Principal: Fascismo Pós-Moderno.

17 de janeiro de 2021

Só existe o que passa na TêVê⁉️


O Observador publicou um artigo com piada só que anónimo, o que também tem piada, mas que, sendo /premium só pode ser lido pelos assinantes, o que tem menos piada. 

Como sou assinante pude lê-lo, mas para o poder comentar aqui terei que o transcrever, o que farei na sequência.


Os passados da cabeça  /premium

O ministro da Economia manda esvaziar prateleiras de supermercados; a ministra da Saúde quer confiscar empresas; do ministério da Justiça saem documentos manipulados… e nós a ver cornos no Capitólio.

17 jan 2021, 00:11

As cirurgias aos doentes com cancro são adiadas (ainda mais) e os computadores prometidos aos alunos em Março do ano passado  nunca chegaram. Mas o que leva os portugueses a manifestar-se? A vinda de Marine Le Pen a Lisboa.

Portugal é um país literalmente passado da cabeça: quanto mais a nossa vida se agrava e o regime se esboroa, mais nos indignamos com o longínquo e nos tornamos indiferentes ao que nos toca.

Assim, fazem-se manifestações porque uma dirigente política francesa vem a Lisboa mas caso alguém se manifeste por aquilo que está a acontecer neste país ou nesta mesma cidade de Lisboa, logo se vê oportunamente rodeado de suspeições várias como aconteceu a Ljubomir Stanisic aquando dos protestos dos proprietários de restaurantes.

O nosso corpo está aqui mas o cérebro está onde o leva a agenda mediatico-socialista (eu sei que estas duas palavras se tormaram sinónimas mas mesmo assim insisto no pleonasmo). Todos os dias gente que a si mesma atribui certificados de democrata discute como ilegalizar aqueles que eles definem como fascistas. Simultaneamente medidas em catadupa normalizam o que é próprio das ditaduras. Agora dá-se como certo que os velhos residentes em lares ilegais não terão o seu voto recolhido. Quando nos passou pela cabeça que em Portugal se inibiria o direito de voto a alguém em função da natureza da sua residência? Nunca, claro. Nós somos uma república. Estamos imbuídos dos princípios da igualdade, da solidariedade… Para lá do óbvio – não foram os velhos que escolheram ir para um lar ilegal, eles foram para lares ilegais porque não existem outros (e vão continuar sem existir porque deste modo a Segurança Social poupa o financiamento que teria de lhes garantir caso os legalizasse) – não se pode aceitar que a natureza da residência defina quem pode ou não votar. Indignações com este grave precedente? Os constitucionalistas que tanto constitucionalizam a propósito dos direitos adquiridos não têm agora nada a dizer? Ora, ora quem se pode preocupar com os votos dos velhos instalados em lares ilegais quando Marine Le Pen veio almoçar a Portugal? Isso sim é que é preocupante!

Disseram-nos que Portugal era um milagre e a nossa cabeça passou-se com tanta alegria. Depois do milagre da descrispação, do milagre do dinheiro para as reposições, do milagre do futebol, do milagre do Festival da Eurovisão, éramos outro milagre no combate ao Covid.Todos os dias a nossa cabeça partia à descoberta dos falhanços em geografias políticas rigorosamente seleccionadas. Um dia, no meio de mais umas notícias sobre o horror do Covid nos EUA e do desastre da estratégia seguida pelos suecos, descobrimos que o inferno era aqui. E o país o que discute? Manaus. Sim, Manaus. Porquê Manaus no Brasil e não a Bélgica, país onde o número de mortos ultrapassa tudo o que se pode imaginar? Ou com a Argentina, o país que uma “quarentena eterna” não salvou do Covid mas garantiu a fome (sim, na Argentina outrora grande potência agrícola, agora existe fome)? Ora, porque como toda a gente sabe a culpa das consequências do Covid no Brasil é de Bolsonaro. Já a culpa das consequências do mesmo Covid pelo mundo varia em função da simpatia ou do respeitinho que esses governos têm ou impõem nas redacções e organizações internacionais. No topo da tabela da desresponsabilização está o governo de Portugal, país onde a culpa dos maus números é sempre do portugueses que não cumprem como deviam as sábias instruções do seu governo. Portugal, recordo, é o país em que não se conhece um caso de contágio por Covid em nada que resulte da responsabilidade do Governo, como são os transportes públicos cheios e as filas resultantes da imposição de horários reduzidos nos supermercados mas em que, dos parques infantis aos passeios ao ar livre, se considera perigoso tudo o que não seja ficar encerrado em casa.

Em conclusão, os governos de esquerda terão sempre um Manaus para entreter a cabeça dos portugueses. E quanto pior as coisas correrem em Portugal mais vamos andar empenhados em apedrejar o ódio de estimação do momento e mais tempo vamos gastar em combates que nada têm a ver com a nossa vida presente.

Pode o Governo, numa espécie de treino antecipado para a Venezuela que seremos, mandar, em nome da regulação da concorrência, esvaziar prateleiras de supermercados e interferir desastradamente nas taxas cobradas pelas empresas de distribuição pois grupos como o agora nomeado para combater o racismo inventarão todos os dias um caso para  gerar comoções e fúrias.

Pode o procurador José Guerra manter-se no cargo apesar das evidentes falhas no seu curriculum e das ainda mais evidentes tentativas do ministério da Justiça para as esconder que ninguém perguntará o porquê de tanta manobra pois esgotaremos a nossa indignação com a morte dos veados numa herdade. Ou dos cães num canil. Ou dos ursos lá longe.

Pode a ministra Temido continuar a privar milhares de portugueses de tratamentos médicos unicamente por razões ideológicas pois o foco das nossas preocupações estará no combate ao heteropatriarcado. Ou no combate ao que designam como alterações climáticas.

Pode António Costa acusar quem o critica de liderar uma “campanha internacional contra Portugal” …

Podem o que quiserem porque nós estaremos sempre com a cabeça longe. Enquanto não se perceber isto não se percebe porque razão está antecipadamente derrotado o espaço da direita mesmo quando ganha.

Nunca nos passou pela cabeça que viesse a ser assim. Mas é assim que é.

Fim do artigo Os passados da cabeça  /premium, original aqui.


Só existe o que passa na TêVê⁉️

Afirma o ilustre e anónimo autor, ou autora, nos tempos que correm há sempre que respeitar o politicamente correcto! Repito, afirma o ilustre e anónimo autor, ou autora, cito:

Portugal é um país literalmente passado da cabeça: quanto mais a nossa vida se agrava e o regime se esboroa, mais nos indignamos com o longínquo e nos tornamos indiferentes ao que nos toca.


Mas quem são os “nós” do mais nos indignamos !?

Eu não pertenço ao tal "nós" e a manif à cause de Marine Le Pen teve a presença de meia dúzia de pessoas a quem, suponho, ninguém pediu a identificação. E teve, também, uma ampla e entusiástica cobertura mediática.

Quem se indignou então?

Que há muitos passados da cabeça há, mas os mais passados da cabeça são os que acreditam que só existe o que passa na TêVê.






Etiqueta principalPolítica à Portuguesa.

4 de março de 2020

O "Contrato" de Maio de 68

Daniel Cohn-Bendit
Caudilho estudantil durante a agitação de Maio de 1968 na França.
Hoje Co-Presidente do grupo "Verdes Europeus"-"Aliança Livre Europeia" no Parlamento Europeu.



CONTRATO

Artigo 1.º — Podem fornicar à vontade.

Artigo 2.º — Não podem questionar o Capitalismo.

Artigo 3.º — Não podem questionar a Democracia Liberal.






Muitos jovens, então entre os 13 e os 23 anos, hoje adultos, velhos, entre os 65 e os 75 anos, franceses, portugueses, de muitas e variadas outras nacionalidades, assinaram o contrato com o maior dos entusiasmos mas, há que o notar, e que o frisar, os Artigos 2.º e 3.º estavam em letras muito, muito, desmaiadas.





RESULTADO

Uma sociedade ateia, hedonista, em vias de extinção, que vive aterrorizada com o teísmo de “uns” e o estoicismo de “outros”, “uns” e “outros” esses que, já o compreenderam, vão matar quantos antes se não suicidarem, ou se fizerem eutanasiar…










Fontes
  1. "Daniel Cohn-Bendit". Discogs. Sem data de publicação. Recuperada às 15:47 de 04 de Março de 2020.
  2. "Maio de 68: Uma Contrarrevolução Conseguida by Régis Debray". Goodreads. Sem data de publicação. Recuperada às 16:45 de 04 de Março de 2020.



Etiqueta principal: Fascismo Pós-Moderno.
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29 de setembro de 2019

Woman Power

Woman Power 
Sandro Botticelli

Woman Power 
Yoko Ono

Woman Power 
Amor Electro

Woman Power 
Gigliola Cinquetti

Woman Power 
Yasmine

Woman Power 
Deolinda

Woman Power 
Tiago Bettencourt

Woman Power 
Sara Tavares e "Ala dos Namorados"



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Etiqueta principal: Feminismo.
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2 de março de 2019

Liberdade de Expressão




Porque estará «a esquerda» tão preocupada com o facto de qualquer cidadão poder publicar o que lhe apetecer no seu blogue, no seu facebook, nas redes-sociais de uma forma geral?

Porque estará «a esquerda» tão preocupada com o facto de qualquer cidadão poder escrever o que lhe apetecer nas caixas de comentários dos artigos e notícias publicados pelos média-empresa, os meios de comunicação empresariais detidos e controlados pelas oligarquias económico-financeira e politico-partidária?

Dar-se-á o caso de «a esquerda» não ser «de esquerda»?

Que horror ! 



Fontes
  1. A mídia brasileira não defende a liberdade de expressão”. Miguel Bala Bargas. Limpinho & Cheiroso. Publicado a 21 de Janeiro de 2015. Recuperado a 02 de Março de 2019.
  2. Em poucas palavras: há limites para a liberdade de expressão?”. Alex Zani. Medium. Publicado a 09 de Novembro de 2015. Recuperado a 02 de Março de 2019.


Etiqueta principal: Curtas.
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30 de janeiro de 2019

Racismo Português




Não me envergonhe, dr. António Costa!!!

Por Camilo Lourenço no Jornal de Negócios a 27 de Janeiro de 2019 às 21:30

Portugal não é um país racista; é um país onde, isoladamente, acontecem casos de racismo. Aliás, seria estranho qualificar de racista um país que tem governantes oriundos das ex-colónias (já olharam para a ascendência de Marcelo?), o primeiro negro (Mário Coluna) a capitanear uma seleção europeia e um negro como militar mais condecorado da sua História…

Há uns anos recebi uma chamada da jornalista Fernanda Câncio que, a propósito da ascensão de António Costa, queria falar sobre goeses em destaque na sociedade portuguesa. Antes de continuar, fica o esclarecimento: eu sou um produto do Império, filho de pai branco (Benedita, Portugal) e mãe indiana (Pangim, Goa).

O meu pai foi fazer serviço militar para a antiga Índia portuguesa e casou-se por lá (a diferença entre mim e António Costa é que ele é filho de pai goês e de mãe branca). Quando a União Indiana invadiu Goa, o meu pai fez parte do grupo de 800 militares presos num campo de concentração, de onde seria mais tarde recambiado para a "metrópole"… e de onde seguiu para Moçambique, para combater o terrorismo.

Voltemos à conversa: a certa altura, a Fernanda perguntou-me pelo racismo em Portugal e se não era afetado por ele. Expliquei-lhe que salvo casos isolados, em finais dos anos 70 quando regressei à "metrópole" (por causa de uma descolonização vergonhosa que só a Esquerda chama de "exemplar"), não sabia o que era racismo. Julgo que lhe expliquei também que esporadicamente ainda sou mimoseado com expressões racistas, maioritariamente vindas de radicais de esquerda, quando escrevo textos críticos no "Negócios" ou no FB. Mas como a Fernanda insistia no racismo (pareceu-me que acreditava ser Portugal um país racista), expliquei-lhe que uma coisa é racismo como política ou como problema endémico da sociedade e outra, totalmente diferente, o comportamento isolado de algumas pessoas (a quem chamo de energúmenos).

Nunca percebi se a Fernanda chegou a publicar alguma coisa, mas vou repetir o que lhe disse então: Portugal não é um país racista; é um país onde, isoladamente, acontecem casos de racismo. Aliás, seria estranho qualificar de racista um país que tem governantes oriundos das ex-colónias (já olharam para a ascendência de Marcelo?), o primeiro negro (Mário Coluna) a capitanear uma seleção europeia e um negro como militar mais condecorado da sua História…


Marcelino da Mata, fardado.

Voltando ao meu pai, com quem desde cedo comecei a discutir a inevitabilidade da independência das colónias, ele costumava lembrar-me que Goa fora a única colónia a ter um vice-rei (o Brasil teve Rei, mas fugido de Lisboa…). E dizia que o melhor exemplo de que Portugal não discriminava as colónias, e quem lá vivia, era o investimento que lá fazia: ainda hoje quem vai a Maputo, 43 anos depois da independência, fica pasmado a olhar para uma cidade e um modo de vida muito à frente de Lisboa ou de outra cidade portuguesa da época…

Quando ouvi o primeiro-ministro responder a Assunção Cristas com referências à cor da pele, fiquei estupefacto: o político que não teve problemas em chegar a ministro, a líder do PS e a primeiro-ministro inventa discriminação racial? Porquê? Por recalcamento? Para se fazer de coitadinho e capitalizar o voto da extrema-esquerda, que precisa de causas novas para ser notícia? Lamentável. António Costa é o melhor exemplo de que isso não existe. Tem críticos a chamar-lhe "chamuça", "indiano" ou "caneco" (como se chamava em Moçambique aos oriundos de Goa) em tom depreciativo? Sim, mas são casos isolados.

Não há coisa pior numa sociedade do que inventar "causas" que não têm qualquer correspondência com o sentir coletivo. António Costa, o homem que tem o PS e o país rendido a seus pés, não pode cair nessa esparrela. É por isso que deve um pedido de desculpas ao país.

Para o final fica um pedido: não volte a fazer aquela figura. Já me chega a vergonha que me fez sentir no debate quinzenal.




Sinalização da Própria Virtude

Por Álvaro Aragão Athayde em coisas & loisas a 30 de Janeiro de 2019 às 15:38.

O texto de Camilo Loureço, que acima transcrevi, e o de Gabriel Mithá Ribeiro, de que abaixo forneço referência, destacam-se entre todos os que li sobre este tema por os autores não fazerem Sinalização da Própria Virtude (Virtue Signalling), isto é, não afirmarem algo do tipo “Eu não sou Racista… mas Portugal é Racista.”

Parece-me evidente que o Bloco de Esquerda e a Ala Esquerda do Partido Socialista, grupos que representam em Portugal a Esquerda Cultural, Esquerda Identitária, Marxismo Cultural, ou Nova Esquerda, estão empenhadíssimos em convencer o Mundo, e Portugal, de que Portugal é Racista.

Porque será?



Origem do texto

Origem da fotografia

Referências
  1. Costa ‘caneco’”, Gabriel Mithá Ribeiro, Observador, 26 de Janeiro de 2019 às 00:03.
  2. Jamaica. “Câmaras comunistas não querem o ónus de deitar barracas abaixo””, Sónia Simões, Observador, 29 de Janeiro de 2019.
  3. Virtue signalling”, Urban Dictionary.
  4. "A esquerda “identitária” diz adeus a Marx", José Pacheco Pereira, Público,  26 de Janeiro de 2019 às 06:45.
  5. "Nova Esquerda", Wikipédia, a enciclopédia livre.
  6. "Rudi Dutschke", Wikipedia, the free encyclopedia.


Etiqueta principal: Política.
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20 de janeiro de 2019

ASCUNO, o novo nome da CENSURA




O novo nome da CENSURA é ASCUNO, acrónimo de Autoridade de Segurança Cultural e NoticiosaA missão da Autoridade de Segurança Cultural e Noticiosa, ASCUNO, é dar cumprimento à legislação que vai ser publicada tendo em vista a “regulação da selva das redes sociais” para “não nos deixarmos render ao império das teorias conspirativas”, reforçar o “no nosso instinto vital democrático” e, também, a “nossa capacidade de resistir à toxicodependência mediática e de distinguir o verdadeiro do falso”.


E se Trump for mesmo um espião russo?

Não têm fim os hipotéticos cenários para as teorias da conspiração veiculadas pelas redes sociais.

Por Vicente Jorge Silva no PÚBLICO a 20 de Janeiro de 2019 às 08:00.

Trump espião russo? Salvini e Orbán marionetas de Putin ou o “Brexit” um cenário montado por Moscovo com o objectivo de lançar o caos na Europa? Já agora, Rio e Montenegro agentes de Costa para enfraquecer o PSD e dar ao PS a maioria absoluta? Não têm fim os hipotéticos cenários para as teorias da conspiração veiculadas pelas redes sociais e devoradas pelas multidões de novos toxicodependentes que as consomem e propagam. Vivemos num mundo onde parece cada vez mais difícil distinguir entre as fake news e as notícias verdadeiras, tal é a escorregadia opacidade que se instalou entre a verdade e a mentira.

Retomemos então a hipótese de Trump ser um espião russo, aprisionado nas malhas da submissão a Moscovo desde os tempos em que se envolveu em negócios imobiliários, concursos de misses e televisão ou aventuras sexuais na Rússia. Se tivermos em conta o padrão de comportamento de Trump, a desafiar permanentemente os limites da verosimilhança (ou da anedota delirante), essa hipótese acaba por aparecer como credível – sem esquecer o que se sabe das suas embaraçosas relações com Putin.

Aliás, no início da semana passada o New York Times referia que a guerra que Trump trava pela sua sobrevivência política faz com que o shutdown mais longo da história americana pareça reduzir-se a uma questão menor – sendo o pano de fundo dessa guerra os laços altamente comprometedores do Presidente americano com Moscovo.

Paradoxalmente, o raríssimo desmentido feito anteontem pelo procurador especial Robert Mueller a uma nova notícia que envolvia Trump nesse enredo mais parecia uma manobra táctica para mostrar a independência de julgamento do procurador (encarregado do inquérito às suspeitas de interferência russa na campanha presidencial a favor do candidato republicano) do que um efectivo desmentido.

Ora, se o próprio Presidente da maior potência global – apesar de se tratar de uma personagem tão inverosímil como Trump, o que já diz muito sobre o estado a que o mundo chegou – pode estar refém da sua dependência em relação à Rússia, isso não legitimará as teorias de conspiração que hoje tendem a propagar-se por meio das redes sociais? Por outro lado, quando os tenores do populismo através do mundo – e da Europa – se permitem espalhar aos quatro ventos as mais grosseiras distorções da verdade factual e são acolhidos por multidões de fiéis sedentos dessas mistificações, isso não será também um sinal de que as democracias estão em risco?

Num estudo da Universidade de Cambridge referido pelo Expresso em Novembro passado e na penúltima edição do magazine francês Obs, os dados recolhidos em nove países, incluindo Portugal, revelam uma inquietante vulnerabilidade às fake news e teorias conspirativas, que evoluíram de uma questão marginal para um fenómeno mainstream – segundo um dos autores do estudo, Hugo Leal. Curiosamente, Portugal é o país menos receptivo a essas teorias (onde predomina o tema migratório), embora seja aquele onde mais se acredita que um grupo secreto governa o mundo (42 por cento das opiniões) e que haverá sempre uma elite a sobrepor-se ao poder dos eleitos.

A velha sentença de Churchill – segundo a qual a democracia é um regime péssimo mas todos os outros são piores – nunca terá sido tão pertinente como agora. Ora, para além da necessária regulação da selva das redes sociais, a única verdadeira solução para não nos deixarmos render ao império das teorias conspirativas está em nós, no nosso instinto vital democrático, na nossa capacidade de resistir à toxicodependência mediática e de distinguir o verdadeiro do falso. O que é, convenhamos, cada vez mais problemático, quando as duas dimensões se misturam e a irrealidade de Trump ser um espião russo se pode revelar simplesmente…real.


Origem dos textos
  1. E se Trump for mesmo um espião russo? no Público.
  2. Álvaro Aragão Athayde em coisas & loisas.

Origem da figura


Etiqueta principal: Política.
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9 de novembro de 2018

Rewriting the History

Rewriting the History.



The most effective way to destroy people is to deny and obliterate their own understanding of their history.
George Orwell, from Rewriting History Quotes (18 quotes) – Goodreads.



Referências
  1. rewriting history – Urban Dictionary.
  2. rewrite history – The Free Dictionary.
  3. Rewriting history: a brief history – The Spectator.
  4. Rewriting History Quotes (18 quotes) – Goodreads.
  5. Historical negationism – Wikipedia, the free encyclopedia.

Origem da imagem
  • Old Boys Network.


Etiqueta principal: Curtas.
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