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19 de março de 2021

No politicamente correcto…

doutrinação


No políticamente correcto o Brasil está anos luz à frente de Portugal como facilmente se constata lendo o artigo de título O Marxismo cultural e a nossa violência Quotidiana, artigo de onde foi retirada a caricatura acima, artigo que foi publicado no dia 14 de Maio de 2014, já lá vão quase 7 (sete) anos.


Observatório da população em 
cargos de gestão do pensamento neutro e inclusivo
Para uma educação neutra, as identidades nacionais devem ser substituídas por uma humanidade global, fluída, indistinta, volátil, inclusiva. Bandeiras, só talvez a do arco-íris.

Por Jaime Nogueira Pinto no Observador às 06:50 de 19 de Março de 2021. Original aqui.

Em 2003, quando ainda a procissão e o milénio iam no adro, Anthony Browne, um licenciado em Matemática por Cambridge, escritor, jornalista e colaborador do Times, publicou The Retreat of Reason – Political Correctness and the Corruption of Public Debate in Modern Britain.  E a título de exemplo, começava por denunciar a cortina de silêncio com que, por puro pudor e paternalismo ideológico, a imprensa britânica tinha velado a incidência de HIV nas comunidades de migrantes africanos. E isso era só um vislumbre: a Grã-Bretanha, que “durante séculos tinha sido um farol da liberdade de pensamento, de credo e de expressão”, via agora “a sua vida intelectual e política acorrentada”, com “vastas áreas de conhecimento” excluídas do debate pelos novos moralistas.

Browne resumia depois a Longa Marcha do marxismo cultural, da escola de Frankfurt à contracultura euro-americana dos anos 60, e daí até à hegemonia académica, sobretudo nas Ciências Sociais e, mais especificamente, nos “Estudos” sectoriais, que as universidades norte-americanas irradiavam para o mundo.

E os “Estudos”, pós-coloniais, feministas, interseccionais, proto-LGBTQ+ – que, no seu melhor, começaram por ser sedutoras “paranóias de tipo interpretativo” com “a força e a estreiteza da loucura” (para usar a definição de Pessoa do “critério psicológico de Freud”), capazes de nos alertarem para realidades encobertas, de acordarem outros sentidos nas obras literárias, historiográficas ou filosóficas, de abrirem caminhos e campos de investigação e de criaram novas oportunidades de trabalho –  foram tomados de assalto por zelotas.

Aconteceu também que o zelo destes zelotas, com o seu vocabulário esotérico (tanto mais complexo, sofisticado e “científico” na forma, quanto mais oco, medíocre e manipulador no conteúdo), se foi sobrepondo a tudo o resto… E foi seduzindo fundações burguesas e governos que, quais aristocratas francesas acarinhando nos seus salões as iluminadas ideias que haviam de cortar o pescoço aos seus filhos e netos, se foram rendendo ao charme discreto dos novos “sábios dos oprimidos”.

E assim os “Estudos” cresceram e multiplicaram-se, enchendo e dominando a academia e reinando sobre todos os animais exóticos da terra. E desdobraram-se em Centros, Fóruns, Iniciativas e Observatórios, subjugando aqui, domesticando ali, preservando acolá, mas observando sempre.

E eis que, em incansável demanda por opressores e oprimidos, por macro e micro agressões, por visões alternativas e por subvenções, os zelotas que, do alto dos seus observatórios de marfim, tinham começado por promover a nova moral, passaram a perseguir os recalcitrantes – passados, presentes e futuros. Cada tique de linguagem, cada acto, palavra ou omissão, cada desvio do pensamento correcto, neutro e inclusivo, cada cisco, por mais ínfimo, no olho de um “opressor”, ou de um autor consagrado ou de uma figura histórica celebrada, era escrupulosamente observado, pesado, medido, condenado. E não se pense que os “oprimidos” conheciam melhor sorte: a eles também se exigia que não saíssem do redil e que se cingissem à identidade em que os novos moralistas os encurralavam… É que se não parassem quietos e se não se deixassem ficar oprimidos como lhes competia, se começassem a pensar e a reivindicar individualidades e especificidades, como é que queriam que os detentores da nova verdade e da nova moral os libertassem, lhes arranjassem subsídios e empregos nos Centros, Fóruns, Iniciativas e Observatórios que eles controlavam e os sustentam?

“Pensamento correcto” foi uma expressão abundantemente usada pelos partidos comunistas nos anos 20 e 30; Mao Tsé-Tung repetiu-a incessantemente nos seus escritos. Correcto, era todo o pensamento que estava de acordo com a linha do Partido ou que batia certo com as categorias históricas e sociopolíticas cientificamente estipuladas pelo Grande Timoneiro. Fora dessa correcção, não podia haver pensamento – mas não deixava de haver consequências.


Do pensamento correcto ao pensamento neutro e inclusivo

Dir-se-á que agora, com o actual “pensamento neutro e inclusivo”, que actua essencialmente no condicionamento da linguagem, não há consequências. Ou não as haverá tão imediatamente brutais e fatais. Mas não deixa de haver supressão do pensamento “incorrecto”, ou seja, inibição do pensamento. E se a nova ortodoxia parece não aspirar já a um tradicional “assalto ao poder”, é só porque a influência constante e progressiva nas mentalidades, traduzida depois em leis e regulamentos, tornou o velho “assalto” irrelevante.

Fora do discurso consentido, todo o discurso poderá facilmente ser denunciado como “discurso de ódio”, ao sabor do zelo e da criatividade dos sacerdotes do novo credo e do seu Index. Acresce que esta ortodoxia é tendencialmente elitista, acarinhando os magos e desprezando os pastores, procurando colonizar preferencialmente, por doutrinação ou pressão, as elites funcionais – ou, para usar uma linguagem mais consentânea, “a população em cargos académicos, artísticos, mediáticos e empresariais”.

Mas se a resistência vem das maiorias que o pensamento “neutro e inclusivo” discrimina, como as classes médias profissionais, as massas populares e religiosas e o grosso da população “binária”; vem também das minorias que o mesmo pensamento cristaliza.


Portugal no bom caminho

É por isso que consideram urgente domar a linguagem e explicar ao povo e às crianças o novo credo. Para uma educação neutra, as identidades nacionais devem então ser substituídas por uma humanidade global, fluída, indistinta, volátil, inclusiva. Bandeiras, só talvez a do arco-íris, devendo a História nacional ser reavaliada à luz do que foram “verdadeiramente” os “chamados Descobrimentos”: nada mais do que uma empresa comercial lucrativa, racista, esclavagista e exploradora dos povos africanos e ameríndios.

E estamos no bom caminho: temos uma investigadora que quer anexar notas pedagógicas anti-racistas aos Maias de Eça de Queiroz, um deputado que quer destruir o Padrão dos Descobrimentos, uns anónimos que acham que vandalizar a estátua do Padre António Vieira é lutar contra o racismo, e um Conselho Económico e Social que acha fundamental para a nossa economia e para a nossa sociedade que se adopte uma nova linguagem. Não restam dúvidas: entre a profunda ignorância de quem aparentemente pertence à “população com baixa visão” mas que frequentemente descobrimos como parte da “população em cargos de gestão”, estamos mesmo no bom caminho.

São tempos estranhos para a razão e para o senso comum, sob estas acometidas orwellianas, tão apartadas de qualquer visão minimamente realista da natureza humana, da criatividade humana e do pensamento e da acção humana que têm tudo para acabar mal.

Segundo o novo código de Hollywood, para que um filme se candidate aos Óscares, deverá agora ter “pelo menos um actor ou uma actriz principais de etnias sub-representadas” (asiática, hispânica, afroamericana, nativa-americana); e o elenco secundário terá de ter, “pelo menos, 30% de mulheres, LGBTQ+ ou pessoas com incapacidade”, que deverão “estar também representadas, de alguma forma, no argumento”. Enfim, perante esta sua sequela gramsciana, empalidece, acabrunhado, o realismo socialista da Rússia de Estaline (que sempre tinha Dziga Vertov e Sergei Eisenstein).

É todo um novo catecismo laico, mas promovido com fúrias de Torquemada. Aplicou-se, consciente ou inconscientemente, um princípio de desconstrução marxista, que passou da “classe social” para outras determinantes. Onde, na Vulgata, havia Burgueses e Proletários, Exploradores e Explorados, Patrões e Trabalhadores, há agora o mais fluído binómio Opressor-Oprimido – ainda que com categorias igualmente inflexíveis, de raça, de género, de comportamento social e político.

E tal como Marx, Engels, Lenine e Trotsky, que não eram propriamente proletários, adoptaram “a teoria do Partido como vanguarda da classe operária” para puderem liderar a revolução, também  os pioneiros da Correcção Política, que, na sua maioria, também não são propriamente “oprimidos de origem”, adoptam agora a teoria da vanguarda para poderem guiar e pastorear convenientemente os “novos proletários”. E assim como Marx e Engels sofriam com a adesão dos operários franceses e alemães ao bonapartismo ou ao socialismo patriótico, também os novos comissários políticos sofrem com os  trânsfugas das modernas massas “minoritárias” ou “oprimidas”  e sabem que não as podem deixar ao abandono. Têm de ser educadas e controladas. E, para isso, lá estão os capatazes, os quadros médios vigilantes, na Academia, no jornal ou na estação televisiva, prontos a seguir, por convicção, ignorância, ou dependência, a “linha geral” e correcta, a linha do Partido, e a punir os oposicionistas e os desviacionistas.

Para singrar neste mundo “neutro e inclusivo” há inúmeros filões a explorar, e as figuras e os escritores de outras épocas abrem toda uma vasta gama de apetecíveis e subsidiáveis possibilidades. E se ao ler Eça somos imediatamente confrontados com a ausência – e a necessidade, e a urgência – de notas pedagógicas anti-racistas, o mundo machista de Camilo, por exemplo, pleno de “discurso de ódio” contra “brasileiros”, de mulheres que acabam em conventos por paixões contrariadas, ou, pior ainda, que casam, têm filhos e estão contentes, afigura-se ainda mais necessitado de delações censórias. E Camões, e Gil Vicente, que riqueza para denúncias!

Lorena Germán, presidente do National Council of English Teatcher’s Comittee Against Racism and Bias in Teaching of English é um exemplo a seguir. À semelhança de Mao, que não gostava de Shakespeare ou o achava impróprio para as massas e por isso o proibiu durante a Revolução Cultural, Germán também não morre de amores pelo Bardo. Ou melhor, concede que “como qualquer outro dramaturgo” Shakespeare até terá um certo “mérito literário”, mas nada que ofusque a abjecta demonstração de “supremacia branca e colonialista” que os seus textos, e a importância que se lhes dá, exalam. E a violência, a misoginia e o racismo que descortina em Shakespeare, levam a professora a sugerir que se celebrem nas salas de aula “as vozes dos marginalizados”, até para mostrar aos estudantes “uma sociedade melhor”. Defende ainda que “é imperativo corrigir a mensagem que os educadores e os sistemas escolares dão às crianças”: Haverá uma linguagem “superior”? E qual deverá ser ela?  Quais são as histórias verdadeiramente “universais”? Que História devemos transportar para o futuro?


Cancelar Shakespeare

Shakespeare não será, evidentemente, um dos eleitos, uma das vozes a transportar para o futuro.  Até porque está longe de reunir os requisitos da nova linguagem e do novo pensamento neutro e inclusivo. É difícil encontrar um escritor onde a Humanidade, na sua grandeza e miséria, nos limites do sublime e da queda, no elenco dos sentimentos e dos sentidos, seja tão intrincada e completamente recriada – e isso, não só não é bom para as massas, como é, claramente, demais para a simplista e maniqueísta neutralização do pensamento que nos deverá guiar.

Mas haverá palavras “neutras” para falar de paixão mais inclusivas do que as que Shakespeare usou em Romeu e Julieta? Será só de “branquitude” que nos fala quando disseca os caminhos da tragédia, da ambição e do poder em Júlio César? Ou quando nos confronta com o ressentimento, a malevolência e o ciúme, em Otelo? Sim, Otelo, o “Mouro”, ou o “Negro” de Veneza, o condotiere mercenário, integrado por Desdémona, mas olhado sempre como um “cristão-novo” pelos patrícios. E a revolta das “minorias”, não estará lá na tirada defensiva de Shylock, no Mercador de Veneza, ou na sombra de Caliban, na Tempestade? Pouco importa: deixámos de precisar de Shakespeare, que só por preconceito e por imposição racista resistiu a séculos de leitura; o que o mundo e os estudantes agora precisam, o que todos nós precisamos agora, e urgentemente, é de linguagem neutra e inclusiva.

Marx era um grande leitor e admirador de Shakespeare, lia-o aos filhos e a família chamava-lhe “O Mouro”, por causa da sua obsessão por Otelo. Via em Shylock o retrato do explorador e Timon de Atenas serviu-lhe de ponto de partida para uma reflexão sobre os paradigmas do ouro e do dinheiro. Mas isso eram outros tempos, tempos opressores, em que “a cultura” era mais depressa valorizada do que cancelada, e em que o pensamento não era ainda suficientemente neutro e inclusivo.

Felizmente, e para desgosto das Lorenas Germáns deste mundo, não são só as “maiorias opressoras” que reagem… Alguns dos mais qualificados membros pensantes das “minorias oprimidas” também fogem ao espartilho imposto, resistindo ainda e sempre à neutralização do pensamento.

A grande poetiza negra americana, Maya Angelou, estava bem ciente que Shakespeare era branco, inglês e do Renascimento, mas, recordando a sua própria condição marginal na Carolina do Norte dos meados do século XX, escreveu a propósito do Soneto 29 (aquele que começa “When, in disgrace with fortune and men’s eyes / I all alone beweep my outcast state”):

Shakespeare escreveu-o para mim, esta é a condição da mulher negra. Claro, Shakespeare era uma mulher negra. Percebo-o bem. Ninguém mais o sabe, mas eu sei que Shakespeare era uma “mulher negra”.

Estamos com ela. Resistimos e vamos resistir à neutralização do pensamento. Pelas maiorias e pelas minorias.







Etiqueta Principal: Guerra Cultural.

20 de janeiro de 2019

ASCUNO, o novo nome da CENSURA




O novo nome da CENSURA é ASCUNO, acrónimo de Autoridade de Segurança Cultural e NoticiosaA missão da Autoridade de Segurança Cultural e Noticiosa, ASCUNO, é dar cumprimento à legislação que vai ser publicada tendo em vista a “regulação da selva das redes sociais” para “não nos deixarmos render ao império das teorias conspirativas”, reforçar o “no nosso instinto vital democrático” e, também, a “nossa capacidade de resistir à toxicodependência mediática e de distinguir o verdadeiro do falso”.


E se Trump for mesmo um espião russo?

Não têm fim os hipotéticos cenários para as teorias da conspiração veiculadas pelas redes sociais.

Por Vicente Jorge Silva no PÚBLICO a 20 de Janeiro de 2019 às 08:00.

Trump espião russo? Salvini e Orbán marionetas de Putin ou o “Brexit” um cenário montado por Moscovo com o objectivo de lançar o caos na Europa? Já agora, Rio e Montenegro agentes de Costa para enfraquecer o PSD e dar ao PS a maioria absoluta? Não têm fim os hipotéticos cenários para as teorias da conspiração veiculadas pelas redes sociais e devoradas pelas multidões de novos toxicodependentes que as consomem e propagam. Vivemos num mundo onde parece cada vez mais difícil distinguir entre as fake news e as notícias verdadeiras, tal é a escorregadia opacidade que se instalou entre a verdade e a mentira.

Retomemos então a hipótese de Trump ser um espião russo, aprisionado nas malhas da submissão a Moscovo desde os tempos em que se envolveu em negócios imobiliários, concursos de misses e televisão ou aventuras sexuais na Rússia. Se tivermos em conta o padrão de comportamento de Trump, a desafiar permanentemente os limites da verosimilhança (ou da anedota delirante), essa hipótese acaba por aparecer como credível – sem esquecer o que se sabe das suas embaraçosas relações com Putin.

Aliás, no início da semana passada o New York Times referia que a guerra que Trump trava pela sua sobrevivência política faz com que o shutdown mais longo da história americana pareça reduzir-se a uma questão menor – sendo o pano de fundo dessa guerra os laços altamente comprometedores do Presidente americano com Moscovo.

Paradoxalmente, o raríssimo desmentido feito anteontem pelo procurador especial Robert Mueller a uma nova notícia que envolvia Trump nesse enredo mais parecia uma manobra táctica para mostrar a independência de julgamento do procurador (encarregado do inquérito às suspeitas de interferência russa na campanha presidencial a favor do candidato republicano) do que um efectivo desmentido.

Ora, se o próprio Presidente da maior potência global – apesar de se tratar de uma personagem tão inverosímil como Trump, o que já diz muito sobre o estado a que o mundo chegou – pode estar refém da sua dependência em relação à Rússia, isso não legitimará as teorias de conspiração que hoje tendem a propagar-se por meio das redes sociais? Por outro lado, quando os tenores do populismo através do mundo – e da Europa – se permitem espalhar aos quatro ventos as mais grosseiras distorções da verdade factual e são acolhidos por multidões de fiéis sedentos dessas mistificações, isso não será também um sinal de que as democracias estão em risco?

Num estudo da Universidade de Cambridge referido pelo Expresso em Novembro passado e na penúltima edição do magazine francês Obs, os dados recolhidos em nove países, incluindo Portugal, revelam uma inquietante vulnerabilidade às fake news e teorias conspirativas, que evoluíram de uma questão marginal para um fenómeno mainstream – segundo um dos autores do estudo, Hugo Leal. Curiosamente, Portugal é o país menos receptivo a essas teorias (onde predomina o tema migratório), embora seja aquele onde mais se acredita que um grupo secreto governa o mundo (42 por cento das opiniões) e que haverá sempre uma elite a sobrepor-se ao poder dos eleitos.

A velha sentença de Churchill – segundo a qual a democracia é um regime péssimo mas todos os outros são piores – nunca terá sido tão pertinente como agora. Ora, para além da necessária regulação da selva das redes sociais, a única verdadeira solução para não nos deixarmos render ao império das teorias conspirativas está em nós, no nosso instinto vital democrático, na nossa capacidade de resistir à toxicodependência mediática e de distinguir o verdadeiro do falso. O que é, convenhamos, cada vez mais problemático, quando as duas dimensões se misturam e a irrealidade de Trump ser um espião russo se pode revelar simplesmente…real.


Origem dos textos
  1. E se Trump for mesmo um espião russo? no Público.
  2. Álvaro Aragão Athayde em coisas & loisas.

Origem da figura


Etiqueta principal: Política.
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19 de novembro de 2018

Libertários, Totalitários e Touros

El toro, símbolo de prosperidad financiera,
ahora está acompañada de una escultura de bronce bautizada ‘La niña sin miedo’.



Confesso que nunca imaginei que os Touros permitissem expor o que diferencia Libertários de Totalitários… mas leiam só a prosa do Apparatchik Alfredo Barroso!



Viagem ao fundo da liberdade de tourear

Para Manuel Alegre e o seu “epifenomenal” amigo Miguel Sousa Tavares – ambos pedem meças ao marquês de Marialva! –, o toureio é arte tão nobre como o boxe.

Conseguindo ir mais fundo do que a inteligência consegue descer, o político, poeta laureado e doutor honoris causa Manuel Alegre proclama, ex cathedra, que “quem não percebe o que há de ‘sagrado’ numa corrida de touros também não percebe a poesia, não percebe a literatura”. Leio e pasmo. Nestes últimos tempos, com as suas catilinárias taurinas, o poeta já me ofendeu várias vezes, fazendo-me passar por “promotor de Bolsonaros” e indigente que “não percebe a poesia, não percebe a literatura”. A arrogância deste poeta e político marialva, capaz de arrastar tantos “forcados da política” no grupo parlamentar do PS, não tem limites. É assim uma espécie de socialismo de bandarilheiros, forcados e toureiros de capote e estoque que em Portugal fingem que matam o touro, mas só o torturam.

Manuel Alegre diz e repete: “A questão das touradas é uma questão de liberdade.” E o seu companheiro de caçadas Miguel Sousa Tavares, um epifenómeno, repete exactamente o mesmo. Parecem Dupond e Dupont, amigos do Tintim. Para eles trata-se, é claro, da liberdade de tourear, de bandarilhar e de torturar um touro até o fazer sangrar, retirando-lhe energia bastante para que os forcados o peguem de caras sem grande risco, ou de cernelha se falharem de caras, antes de o touro voltar aos curros num grande sofrimento que se prolongará por mais uns dias, sem água nem tratamento para o aliviar. Ao menos em Espanha abrevia-se o sofrimento na arena, com a estocada mortal no touro, para gáudio dos fanáticos. Se o bicho não morre logo, espetam-lhe um punhal na cabeça e é um descanso.

Para Manuel Alegre e o seu “epifenomenal” amigo Miguel Sousa Tavares – ambos pedem meças ao marquês de Marialva! –, o toureio é arte tão nobre como o boxe. É, sobretudo, uma tradição sagrada e sacrificial que se inscreve no mais profundo espólio que uma nação deve conservar no seu depósito da consciência colectiva. A nação, pois claro, e a tradição, evidentemente, que vão bem mais longe e mais ao fundo do que a antiga musa canta! Trata-se de martelar infatigavelmente estas ideias. Como escreveu Gustave Le Bon: “A afirmação pura e simples, libertada de qualquer raciocínio e de qualquer prova, constitui um meio seguro para penetrar no espírito das multidões. Quanto mais concisa ela for, desprovida de provas e de demonstração, mais se torna autoridade. Os livros religiosos e os códigos de todas as idades sempre procederam por via da simples afirmação.” Trata-se, em suma, de reduzir ao máximo a actividade mental do “grande público” – e também de um “pequeno público” de deputados do PS – estruturando todo o discurso em torno de uma quantidade limitada de asserções. Nem é preciso que elas sejam brilhantes, novas ou originais. Basta que seduzam pela sua forma e pela concisão.
Tal como um toureiro em Espanha simplifica… até à morte do touro!

A diabolização de todos os que execram as touradas – porque as consideram um espectáculo bárbaro e cruel, em que o animal indefeso é alvo de tortura contínua para gáudio do público – é, na minha opinião, uma atitude inadmissível por parte de quem se apresenta perante os outros em bicos de pés, tão cheio de arrogância, como se fosse um espírito superior e o farol da ética democrática. Até parece que só haverá democracia enquanto houver “corridas de touros” e que a liberdade só deve servir para garantir o “gosto” dos “aficionados”, fórmula suave de mencionar os fanáticos das touradas. Mais: parece que só os “direitos do homem” devem ser defendidos e que a vida dos animais não dispõe de qualquer direito nem merece a menor protecção jurídica. Os fanáticos das touradas dizem mesmo que os que as detestam e contestam não são verdadeiros humanistas e que é essa atitude que os faz gerar Bolsonaros, ditadores, tiranos, il Duce e der Führer! 

Ora, isto é um insulto, um disparate, uma estupidez e uma contradição, dado que Bolsonaro é, como se sabe, um político rasca, de extrema-direita, com um cérebro reptiliano e um instinto de matança, precisamente dirigido contra todos os que o detestam e contestam – designadamente os políticos de esquerda (os vermelhos!), as mulheres em geral e as emancipadas em especial, os homossexuais, os mais pobres e desprotegidos (mesmo os que votaram nele) –, o que não levanta dúvidas quanto à posição que Bolsonaro adoptaria em relação à “questão das touradas”: ao lado de Manuel Alegre e do seu epifenómeno Miguel Sousa Tavares!

Confesso que não esperava que um doutor honoris causa me cobrisse de tantos e tão miseráveis insultos, ao insultar genericamente todos quantos não comungam da sua paixão até há pouco assolapada pelas corridas de touros. É verdade que já outros tinham feito mesmo, catalogando-me estupidamente, e aos que detestam e contestam as ditas cujas, como “ignorantes inúteis”. Enfim, pobres de espírito! Mas é certo que o feitio incandescente e “tremendista” de Manuel Alegre, sempre à espreita de pretexto para que falem dele – e, tauromaquicamente falando, para encostar às tábuas o PS –, submete-o, como a Savonarola, a uma “prova de fogo” que só uma «chuva diluviana” conseguirá apagar. Talvez Miguel Sousa Tavares acorra, disfarçado de bombeiro, para o “salvar”, à frente duma pequena multidão de aficionados e marialvas, forcados, bandarilheiros e toureiros, de inteligentes e corneteiros das corridas, de cavaleiros com as farpelas “à antiga portuguesa”, de ganadeiros, latifundiários e senhoras galantes de chapéu à mazantino e, é claro!, de vários deputados do PS, com o sempre inefável Carlos César à cabeça…

Escreve sem adopção das regras do acordo ortográfico de 1990



Origem do texto

Origem das figuras


Referências
  1. Alfredo Barroso em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  2. Manuel Alegre em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  3. Miguel Sousa Tavares em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  4. Marquês de Marialva em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  5. Última Corrida de Touros em Salvaterra - Rebelo da Silva em Passei Direto.
  6. Apparatchik em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  7. Entenda o que é Libertarianismo em Politize!.
  8. Libertarismo en Wikipedia, la enciclopedia libre.
  9. Totalitarismo en Wikipedia, la enciclopedia libre.
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Etiqueta principal: Ideologia.
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15 de novembro de 2018

Carta Aberta à Senhora Ministra Graça

Bom… a ver se se decidem, OK?
É que eu tenho de organizar a minha vida, sabem?



Carta Aberta de Bernardo Patinhas à Senhora Ministra Graça

Pela sua pertinência, pela sua importância e pela sua tão clara abordagem a um tema que está a dar brado, publicamos, com a devida vénia, a Carta Aberta à Ministra da Cultura publicada na sua página do Facebook por Bernardo Salgueiro Patinhas, forcado e advogado.

Não gosto de usar as redes sociais como veículo ou ferramenta reivindicativa, arma política ou sequer para partilhar convicções, uso sobretudo para partilhar disparates, portanto e nessa senda, da partilha de disparates, aqui vai a resposta a um disparate de uma senhora, ontem, no Parlamento:



Carta aberta à Sra. Ministra Graça


Excelentíssima Senhora Ministra Graça

Não sei de que civilização provem, mas não será seguramente a mesma de Mário Vargas Llosa, Camilo José Cela, Ortega y Gasset, Picasso, Goya, Velasquez, García Lorca, Júlio Pomar, Nicolau Breyner, Eça de Queirós, Francis Wolf, conhece algum?

El animoso moro Gazul es el primero que lanceó toros en regla.

Não estando eu à altura de nenhum destes Senhores, gosto de pensar que partilho da civilização em que habitam ou habitaram.

Senhora Ministra, não da Cultura, porque de Cultura claramente pouco sabe, caso contrário saberia que cultura é tudo aquilo que um povo adopta como seu, cultiva, cuida e transmite ao longo de gerações, ultrapassando guerras, regimes políticos, golpes de estado, partidos, crises e sobretudo vontades individuais como, por exemplo, a da Excelentíssima Senhora Ministra Graça.

É esse mesmo povo que define o que é cultura que permitiu que V/Exa fosse convidada a integrar a função de Estado que agora exerce, através do acto eleitoral, democrático. Mas lembre-se, Excelentíssima Senhora Ministra Graça, a Senhora não foi eleita, foi convidada e as funções que V/Exa exerce são a prazo.

Quem exerce tais nobres funções, tem que, em primeiro lugar, colocar os interesses da Nação à frente dos interesses, opiniões, vontades e caprichos pessoais, se o não fizer, corre o risco de voltar a ser convidada, mas desta vez a sair, por incompetência.


Excelentíssima Senhora Ministra Graça

A senhora afirma que é importante, no cargo que exerce, assumir a homossexualidade.

A minha civilização desconhece a correlação direta, ou mesmo indireta, entre ser responsável pela tutela da Cultura e ser homossexual, a não ser uma necessidade insofismável de afirmação e imposição pessoal da orientação sexual da Excelentíssima Senhora Ministra Graça, mesmo uma carência.

Pablo Picasso's Bull.

Mas até a sua escolha, goste-se ou não, a minha civilização respeita porque está consagrada na Constituição da República Portuguesa, conhece?

Como também está o direito à fruição cultural.


Excelentíssima Senhora Ministra Graça, 

Na sua primeira intervenção demonstrou imediatamente as suas intenções e motivações, governar para si e não para a Nação.

Teve azar, escolheu mal as palavras, foi infeliz, o Estado e a Nação estão primeiro, e ao contrário do que afirmou Luis XIV “L´État c’est moi”, la culture n'est pas toi Excelentíssima Senhora Ministra Graça, a cultura é de todos os que a fazem, acolhem, criam, transmitem e a Excelentíssima Senhora Ministra Graça tem exclusivamente que governar para esse povo, respeitando-o e tratando-o com dignidade, educação e civilização.


Excelentíssima Senhora Ministra Graça

Não me alongo muito mais porque tenho a certeza, tranquilidade e confiança que a primeira intervenção de V/Exa no Parlamento não distará muito da última.

E deixo-lhe uma opinião, agora sim, pessoal e intransmissível.

Com a sua afirmação revelou deselegância, incompetência, ignorância, inaptidão e vulgaridade para exercer tamanha função.


Termino como comecei

Excelentíssima Senhora Ministra Graça

não temos nada em comum, a sua civilização e a minha, nada nos aproxima, a não ser, exclusivamente, que ambos gostamos de mulheres.

Tenho duas boa razões para lhe brindar esta lide!

Bernardo Salgueiro Patinhas



Referências
  1. Taurocatapsia em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  2. Tauromaquia em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  3. História da Tauromaquia em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  4. De Goya à Hemingway : visions tauromachiques dans Cairn.info.
  5. A Ditadura do Gosto em Dicas-L.
  6. A Ditadura do Gosto e a Ditadura do Mercadou



Origem do texto
  • Bernardo Salgueiro Patinhas em Old boys Network.


Origem das figuras
  1. Polémica nas touradas: sim ou não? em L.FrascOON.
  2. La Tauromaquia at Wikipedia, the free encyclopedia.
  3. As etapas do Touro de Picasso: do acadêmico ao abstrato em Arte|Ref.
  4. Humor taurino: Duas razões para brindar uma pega! em Flickr.Protoiro.



Etiqueta principal: Cultura.
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