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18 de abril de 2021

Vai Maria vai, vai com as outras tomar a vacina!


Uma manada de herbívoros selvagens segue as trilhas ancestrais.

Os adultos percorrem os caminhos que aprenderam a percorrer quando eram jovens. Os jovens, que seguem na manada com os adultos, aprendem a percorrer os caminhos que percorrerão quando forem adultos.

Uma manada de herbívoros domesticados é conduzida pelos pastores.



Os Homo sapiens sapiens, a espécie humana, a nossa espécie, é uma espécie social que umas vezes se comporta como as manadas de herbívoros selvagens, outras como as manada de herbívoros domesticados, outras ainda como as alcateias de lobos, ou as matilhas de cães.







Etiqueta Principal: Fascismo Pós-Moderno.

28 de março de 2021

Mentiras e Verdades


É mais fácil enganar as pessoas do que desenganá-las.

Porquê?

Saber não sei, mas suspeito.

Suspeito, estou mesmo praticamente certo, que ter de reconhecer que fomos enganado é desagradável, desagradabilíssimo, por vezes traumatizante.

Os exemplos clássicos são dois:

  1. O do cônjuge enganado.
  2. O do conto do vigário.

Ter de reconhecer que fomos enganados afecta imenso a boa imagem que gostamos de ter dos outros e de nós próprios, o que nos leva a evitar reconhecê-lo, mesmo quando o engano é por demais evidente.

Na prática acabamos por não ter remédio senão reconhecê-lo se, e quando, os prejuízos que o engano nos causa atingem níveis inaceitáveis. Níveis inaceitáveis em termos materiais, em termos morais (ou espirituais), ou em ambos os termos. Até lá estamos em negação: Não! Não acredito!




Terraplanistas são eles

A “ciência” viu-se apropriada por devotos da virologia de veterinários, da fancaria das TVs e da hipocondria do inquilino de Belém. Isto é, por místicos que não fazem a mínima ideia do que é a ciência.

Por Alberto Gonçalves no Observador às 00:09 de 27 de  Março de 2021.

Antes da Covid, o “argumento” mais revelador da falta de argumentos e de neurónios de quem o utilizava era o da Rennie. Quando alguém confrontava um palerma com alguma coisa que lhe desagradasse, o palerma respondia imediatamente: “Toma Rennie que isso passa”, e a seguir retirava-se triunfante e seguro de que ganhara o debate. Num país cujo serviço de saúde não colapsasse à primeira oportunidade, o palerma ganharia a avaliação de uma junta de psiquiatras, mas esse é outro ponto. Aqui, o ponto é o recuso ao refluxo gástrico, vulgo azia, para encerrar uma discussão. Às vezes, o Kompensan substituía a Rennie, embora não houvesse massa encefálica que substituísse o ar morno na caixa craniana dessa gente. Bons tempos.

Em tempos de Covid, e contra todas as expectativas, o nível da “argumentação” conseguiu baixar. Hoje, a turba indistinta do “fique em casa”, do “confinamento” eterno e das máscaras permanentes é tão desprovida de razão que faz o pessoal da Rennie parecer sofisticado por comparação. O caso é particularmente irónico na medida em que, no lugar dos antiácidos, a nova estirpe de magos da retórica invoca a ciência. Ou melhor, aquilo que julga ser ciência, na verdade umas curvas estatísticas apresentadas em reuniões no Infarmed por matemáticos e veterinários desejosos de agradar ao governo. Não importa que as curvas sejam inúteis a descrever o presente e desastrosas a prever o futuro. Não importa que ninguém perceba a sensatez de trucidar uma economia débil a partir de curvas mal amanhadas. E não importa que as curvas se limitem a confirmar as conclusões previamente tomadas pelo dr. Costa e pelo prof. Marcelo: manter os cidadãos em clausura parcial, rebentar com a iniciativa privada e produzir mais dependência face ao Estado e às quadrilhas que o controlam. Importa que, na cabeça dos tontos, as curvas e as desumanas restrições que delas “decorrem” são “ciência”. E importa sobretudo que, armados com solenidade “científica”, os tontos se sentem habilitados a insultar e perseguir quem deles discorda.

Quem sugerir que o estado de emergência não é adequado para lidar com uma doença que quase só afecta gravemente velhos é “negacionista”. Quem lembrar que teria sido decente proteger os velhos, em alternativa a prender a população em peso, é “terraplanista”. Quem notar que a evolução da Covid  não depende exclusivamente de “confinamentos” e regras abstrusas é “medieval”. Quem inventariar os países e as regiões em que a falta de “confinamento” e de regras abstrusas coabita com o decréscimo nos infectados e nos mortos é “conspiracionista”. Quem insiste em conviver com familiares e amigos é “bolsonarista”. Quem repara que o Brasil tem menos mortos “com” ou “de” Covid do que Portugal é “primitivo”. Quem não respeita as normas decretadas por governantes que não se dão ao respeito – nem respeitam as próprias normas – é “fascista”. Quem questiona a prepotência é “nazi”. Quem não sai de casa sem se disfarçar de iraniana ou assaltante de bancos é “anti-social”. Quem não reduz a vastidão do universo a um vírus é “inconsciente”. Quem recorda que a existência implica sempre riscos é “criminoso”. Quem previne que esta demência colectiva terá consequências muito feias para todos, excepto para os irresponsáveis que a provocaram, é “assassino” e indigno de merecer o proverbial ventilador no dia em que precisar de um.

Estamos nisto. É, literalmente, o mundo ao contrário. De repente, a “ciência” viu-se apropriada por devotos da virologia de veterinários, da fancaria dos telejornais e da hipocondria do inquilino de Belém. Ou seja, por místicos que não fazem a mínima ideia do que é a ciência. Boa parte destes “cientistas” instantâneos até se diz de esquerda, o que os coloca logo no mesmo campeonato da credibilidade de astrólogos, cartomantes, homeopatas e cultores do Feng Shui. Muitos não sabem ler uma tabela estatística. Muitos são incapazes de alinhavar uma frase sem dois erros ortográficos e três de sintaxe. Muitos julgam que Steinmetz é um defesa do Dortmund. Mas nenhum abdica de uma ideia infantil acerca do que é ciência para fundamentar o seu dogmatismo.

Em circunstâncias normais, não custaria deixar os fanáticos a berrar sozinhos e assistir de bancada ao espectáculo. Afinal, há certa graça em ver em acção as principais características do método científico: a intolerância, a fúria e a vontade de enfiar blasfemos na cadeia ou na fogueira. A chatice é que as circunstâncias não são normais, e estes adeptos do pensamento mágico (sem a parte do pensamento) não contam apenas com a força da cegueira, que já é bastante. Para azar dos que prezam a civilização, os fanáticos contam com a força literal, a dos senhores que legislam alucinações e a da polícia que as executa. A boçalidade, enfim, tomou por completo o poder, através dos que o ocupam e através dos que os apoiam. Salvo milagre, os factos estão condenados a subjugar-se a indivíduos que enchem a boca com ciência como antes a enchiam com liberdade, embora desconheçam a primeira e detestem a segunda. Terraplanistas, negacionistas e primitivos são eles.

Original e comentários aqui.

Os comentários podem ser lidos pelos não assinantes e é extremamente instrutivo lê-los.










Etiqueta PrincipalGuerra Cultural.

20 de janeiro de 2019

ASCUNO, o novo nome da CENSURA




O novo nome da CENSURA é ASCUNO, acrónimo de Autoridade de Segurança Cultural e NoticiosaA missão da Autoridade de Segurança Cultural e Noticiosa, ASCUNO, é dar cumprimento à legislação que vai ser publicada tendo em vista a “regulação da selva das redes sociais” para “não nos deixarmos render ao império das teorias conspirativas”, reforçar o “no nosso instinto vital democrático” e, também, a “nossa capacidade de resistir à toxicodependência mediática e de distinguir o verdadeiro do falso”.


E se Trump for mesmo um espião russo?

Não têm fim os hipotéticos cenários para as teorias da conspiração veiculadas pelas redes sociais.

Por Vicente Jorge Silva no PÚBLICO a 20 de Janeiro de 2019 às 08:00.

Trump espião russo? Salvini e Orbán marionetas de Putin ou o “Brexit” um cenário montado por Moscovo com o objectivo de lançar o caos na Europa? Já agora, Rio e Montenegro agentes de Costa para enfraquecer o PSD e dar ao PS a maioria absoluta? Não têm fim os hipotéticos cenários para as teorias da conspiração veiculadas pelas redes sociais e devoradas pelas multidões de novos toxicodependentes que as consomem e propagam. Vivemos num mundo onde parece cada vez mais difícil distinguir entre as fake news e as notícias verdadeiras, tal é a escorregadia opacidade que se instalou entre a verdade e a mentira.

Retomemos então a hipótese de Trump ser um espião russo, aprisionado nas malhas da submissão a Moscovo desde os tempos em que se envolveu em negócios imobiliários, concursos de misses e televisão ou aventuras sexuais na Rússia. Se tivermos em conta o padrão de comportamento de Trump, a desafiar permanentemente os limites da verosimilhança (ou da anedota delirante), essa hipótese acaba por aparecer como credível – sem esquecer o que se sabe das suas embaraçosas relações com Putin.

Aliás, no início da semana passada o New York Times referia que a guerra que Trump trava pela sua sobrevivência política faz com que o shutdown mais longo da história americana pareça reduzir-se a uma questão menor – sendo o pano de fundo dessa guerra os laços altamente comprometedores do Presidente americano com Moscovo.

Paradoxalmente, o raríssimo desmentido feito anteontem pelo procurador especial Robert Mueller a uma nova notícia que envolvia Trump nesse enredo mais parecia uma manobra táctica para mostrar a independência de julgamento do procurador (encarregado do inquérito às suspeitas de interferência russa na campanha presidencial a favor do candidato republicano) do que um efectivo desmentido.

Ora, se o próprio Presidente da maior potência global – apesar de se tratar de uma personagem tão inverosímil como Trump, o que já diz muito sobre o estado a que o mundo chegou – pode estar refém da sua dependência em relação à Rússia, isso não legitimará as teorias de conspiração que hoje tendem a propagar-se por meio das redes sociais? Por outro lado, quando os tenores do populismo através do mundo – e da Europa – se permitem espalhar aos quatro ventos as mais grosseiras distorções da verdade factual e são acolhidos por multidões de fiéis sedentos dessas mistificações, isso não será também um sinal de que as democracias estão em risco?

Num estudo da Universidade de Cambridge referido pelo Expresso em Novembro passado e na penúltima edição do magazine francês Obs, os dados recolhidos em nove países, incluindo Portugal, revelam uma inquietante vulnerabilidade às fake news e teorias conspirativas, que evoluíram de uma questão marginal para um fenómeno mainstream – segundo um dos autores do estudo, Hugo Leal. Curiosamente, Portugal é o país menos receptivo a essas teorias (onde predomina o tema migratório), embora seja aquele onde mais se acredita que um grupo secreto governa o mundo (42 por cento das opiniões) e que haverá sempre uma elite a sobrepor-se ao poder dos eleitos.

A velha sentença de Churchill – segundo a qual a democracia é um regime péssimo mas todos os outros são piores – nunca terá sido tão pertinente como agora. Ora, para além da necessária regulação da selva das redes sociais, a única verdadeira solução para não nos deixarmos render ao império das teorias conspirativas está em nós, no nosso instinto vital democrático, na nossa capacidade de resistir à toxicodependência mediática e de distinguir o verdadeiro do falso. O que é, convenhamos, cada vez mais problemático, quando as duas dimensões se misturam e a irrealidade de Trump ser um espião russo se pode revelar simplesmente…real.


Origem dos textos
  1. E se Trump for mesmo um espião russo? no Público.
  2. Álvaro Aragão Athayde em coisas & loisas.

Origem da figura


Etiqueta principal: Política.
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22 de novembro de 2018

Aconteceu no Brasil, não foi cá !

Aluno que processou Professor por lhe ter apreendido o Telemóvel na Sala de Aula perde causa na Justiça !!!



O juiz Eliezer Siqueira de Sousa Junior, da 1ª Vara Cível e Criminal de Tobias Barreto, no interior do Sergipe, Brasil, julgou improcedente um pedido de indemnização que um aluno pleiteava contra o professor que lhe tirou o telemóvel na sala de aula.

De acordo com os autos, o educador tomou o telemóvel do aluno, pois este estava a ouvir música com os fones de ouvido durante a aula.

O estudante foi representado por sua mãe, que pleiteou reparação por danos morais diante do “sentimento de impotência, revolta, além de um enorme desgaste físico e emocional”.

Na negativa, o juiz afirmou que “o professor é o indivíduo vocacionado para tirar outro indivíduo das trevas da ignorância, da escuridão, para as luzes do conhecimento, dignificando-o como pessoa que pensa e existe”. O magistrado solidarizou-se com o professor e disse que “ensinar era um sacerdócio e uma recompensa. Hoje, parece um carma”.

O juiz Eliezer Siqueira ainda considerou que o aluno violou uma norma do Conselho Municipal de Educação, que impede a utilização de telemóveis durante o horário escolar, além de desobedecer, reiteradamente, às instruções do professor.

Ainda considerou não ter havido abalo moral, já que o estudante não utiliza o telemóvel para trabalhar, estudar ou qualquer outra atividade edificante.

E declarou: “Julgar procedente esta demanda, é desferir uma bofetada na reserva moral e educacional deste país, privilegiando a alienação e a contra educação, as novelas, os realitys shows, a ostentação, o bullying intelectual, o ócio improdutivo, enfim, toda a massa intelectualmente improdutiva que vem assolando os lares do país, fazendo às vezes de educadores, ensinando falsos valores e implodindo a educação brasileira”.

Por fim, o juiz ainda faz uma homenagem ao professor. “No país que virou as costas para a Educação e que faz apologia ao hedonismo inconsequente, através de tantos expedientes alienantes, reverencio o verdadeiro HERÓI NACIONAL, que enfrenta todas as intempéries para exercer seu múnus com altivez de caráter e senso sacerdotal: O PROFESSOR."



Origem do texto
  • Desconhecido, recebido via Old Boys Network.

Origem da figura


Etiqueta principal: Ideologia.
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Alemanha de 14-18 em músicas e imagens

Alianças militares europeias em 1910.
A Tríplice Entente em verde escuro e a Tríplice Aliança em verde oliva.



Muito embora embora a Propaganda de Guerra da Tríplice Entente nos tenha tentado convencer do contrário na Alemanha de 14-18 viviam homens e mulheres normais. Homens e mulheres que, como os homens e mulheres da Tríplice Entente, comiam, bebiam, cantavam, dançavam. Por isso fui em busca de canções e imagens da Alemanha dessa época.

Germania auf der Wacht am Rhein (Germânia Vigiando o Reno),
Gemälde von Lorenz Clasen, 1860.

A Guarda, ou Vigilância, do Reno



Drei Lilien, drei Lilien, Die pflanzt' ich auf mein Grab, …
Três Lírios, três Lírios, Que planto sobre o meu Túmulo, …

Três Lírios



O vídeo seguinte é um filme mudo da British Pathé.

Exército Alemão (1914-1918)


O próximo e último vídeo, a canção Was ist des Deutschen Vaterland? (Qual é a Pátria dos Alemães?), é uma Canção Patriótica Alemã, cuja letra foi escrita em 1813 por Ernst Moritz Arndt, um poeta patriota, ou nacionalista, como preferirem.

Note-se que o Sacro Império Romano-Germânico cessou de existir a 6 de Agosto de 1806 – data da abdicação do último imperador, Francisco II, que imperou de 5 de Julho de 1792 a 6 de Agosto de 1806, abdicação que decorreu da sua derrota na Batalha de Austerlitz (a 2 de Dezembro de 1805) – e que entre essa data e 19 de Outubro de 1813 – data da vitória da Sexta Coligação na Batalha da Nações - os Estados Alemães estiveram ocupados, submetidos, ou fortemente ameaçados, pela França.

A letra é muito curiosa porque é o programa da Unificação e Reunificação da Alemanha, programa que, pese embora a perca de alguns dos territórios mencionados por Ernst Moritz Arndt, os Alemães concluíram no dia 3 de Outubro de 1990.

Qual é a Pátria dos Alemães?



Origem do texto
  • Álvaro Aragão Athayde em coisas & loisas.

Origem das figuras
  1. Alianças militares europeias em 1910. Os aliados da Tríplice Entente em verde escuro e as Potências Centrais da Tríplice Aliança em verde oliva. em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  2. Germania auf der Wacht am Rhein, Gemälde von Lorenz Clasen, 1860 in Wikipedia die freie Enzyklopädie.
  3. Drei Lilien | German army WW1 footage in Color at YouTube.ArchStanton.



Referências
  1. Propaganda de Guerra em Momentos de Historia.
  2. Tríplice Entente em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  3. Tríplice Aliança (1882) em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  4. Império Alemão em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  5. Die Wacht am Rhein en Wikipedia, la enciclopedia libre.
  6. Song Drei Lilien at Axis History Forum.
  7. Des Deutschen Vaterland en Wikipedia, la enciclopedia libre
  8. Ernst Moritz Arndt em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  9. Unificação da Alemanha em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  10. Reunificação da Alemanha em Wikipédia, a enciclopédia livre.



Etiqueta principal: História.
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19 de novembro de 2018

Libertários, Totalitários e Touros

El toro, símbolo de prosperidad financiera,
ahora está acompañada de una escultura de bronce bautizada ‘La niña sin miedo’.



Confesso que nunca imaginei que os Touros permitissem expor o que diferencia Libertários de Totalitários… mas leiam só a prosa do Apparatchik Alfredo Barroso!



Viagem ao fundo da liberdade de tourear

Para Manuel Alegre e o seu “epifenomenal” amigo Miguel Sousa Tavares – ambos pedem meças ao marquês de Marialva! –, o toureio é arte tão nobre como o boxe.

Conseguindo ir mais fundo do que a inteligência consegue descer, o político, poeta laureado e doutor honoris causa Manuel Alegre proclama, ex cathedra, que “quem não percebe o que há de ‘sagrado’ numa corrida de touros também não percebe a poesia, não percebe a literatura”. Leio e pasmo. Nestes últimos tempos, com as suas catilinárias taurinas, o poeta já me ofendeu várias vezes, fazendo-me passar por “promotor de Bolsonaros” e indigente que “não percebe a poesia, não percebe a literatura”. A arrogância deste poeta e político marialva, capaz de arrastar tantos “forcados da política” no grupo parlamentar do PS, não tem limites. É assim uma espécie de socialismo de bandarilheiros, forcados e toureiros de capote e estoque que em Portugal fingem que matam o touro, mas só o torturam.

Manuel Alegre diz e repete: “A questão das touradas é uma questão de liberdade.” E o seu companheiro de caçadas Miguel Sousa Tavares, um epifenómeno, repete exactamente o mesmo. Parecem Dupond e Dupont, amigos do Tintim. Para eles trata-se, é claro, da liberdade de tourear, de bandarilhar e de torturar um touro até o fazer sangrar, retirando-lhe energia bastante para que os forcados o peguem de caras sem grande risco, ou de cernelha se falharem de caras, antes de o touro voltar aos curros num grande sofrimento que se prolongará por mais uns dias, sem água nem tratamento para o aliviar. Ao menos em Espanha abrevia-se o sofrimento na arena, com a estocada mortal no touro, para gáudio dos fanáticos. Se o bicho não morre logo, espetam-lhe um punhal na cabeça e é um descanso.

Para Manuel Alegre e o seu “epifenomenal” amigo Miguel Sousa Tavares – ambos pedem meças ao marquês de Marialva! –, o toureio é arte tão nobre como o boxe. É, sobretudo, uma tradição sagrada e sacrificial que se inscreve no mais profundo espólio que uma nação deve conservar no seu depósito da consciência colectiva. A nação, pois claro, e a tradição, evidentemente, que vão bem mais longe e mais ao fundo do que a antiga musa canta! Trata-se de martelar infatigavelmente estas ideias. Como escreveu Gustave Le Bon: “A afirmação pura e simples, libertada de qualquer raciocínio e de qualquer prova, constitui um meio seguro para penetrar no espírito das multidões. Quanto mais concisa ela for, desprovida de provas e de demonstração, mais se torna autoridade. Os livros religiosos e os códigos de todas as idades sempre procederam por via da simples afirmação.” Trata-se, em suma, de reduzir ao máximo a actividade mental do “grande público” – e também de um “pequeno público” de deputados do PS – estruturando todo o discurso em torno de uma quantidade limitada de asserções. Nem é preciso que elas sejam brilhantes, novas ou originais. Basta que seduzam pela sua forma e pela concisão.
Tal como um toureiro em Espanha simplifica… até à morte do touro!

A diabolização de todos os que execram as touradas – porque as consideram um espectáculo bárbaro e cruel, em que o animal indefeso é alvo de tortura contínua para gáudio do público – é, na minha opinião, uma atitude inadmissível por parte de quem se apresenta perante os outros em bicos de pés, tão cheio de arrogância, como se fosse um espírito superior e o farol da ética democrática. Até parece que só haverá democracia enquanto houver “corridas de touros” e que a liberdade só deve servir para garantir o “gosto” dos “aficionados”, fórmula suave de mencionar os fanáticos das touradas. Mais: parece que só os “direitos do homem” devem ser defendidos e que a vida dos animais não dispõe de qualquer direito nem merece a menor protecção jurídica. Os fanáticos das touradas dizem mesmo que os que as detestam e contestam não são verdadeiros humanistas e que é essa atitude que os faz gerar Bolsonaros, ditadores, tiranos, il Duce e der Führer! 

Ora, isto é um insulto, um disparate, uma estupidez e uma contradição, dado que Bolsonaro é, como se sabe, um político rasca, de extrema-direita, com um cérebro reptiliano e um instinto de matança, precisamente dirigido contra todos os que o detestam e contestam – designadamente os políticos de esquerda (os vermelhos!), as mulheres em geral e as emancipadas em especial, os homossexuais, os mais pobres e desprotegidos (mesmo os que votaram nele) –, o que não levanta dúvidas quanto à posição que Bolsonaro adoptaria em relação à “questão das touradas”: ao lado de Manuel Alegre e do seu epifenómeno Miguel Sousa Tavares!

Confesso que não esperava que um doutor honoris causa me cobrisse de tantos e tão miseráveis insultos, ao insultar genericamente todos quantos não comungam da sua paixão até há pouco assolapada pelas corridas de touros. É verdade que já outros tinham feito mesmo, catalogando-me estupidamente, e aos que detestam e contestam as ditas cujas, como “ignorantes inúteis”. Enfim, pobres de espírito! Mas é certo que o feitio incandescente e “tremendista” de Manuel Alegre, sempre à espreita de pretexto para que falem dele – e, tauromaquicamente falando, para encostar às tábuas o PS –, submete-o, como a Savonarola, a uma “prova de fogo” que só uma «chuva diluviana” conseguirá apagar. Talvez Miguel Sousa Tavares acorra, disfarçado de bombeiro, para o “salvar”, à frente duma pequena multidão de aficionados e marialvas, forcados, bandarilheiros e toureiros, de inteligentes e corneteiros das corridas, de cavaleiros com as farpelas “à antiga portuguesa”, de ganadeiros, latifundiários e senhoras galantes de chapéu à mazantino e, é claro!, de vários deputados do PS, com o sempre inefável Carlos César à cabeça…

Escreve sem adopção das regras do acordo ortográfico de 1990



Origem do texto

Origem das figuras


Referências
  1. Alfredo Barroso em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  2. Manuel Alegre em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  3. Miguel Sousa Tavares em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  4. Marquês de Marialva em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  5. Última Corrida de Touros em Salvaterra - Rebelo da Silva em Passei Direto.
  6. Apparatchik em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  7. Entenda o que é Libertarianismo em Politize!.
  8. Libertarismo en Wikipedia, la enciclopedia libre.
  9. Totalitarismo en Wikipedia, la enciclopedia libre.
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Etiqueta principal: Ideologia.
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15 de novembro de 2018

Carta Aberta à Senhora Ministra Graça

Bom… a ver se se decidem, OK?
É que eu tenho de organizar a minha vida, sabem?



Carta Aberta de Bernardo Patinhas à Senhora Ministra Graça

Pela sua pertinência, pela sua importância e pela sua tão clara abordagem a um tema que está a dar brado, publicamos, com a devida vénia, a Carta Aberta à Ministra da Cultura publicada na sua página do Facebook por Bernardo Salgueiro Patinhas, forcado e advogado.

Não gosto de usar as redes sociais como veículo ou ferramenta reivindicativa, arma política ou sequer para partilhar convicções, uso sobretudo para partilhar disparates, portanto e nessa senda, da partilha de disparates, aqui vai a resposta a um disparate de uma senhora, ontem, no Parlamento:



Carta aberta à Sra. Ministra Graça


Excelentíssima Senhora Ministra Graça

Não sei de que civilização provem, mas não será seguramente a mesma de Mário Vargas Llosa, Camilo José Cela, Ortega y Gasset, Picasso, Goya, Velasquez, García Lorca, Júlio Pomar, Nicolau Breyner, Eça de Queirós, Francis Wolf, conhece algum?

El animoso moro Gazul es el primero que lanceó toros en regla.

Não estando eu à altura de nenhum destes Senhores, gosto de pensar que partilho da civilização em que habitam ou habitaram.

Senhora Ministra, não da Cultura, porque de Cultura claramente pouco sabe, caso contrário saberia que cultura é tudo aquilo que um povo adopta como seu, cultiva, cuida e transmite ao longo de gerações, ultrapassando guerras, regimes políticos, golpes de estado, partidos, crises e sobretudo vontades individuais como, por exemplo, a da Excelentíssima Senhora Ministra Graça.

É esse mesmo povo que define o que é cultura que permitiu que V/Exa fosse convidada a integrar a função de Estado que agora exerce, através do acto eleitoral, democrático. Mas lembre-se, Excelentíssima Senhora Ministra Graça, a Senhora não foi eleita, foi convidada e as funções que V/Exa exerce são a prazo.

Quem exerce tais nobres funções, tem que, em primeiro lugar, colocar os interesses da Nação à frente dos interesses, opiniões, vontades e caprichos pessoais, se o não fizer, corre o risco de voltar a ser convidada, mas desta vez a sair, por incompetência.


Excelentíssima Senhora Ministra Graça

A senhora afirma que é importante, no cargo que exerce, assumir a homossexualidade.

A minha civilização desconhece a correlação direta, ou mesmo indireta, entre ser responsável pela tutela da Cultura e ser homossexual, a não ser uma necessidade insofismável de afirmação e imposição pessoal da orientação sexual da Excelentíssima Senhora Ministra Graça, mesmo uma carência.

Pablo Picasso's Bull.

Mas até a sua escolha, goste-se ou não, a minha civilização respeita porque está consagrada na Constituição da República Portuguesa, conhece?

Como também está o direito à fruição cultural.


Excelentíssima Senhora Ministra Graça, 

Na sua primeira intervenção demonstrou imediatamente as suas intenções e motivações, governar para si e não para a Nação.

Teve azar, escolheu mal as palavras, foi infeliz, o Estado e a Nação estão primeiro, e ao contrário do que afirmou Luis XIV “L´État c’est moi”, la culture n'est pas toi Excelentíssima Senhora Ministra Graça, a cultura é de todos os que a fazem, acolhem, criam, transmitem e a Excelentíssima Senhora Ministra Graça tem exclusivamente que governar para esse povo, respeitando-o e tratando-o com dignidade, educação e civilização.


Excelentíssima Senhora Ministra Graça

Não me alongo muito mais porque tenho a certeza, tranquilidade e confiança que a primeira intervenção de V/Exa no Parlamento não distará muito da última.

E deixo-lhe uma opinião, agora sim, pessoal e intransmissível.

Com a sua afirmação revelou deselegância, incompetência, ignorância, inaptidão e vulgaridade para exercer tamanha função.


Termino como comecei

Excelentíssima Senhora Ministra Graça

não temos nada em comum, a sua civilização e a minha, nada nos aproxima, a não ser, exclusivamente, que ambos gostamos de mulheres.

Tenho duas boa razões para lhe brindar esta lide!

Bernardo Salgueiro Patinhas



Referências
  1. Taurocatapsia em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  2. Tauromaquia em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  3. História da Tauromaquia em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  4. De Goya à Hemingway : visions tauromachiques dans Cairn.info.
  5. A Ditadura do Gosto em Dicas-L.
  6. A Ditadura do Gosto e a Ditadura do Mercadou



Origem do texto
  • Bernardo Salgueiro Patinhas em Old boys Network.


Origem das figuras
  1. Polémica nas touradas: sim ou não? em L.FrascOON.
  2. La Tauromaquia at Wikipedia, the free encyclopedia.
  3. As etapas do Touro de Picasso: do acadêmico ao abstrato em Arte|Ref.
  4. Humor taurino: Duas razões para brindar uma pega! em Flickr.Protoiro.



Etiqueta principal: Cultura.
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12 de novembro de 2018

Guerra de 14, Guerra de Revanche

Humorous Cigarette Cards
From set: Punch Cartoons, by Churchman, 1916.
Left, "The Teutonizing of Turkey," reverse side (Wills, Punch Cartoons, series 1, 1916, No. 4)
Right, "The Teutonizing of Turkey," (Wills, Punch Cartoons, series 1, 1916, No. 4)



A Inglaterra Hanoveriana quis vingar-se da anexação de Hanôver pela Prussia em 1866 (Ernesto Augusto I de Hanôver, rei de 20 de Junho de 1837 a 18 de Novembro de 1851, era tio da Rainha Vitória – que só não foi Vitória I de Hanôver porque em Hanôver vigorava a Lei Sálica – e o seu filho e sucessor, Jorge V de Hanôver, destronado a 20 de Setembro de 1866, era primo direito da Rainha Vitória).

A França da Terceira República quis vingar-se da derrota da França do Segundo Império pela Prússia em 1871.

E ambas as Potências, França e Inglaterra, quiseram esconjurar o risco de uma hegemonia Alemã no Continente via destruição do Império Austro-Húngaro e do Império Alemão.

Jean Jaurès não quis e guerra… e foi abatido (Jaurès, de Jacques Brel).

Raymond Poincaré quis a guerra… teve-a e ganhou-a, mas a que custo!

Intense British Anti-German Propaganda Posters
The first, which is from late 1918, hits upon many of the most volatile themes: bayoneting babies, executing civilians, violating young ladies, and burning cities.  It also seems to suggest that even in the postwar period, Germans will still bear these cruel tendencies.


Um século depois

  1. A França e a Inglaterra ganharam duas guerras, mas perderam a hegemonia e os seus impérios… e estão invadidas pela raças inferiores.
  2. A Alemanha perdeu duas guerras, mas é hegemónica no Continente… e também está invadida pela raças inferiores.




Referências
  1. Guerra Austro-Prussiana na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  2. Ernesto Augusto I de Hanôver na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  3. Jorge V de Hanôver na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  4. Guerra Franco-Prussiana na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  5. Segundo Império Francês na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  6. Terceira República Francesa na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  7. Reino da Prússia na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  8. Áustria-Hungria na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  9. Império Alemão na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  10. Jean Jaurès na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  11. Jacques Brel's “Jaurès” with Lyrics no YouTube.
  12. Raymond Poincaré na Wikipédia, a enciclopédia livre.

Origem das imagens
  1. Punch Cartoons from the Collection of Cyril Mazansky at Roads to the Great War.
  2. Intense British Anti-German Propaganda Posters at Roads to the Great War.


Etiqueta principal: História.
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