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9 de fevereiro de 2020

A Pacaça e as Hienas

A empresária angolana Isabel dos Santos. 
Fotografia: Eneias Rodrigues / LUSA.


Dois artigos de opinião.

O um publicado no português Observador, o outro no angolano Folha 8.


Hienas caçando, e comendo uma Pacaça. 
Vida Selvagem - Reino Selvagem.


Ainda há por aí mais heróis
para baterem numa mulher no tapete?


Se compreendo que faça a sua defesa com os meios a que tem direito, com uma argumentação digna da mulher inteligente que é, o que me choca e decepciona é que se tenha afirmado vítima de... racismo!

Por Guilherme Valente no Observador às 00:27 de 08 Fevereiro 2020.

“I am a poor lonesome cowboy”
Lucky Luke

Frágil e velho, eu que nunca vi a Senhora em causa de um mundo onde nunca entraria, num país aonde nunca irei e em que só não me indigna e me preocupa a imensa gente pobre, boa e explorada que lá sofre e sobrevive, eu, digo que Isabel dos Santos não é só monstro, seja lá o que de condenável e chocante tenha feito.

Entre os vários irmãos a quem caíram no regaço os milhões de que se fala, foi ela a única que criou milhares de empregos também em Portugal, para inúmeros portugueses. O que não teria precisado de fazer para gozar e tentar estoirar essa fortuna toda.

Milhões que alguns aqui debicaram, de que toda a gente sabia a origem, mas que raríssimos tiveram a dignidade e a coragem de sempre revelar.

E de que outra maneira num regime revolucionário, anti-colonialista e anti-capitalista, como o de Angola poderia ter sido conseguida a acumulação que lhe permitiu esses investimentos? Corrupção, corrupção organizada, apoiada e consentida pelo Estado. Num nível só possível quando não há separação de poderes, quando os tiranos e a sua clique mandam na Justiça, e em tudo. Modelo e regimes aberrantemente cantados, aliás, na Assembleia da nossa livre, tolerante, República democrática-liberal.

Pelo que leio e ouço, também eu não posso deixar de fazer o meu juízo sobre as peripécias em que a Engenheira Isabel dos Santos surge envolvida. Mas seja qual for esse juízo não esqueço o que de combate sujo pelo poder haverá misturado nisso tudo. Nesse mundo onde nada garante que de repente uns tenham passado a ser melhores do que os outros. E Isabel dos Santos, quiçá, até poderá ter sido ou vir a ser melhor.

E esse juízo que faço não pode apagar também a apreciação pessoal, as visíveis capacidades de inteligência, espírito empreendedor, liderança, que muitos seguramente lhe invejaram e invejam. E noutro plano, a elegância, o charme dela…sou sensível a isso.

Pelo contrário, se compreendo que faça a sua defesa com os meios a que tem direito e pode dispor, com uma argumentação digna da mulher inteligente que é, o que me choca e decepciona é que se tenha afirmado, disseram-me, vítima de… racismo!

Racismo? Uma mulher que foi e ainda será modelo de sucesso para tantas mulheres — e homens — de todas as cores?!

E os empresários e governantes aqui merecidamente encharcados por rios de notícias sobre as suspeitas fundamentadas ou as condenações mais humilhantes? Brancos, Engenheira Isabel dos Santos, sem a sua — quanto a mim, anémico extremo ocidental — belíssima cor de pele. Feia, muito feia, é a única cor de pele e de carácter que vejo neles.

Uma mulher com o seu estatuto e história não pode querer confundir-se com os que inventam racismos, os que exploram a vitimização e a miséria que aprisiona tantos africanos num absurdo complexo, contribuindo para que se mantenham em guetos de exclusão. (De que cumpre, aliás, ao Estado democrático liberal, aos Governos, ao empenho dos homens de boa vontade ajudá-los a sair.)

Vitimização que tem ajudado ditadores e regimes ignóbeis a manter a generalidade da África na dependência e na pobreza. Projectando sobre o outro, o “branco”, hoje cada vez mais inventado, o que é responsabilidade dos africanos, antes de mais dos tiranos que os dominam. Tudo em nome das tretas revolucionárias, socialistas, anti-colonialistas e anti-capitalistas que se sabe.

Deixe a exploração repugnante da vitimização e invenção de racismos para os negros e os brancos (que assim aqui são mais) que lucram ou pensam vir a lucrar com esse negócio sujo, que ameaça o verdadeiro combate que é imperativo travar contra todas as formas de discriminação.

A Senhora Engenheira é uma mulher cosmopolita, adulada por todos com quem quis conviver no mundo. Mundo que teve aos seus pés (até em Davos), e que se a Senhora tivesse dado outro destino a esses biliões até a poderia justamente admirar.

Racismo?! Não se coloque ao nível de Joacine Katar Moreira, que idêntica à Senhora só tem, vagamente, a cor de pele.

Repare o que puder reparar e… caia de pé, igual a qualidades que vi em si. Seja lá o que for de imperdoável em que tenha incorrido.



Repare o que puder reparar e… caia de pé, igual a qualidades que vi em si. Seja lá o que for de imperdoável em que tenha incorrido.

Para o meu amigo João Soares


Original





João Lourenço e os Ninjas, ou vice-versa.


Alemanha vai ajudar a
pôr o Reino (e África) em ordem


O Presidente de Angola, também Presidente do partido no Poder desde 1975 (o MPLA) e Titular do Poder Executivo, João Lourenço, desafiou hoje a Alemanha a investir nos sectores dos transportes, energia e agricultura, entre outros, sublinhando que existe agora um ambiente favorável ao sector privado.

Por Redacção F8 no Folha 8 a 07 Fevereiro 2020.

Falando após uma reunião com a chanceler alemã, Angela Merkel, que cumpre hoje uma visita de algumas horas a Angola, João Lourenço focou o interesse recíproco dos dois países no sentido de intensificar as relações empresariais e económicas.

“Angola ao longo destes anos tem beneficiado de linhas de crédito da banca comercial alemã para projectos de infra-estruturas públicas, mas quase nenhum investimento privado de destaque, o que pretendemos hoje, uma vez que estamos a criar com algum sucesso um ambiente de negócios favorável ao investimento privado”, salientou João Lourenço.

O chefe de Estado destacou ainda algumas preferências, que vão ao encontro das capacidades do sector industrial alemão, como a siderurgia e o aço, a agricultura e pecuária, a ciência e a saúde, o sector automóvel e o turismo.

João Lourenço indicou que durante a visita da chanceler alemã vão ser apresentadas várias iniciativas que visam ampliar o quadro de cooperação bilateral entre os dois países na área da capacitação e formação de quadros.

O aprofundamento da relação com instituições bancárias para financiamento de projectos de gás, energia e águas, parcerias público-privadas para estradas, ferrovias e portos, centrais hidroeléctricas e apoio à vigilância marítima, sobretudo no Golfo da Guiné, são outras áreas a explorar.

Por seu turno, Angela Merkel assinalou que a Alemanha quer dar a sua contribuição para o desenvolvimento de Angola e pretende contribuir com a sua presença para iniciar um novo capítulo da cooperação entre os dois países que se traduzirá na assinatura de acordos concretos.

Trata-se da segunda visita da chanceler Angela Merkel a Angola, tendo a primeira ocorrido em 2011, ocasião em que foi acordado com José Eduardo dos Santos uma parceria alargada entre os dois países.

João Lourenço visitou a Alemanha em Agosto de 2018 e voltou a encontrar-se com a chanceler Merkel em Nova Iorque, no mês de Setembro.

Na quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores angolano, Manuel Augusto, referiu que a Alemanha é já um “parceiro tradicional” de Angola, onde tem instaladas um “conjunto de empresas que têm um impacto directo” na economia angolana e nas condições de vida da população.


Ninjas biométricos, milho e Alemanha

O Governo do MPLA determinou a entrada em funcionamento, no reino de que é proprietário (Angola), dos Conselhos e Vigilância Comunitários (CVC), previstos na lei desde 2016, para auxiliar os órgãos de defesa e segurança no combate e prevenção da criminalidade. Na verdade, importa reconhecer, os CVC serão uma espécie de “ninjas biométricos” que também vão ajudar o milho a crescer e os laranjais a florescer.

Analisando a proposta, um verdeiro Ovo de Colombo – segundo MPLA, verifica-se que o Presidente João Lourenço tinha toda a razão quando, no dia 22 de Agosto de 2018, disse numa conferência de imprensa conjunta com a chanceler alemã Angela Merkel, em Berlim, que queria atrair investimento alemão na área da Defesa, na “vigilância e segurança marítima”. Nesse dia, o Folha 8 perguntou: Que outra prioridade poderiam os angolanos querer? Isto porque investir na Defesa faz crescer o… milho!

Na verdade, João Lourenço – com a sua única e divina capacidade de antecipação – já sabia que os CVC iriam ser fundamentais para essa campanha agrícola que nos levará para o paraíso da auto-suficiência alimentar.

O chefe de Estado sublinhou na altura a “necessidade de atrair investimento privado alemão para praticamente todos os domínios da economia”. Mas deu destaque à área da defesa, revelando que Angola tem “uma costa marítima bastante extensa” que é preciso “cuidar”. E quem melhor do que os “ninjas biométricos” para cuidar dessa vertente da segurança? Sim, quem?

“Um país que se desenvolve e descura da sua defesa, não age de forma correcta”, reconheceu o ex-ministro da… Defesa, hoje Presidente da República, certamente convicto que a razão da força é bem mas decisiva do que a força da razão dos nossos 20 milhões de pobres. Pobres que, contudo, vão ser estimulados pelos CVC a serem mais assertivos na sua luta diária para aprenderem a viver sem… comer.

“Estamos a convidar os investidores alemães a trabalhar com o estado de Angola (leia-se MPLA) na protecção da nossa costa, com o fornecimento de embarcações de guerra, tal como de outros meios eléctricos, para podermos controlar melhor esta vasta fronteira marítima que é uma parte do Golfo da Guiné, uma parte que é cobiçada pelos piratas, pelos terroristas como forma de atingir os nossos países, de atingir as nossas populações, as nossas economias”, recordou o chefe do Estado do MPLA.

Na conferência de imprensa conjunta, Angela Merkel confirmou o “interesse de Angola em cooperar com a Alemanha no domínio da defesa”, acrescentando a chanceler que há muito interesse em que “a costa angolana seja segura”, porque “não existe desenvolvimento sem segurança, nem segurança sem desenvolvimento”. O Folha 8 “sabe” que já nessa altura Merkel foi informada por João Lourenço sobre o grande trunfo da sua governação: a implementação dos Conselhos e Vigilância Comunitários.

Por isso Merkel garantiu que a Alemanha tem disponibilidade em cooperar desde que exista interesse por parte das empresas, congratulando-se com o “novo vento” que sopra de Angola.

João Lourenço, que visitava pela primeira vez a Alemanha desde que foi (digamos) eleito, assegurou ter gostado muito do “ambiente das negociações” que manteve com a chanceler, convidando Angela Merkel a visitar Angola, em 2019.

Questionado sobre a visita que logo a seguir iria fazer a Pequim, e uma eventual cooperação militar com a China, o chefe de Estado angolano declarou que “os laços de amizade e cooperação são sempre diversificados e quantos mais amigos, mais parceiros, melhor”.

Em 2009, o antigo chefe de Estado de Angola e patrono de João Lourenço, José Eduardo dos Santos, esteve na Alemanha e, em retribuição, a chanceler alemã, Angela Merkel, visitou Angola em 2011.


Presidente, general e ministro (da Defesa) dos “ninjas”

Recorde-se, por exemplo, que em Fevereiro de 2015 as marinhas da Alemanha e de Angola realizam, ao largo de Luanda, um exercício naval conjunto que marcou o alargamento das relações entre os dois países à cooperação militar, já então com os “ninjas biométricos” em fase de quase gestação.

O exercício decorreu da presença em Angola de quatro navios da Marinha alemã, nomeadamente três fragatas de guerra, no âmbito da Força Operacional e de Formação 2015 daquele país europeu, visando o combate à pirataria.

De acordo com o anúncio feito a bordo da fragata ‘Hessen’ – que estava atracada no porto de Luanda -, pelo capitão-de-mar-e-guerra Andreas Seidl, que liderava esta força, o exercício constou de uma abordagem das forças navais angolanas a um dos navios da frota da Alemanha, tendo lugar a duas milhas da costa.

“A visita desta força da Alemanha pode ser vista como o primeiro passo visível na intensificação da cooperação militar entre as nossas duas nações”, sublinhou Andreas Seidl.

O oficial esclareceu que a cooperação entre as marinhas de ambos os países estava na altura centrada na formação de operacionais angolanos (já com uma vertente embrionária dos Conselhos e Vigilância Comunitários), mas que era intenção das duas partes alargar a base desse entendimento à cooperação na área técnica.

A inclusão de Angola na rota dos navios alemães seguiu-se à visita, em Novembro de 2014, do ministro da Defesa angolano, o general João Lourenço, à Alemanha, ocasião em que foi assinado um acordo de cooperação de Defesa entre os dois países.

Na apresentação dos meios navais em Luanda, o embaixador alemão em Angola, Rainer Müller, assumiu “o orgulho” da Alemanha em ter Angola “agora também como parceiro na área da Defesa”. E se já havia esse orgulho antes da existência dos CVC, o que dizer agora?

“Angola é um parceiro muito poderoso e influente em África e que tem uma bela história para contar”, afirmou Rainer Müller. Na altura – diga-se de passagem – José Eduardo dos Santos ainda não tinha passado de bestial a besta. E não tinha porque, pura e simplesmente, era quem estava no Poder.

Em cima da mesa, entre outros aspectos, esteve o envio de conselheiros técnicos das Forças Armadas alemãs para assistir as forças angolanas.

“Cabe aos ministérios da Defesa dos dois países decidir, mas a Alemanha está disposta a fazer muita coisa”, enfatizou o embaixador da Alemanha em Luanda.

A missão operativa, com incursão pelo mar do norte, oceano Atlântico, Golfo da Guiné, Cabo Esperança, oceano Índico e do Canal de Suez para o mar Mediterrâneo, tinha como objectivo a formação do núcleo de participação alemã nos grupos de intervenção internacionais, no âmbito de tarefas marítimas.

Contudo, o comandante desta força descartou acções de envolvimento directo pela Marinha alemã no combate à pirataria, sendo a prioridade a capacitação das marinhas dos países afectados.


Original





a pacaça é nova e ainda não caíu

¿ será que vira leão ?





Fontes
  1. Isabel dos Santos quer Efacec líder internacional na mobilidade elétrica”. Paulo Julião, Agência Lusa. Dinheiro Vivo. Publicado às 07:25 de 14 de Outubro de 2019. Recuperada às 11:03 de 09 de Fevereiro de 2020.
  2. Hienas comendo a carne de um Búfalo - Vida Selvagem - Reino Selvagem“. YouTube Channel “Reino Selvagem”. Publicado a 07 de Junho de 2018. Recuperado a 09 de Fevereiro de 2020.
  3. Ainda há por aí mais heróis para baterem numa mulher no tapete?”. Guilherme Valente. Observador. Publicado às 00:27 de 08 Fevereiro 2020. Recuperado às 15:47 de 09 Fevereiro 2020.
  4. Alemanha vai ajudar a pôr o Reino (e África) em ordem”. Redacção F8. Folha 8. Publicado a 07 Fevereiro 2020. Recuperado às 17:47 de 09 Fevereiro 2020.



Etiqueta principal: Guerra Híbrida.
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14 de abril de 2019

Triângulos no Atlântico

Anglofonia • Hispanofonia • Lusofonia •


VERMELHO
Países de língua inglesa (London, Pretoria, Washington).

AMARELO
Países de língua castelhana (Buenos Aires, Madrid, México).

VERDE
Países de língua portuguesa (Brasília, Lisboa, Maputo).


Parece ser claro que ao Triângulo Vermelho corresponde o Atlântico Setentrional, ao Triângulo Amarelo corresponde Atlântico Central e ao Triângulo Verde corresponde Atlântico Meridional.



Triângulo Amarelo e o Triângulo Verde não se sobrepõem quase nada.

• Hispanofonia • Lusofonia •



Os Triângulos Vermelho e Amarelo sobrepõem-se no Atlântico Centro-Ocidental e no Atlântico Central.

• Anglofonia • Hispanofonia •



Triângulo Vermelho e o Triângulo Verde sobrepõem-se na Costa Ocidental de África, particularmente, no Golfo da Guiné.

• Anglofonia • Lusofonia •



NOTA
Os lados dos triângulos são segmentos de recta que de alguma forma aproximam as geodésicas que ligam as cidades indicadas (como não dispunha de ferramentas cartográficas tive de recorrer a este processo rudimentar…)


Fontes


Observação: Primeira versão e pdf publicados, a 30 de Maio de 2013, no descriado Facebook Profile “Álvaro Aragão Athayde”.


Etiqueta principal: Geopolítica.
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10 de março de 2019

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, …



Humor
Se olharmos do ângulo adequado, é sempre possível sorrir. Que “as coisas nunca estiveram tão más como agora” é uma afirmação do tempo dos avós dos nossos avós cansada e gasta de tão repetida a propósito da Escola, Ciência, Economia, Cultura, Justiça, Saúde,..., de tudo quanto é português. O certo é que já é possível ver entre nós “O Último Tango de Fermat”, “Flatland” e “Aquele Espermatozóide é Meu”. E, mal ou bem, já todos vão para a Escola embora saiam de lá sem gostar de ler os jornais uns, outros incapazes de os entenderem (dizem as estatísticas).
Em jeito de graça, termino com três perguntas dedicadas a literatos e a todos os que abominam a Matemática. A graça é para ser saboreada também por filósofos e sociólogos sobretudo os que não cessam de falar no Teorema de Gödel ou na Teoria dos Quanta. E, claro, ninguém os proíbe de achar piada nem de rirem como fazem todos os que entenderam.
PerguntaQuando se aplicou pela primeira vez o Teorema de Banach-Tarski?
RespostaHá cerca de 2.000 anos no milagre da multiplicação dos pães. Se dúvidas havia, ficou definitivamente demonstrado que os ramos mais abstractos da Matemática têm aplicações (úteis e pacíficas) de fazer luzir o olho aos empresários obcecados com a produtividade.
PerguntaQuantas carreiras de autocarros há em Telavive?
RespostaUm amigo meu, matemático, que visitou Telavive disse-me que viu, para seu espanto, um autocarro com as letras hebraicas א0 (alefa e zero) no local onde se costuma pôr o número da carreira. Nunca pensara que a cidade estivesse tão bem servida em matéria de transportes públicos que os inteiros não bastassem para numerar os veículos!
No regresso da viagem, deu conta, como exemplo a seguir, ao Presidente da autarquia. Nunca recebeu resposta mas todos os vereadores, numa reunião dedicada aos transportes, riram a bom rir.
PerguntaQuem teve pela primeira vez a percepção do conceito de segunda derivada?
Resposta. Luís de Camões quando escreveu (atente-se no último verso):
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, 
Muda-se o ser, muda-se a confiança; 
Todo o mundo é composto de mudança, 
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades, 
Diferentes em tudo da esperança; 
Do mal ficam as mágoas na lembrança, 
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto, 
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia, 
Outra mudança faz de mor espanto: 
Que não se muda já como soía.


Fontes
  1. "London New Mayor". Old Boy Network. Recebido a 09 de Março de 2019, às 23:08.
  2. "Como vai a Ciência entre nós". Graciano de Oliveira. Gazeta de Matemática, n.º 147, pág. 16, 01 de Julho de 2014. Recuperado a 10 de Março de 2019.


Etiqueta Principal: Curtas.
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9 de dezembro de 2018

22 de novembro de 2018

Alemanha de 14-18 em músicas e imagens

Alianças militares europeias em 1910.
A Tríplice Entente em verde escuro e a Tríplice Aliança em verde oliva.



Muito embora embora a Propaganda de Guerra da Tríplice Entente nos tenha tentado convencer do contrário na Alemanha de 14-18 viviam homens e mulheres normais. Homens e mulheres que, como os homens e mulheres da Tríplice Entente, comiam, bebiam, cantavam, dançavam. Por isso fui em busca de canções e imagens da Alemanha dessa época.

Germania auf der Wacht am Rhein (Germânia Vigiando o Reno),
Gemälde von Lorenz Clasen, 1860.

A Guarda, ou Vigilância, do Reno



Drei Lilien, drei Lilien, Die pflanzt' ich auf mein Grab, …
Três Lírios, três Lírios, Que planto sobre o meu Túmulo, …

Três Lírios



O vídeo seguinte é um filme mudo da British Pathé.

Exército Alemão (1914-1918)


O próximo e último vídeo, a canção Was ist des Deutschen Vaterland? (Qual é a Pátria dos Alemães?), é uma Canção Patriótica Alemã, cuja letra foi escrita em 1813 por Ernst Moritz Arndt, um poeta patriota, ou nacionalista, como preferirem.

Note-se que o Sacro Império Romano-Germânico cessou de existir a 6 de Agosto de 1806 – data da abdicação do último imperador, Francisco II, que imperou de 5 de Julho de 1792 a 6 de Agosto de 1806, abdicação que decorreu da sua derrota na Batalha de Austerlitz (a 2 de Dezembro de 1805) – e que entre essa data e 19 de Outubro de 1813 – data da vitória da Sexta Coligação na Batalha da Nações - os Estados Alemães estiveram ocupados, submetidos, ou fortemente ameaçados, pela França.

A letra é muito curiosa porque é o programa da Unificação e Reunificação da Alemanha, programa que, pese embora a perca de alguns dos territórios mencionados por Ernst Moritz Arndt, os Alemães concluíram no dia 3 de Outubro de 1990.

Qual é a Pátria dos Alemães?



Origem do texto
  • Álvaro Aragão Athayde em coisas & loisas.

Origem das figuras
  1. Alianças militares europeias em 1910. Os aliados da Tríplice Entente em verde escuro e as Potências Centrais da Tríplice Aliança em verde oliva. em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  2. Germania auf der Wacht am Rhein, Gemälde von Lorenz Clasen, 1860 in Wikipedia die freie Enzyklopädie.
  3. Drei Lilien | German army WW1 footage in Color at YouTube.ArchStanton.



Referências
  1. Propaganda de Guerra em Momentos de Historia.
  2. Tríplice Entente em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  3. Tríplice Aliança (1882) em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  4. Império Alemão em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  5. Die Wacht am Rhein en Wikipedia, la enciclopedia libre.
  6. Song Drei Lilien at Axis History Forum.
  7. Des Deutschen Vaterland en Wikipedia, la enciclopedia libre
  8. Ernst Moritz Arndt em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  9. Unificação da Alemanha em Wikipédia, a enciclopédia livre.
  10. Reunificação da Alemanha em Wikipédia, a enciclopédia livre.



Etiqueta principal: História.
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14 de novembro de 2018

A Grande Guerra já acabou?

Karte von Europa im Jahre 1914 | Mapa da Europa no Ano 1914
No ano de 2014 quem contem o apetite da Rússia é a NATO, não os Impérios Alemão e Austro-Húngaro.



A Grande Guerra já acabou?

Mas que pergunta tão estranhíssima!

Então o fim da Grande Guerra não foi comemorada em Paris, e em Londres, no passado domingo, dia 11 de Novembro de 2018?

Não.

O que foi comemorada em Paris, e em Londres, no passado domingo dia 11 de Novembro de 2018, foi o Armistício de Compiègne, subscrito por Alemães, Franceses e Ingleses, armistício que não pôs fim á Grande Guerra, como bem se conclui da leitura do livro Impérios em Guerra, 1911-1923.


A Grande Guerra acabou em 1923?

Eu diria que não…

Se repararmos bem na Guerra de 1914-1918 foram beligerantes principais:
  • Os Impérios Centrais – o Império Austro-Húngaro e o Império Alemão, coadjuvados pelo Império Otomano e por outros;
  • Os Impérios Periféricos – o Império Russo, o Império Francês e o Império Inglês coadjuvados pelo Império Italiano, pelo Império Americano e por outros;
e na Guerra de 1939-1945 foram beligerantes principais:
  • Os Impérios Centrais – o Império Alemão, o Großdeutsches Reich, que incluía o Österreich, a Áustria, coadjuvados pelo Império Italiano e por outros;
  • Os Impérios Periféricos – Império Francês, o Império Inglês, o Império Russo e o Império Americano, coadjuvados por outros.

Ou seja, tanto em 1914-18 como em 1939-45 o conflito foi entre Impérios Centrais e Impérios Periféricos e, o que é importantíssimo mas pouco reconhecidos, em ambos os casos a Frente Oriental foi a mais importante

E a Frente Oriental foi a mais importante porque há mais de mil anos que o que é importante para a Alemanha é a Ostsiedlung, em português a “Colonização do Leste”, a “Expansão para o Leste”, o “Povoamento do Leste”.

O mais importante era pois a conquista do Lebensraum, em português a conquista do “Espaço Vital”.

Conseguir uma vitória na Frente Ocidental – não obtida em 1914-18, mas obtida 1939-45 – era importante… porque garantia mãos livres a leste Só por isso.

Hark! Hark! The Dogs do Bark. | Ouçam! Ouçam! Os cães ladram.
Artist unknown. Published by G.W. Bacon 1914 | Artista desconhecido. Publicado por G.W. Bacon 1914


O Großdeutsches Reich foi derrotado em 1945, a Grande Guerra acabou?

Eu diria que não…

Mal a Guerra de 1939-1945 acabou começou a Guerra Fria, guerra que durou até 1991 e terminou com a vitória da NATO, North Atlantic Treaty Organization, em português OTAN, Organização do Tratado do Atlântico Norte, uma organização cujo objectivo era, nas palavras de Hastings Ismay, 1º Barão Ismay, seu primeiro secretário-geral: “To keep the Americans in, the Russians out, and the Germans down.”, em português “Manter os Americanos perto, os Russos longe e os Alemães submetidos.”


A Guerra Fria terminou em 1991… a Grande Guerra acabou?

Eu diria que não…

A Alemanha Ocidental (República Federal), que era membro da NATO desde 1955, anexou em 1990 a Alemanha Oriental (República Democrática), que era membro do Pacto de Varsóvia desde de 1955, tendo a Alemanha Reunificada passado a integrar a NATO.

E não foi só a Alemanha Reunificada que passou a integrar a NATO.

A partir de 1999 as Chéquia, Hungría e Polónia, também antigos membros do Pacto de Varsóvia, passaram igualmente a integrá-la, o mesmo tendo acontecido com as Bulgária, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Letónia, Lituânia e Roménia, a partir de 2004, e com as Albânia e Croácia, a partir de 2009.

A NATO Expandiu para Leste desde a Reunificação Alemã e o fim da Guerra Fria


Isto algum faz sentido?

Faz… Se admitirmos que a Inglaterra e a América, duas potências germânicas, passaram a ser, após 1945, as portadoras da germânica bandeira da Ostsiedlung, da Expansão para o Leste, faz todo o sentido!



Referências
  1. Armistício de Compiègne na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  2. Primeira Guerra Mundial na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  3. Participantes da Primeira Guerra Mundial na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  4. Impérios em Guerra, 1911-1923 na Goodreads.
  5. Segunda Guerra Mundial na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  6. Frente Oriental (Primeira Guerra Mundial) na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  7. Frente Oriental (Segunda Guerra Mundial) en Wikipedia, la enciclopedia libre.
  8. Ostsiedlung na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  9. Lebensraum na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  10. Frente Ocidental (Primeira Guerra Mundial) na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  11. Frente Occidental (Segunda Guerra Mundial) en Wikipedia, la enciclopedia libre.
  12. Guerra Fria en Wikipedia, la enciclopedia libre.
  13. Organização do Tratado do Atlântico Norte na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  14. Hastings Ismay en Wikipedia, la enciclopedia libre.
  15. Hastings Ismay at Wikiquote, the free quote compendium that anyone can edit.
  16. Alemanha Ocidental na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  17. Alemanha Oriental na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  18. Pacto de Varsóvia na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  19. Reunificação da Alemanha na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  20. Ampliación de la OTAN na Wikipédia, a enciclopédia livre.

Origem das figuras
  1. Satirical Maps from the Early War at Roads to the Great War, German satirical map of Europe in 1914 at British Library Collection items and Satirical maps of the Great War, 1914-1915 at Unto the Ends of the Earth.
  2. The Front-Line Funnies: Cartoons and Comic Strips in the First World War at Beyond the Trenches and Satirical maps of the world at at British Library Maps,
  3. Organização do Tratado do Atlântico Norte na Wikipédia, a enciclopédia livre


Etiqueta principal: História.
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12 de novembro de 2018

Guerra de 14, Guerra de Revanche

Humorous Cigarette Cards
From set: Punch Cartoons, by Churchman, 1916.
Left, "The Teutonizing of Turkey," reverse side (Wills, Punch Cartoons, series 1, 1916, No. 4)
Right, "The Teutonizing of Turkey," (Wills, Punch Cartoons, series 1, 1916, No. 4)



A Inglaterra Hanoveriana quis vingar-se da anexação de Hanôver pela Prussia em 1866 (Ernesto Augusto I de Hanôver, rei de 20 de Junho de 1837 a 18 de Novembro de 1851, era tio da Rainha Vitória – que só não foi Vitória I de Hanôver porque em Hanôver vigorava a Lei Sálica – e o seu filho e sucessor, Jorge V de Hanôver, destronado a 20 de Setembro de 1866, era primo direito da Rainha Vitória).

A França da Terceira República quis vingar-se da derrota da França do Segundo Império pela Prússia em 1871.

E ambas as Potências, França e Inglaterra, quiseram esconjurar o risco de uma hegemonia Alemã no Continente via destruição do Império Austro-Húngaro e do Império Alemão.

Jean Jaurès não quis e guerra… e foi abatido (Jaurès, de Jacques Brel).

Raymond Poincaré quis a guerra… teve-a e ganhou-a, mas a que custo!

Intense British Anti-German Propaganda Posters
The first, which is from late 1918, hits upon many of the most volatile themes: bayoneting babies, executing civilians, violating young ladies, and burning cities.  It also seems to suggest that even in the postwar period, Germans will still bear these cruel tendencies.


Um século depois

  1. A França e a Inglaterra ganharam duas guerras, mas perderam a hegemonia e os seus impérios… e estão invadidas pela raças inferiores.
  2. A Alemanha perdeu duas guerras, mas é hegemónica no Continente… e também está invadida pela raças inferiores.




Referências
  1. Guerra Austro-Prussiana na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  2. Ernesto Augusto I de Hanôver na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  3. Jorge V de Hanôver na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  4. Guerra Franco-Prussiana na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  5. Segundo Império Francês na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  6. Terceira República Francesa na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  7. Reino da Prússia na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  8. Áustria-Hungria na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  9. Império Alemão na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  10. Jean Jaurès na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  11. Jacques Brel's “Jaurès” with Lyrics no YouTube.
  12. Raymond Poincaré na Wikipédia, a enciclopédia livre.

Origem das imagens
  1. Punch Cartoons from the Collection of Cyril Mazansky at Roads to the Great War.
  2. Intense British Anti-German Propaganda Posters at Roads to the Great War.


Etiqueta principal: História.
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