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14 de novembro de 2018

A Grande Guerra já acabou?

Karte von Europa im Jahre 1914 | Mapa da Europa no Ano 1914
No ano de 2014 quem contem o apetite da Rússia é a NATO, não os Impérios Alemão e Austro-Húngaro.



A Grande Guerra já acabou?

Mas que pergunta tão estranhíssima!

Então o fim da Grande Guerra não foi comemorada em Paris, e em Londres, no passado domingo, dia 11 de Novembro de 2018?

Não.

O que foi comemorada em Paris, e em Londres, no passado domingo dia 11 de Novembro de 2018, foi o Armistício de Compiègne, subscrito por Alemães, Franceses e Ingleses, armistício que não pôs fim á Grande Guerra, como bem se conclui da leitura do livro Impérios em Guerra, 1911-1923.


A Grande Guerra acabou em 1923?

Eu diria que não…

Se repararmos bem na Guerra de 1914-1918 foram beligerantes principais:
  • Os Impérios Centrais – o Império Austro-Húngaro e o Império Alemão, coadjuvados pelo Império Otomano e por outros;
  • Os Impérios Periféricos – o Império Russo, o Império Francês e o Império Inglês coadjuvados pelo Império Italiano, pelo Império Americano e por outros;
e na Guerra de 1939-1945 foram beligerantes principais:
  • Os Impérios Centrais – o Império Alemão, o Großdeutsches Reich, que incluía o Österreich, a Áustria, coadjuvados pelo Império Italiano e por outros;
  • Os Impérios Periféricos – Império Francês, o Império Inglês, o Império Russo e o Império Americano, coadjuvados por outros.

Ou seja, tanto em 1914-18 como em 1939-45 o conflito foi entre Impérios Centrais e Impérios Periféricos e, o que é importantíssimo mas pouco reconhecidos, em ambos os casos a Frente Oriental foi a mais importante

E a Frente Oriental foi a mais importante porque há mais de mil anos que o que é importante para a Alemanha é a Ostsiedlung, em português a “Colonização do Leste”, a “Expansão para o Leste”, o “Povoamento do Leste”.

O mais importante era pois a conquista do Lebensraum, em português a conquista do “Espaço Vital”.

Conseguir uma vitória na Frente Ocidental – não obtida em 1914-18, mas obtida 1939-45 – era importante… porque garantia mãos livres a leste Só por isso.

Hark! Hark! The Dogs do Bark. | Ouçam! Ouçam! Os cães ladram.
Artist unknown. Published by G.W. Bacon 1914 | Artista desconhecido. Publicado por G.W. Bacon 1914


O Großdeutsches Reich foi derrotado em 1945, a Grande Guerra acabou?

Eu diria que não…

Mal a Guerra de 1939-1945 acabou começou a Guerra Fria, guerra que durou até 1991 e terminou com a vitória da NATO, North Atlantic Treaty Organization, em português OTAN, Organização do Tratado do Atlântico Norte, uma organização cujo objectivo era, nas palavras de Hastings Ismay, 1º Barão Ismay, seu primeiro secretário-geral: “To keep the Americans in, the Russians out, and the Germans down.”, em português “Manter os Americanos perto, os Russos longe e os Alemães submetidos.”


A Guerra Fria terminou em 1991… a Grande Guerra acabou?

Eu diria que não…

A Alemanha Ocidental (República Federal), que era membro da NATO desde 1955, anexou em 1990 a Alemanha Oriental (República Democrática), que era membro do Pacto de Varsóvia desde de 1955, tendo a Alemanha Reunificada passado a integrar a NATO.

E não foi só a Alemanha Reunificada que passou a integrar a NATO.

A partir de 1999 as Chéquia, Hungría e Polónia, também antigos membros do Pacto de Varsóvia, passaram igualmente a integrá-la, o mesmo tendo acontecido com as Bulgária, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Letónia, Lituânia e Roménia, a partir de 2004, e com as Albânia e Croácia, a partir de 2009.

A NATO Expandiu para Leste desde a Reunificação Alemã e o fim da Guerra Fria


Isto algum faz sentido?

Faz… Se admitirmos que a Inglaterra e a América, duas potências germânicas, passaram a ser, após 1945, as portadoras da germânica bandeira da Ostsiedlung, da Expansão para o Leste, faz todo o sentido!



Referências
  1. Armistício de Compiègne na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  2. Primeira Guerra Mundial na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  3. Participantes da Primeira Guerra Mundial na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  4. Impérios em Guerra, 1911-1923 na Goodreads.
  5. Segunda Guerra Mundial na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  6. Frente Oriental (Primeira Guerra Mundial) na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  7. Frente Oriental (Segunda Guerra Mundial) en Wikipedia, la enciclopedia libre.
  8. Ostsiedlung na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  9. Lebensraum na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  10. Frente Ocidental (Primeira Guerra Mundial) na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  11. Frente Occidental (Segunda Guerra Mundial) en Wikipedia, la enciclopedia libre.
  12. Guerra Fria en Wikipedia, la enciclopedia libre.
  13. Organização do Tratado do Atlântico Norte na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  14. Hastings Ismay en Wikipedia, la enciclopedia libre.
  15. Hastings Ismay at Wikiquote, the free quote compendium that anyone can edit.
  16. Alemanha Ocidental na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  17. Alemanha Oriental na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  18. Pacto de Varsóvia na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  19. Reunificação da Alemanha na Wikipédia, a enciclopédia livre.
  20. Ampliación de la OTAN na Wikipédia, a enciclopédia livre.

Origem das figuras
  1. Satirical Maps from the Early War at Roads to the Great War, German satirical map of Europe in 1914 at British Library Collection items and Satirical maps of the Great War, 1914-1915 at Unto the Ends of the Earth.
  2. The Front-Line Funnies: Cartoons and Comic Strips in the First World War at Beyond the Trenches and Satirical maps of the world at at British Library Maps,
  3. Organização do Tratado do Atlântico Norte na Wikipédia, a enciclopédia livre


Etiqueta principal: História.
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9 de novembro de 2018

Rewriting the History

Rewriting the History.



The most effective way to destroy people is to deny and obliterate their own understanding of their history.
George Orwell, from Rewriting History Quotes (18 quotes) – Goodreads.



Referências
  1. rewriting history – Urban Dictionary.
  2. rewrite history – The Free Dictionary.
  3. Rewriting history: a brief history – The Spectator.
  4. Rewriting History Quotes (18 quotes) – Goodreads.
  5. Historical negationism – Wikipedia, the free encyclopedia.

Origem da imagem
  • Old Boys Network.


Etiqueta principal: Curtas.
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11 de outubro de 2018

Tempo de Vésperas


Guerra na Síria.



vésperas das United States midterm election 2018

se Donald J. Trump as perder a luta continua
se Donald J. Trump as as ganhar a luta também continua

a luta continua sempre
e a vitória nunca é certa


quem viver verá




Tema principal: Guerra.
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5 de outubro de 2018

Discurso de Donald Trump na ONU (2018)


O 45.º Presidente dos Estados Unidos da América, Donald John Trump.




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O discurso na Assembleia Geral da ONU, a 25 de Setembro de 2018, do 45.º Presidente dos Estados Unidos da América, Donald John Trump, bem como as reacções que provocou, tiveram muitas leituras… esta é mais uma.
original



ONU : nascimento do mundo post-ocidental


A Administração da ONU esperava por um choque entre os pró e os anti-Trump durante a Assembleia Geral. O que aconteceu foi completamente diferente. Enquanto vários Estados, entre os quais a França, denunciavam os métodos do hóspede da Casa Branca, a Rússia dedicou-se a uma análise da aliança ocidental. Segundo Moscovo, a grande maioria dos problemas actuais é devida a uma vontade das antigas potências coloniais em conservar, custe o que custar, o seu domínio sobre o resto do mundo. Para os ultrapassar uma formidável coligação viu a luz do dia.

Por Thierry Meyssan | Rede Voltaire | Damasco (Síria) | 2 de Outubro de 2018 

Apesar das aparências, o desfile de chefes de Estado e de governo ou de ministros dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br) pela Assembleia Geral das Nações Unidas não é inútil. Claro, não tendo a maior parte de entre eles nada a dizer acabam a falar para a sua opinião pública interna, fustigando a incúria da ONU e apelando portanto ao respeito pelo Direito. No entanto, várias outras intervenções vão ao fundo do debate : como resolver os litígios entre Estados e garantir a paz ?

A audiência da 73ª sessão da Assembleia Geral da ONU.

Os três primeiros dias foram marcados pelo discurso de Donald Trump (Estados Unidos) e as respostas de Emmanuel Macron (França) e de Hassan Rohani (Irão). Mas, ao quarto dia toda esta problemática voou em estilhaços durante a intervenção de Serguei Lavrov, (Rússia) o qual apresentou o mapa do mundo post-ocidental.

A viragem do mundo segundo Donald Trump

O Presidente Trump, cujos discursos são habitualmente extremamente improvisados, preparara desta vez um texto muito estruturado [Remarks by Donald Trump to the 73rd Session of the United Nations General Assembly”, by Donald Trump, Voltaire Network, 25 September 2018.]. Distinguindo-se dos seus predecessores, ele afirmou privilegiar «a independência e a cooperação», mais do que «a governança, o contrôlo e a dominação internacionais» (por outras palavras: os seus interesses nacionais mais do que os do «Império americano»). Prosseguiu assim enumerando os reajustamentos do sistema aos quais procedeu.
  • Os Estados Unidos não declararam guerra comercial à China, mas estão em vias de recuperar a sua balança de pagamentos. Simultaneamente, tentam restaurar um mercado internacional baseado na livre concorrência, tal como o prova a sua posição em matéria energética. Eles tornaram-se grandes exportadores de hidrocarbonetos e teriam, portanto, interesse em preços elevados, mas contestam a existência de um cartel intergovernamental, a OPEP, e defendem preços mais baixos.
  • Eles opõem-se às estruturas e tratados da globalização (quer dizer, do ponto de vista da Casa Branca, o imperialismo financeiro transnacional), nomeadamente o Conselho de Direitos do Homem, o Tribunal Penal Internacional e o UNRWA. Não se trata, obviamente, de advogar a tortura (que foi legitimada à época por George Bush Jr.) ou o crime, nem de matar à fome aos Palestinos, mas de quebrar as organizações que instrumentalizam os seus interesses para alcançar outros fins.
  • Em relação às migrações da América Latina para os Estados Unidos, e dentro do próprio continente sul-americano, eles pretendem por-lhe fim cortando o mal pela raiz. Para a Casa Branca, o problema resulta das regras impostas pelos Tratados da globalização, nomeadamente o Alena. O Presidente Trump negociou assim um novo acordo com o México que vincula as exportações ao respeito pelos direitos sociais dos trabalhadores mexicanos. Ele entende voltar à Doutrina Monroe original: as multinacionais não mais poderão interferir na governança do continente.

A referência à Doutrina Monroe merece uma explicação, tanto mais que esta expressão sugere o colonialismo norte-americano do início do século XX. Donald Trump é um admirador da política externa de duas personalidades muito controversas, os Presidentes Andew Jackson (1829-1837) e Richard Nixon (1969-1974). A Doutrina Monroe (1823) foi elaborada durante a intervenção daquele que à época era apenas o General Jackson, na colónia espanhola da Florida. Na altura, James Monroe desejava proteger o continente americano do imperialismo europeu. Foi a «era dos belos sentimentos». Ele comprometeu-se pois a que os Estados Unidos não interviriam na Europa se os Europeus cessassem de intervir nas Américas. Apenas três quartos de século mais tarde é que, nomeadamente com Theodore Roosevelt (1901-1909), a Doutrina Monroe serviu de cortina ao imperialismo dos Estados Unidos na América Latina.

A defesa do antigo mundo 
por Emmanuel Macron e Hassan Rohani

Numa estranha inversão de papéis, o Presidente francês, Emmanuel Macron, apresentou-se como o “Barack Obama” europeu face ao “Charles De Gaulle” norte-americano, que é Donald Trump. Simbolicamente, ele declarou-lhe guerra afirmando assim: «Não assinemos mais acordos comerciais com as potências que não respeitam o Acordo de Paris» (portanto, não mais com os Estados Unidos); uma maneira muito estranha de defender o multilateralismo!
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O Presidente francês começou com a constatação implícita de Donald Trump: a crise da «ordem liberal westphaliana» actual [« Discours d’Emmanuel Macron devant la 73e séance de l’Assemblée générale des Nations unies », par Emmanuel Macron, Réseau Voltaire, 25 septembre 2018.]. Ou seja, a crise dos Estados-nações, pressionados pela globalização económica. Mas para melhor contestar a solução da Casa Branca, que ele qualificou de «a lei do mais forte». Promoveu, portanto, a solução francesa «em torno de três princípios: o primeiro, é o respeito pelas soberanias, o próprio fundamento da nossa carta; o segundo, é o reforço das nossas cooperações regionais; e o terceiro sendo a defesa de garantias internacionais mais robustas».

Depois, o seu discurso deu um giro para terminar com uma exaltação lírica. Emmanuel Macron dedicou-se a um exercício de hipocrisia juvenil, no limite da esquizofrenia.
  • Como exemplo do «respeito das soberanias», ele apelou a que não «se substituíssem ao povo sírio» quanto a decidir sobre quem deve ser seu dirigente... ao mesmo tempo que interditava ao Presidente Assad apresentar-se a sufrágio dos seus concidadãos.
  • A propósito do «reforço das cooperações regionais», citou o apoio da União Africana à operação antiterrorista francesa no Sahel. Mas esta não é senão, na realidade, mais do que a parte terrestre de um plano mais amplo, dirigido pelo AfriCom, e do qual o exército dos EUA assegura a componente aérea. A União Africana, em si mesma, não tem exército propriamente dito, ela intervém unicamente para legalizar uma operação colonial. Da mesma forma, as somas investidas para o desenvolvimento do Sahel, que o Presidente francês citou não em euros mas em dólares, misturam verdadeiros projectos africanos com uma ajuda estrangeira ao desenvolvimento da qual toda a gente pode constatar a ineficácia.
  • Em relação ao «aporte de garantias internacionais mais robustas», ele anunciou o trabalho de luta contra as desigualdades à qual se consagraria a cimeira do G7 de Biarritz. Na realidade, tratava-se, para ele, de afirmar um pouco mais a liderança ocidental sobre o resto do mundo, Rússia e China incluídas. Assim, assegurou que «os dias em que um clube de países ricos podia definir sozinho os equilíbrios do mundo acabou há muito tempo», e empenhou-se em … apresentar um registo das decisões tomadas pelos Grandes ocidentais perante a próxima Assembleia Geral. Ou, ainda, proclamou ele, o «G7 deverá ser o motor» da luta contra as desigualdades empreendida pela ONU.

Intervindo por sua vez, o Presidente iraniano, Xeque Hassan Rohani, descreveu em detalhe a maneira como a Casa Branca destruiu, um a um, os princípios do Direito Internacional [Remarks by Hassan Rohani to the 73rd Session of the United Nations General Assembly”, by Hassan Rohani, Voltaire Network, 25 September 2018.].

Ele lembrou que o acordo dos 5 + 1 (JCPoA) tinha sido validado pelo Conselho de Segurança, que havia apelado a numerosas instituições para o apoiar (resolução 2231). Depois que os Estados Unidos de Donald Trump se retiraram dele, contradizendo a assinatura do seu antecessor e o princípio de continuidade do Estado. Ele sublinhou que, conforme o atestam 12 relatórios consecutivos da AIEA, o Irão tinha cumprido e continua a respeitar as suas obrigações. Ele indignou-se com o apelo do Presidente Trump ao desrespeito da resolução onusina e a ameaça que ele dirigiu aqueles que a respeitam.

Ele terminou recordando alguns factos: o Irão combateu Saddam Hussein, os Talibãs e o Daesh (E.I.) antes dos Estados Unidos (que os apoiavam então); uma maneira, como qualquer outra, de sublinhar que desde há muito tempo as reviravoltas dos Estados Unidos não respondem à lógica do Direito, mas, antes à dos seus interesses ocultos.

Serguei Lavrov apresenta o mundo post-ocidental

Este debate, não a favor ou contra os Estados Unidos, mas a favor ou contra Donald Trump, ordenava-se em torno de dois argumentos principais :
  • A Casa Branca destruiu o sistema que tão bem aproveitou às elites financeiras internacionais (Macron). 
  • A Casa Branca não mais finge sequer respeitar o Direito Internacional (Rohani).
Para o Ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, este debate mascara um problema muito mais profundo. «Por um lado, vemos o fortalecimento de princípios policêntricos da ordem mundial, (...) a aspiração dos povos em preservar a soberania e modelos de desenvolvimento compatíveis com as suas identidades nacionais, culturais e religiosas. Por outro lado, vemos o desejo de vários Estados ocidentais em conservar o seu estatuto de auto-proclamados «líderes mundiais» e de abrandar o processo objectivo irreversível de estabelecimento da multipolaridade», sentenciou ele. [Remarks by Sergey Lavrov to the 73rd Session of the United Nations General Assembly”, by Sergey Lavrov, Voltaire Network, 28 September 2018.].

A partir daí, já não se tratava para Moscovo de atacar o Presidente Trump, nem mesmo os Estados Unidos, mas os Ocidentais em geral. Serguei Lavrov chegou ao ponto de traçar um paralelo com os Acordos de Munique (1938). À época, a França e o Reino Unido fizeram aliança com a Alemanha e a Itália. Claro, este acontecimento é actualmente considerado na Europa Ocidental como uma covardia franco-britânica face às exigências dos nazistas, mas ele ficou gravado na memória russa como o passo decisivo que desencadeou a Segunda Guerra Mundial. Enquanto os historiadores da Europa ocidental buscam estabelecer quem tomou essa decisão e quem lhe deu seguimento, os historiadores russos vêem apenas uma coisa: nenhum dos Europeus Ocidentais assumiu as suas responsabilidades.

Estendendo a sua crítica, Lavrov denunciou já não mais os atentados ao Direito, mas às estruturas internacionais. Ele observou que os Ocidentais entendem forçar os povos a entrar contra a sua vontade em alianças militares e ameaçam certos Estados que reivindicam escolher, eles próprios, os seus parceiros. Fazendo alusão ao caso Jeffrey Feltman. [A Alemanha e a ONU contra a Síria”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, 28 de Janeiro de 2016. “Como é que a Administração da ONU organiza a guerra”, Thierry Meyssan, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Rede Voltaire, 4 de Setembro de 2018.], ele denunciou as tentativas para controlar a administração da ONU, fazê-la jogar o papel reservado aos Estados-membros e, em última análise, utilizar o secretariado-geral para os manipular.

Ele observou o carácter desesperado destas tentativas, salientando, por exemplo, a ineficácia de cinquenta anos de bloqueio norte-americano a Cuba. Ele estigmatizou a vontade britânica de julgar, e condenar, sem processo, usando apenas a sua retórica do «altamente provável».

Serguei Lavrov concluiu sublinhando que todas as alterações ocidentais não impediam o resto do mundo de cooperar e de se desenvolver. Ele lembrou a «Parceria da Eurásia Alargada», evocada no Fórum Valdai, em 2016, pelo Presidente Putin para completar a «Cintura e a Rota» do Presidente Xi. Esta ampla iniciativa, à partida prontamente acolhida pela China, é agora apoiada pela Organização do Tratado de Segurança Colectiva, a União Económica Euroasiàtica, a Comunidade de Estados Independentes, os Brics e a Organização de Cooperação de Xangai. As contrapropostas da Austrália, do Japão e da União Europeia acabaram mortas à nascença.

Enquanto os responsáveis ocidentais têm o costume de anunciar antecipadamente os seus projectos e de os propagandear, os diplomatas russos só os anunciam quando já foram lançados e estão seguros de os concretizar.

Em resumo, a estratégia de cerco da Rússia e da China, imaginada pelo deputado britânico Halford J. Mackinder [“The geographical pivot of history”, Halford J. Mackinder, The Geographical Journal, 1904, 23, pp. 421–37.] e explicitada pelo Conselheiro Segurança Nacional norte-americano Zbigniew Brzeziński [The Grand Chessboard: American Primacy and Its Geostrategic Imperatives, Zbigniew Brzeziński, Basic Books. 1997.], falhou. O centro de gravidade do mundo desloca-se para o Leste, não contra os Ocidentais, mas, provocado por sua culpa [The Geopolitics of American Global Decline”, by Alfred McCoy, Tom Dispatch (USA) , Voltaire Network, 22 June 2015.].

Tirando as primeiras conclusões práticas destas análises, o Vice Primeiro-ministro sírio, Walid al-Muallem, exigia no dia seguinte, na tribuna da Assembleia Geral, a retirada imediata das tropas de ocupação norte-americanas, francesas e turcas [Remarks by Walid Al-Moualem to the 73rd Session of the United Nations General Assembly”, by Walid Al-Moualem, Voltaire Network, 29 September 2018.].

Tradução

Tema principal: Geopolítica.
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