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9 de fevereiro de 2020

A Pacaça e as Hienas

A empresária angolana Isabel dos Santos. 
Fotografia: Eneias Rodrigues / LUSA.


Dois artigos de opinião.

O um publicado no português Observador, o outro no angolano Folha 8.


Hienas caçando, e comendo uma Pacaça. 
Vida Selvagem - Reino Selvagem.


Ainda há por aí mais heróis
para baterem numa mulher no tapete?


Se compreendo que faça a sua defesa com os meios a que tem direito, com uma argumentação digna da mulher inteligente que é, o que me choca e decepciona é que se tenha afirmado vítima de... racismo!

Por Guilherme Valente no Observador às 00:27 de 08 Fevereiro 2020.

“I am a poor lonesome cowboy”
Lucky Luke

Frágil e velho, eu que nunca vi a Senhora em causa de um mundo onde nunca entraria, num país aonde nunca irei e em que só não me indigna e me preocupa a imensa gente pobre, boa e explorada que lá sofre e sobrevive, eu, digo que Isabel dos Santos não é só monstro, seja lá o que de condenável e chocante tenha feito.

Entre os vários irmãos a quem caíram no regaço os milhões de que se fala, foi ela a única que criou milhares de empregos também em Portugal, para inúmeros portugueses. O que não teria precisado de fazer para gozar e tentar estoirar essa fortuna toda.

Milhões que alguns aqui debicaram, de que toda a gente sabia a origem, mas que raríssimos tiveram a dignidade e a coragem de sempre revelar.

E de que outra maneira num regime revolucionário, anti-colonialista e anti-capitalista, como o de Angola poderia ter sido conseguida a acumulação que lhe permitiu esses investimentos? Corrupção, corrupção organizada, apoiada e consentida pelo Estado. Num nível só possível quando não há separação de poderes, quando os tiranos e a sua clique mandam na Justiça, e em tudo. Modelo e regimes aberrantemente cantados, aliás, na Assembleia da nossa livre, tolerante, República democrática-liberal.

Pelo que leio e ouço, também eu não posso deixar de fazer o meu juízo sobre as peripécias em que a Engenheira Isabel dos Santos surge envolvida. Mas seja qual for esse juízo não esqueço o que de combate sujo pelo poder haverá misturado nisso tudo. Nesse mundo onde nada garante que de repente uns tenham passado a ser melhores do que os outros. E Isabel dos Santos, quiçá, até poderá ter sido ou vir a ser melhor.

E esse juízo que faço não pode apagar também a apreciação pessoal, as visíveis capacidades de inteligência, espírito empreendedor, liderança, que muitos seguramente lhe invejaram e invejam. E noutro plano, a elegância, o charme dela…sou sensível a isso.

Pelo contrário, se compreendo que faça a sua defesa com os meios a que tem direito e pode dispor, com uma argumentação digna da mulher inteligente que é, o que me choca e decepciona é que se tenha afirmado, disseram-me, vítima de… racismo!

Racismo? Uma mulher que foi e ainda será modelo de sucesso para tantas mulheres — e homens — de todas as cores?!

E os empresários e governantes aqui merecidamente encharcados por rios de notícias sobre as suspeitas fundamentadas ou as condenações mais humilhantes? Brancos, Engenheira Isabel dos Santos, sem a sua — quanto a mim, anémico extremo ocidental — belíssima cor de pele. Feia, muito feia, é a única cor de pele e de carácter que vejo neles.

Uma mulher com o seu estatuto e história não pode querer confundir-se com os que inventam racismos, os que exploram a vitimização e a miséria que aprisiona tantos africanos num absurdo complexo, contribuindo para que se mantenham em guetos de exclusão. (De que cumpre, aliás, ao Estado democrático liberal, aos Governos, ao empenho dos homens de boa vontade ajudá-los a sair.)

Vitimização que tem ajudado ditadores e regimes ignóbeis a manter a generalidade da África na dependência e na pobreza. Projectando sobre o outro, o “branco”, hoje cada vez mais inventado, o que é responsabilidade dos africanos, antes de mais dos tiranos que os dominam. Tudo em nome das tretas revolucionárias, socialistas, anti-colonialistas e anti-capitalistas que se sabe.

Deixe a exploração repugnante da vitimização e invenção de racismos para os negros e os brancos (que assim aqui são mais) que lucram ou pensam vir a lucrar com esse negócio sujo, que ameaça o verdadeiro combate que é imperativo travar contra todas as formas de discriminação.

A Senhora Engenheira é uma mulher cosmopolita, adulada por todos com quem quis conviver no mundo. Mundo que teve aos seus pés (até em Davos), e que se a Senhora tivesse dado outro destino a esses biliões até a poderia justamente admirar.

Racismo?! Não se coloque ao nível de Joacine Katar Moreira, que idêntica à Senhora só tem, vagamente, a cor de pele.

Repare o que puder reparar e… caia de pé, igual a qualidades que vi em si. Seja lá o que for de imperdoável em que tenha incorrido.



Repare o que puder reparar e… caia de pé, igual a qualidades que vi em si. Seja lá o que for de imperdoável em que tenha incorrido.

Para o meu amigo João Soares


Original





João Lourenço e os Ninjas, ou vice-versa.


Alemanha vai ajudar a
pôr o Reino (e África) em ordem


O Presidente de Angola, também Presidente do partido no Poder desde 1975 (o MPLA) e Titular do Poder Executivo, João Lourenço, desafiou hoje a Alemanha a investir nos sectores dos transportes, energia e agricultura, entre outros, sublinhando que existe agora um ambiente favorável ao sector privado.

Por Redacção F8 no Folha 8 a 07 Fevereiro 2020.

Falando após uma reunião com a chanceler alemã, Angela Merkel, que cumpre hoje uma visita de algumas horas a Angola, João Lourenço focou o interesse recíproco dos dois países no sentido de intensificar as relações empresariais e económicas.

“Angola ao longo destes anos tem beneficiado de linhas de crédito da banca comercial alemã para projectos de infra-estruturas públicas, mas quase nenhum investimento privado de destaque, o que pretendemos hoje, uma vez que estamos a criar com algum sucesso um ambiente de negócios favorável ao investimento privado”, salientou João Lourenço.

O chefe de Estado destacou ainda algumas preferências, que vão ao encontro das capacidades do sector industrial alemão, como a siderurgia e o aço, a agricultura e pecuária, a ciência e a saúde, o sector automóvel e o turismo.

João Lourenço indicou que durante a visita da chanceler alemã vão ser apresentadas várias iniciativas que visam ampliar o quadro de cooperação bilateral entre os dois países na área da capacitação e formação de quadros.

O aprofundamento da relação com instituições bancárias para financiamento de projectos de gás, energia e águas, parcerias público-privadas para estradas, ferrovias e portos, centrais hidroeléctricas e apoio à vigilância marítima, sobretudo no Golfo da Guiné, são outras áreas a explorar.

Por seu turno, Angela Merkel assinalou que a Alemanha quer dar a sua contribuição para o desenvolvimento de Angola e pretende contribuir com a sua presença para iniciar um novo capítulo da cooperação entre os dois países que se traduzirá na assinatura de acordos concretos.

Trata-se da segunda visita da chanceler Angela Merkel a Angola, tendo a primeira ocorrido em 2011, ocasião em que foi acordado com José Eduardo dos Santos uma parceria alargada entre os dois países.

João Lourenço visitou a Alemanha em Agosto de 2018 e voltou a encontrar-se com a chanceler Merkel em Nova Iorque, no mês de Setembro.

Na quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores angolano, Manuel Augusto, referiu que a Alemanha é já um “parceiro tradicional” de Angola, onde tem instaladas um “conjunto de empresas que têm um impacto directo” na economia angolana e nas condições de vida da população.


Ninjas biométricos, milho e Alemanha

O Governo do MPLA determinou a entrada em funcionamento, no reino de que é proprietário (Angola), dos Conselhos e Vigilância Comunitários (CVC), previstos na lei desde 2016, para auxiliar os órgãos de defesa e segurança no combate e prevenção da criminalidade. Na verdade, importa reconhecer, os CVC serão uma espécie de “ninjas biométricos” que também vão ajudar o milho a crescer e os laranjais a florescer.

Analisando a proposta, um verdeiro Ovo de Colombo – segundo MPLA, verifica-se que o Presidente João Lourenço tinha toda a razão quando, no dia 22 de Agosto de 2018, disse numa conferência de imprensa conjunta com a chanceler alemã Angela Merkel, em Berlim, que queria atrair investimento alemão na área da Defesa, na “vigilância e segurança marítima”. Nesse dia, o Folha 8 perguntou: Que outra prioridade poderiam os angolanos querer? Isto porque investir na Defesa faz crescer o… milho!

Na verdade, João Lourenço – com a sua única e divina capacidade de antecipação – já sabia que os CVC iriam ser fundamentais para essa campanha agrícola que nos levará para o paraíso da auto-suficiência alimentar.

O chefe de Estado sublinhou na altura a “necessidade de atrair investimento privado alemão para praticamente todos os domínios da economia”. Mas deu destaque à área da defesa, revelando que Angola tem “uma costa marítima bastante extensa” que é preciso “cuidar”. E quem melhor do que os “ninjas biométricos” para cuidar dessa vertente da segurança? Sim, quem?

“Um país que se desenvolve e descura da sua defesa, não age de forma correcta”, reconheceu o ex-ministro da… Defesa, hoje Presidente da República, certamente convicto que a razão da força é bem mas decisiva do que a força da razão dos nossos 20 milhões de pobres. Pobres que, contudo, vão ser estimulados pelos CVC a serem mais assertivos na sua luta diária para aprenderem a viver sem… comer.

“Estamos a convidar os investidores alemães a trabalhar com o estado de Angola (leia-se MPLA) na protecção da nossa costa, com o fornecimento de embarcações de guerra, tal como de outros meios eléctricos, para podermos controlar melhor esta vasta fronteira marítima que é uma parte do Golfo da Guiné, uma parte que é cobiçada pelos piratas, pelos terroristas como forma de atingir os nossos países, de atingir as nossas populações, as nossas economias”, recordou o chefe do Estado do MPLA.

Na conferência de imprensa conjunta, Angela Merkel confirmou o “interesse de Angola em cooperar com a Alemanha no domínio da defesa”, acrescentando a chanceler que há muito interesse em que “a costa angolana seja segura”, porque “não existe desenvolvimento sem segurança, nem segurança sem desenvolvimento”. O Folha 8 “sabe” que já nessa altura Merkel foi informada por João Lourenço sobre o grande trunfo da sua governação: a implementação dos Conselhos e Vigilância Comunitários.

Por isso Merkel garantiu que a Alemanha tem disponibilidade em cooperar desde que exista interesse por parte das empresas, congratulando-se com o “novo vento” que sopra de Angola.

João Lourenço, que visitava pela primeira vez a Alemanha desde que foi (digamos) eleito, assegurou ter gostado muito do “ambiente das negociações” que manteve com a chanceler, convidando Angela Merkel a visitar Angola, em 2019.

Questionado sobre a visita que logo a seguir iria fazer a Pequim, e uma eventual cooperação militar com a China, o chefe de Estado angolano declarou que “os laços de amizade e cooperação são sempre diversificados e quantos mais amigos, mais parceiros, melhor”.

Em 2009, o antigo chefe de Estado de Angola e patrono de João Lourenço, José Eduardo dos Santos, esteve na Alemanha e, em retribuição, a chanceler alemã, Angela Merkel, visitou Angola em 2011.


Presidente, general e ministro (da Defesa) dos “ninjas”

Recorde-se, por exemplo, que em Fevereiro de 2015 as marinhas da Alemanha e de Angola realizam, ao largo de Luanda, um exercício naval conjunto que marcou o alargamento das relações entre os dois países à cooperação militar, já então com os “ninjas biométricos” em fase de quase gestação.

O exercício decorreu da presença em Angola de quatro navios da Marinha alemã, nomeadamente três fragatas de guerra, no âmbito da Força Operacional e de Formação 2015 daquele país europeu, visando o combate à pirataria.

De acordo com o anúncio feito a bordo da fragata ‘Hessen’ – que estava atracada no porto de Luanda -, pelo capitão-de-mar-e-guerra Andreas Seidl, que liderava esta força, o exercício constou de uma abordagem das forças navais angolanas a um dos navios da frota da Alemanha, tendo lugar a duas milhas da costa.

“A visita desta força da Alemanha pode ser vista como o primeiro passo visível na intensificação da cooperação militar entre as nossas duas nações”, sublinhou Andreas Seidl.

O oficial esclareceu que a cooperação entre as marinhas de ambos os países estava na altura centrada na formação de operacionais angolanos (já com uma vertente embrionária dos Conselhos e Vigilância Comunitários), mas que era intenção das duas partes alargar a base desse entendimento à cooperação na área técnica.

A inclusão de Angola na rota dos navios alemães seguiu-se à visita, em Novembro de 2014, do ministro da Defesa angolano, o general João Lourenço, à Alemanha, ocasião em que foi assinado um acordo de cooperação de Defesa entre os dois países.

Na apresentação dos meios navais em Luanda, o embaixador alemão em Angola, Rainer Müller, assumiu “o orgulho” da Alemanha em ter Angola “agora também como parceiro na área da Defesa”. E se já havia esse orgulho antes da existência dos CVC, o que dizer agora?

“Angola é um parceiro muito poderoso e influente em África e que tem uma bela história para contar”, afirmou Rainer Müller. Na altura – diga-se de passagem – José Eduardo dos Santos ainda não tinha passado de bestial a besta. E não tinha porque, pura e simplesmente, era quem estava no Poder.

Em cima da mesa, entre outros aspectos, esteve o envio de conselheiros técnicos das Forças Armadas alemãs para assistir as forças angolanas.

“Cabe aos ministérios da Defesa dos dois países decidir, mas a Alemanha está disposta a fazer muita coisa”, enfatizou o embaixador da Alemanha em Luanda.

A missão operativa, com incursão pelo mar do norte, oceano Atlântico, Golfo da Guiné, Cabo Esperança, oceano Índico e do Canal de Suez para o mar Mediterrâneo, tinha como objectivo a formação do núcleo de participação alemã nos grupos de intervenção internacionais, no âmbito de tarefas marítimas.

Contudo, o comandante desta força descartou acções de envolvimento directo pela Marinha alemã no combate à pirataria, sendo a prioridade a capacitação das marinhas dos países afectados.


Original





a pacaça é nova e ainda não caíu

¿ será que vira leão ?





Fontes
  1. Isabel dos Santos quer Efacec líder internacional na mobilidade elétrica”. Paulo Julião, Agência Lusa. Dinheiro Vivo. Publicado às 07:25 de 14 de Outubro de 2019. Recuperada às 11:03 de 09 de Fevereiro de 2020.
  2. Hienas comendo a carne de um Búfalo - Vida Selvagem - Reino Selvagem“. YouTube Channel “Reino Selvagem”. Publicado a 07 de Junho de 2018. Recuperado a 09 de Fevereiro de 2020.
  3. Ainda há por aí mais heróis para baterem numa mulher no tapete?”. Guilherme Valente. Observador. Publicado às 00:27 de 08 Fevereiro 2020. Recuperado às 15:47 de 09 Fevereiro 2020.
  4. Alemanha vai ajudar a pôr o Reino (e África) em ordem”. Redacção F8. Folha 8. Publicado a 07 Fevereiro 2020. Recuperado às 17:47 de 09 Fevereiro 2020.



Etiqueta principal: Guerra Híbrida.
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6 de dezembro de 2019

Interessa a Portugal participar na Guerra pelo Gás?

Mistura Mundial de Energias 1800-2040 — ExxonMobil 2013.
A Guerra pelo Gás substituiu a Guerra pelo Petróleo.

A bolha financeira do petróleo começou a desinchar. Quer dizer, o Pico do Petróleo é hoje um facto adquirido, e a migração para a principal alternativa, que irá dominar o século 21, ou seja o gás natural, está na origem dos principais conflitos geoestratégicos em curso.
inGuerra e Gás”. António Maria. O António Maria. Publicado a 15 de Janeiro de 2015, às 13:11. Recuperado a 05 de Dezembro de 2019, às 10:44.


Em primeiro lugar algumas imagens e textos de enquadramento.

Em segundo lugar um texto de título “Rússia e China: irmãos para sempre?” da autoria de José Milhazes. 

Em terceiro lugar um texto de título “Interessa a Portugal participar nas Guerra pelo Gás?” da minha autoria. 


russos e chineses – irmãos para sempre

Na era de Estaline e Mao foi lançada a palavra de ordem “russos e chineses – irmãos para sempre” e Moscovo tenta apresentar uma aliança sino-russa como uma panaceia contra o seu isolamento face ao Ocidente, não obstante o utopismo da ideia.
in “Russos e chineses – irmãos para sempre?”. José Milhazes. Da Rússia. Publicado a 21 de Janeiro de 2015, às 08:07. Recuperado a 04 de Dezembro de 2019, às 23:19.


A 14 de Fevereiro de 1950 foi Assinado o Tratado de Amizade entre China e URSS.

Em 14 de fevereiro de 1950, o Tratado de Amizade, Aliança e Assistência Mútua Sino-Soviético aproximava as duas potências comunistas, apesar das notórias divergências entre os líderes Mao Tse-tung e Stalin.
in1950: Assinado o Tratado de Amizade entre China e URSS”. Deutsche Welle. Sem data de publicação. Recuperado a 05 de Dezembro de 2019, às 00:13.


Quem são os melhores amigos da Rússia, segundo os russos?

Quem são
os melhores amigos da Rússia,
segundo os russos?
Uma pesquisa divulgada pelo Centro Levada deu a conhecer quais são os países considerados mais amigáveis pelo povo russo.

De acordo com o estudo, Belarus é a nação mais amiga e sócio mais próximo da Rússia na visão de 49% dos russos. O país vizinho à Rússia tem um histórico laço de amizade e ligação cultural estreita com o gigante eurasiático. De fato, os dois povos se consideram como verdadeiros irmãos de sangue.

Moscou sempre foi o principal parceiro econômico de Minsk, que, por sua vez, se tornou seu quarto maior parceiro comercial em 2017.

Em segundo lugar na lista de países mais amistosos para os russos está a China (40%), maior parceiro comercial da Rússia que, juntas, formam a maior aliança bilateral do século XXI, aproximando-se cada vez mais e com uma relação de amizade forte e duradoura.

Logo atrás estão Cazaquistão (32%) – parceiro estratégico no âmbito da União Eurasiática e da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) –, Síria (21%) – histórico aliado de Moscou no Oriente Médio e o qual a Rússia interveio para derrotar o terrorismo e reconstruir o país após a guerra de agressão terrorista – e Índia (19%) – outra grande parceria para os russos, membro da OCX e do BRICS.

Por outro lado, o país menos amigável na opinião dos russos são os Estados Unidos (78%), uma vez que esta nação tem um histórico centenário de agressões contra a Rússia e atualmente o clima entre os dois países é extremamente tenso.

A Ucrânia (49%) é o segundo menos amigável para os russos, devido à ascensão de um regime semifascista em 2014 e à guerra que este desencadeou contra minorias russas do leste do país, bem como à perseguição aos russos étnicos no oeste.

A Grã-Bretanha é o terceiro país menos amistoso segundo a pesquisa (38%). Com o caso Skripal, no qual o Ocidente, em peso, tem satanizado o governo russo acusando-o de envenenar o ex-agente Sergei Skripal, as relações entre os dois países estão péssimas.

Letônia (26%) e Polônia (24%) também gozam de pouca confiança por parte dos russos. Esses países vêm há décadas se aliando com os Estados Unidos, criminalizando o passado socialista/soviético e perseguindo a cultura russa.
inQuem são os melhores amigos da Rússia, segundo os russos?”. Port.pravda.ru. Publicado a 15 de Junho de 2018. Recuperado a 05 de Dezembro de 2019, às 00:31. 


Rússia e China inauguram gasoduto.

Rússia e China estão mais unidas que nunca. Através de uma videoconferência, os presidentes Vladimimir Putin e Xi Jinping inauguraram o primeiro de três gasodutos que vão unir os dois países.

O projeto, que o presidente russo classificou como "um evento histórico extraordinário, não só para o mercado energético mundial, como, acima de tudo, para a Rússia e a China", permite a Moscovo diversificar mercados a Oriente, com a China a assumir-se como o maior mercado de exportação.

O gasoduto histórico vai transportar gás natural da Sibéria para o nordeste da China ao longo de uma rede que no total terá mais de três mil quilómetros. O custo do Power of Siberia, como foi batizado, está avaliado pela Gazprom, a maior empresa energética russa, em 55 mil milhões de dólares, isto é, quase 50 mil milhões de euros.

Até 2023, ano em que o gás deverá chegar a Xangai, a infraestrutura terá uma capacidade de 38 mil milhões de metros cúbicos anuais, o equivalente a 9,5% do gás consumido na China.
inRússia e China inauguram gasoduto”. Euronews. Publicado a 02 de Dezembro de 2019, nas Últimas Notícias. Recuperado a 05 de Dezembro de 2019, às 01:24.


Rede de gasoductos siberianos da Gazprom.

A Rússia começou na segunda-feira a canalizar gás para a China, quando o tão esperado oleoduto Power of Siberia, que liga os dois países, entrou em operação.

O Presidente Russo Vladimir Putin e o Primeiro-Ministro Chinês Xi Jinping abriram oficialmente o gasoducto de 3.000 quilómetros hoje, por videoconferência.

A gigante de gás estatal russa Gazprom começará imediatamente a enviar seu gás para o sul — foi a primeira vez que o gás russo foi enviado diretamente para a China. Os dois países fizeram em 2014 um contrato por 30 anos que previa exportações de gás russo no valor de 400 biliões de USD, tendo esse acordo sido assinado pelas empresas estatais Russa e chinesa, Gazprom e China National Petroleum Corporation, respectivamente.

O gasoducto não estará totalmente operacional até 2025, ano em que passará a ser capaz de transportar 38 biliões de metros cúbicos de gás por ano.
inRussia Launches Gas Exports to China”. The Moscow Times. Publicado a 02 de Dezembro de 2019. Recuperado e traduzido a 05 de Dezembro de 2019, às 09:34.


Rússia e China: irmãos para sempre?
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A construção do novo gasoduto reforça as relações entre a China e a Rússia, mas é difícil imaginar que se volte a gritar a palavra de ordem de Estaline e Mao: “Russos e chineses, irmãos para sempre!”
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Enquanto entre a União Europeia e os Estados Unidos não acalmam as discussões sobre a construção do North Stream-2, segundo gasoduto que irá transportar gás russo para a Alemanha através do Báltico, enquanto a Polónia e a Ucrânia tentam encontrar alternativas aos fornecimentos de gás pelo vizinho do Leste, Moscovo arranja mercados alternativos na Ásia para os seus combustíveis.

“A torneira está aberta! (…) o gás entrou na China”, declarou solenemente o presidente da empresa estatal russa Gazprom, Alexei Miller, no momento da inauguração do gasoduto que passou a ligar a Sibéria ao “Império do Meio”.

Trata-se de uma obra gigantesca. Os russos tiveram de construir um tubo, a que deram o nome de “Força da Sibéria”, com um comprimento de cerca de 3000 km. Os chineses irão acrescentar mais 3370 km para que o gás siberiano chegue até Xangai.  O contrato com a China, avaliado em mais de 350 mil milhões de euros, foi assinado por um período-recorde de 30 anos e prevê o fornecimento anual de 38 mil milhões de metros cúbicos de gás.

Entretanto, Moscovo e Pequim já negoceiam a construção de um novo gasoduto “Força da Sibéria – 2”, que irá transportar combustível da Sibéria para a costa leste da China. Além disso, estes tubos poderão servir para levar o gás até outros países da Região Asiática do Pacífico, onde ele goza de uma procura cada vez maior.

Até agora os chineses importavam gás natural da Turcoménia através de um gasoduto que atravessa o Uzbequistão e o Cazaquistão, mas esses fornecimentos estão longe de cobrir as necessidades da indústria chinesa, que aposta cada vez mais neste combustível para substituir o carvão e, desse modo, combater a poluição.

Não se pense, porém, que a China passará a depender completamente do gás russo, pois continuará a importar grandes quantidades de gás condensado da Austrália, Qatar, Malásia e Indonésia.

E para a Rússia este projecto não parece ser muito rentável, visto que, segundo cálculos da própria “Gazprom”, ele só começará a pagar os investimentos feitos em 2048.

Segundo alguns analistas, esta obra visa prevenir problemas que poderão surgir no futuro. Para a Rússia é uma garantia de que terá para onde escoar o gás caso surjam problemas no flanco ocidental. A pressão de Washington, principalmente após a chegada de Donald Trump ao poder, sobre a União Europeia é cada vez maior no sentido de obrigar os países europeus a substituírem o gás russo pelo mesmo combustível norte-americano. Trump ameaça com sanções empresas que participam na construção do North-Stream-2, gasoduto paralelo ao North-Stream-1, que transporta directamente gás russo para a Alemanha através do Mar Báltico. As autoridades da Polónia já anunciaram que não vão comprar gás à Rússia, substituindo-o por combustível vindo da Noruega através de um gasoduto e pelo gás condensado dos Estados Unidos. A Ucrânia pretende também renunciar aos fornecimentos russos neste campo, mas aqui o processo será mais complicado, pois através deste país passa um importante gasoduto da Rússia para a Europa. O contrato de transito de gás por este tubo termina a 31 de Dezembro do ano corrente e as partes ainda não chegaram a acordo sobre o seu prolongamento.

Com a entrada em funcionamento do “Força da Sibéria”, o Kremlin poderá fazer de conta que não está preocupado com o escoamento do seu gás.

Para a China, trata-se também de uma medida de prevenção face a problemas de caráter político-militar que poderão dificultar os fornecimentos de gás condensado por mar.

Seja como for, a construção do novo gasoduto vem reforçar as relações entre a China e a Rússia, mas continua a ser difícil imaginar que se volte a gritar a palavra de ordem proclamada por Estaline e Mao: “Russos e chineses, irmãos para sempre!” A não ser que Vladimir Putin queira desempenhar o papel de “irmão mais novo”.

P.S. A julgar pelo que se vê, lê e ouve, os problemas globais como o acima referido parecem não nos dizer respeito. É mais importante assistir à telenovela: “Livre e Joacine, história de um breve amor” ou à “Chegada de uma Dona Sebastiana ao Tejo”. 
inRússia e China: irmãos para sempre?”. José Milhazes. Observador. Publicado a 04 de Dezembro de 2019, às 00:09. Recuperado a 06 de Dezembro de 2019, às 18:48.


Interessa a Portugal participar na Guerra pelo Gás?

Na minha modesta opinião não interessa. Ainda na minha modesta opinião o que interessa a Portugal é garantir ao melhor preço o seu abastecimento de energia, de gás em particular, e evitar meter-se em conflitos que não lhe dizem respeito.

O facto de a China receber gás da Rússia por intermédio do gasoduto Força da Sibéria (Power of Siberia) prejudica de alguma forma Portugal?

As rotas do gasoduto Força da Sibéria (em vermelho),
gasoduto Sakhalin–Khabarovsk–Vladivostok (em azul),
gasoduto Heige-Xangai (em roxo)
e a proposta de ligação entre os dois primeiros (ao centro).

Força da Sibéria”.
Wikipédia, a enciclopédia livre.
Esta página foi editada pela última vez às 14h28min de 6 de dezembro de 2019.
Recuperada às 19h22min de 6 de dezembro de 2019.


O facto de a Alemanha receber gás da Rússia por intermédio dos gasodutos Nord Stream (Nord Stream) em lugar de o receber por intermédios dos gasodutos que atravessam a Polónia, ou a Ucrânia, prejudica de alguma forma Portugal?

Principais gasodutos existentes e planeados fornecendo gás Russo à Europa.
A Alemanha importa de 50% a 75% de seu gás natural da Rússia.

Countering America's Adversaries Through Sanctions Act”.
Wikipedia, the free encyclopedia.
This page was last edited on 5 December 2019, at 03:37 (UTC).
Recuperada e traduzida às 21h08min de 6 de dezembro de 2019.


Tanto quanto sei não prejudicam Portugal.

Então, se estes dois factos não prejudicam Portugal, porque há de Portugal preocupar-se com eles? Não se deveria preocupar-se, não são contas dos seu rosário.

Acresce que Portugal não tem contencioso nem com a China nem com a Russia.

Com a China nunca Portugal teve contensioso… e com a Rússia também não. Portugal teve contensioso com o Komintern e com a URSS, que não eram Rússia e que já não existem.

Na minha modesta opinião o que interessa a Portugal é garantir ao melhor preço o seu abastecimento de energia, de gás em particular, e evitar meter-se em conflitos que não lhe dizem respeito. Evitar meter-se na Guerra pelo Gás,  particular,



Etiqueta principal: Guerra.
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26 de julho de 2019

O meu problema com a União Europeia



Mapa diacrónico do Reino dos Francos (em latim: Regnum Francorum), de 481 a 843.


O meu problema com a União Europeia não tem a ver com nem Ursula von der Leyen, nem com Angela Merkel, nem com qualquer outro que para lá vá ou lá tenha estado, o meu problema com a União Europeia tem a ver com a própria União Europeia.


Estados fundadores da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA),
embrião das futuras Comunidade Económica Europeia (CEE) e União Europeia (UE).
Na época, em 1952, a Argélia era parte do território da Quarta República Francesa.


E tem a ver com a própria União Europeia porque estou convencido de que a Alemanha Reunificada está tentando Unificar a Europa usando a metodologia que a Prússia usou no século XIX para Unificar a AlemanhaPrimeiro o Zollverein, a União Aduaneira, depois o Reich, o Império.


O Deutscher Zollverein, a União Aduaneira Alemã.


Só que, em minha opinião, a metodologia que funcionou na Alemanha no século XIX não tem a menor hipótese de funcionar na Europa no século XXI.


Em minha opinião a metodologia funcionou na Alemanha no século XIX porque, pese embora as suas diferenças e particularismos, que os têm, os Alemães eram uma Nação. Tinham uma Língua Comum, uma História Comum, uma Cultura Comum e viam-se a si próprios como uma Nação, a Nação Alemã.


Ainda em minha opinião a dita metodologia não tem a menor hipótese de funcionar na Europa no século XXI porque, chegue ou não a Europa aos Urais, os Europeus não são uma Nação. Não têm uma Língua Comum, uma História Comum, uma Cultura Comum, não se vêm a si próprios como uma Nação, a Nação Europeia.


Portanto, e sempre em minha opinião, uma Associação Europeia de Comércio Livre é um tipo de organização com hipótese de funcionar e de ser vantajosa para todos os participantes, uma União Aduaneira Europeia, ou uma União Europeia, não.


Aqueles que
não conseguem lembrar o passado
estão
condenados a repeti-lo
Sei bem que nos tempos que correm falar de Língua, de História, de Cultura, de Nação, é algo que costuma dar direito a sermos expeditamente etiquetados de “direitistas”, de “reaccionários”, de “fascistas” por vezes, mas o facto é que, conforme escreveu George Santayana: “Progress, far from consisting in change, depends on retentiveness. When change is absolute there remains no being to improve and no direction is set for possible improvement: and when experience is not retained, as among savages, infancy is perpetual. Those who cannot remember the past are condemned to repeat it.



Post scriptum: O livro Prisioneiros da Geografia – Dez Mapas que lhe Revelam Tudo o que Precisa de Saber Sobre Política Internacional por Tim Marshall (autor) e Sónia Maia (tradutora) ajuda-nos a descobrir como, e porquê, a Geografia é um fator tão determinante para a História do Mundo e na Política Internacional, tema sobre o qual também se debruça a Stratfor's "Geographic Challenges" Series: France's Geographic Challenge, Germany's Geographic Challenge, Italy's Geographic Challenge. Eu diria, entretanto, que os estados e os seu dirigentes não estão só prisioneiros da Geografia – Física e Humana –, estão-no também da Sociobiologia Humana, da Antropologia – Física e Cultural – e da História – Política e Militar, Económica e Social e das Ideias e Mentalidades –.





Fontes das ilustrações
  1. Reino Franco”. Wikipédia, a enciclopédia livre. Esta página foi editada pela última vez às 23h02min de 1 de maio de 2019. Recuperada às 06h02min de 26 de julho de 2019.
  2. União Europeia”. Wikipédia, a enciclopédia livre. Esta página foi editada pela última vez às 00h19min de 17 de julho de 2019. Recuperada às 06h39min de 26 de julho de 2019.
  3. Zollverein”. Wikipédia, a enciclopédia livre. Esta página foi editada pela última vez às 12h08min de 21 de agosto de 2018. Recuperada às 07h26min de 26 de julho de 2019.
  4. George Santayana”. Wikiquote, the free quote compendium. This page was last edited on 9 June 2019, at 23:01. Retrieved on 26 July 2019, at 07:56.



Etiqueta principal: União Europeia.

8 de julho de 2019

VPV sobre a "Partidocracia" e sobre a "Europa"

Deutsches Europa.



A transcrição da crónica “Diário” de Vasco Pulido Valente, publicada sábado, dia 6 de Julho de 2019, no Público. A transcrição do meu comentário à dita crónica. Um vídeo, brasileiro, de apresentação do livro A Europa Alemã: A Crise do Euro e as Novas Perspectivas de Poder (São Paulo, Paz e Terra, 2015), livro que foi publicado em Portugal com o título A Europa Alemã de Maquiavel a «Merkievel»: Estratégias de Poder na Crise do Euro (Lisboa, Edições 70, 2014) e originalmente, na Alemanha, em 2012. Um artigo, “O fim da Europa alemã”, originalmente publicado na Gazeta Wyborcza (Varsóvia), cuja tradução foi publicada no VoxEurop a 21 de Junho de 2012. Algumas imagens, as fontes e referências.



Diário

Por Vasco Pulido Valente no Público a 06 de Julho de 2019, às 07:59.

30 de Junho

Peregrinação anual à Casa da Calçada em Amarante. É bom verificar que aqui, como toda a gente sabe, há outra civilização.


1 de Julho

Os chefes dos partidos começam a escolher, perante a passividade geral, os deputados que nós vamos obrigatoriamente eleger em Outubro. Rui Rio já apresentou seis para cabeças-de-lista em Lisboa, Porto, Braga, Aveiro, Leiria e Coimbra. Foi uma surpresa: caras novas, tiradas do anonimato, por critérios que nós nunca saberemos. Só uma coisa está à vista, o feminismo do chefe: quatro mulheres, dois homens. A mim, coube-me uma filha do Pedro e da Helena Roseta, chamada Filipa, sobre a qual até hoje não sabia nada, nem sequer que tinha nascido. Estou agora à espera, para comparar, do que vai sair das intrigas do Largo do Rato.

Esta extraordinária maneira de nomear os nossos soberanos – representação proporcional, método de Hondt e arbítrio dos chefes – não parece incomodar os portugueses.


2 de Julho

O grande estratega António Costa e os seus parceiros da “esquerda democrática” europeia, depois de uma reunião que durou 18 horas, para não falar em negociações de meses, acabaram de mãos vazias. Costa confessou: “neste momento não há plano nenhum”. Pois não.

A Irlanda, a Croácia, a Letónia, a Itália e o grupo de Visegrado estragaram tudo. Não era preciso ser bruxo para prever o que sucedeu. A “Europa” só existiu porque houve forças externas que lhe deram alguma unidade e coesão. Durante a Guerra Fria, foi o anti-comunismo e a vontade da América. Depois, a necessidade que o Ocidente teve de absorver as antigas colónias da Rússia. Hoje, a “Europa” não tem destino; e a América já se desinteressou dela. O centro não resiste e as parcelas fogem cada uma para o seu lado. Não vale a pena falar de populismo e ameaçar com a extrema-direita. A Europa, a velha Europa das nações, é muito complicada e não se pode reduzir às simplicidades da ortodoxia comunitária.


3 de Julho

Acabou a comédia da “Europa”, das eleições e do parlamentarismo. Quando se chegou a um beco sem saída, apareceu à vista de todos o poder da Alemanha. A sra. Merkel falou ao PPE e o PPE, disciplinadamente, falou aos 28 (ou 27, conforme se queira). Macron abichou um lugarzinho para Christine Lagarde e os socialistas um prémio de consolação, o Alto-Representante para a Política Exterior, o que é óptimo, tendo em conta que não há “política exterior”.

Um ingénuo perguntará para que se votou em Maio. Setenta por cento dos portugueses já tinham percebido.


4 de Julho

Não percebo a polémica entre João Miguel Tavares e Miguel Sousa Tavares. O problema da maior ou menor independência do Ministério Público, que até hoje só preocupou Rui Rio (o que não é uma recomendação), não me parece o problema fundamental da justiça portuguesa.

Para um leigo, como eu, a justiça portuguesa não “funciona” por causa do direito processual, que é inutilmente complicado e ridiculamente garantístico. Mas não vejo ninguém discutir a sério esse ponto particular. A opinião só se interessa pelos “casos” de gente pública e notória, enquanto o labirinto legal continua praticamente na mesma e as queixas não param de crescer.

Comentários dos leitores aqui.





Fundado em 1834 e redundado em 1867, o ZollvereinDeutscher Zollverein,
ou União Aduaneira Alemã, concebido e promovido pelo Reino da Prússia,
foi uma união aduaneira que tinha por objectivo
criar um mercado comum dos 39 estados alemães,
mercado comum esse que foi essencial à Unificação da Alemanha, em 1871.


VPV sobre a “Partidocracia” e sobre a "Europa"

Por Álvaro Aragão Athayde no Público a 06 de Julho de 2019, às 07:59.

Sobre a “Partidocracia” resta-me acrescentar que cada vez mais gente percebe que as Eleições para a Assembleia da República são uma farsa, que votar, ou não votar, é o mesmo e que, portanto, cada vez mais gente se poupa ao incómodo de ir votar.

Sobre a “Europa” há que reconhecer a realidade dos factos.

A “América Wilsoniana” entregou a “Europa” à Alemanha: «Governem-na e ajudem-nos a conquistar a Rússia.»

Só que a Alemanha tem demonstrado muito pouco interesse em voltar a tentar conquistar a Rússia e muito interesse em independentizar-se da América, algo que muito incomodou, e incomoda, a “América Wilsoniana” e, actualmente muito incomoda, também, a “América Jacksoniana”, embora por diferentes motivos.

Para Portugal, entalado entre as Potências Continental e Marítima, a situação é má.




#7 - A Europa alemã, de Ulrich Beck

Por Icles Rodrigues no YouTube: Leitura ObrigaHISTÓRIA a 01/10/2015. 


Salve, espectadores do canal! Hoje apresento a vocês um livro acessível, curto e direto sobre a proeminência da Alemanha na zona do Euro: A Europa alemã, de Ulrich BeckLançado originalmente em 2012 no exterior, foi lançado no Brasil em 2015 pela Editora Boitempo.




União Europeia: O fim da Europa alemã

A coisa parece decidida: Berlim vai impor a sua visão política e a sua ordem económica à UE. Não é fácil, escreve o Gazeta Wyborcza, porque o seu modelo social está em declínio e o país não está mais bem preparado do que os outros para a união política.

Por Piotr Buras na VoxEurop a 21 de Junho de 2012.


German Europe by Rainer Hachfeld.
Europa Alemã por Rainer Hachfeld.

Muitos mitos foram crescendo em torno da política europeia da Alemanha, mitos que não permitem abarcar totalmente a gravidade da situação atual. Pelo menos dois exigem uma explicação.

O primeiro mito diz que a Alemanha – o maior beneficiário da moeda única e a maior economia da Europa – renunciou à solidariedade com o resto do continente e virou-lhe as costas. Na realidade, sem o apoio da Alemanha, a zona euro teria caído há muito tempo. Nos últimos três anos, Berlim concedeu mais de 200 mil milhões de euros em empréstimos e garantias de crédito a Estados-membros da conturbada zona euro.

O segundo mito diz que – apesar da crise – a Alemanha está hoje tão bem que perdeu o interesse na Europa e procura parceiros em países como a China ou o Brasil. É certo que foi o comércio com aqueles países que levou ao crescimento da Alemanha no primeiro trimestre de 2012, apesar da deterioração das condições de mercado. Mas as exportações alemãs continuam dependentes da zona euro, que representa 40% das transações (contra apenas 6% com a China). O colapso do euro e a agitação social e política que previsivelmente se seguiria em pelo menos algumas das economias da moeda única afetaria muito mais a Alemanha do que diversos outros países.


Fim da simbiose

Para salvar a Europa, os alemães não precisam apenas de abrir os cordões à bolsa, mas também de abandonar os seus conceitos a respeito da Europa e da economia, considerados garantia de sucesso da Alemanha nas décadas do pós-guerra. Isso significa um grande desafio político e intelectual.

O princípio inabalável de que cada país é responsável pelas suas próprias dívidas está hoje posto de lado. O BCE tem desempenhado um papel fundamental na recuperação da economia de vários países da falência, contrariando o dogma alemão de que a manutenção da estabilidade monetária é a única função da instituição.

É um paradoxo que a Alemanha precise de se reinventar num momento em que o seu modelo tem mais êxito que nunca, com a economia em crescimento e o desemprego mais baixo de sempre. Mudar de rumo nestas circunstâncias requer uma grande dose de coragem e determinação, que Merkel não tem.


A fraqueza do gigante

O segundo motivo, pouco conhecido, para o presente dilema europeu da Alemanha tem a ver com a sua própria situação socioeconómica. Os benefícios do sucesso económico da Alemanha da última década têm tido uma distribuição muito desigual. A desigualdade económica tem crescido mais rapidamente do que no resto do mundo industrializado.

Durante a fase de crescimento, a competitividade das exportações da Alemanha deveu-se precisamente, em grande parte, a valores de mão de obra, ou seja, baixos salários. Quem antes estava desempregado beneficiou realmente com a criação de novos empregos. Mas a qualidade da maioria desses empregos está muito longe do confortável epíteto de "capitalismo do Reno". A Alemanha detém a maior quantidade de contratos de trabalho “descartáveis” da Europa.

A isso somam-se elevadas dívidas de muitos municípios, que, forçados a introduzir medidas de austeridade drásticas, fecham serviços públicos, piscinas, centros culturais e de saúde. Paradoxalmente, a erosão do modelo social alemão acelerou-se a partir do lançamento do euro e do resultante “boom” económico.

Enquanto a Europa vê a Alemanha como uma potência económica que domina todo o continente, os alemães – apesar da prosperidade – assistem a uma crise do modelo de Estado social e de crescimento do bem-estar a que se tinham habituado a seguir à guerra.


Défice democrático

O terceiro problema da Alemanha em relação à Europa tem a ver com democracia. A recusa dos alemães em aceitar a criação de “eurobonds” (títulos europeus de dívida) ou outras soluções mais radicais prende-se com o facto de considerarem que tal transferência de prerrogativas para a UE iria obrigar a alterações na sua constituição. O Tribunal Constitucional de Karlsruhe assim o defendeu em tempos, definindo os limites possíveis para a integração.

A UE tem hoje um problema real de democracia. Um dos aspetos é a tecnocracia, que, como aponta Ivan Krastev na edição mais recente de Polityczny Przegląd (
Comentário político), significa que, na Itália ou Grécia, os eleitores podem mudar governos, mas não a política económica.

A outra face deste problema é a falta de vontade política por parte das sociedades (não apenas da alemã) em delegar mais poderes à UE. Talvez a Europa só possa ser salva com um grande passo na direção de uma união política, mas é precisamente a isso que a opinião pública dos Estados-membros se opõe.

O economista norte-americano Raghuran Rajan escreveu há algum tempo que os políticos são incapazes de responder a perigos de escala desconhecida. É uma boa explicação para a posição de Angela Merkel. Até agora, a política alemã concentrou-se em minorar danos e tentar preservar ao máximo a "Europa alemã".

Nos últimos tempos, a chanceler Merkel vem mencionando a necessidade de criar uma união política, perspetiva que os dirigentes da UE irão discutir na cimeira do final deste mês. Não é Berlim, mas Paris, que se pode revelar o maior obstáculo a esse processo. O dilema "colapso da UE ou união política" tornou-se muito real. Talvez a maior falha de Merkel tenha sido a sua incapacidade para preparar o público para ambos os cenários.

MERKEL-HOLLANDE
Entre o narcisismo e a histeria
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Ao oferecer 100 mil milhões de euros em garantias à Espanha para resgatar o sistema bancário do país, a chanceler Angela Merkel "esqueceu os seus princípios por momentos". Deixou também no ar a ideia de que os gregos iriam ser igualmente beneficiados. Mas, como realça a Newsweek Polska, isso ainda não significa uma reversão da política de austeridade e de cortes no orçamento:x
A Alemanha tornou-se um gigante narcisista – muito orgulhoso do seu êxito... A chanceler parece estar a dizer a todos na UE: ‘Sejam como nós’. Este narcisismo não seria tão trágico se não se tivesse dado o render da guarda em França. Ao invés de procurar novas soluções, o novo Presidente francês está apenas interessado em dizer mal de Berlim. Vem exigindo histericamente que Merkel – sem quaisquer condições à partida – assine um enorme programa de ‘eurobonds’, que os alemães não terão capacidade de cobrir. Esta é a fotografia da liderança da UE cinco minutos antes do desastre. O narcisismo alemão está no comando. E a histeria francesa continua a fazer exigências irrealistas, porque é a única coisa de que é capaz.

Comentários dos leitores aqui.



Fontes
  1. "Mapa da Europa alemã cores Dot– ilustração de stock". Depositphotos. Published on March 30, 2018. Retrieved on July 06, 2019.
  2. Diário”. Vasco Pulido Valente. Público. Publicado a 06 de Julho de 2019, às 07:59. Recuperado a 06 de Julho de 2019, às 20:39.
  3. Zollverein”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 12h08min de 21 de agosto de 2018. Recuperada às 20h57min de 06 de julho de 2019.
  4. #7 - A Europa alemã, de Ulrich Beck”. Icles Rodrigues. YouTube: Leitura ObrigaHISTÓRIA. Publicado a 01/10/2015. Recuperado a 08/07/2019.
  5. União Europeia: O fim da Europa alemã”. Piotr Buras. VoxEurop. Publicado a 21 de Junho de 2012. Recuperado a 07 de Julho de 2019.


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