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1 de novembro de 2019

Lisboa Luso-Africana

lisboa mulata
dead combo


Fui ontem almoçar ao Centro Comercial Colombo e o que vi foi:

  • Uma avançadíssima miscegenação cultural.
  • Uma avançada miscegenação racial.

Há outras zonas de Lisboa e arredores onde se pode notar o mesmo embora, talvez, não de forma tão evidentíssima.

Dado que 
  1. Os Trabalhadores Cabo-Verdianos e suas Famílias começaram a ser importados para à Metrópole no início da década de 1950;
  2. Entre 1974 e 1977 choveram em Portugal Continental para cima de um milhão de Retornados;
  3. Bem mais de metade dos Retornados eram Mestiços, ou Pretos, de Língua Portuguesa;
o processo é irreversível.

Os actuais Discípulos Portugueses de Arthur de Gobineau e de Joaquim Pedro de Oliveira Martins – Confessos ou Inconfessos, de Esquerda ou de Direita – bem que podem chorar, gritar, escoucear: Portugal não é, nunca foi, nunca será Branco, Ariano.

Ou, usando a formulação bem mais diplomática do Doutor António de Oliveira Salazar: Portugal não é um País Europeu e tende cada vez mais a sê-lo cada vez menos.

Entretanto há um ponto que importa muito sublinhar: Nem os Pretos são, necessariamente, Africanos, nem os Brancos são, necessariamente, Europeus.

Exemplifico: Os “Pretos da Amadora” são Europeus, os “Brancos da Huíla”, os Chicoronhos, são Africanos..



Etiqueta principal: Portugal.
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1 de junho de 2019

Porque escapou Portugal à Unificação Ibérica?


Os Domínios Espanhóis e Austríacos dos Habsburgos em 1700.
Não é mostrado o seu Império Ultramarino, mas é mostrada a divisão entre o Ramo Espanhol (vermelho) e o Ramo Austríaco (amarelo), bem como as respectivas perdas e ganhos.



Quora
Why was Portugal the only Iberian kingdom to escape unification?

Traduzida à letra a pergunta é:
Porque foi Portugal o único reino Ibérico a escapar à unificação?

Mas acho que fica melhor se reescrita como segue:
Porque escapou Portugal à Unificação Ibérica?



And my Answer was

Unification took place in 1580 and lasted until 1640 but …

In the period of the Unification Portugal was interested in its Empire – Africa, India, Brazil – and the Spanish Habsburgs were interested in the European Wars.

This situation resulted in the Portuguese Empire being attacked by Dutch, British and French, with grave prejudice of the interests of Portugal.

The solution the Portuguese found to solve the problem was to acclaim a Portuguese king, to wage war with the Spanish Habsburgs, and to make peace with the Dutch, the English, and the French.

The war with the Republic of the Seven United Netherlands lasted from 1595 to 1663 and the war with the Spanish Habsburgs from 1640 to 1668.



E a minha Resposta foi

A Unificação ocorreu em 1580 e durou até 1640, mas …

No período da Unificação, da União Ibérica, Portugal estava interessado no seu Império – África, Índia, Brasil – e os Habsburgos Espanhóis estavam interessados nas Guerras Europeias.

Esta situação levou a que o Império Português fosse atacado por Holandeses, Ingleses e Franceses, com grave prejuízo dos interesses de Portugal.

A solução encontrada pelos Portugueses para resolverem o problema foi aclamar um Rei Português, fazer guerra aos Habsburgos Espanhóis e fazer as pazes com os Holandeses, os Ingleses e os Franceses.

A guerra com a República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos durou de 1595 a 1663 e a guerra com os Habsburgo Espanhóis de 1640 a 1668.



A Guerra Luso-Neerlandesa foi a Primeira Guerra Global
Territórios do Império Português (verde).
Territórios do Império da República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos (laranja).
As zonas disputadas entre 1588 e 1654 surgem a tracejado.
A Holanda venceu no Arquipélago Malaio e Portugal venceu no Atlântico Meridional.



Fontes
  1. Why was Portugal the only Iberian kingdom to escape unification?”. Quora. Published May 31, 2019, circa 23:30.
  2. Imperio Habsburgo”. Wikipedia. Esta página se editó por última vez el 07 may 2019 a las 02:11. Recuperada el 01 may 2019 a las 10:14.
  3. Guerra Luso-Neerlandesa”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 06h10min de 20 de abril de 2019. Recuperada às 14h06min de 01 de junho de 2019.

Referências

  1. Monarquia Católica”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 04h20min de 27 de outubro de 2017. Recuperada às 15h44min de 01 de junho de 2019.
  2. "União Ibérica". Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 19h50min de 15 de abril de 2019. Recuperada às 14h50min de 01 de junho de 2019.
  3. Casa de Habsburgo”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 19h33min de 15 de novembro de 2018. Recuperada às 14h55min de 1 de junho de 2019.
  4. República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 19h33min de 15 de novembro de 2018. Recuperada às 14h57min de 1 de junho de 2019.
  5. Guerra Luso-Neerlandesa”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 06h10min de 20 de abril de 2019. Recuperada às 14h59min de 01 de junho de 2019.
  6. Casa de Bragança”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 15h21min de 30 de março de 2019. Recuperada às 15h28min de 01 de junho de 2019.
  7. Guerra da Aclamação”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 13h22min de 27 de novembro de 2018. Recuperada às 15h10min de 01 de junho de 2019.
  8. Paz da Haia (1661)”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 15h53min de 7 de abril de 2019. Recuperada às 15h06min de 01 de junho de 2019.
  9. Paz de Lisboa (1668)”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 08h14min de 27 de maio de 2019. Recuperada às 15h14min de 01 de junho de 2019.

Etiqueta principal: História.

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30 de janeiro de 2019

Racismo Português




Não me envergonhe, dr. António Costa!!!

Por Camilo Lourenço no Jornal de Negócios a 27 de Janeiro de 2019 às 21:30

Portugal não é um país racista; é um país onde, isoladamente, acontecem casos de racismo. Aliás, seria estranho qualificar de racista um país que tem governantes oriundos das ex-colónias (já olharam para a ascendência de Marcelo?), o primeiro negro (Mário Coluna) a capitanear uma seleção europeia e um negro como militar mais condecorado da sua História…

Há uns anos recebi uma chamada da jornalista Fernanda Câncio que, a propósito da ascensão de António Costa, queria falar sobre goeses em destaque na sociedade portuguesa. Antes de continuar, fica o esclarecimento: eu sou um produto do Império, filho de pai branco (Benedita, Portugal) e mãe indiana (Pangim, Goa).

O meu pai foi fazer serviço militar para a antiga Índia portuguesa e casou-se por lá (a diferença entre mim e António Costa é que ele é filho de pai goês e de mãe branca). Quando a União Indiana invadiu Goa, o meu pai fez parte do grupo de 800 militares presos num campo de concentração, de onde seria mais tarde recambiado para a "metrópole"… e de onde seguiu para Moçambique, para combater o terrorismo.

Voltemos à conversa: a certa altura, a Fernanda perguntou-me pelo racismo em Portugal e se não era afetado por ele. Expliquei-lhe que salvo casos isolados, em finais dos anos 70 quando regressei à "metrópole" (por causa de uma descolonização vergonhosa que só a Esquerda chama de "exemplar"), não sabia o que era racismo. Julgo que lhe expliquei também que esporadicamente ainda sou mimoseado com expressões racistas, maioritariamente vindas de radicais de esquerda, quando escrevo textos críticos no "Negócios" ou no FB. Mas como a Fernanda insistia no racismo (pareceu-me que acreditava ser Portugal um país racista), expliquei-lhe que uma coisa é racismo como política ou como problema endémico da sociedade e outra, totalmente diferente, o comportamento isolado de algumas pessoas (a quem chamo de energúmenos).

Nunca percebi se a Fernanda chegou a publicar alguma coisa, mas vou repetir o que lhe disse então: Portugal não é um país racista; é um país onde, isoladamente, acontecem casos de racismo. Aliás, seria estranho qualificar de racista um país que tem governantes oriundos das ex-colónias (já olharam para a ascendência de Marcelo?), o primeiro negro (Mário Coluna) a capitanear uma seleção europeia e um negro como militar mais condecorado da sua História…


Marcelino da Mata, fardado.

Voltando ao meu pai, com quem desde cedo comecei a discutir a inevitabilidade da independência das colónias, ele costumava lembrar-me que Goa fora a única colónia a ter um vice-rei (o Brasil teve Rei, mas fugido de Lisboa…). E dizia que o melhor exemplo de que Portugal não discriminava as colónias, e quem lá vivia, era o investimento que lá fazia: ainda hoje quem vai a Maputo, 43 anos depois da independência, fica pasmado a olhar para uma cidade e um modo de vida muito à frente de Lisboa ou de outra cidade portuguesa da época…

Quando ouvi o primeiro-ministro responder a Assunção Cristas com referências à cor da pele, fiquei estupefacto: o político que não teve problemas em chegar a ministro, a líder do PS e a primeiro-ministro inventa discriminação racial? Porquê? Por recalcamento? Para se fazer de coitadinho e capitalizar o voto da extrema-esquerda, que precisa de causas novas para ser notícia? Lamentável. António Costa é o melhor exemplo de que isso não existe. Tem críticos a chamar-lhe "chamuça", "indiano" ou "caneco" (como se chamava em Moçambique aos oriundos de Goa) em tom depreciativo? Sim, mas são casos isolados.

Não há coisa pior numa sociedade do que inventar "causas" que não têm qualquer correspondência com o sentir coletivo. António Costa, o homem que tem o PS e o país rendido a seus pés, não pode cair nessa esparrela. É por isso que deve um pedido de desculpas ao país.

Para o final fica um pedido: não volte a fazer aquela figura. Já me chega a vergonha que me fez sentir no debate quinzenal.




Sinalização da Própria Virtude

Por Álvaro Aragão Athayde em coisas & loisas a 30 de Janeiro de 2019 às 15:38.

O texto de Camilo Loureço, que acima transcrevi, e o de Gabriel Mithá Ribeiro, de que abaixo forneço referência, destacam-se entre todos os que li sobre este tema por os autores não fazerem Sinalização da Própria Virtude (Virtue Signalling), isto é, não afirmarem algo do tipo “Eu não sou Racista… mas Portugal é Racista.”

Parece-me evidente que o Bloco de Esquerda e a Ala Esquerda do Partido Socialista, grupos que representam em Portugal a Esquerda Cultural, Esquerda Identitária, Marxismo Cultural, ou Nova Esquerda, estão empenhadíssimos em convencer o Mundo, e Portugal, de que Portugal é Racista.

Porque será?



Origem do texto

Origem da fotografia

Referências
  1. Costa ‘caneco’”, Gabriel Mithá Ribeiro, Observador, 26 de Janeiro de 2019 às 00:03.
  2. Jamaica. “Câmaras comunistas não querem o ónus de deitar barracas abaixo””, Sónia Simões, Observador, 29 de Janeiro de 2019.
  3. Virtue signalling”, Urban Dictionary.
  4. "A esquerda “identitária” diz adeus a Marx", José Pacheco Pereira, Público,  26 de Janeiro de 2019 às 06:45.
  5. "Nova Esquerda", Wikipédia, a enciclopédia livre.
  6. "Rudi Dutschke", Wikipedia, the free encyclopedia.


Etiqueta principal: Política.
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18 de outubro de 2018

Criticar o Banditismo dos Neocons é Judeofobia?


Neocons conhecidos e notórios.



Um artigo de Philip Giraldi publicado com o título “Neocons as a Figment of Imagination – Criticizing their thuggery is anti-Semitism?” na The Unz Review, a 21 de Março de 2017.




Origem da imagem: O artigo publicado na The Unz Review a 21 de Março de 2017.

Etiqueta principal: América.
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5 de outubro de 2018

Discurso de Donald Trump na ONU (2018)


O 45.º Presidente dos Estados Unidos da América, Donald John Trump.




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O discurso na Assembleia Geral da ONU, a 25 de Setembro de 2018, do 45.º Presidente dos Estados Unidos da América, Donald John Trump, bem como as reacções que provocou, tiveram muitas leituras… esta é mais uma.
original



ONU : nascimento do mundo post-ocidental


A Administração da ONU esperava por um choque entre os pró e os anti-Trump durante a Assembleia Geral. O que aconteceu foi completamente diferente. Enquanto vários Estados, entre os quais a França, denunciavam os métodos do hóspede da Casa Branca, a Rússia dedicou-se a uma análise da aliança ocidental. Segundo Moscovo, a grande maioria dos problemas actuais é devida a uma vontade das antigas potências coloniais em conservar, custe o que custar, o seu domínio sobre o resto do mundo. Para os ultrapassar uma formidável coligação viu a luz do dia.

Por Thierry Meyssan | Rede Voltaire | Damasco (Síria) | 2 de Outubro de 2018 

Apesar das aparências, o desfile de chefes de Estado e de governo ou de ministros dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br) pela Assembleia Geral das Nações Unidas não é inútil. Claro, não tendo a maior parte de entre eles nada a dizer acabam a falar para a sua opinião pública interna, fustigando a incúria da ONU e apelando portanto ao respeito pelo Direito. No entanto, várias outras intervenções vão ao fundo do debate : como resolver os litígios entre Estados e garantir a paz ?

A audiência da 73ª sessão da Assembleia Geral da ONU.

Os três primeiros dias foram marcados pelo discurso de Donald Trump (Estados Unidos) e as respostas de Emmanuel Macron (França) e de Hassan Rohani (Irão). Mas, ao quarto dia toda esta problemática voou em estilhaços durante a intervenção de Serguei Lavrov, (Rússia) o qual apresentou o mapa do mundo post-ocidental.

A viragem do mundo segundo Donald Trump

O Presidente Trump, cujos discursos são habitualmente extremamente improvisados, preparara desta vez um texto muito estruturado [Remarks by Donald Trump to the 73rd Session of the United Nations General Assembly”, by Donald Trump, Voltaire Network, 25 September 2018.]. Distinguindo-se dos seus predecessores, ele afirmou privilegiar «a independência e a cooperação», mais do que «a governança, o contrôlo e a dominação internacionais» (por outras palavras: os seus interesses nacionais mais do que os do «Império americano»). Prosseguiu assim enumerando os reajustamentos do sistema aos quais procedeu.
  • Os Estados Unidos não declararam guerra comercial à China, mas estão em vias de recuperar a sua balança de pagamentos. Simultaneamente, tentam restaurar um mercado internacional baseado na livre concorrência, tal como o prova a sua posição em matéria energética. Eles tornaram-se grandes exportadores de hidrocarbonetos e teriam, portanto, interesse em preços elevados, mas contestam a existência de um cartel intergovernamental, a OPEP, e defendem preços mais baixos.
  • Eles opõem-se às estruturas e tratados da globalização (quer dizer, do ponto de vista da Casa Branca, o imperialismo financeiro transnacional), nomeadamente o Conselho de Direitos do Homem, o Tribunal Penal Internacional e o UNRWA. Não se trata, obviamente, de advogar a tortura (que foi legitimada à época por George Bush Jr.) ou o crime, nem de matar à fome aos Palestinos, mas de quebrar as organizações que instrumentalizam os seus interesses para alcançar outros fins.
  • Em relação às migrações da América Latina para os Estados Unidos, e dentro do próprio continente sul-americano, eles pretendem por-lhe fim cortando o mal pela raiz. Para a Casa Branca, o problema resulta das regras impostas pelos Tratados da globalização, nomeadamente o Alena. O Presidente Trump negociou assim um novo acordo com o México que vincula as exportações ao respeito pelos direitos sociais dos trabalhadores mexicanos. Ele entende voltar à Doutrina Monroe original: as multinacionais não mais poderão interferir na governança do continente.

A referência à Doutrina Monroe merece uma explicação, tanto mais que esta expressão sugere o colonialismo norte-americano do início do século XX. Donald Trump é um admirador da política externa de duas personalidades muito controversas, os Presidentes Andew Jackson (1829-1837) e Richard Nixon (1969-1974). A Doutrina Monroe (1823) foi elaborada durante a intervenção daquele que à época era apenas o General Jackson, na colónia espanhola da Florida. Na altura, James Monroe desejava proteger o continente americano do imperialismo europeu. Foi a «era dos belos sentimentos». Ele comprometeu-se pois a que os Estados Unidos não interviriam na Europa se os Europeus cessassem de intervir nas Américas. Apenas três quartos de século mais tarde é que, nomeadamente com Theodore Roosevelt (1901-1909), a Doutrina Monroe serviu de cortina ao imperialismo dos Estados Unidos na América Latina.

A defesa do antigo mundo 
por Emmanuel Macron e Hassan Rohani

Numa estranha inversão de papéis, o Presidente francês, Emmanuel Macron, apresentou-se como o “Barack Obama” europeu face ao “Charles De Gaulle” norte-americano, que é Donald Trump. Simbolicamente, ele declarou-lhe guerra afirmando assim: «Não assinemos mais acordos comerciais com as potências que não respeitam o Acordo de Paris» (portanto, não mais com os Estados Unidos); uma maneira muito estranha de defender o multilateralismo!
x
O Presidente francês começou com a constatação implícita de Donald Trump: a crise da «ordem liberal westphaliana» actual [« Discours d’Emmanuel Macron devant la 73e séance de l’Assemblée générale des Nations unies », par Emmanuel Macron, Réseau Voltaire, 25 septembre 2018.]. Ou seja, a crise dos Estados-nações, pressionados pela globalização económica. Mas para melhor contestar a solução da Casa Branca, que ele qualificou de «a lei do mais forte». Promoveu, portanto, a solução francesa «em torno de três princípios: o primeiro, é o respeito pelas soberanias, o próprio fundamento da nossa carta; o segundo, é o reforço das nossas cooperações regionais; e o terceiro sendo a defesa de garantias internacionais mais robustas».

Depois, o seu discurso deu um giro para terminar com uma exaltação lírica. Emmanuel Macron dedicou-se a um exercício de hipocrisia juvenil, no limite da esquizofrenia.
  • Como exemplo do «respeito das soberanias», ele apelou a que não «se substituíssem ao povo sírio» quanto a decidir sobre quem deve ser seu dirigente... ao mesmo tempo que interditava ao Presidente Assad apresentar-se a sufrágio dos seus concidadãos.
  • A propósito do «reforço das cooperações regionais», citou o apoio da União Africana à operação antiterrorista francesa no Sahel. Mas esta não é senão, na realidade, mais do que a parte terrestre de um plano mais amplo, dirigido pelo AfriCom, e do qual o exército dos EUA assegura a componente aérea. A União Africana, em si mesma, não tem exército propriamente dito, ela intervém unicamente para legalizar uma operação colonial. Da mesma forma, as somas investidas para o desenvolvimento do Sahel, que o Presidente francês citou não em euros mas em dólares, misturam verdadeiros projectos africanos com uma ajuda estrangeira ao desenvolvimento da qual toda a gente pode constatar a ineficácia.
  • Em relação ao «aporte de garantias internacionais mais robustas», ele anunciou o trabalho de luta contra as desigualdades à qual se consagraria a cimeira do G7 de Biarritz. Na realidade, tratava-se, para ele, de afirmar um pouco mais a liderança ocidental sobre o resto do mundo, Rússia e China incluídas. Assim, assegurou que «os dias em que um clube de países ricos podia definir sozinho os equilíbrios do mundo acabou há muito tempo», e empenhou-se em … apresentar um registo das decisões tomadas pelos Grandes ocidentais perante a próxima Assembleia Geral. Ou, ainda, proclamou ele, o «G7 deverá ser o motor» da luta contra as desigualdades empreendida pela ONU.

Intervindo por sua vez, o Presidente iraniano, Xeque Hassan Rohani, descreveu em detalhe a maneira como a Casa Branca destruiu, um a um, os princípios do Direito Internacional [Remarks by Hassan Rohani to the 73rd Session of the United Nations General Assembly”, by Hassan Rohani, Voltaire Network, 25 September 2018.].

Ele lembrou que o acordo dos 5 + 1 (JCPoA) tinha sido validado pelo Conselho de Segurança, que havia apelado a numerosas instituições para o apoiar (resolução 2231). Depois que os Estados Unidos de Donald Trump se retiraram dele, contradizendo a assinatura do seu antecessor e o princípio de continuidade do Estado. Ele sublinhou que, conforme o atestam 12 relatórios consecutivos da AIEA, o Irão tinha cumprido e continua a respeitar as suas obrigações. Ele indignou-se com o apelo do Presidente Trump ao desrespeito da resolução onusina e a ameaça que ele dirigiu aqueles que a respeitam.

Ele terminou recordando alguns factos: o Irão combateu Saddam Hussein, os Talibãs e o Daesh (E.I.) antes dos Estados Unidos (que os apoiavam então); uma maneira, como qualquer outra, de sublinhar que desde há muito tempo as reviravoltas dos Estados Unidos não respondem à lógica do Direito, mas, antes à dos seus interesses ocultos.

Serguei Lavrov apresenta o mundo post-ocidental

Este debate, não a favor ou contra os Estados Unidos, mas a favor ou contra Donald Trump, ordenava-se em torno de dois argumentos principais :
  • A Casa Branca destruiu o sistema que tão bem aproveitou às elites financeiras internacionais (Macron). 
  • A Casa Branca não mais finge sequer respeitar o Direito Internacional (Rohani).
Para o Ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, este debate mascara um problema muito mais profundo. «Por um lado, vemos o fortalecimento de princípios policêntricos da ordem mundial, (...) a aspiração dos povos em preservar a soberania e modelos de desenvolvimento compatíveis com as suas identidades nacionais, culturais e religiosas. Por outro lado, vemos o desejo de vários Estados ocidentais em conservar o seu estatuto de auto-proclamados «líderes mundiais» e de abrandar o processo objectivo irreversível de estabelecimento da multipolaridade», sentenciou ele. [Remarks by Sergey Lavrov to the 73rd Session of the United Nations General Assembly”, by Sergey Lavrov, Voltaire Network, 28 September 2018.].

A partir daí, já não se tratava para Moscovo de atacar o Presidente Trump, nem mesmo os Estados Unidos, mas os Ocidentais em geral. Serguei Lavrov chegou ao ponto de traçar um paralelo com os Acordos de Munique (1938). À época, a França e o Reino Unido fizeram aliança com a Alemanha e a Itália. Claro, este acontecimento é actualmente considerado na Europa Ocidental como uma covardia franco-britânica face às exigências dos nazistas, mas ele ficou gravado na memória russa como o passo decisivo que desencadeou a Segunda Guerra Mundial. Enquanto os historiadores da Europa ocidental buscam estabelecer quem tomou essa decisão e quem lhe deu seguimento, os historiadores russos vêem apenas uma coisa: nenhum dos Europeus Ocidentais assumiu as suas responsabilidades.

Estendendo a sua crítica, Lavrov denunciou já não mais os atentados ao Direito, mas às estruturas internacionais. Ele observou que os Ocidentais entendem forçar os povos a entrar contra a sua vontade em alianças militares e ameaçam certos Estados que reivindicam escolher, eles próprios, os seus parceiros. Fazendo alusão ao caso Jeffrey Feltman. [A Alemanha e a ONU contra a Síria”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, 28 de Janeiro de 2016. “Como é que a Administração da ONU organiza a guerra”, Thierry Meyssan, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Rede Voltaire, 4 de Setembro de 2018.], ele denunciou as tentativas para controlar a administração da ONU, fazê-la jogar o papel reservado aos Estados-membros e, em última análise, utilizar o secretariado-geral para os manipular.

Ele observou o carácter desesperado destas tentativas, salientando, por exemplo, a ineficácia de cinquenta anos de bloqueio norte-americano a Cuba. Ele estigmatizou a vontade britânica de julgar, e condenar, sem processo, usando apenas a sua retórica do «altamente provável».

Serguei Lavrov concluiu sublinhando que todas as alterações ocidentais não impediam o resto do mundo de cooperar e de se desenvolver. Ele lembrou a «Parceria da Eurásia Alargada», evocada no Fórum Valdai, em 2016, pelo Presidente Putin para completar a «Cintura e a Rota» do Presidente Xi. Esta ampla iniciativa, à partida prontamente acolhida pela China, é agora apoiada pela Organização do Tratado de Segurança Colectiva, a União Económica Euroasiàtica, a Comunidade de Estados Independentes, os Brics e a Organização de Cooperação de Xangai. As contrapropostas da Austrália, do Japão e da União Europeia acabaram mortas à nascença.

Enquanto os responsáveis ocidentais têm o costume de anunciar antecipadamente os seus projectos e de os propagandear, os diplomatas russos só os anunciam quando já foram lançados e estão seguros de os concretizar.

Em resumo, a estratégia de cerco da Rússia e da China, imaginada pelo deputado britânico Halford J. Mackinder [“The geographical pivot of history”, Halford J. Mackinder, The Geographical Journal, 1904, 23, pp. 421–37.] e explicitada pelo Conselheiro Segurança Nacional norte-americano Zbigniew Brzeziński [The Grand Chessboard: American Primacy and Its Geostrategic Imperatives, Zbigniew Brzeziński, Basic Books. 1997.], falhou. O centro de gravidade do mundo desloca-se para o Leste, não contra os Ocidentais, mas, provocado por sua culpa [The Geopolitics of American Global Decline”, by Alfred McCoy, Tom Dispatch (USA) , Voltaire Network, 22 June 2015.].

Tirando as primeiras conclusões práticas destas análises, o Vice Primeiro-ministro sírio, Walid al-Muallem, exigia no dia seguinte, na tribuna da Assembleia Geral, a retirada imediata das tropas de ocupação norte-americanas, francesas e turcas [Remarks by Walid Al-Moualem to the 73rd Session of the United Nations General Assembly”, by Walid Al-Moualem, Voltaire Network, 29 September 2018.].

Tradução

Tema principal: Geopolítica.
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Francisco, Papa


Francisco: um Papa vulnerável ou uma instituição que não o merece?

Com esta confusão do Facebook perdi a conferência!

O Presidente do Conselho de Fundadores do Instituto Dom João de Castro, Prof. Doutor Adriano Moreira, convida V. Ex.ª e Ex.ma Família para a sessão a realizar-se no próximo dia 27 de Setembro de 2018 (quinta-feira), neste Instituto, pelas 21.00 horas, na qual o Senhor Dr. Joaquim Franco, apresentará uma comunicação subordinada ao tema: 

“Francisco: um Papa vulnerável ou uma instituição que não o merece?”.


Tema principal: Religião.
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4 de outubro de 2018

portugal e a globalização lusística




Recomendo vivamente a leitura deste livrinho aos Luso-Portugueses que não têm a noção do papel que Portugal teve, e tem, no Mundo.

Nota

Os Luso-Portugueses são os Luso-Descendentes nascidos e criados – ou só criados – em Portugal Continental, uma das três NUTS 1 da III República Portuguesa, uma região que já foi chamada de Metrópole, e eles de Metropolitanos, e de Reino, e eles de Reinóis.

Como todos sabemos os Luso-Portugueses, que na sua maioria descendem de quem não teve precisão, ou coragem, de se fazer ao mar,  têm a mania de que são os donos da Língua Portuguesa e da História de Portugal e seu Império.














Temas principais: Globalização, História, Portugal.