Sou um tipo muito atado, Ando mal-habituado, A fazer só o que quero, Tenho tudo, nunca espero. A mamã é uma querida, Lava a roupa, dá comida, Faz de mim um incapaz,
Mas eu sou um bom rapaz, Bom rapaz!
Apesar de ter escolha, Não saio da minha bolha. Estou tranquilo, estou tão bem, Ao colo da minha mãe, Que eu adoro, que me adora, Que me liga de hora a hora, Porque eu sou um incapaz.
Mas eu sou um bom rapaz, Bom rapaz!
Acho que já sou capaz, De fazer o que a mãe faz, Mas é perfeito assim! A Mamã faz por mim, Tudo o que eu deixo para trás, Como se eu fosse um incapaz!
Bom rapaz! Bom rapaz!
Quando esbanjo o meu dinheiro, Ela parte o mealheiro, Sou o seu filho adorado, Não quer ver-me atrapalhado.
Saio à rua, Ela faz figas, Liga aflita p’rás amigas, Porque eu sou um incapaz,
Mas eu sou um bom rapaz! Bom rapaz!
Deixa-me a roupa dobrada, p’ra eu vestir de madrugada e prepara-me a marmita com iogurte e uma barrita para, ao meio da manhã, eu me lembrar da mamã que alimenta o incapaz.
Mas eu sou um bom rapaz, Bom Rapaz!
Acho que já sou capaz, De fazer o que a mãe faz, Mas é perfeito assim! A Mamã faz por mim.
Tudo o que eu deixo para trás, Como se eu fosse um incapaz! Bom rapaz! Bom rapaz!
Os quiduxos das mamãs…
… têm uma certa tendência a “jogar do outro lado”, o que é complicado para as eventuais sensorte e, também, a alaparem-se nas tetas da política, o que é complicado para todas as, e todos os, sem-sorte.
Contada por Ana Loureiro, o rosto da petição pública para a Legalização e Regulamentação da Prostituição em Portugal, meio no qual é também conhecida por Andreia Montenegro, esta é a história de uma mulher que encontrou na profissão mais velha do mundo o caminho para a sua sobrevivência e a dos seus filhos.
Oriunda de uma família lisboeta de classe média, Ana viveu uma infância e adolescência marcadas pela violência física e psicológica. Após uma tentativa de suicídio, foi acolhida por instituições do Estado, onde conheceu aquele que viria a ser o pai dos seus filhos – e que, tal como sucedera com os seus pais, não a pouparia a maus-tratos.
Nestas páginas, conta-nos como chegou à prostituição, como despertou para um universo de segredos, cumplicidades e perversões que desconhecia em absoluto e como se habituou a um trabalho que, de início, lhe provocou a mais profunda repulsa, ou não tivesse sido um padre o seu primeiro cliente.
Cru, genuíno, corajoso e direto, este livro põe a descoberto um meio em que o perigo, a incerteza e o absurdo estão sempre ao virar da esquina, obrigando-nos também a refletir sobre a necessidade de regulamentar uma profissão que permanece na sombra da clandestinidade.
Andreia Montenegro, a julgar pela sua história que neste livro conta, não foi, nem é, uma Acompanhante de Luxo, foi, e é, uma Mulher de Armas e uma Sacerdotisa do Amor. Foi em tempos, uma menina numa Casa da Mariquinhas, é, actualmente, uma Mariquinhas nas suas próprias casas.
O que a autora conta, a situação que descreve, não me surpreendeu minimamente. Nasci em Julho de 1947 e desde cerca de 1960, desde os meu 12, 13, anos que, ouvindo “coisas”, vendo “coisas”, lendo “coisas”, tenho vindo a construir um modelo mental da situação, modelo desse que, nas suas grandes linhas, coincide com quanto é descrito.
Nas suas grandes linhas, friso, não fazia ideia do que era «fazer praças» nem de que, como «praças», Aveiro era má e Braga boa.
Acresce que, sendo do sexo masculino e vivendo no ambiente dos Clientes das Mariquinhas, não no das próprias Mariquinhas, via a situação de um outro ponto de vista, um ponto de vista em que mais importantes do que as Mariquinhas, ou os Clientes das Mariquinhas, eram as Esposas, Filhas e Filhos, dos Clientes das Mariquinhas.
Quanto à questão da Regulamentação da Prostituição, questão que, suponho, terá sido o que levou Ana Loureiro a expor-se como se expõe, acho que ela está cheia de razão e que a actividade deve ser regulamentada.
O mercado de trabalho da prostituição – feminina ou masculina – é um mercado de trabalho dinamizado pela procura, não pela oferta. Enquanto houver homens e mulheres que queiram, e possam, pagar os favores sexuais de outrem haverá quem, por uma razão ou por outra, esteja na disposição de prestar esses mesmos favores sexuais.
Que os favores sexuais sejam prestados na borda de uma estrada, na cabine de uma viatura, na casa de banho de um centro comercial, no saguão de um prédio, num quarto – de bordel, de hotel, de residência –, na cama de dormir da, ou do, cliente, é irrelevante, o que é relevante é que uma das partes compra os favores sexuais que a outra parte lhe presta, favores sexuais esses que a outra parte lhe não prestaria se não fosse remunerada. E o valor da remuneração é, pela mesma razão, irrelevante. Nuns casos será baixo, ou baixíssimo, noutros razoável, noutros elevado, ou elevadíssimo, dependerá de imensas coisas.
O Projecto-Lei de Regulamentação da Prostituição em Portugal proposto pela autora nas páginas finais deste seu livro resolve todas as questões que se prendem com Prostituição em Portugal?
É evidente que não!
Não resolve, por exemplo, as questões que se prendem os que casam por dinheiro mas, parece-me, resolve, ou contribui para a resolução, de muitos dos problemas das Casas das Mariquinhas, das próprias Mariquinhas e, espero bem, contribuirá para desincentivar fortemente a prostituição juvenil feminina, a prostituição das moças entre entre os quatorze e os vinte e um anos.
Etiqueta principal: Regulamentação da Prostituição em Portugal.
… das características portuguesas se destacavam o comerciar e o conversar e que isso nos levou longe no Mundo.
Agostinho da Silva
São Bernardo disse aos templários: «para que vocês deixem de combater os muçulmanos, o melhor é comerciar com eles», (…) a coisa é que saiu mal, (…) o que acabaria por tornar os templários em banqueiros (…), o que fez Dom Dinis também, que fez uma coisa muito interessante que foi a primeira nacionalização que houve em Portugal, nacionalizando o tesouro dos templários, fazendo ao mesmo tempo, a primeira privatização, já que os privou a eles de terem o tesouro, toda a nacionalização pode ser uma privatização ao mesmo tempo, não é?
Alice Cruz
O senhor professor acredita no Destino, no fado?
Agostinho da Silva
Pode ser que haja, pode ser que o destino seja ser livre.
Alice Cruz
… a Liberdade será deixar cada um ser aquilo que é, e deixar ser isso contagioso, como diz o senhor professor. Como é isso possível?
Agostinho da Silva
É preciso sobretudo ter como têm todos os portugueses, o sentido de intervalo entre os antípodas das leis.
A lei é feita para conceder o máximo de liberdade às pessoas, não destruindo relações possíveis …
Tudo o que veio contra (a minha liberdade) foi para favorecer.
Alice Cruz
O senhor professor tem vários filhos, oito, salvo erro. Como é a sua relação com eles?
Agostinho da Silva
Posso ter dito muita coisas erradas e muitas coisas certas, mas a relação foi sobretudo uma relação de liberdade completa, de eles fazerem e tomarem o caminho que lhes parecia mais interessante para a sua vida.
Não tenho saudades, as pessoas de quem eu gosto estão sempre comigo, como vou ter saudades deles? Mesmo que seja muita a distância. De modo que essa coisa de Saudade para mim não existe, sempre tenho andado no mundo, Brasil por exemplo, não tive saudades de Portugal, nem agora tenho do Brasil. A Saudade supõe ausência, se eu nunca estou ausente de mim, como vou ter Saudades?
Brasão Real de Portugal Filipe I Notar, em timbre, a Serpe Alada de Ofiússa.
“Ofiússa”. Wikipédia, a enciclopédia livre. Esta página foi editada pela última vez às 21h50min de 7 de junho de 2019. Recuperada às 15h47min de 8 de julho de 2020 (UTC+01:00).
Etiqueta principal: Cultura Lusística. ___________________________________________________________________________
Joacine Katar defende-se do Próprio Partido Livre a querer remover do Parlamento.
Portugal Insólito @ YouTube
18-01-2020
Esta tragicomédia é importantíssima porque põe a nu a Natureza Oligárquica da III República Portuguesa.
A pergunta é:
A Eleita Joacine representa os Cidadãos que a elegeram ou representa a Oligarquia Partidária que a nomeou e, evidentemente, os Financiadores da dita Oligarquia Partidária?
Já tínhamos visto este filme duas vezes:
Quando António Costa ficou com o Grupo Parlamentar nomeado por António José Seguro.
Quando Rui Rio ficou com o Grupo Parlamentar nomeado por Pedro Passos Coelho.
Já tínhamos visto este filme duas vezes mas, como os Eleitos eram muitos… foi possível chutar a questão para fora de vista.
Mas como desta vez a Eleita é só uma, e como foi eleita porque era a Joacine, não porque era do Livre, …
… não dá para chutar a questão para fora de vista!
O erro de Rui Tavares, e de quem está por trás de Rui Tavares, foi o terem avaliado mal Joacine Elysees Katar Tavares Moreira.
Pensaram que a Joacine seria facilmente manipulável, que desempenharia o seu papel sem reflautir, que seria uma “boa menina”.
Enganaram-se.
E este erro na avaliação de Joacine deriva, em minha opinião, de algo que muitas vezes é designado por racismo que que não é racismo, é só incompreensão de uma diferença antropo-psico-sociológica:
Os cidadãos portugueses de origem continental, os metropolitanos, e os cidadãos portugueses de origem não-continental, os ultramarinos, vêm o mundo e a vida de formas diferentes e, por isso, têm, em circunstâncias iguais ou semelhantes, comportamentos diferentes.
Primeiro: mas não será mesmo racismo?
Em minha opinião os casos de Almada Negreiros, Fernando Pessoa e Natália Correia demonstram bem que não.
Quais são então as diferenças?
São várias, por exemplo:
Os metropolitanos são mais reverentes e obrigados, os ultramarinos mais irreverentes e desobrigados.
Os metropolitanos são mais dos punhos de renda, os ultramarinos mais das botas cardadas.
Os metropolitanos são mais do veneno, os ultramarinos mais da catana.
Os metropolitanos são mais salão, os ultramarinos mais do sertão.
Vê-se aliás bem no vídeo que Joacine, considerando-se injustiçada e desconsiderada, se ofendeu, se irritou… e partiu para o ataque.
Partiu para o ataque na hora, não foi para casa pensar se isso seria, ou não, conveniente.
Manifesto anti Dantas recitado por José de Almada Negreiros
“Ariano Suassuna”. Wikipédia, a enciclopédia livre. Esta página foi editada pela última vez às 20h53min de 27 de julho de 2019. Esta página foi editada pela última vez às 20h5omin de 11 de outubro de 2019.
Fui ontem almoçar ao Centro Comercial Colombo e o que vi foi:
Uma avançadíssima miscegenação cultural.
Uma avançada miscegenação racial.
Há outras zonas de Lisboa e arredores onde se pode notar o mesmo embora, talvez, não de forma tão evidentíssima.
Dado que
Os Trabalhadores Cabo-Verdianos e suas Famílias começaram a ser importados para à Metrópole no início da década de 1950;
Entre 1974 e 1977 choveram em Portugal Continental para cima de um milhão de Retornados;
Bem mais de metade dos Retornados eram Mestiços, ou Pretos, de Língua Portuguesa;
o processo é irreversível.
Os actuais Discípulos Portugueses de Arthur de Gobineau e de Joaquim Pedro de Oliveira Martins – Confessos ou Inconfessos, de Esquerda ou de Direita – bem que podem chorar, gritar, escoucear: Portugal não é, nunca foi, nunca será Branco, Ariano.
Ou, usando a formulação bem mais diplomática do Doutor António de Oliveira Salazar: Portugal não é um País Europeu e tende cada vez mais a sê-lo cada vez menos.
Entretanto há um ponto que importa muito sublinhar: Nem os Pretos são, necessariamente, Africanos, nem os Brancos são, necessariamente, Europeus.
Exemplifico: Os “Pretos da Amadora” são Europeus, os “Brancos da Huíla”, os Chicoronhos, são Africanos..
religião: conjunto dos ensinamentos de Jesus Cristo.
religião: cada um dos quatro livros dos apóstolos Mateus, Marcos, Lucas e João, incluídos no Novo Testamento, e que narram a vida, a doutrina e a ressurreição de Cristo ☞ inicial maiúscula.
liturgia: trecho do Evangelho (na acepção 2) que se lê na missa.
figurado (sentido) • figuradamente: princípio, doutrina de um grupo de pessoas.
origem etimológica: do latim eclesiástico ēvangelium (genitivo ēvangeliī), segunda declinação; do grego antigo εὐαγγέλιον (transliteração latina “evangélion”), que significava, e significa “boa nova”, “boa notícia”.
Vemos pois que a palavra evangelho sofreu um importante desvio semântico não sendo hoje commumente entendida no seu sentido original de boa nova, boa noticia.
E qual era então a boa nova, a boa notícia, que os primeiros apóstolos, que os primeiros mensageiros, tinham tanta urgência em entregar?
Outro importante desvio semântico, como certamente o caro leitor já notou: a palavra portuguesa apóstolo deriva baixo latim apostolus (genitive apostolī) segunda declinação, que significava “um aviso enviado a um tribunal superior, ou a um juiz”; palavra latina essa que derivava do grego antigo ἀπόστολος (transliteração latina “apóstolos”), que significava então “aquele que é enviado”, “mensageiro”, “enviado”, “embaixador”, e significa hoje, em grego moderno, “depoente”.
Repito: Qual era então a boa nova, a boa notícia, os primeiros mensageiros tinham tanta urgência em entregar?
Bom, a boa nova, a boa notícia, que os primeiros mensageiros tinham tanta urgência em entregar resume-se num grito de espanto e maravilha
¡ RESSUSCITOU !
ou, se o caro leitor o preferir, em meia dúzia de palavras
Ressuscitou e nós vimo-Lo, ouvimo-Lo, palpámo-Lo, comemos com Ele!
Note o caro leitor que na narrativa não há dogmas, doutrinas, padres, pastores, sacerdotes. Nada disso lá está, lá existe. O que lá está, e é isso que lá está mesmo, é a afirmação positiva, peremptória, de que se viu, ouviu e palpou. A afirmação positiva, peremptória de que se verificou empiricamente, experimentalmente, que o que era tido por impossível era, afinal, possível. Ressuscitou e vimo-Lo, ouvimo-Lo, palpámo-Lo, comemos com Ele! Não nos contaram, vimos, ouvimos, palpámos!
O que é então Evangelizar?
Bom, Evangelizar é transmitir a mensagem!
E a mensagem é ¡RESSUSCITOU!
Da Evangelização faz parte a transmissão dos nossos costumes?
Eu acho que não.
Se nós comemos com garfo-e-faca e aqueles a quem transmitimos a mensagem comem com pauzinhos vamos obrigá-los a comerem com garfo-e-faca, ou a mudarem de nome, ou outra coisa qualquer?
Eu acho que não.
Mais! Eu acho que isso é Colonização Cultural, não Evangelização!
Até pode acontecer que queiram mudar dos pauzinhos para o garfo-e-faca, ou mudar de nome, ou mudar de língua, ou mudar outra coisa nas suas vidas individuais ou colectivas… Só que isso é um problema deles, fa-lo-ão se o quiserem fazer, ao mensageiro só compete transmitir a mensagem.