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2 de março de 2021

Os quiduxos das mamãs

Copinho de leite para o mano mais fofo e queriducho




Sou um tipo muito atado,
Ando mal-habituado,
A fazer só o que quero,
Tenho tudo, nunca espero.
A mamã é uma querida,
Lava a roupa, dá comida,
Faz de mim um incapaz,

Mas eu sou um bom rapaz,
Bom rapaz!

Apesar de ter escolha,
Não saio da minha bolha.
Estou tranquilo, estou tão bem,
Ao colo da minha mãe,
Que eu adoro, que me adora,
Que me liga de hora a hora,
Porque eu sou um incapaz.

Mas eu sou um bom rapaz,
Bom rapaz!

Acho que já sou capaz,
De fazer o que a mãe faz,
Mas é perfeito assim!
A Mamã faz por mim,
Tudo o que eu deixo para trás,
Como se eu fosse um incapaz!

Bom rapaz!
Bom rapaz!

Quando esbanjo o meu dinheiro,
Ela parte o mealheiro,
Sou o seu filho adorado,
Não quer ver-me atrapalhado.

Saio à rua,
Ela faz figas,
Liga aflita p’rás amigas,
Porque eu sou um incapaz,

Mas eu sou um bom rapaz!
Bom rapaz!

Deixa-me a roupa dobrada, p’ra eu vestir de madrugada e prepara-me a marmita com iogurte e uma barrita para, ao meio da manhã, eu me lembrar da mamã que alimenta o incapaz.

Mas eu sou um bom rapaz,
Bom Rapaz!

Acho que já sou capaz,
De fazer o que a mãe faz,
Mas é perfeito assim!
A Mamã faz por mim.

Tudo o que eu deixo para trás,
Como se eu fosse um incapaz!
Bom rapaz! Bom rapaz!




Os quiduxos das mamãs…

… têm uma certa tendência a “jogar do outro lado”, o que é complicado para as eventuais sensorte e, também, a alaparem-se nas tetas da política, o que é complicado para todas as, e todos os, sem-sorte.







Etiqueta principal: Caricatura Política.

12 de outubro de 2020

Andreia Montenegro (Ana Loureiro)





Contada por Ana Loureiro, o rosto da petição pública para a Legalização e Regulamentação da Prostituição em Portugal, meio no qual é também conhecida por Andreia Montenegro, esta é a história de uma mulher que encontrou na profissão mais velha do mundo o caminho para a sua sobrevivência e a dos seus filhos.

Oriunda de uma família lisboeta de classe média, Ana viveu uma infância e adolescência marcadas pela violência física e psicológica. Após uma tentativa de suicídio, foi acolhida por instituições do Estado, onde conheceu aquele que viria a ser o pai dos seus filhos – e que, tal como sucedera com os seus pais, não a pouparia a maus-tratos.

Nestas páginas, conta-nos como chegou à prostituição, como despertou para um universo de segredos, cumplicidades e perversões que desconhecia em absoluto e como se habituou a um trabalho que, de início, lhe provocou a mais profunda repulsa, ou não tivesse sido um padre o seu primeiro cliente.

Cru, genuíno, corajoso e direto, este livro põe a descoberto um meio em que o perigo, a incerteza e o absurdo estão sempre ao virar da esquina, obrigando-nos também a refletir sobre a necessidade de regulamentar uma profissão que permanece na sombra da clandestinidade.



Andreia Montenegro, a julgar pela sua história que neste livro conta, não foi, nem é, uma Acompanhante de Luxo, foi, e é, uma Mulher de Armas e uma Sacerdotisa do Amor. Foi em tempos, uma menina numa Casa da Mariquinhas, é, actualmente, uma Mariquinhas nas suas próprias casas.





O que a autora conta, a situação que descreve, não me surpreendeu minimamente. Nasci em Julho de 1947 e desde cerca de 1960, desde os meu 12, 13, anos que, ouvindo “coisas”, vendo “coisas”, lendo “coisas”, tenho vindo a construir um modelo mental da situação, modelo desse que, nas suas grandes linhas, coincide com quanto é descrito.

Nas suas grandes linhas, friso, não fazia ideia do que era «fazer praças» nem de que, como «praças», Aveiro era má e Braga boa.

Acresce que, sendo do sexo masculino e vivendo no ambiente dos Clientes das Mariquinhas, não no das próprias Mariquinhas, via a situação de um outro ponto de vista, um ponto de vista em que mais importantes do que as Mariquinhas, ou os Clientes das Mariquinhas, eram as Esposas, Filhas e Filhos, dos Clientes das Mariquinhas.

Quanto à questão da Regulamentação da Prostituição, questão que, suponho, terá sido o que levou Ana Loureiro a expor-se como se expõe, acho que ela está cheia de razão e que a actividade deve ser regulamentada.

O mercado de trabalho da prostituição – feminina ou masculina – é um mercado de trabalho dinamizado pela procura, não pela oferta. Enquanto houver homens e mulheres que queiram, e possam, pagar os favores sexuais de outrem haverá quem, por uma razão ou por outra, esteja na disposição de prestar esses mesmos favores sexuais

Que os favores sexuais sejam prestados na borda de uma estrada, na cabine de uma viatura, na casa de banho de um centro comercial, no saguão de um prédio, num quarto – de bordel, de hotel, de residência –, na cama de dormir da, ou do, cliente, é irrelevante, o que é relevante é que uma das partes compra os favores sexuais que a outra parte lhe presta, favores sexuais esses que a outra parte lhe não prestaria se não fosse remunerada. E o valor da remuneração é, pela mesma razão, irrelevante. Nuns casos será baixo, ou baixíssimo, noutros razoável, noutros elevado, ou elevadíssimo, dependerá de imensas coisas.

O Projecto-Lei de Regulamentação da Prostituição em Portugal proposto pela autora nas páginas finais deste seu livro resolve todas as questões que se prendem com  Prostituição em Portugal?

É evidente que não!

Não resolve, por exemplo, as questões que se prendem os que casam por dinheiro mas, parece-me, resolve, ou contribui para a resolução, de muitos dos problemas das Casas das Mariquinhas, das próprias Mariquinhas e, espero bem, contribuirá para desincentivar fortemente a prostituição juvenil feminina, a prostituição das moças entre entre os quatorze e os vinte e um anos.






Etiqueta principal: Regulamentação da Prostituição em Portugal.

8 de julho de 2020

Agostinho da Silva - Das características dos portugueses

Alice Cruz e Agostinho da Silva



Alice Cruz
… das características portuguesas se destacavam o comerciar e o conversar e que isso nos levou longe no Mundo.


Agostinho da Silva
São Bernardo disse aos templários: «para que vocês deixem de combater os muçulmanos, o melhor é comerciar com eles», (…) a coisa é que saiu mal, (…) o que acabaria por tornar os templários em banqueiros (…), o que fez Dom Dinis também, que fez uma coisa muito interessante que foi a primeira nacionalização que houve em Portugal, nacionalizando o tesouro dos templários, fazendo ao mesmo tempo, a primeira privatização, já que os privou a eles de terem o tesouro, toda a nacionalização pode ser uma privatização ao mesmo tempo, não é?


Alice Cruz
O senhor professor acredita no Destino, no fado?


Agostinho da Silva
Pode ser que haja, pode ser que o destino seja ser livre.


Alice Cruz

… a Liberdade será deixar cada um ser aquilo que é, e deixar ser isso contagioso, como diz o senhor professor. Como é isso possível?


Agostinho da Silva
É preciso sobretudo ter como têm todos os portugueses, o sentido de intervalo entre os antípodas das leis.

A lei é feita para conceder o máximo de liberdade às pessoas, não destruindo relações possíveis …

Tudo o que veio contra (a minha liberdade) foi para favorecer.


Alice Cruz
O senhor professor tem vários filhos, oito, salvo erro. Como é a sua relação com eles?


Agostinho da Silva
Posso ter dito muita coisas erradas e muitas coisas certas, mas a relação foi sobretudo uma relação de liberdade completa, de eles fazerem e tomarem o caminho que lhes parecia mais interessante para a sua vida.

Não tenho saudades, as pessoas de quem eu gosto estão sempre comigo, como vou ter saudades deles? Mesmo que seja muita a distância. De modo que essa coisa de Saudade para mim não existe, sempre tenho andado no mundo, Brasil por exemplo, não tive saudades de Portugal, nem agora tenho do Brasil. A Saudade supõe ausência, se eu nunca estou ausente de mim, como vou ter Saudades?



Brasão Real de Portugal
Filipe I
Notar, em timbre, a Serpe Alada de Ofiússa.




Fontes
  1. Agostinho da Silva-Das características dos portugueses”. Canal do YouTube de Clavis Prophetarum. Publicado a 03 de Dezembro de 2007. Recuperado a 08 de Julho de 2020.
  2. File:Ornamented Royal Coat of Arms of Portugal (Philip I).svg”. Wikimedia Commons, the free media repository. This page was last edited on 17 February 2017, at 13:41. Retrieved on 8 July 2020, at 15:26 (UTC+01:00).
  3. Ofiússa”. Wikipédia, a enciclopédia livre. Esta página foi editada pela última vez às 21h50min de 7 de junho de 2019. Recuperada às 15h47min de 8 de julho de 2020 (UTC+01:00).







Etiqueta principal: Cultura Lusística.
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15 de abril de 2020

Colapso




os
Avós de Amin Maalouf
testemunharam o
Colapso do Império Otomano



os
Pais de Amin Maalouf
testemunharam o
Colapso dos Impérios Francês e Britânico



o próprio
Amin Maalouf
testemunhou o
Colapso da URSS
e está
testemunhando o
Colapso dos EUA


¡
não se pode dizer 
que os Maalouf 
não tenham vivido tempos interessantes
!


¿
será que o 
colapso de um império 
é o 
fim do mundo
?



¡
Amin Maalouf e a História
dizem-nos que
não
!



¡¡¡ a vida continua !!!






Fonte







Etiqueta principal: Colapso.
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19 de janeiro de 2020

Joacine Katar Moreira e o “LIVRE”

Joacine Katar defende-se do Próprio Partido Livre a querer remover do Parlamento.
Portugal Insólito @ YouTube
18-01-2020



Esta tragicomédia é importantíssima porque põe a nu a Natureza Oligárquica da III República Portuguesa.

A pergunta é:
A Eleita Joacine representa os Cidadãos que a elegeram ou representa a Oligarquia Partidária que a nomeou e, evidentemente, os Financiadores da dita Oligarquia Partidária?
Já tínhamos visto este filme duas vezes:
  • Quando António Costa ficou com o Grupo Parlamentar nomeado por António José Seguro.
  • Quando Rui Rio ficou com o Grupo Parlamentar nomeado por Pedro Passos Coelho.
Já tínhamos visto este filme duas vezes mas, como os Eleitos eram muitos… foi possível chutar a questão para fora de vista.

Mas como desta vez a Eleita é só uma, e como foi eleita porque era a Joacine, não porque era do Livre, …

… não dá para chutar a questão para fora de vista!

O erro de Rui Tavares, e de quem está por trás de Rui Tavares, foi o terem avaliado mal Joacine Elysees Katar Tavares Moreira.

Pensaram que a Joacine seria facilmente manipulável, que desempenharia o seu papel sem reflautir, que seria uma “boa menina”.

Enganaram-se.

E este erro na avaliação de Joacine deriva, em minha opinião, de algo que muitas vezes é designado por racismo que que não é racismo, é só incompreensão de uma diferença antropo-psico-sociológica:
Os cidadãos portugueses de origem continental, os metropolitanos, e os cidadãos portugueses de origem não-continental, os ultramarinos, vêm o mundo e a vida de formas diferentes e, por isso, têm, em circunstâncias iguais ou semelhantes, comportamentos diferentes.
Primeiro: mas não será mesmo racismo?

Em minha opinião os casos de Almada Negreiros, Fernando Pessoa e Natália Correia demonstram bem que não.

Quais são então as diferenças?

São várias, por exemplo: 
  • Os metropolitanos são mais reverentes e obrigados, os ultramarinos mais irreverentes e desobrigados.
  • Os metropolitanos são mais dos punhos de renda, os ultramarinos mais das botas cardadas.
  • Os metropolitanos são mais do veneno, os ultramarinos mais da catana.
  • Os metropolitanos são mais salão, os ultramarinos mais do sertão.
Vê-se aliás bem no vídeo que Joacine, considerando-se injustiçada e desconsiderada, se ofendeu, se irritou… e partiu para o ataque.

Partiu para o ataque na hora, não foi para casa pensar se isso seria, ou não, conveniente.



Manifesto anti Dantas recitado por José de Almada Negreiros
Audio Braille @YouTube
07-04-2017



Referências
  1. Joacine Katar Moreira”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  2. LIVRE (partido político)”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  3. Tragicomédia”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  4. Oligarquia”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  5. Terceira República Portuguesa”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  6. António Costa”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  7. António José Seguro”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  8. Rui Rio”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  9. Pedro Passos Coelho”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  10. Rui Tavares”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  11. Áreas de estudo em antropologia”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  12. Almada Negreiros”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  13. Fernando Pessoa”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  14. Natália Correia”. Wikipédia, a enciclopédia livre.



Etiqueta principal: III República Portuguesa.
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10 de novembro de 2019

Ariano Suassuna


A CHEGADA DE ARIANO SUASSUNA NO CÉU

poema
A Chegada de Ariano Suassuna ao Céu
de
Klévisson Viana e Bule-Bule

declamado
por
Rolando Boldrin


Nos palcos do firmamento
Jesus concebeu um plano
De montar um espetáculo
Para Deus Pai Soberano
E, ao lembrar de um dramaturgo,
Mandou buscar Ariano.

Jesus mandou-lhe um convite,
Mas Ariano não leu.
Estava noutro idioma,
Ele num canto esqueceu,
Nem sequer observou
Quem foi que lhe escreveu.

Depois de um tempo, mandou
Uma segunda missiva.
A secretária do artista
Logo a dita carta arquiva,
Dizendo: — Viagem longa
A meu mestre não cativa.

Jesus sem ter a resposta
Disse torcendo o bigode:
— Eu vejo que Suassuna
É teimoso igual a um bode.
Não pode, mas ele pensa
Que é soberano e pode!

Jesus, já perdendo a calma,
Apelou pra outro suporte.
Para cumprir a missão,
Autorizou Dona Morte:
— Vá buscar o escritor,
Mas vê se não erra o corte!

A morte veio ao País
Como turista estrangeiro,
Achando que o Brasil
Era só Rio de Janeiro.
No rastro de Suassuna,
Sobrou pra Ubaldo Ribeiro.

Porém, antes de encontrá-lo,
Sofreu um constrangimento
Passando em Copacabana,
Um malfazejo elemento
Assaltou ela levando
Sua foice e documento.

A morte ficou sem rumo
E murmurou dessa vez:
— Pra não perder a viagem
Vou vender meu picinez
Para comprar outra foice
Na loja de algum chinês.

Por um e noventa e nove
A dita foice comprou.
Passando a mão pelo aço,
Viu que ela enferrujou
E disse: — Vai essa mesma,
Pois comprar outra eu não vou!

A morte saiu bolando,
Sem direção e sem tino,
Perguntando a um e a outro
Pelo escritor nordestino,
Obteve informação,
Gratificando um menino.

Ao encontrar João Ubaldo,
Viu naufragar o seu plano,
Se lembrando da imagem
Disse: — Aqui há um engano.
Perguntou para João
Onde é que estava Ariano.

Nessa hora João Ubaldo,
Quase ficando maluco,
Tomou um susto arretado,
Quando ali tocou um cuco,
Mas, gaguejando, falou:
—Ele mora em Pernambuco!

A morte disse: — Danou-se
Dinheiro não tenho mais
Para viajar tão longe,
Mas Ariano é sagaz.
Escapou mais uma vez,
Vai você mesmo, rapaz!

Quando chegou lá no Céu
Com o escritor baiano,
Cristo lhe deu uma bronca:
— Já foi baldado o meu plano.
Pedi um da Paraíba
E você trouxe um baiano.

João Ubaldo é talentoso,
Porém não escreve tudo.
“Viva o Povo Brasileiro”
É sua obra de estudo,
Mas quero peça de humor,
Que o Céu tá muito sisudo.

Foi consultar os arquivos
Pra ressuscitar João,
Mas achou desnecessário,
Pois já era ocasião
Pra ele vir prestar contas
Ali na Santa Mansão.

Jesus olhou para a Morte
E disse assim: — Serafina,
Vejo não és mais a mesma.
Tu já foste mais malina,
Tá com pena ou tá com medo,
Responda logo, menina?!

— Jesus, eu vou lhe falar
Que preciso de dinheiro.
Ariano mora bem
No Nordeste brasileiro.
Disse o Cristo: —Tenho pressa,
Passe lá no financeiro!

— Só faço que é pra o Senhor.
Pra outro, juro não ia.
Ele que se conformasse
Com o escritor da Bahia.
Se dependesse de mim,
Ariano não morria.

A morte na internet
Comprou passagem barata.
Quase morria de susto
Naquela viagem ingrata.
De vez em quando dizia:
— Eita que viagem chata!

Uma aeromoça lhe trouxe
Duas barras de cereais.
Diz ela: — Estou de regime.
Por favor, não traga mais,
Porque se vier eu como,
Meu apetite é voraz!

Quando chegou no Recife,
Ficou ela de plantão
Na porta de Ariano
Com sua foice na mão,
Resmungando: — Qualquer hora
Ele cai no alçapão!

A morte colonizada,
Pensando em lhe agradar,
Uma faixa com uma frase
Ela mandou preparar,
Dizendo: “Welcome Ariano”,
Mas ele não quis entrar.

Vendo a tal faixa, Ariano
Ficou muito revoltado.
Começou a passar mal,
Pediu pra ser internado
E a morte foi lhe seguindo
Para ver o resultado.

Eu não sei se Ariano
Morreu de raiva ou de medo.
Que era contra estrangeirismos,
Isso nunca foi segredo.
Certo é que a morte o matou
Sem lhe tocar com um dedo.

Chegou no Céu Ariano,
Tava a porta escancarada.
São Pedro quando o avistou
Resmungando na calçada,
Correu logo pra o portão,
Louvando a sua chegada.

Um anjinho de recado
Foi chamar o Soberano,
Dizendo: – O Senhor agora
Vai concretizar seu plano.
São Pedro mandou dizer
Que aqui chegou Ariano.

Jesus saiu apressado,
Apertando o nó da manta
E disse assim: — Vou lembrar
Dessa data como santa
Que a arte de Ariano
Em toda parte ela encanta.

São Pedro lá no portão
Recebeu bem Ariano,
Que chegou meio areado,
Meio confuso e sem plano.
Ao perceber que morreu,
Se valeu do Soberano.

Com um chapelão de palha
Chegou Ascenso Ferreira,
O grande Câmara Cascudo,
Zé Pacheco e Zé Limeira.
João Firmino Cabral
Veio engrossar a fileira.

E o próprio João Ubaldo
(Que foi pra lá por engano)
Veio de braços abertos
Para abraçar Ariano.
E esse falou: – Ubaldo,
Morrer não tava em meu plano!

Logo chegou Jorge Amado
E o ator Paulo Goulart.
Veio também Chico Anysio
Que começou a contar
Uma anedota engraçada
Descontraindo o lugar.



Me dê Sua Tristeza, Que lhe Dou Minha Alegria
em
Homenagem a Ariano Suassuna

no
Canal de TV da Universidade de Brasília
em
Julho de 2014








Fontes
  1. “A Chegada de Ariano Suassuna no Céu”, poema declamado por Rolando Boldrin”. Pensar Contemporâneo. Sem data de publicação. Recuperado a 09 de Novembro de 2019, às 19.16.
  2. "Poema “A Chegada de Suassuna no Céu” recitado por Rolando Boldrin". Sr. Brasil. YouTube. Publicado a 06 de Março de 2016. Recuperado a 09 de Novembro de 2019.
  3. Especial: Homenagem a Ariano Suassuna”. UnBTV. YouTube. Publicado a 24 de Julho de 2014. Recuperado a 09 de Novembro de 2019.
  4. Ariano Suassuna”. Wikipédia, a enciclopédia livre. Esta página foi editada pela última vez às 20h53min de 27 de julho de 2019. Esta página foi editada pela última vez às 20h5omin de 11 de outubro de 2019.
  5. Romance da Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-volta”. Amazon Brazil. Sem data de publicação. Recuperado a 09 de Novembro de 2019, às 20:57.



Etiqueta principal: Cultura Brasileira.
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6 de novembro de 2019

Morenas e Morenos

Recanto das Letras
 > Textos > Poesias > Quadras > Morena Linda dos Lábios de Mel!



CLARO QUE NÃO !!!

Todos iguais, normalizados, como as porcas e os parafusos?

E já agora…

As porcas também seriam normalizadas, ficariam iguais aos parafusos?

Imaginem só o tédio que não seria!





Etiqueta principal: Racismo.
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1 de novembro de 2019

Lisboa Luso-Africana

lisboa mulata
dead combo


Fui ontem almoçar ao Centro Comercial Colombo e o que vi foi:

  • Uma avançadíssima miscegenação cultural.
  • Uma avançada miscegenação racial.

Há outras zonas de Lisboa e arredores onde se pode notar o mesmo embora, talvez, não de forma tão evidentíssima.

Dado que 
  1. Os Trabalhadores Cabo-Verdianos e suas Famílias começaram a ser importados para à Metrópole no início da década de 1950;
  2. Entre 1974 e 1977 choveram em Portugal Continental para cima de um milhão de Retornados;
  3. Bem mais de metade dos Retornados eram Mestiços, ou Pretos, de Língua Portuguesa;
o processo é irreversível.

Os actuais Discípulos Portugueses de Arthur de Gobineau e de Joaquim Pedro de Oliveira Martins – Confessos ou Inconfessos, de Esquerda ou de Direita – bem que podem chorar, gritar, escoucear: Portugal não é, nunca foi, nunca será Branco, Ariano.

Ou, usando a formulação bem mais diplomática do Doutor António de Oliveira Salazar: Portugal não é um País Europeu e tende cada vez mais a sê-lo cada vez menos.

Entretanto há um ponto que importa muito sublinhar: Nem os Pretos são, necessariamente, Africanos, nem os Brancos são, necessariamente, Europeus.

Exemplifico: Os “Pretos da Amadora” são Europeus, os “Brancos da Huíla”, os Chicoronhos, são Africanos..



Etiqueta principal: Portugal.
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14 de dezembro de 2018

Evangelizar

Nossa Senhora da China.



A palavra portuguesa evangelho significa o quê?

evangelho
substantivo masculino
  1. religião: conjunto dos ensinamentos de Jesus Cristo.
  2. religião: cada um dos quatro livros dos apóstolos Mateus, Marcos, Lucas e João, incluídos no Novo Testamento, e que narram a vida, a doutrina e a ressurreição de Cristo ☞ inicial maiúscula.
  3. liturgia: trecho do Evangelho (na acepção 2) que se lê na missa.
  4. figurado (sentido)figuradamente: princípio, doutrina de um grupo de pessoas.
  • origem etimológica: do latim eclesiástico ēvangelium (genitivo ēvangeliī), segunda declinação; do grego antigo εὐαγγέλιον (transliteração latina “evangélion”), que significava, e significa “boa nova”, “boa notícia”.

Vemos pois que a palavra evangelho sofreu um importante desvio semântico não sendo hoje commumente entendida no seu sentido original de boa nova, boa noticia.


E qual era então a boa nova, a boa notícia, que os primeiros apóstolos, que os primeiros mensageiros, tinham tanta urgência em entregar?
  • Outro importante desvio semântico, como certamente o caro leitor já notou: a palavra portuguesa apóstolo deriva baixo latim apostolus (genitive apostolī) segunda declinação, que significava “um aviso enviado a um tribunal superior, ou a um juiz”; palavra latina essa que derivava do grego antigo ἀπόστολος (transliteração latina “apóstolos”), que significava então “aquele que é enviado”, “mensageiro”, “enviado”, “embaixador”, e significa hoje, em grego moderno, “depoente”.

Repito
Qual era então a boa nova, a boa notícia, os primeiros mensageiros tinham tanta urgência em entregar?



Bom, a boa nova, a boa notícia, que os primeiros mensageiros tinham tanta urgência em entregar resume-se num grito de espanto e maravilha

¡ RESSUSCITOU !

ou, se o caro leitor o preferir, em meia dúzia de palavras

Ressuscitou e nós vimo-Lo, ouvimo-Lo, palpámo-Lo, comemos com Ele!

Note o caro leitor que na narrativa não há dogmas, doutrinas, padres, pastores, sacerdotes. Nada disso lá está, lá existe. O que lá está, e é isso que lá está mesmo, é a afirmação positiva, peremptória, de que se viu, ouviu e palpou. A afirmação positiva, peremptória de que se verificou empiricamente, experimentalmente, que o que era tido por impossível era, afinal, possível. Ressuscitou e vimo-Lo, ouvimo-Lo, palpámo-Lo, comemos com Ele! Não nos contaram, vimos, ouvimos, palpámos!


O que é então Evangelizar?

Bom, Evangelizar é transmitir a mensagem!

E a mensagem é ¡RESSUSCITOU!


Da Evangelização faz parte a transmissão dos nossos costumes?

Eu acho que não.

Se nós comemos com garfo-e-faca e aqueles a quem transmitimos a mensagem comem com pauzinhos vamos obrigá-los a comerem com garfo-e-faca, ou a mudarem de nome, ou outra coisa qualquer? 

Eu acho que não.

Mais! Eu acho que isso é Colonização Cultural, não Evangelização!

Até pode acontecer que queiram mudar dos pauzinhos para o garfo-e-faca, ou mudar de nome, ou mudar de língua, ou mudar outra coisa nas suas vidas individuais ou colectivas… Só que isso é um problema deles, fa-lo-ão se o quiserem fazer, ao mensageiro só compete transmitir a mensagem.



Origem do texto

Origem das figuras



Etiqueta principal: Religião.
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