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19 de maio de 2021

Estupidez Humana




Segundo Carlo M. Cipolla as Leis Fundamentais da Estupidez Humana são 5, cinco, e a primeira é (página 19):

Inevitavelmente toda a gente subestima sempre o número de indivíduos estúpidos em circulação.


Segundo Nassim Nicholas Taleb, o prefaciador, Carlo M. Cipolla, o autor, tem uma definição formal axiomática do que significa ser estúpido (página 14):

Estúpido é alguém que prejudica os outros sem procurar qualquer ganho para si mesmo – constratando com o bandido, de comportamento, mais previsível, que ganha algo ao prejudicar-nos.


Ainda segundo Carlo M. Cipolla, o autor, para além das evidentes implicações pessoais, a Estupidez Humana tem implicações sociais verificando-se que (formulação minha com base no texto das páginas 51 a 55 51 a 55): 

As culturas, estados, sociedades, em ascensão, ou expansão, tendem a ter mais dirigente inteligentes dos que dirigentes estúpidos, verificando-se o inverso nas culturas, estados, sociedades, em descensão, ou contracção.


Li o livrinho – que tem ao todo 64 páginas, incluindo as páginas de guarda, de título, de índice, etc. – em menos de duas horas.


Obrigatório ler!








Etiqueta principal: Estupidez Humana.

2 de março de 2021

Os quiduxos das mamãs

Copinho de leite para o mano mais fofo e queriducho




Sou um tipo muito atado,
Ando mal-habituado,
A fazer só o que quero,
Tenho tudo, nunca espero.
A mamã é uma querida,
Lava a roupa, dá comida,
Faz de mim um incapaz,

Mas eu sou um bom rapaz,
Bom rapaz!

Apesar de ter escolha,
Não saio da minha bolha.
Estou tranquilo, estou tão bem,
Ao colo da minha mãe,
Que eu adoro, que me adora,
Que me liga de hora a hora,
Porque eu sou um incapaz.

Mas eu sou um bom rapaz,
Bom rapaz!

Acho que já sou capaz,
De fazer o que a mãe faz,
Mas é perfeito assim!
A Mamã faz por mim,
Tudo o que eu deixo para trás,
Como se eu fosse um incapaz!

Bom rapaz!
Bom rapaz!

Quando esbanjo o meu dinheiro,
Ela parte o mealheiro,
Sou o seu filho adorado,
Não quer ver-me atrapalhado.

Saio à rua,
Ela faz figas,
Liga aflita p’rás amigas,
Porque eu sou um incapaz,

Mas eu sou um bom rapaz!
Bom rapaz!

Deixa-me a roupa dobrada, p’ra eu vestir de madrugada e prepara-me a marmita com iogurte e uma barrita para, ao meio da manhã, eu me lembrar da mamã que alimenta o incapaz.

Mas eu sou um bom rapaz,
Bom Rapaz!

Acho que já sou capaz,
De fazer o que a mãe faz,
Mas é perfeito assim!
A Mamã faz por mim.

Tudo o que eu deixo para trás,
Como se eu fosse um incapaz!
Bom rapaz! Bom rapaz!




Os quiduxos das mamãs…

… têm uma certa tendência a “jogar do outro lado”, o que é complicado para as eventuais sensorte e, também, a alaparem-se nas tetas da política, o que é complicado para todas as, e todos os, sem-sorte.







Etiqueta principal: Caricatura Política.

24 de janeiro de 2021

O Rapaz da Camisola Verde











O Rapaz da Camisola Verde
De mãos nos bolso e de olhar distante,
Jeito de marinheiro ou de soldado,
Era um rapaz de camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Perguntei-lhe quem era e ele me disse
“Sou do monte, Senhor, e um seu criado”.
Pobre rapaz de camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Porque me assaltam turvos pensamentos?
Na minha frente estava um condenado.
Vai-te, rapaz da camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Ouvindo-me, quedou-se o bravo moço,
Indiferente à raiva do meu brado,
E ali ficou de camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Soube depois ali que se perdera
Esse que só eu pudera ter salvado.
Ai do rapaz da camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Ai do rapaz da camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
in






Etiqueta principal: Trovadorismo.

12 de julho de 2020

Tempos fáceis criam pessoas fracas

Good Times Create Weak Men.
Weak Men Create Bad Times.
Bad Times Create Strong Men.
Strong Men Create Good Times.

tempos fáceis criam pessoas fracas
pessoas fracas criam tempos difíceis
tempos difíceis criam pessoas fortes
pessoas fortes criam tempos fáceis



Em Portugal os Milénicos (do inglês Millennials), os nascidos entre 1980 e 2000, que neste ano de 2020 fazem, respectivamente, 40 e 20 anos de idade, dividem-se em dois grandes grupos:

  • O grupo daqueles cujos pais viveram, ou combateram no Ultramar.
  • O grupo daqueles cujos pais nem viveram, nem combateram no Ultramar.

Esta divisão, que já emergiu na política com Pedro Passos Coelho, um não Milénico porque nascido em 1964, que está remergindo na política com Joacine Katar Moreira e André Ventura, ambos Milénicos porque nascidos em 1982 e 1983, respectivamente, tem todas as condições para se tornar, em Portugal, a fractura sócio-política fundamental dos próximos anos.




Fontes
  1. G. Michael Hopf > Quotes > Quotable Quote: “Hard times create strong men. Strong men create good times. Good times create weak men. And, weak men create hard times.””. Goodreads. No publication date. Retrieved on July 12, 2020.
  2. Good Times Create Weak Men. Weak Men Create Bad Times. Bad Times Create Strong Men. Strong Men Create Good Times.”. ldrbyks. Steemit. Published 3 years ago, before August 3, 2017. Retrieved on July 12, 2020.







Etiqueta principal: Sociologia Política Portuguesa.
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16 de abril de 2019

Homens de Ciência e Homens de Leis



Face a um problema os Homens de Ciência pensam Como resolveremos este problema? e os Homens de Leis pensam Quem terá o direito de resolver este problema?


Muitas amêndoas… doces!


Fontes


Etiqueta principal: Curtas.
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21 de fevereiro de 2019

Nação Valente — Sérgio Godinho






Letra
Sérgio Godinho

Música
Hélder Gonçalves


não quero pôr-te numa gaiola

de mão estendida por esmola

não quero ter-te acorrentada

sofrendo por tudo e por nada

quero-te viva

afirmativa

não quero ter-te endividada

com só promessas por morada

não quero ver-te assim carente

perdão pedindo para a sua gente

há-de haver outra solução

para esta tão valente nação

há que ir em frente

nação valente

fronteiras antigas

fronteiras abertas

quero um país de ideias libertas

as mágoas da vida

e da vida as ofertas

fronteiras antigas

fronteiras abertas

não ver-te assim cobrada

na contramão dessa auto-estrada

nem quero ter-te adormecida

nos braços do que chamas vida

quero-te viva

afirmativa

não quero ter-te ziguezagueando

porquê e como? perguntando

assume a parte que já te coube

esquece e lembra o que ontem houve

há de haver outra perspectiva

para usarmos a alegria em vida

há-de haver outra solução

para esta tão valente nação

há que ir em frente

nação valente

fronteiras antigas

fronteiras abertas

quero um país de ideias libertas

as mágoas da vida

e da vida as ofertas

fronteiras antigas

fronteiras abertas



Fontes
  1. Sérgio Godinho - Nação Valente (videoLETRA)”, Sérgio Godinho e Hélder Gonçalves, YouTube: Sérgio Godinho TV. Publicado a 24 de de Janeiro de 2018. Recuperado a 21 de Fevereiro de 2019, às 11:52.
  2. Uma canção nova de Sérgio Godinho por dia: “Nação Valente””. Miguel A. Lopes/Lusa. Observador. Publicado a 24 de de Janeiro de 2018, às 12:23. Recuperado a 21 de Fevereiro de 2019, às 11:57.
Etiqueta principal: Música.
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9 de dezembro de 2018

8 de dezembro de 2018

Coletes Amarelos e Violência Estrutural

Inside Alcatraz Prison – row of bars and cells.
leezsnow / Getty Images

A propósito da Crise dos Coletes Amarelos veio-me à mente Noção de Violência Estrutural.

Avenue de la Grande Armée, les #Giletsjaunes sont pris en étau entre les forces de l’ordre
qui les empêchent de monter vers Etoile et de redescendre vers Porte Maillot.
France Bleu Paris tweet

E veio-me á mente Noção de Violência Estrutural porque me pareceu evidente que as pessoas estavam presas. Presas na Estruturano Sistema, não em Alcatraz, mas presas.

Mas, perguntarão: O que é a Violência Estrutural?

Cito em Inglês, traduzo depois para Portugês:
Structural violence refers to any scenario in which a social structure perpetuates inequity, thus causing preventable suffering. When studying structural violence, we examine the ways that social structures (economic, political, medical, and legal systems) can have a disproportionately negative impact on particular groups and communities.
Violência estrutural refere-se a qualquer cenário no qual uma estrutura social perpetua iniquidade, assim causando assim sofrimento evitável. Ao estudar a violência estrutural, examinamos as formas pelas quais as estruturas sociais (sistemas económicos, políticos, médicos e legais) podem ter um impacto desproporcionadamente negativo em determinados grupos e comunidades.

Os meios de comunicação social têm tornado muito claro ·que a Crise dos Coletes Amarelos é, por um lado uma Revolta Fiscal (Tax Revolt em Inglês): A população considera – e as estatísticas oficiais parecem confirmá-lo – que os impostos sobem, os rendimentos descem e o que lhes sobra após a exacção fiscal é cada vez menos. E, por outro lado, uma Revolta da Periferia: A população que ser revoltou parece ter sido a da periferia geográfica, ou económica, que consideram que as medidas que têm vindo a ser tomadas têm um impacto desproporcionadamente negativo sobre as suas vidas.



Origem do texto


Origem das figuras
  1. What Is Structural Violence? at ThoughtCo.
  2. Paris : Manifestation des gilets jaunes : encore des scènes d'affrontements au coeur de la capitale dans France Bleu.



Referências
  1. What Is Structural Violence? at ThoughtCo.
  2. Tax Revolts at Encyclopedia.com.



Etiqueta principal: Política.
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7 de novembro de 2018

Esquerdas

Ao poder… volver!!!


Existem hoje em Portugal e no Mundo dito Ocidental três Esquerdas: a Libertária, a Igualitária e a Totalitária.

A Esquerda Libertária preza acima de tudo a Liberdade

A Esquerda Igualitária preza acima de tudo a Igualdade

A Esquerda Totalitária preza acima de tudo a Poder.

A Esquerda Totalitária preza acima de tudo a Poder porque, por um lado, lhe permite viver bem e, por outro lado, lhe permite a todos impor as suas filias e fobias.

Manuel Alegre é um lídimo representante da Esquerda Libertária.


Manuel Alegre
Carta aberta a António Costa
Público a 7 de Novembro de 2018, 6:40



Origem da imagem



Etiqueta principal: Ideologia.
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6 de novembro de 2018

Caçadora

Escultura Diana Caçadora McCartan (32 cm).



caçadora
(bruno caliman / césar lemos)

hoje foi declarada
temporada de caça
tô saindo de casa
eu vou

vermelho na roupa
pimenta na boca
tô de redea solta
eu tô

montada, armada
tô pronta pra caçada
mirando, acertando
essa noite eu só quero ser

caçadora de beijos
eu vou matar o meu desejo
hoje eu vou beijar você
vou devorar você

eu jogo o laço
eu puxo  o laço
eu vou puxando até chegar no seu abraço

eu jogo o laço
eu puxo  o laço
eu vou puxando até chegar na
temporada de caça



Referências
  1. Diana (mitologia) – Wikipédia, a enciclopédia livre.
  2. ÁrtemisWikipédia, a enciclopédia livre.
  3. Templo de ÁrtemisWikipédia, a enciclopédia livre.

Origem da imagem


Etiqueta principal: Música.
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3 de novembro de 2018

O filho é da mãe? … ou do pai?






O lado lógico

Num julgamento de divórcio, o casal briga pela guarda do único filho.

A mãe, muito emocionada, tenta defender a sua posição:
  • Meritíssimo Juiz... Esta criança foi gerada dentro de mim.... Carreguei ela durante nove meses... Ela saiu do meu ventre... Eu mereço ficar com ela!
O juiz, emocionado e quase convencido, passa a palavra ao marido, ao engenheiro, que resolve usar o seu lado lógico:
  • Senhor Juiz, tenho apenas uma pergunta: Quando eu coloco uma moeda em uma máquina de refrigerantes, a latinha que sai é minha… ou da máquina?



Origens do texto e da imagem


Etiqueta principal: Curtas.
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30 de outubro de 2018

Tombe la neige

Tombe la neige - Salvatore Adamo




Notre monde aujourd'hui…



Il a neigé toute la nuit. Voilà ma matinée.


08:00 
: je fais un bonhomme de neige.

Un bon bonhomme de neige.

08:10 
: une féministe passe et me demande pourquoi je n’ai pas fait une bonne femme de neige.

08:15 
: alors je fais aussi une bonne femme de neige.

08:17 
: la nounou des voisins râle parce qu’elle trouve la poitrine de la bonne femme de neige trop voluptueuse.

08:20 
le couple d’homo du quartier grommelle que ça aurait pu être deux bonshommes de neige.

08:25 
: les végétariens du n°12 rouspètent à cause de la carotte qui sert de nez au bonhomme. Les légumes sont de la nourriture et ne doivent pas servir à ça.

08:28 
: on me traite de raciste car le couple est blanc.

08:31 
les Musulmans de l’autre coté de la rue veulent que je mette un foulard à ma bonne femme de neige.

08:40 
: quelqu’un appelle la police qui vient voir ce qui se passe.

08:42 
: on me dit qu’il faut que j’enlève le manche à balai que tient le bonhomme de neige car il pourrait être utilisé comme une arme mortelle. Les choses empirent quand je marmonne : « ouais; surtout si vous l’avez dans le … ».

08:45 
: l’équipe de TV locale s’amène. Ils me demandent si je connais la différence entre un bonhomme de neige et une bonne femme de neige. Je réponds: «oui; les boules » et on me traite de sexiste.

08:52 
: mon téléphone portable est saisi, contrôlé et je suis embarqué au commissariat

09:00 
: je parais au journal TV; on me suspecte d’être un terroriste profitant du mauvais temps pour troubler l’ordre public.

09:10 
: on me demande si j’ai des complices.

09:29 
: un groupe djihadiste inconnu revendique l’action.


Morale 
: il n’y a pas de morale à cette histoire. C’est juste la France, la Belgique dans laquelle nous vivons aujourd’hui.



Origine du texte 
: Réseau des Vieux Garçons.

Source de l'image 


Etiqueta principal: Ideologia.
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29 de outubro de 2018

Brasil – Presidenciais 2018


Estados  &  Regiões
Mapa político-administrativo do Brasil – Wikipédia.

PSL = Bolsonaro  &  PT = Haddad
Presidenciais de 2018 no Brasil: Quem ganhou em cada estado – Gazeta do Povo.

Verde = Bolsonaro  &  Vermelho = Haddad
Presidenciais de 2018 no Brasil: Votação presidencial nos municípios – Valor Económico.

Roxo = Bolsonaro  &  Vermelho = Haddad

Presidenciais de 2018 no Brasil: Como o Brasil votou no segundo turno – Nexo Jornal.

Regiões  versus  Votações

Estados e Regiões (Wikipédia) versus Como o Brasil Votou (Nexo Jornal).

Observando os mapas é por demais evidente que: 
  • Votaram maioritariamente Haddad as Regiões Norte (≈18 Mhab) e Nordeste (≈57 Mhab).
  • Votaram maioritariamente Bolsonoro as Regiões Centro-Oeste (≈16 Mhab), Sudeste (≈85 Mhab) – com excepção do Estado de Minas Gerais (≈29 Mhab) que está partido ao meio – e Sul (≈29 Mhab).
Ora, e curiosamente, a população das regiões que votaram Haddad e Bolsonaro têm ascendências distintas, de épocas distintas: 
  • O Brasil que votou Haddad é, por assim dizer, o Brasil Tradicional, o Brasil do Estado (1549 – 1815), do Reino (1815 – 1822/1825) e do Império (1822/1825 – 1889) e a sua população é, maioritariamente, de ascendência Ameríndia, Portuguesa, Sefardim e Africana (de Línguas Nigero-Congolesas, principalmente de Línguas Bantas).
  • O Brasil que votou Bolsonaro é, por assim dizer, o Brasil Industrial, o Brasil da República Velha (1889 – 1930), da Era Vargas (1930 – 1946), da República Populista (1946 – 1964), da Ditadura Militar (1964 – 1985) e da actual Nova República (1985) e a sua população é, maioritariamente, de ascendência Portuguesa, Castelhana, Italiana, Alemã e Asquenazim.
Parece-me pois que a fractura Bolsonaro-Haddad é muito mais uma Fractura Cultural (descendente de meridionais versus descendentes de setentrionais) do que uma Fractura Económica (possidentes versus não-possidentes) ou uma Fractura Política (autoritários versus libertários ou inigualitários versus igualitários).

28 de outubro de 2018

Laurinha, uma Cantiga de Escárnio e Maldizer


Miguel Araújo canta Dona Laura.






Olha a Laurinha lá vai toda decidida
Diz que é crescida e que prescinde dos conselhos do pai
Olha ela, lá vai toda destemida
Dona da vida nem duvida que é por ali que vai
Olha a Laurinha à cabeça da charanga
Das raparigas do recreio do liceu onde ela anda
E manda na dinâmica da escola
Não vai à bola com a setôra de História
E não disfarça e faz a vida negra à criatura
É a ditadura de quem manda só porque sim

Olha a Laurinha que já fuma às escondidas do pai
Com a mesada de alguém
Ainda namora às escondidas da mãe
Enquanto diz que não tem medo
De nada nem ninguém

Vai, dança até ser dia
Que a vida são dois dias
E tu vais ser alguém
Igual à tua mãe
Um olho na novela
E o outro na panela
Um dia vais ser tão Dona Laura como ela

Olha a Laurinha toda cheia de cidade
Sem ter idade para sequer votar na junta daqui
Sempre que a chamam ao quadro desatina e nada diz
Mas bem que opina sobre o estado a que chegou o país
Olha a Laurinha lá vai cheia de prestígio
Nenhum vestígio da miúda outrora santa e singela
E a mãe dela fica a vê-la da janela
Ainda se lembra bem do tempo em que a Laurinha era ela

A fumar às escondidas do pai com o dinheiro que alguém
Subtraiu da carteira da mãe
Enquanto diz ao mundo que ainda há-de vê-la ser alguém

Vai, canta até ser dia
Que a vida são dois dias
E tu vais ser alguém
Que é tal e qual a mãe
Um olho na novela
O outro na panela
Um dia vais ser tão Dona Laura como ela

Aproveita agora
Que há-de chegar a hora
Que não poupa ninguém
Vais ser igual à tua mãe
A filha pela trela
Repete-se a novela
Um dia vais ser tão Dona Laura como ela




Etiqueta principal: Música.
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27 de setembro de 2018

Parva que Sou — Deolinda


Parva que Sou — Deolinda no Coliseu dos Recreios 2011


Parva que Sou — Deolinda no Coliseu dos Recreios 2011

Sou da geração "sem-remuneração"
E nem me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!

Porque isto está mau e vai continuar,
Já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!

E fico a pensar: que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração "casinha-dos-pais",
Se já tenho tudo, p´ra quê querer mais?
Que parva que eu sou!

Filhos, marido, estou sempre a adiar
E ainda me falta o carro pagar,
Que parva que eu sou!

E fico a pensar: que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração "vou-queixar-me-p´ra-quê?"
Há alguém bem pior do que eu na tv.
Que parva que eu sou!

Sou da geração "eu-já-não-posso-mais-que-esta-situação-dura-há-tempo-demais!"
E parva não sou!

E fico a pensar, que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar

Música e Letra: Pedro da Silva Martins
Arranjo: Deolinda 
Músicos:
Ana Bacalhau - Voz
Luís José Martins - Guitarra 
Pedro da Silva Martins - Guitarra 
Zé Pedro Leitão - Contrabaixo
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Versão dos Homens da Luta


😛 😜 😝 😆 🤣

Obrigado Deolinda, pá!!!



Eiqueta principal: Música.
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