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23 de outubro de 2020

O PS está no poder?


um artigo seguido de um comentário




Um país sem Governo onde o PS está no poder

    Se tivesse de definir a situação política do país, diria:
        Portugal é um país sem Governo onde o Partido Socialista está no poder.

Por Rui Ramos no Observador a 23 de Outubro de 2020, às 01:56.

Há semanas que nas tendas do regime a oligarquia negoceia o orçamento de Estado para 2021. Como é costume, a imprensa acompanha o cozinhado. Não sei, porém, se alguém está a prestar muita atenção. Por causa da epidemia, sem dúvida: com o país à espera de alguma espécie de novo confinamento, a quem pode fascinar o baile parlamentar sobre o Orçamento? Mas também porque ninguém leva muito a sério o drama que António Costa e os seus parceiros tentam inventar para concorrer com o noticiário do Covid. Quem vai aprovar o Orçamento na generalidade? O PSD já disse que não, o PCP e o BE ainda não disseram que sim. O Orçamento pode chumbar, o governo demitir-se? Ninguém o espera, ninguém acredita, a ninguém dá jeito. Em Portugal, a geringonça criou desde 2015 um ambiente político em que a crise governativa é permanente, mas sem desenlace.

A dança orçamental pode ser reduzida, como por vezes faz a imprensa, a embates sobre este ou aquele item muito específico. Ninguém também leva esses detalhes muito a sério. O que está em causa, para todos, não é isto ou aquilo, mas a figura que vão fazer no retrato final. Para que o governo continue, convém que o Orçamento seja aprovado. Mas todos os partidos, incluindo os da chamada geringonça, prefeririam que fossem os outros a aprovar o Orçamento. É que o ponto do bailado orçamental é, mais do que a oportunidade de reclamar créditos por mais alguns euros nas pensões ou nos salários, escapar a responsabilidades. Ninguém quer que este Orçamento pareça ser seu. Para o Partido Socialista, por exemplo, a “contenção” é de Bruxelas, e o “despesismo” dos seus parceiros. O Orçamento deveria definir um Governo, enquanto responsabilidade pelo que existe, e direcção para o futuro. Mas é a isto que o Partido Socialista sempre tentou fugir.

Para perceber o que está a ocorrer em Portugal, temos de distinguir entre poder e Governo. Já falei disto em artigo anterior, mas convirá talvez desenvolver o tema. Designemos por poder o exercício do mando a partir das estruturas do Estado. Chamemos Governo, não ao funcionamento dos ministérios, mas a um centro de responsabilidade e de direcção no Estado. Poder e Governo não são a mesma coisa. O poder é difuso, informal e por vezes difícil de definir; tende a não ser transparente, e nunca é responsável. O Governo é público, legal, definido; está sujeito a escrutínio e à vontade dos eleitores ou dos parlamentares. Um Governo pode mudar com umas eleições ou uma coligação na assembleia. O poder pode ou não. No nosso regime, os oligarcas desejam naturalmente o poder: o mando exercido a partir do Estado, que lhes dá influência, e traz benefícios. Mas só aceitam o Governo na medida em que lhes der acesso ao poder. A responsabilidade e a direcção que deveriam vir com o Governo – isso dispensam. E quando não o podem fazer, como tem acontecido em situações financeiras difíceis onde a UE impõe direcção e exige responsabilidades, ei-los prontos para largar o Governo, como Guterres em 2001-2002, aproveitando as autárquicas, depois do alarme sobre o défice.

Se tivesse de definir a situação política do país, diria: Portugal é um país sem Governo onde o Partido Socialista está no poder. O poder é, há mais de duas décadas, do PS. Mas nunca o PS quis responsabilidades e teve uma direcção. Com o PS, nunca mais, nesse sentido, houve Governo em Portugal. Houve Governo no tempo de Cavaco Silva: havia um responsável, o primeiro-ministro, e havia uma orientação, que era a do reformismo modernizador. Houve até Governo, apesar da troika, no tempo de Passos Coelho, como se viu em 2013, quando, perante o colapso  e a deserção dos seus principais ministros, Passos Coelho, sozinho, aguentou a governação. Com o PS, deixou de haver Governo. A determinação do PS em dominar o Estado e a partir daí controlar a sociedade foi sempre forte. Mas nunca lhe conveio escolher claramente entre as duas grandes concepções do Estado e da sociedade (a liberal e e a estatista), e descartou sempre responsabilidades: aquilo que precisamente define um Governo.  António Costa é já o exemplo proverbial dessa evasão governativa: de nada é responsável, dos incêndios de Pedrogão aos roubos de Tancos; quanto a uma direcção, nunca ninguém a percebeu, nem ele quis que se percebesse: as mesmas promessas, como a de pôr o Porto a 1h15 de Lisboa, são repetidas regularmente há mais de vinte anos, para que a imprensa subsidiada faça as mesmas manchetes e crie a impressão de que, não tendo avançado, é agora que vamos avançar. O que há e houve sempre com António Costa foi uma ocupação meticulosa do Estado e das suas instituições, como se viu na Procuradoria Geral da República ou no Tribunal de Contas. Com José Sócrates, houve uma conspiração do poder, o que não é o mesmo que um Governo.

É paradoxal. Nunca o Estado pesou tanto, quer pelo rendimento de que priva as famílias, quer pela interferência na vida de cada um. Muita gente, a esse respeito, se queixa de “autoritarismo”. Mas nunca o Estado teve menos Governo, no sentido de um centro de responsabilidade e uma direcção.

O que podemos deduzir de tudo isto? O Partido Socialista manda, e sabe mandar. Mas o PS e as esquerdas que agora o apoiam não estão em condições de governar o país. Até certo ponto, porque estão divididas entre si. Mas sobretudo, porque o seu mando não é compatível com o que é necessário fazer para a sociedade respirar e funcionar: limitar a dimensão do Estado. O governo de António Costa só existiu e só continua a existir para evitar o único Governo que Portugal poderia ter, no sentido de um foco de decisão e de rumo, que é um Governo reformista, necessariamente assente na maioria e na coligação dos partidos da direita parlamentar, PSD, CDS, e, provavelmente, Chega. Ninguém sabe quando esse Governo poderá surgir, mas já muita gente percebeu o que tem a fazer: desmontar o poder socialista como condição prévia de todas as outras reformas.



O PS está no poder?


O PS manda?

Não.

O PS obedece.

Logo não está no poder.

O poder não está no PS, nem sequer em Portugal, enquanto não o reconhecermos não encontraremos a saída.









Etiqueta principal: Crise 21 - Portugal.

22 de junho de 2020

Corrupção e Democracia


Vilipendiar a Corrupção
e
Enaltecer a Democracia
é
Ignorância ou Hipocrisia



A Democracia é 
  • o governo dos acordos, 
  • o governo dos negócios, 
  • o governo do toma-lá-dá-cá, 
  • o governo dos comerciantes e dos banqueiros, 
  • o governo daqueles que têm no “ganho” a primeira prioridade.



Nas Democracias Ocidentais tudo se compra, tudo se vende, e quem não tem algo para vender, ou dinheiro para comprar, está fora dos mercados, não existe.



Digo isto com algum desgôsto …

Fiquei contente com o 25 de Abril de 1974 (25A), tal como todos os da minha geração, íamos – finalmente! – poder participar no governo da república , tudo iria deixar de ser “só como eles queriam”, nós teríamos uma “palavra a dizer”.

Ó ilusões da juventude …



Dizem-nos que temos mais liberdade de expressão do que antes do 25A … – mentira! – tal como então não podemos tocar nos “assuntos tabú”.

Dizem-nos que temos mais liberdade política do que antes do 25A … – mentira! – tal como então podemos plebiscitar “os escolhidos”.

Mas, ao contrário do que acontecia antes do 25 de Abril, não sabemos quem manda, quem “realmente manda”, pelo que corremos um risco que então não corriamos, o risco de pisar, inadvertidamente, “o risco”.



E este desabafo vai-me custar, como é hábito, o ser etiquetado de “comunista”, por uns, de “fascista”, por outros, ou, talvez, quem sabe, de “populista”, “putinista”,  “racista”, “trumpista”, etiquetas hoje bem mais na moda.




Fonte da imagem






Etiqueta principal: Corrupção.
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12 de janeiro de 2020

Ventos de Espanha

Publicado a 19/11/2015. Recuperado a 19/11/2015.

O 18 de Brumário de Louis Bonaparte

Karl Marx


Capitulo I


Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa. Caussidière por DantonLouis Blanc por Robespierre, a Montanha de 1845-1851 pela Montanha de 1793-1795(N7), o sobrinho pelo tio. E a mesma caricatura ocorre nas circunstâncias que acompanham a segunda edição do Dezoito Brumário!(N8)
inO 18 de Brumário de Louis Bonaparte”. Karl Marx. Arquivo marxista na Internet. Inclusão 17/11/2008. Última alteração 17/06/2009. Recuperação 12/01/2020.






Publicado a 25/03/2016. Recuperado a 12/01/2020.


O albergue espanhol

Manuel Villaverde Cabral

Os ingredientes do brutal confronto de 1936-39 estão todos reunidos: o nacionalismo centralista e os independentismos; os pobres e os ricos a representar o bem e o mal; e as retóricas da religião vs comunismo

no Observador a 10 jan 2020, 19:51


Ao cabo de vários anos e apesar de ter perdido votos em relação às eleições anteriores, o ambicioso líder do Partido Socialista Operário Espanhol-PSOE, Pedro Sánchez, parece ter conseguido uma engenhosa maioria parlamentar graças à cumplicidade do Podemos, que nunca desistira de assediar o PSOE, embora também tenha perdido votos desde as anteriores eleições. Em vez de o PSOE se aliar ao Partido Popular, formando uma base centrista claramente maioritária (120+88=208 deputados em 350), Sánchez e Iglésias, líder do Podemos, só conseguiram uma maioria relativa de 165 deputados que se fica dependente da preocupante «abstenção» dos independentistas catalães do histórico partido da Esquerda Republicana Catalã (ERC).
Sánchez sabe que o governo que se propõe formar está preso por cordéis e que, neste momento, já terá provavelmente perdido votos, além de mobilizar os partidos da direita contra o PSOE. Com efeito, a investidura foi garantida com apenas 165 votos a favor, provenientes do PSOE (120), Podemos (35), Más País (antiga fracção de Podemos liderada por Iñigo Errejón) e uma série de pequenos partidos regionais, como o PNV (basco) e Compromís (catalanistas liderados pela presidente da câmara de Barcelona, Ada Colau), assim como Nueva Canarias, BNG (galego) e Teruel Existe. Dito isso, o governo depende na realidade da abstenção decisiva de 13 deputados catalães (ERC) e 5 da esquerda basca (Bildu).
Ao contrário de algumas interpretações recentes no jornal «Público», a laboriosa aliança em vias de se concretizar em Espanha, embora tenha procurado imitar a fachada social e o «politicamente correcto» da «geringonça» portuguesa, pouco tem que ver com a nossa, excepto na mesma insaciável vontade de poder com tudo o que isto significa, como os portugueses já conhecem da propaganda e dos abusos do PS.
Em contrapartida, um outro autor parece não se dar conta que o fantasma da guerra de Espanha, que ele próprio evoca, é uma ameaça grave, no mínimo simbólica, à estabilidade do governo, bem como à integridade territorial do país posta em causa pelos independentistas. Com efeito, um governo dividido ao meio frente à questão territorial constitui uma receita óbvia para acicatar os fantasmas da guerra civil, incluindo a questão religiosa, como demonstra aliás a obrigatória alusão a «uma maior separação entre Igreja e Estado»!
Ora, o que acontece, tanto no plano territorial como no plano partidário, é que o governo Sánchez, a meio caminho entre o tecnocrático e o ideológico, reproduz as «causas» de uma esquerda frustrada, que perdeu à nascença a capacidade de gerir os conflitos territoriais bem como as questões sociais, nomeadamente no seio da UE. Se Portugal teve de esperar até 1985 que a Comunidade chegasse ao termo das negociações com Espanha para nós podermos aderir também à Europa em busca de protecção contra as nossas divisões internas, agora é a Espanha que se encontra nessa situação.
No primeiro referendo da Constituição espanhola, cujo equivalente nós nunca tivemos oportunidade de votar, os Catalães foram os que mais aderiram ao traçado territorial federalizante da Constituição, traço que o nosso sistema nunca teve! No plano das verbas distribuídas às autarquias, Portugal é o que menos recursos transfere para a periferia e Espanha a que mais transfere.
Ao contrário do que espera o autor do primeiro artigo citado, são tudo menos «bons ventos» que de lá virão. O autor calcula que a constante pressão populista do partido liderado pelo marido e pela esposa – estou a referir-me ao Podemos, que vai ter os dois como ministros – desestabilizará permanentemente o PSOE, que não possui parada para a desvergonha do Podemos… Em compensação, hoje é evidente que António Costa e a sua multidão de colaboradores estão preparados para lidar com as débeis pressões dos «esquerdistas», incluindo o PCP. Já não é surpresa que Louçã e os seus pupilos vendam a alma por um lugar no Conselho de Estado e uma vice-presidência do Banco de Portugal. Em contrapartida, o PCP ainda possui um resto de autonomia com que terá de se defender contra a aliança populista.
Em contrapartida, suspeito que o PSOE, devido às suas raízes debilitadas nas classes sociais mais baixas e a sua entrega a uma nova classe média diplomada antifranquista, terá enormes dificuldades em lidar com a desfaçatez do Podemos. A ser assim, a artificial ponte que Sánchez e Iglésias tentarão lançar à maneira do PS lusitano terá poucas «chances» de ir por diante. Numa procela ibérica no seio da UE, a Espanha valerá sempre qualquer coisa como dez ou mais «portugais»…
Entretanto, se todos nos recusamos a imaginar outra «guerra de Espanha», nem por isso deixam os ingredientes do brutal confronto de 1936-39 de estar todos reunidos frente a frente: o nacionalismo centralista e os nacionalismos independentistas; os pobres e os ricos a representar o bem e o mal; e as antigas retóricas da religião vs comunismo!
O artigo tem Comentários dos leitores.
inO albergue espanhol”. Manuel Villaverde Cabral  Observador. Publicado a 10 jan 2020, 19:51. Recuperado a 12 jan 2020, 17:31.





atendendo a que da primeira vez foi uma tragédia
esperemos que Karl Marx tenha tido razão na sua previsão
e de que da segunda vez nos fiquemos pela farsa





Etiqueta principal: Política Ibérica. 
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11 de janeiro de 2020

Universidades, Propinas, Demagogia e Pré-salário

Os imponentes prédios da Universidade de Coimbra
são considerados Patrimônio da Humanidade pela UNESCO
Foto: Divulgação



Lendo ontem o diário Público de ontem, dia 10 de Janeiro de 2020, deparei-me com um artigo de opinião cujo título é “Menos 200 euros de propina não ajuda os pobres” e cujo primeiro parágrafo reza o seguinte, cito:
O governo vai voltar a reduzir a propina máxima de licenciatura, dos 871 euros do ano letivo 2019/20 para 697 euros, medida que agrada ao Bloco de Esquerda, que defende a abolição das propinas para reduzir as desigualdades socioeconómicas no acesso. O objetivo é estimável, mas é improvável que reduzir (ou mesmo abolir) as propinas sirva para alguma coisa.
Como o artigo é de conteúdo exclusivo para os assinantes transcrevê-lo-ei no fim, após os comentários que vou fazer.



Quem nunca foi estudante (universitário) tem tendência a pensar (terá?) que a vida de um estudante (universitário) é estudar, estudar!
x
Estudar e pagar as propinas. Estudar e pagar as propinas!
x
Estudar, estudar!


Só que não é !!!

Um estudante (universitário) tem de dormir, tem de comer, tem de se vestir, tem de se deslocar, tem de comprar material escolar (cadernos, canetas, computador, etc.), tem de comprar livros (nem pensem que as bibliotecas universitárias têm livros de estudo que cheguem para todos os estudantes!), tem de ir a casa ao fim-de-semana (os Portugueses, Angolanos, Brasileiros Chineses etc., não, pelas razões óbvias) e, finalmente, tem de arejar-a-cabeça não vá ela fundir.

E tudo isso custa dinheiro.

Custa muito dinheiro, muito mais do que os 871 euros anuais da propina máxima do actual ano letivo. Muito mais!

Aluna Chinesa
de capa-e-batina
na Via Latina
Para o caso de alguém ter dúvidas suponhamos que é possível um estudante (universitário) alugar um quarto por cem euros mensais e comer por dez euros diários. Não é, mas suponhamos.

Façamos então as contas:
  • Quarto: Doze vezes 100€ dá 1.200€ (mil e duzentos euros).
  • Comida: Trezentas e sessenta e cinco vezes 10€ dá 3.650€ (três mil e seiscentos e cinquenta euros).
  • Propina: Uma vez 871€ dá 871€ (oitocentos e setenta e um euros).
  • Total: 5.721€ (cinco mil e setecentos e vinte e um euros) anuais, representando a propina pouco mais do que 15,22% do total.

E só entrámos com o quarto, a comida e a propina, falta tudo o resto!

Note-se que, fosse a propina nula, zero euros, a despesa anual com o quarto e a comida seria de 4.850€ (quatro mil e oitocentos e cinquenta euros), fora tudo o resto, friso.

A conclusão é, parece-me, óbvia: 
Um jovem entre os 18 e os 24 anos de idade não deixa de frequentar a universidade por causa de uma propina no valor de 871€ (oitocentos e setenta e um euros).

E desta conclusão deriva outra, que também me parece óbvia:
A “Guerra das Propinas” é demagogia pura.



Foto aérea da Cidade Universitária de Coimbra e Instalações Académicas.
Foto de Varela Pècurto.
Fonte: Imagoteca da Câmara Municipal de Coimbra.

No longínquo ano lectivo de 1964/65, o meu primeiro ano de Coimbra, do que se falava era do pré-salário.

Toda a “esquerda” defendia o pré-salário”!

E o que era o pré-salário?

pré-salárioera um estipêndio, uma remuneração, um salário, a que os jovens trabalhadores intelectuais” (os estudantes universitários) tinham direito pelo facto de trabalharem, de estudarem, devendo o Estado pagar-lhe esse salário, esse pré-salário.
Não às bolsas!
Não às esmolas!
Não à caridadesinha!
Sim ao pré-salário! 
À justa remuneração dos jovens trabalhadores intelectuais!
Concordemos ou discordemos com a classificação dos estudantes universitários como “jovens trabalhadores intelectuais” o facto é que o “pré-salário” fazia algum sentido, a “redução da propina” não faz sentido algum. E a “anulação da propina” também não faz sentido algum.

Nem a redução nem a anulação da propina fazem sentido algum porque nem uma nem outra resolvem o problema que é suposto resolverem: A dificuldade que os jovens pobres têm em aceder às, e em frequentar as, universidades.



Reflexo.

Uma última nota antes de transcrever o artigo de Susana Peralta, Professora Associada da Nova SBE:
  • Levar para a universidade “jovens pobres” só porque são “jovens pobres” não faz o menor sentido..
  • O que faz sentido é levar para a universidade “jovens com capacidade e com vontade”, sejam eles “pobres”, “remediados” ou “ricos”.
  • Logo o que se deve fazer é tentar evitar que jovens com capacidade e com vontade não possam ir tão longe quanto podem e querem ir por não terem meios económico-financeiros para o fazerem.



Jovem procura quarto em Lisboa e a situação é complicada.

Menos 200 euros de propina não ajuda os pobres

O objetivo é estimável, mas é improvável que reduzir (ou mesmo abolir) as propinas sirva para alguma coisa.

Por Susana Peralta no Público a 10 de Janeiro de 2020, às 06:20

O governo vai voltar a reduzir a propina máxima de licenciatura, dos 871 euros do ano letivo 2019/20 para 697 euros, medida que agrada ao Bloco de Esquerda, que defende a abolição das propinas para reduzir as desigualdades socioeconómicas no acesso. O objetivo é estimável, mas é improvável que reduzir (ou mesmo abolir) as propinas sirva para alguma coisa.

O acesso ao ensino superior em Portugal tem dois problemas. Chega a poucas pessoas e deixa de fora os mais pobres. O Education at a Glance de 2019 relembra-nos que apenas 25% dos adultos entre 25 e 64 anos de idade completaram o ensino superior, muito abaixo da média da OCDE de 40%. Como não temos informação para analisar a desigualdade de acesso com base no rendimento das famílias, os relatórios existentes socorrem-se da educação dos pais e da percentagem de bolseiros. O Education at a Glance de 2018 diz-nos que os jovens entre os 18 e os 24 anos que têm pelo menos um progenitor com diploma universitário ocupam 40% dos lugares nas universidades, quando representam apenas 20% dessa camada etária na população do país. Um relatório recente da Edulog – Fundação Belmiro de Azevedo mostra que os menos favorecidos que chegam ao ensino superior têm acesso a escolas e cursos de menor prestígio (com o correspondente salário mais baixo no futuro) do que os jovens de famílias mais abonadas.

Mas serão as propinas o principal entrave à equidade de acesso ao ensino superior? É pouco provável. Mesmo se as barreiras monetárias fossem as mais importantes, o valor do alojamento, livros, material escolar e informático relegam a diminuição das propinas para a categoria do irrisório. Isto sem contar o custo mais elevado de todos, que é a perda do salário que se pode ganhar ingressando mais cedo no mercado de trabalho. Por outro lado, sabemos, graças ao estudo da FFMS da autoria de Hugo Figueiredo, Miguel Portela, Carla Sá, João Cerejeira, André Almeida e Diogo Lourenço, que a melhoria salarial depende hoje mais do mestrado do que da licenciatura. Portugal optou por não regular as propinas de mestrado, contrariamente à maior parte dos restantes países da UE, e por isso um mestrado pode custar hoje perto de dez mil euros. Então, que diferença fazem estes 200 euros da propina de licenciatura?

Um outro estudo recente, da University College of London, mostra que a introdução de propinas no Reino Unido em 1988 não teve impacto na desigualdade de acesso, devido ao aumento simultâneo das bolsas. A importância de programas de bolsas e empréstimos bem geridos e generosos resulta em vários estudos como o fator mais importante para promover a equidade de acesso. Já agora: a maior parte destes estudos analisa países onde as propinas são mais elevadas do que as portuguesas, mesmo ajustando para o poder de compra.

Mas nem tudo são barreiras monetárias. As desigualdades de percurso têm origem logo nos primeiros anos de vida, antes da idade pré-escolar e mesmo do nascimento. Por exemplo, o artigo “Long-Run Impacts of Childhood Access to the Safety Net”, publicado em 2016 na American Economic Review, estuda os chamados food vouchers, que são vales que as famílias podem gastar em comida, em mercearias e supermercados, introduzidos progressivamente no território dos EUA entre 1962 e 1975, durante a “Guerra à Pobreza” do Presidente Johnson. Os autores do artigo conseguiram ligar informação sobre os adultos atuais com a freguesia em que viviam enquanto crianças e durante a gravidez das suas mães e concluem que as pessoas cujos inícios de vida (dentro e fora do útero) aconteceu em locais onde havia food vouchers têm melhor saúde e mais auto-suficiência económica.

Já não vou falar do facto de em Portugal não haver um programa integrado de apoio à primeira infância, mas mesmo na face mais evidente de uma tal política, que é a das creches de qualidade, estamos mal. Sabemos que a creche é crítica sobretudo para os filhos de mães menos educadas: ora, em Portugal as crianças com mães educadas têm uma taxa de inscrição em creches 17 pontos percentuais acima das restantes (ainda segundo a OCDE). Creches públicas e gratuitas continuam a ser uma miragem. Quanto ao pré-escolar, ainda não há cobertura nacional para todas as crianças a partir dos três anos.

O próprio sistema de seleção no acesso à universidade cria desigualdades fenomenais. Já não é surpresa para ninguém que os rankings do ensino secundário têm por detrás disparidades socioeconómicas, tanto entre escolas privadas e públicas como entre escolas públicas de bairros caros (onde vivem os privilegiados) e as outras, dos bairros remediados e pobres. E depois há essa indústria obscura, sem qualquer escrutínio, que são as explicações. Não é difícil imaginar que impacto têm nos rankings e no sucesso dos jovens cujas famílias podem pagar esse pequeno empurrão no acesso ao ensino superior. O artigo “The effect of abolishing university tuition costs: evidence from Ireland”, publicado no Journal of Labor Economics em 2014, mostra que abolir propinas não melhorou o acesso dos jovens menos privilegiados devido – precisamente! – às desigualdade no ensino secundário.

O mais trágico de tudo isto é que ao fim de 30 anos nunca houve uma avaliação rigorosa do impacto das propinas. No Reino Unido, por exemplo, Theresa May nomeou um painel de especialistas independente que durante um ano e meio estudou o financiamento do ensino superior. Por aqui, legisla-se às escuras. Sendo improvável que as propinas mais baixas levem mais estudantes pobres ou remediados à universidade, então esta redução é um presente para os filhos de ricos que lá chegam. Será isto que queremos?

A autora escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

Professora de Economia na Nova SBE

O artigo tem comentários dos leitores.





Fontes das Figuras
  1. Universidade de Coimbra abre suas portas para estudantes brasileiros”. Universidade de Coimbra. O Globo. Publicado em 16/01/2017 - 15:36 / Atualizado em 17/01/2017 - 14:49. Recuperado em 10/01/2020 - 18:45.
  2. Vida de estudante: você está preparado?”. João Lopes. Blog Anchieta. Publicado em 06-12-2018 - 09:00. Recuperado em 10-01-2018 - 19:02.
  3. Universidade de Coimbra acena à China em português”. Sandra Mesquita Ferreira (Texto) e Gonçalo Manuel Martins (Fotos). Revista Macau. Publicado em 2015-06-15. Recuperado em 2018-01-10 - 20:54.
  4. Coimbra e o valor identitário da retórica do Estado Novo”. Susana Constantino. ResearchGate. Published on February 01, 2018. Retrieved on January 11, 2020, at 11:43. 
  5. “Doutor Pobre”, a desgraca social que a crise agrava”. Fernando Brito. Tijolaço. Publicado em 18-06-2019. Recuperado em 11-01-2018 - 12:58.
  6. A saga de encontrar um quarto em Lisboa a preços “normais””. Catarina Reis, Diário de Notícias. Publicado em 11 Agosto 2018 - 00:00. Recuperado em 10 Janeiro 2018 - 23:01.



Etiqueta principal: Política Universitária.
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28 de setembro de 2019

Trancos, perdão Tancos! da nossa vida

Ilustração do artigo de José Pacheco Pereira.


Sobre o tema em epígrafe reproduzo os artigos de Vasco Pulido Valente e José Pacheco Pereira, dois conhecidos e notórios arqui-fascistas, dados à estampa no jornal PÚBLICO, um conhecido e notório diário arqui-reaccionário, no dia 28 de Setembro de 2019 E.C. (Era Comum, já não se diz d. C.).


Vivemos tempos interessantes 😎



Diário

Como é que o primeiro-ministro não sabia de nada sobre Tancos, pergunta o jornalismo sobressaltado. Muito simples: ninguém vai confessar ao patrão que é um idiota, sobretudo quando se arrisca a ser pública e vergonhosamente despedido.

Por Vasco Pulido Valente no Público a 28 de Setembro de 2019, às 05:20 GMT+01.

22 de Setembro

A campanha eleitoral tem sido muito mansa, e seria ainda mais mansa se esse génio da política chamado Costa tivesse percebido que ganhava mais em estar sossegado em São Bento do que em vir para a rua na sua persona de militante do PS juvenil.

Mesmo nos debates devia ter conservado o recato. As zaragatas com Catarina Martins, e mesmo com Rui Rio, não lhe acrescentam nada e diminuem-no sempre. E as insinuações sobre “herdades no Alentejo” para embaraçar Cristas não são dignas dele.

O que o nosso Costa aparentemente não percebeu é que ninguém no seu são juízo irá entregar o país a Rui Rio, Catarina Martins, Jerónimo de Sousa ou Assunção Cristas. Bastava-lhe estar quieto. Mexeu-se, estragou.

23 de Setembro

Era bem feito que o planeta explodisse e atirasse com a menina Greta para Saturno a ver se ela aprendia a não faltar à escola.

24 de Setembro

António Costa disse na televisão que as coisas que mais o irritavam eram a estupidez e a mentira. Concordo inteiramente com ele. O meu avô costumava avisar: “O pior na vida não são os maus, são os estúpidos.”

25 de Setembro

Marcelo Rebelo de Sousa jurou em Nova Iorque, citando Nixon, “I’m not a crook”. Já sabíamos.

25 de Setembro à noite

Sessão ululante em Westminster. Boris Johnson, muito insultado, apresenta-se como mandatário da vontade do povo tal como foi expressa no referendo de 2016; a Câmara dos Comuns não reconhece nenhuma soberania superior à sua. É uma conversa de surdos, agravada pela intromissão do poder judicial em assuntos intrinsecamente políticos, e pelo facto do Partido Trabalhista recusar eleições, com medo de as perder.

Os partidários da União Europeia conseguem impedir o “Brexit” de se consumar, mas, fora isso, não sabem o que querem. Johnson não consegue o “Brexit”, e não tem maioria para governar, nem a pode pedir em novas eleições. E hoje nem sequer está seguro do seu próprio partido. Tudo continua encrencado.

26 de Setembro

Os nossos directores de consciência andam sempre a proclamar que detestam a judicialização da política, mas, quando aparece uma pequena oportunidade, agarram-se de unhas e dentes ao que antigamente os jornais do Estado Novo intitulavam, com todo o pudor, “Casos Crapulosos”. Não me interesso nada pela história de polícias e ladrões em que se tornou o roubo de Tancos. É, simplesmente, a história de um advogado de província, que António Costa nomeou ministro da Defesa. Deu para o torto, como devia dar. Só que, pelo caminho, levantou um problema grave: as relações entre o poder militar e o poder civil. Ficámos a saber que o dr. Azeredo Lopes desmaia perante uma farda. Isto, em si mesmo, já é péssimo, principalmente porque sugere uma pergunta fatal: quem mais desmaia ou desmaiou perante uma farda nos dias que vão correndo?

26 de Setembro à noite

Como é que o primeiro-ministro não sabia de nada, pergunta o jornalismo sobressaltado. Muito simples: ninguém vai confessar ao patrão que é um idiota, sobretudo quando se arrisca a ser pública e vergonhosamente despedido.

27 de Setembro

Para minha surpresa, a esquerda correu em socorro da menina Greta que passou a ser a vítima dos “negacionistas”. Concordo, entendendo por “negacionistas” os que se negam usar uma adolescente para os seus propósitos.





Ilustração do artigo 
Ana Henriques e Ana Dias Cordeiro. Público. 27 de Setembro de 2019, às 06:36 GMT+01.

Eu não percebo nada desta história de Tancos

Algumas declarações do ministro ou do primeiro-ministro tornam-se hoje demasiado suspeitas quando colocadas no contexto dos eventos que hoje conhecemos.

Por José Pacheco Pereira no Público a 28 de Setembro de 2019, às 06:00 GMT+01.

Na origem parece ter estado um roubo vulgar, mesmo que o que foi roubado seja invulgar – armas. Mas as armas têm grande valor, pelo que roubá-las tem sentido para um ladrão. A motivação está explicada: dinheiro.

Até aqui percebe-se, depois não se percebe nada. Como foi possível fazer uma operação de encobrimento do roubo através de uma fictícia “descoberta” das armas, envolvendo os mais altos responsáveis políticos, chefias militares das Forças Armadas e da GNR, os responsáveis pela Polícia Judiciária Militar (PJM), comprometendo dezenas de pessoas com altos cargos militares e públicos do Norte ao Sul do país? É aqui que não percebo, porque nenhuma hipótese é suficientemente plausível.

Vejamos que hipóteses existem.

A primeira e mais simples é que aquilo que motivou o roubo tenha sido o mesmo que envolveu toda esta gente: dinheiro. Apesar de ser a hipótese mais simples, nada aponta nesse sentido. A motivação do dinheiro parece ter ficado apenas nos autores do roubo, o que torna mais difícil explicar o encobrimento.

A segunda hipótese é a de que a operação do encobrimento destinar-se-ia a ajudar as chefias militares, em particular da PJM, a remendarem a má fama de terem permitido o roubo e não terem conseguido em tempo útil prender os ladrões. Recuperando o material lavariam parte da sua honra e revelariam capacidade de investigação, na competição com a PJ civil. Pode ser, mas, mesmo assim, por que razão este objectivo não era cumprido pela prisão dos autores do roubo e subsequente recuperação do material? Que poder tinham os ladrões, que já eram conhecidos da PJM, para obter o anonimato e portanto escapar à prisão, exigindo não ser detidos em troca da “descoberta” das armas? Que sentido tinha protegê-los, que, no fundo, era o principal resultado do encobrimento, para além da recuperação das armas? Presos pela PJM, era só uma questão de tempo até se descobrirem as armas, que não são propriamente coisas fáceis de esconder e andar a carregar de um lado para outro. Não se percebe.

A terceira hipótese, que é uma extensão da segunda, tem a ver com a explicação que teve que ser dada a todos os que colaboraram no encobrimento. Não havendo motivação material, o que é que levou dois grupos de militares, todos com experiência e funções na área de investigações, um na PJM e outro na GNR de Loulé, a participarem numa operação que todos sabiam ser ilegal, e ter que ser clandestina, uma farsa encenada cujo objectivo era proteger um grupo de criminosos da prisão? O que é que uns disseram aos outros sobre o que iam fazer, sobre o que podiam ou não dizer, sobre o objectivo de uma operação complexa envolvendo meios e homens? Como li apenas os excertos que a imprensa publicou, pode ser que no processo esteja a resposta, mas esta é uma questão crucial.

A quarta hipótese é uma extensão das duas anteriores, para o terreno dos responsáveis políticos. É muito pouco plausível que não houvesse informação do que se passava para o ministro da Defesa. E tendo chegado a este, muito difícil que não tenha chegado ao primeiro-ministro e, em determinadas circunstâncias, ao Presidente da República. Este último elo é hipotético, dependendo daquilo que cada um estava a dizer ao outro sobre a natureza da operação do encobrimento. Como é que ela era descrita, quais os objectivos que lhe eram atribuídos? E mais ainda: quem disse a verdade, quem “interpretou” o acontecido, quem racionalizou a operação? Não estou a ver ninguém a dizer para cima que se ia proteger os ladrões para recuperar as armas, até porque isso era um crime sem ambiguidades. Devia haver “explicações” mais sofisticadas. Por exemplo, que se tratava de uma operação secreta qualquer que tinha que ficar coberta pelo segredo de Estado, o que justificaria a obrigação de mentir no Parlamento. Intelectuais cujo conhecimento do mundo operacional vem dos filmes de espionagem, e que subitamente se vêem a lidar com militares, são particularmente manipuláveis. Se soubermos isso, percebemos um pouco mais.

A quinta hipótese vem da explicação que avança o Ministério Público de que o encobrimento ajudava o Governo a melhorar a imagem afectada pelo roubo, no contexto dos incêndios. Para além da estranheza de ver o Ministério Público a fazer análise política, esta “explicação”, que não é implausível, implica que a decisão de aceitar o encobrimento envolveu o Governo, ou seja, pelo menos o ministro da Defesa e o primeiro-ministro. Se o ministro da Defesa pode ter sido ingénuo e manipulado pelos militares de que o encobrimento servia um propósito de Estado, maior do que salvar os criminosos ou a honra da PJM, o primeiro-ministro é tudo menos ingénuo. Portanto, não sendo impossível que esta tenha sido uma motivação profunda, mesmo sem ser explicitada, a consciência dos enormes riscos do encobrimento era já então mais que evidente visto que o assunto era “quente” na opinião pública, e com tanta gente envolvida, nenhum segredo podia ser mantido. Por isso, parece-me imprudência a mais, mas se foi assim, seja por ingenuidade, seja por negligência, seja por sentimento de impunidade, todo o peso da justiça deve cair em cima dos responsáveis políticos.

Há uma sexta hipótese, a de que se trataria de uma operação destinada a comprometer os responsáveis políticos, o que teria uma motivação em adversários da “geringonça” ou em inimigos do ministro. Parece-me ser uma hipótese puramente conspirativa, sem fundamento. Já outra coisa é ter havido pelo meio armadilhas para comprometer terceiros quando as coisas já não estavam sob o controle dos autores do encobrimento. Algumas versões sobre quem disse o quê a quem, incluindo o “papagaio-mor”, podem ter tido essa função.

O que é que aconteceu? Não sei, sei cada vez menos e temo ficar sem saber. Algumas declarações estranhas quer do ministro –​ sobre a possibilidade de não ter havido roubo nenhum – ou do primeiro-ministro – de que ainda um dia saber-se-ia o que aconteceu – tornam-se hoje demasiado suspeitas quando colocadas no contexto dos eventos que hoje conhecemos. Mas este jogo de sombras está longe de ser esclarecido.



Etiqueta principal: Política à Portuguesa.
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