Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Política Portuguesa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Política Portuguesa. Mostrar todas as mensagens

31 de julho de 2021

A nossa idemocracia

Charge – Democracia


A Constituição da República Portuguesa de 1976 é uma constituição idemocrática, isto é, não democrática, porque, com excepção do Presidente da República, os eleitos não representam os cidadãos eleitores mas os dirigentes partidários.

E os dirigentes partidários representam, por sua vez, os interesses dos seus patrocinadores, patrocinadores que podem ser, e são, organizações económicas, financeiras, ideológicas, políticas, religiosas, quer nacionais e quer estrangeiras.


É mau?

É, e muito.


Pode ser corrigido?

Pode, e facilmente.


Basta que o país seja dividido em duzentos círculos uninominais, de cinquenta mil habitantes cada, e que qualquer cidadão eleitor se possa candidatar a representar os habitantes de um círculo desde que a sua declaração de candidatura seja subscrita por mil cidadãos eleitores residentes no círculo.


Este sistema acaba com os partidos?

Não.

Este sistema retira aos partidos o Monopólio da Representação Política que a Constituição da República Portuguesa de 1976 lhes ortougou.


Este sistema aproxima os eleitos dos eleitores e vice-versa?

Parece-me evidente que sim.


Este sistema torna a Constituição da República Portuguesa de 1976 mais democrática?

Parece-me evidente que sim.


Este sistema prejudica os dirigentes e quadros dos partidos políticos e quantos esperam a dar-se bem na vida por estarem nas boas graças dos ditos dirigentes e quadros dos partidos políticos?

Parece-me evidente que sim.


Isso é bom?

Parece-me evidente que sim.








Etiqueta principalIdemocracia.

27 de março de 2021

Rotativismo Democrático

 

Partido Socialista (PS) à esquerda, Partido Social-Democrata (PSD) à direita.



Prós e Contras com Arnaldo Matos - Parte 1


Prós e Contras com Arnaldo Matos - Parte 2



Passar do PS para o PSD é como passar do pé esquerdo para o pé direito.

Passar do PSD para o PS é como passar do pé direito para o pé esquerdo.


E as mãos?

As mãos? Uma lava a outra!


Uma lava a outra e ambas lavam a cara.


Perdão!

Ambas lavam as caras.


Será que não existe na política senão este corpo com duas caras?


Existem outros corpos sim.

Arnaldo de Matos e Adriano Moreira demonstram-no cabalmente.


Existem ainda mais corpos, e outros mais podem ser inventados, nada obriga os portugueses a sujeitarem-se ao corpo com uma cabeça de duas caras.










Etiqueta Principal: Rotativismo Democrático.

8 de março de 2021

Para que necessita Portugal de ter Forças Armadas?


Portugal, pouco território, muito maritório.


O mapa “Portugal é Mar”, publicado pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), o artigo “O anunciado reforço das competências do Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas”, publicado pelo Observador, o meu comentário ao dito artigo, também no Observador, e a minha resposta à pergunta em título.


o artigo

O anunciado reforço das competências do Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas

Acentuar, desta forma, a irrelevância das Forças Armadas, é manter a estratégia que tem sido seguida pelo poder político, ao evitar tratar as matérias que verdadeiramente importam.

Joaquim Formeiro Monteiro, 
Tenente General (ex-Quartel Mestre General do Exército) 
• Observador • às 00:04 de 05 de Março de 2021 

As recentes declarações do Ministro da Defesa Nacional (MDN), em sede da Comissão Parlamentar de Defesa Nacional, e divulgadas nalguns órgãos de comunicação social, revelaram o seu propósito em propor o alargamento das competências do CEMGFA no âmbito de uma nova Lei Orgânica de Bases das Forças Armadas (LOBOFA) a apresentar, brevemente, na Assembleia da República, e vieram levantar algumas questões, que importava medir e avaliar.

Na actual LOBOFA, o CEMGFA tem a responsabilidade de planeamento e implementação da estratégia militar operacional, tendo, para o efeito, os Chefes do Estado Maior dos Ramos (CEM’s) na sua dependência hierárquica para as questões que envolvem a prontidão, o emprego e a sustentação das Forças e meios da componente operacional do Sistema de Forças Nacional (SFN).

No art.º 10º da referida Lei, essas responsabilidades encontram-se explicitamente inscritas num conjunto de competências, que asseguram ao CEMGFA o comando e o controlo operacional das Forças Armadas (FA) através das capacidades operacionais dos Ramos, incluindo as missões das Forças Nacionais Destacadas, bem como as acções no âmbito da Protecção Civil.

No referido diploma, fica bem claro que os CEM’s se relacionam directamente com o CEMGFA, como Comandantes subordinados, mantendo na sua dependência as questões relacionadas com a geração, recrutamento e sustentação das Forças, bem como as responsabilidades no âmbito das operações específicas dos respectivos Ramos.

Questiona-se, então, qual o sentido das afirmações do MDN sobre o lançamento das bases do futuro das FA e o que pretende referir, concretamente, quando indica que quer colocar os CEM’s dos Ramos na dependência hierárquica do CEMGFA, quando tal disposição já está contemplada no quadro da LOBOFA em vigor?

O que pretende dizer, quando afirma não fazer sentido pensar na autonomia dos Ramos, quando, efectivamente, a subordinação dos mesmos ao CEMGFA, através dos respectivos CEM’s, já se encontra materializada no referido diploma?

Qual a sua intenção, ainda, ao referir não haver a intenção de menorizar os Ramos, indicando que os mesmos continuarão a existir e a deter uma identidade própria e vincada, enquanto propõe, entretanto, que os respectivos Estados Maiores fiquem sob a coordenação do CEMGFA e os CEM’s deixem de despachar directamente com o ministro?

O que pretende afirmar, finalmente, quando assinala que com um novo diploma sobre organização das FA se irá melhorar o processo de gestão das mesmas e acabar com as redundâncias verificadas?

Sobre este aspecto, importaria que o MDN pudesse esclarecer os Portugueses sobre quais as missões que as FA não tenham vindo a cumprir com relevância e reconhecimento, quer internamente, quer ao nível internacional, e como se questiona o processo de gestão do seu emprego, quando se assiste a uma continuada redução dos recursos atribuídos para o seu funcionamento, sem prejuízo, no entanto, da sua proficiência?

No mesmo sentido, impunha-se que indicasse quando e de que forma a coordenação entre o CEMGFA e os CEM’s não se tenha vindo a pautar, em cada momento, pela eficiência colocada nos processos de planeamento e de emprego das forças e na optimização das capacidades do SFN disponíveis, e, nesse sentido, como pode sugerir a existência de redundâncias, que, no seu entender, se impõem eliminar?

Parece concluir-se, então, que o facto da LOBOFA em vigor contemplar, já, respostas às questões que o MDN, agora, vem colocar para justificar o reforço das competências do CEMGFA, deixa transparecer o objectivo último da sua proposta, o qual se prende, na sua essência, com a desejada subalternização dos CEM’s, ao cortar a sua relação directa com a tutela, tornando-a, deste modo, exclusiva com o CEMGFA e esvaziando o papel do Conselho de Chefes de Estado Maior, ao perder a sua função deliberativa, atribuindo-lhe um mero papel consultivo.

Resta, assim, um indisfarçável propósito da menorização das FA, pela irrelevância atribuída aos Comandantes dos Ramos, ao ponto de os posicionar num patamar inferior ao das forças de segurança, cujos chefes continuarão a manter uma relação directa e privilegiada com a respectiva tutela política.

Acentuar, desta forma, a irrelevância das FA, não é mais do que manter a estratégia que tem sido seguida pelo poder político, ao evitar tratar as matérias que, verdadeiramente, importam às FA e aos militares e que passam pela drástica quebra dos efectivos, pela paralisia dos processos de reequipamento e pela sistemática suborçamentação de que são alvo, a par do não cumprimento da lei da Condição Militar, da desconstrução do Serviço de Saúde Militar, em particular do Hospital das Forças Armadas, e da pré-falência da Assistência na Doença aos Militares (ADM) e do Instituto de Acção Social das Forças Armadas (IASFA).


o meu comentário ao dito artigo

Os partidos políticos da III República temem os militares.

Do BE ao CDS-PP todos os temem porque todos receiam que os militares lhes façam o que fizeram aos políticos da I República e, também, aos da II República.

Temem os militares mas não podem extinguir as Forças Armadas (FA) por razões que ainda não compreendi.

Muito possivelmente por medo puro e simples.

Não podendo extinguir as FA tentam anulá-las e nesse esforço desconsideram os militares, o que é tudo menos avisado.

Entretanto os militares perdem-se em queixas, questiúnculas e reclamações e parecem ser incapazes de explicar ao país, políticos incluídos, para que diabo necessita Portugal de ter FA.

O resultado é assistirmos a uma lamentável troca de galhardetes entre dois grupos de incompetentes.


a minha resposta à pergunta em título

Para que necessita Portugal de ter Forças Armadas?

O Arquipélago Português.

A Terceira República Portuguesa é, actualmente e geograficamente falando, um arquipélago de três arquipélagos:

  1. O Arquipélago Madeirense, com duas ilhas habitadas e cerca de duzentos e quarenta mil habitantes.
  2. O Arquipélago Açoriense, com nove ilhas habitadas e cerca de duzentos e quarenta e sete mil habitantes.
  3. O Arquipélago Continentalense, com cerca de nove milhões e seiscentos e noventa mil habitantes e muitas ilhas, sendo as duas maiores a Ilha Lisbonense, com cerca de dois milhões e duzentos e cinquenta mil habitantes, e a Ilha Portuense, com cerca de um milhão e setecentos e cinquenta mil habitantes.

Dir-me-ão certamente que a Grande Lisboa e o Grande Porto não são ilhas porque a água não as rodeia por todos os lados, mas o facto é que o são porque quem nelas nasceu, cresceu, habita, trabalha, vive uma vida e tem uma mentalidade que em nada, ou em pouco, se distingue da vida e da mentalidade de madeirenses e micaelenses.

Tendo a geografia da Terceira República Portuguesa estas características arquipelágicas Portugal necessita Forças Armadas (FA) para poder garantir a segurança e a defesa do seu território e, principalmente, do seu maritório, um maritório que é estratégica e economicamente importantíssimo e cobiçadíssimo.

Logo, e atendendo à geografia, as FA são necessárias à garantia da:

  1. Liberdade e segurança da circulação entre os três arquipélagos.
  2. Defesa do território, isto é, das partes emersas dos três arquipélagos.
  3. Defesa do maritório, isto é, das partes imersas dos três arquipélagos (mar territorial, zona económica exclusiva, plataforma continental), um maritório que é estratégica e economicamente importantíssimo e cobiçadíssimo.

As Principais Rotas Marítimas Internacionais.

As Principais Rotas Aéreas Internacionais.

A Área Portuguesa de Pesquisa e Resgate.





19 de fevereiro de 2021

Makuta Nkondo fala, e quem fala assim não é gago!


Makuta Nkondo fala, e quem fala assim não é gago.

Tomara tivéssemos no Puto deputados que assim falassem!


Makuta Nkondo transforma 
a “assembleia num festival exótico de gargalhadas”

Tenho muito apreço, respeito, admiração e consideração pelo mais velho Makuta Nkondo. Pela sua forma clara de colocar às questões e levantar outras tão pertinentes e até mesmo arrojadas sem dobrar a sua própria língua e sem qualquer receio de meter o seu próprio dedo na ferida.

Fernando Vumby • Angola 24 Horas • Sexta, 21 Fevereiro 2020 17:59 • Original aqui

Mesmo com a situação política angolana cheia de reviravoltas, pimpas, truques, protestos e causando dores de cabeça a muitos angolanos. Este homem é o único que não perde o seu tom de Bakongo puro sem papas e língua afiada.

Apesar da situação real ser tão séria, ninguém lhe consegue tirar o seu lado humorístico, como quem já não consegue chorar e assim prefere massacrar-se a si mesmo e os outros com gargalhadas.

Será que lhe levam a sério?

Ele mesmo diz que naquela assembleia estão todos por boleia que cada um apanhou e sendo que ele, da CASA-CE. Enquanto outros ainda, os do MPLA por exemplo por trungungo, manipulações e lei da força como já nos habituaram.

O mais velho sempre que abre a sua boca raramente a assembleia nacional não se transforma numa sala de comédia, onde ele é o artista principal que anima todos. E quase mata de gargalhadas até o Nandó, já reparei várias vezes que tem sido, quem mais se ri quando o mais velho Makuta Nkondo toma a palavra.

Quando até deveriam chorar ou se suicidarem de vergonha por tanta verdade que ele lhes diz na cara, e nenhum deles o consegue contrariar de forma credível e convincente. Das duas uma, ou não o têm levado a sério ou a mensagem deixada por ele com o seu humor e sotaque de puro Bakongo, tem mesmo arrastado muitos deles para uma séria reflexão

E para não chorarem por falta de lágrimas, remorso e vergonha na cara já só preferem dar umas gargalhadas, numa assembleia habitada por uma série de pessoas e personagens política para todos os gostos.

O homem pode mesmo até falar das mentiras sobre o 4 de fevereiro.

Dos falsos nacionalistas, das guerras transformadas em fontes de lucros para alguns corruptos, ainda assim em vez de lágrimas são gargalhadas?

Continuarei



Grande Entrevista, com Makuta Nkondo

PTV Online • YouTube • 14/05/2018 e 18/05/2018

A entrevista tem três anos e nove meses mas segue sendo actual.










Etiqueta principal: Política Angolana.

25 de janeiro de 2021

Eleições Presidenciais Portuguesas de 2021

 


Nova configuração politico-partidária.

Ao centro o Centrão — PS, PPD-PSD, CDS-PP — que votou em Marcelo Rebelo de Sousa.

À esquerda do Centrão a Ala BE do PS, que votou em Ana Gomes.

À direita do Centrão um heterogéneo grupo de Descontentes com “O Estado a que Isto Chegou, que votou André Ventura.

Depois os “pequeninos”, que têm boa imprensa se vistos pelo proprietários dos meios de comunicação social como sendo “de esquerda”, mas que são isso mesmo, “pequeninos”, alguns possivelmente em vias de o virem a ser ainda mais.

Como evoluirá esta nova configuração?

Tudo depende de o Partido CHEGA se conseguir institucionalizar, conseguir eleger alguns autarcas e, também, mais alguns deputados (actualmente tem um só deputado, André Ventura).

Aguardemos.




Etiqueta principal: Política Portuguesa.

23 de janeiro de 2021

A Igualdade é Antinatural

 

Old Boys Netwk
WhatsApp Image 2021-01-22 at 23.16.43


Como não existem duas pessoas, duas pedras, duas porcas, iguais, a igualdade não é natural, tem de ser fabricada, fabricada como as porcas normalizadas o são.

Mas mesmo as porcas normalizadas, fabricadas para serem todas iguais, que à primeira vista até parecem ser todas iguais, não o são!


Porcas sextavadas DIN 934 / DIN EN ISO 4032 / DIN EN 24032


São intermutáveis, mas não são iguais.

E é por isso que A Igualdade é Antinatural.

Como a igualdade é antinatural, tendo de ser fabricada, forçada, todas as tentativas de criar Sociedades de Iguais têm resultado, num primeiro tempo, na criação de Sociedades de Desiguais com duas classes:

  1. A classe dos Iguais;
  2. A classe dos Guardiões da Igualdade da Igualdade dos Iguais;

    sendo os Iguais iguais porque os Guardiões da Igualdade da Igualdade dos Iguais os forçam a ser iguais.

    Ou seja, dito de outra maneira, todas as tentativas de criar Sociedades de Iguais têm resultado, num primeiro tempo, na criação de Sociedades de Desiguais com duas classes:

    1. A classe dos Iguais, dos Servos.
    2. A classe dos Guardiões da Igualdade dos Iguais, dos Senhores.

    Tem-se verificado que todas as tentativas de criar Sociedades de Iguais têm falhado por um dos dois seguintes processos:

    1. Os Senhores não se consideram iguais aos Servos, assumem-se como Desiguais, como Senhores, e a experiência falha.
    2. Os Senhores consideram-se iguais aos Servos assumem-se como Iguais, como Servos, a sociedade colapsa e a experiência falha.

    No primeiro caso a tentativa de criar uma Sociedade de Iguais falha mas os Desiguais dispõem dos meios necessários para garantir que a Sociedade de Desiguais que dirigem sobreviva.

    No segundo caso a tentativa de criar uma Sociedade de Iguais falha mas os Iguais não dispõem dos meios necessários para garantir que a Sociedade de Iguais que não dirigem sobreviva.





    Etiqueta principal: Bolshevismo Pós-moderno.

    25 de novembro de 2020

    Vinte e Cinco de Novembro

     

    Ramalho Eanes à nossa esquerda, Jaime Neves à nossa direita.


    Já repararam que faz hoje quarenta e cinco anos que Álvaro Cunhal desistiu de ser o Lenine Português assim evitando a Guerra Civil e a Intervenção Espanhola?

    Francisco Costa Gomes avaliou a situação militar e recomendou a Álvaro Cunhal que desistisse de ser o Lenine Português como ele, Álvaro Cunhal, e Mikhail Suslov, ambicionavam fosse.

    Álvaro Cunhal aceitou a recomendação de Francisco Costa Gomes, os Folclóricos e os Trotskistas não aceitaram, mas foram facilmente derrotados pelas forças sob o comando de António Ramalho Eanes e Jaime Neves.

    O Pacto de Desistência, que teve por base o Documento dos Nove, durou até ser tornado caduco, em 2015, pela constituição da “Geringonça”.

    Durou o Pacto quarenta anos, quase duas gerações, não foi nada mau.



    Fonte da imagem 




    Etiqueta principal: História de Portugal.

    23 de outubro de 2020

    O PS está no poder?


    um artigo seguido de um comentário




    Um país sem Governo onde o PS está no poder

        Se tivesse de definir a situação política do país, diria:
            Portugal é um país sem Governo onde o Partido Socialista está no poder.

    Por Rui Ramos no Observador a 23 de Outubro de 2020, às 01:56.

    Há semanas que nas tendas do regime a oligarquia negoceia o orçamento de Estado para 2021. Como é costume, a imprensa acompanha o cozinhado. Não sei, porém, se alguém está a prestar muita atenção. Por causa da epidemia, sem dúvida: com o país à espera de alguma espécie de novo confinamento, a quem pode fascinar o baile parlamentar sobre o Orçamento? Mas também porque ninguém leva muito a sério o drama que António Costa e os seus parceiros tentam inventar para concorrer com o noticiário do Covid. Quem vai aprovar o Orçamento na generalidade? O PSD já disse que não, o PCP e o BE ainda não disseram que sim. O Orçamento pode chumbar, o governo demitir-se? Ninguém o espera, ninguém acredita, a ninguém dá jeito. Em Portugal, a geringonça criou desde 2015 um ambiente político em que a crise governativa é permanente, mas sem desenlace.

    A dança orçamental pode ser reduzida, como por vezes faz a imprensa, a embates sobre este ou aquele item muito específico. Ninguém também leva esses detalhes muito a sério. O que está em causa, para todos, não é isto ou aquilo, mas a figura que vão fazer no retrato final. Para que o governo continue, convém que o Orçamento seja aprovado. Mas todos os partidos, incluindo os da chamada geringonça, prefeririam que fossem os outros a aprovar o Orçamento. É que o ponto do bailado orçamental é, mais do que a oportunidade de reclamar créditos por mais alguns euros nas pensões ou nos salários, escapar a responsabilidades. Ninguém quer que este Orçamento pareça ser seu. Para o Partido Socialista, por exemplo, a “contenção” é de Bruxelas, e o “despesismo” dos seus parceiros. O Orçamento deveria definir um Governo, enquanto responsabilidade pelo que existe, e direcção para o futuro. Mas é a isto que o Partido Socialista sempre tentou fugir.

    Para perceber o que está a ocorrer em Portugal, temos de distinguir entre poder e Governo. Já falei disto em artigo anterior, mas convirá talvez desenvolver o tema. Designemos por poder o exercício do mando a partir das estruturas do Estado. Chamemos Governo, não ao funcionamento dos ministérios, mas a um centro de responsabilidade e de direcção no Estado. Poder e Governo não são a mesma coisa. O poder é difuso, informal e por vezes difícil de definir; tende a não ser transparente, e nunca é responsável. O Governo é público, legal, definido; está sujeito a escrutínio e à vontade dos eleitores ou dos parlamentares. Um Governo pode mudar com umas eleições ou uma coligação na assembleia. O poder pode ou não. No nosso regime, os oligarcas desejam naturalmente o poder: o mando exercido a partir do Estado, que lhes dá influência, e traz benefícios. Mas só aceitam o Governo na medida em que lhes der acesso ao poder. A responsabilidade e a direcção que deveriam vir com o Governo – isso dispensam. E quando não o podem fazer, como tem acontecido em situações financeiras difíceis onde a UE impõe direcção e exige responsabilidades, ei-los prontos para largar o Governo, como Guterres em 2001-2002, aproveitando as autárquicas, depois do alarme sobre o défice.

    Se tivesse de definir a situação política do país, diria: Portugal é um país sem Governo onde o Partido Socialista está no poder. O poder é, há mais de duas décadas, do PS. Mas nunca o PS quis responsabilidades e teve uma direcção. Com o PS, nunca mais, nesse sentido, houve Governo em Portugal. Houve Governo no tempo de Cavaco Silva: havia um responsável, o primeiro-ministro, e havia uma orientação, que era a do reformismo modernizador. Houve até Governo, apesar da troika, no tempo de Passos Coelho, como se viu em 2013, quando, perante o colapso  e a deserção dos seus principais ministros, Passos Coelho, sozinho, aguentou a governação. Com o PS, deixou de haver Governo. A determinação do PS em dominar o Estado e a partir daí controlar a sociedade foi sempre forte. Mas nunca lhe conveio escolher claramente entre as duas grandes concepções do Estado e da sociedade (a liberal e e a estatista), e descartou sempre responsabilidades: aquilo que precisamente define um Governo.  António Costa é já o exemplo proverbial dessa evasão governativa: de nada é responsável, dos incêndios de Pedrogão aos roubos de Tancos; quanto a uma direcção, nunca ninguém a percebeu, nem ele quis que se percebesse: as mesmas promessas, como a de pôr o Porto a 1h15 de Lisboa, são repetidas regularmente há mais de vinte anos, para que a imprensa subsidiada faça as mesmas manchetes e crie a impressão de que, não tendo avançado, é agora que vamos avançar. O que há e houve sempre com António Costa foi uma ocupação meticulosa do Estado e das suas instituições, como se viu na Procuradoria Geral da República ou no Tribunal de Contas. Com José Sócrates, houve uma conspiração do poder, o que não é o mesmo que um Governo.

    É paradoxal. Nunca o Estado pesou tanto, quer pelo rendimento de que priva as famílias, quer pela interferência na vida de cada um. Muita gente, a esse respeito, se queixa de “autoritarismo”. Mas nunca o Estado teve menos Governo, no sentido de um centro de responsabilidade e uma direcção.

    O que podemos deduzir de tudo isto? O Partido Socialista manda, e sabe mandar. Mas o PS e as esquerdas que agora o apoiam não estão em condições de governar o país. Até certo ponto, porque estão divididas entre si. Mas sobretudo, porque o seu mando não é compatível com o que é necessário fazer para a sociedade respirar e funcionar: limitar a dimensão do Estado. O governo de António Costa só existiu e só continua a existir para evitar o único Governo que Portugal poderia ter, no sentido de um foco de decisão e de rumo, que é um Governo reformista, necessariamente assente na maioria e na coligação dos partidos da direita parlamentar, PSD, CDS, e, provavelmente, Chega. Ninguém sabe quando esse Governo poderá surgir, mas já muita gente percebeu o que tem a fazer: desmontar o poder socialista como condição prévia de todas as outras reformas.



    O PS está no poder?


    O PS manda?

    Não.

    O PS obedece.

    Logo não está no poder.

    O poder não está no PS, nem sequer em Portugal, enquanto não o reconhecermos não encontraremos a saída.









    Etiqueta principal: Crise 21 - Portugal.

    6 de setembro de 2020

    Cidadania, Sectarismo e Bom Senso



    A propósito da disciplina de Educação Para a Cidadania, ou Cidadania e Desenvolvimento, as fontes variam, e de dois alunos que, chumbados por faltas à dita disciplina, passaram, primeiro, e chumbaram, depois (por terem sido "despassados"), vai por aí uma grande polémica metendo comunicado públicos, abaixo assinados, artigos nos jornais, entrevistas nas televisões, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, a Constituição da República Portuguesa, leis várias, a Liberdade de Educação dos pais, ou das famílias, o Direito à Objecção de Consciência dos ditos pais, ou famílias (caso não concordem com os conteúdos das disciplinas, em geral, desta em particular), polémica, e assunto, sobre os quais pretendo também dizer umas coisinhas.

    Entretanto, e dado que Isabel Stilwell já publicou no Jornal de Negócios um artigo sobre este tema, artigo que muito me agradou e com o qual concordo a quase 100%, vou começar por transcrever o dito artigo.


    Eu também nunca teria ido à escola

    Felizmente, os meus pais acreditavam em si próprios. No seu exemplo, e nos nossos neurónios. Acreditavam na força dos argumentos com que defendiam os seus valores, na fundamentação das suas convicções, e na nossa capacidade para aprender a esgrimir as nossas, mesmo em ambientes hostis.

    Por Isabel Stilwell no Jornal de Negócios a 01 de Setembro de 2020 às 19:39

    A notícia anda pelos jornais, pelas redes sociais com cartas abertas e petições, mas o essencial conta-se em poucas linhas: um pai impediu os dois filhos de 12 e 15 anos de frequentarem as aulas de Cidadania e Desenvolvimento, disciplina obrigatória. Faltas que a lei considera obrigarem o aluno a chumbar o ano. Neste caso dois, por uma série de peripécias, entre as quais o facto de a família ter recusado as tentativas da escola/agrupamento/ CPCJ/Ministério da Educação para encontrar uma solução. Foi-lhe proposto que substituíssem a frequência das aulas por trabalhos de projeto escolhendo, por exemplo, o tema da literacia financeira ou a declaração dos Direitos do Homem, mas o pai recusou, porque defende que o que está em causa é a disciplina em si, e o direito dos pais à “objeção de consciência”. Numa entrevista à revista Sábado afirma: “Não tem nada a ver com ideologia de género ou sexo. A mesma questão coloca-se em relação à solidariedade ou ao ambiente. São competências que entendemos que são competências dos pais, independentemente de estarmos a falar de ideologia de género, ambiente ou literacia financeira.”

    O Ministério da Educação não teve outro remédio senão ser intransigente: sendo assim os alunos têm de chumbar, disse num despacho que uma providência cautelar entreposta pela família suspendeu. A guerra nos tribunais começou, e promete ser longa. Enquanto isto, toda a gente tem uma opinião. E eu não sou exceção.

    Se o meu pai tivesse sido como este senhor, nunca me teria mandado à escola, ou pelo menos frequentar a disciplina de História, porque como historiador e inglês que era, discordava violentamente da forma como na escola portuguesa nos era ensinado o episódio do Ultimato. E tinha, sem dúvida nenhuma, recusado que eu continuasse no liceu nos anos quentes do pós-25 de Abril em que a ideologia entrava por todas as disciplinas, independentemente do nome. Católico convicto, não nos teria deixado pôr um pé numa sala de aula onde se dissesse que a “religião era o ópio do povo”. E se o meu pai fosse de uma etnia ou crença religiosa que defendesse que a escola não era para meninas, lá ficava eu em casa, porque a competência da minha mãe para os bordados era insuperável. Se alinhasse pelos criacionistas nunca teria estudado nem Ciências, nem Biologia, e caso fosse primo da Dona Branca, teria insistido em ser ele a “dar-me” literacia financeira.

    Mas, felizmente, os meus pais acreditavam em si próprios. No seu exemplo, e nos nossos neurónios. Acreditavam na força dos argumentos com que defendiam os seus valores, na fundamentação das suas convicções, e na nossa capacidade para aprender a esgrimir as nossas, mesmo em ambientes hostis. Acreditavam, até, na nossa liberdade de escolher uma opinião diferente da sua. E tudo isto fora do horário escolar.

    Porque sim, o que mais me confunde no histerismo de alguns pais — e nos movimentos e políticos que fazem destes casos bandeira — é a ideia que têm dos seus próprios filhos e dos adolescentes em geral, imaginando que precisam de ser defendidos ao limite (inclusivamente faltando às aulas) das “ideias perigosas”. Ideias que, num sopro, imaginam poder deitar por terra tudo aquilo que lhes ensinaram e que veem em casa, sejam sobre “sexo” ou sobre o “escândalo” de se entoar um cântico de missa na aula de música. Confunde-me que não desejem que os seus filhos, com o seu apoio, evidentemente, se treinem na escola a saber defender os seus pontos de vista. Sinceramente revelam muito pouca confiança nas suas “competências” para educar.

    Porque se é verdade que o Estado não pode programar a educação de acordo com certa ideologia, filosofia ou estética, de modo a criar um pensamento único — e contra isso todos os protestos são bem-vindos — isso não significa que as ideologias, a filosofia ou a estética sejam postas fora dos conteúdos escolares. O que importa é que o sejam de uma forma aberta e plural de modo a fomentar o pensamento crítico. E o pensamento crítico só se forma se for exposto ao contraditório.

    Nota: Não deixe de ler o Polígrafo sobre o “alerta” do deputado Nuno Melo, que nem acertou no nome da disciplina, chamando-a de “Sexualidade, Género e Interculturalidade”, as três palavrinhas que garantidamente inflamam os pais (às vezes com razão). [Nuno Melo: "Alunos chumbam porque não frequentam aulas de 'Sexualidade, Género e Interculturalidade'". Confirma-se?]



    Tentações de Cristo
    Por Botticelli, 1481-82, na Capela Sistina, no Vaticano.


    Cidadania, Sectarismo e Bom Senso
    católico do grego καθολικος (universal)
    diabo do grego διάβολος (aquele que separa)
    Mateus 4, 8-10
    Em seguida, o diabo conduziu-o a um monte muito alto e, 
    mostrando-lhe todos os reinos do mundo com a sua glória, disse-lhe: 
    «Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares.» 
    Respondeu-lhe Jesus: 
    «Vai-te, Satanás, pois está escrito: 
    “Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás culto.”»

    um
    Subscrevo a quase 100% o artigo de Isabel Stilwell. E só não o subscrevo a 100% porque não subscrevo a “dentadinha” no deputado Nuno Melo.

    dois 
    Que a disciplina de Educação Para a Cidadania, ou Cidadania e Desenvolvimento, as fontes variam, é de índole político-ideológica é, mas a disciplina de Organização Política e Administrativa da Nação, obrigatória entre 1936 e 1974, também o era, e não me consta que pais republicanos, socialistas, comunistas, tivessem invocado fosse o que fosse para evitar que os seus filhos a frequentassem.

    três 
    O que mais me impressiona na polémica é o sectarismo e falta de bom senso que a mesma revela. A ideia é tribalizar Portugal? Recuar aos saudosos tempos da República Afonsista, da Guerra dos Dois Irmãos, das Invasões Francesas?




    Fontes e referências
    1. Cidadania e Educação: Seus reflexos na formação.”. Instituto Vida Cidadã. Sem data de publicação. Recuperado a 05 de Setembro de 2020 às 20:07 UTC+1.
    2. Eu também nunca teria ido à escola”. Isabel Stilwell. Jornal de Negócios. Publicado a 01 de Setembro de 2020 às 19:39.
    3. Tentação de Cristo”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 21h36min de 9 de abril de 2020.
    4. católico”. Wikcionário. Esta página foi editada pela última vez às 02h25min de 30 de abril de 2017.
    5. diabo”. Wikcionário. Esta página foi editada pela última vez às 08h09min de 30 de abril de 2020.
    6. Bíblia Sagrada”. Difusora Bíblica. Publicada a 13 de Maio de 2001.
    7. Cidadania”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 13h12min de 24 de junho de 2020.
    8. Educação para a Cidadania”. Direção-Geral da Educação (DGE). Sem data de publicação. Recuperado a 06 de Setembro de 2020 às 08:27 UTC+1.






    Etiqueta principalPolítica à Portuguesa.

    30 de julho de 2020

    André Ventura e o seu “CHEGA”




    Lido o livro de Riccardo Marchi sobre André Ventura e o seu “CHEGA” põe-se a questão: 
    São de extrema-direita?

    Da extrema-direita de que foram: 
    1. Adolf Hitler e o Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei? Não.
    2. Benito Mussolini e o Partito Nazionale Fascista? Não.
    3. José Antonio Primo de Rivera e a Falange Española? Não.

    Da  extrema-direita de que foram: 
    1. Francisco José Nobre Guedes, Marcello José das Neves Alves Caetano, Luís da Câmara Pinto Coelho e os demais Mocitários? Não.
    2. Francisco de Barcelos Rolão Preto e os demais Camisas Azuis? Não.
    3. João Pinto da Costa Leite (Lumbrales), João Nepomuceno Namorado de Aguiar, Humberto da Silva Delgado e os demais Legionários? Não.

    Porque afirma então a comunicação social que são de extrema-direita?


    Aparentemente por três razões:
    1. São Cristãos, não Ateus ou Agnósticos.
    2. São Soberanistas, não Globalistas.
    3. São Corajosos, não Cobardes.

    Gostei da metodologia do autor, Riccardo Marchi, que está muito bem documentado e é muito meticuloso, e gostei também da forma como escreve.

    O último capítulo, Conclusões, tem, em minha opinião, um grave senão: pretende integrar André Ventura e o “CHEGA” nas direitas europeias, algo que reputo ser impossível por Portugal não ter participado na Guerra de 1939-45.



    Etiqueta principal: Política Portuguesa.
    ____________________________________________________________

    12 de julho de 2020

    Tempos fáceis criam pessoas fracas

    Good Times Create Weak Men.
    Weak Men Create Bad Times.
    Bad Times Create Strong Men.
    Strong Men Create Good Times.

    tempos fáceis criam pessoas fracas
    pessoas fracas criam tempos difíceis
    tempos difíceis criam pessoas fortes
    pessoas fortes criam tempos fáceis



    Em Portugal os Milénicos (do inglês Millennials), os nascidos entre 1980 e 2000, que neste ano de 2020 fazem, respectivamente, 40 e 20 anos de idade, dividem-se em dois grandes grupos:

    • O grupo daqueles cujos pais viveram, ou combateram no Ultramar.
    • O grupo daqueles cujos pais nem viveram, nem combateram no Ultramar.

    Esta divisão, que já emergiu na política com Pedro Passos Coelho, um não Milénico porque nascido em 1964, que está remergindo na política com Joacine Katar Moreira e André Ventura, ambos Milénicos porque nascidos em 1982 e 1983, respectivamente, tem todas as condições para se tornar, em Portugal, a fractura sócio-política fundamental dos próximos anos.




    Fontes
    1. G. Michael Hopf > Quotes > Quotable Quote: “Hard times create strong men. Strong men create good times. Good times create weak men. And, weak men create hard times.””. Goodreads. No publication date. Retrieved on July 12, 2020.
    2. Good Times Create Weak Men. Weak Men Create Bad Times. Bad Times Create Strong Men. Strong Men Create Good Times.”. ldrbyks. Steemit. Published 3 years ago, before August 3, 2017. Retrieved on July 12, 2020.







    Etiqueta principal: Sociologia Política Portuguesa.
    ___________________________________________________________________________