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6 de setembro de 2020

Cidadania, Sectarismo e Bom Senso



A propósito da disciplina de Educação Para a Cidadania, ou Cidadania e Desenvolvimento, as fontes variam, e de dois alunos que, chumbados por faltas à dita disciplina, passaram, primeiro, e chumbaram, depois (por terem sido "despassados"), vai por aí uma grande polémica metendo comunicado públicos, abaixo assinados, artigos nos jornais, entrevistas nas televisões, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, a Constituição da República Portuguesa, leis várias, a Liberdade de Educação dos pais, ou das famílias, o Direito à Objecção de Consciência dos ditos pais, ou famílias (caso não concordem com os conteúdos das disciplinas, em geral, desta em particular), polémica, e assunto, sobre os quais pretendo também dizer umas coisinhas.

Entretanto, e dado que Isabel Stilwell já publicou no Jornal de Negócios um artigo sobre este tema, artigo que muito me agradou e com o qual concordo a quase 100%, vou começar por transcrever o dito artigo.


Eu também nunca teria ido à escola

Felizmente, os meus pais acreditavam em si próprios. No seu exemplo, e nos nossos neurónios. Acreditavam na força dos argumentos com que defendiam os seus valores, na fundamentação das suas convicções, e na nossa capacidade para aprender a esgrimir as nossas, mesmo em ambientes hostis.

Por Isabel Stilwell no Jornal de Negócios a 01 de Setembro de 2020 às 19:39

A notícia anda pelos jornais, pelas redes sociais com cartas abertas e petições, mas o essencial conta-se em poucas linhas: um pai impediu os dois filhos de 12 e 15 anos de frequentarem as aulas de Cidadania e Desenvolvimento, disciplina obrigatória. Faltas que a lei considera obrigarem o aluno a chumbar o ano. Neste caso dois, por uma série de peripécias, entre as quais o facto de a família ter recusado as tentativas da escola/agrupamento/ CPCJ/Ministério da Educação para encontrar uma solução. Foi-lhe proposto que substituíssem a frequência das aulas por trabalhos de projeto escolhendo, por exemplo, o tema da literacia financeira ou a declaração dos Direitos do Homem, mas o pai recusou, porque defende que o que está em causa é a disciplina em si, e o direito dos pais à “objeção de consciência”. Numa entrevista à revista Sábado afirma: “Não tem nada a ver com ideologia de género ou sexo. A mesma questão coloca-se em relação à solidariedade ou ao ambiente. São competências que entendemos que são competências dos pais, independentemente de estarmos a falar de ideologia de género, ambiente ou literacia financeira.”

O Ministério da Educação não teve outro remédio senão ser intransigente: sendo assim os alunos têm de chumbar, disse num despacho que uma providência cautelar entreposta pela família suspendeu. A guerra nos tribunais começou, e promete ser longa. Enquanto isto, toda a gente tem uma opinião. E eu não sou exceção.

Se o meu pai tivesse sido como este senhor, nunca me teria mandado à escola, ou pelo menos frequentar a disciplina de História, porque como historiador e inglês que era, discordava violentamente da forma como na escola portuguesa nos era ensinado o episódio do Ultimato. E tinha, sem dúvida nenhuma, recusado que eu continuasse no liceu nos anos quentes do pós-25 de Abril em que a ideologia entrava por todas as disciplinas, independentemente do nome. Católico convicto, não nos teria deixado pôr um pé numa sala de aula onde se dissesse que a “religião era o ópio do povo”. E se o meu pai fosse de uma etnia ou crença religiosa que defendesse que a escola não era para meninas, lá ficava eu em casa, porque a competência da minha mãe para os bordados era insuperável. Se alinhasse pelos criacionistas nunca teria estudado nem Ciências, nem Biologia, e caso fosse primo da Dona Branca, teria insistido em ser ele a “dar-me” literacia financeira.

Mas, felizmente, os meus pais acreditavam em si próprios. No seu exemplo, e nos nossos neurónios. Acreditavam na força dos argumentos com que defendiam os seus valores, na fundamentação das suas convicções, e na nossa capacidade para aprender a esgrimir as nossas, mesmo em ambientes hostis. Acreditavam, até, na nossa liberdade de escolher uma opinião diferente da sua. E tudo isto fora do horário escolar.

Porque sim, o que mais me confunde no histerismo de alguns pais — e nos movimentos e políticos que fazem destes casos bandeira — é a ideia que têm dos seus próprios filhos e dos adolescentes em geral, imaginando que precisam de ser defendidos ao limite (inclusivamente faltando às aulas) das “ideias perigosas”. Ideias que, num sopro, imaginam poder deitar por terra tudo aquilo que lhes ensinaram e que veem em casa, sejam sobre “sexo” ou sobre o “escândalo” de se entoar um cântico de missa na aula de música. Confunde-me que não desejem que os seus filhos, com o seu apoio, evidentemente, se treinem na escola a saber defender os seus pontos de vista. Sinceramente revelam muito pouca confiança nas suas “competências” para educar.

Porque se é verdade que o Estado não pode programar a educação de acordo com certa ideologia, filosofia ou estética, de modo a criar um pensamento único — e contra isso todos os protestos são bem-vindos — isso não significa que as ideologias, a filosofia ou a estética sejam postas fora dos conteúdos escolares. O que importa é que o sejam de uma forma aberta e plural de modo a fomentar o pensamento crítico. E o pensamento crítico só se forma se for exposto ao contraditório.

Nota: Não deixe de ler o Polígrafo sobre o “alerta” do deputado Nuno Melo, que nem acertou no nome da disciplina, chamando-a de “Sexualidade, Género e Interculturalidade”, as três palavrinhas que garantidamente inflamam os pais (às vezes com razão). [Nuno Melo: "Alunos chumbam porque não frequentam aulas de 'Sexualidade, Género e Interculturalidade'". Confirma-se?]



Tentações de Cristo
Por Botticelli, 1481-82, na Capela Sistina, no Vaticano.


Cidadania, Sectarismo e Bom Senso
católico do grego καθολικος (universal)
diabo do grego διάβολος (aquele que separa)
Mateus 4, 8-10
Em seguida, o diabo conduziu-o a um monte muito alto e, 
mostrando-lhe todos os reinos do mundo com a sua glória, disse-lhe: 
«Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares.» 
Respondeu-lhe Jesus: 
«Vai-te, Satanás, pois está escrito: 
“Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás culto.”»

um
Subscrevo a quase 100% o artigo de Isabel Stilwell. E só não o subscrevo a 100% porque não subscrevo a “dentadinha” no deputado Nuno Melo.

dois 
Que a disciplina de Educação Para a Cidadania, ou Cidadania e Desenvolvimento, as fontes variam, é de índole político-ideológica é, mas a disciplina de Organização Política e Administrativa da Nação, obrigatória entre 1936 e 1974, também o era, e não me consta que pais republicanos, socialistas, comunistas, tivessem invocado fosse o que fosse para evitar que os seus filhos a frequentassem.

três 
O que mais me impressiona na polémica é o sectarismo e falta de bom senso que a mesma revela. A ideia é tribalizar Portugal? Recuar aos saudosos tempos da República Afonsista, da Guerra dos Dois Irmãos, das Invasões Francesas?




Fontes e referências
  1. Cidadania e Educação: Seus reflexos na formação.”. Instituto Vida Cidadã. Sem data de publicação. Recuperado a 05 de Setembro de 2020 às 20:07 UTC+1.
  2. Eu também nunca teria ido à escola”. Isabel Stilwell. Jornal de Negócios. Publicado a 01 de Setembro de 2020 às 19:39.
  3. Tentação de Cristo”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 21h36min de 9 de abril de 2020.
  4. católico”. Wikcionário. Esta página foi editada pela última vez às 02h25min de 30 de abril de 2017.
  5. diabo”. Wikcionário. Esta página foi editada pela última vez às 08h09min de 30 de abril de 2020.
  6. Bíblia Sagrada”. Difusora Bíblica. Publicada a 13 de Maio de 2001.
  7. Cidadania”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 13h12min de 24 de junho de 2020.
  8. Educação para a Cidadania”. Direção-Geral da Educação (DGE). Sem data de publicação. Recuperado a 06 de Setembro de 2020 às 08:27 UTC+1.






Etiqueta principalPolítica à Portuguesa.

28 de novembro de 2019

Chumbar ou não chumbar?

A propósito da actual polémica sobre a momentosa questão em epígrafe, Chumbar ou não chumbar?, lembrei-me de algo que a 3 de Abril de 2018 publiquei no meu descriado Facebook Profile "Álvaro Aragão Athayde".



Da Destruição do Sistema de Ensino Estatal

Nomenklatura, uma Classe de Funcionários Partidários Medíocres


O Sistema de Ensino Estatal tem vindo a ser destruído.

O Sistema de Ensino Estatal tem vindo a ser sistemática e propositadamente destruído.

O sistemática e propositadamente destruído pelos que afirmam ser De Esquerda, não pelos que afirmam ser De Direita.


Porquê???

A meu ver porque é a única forma de os Medíocres Filhos do 25 de Abril se perpetuarem no poder.

Se compararmos os próceres do 25 de Abril com os do 5 de OutubroMário Soares com Afonso Costa, Sá Carneiro com Brito Camacho, por exemplo – é mais que evidente que os segundos são muito melhores que os primeiros.

E se compararmos as primeiras, segundas e terceiras figuras da III e da I Repúblicas a diferença é, digamos assim, verdadeiramente assustadora.

O Pessoal Político da III República é, estatisticamente falando, medíocre ou mau, encontrando-se no entanto, como sempre acontece, alguns Diamantes no meio do Lixo.

Como pode então a Nomenklatura Abrilista, uma Classe de Funcionários Partidários Medíocres, perpetuar-se no poder e, o que é mais importante, transmitir esse poder aos seus descendentes?

Simples!

Destruindo o Sistema de Ensino Estatal e enviando os filhos para Escolas de Elite Não-Estatais – na sua maioria Católicas ou Estrangeiras –, escolas a que só tem acesso quem tem dinheiro e influência.

Um verdadeiro Ovo de Colombo!!!


Álvaro Athayde em Coimbra, a 3 de Abril de 2018.



Referências
  1. "Chumbar ou não chumbar?". Joana Mortágua. ionline. Publicado a 28 de Novembro de 2019. Recuperado a 28 de Novembro de 2019.
  2. "O Triunfo dos Porcos". Wikipédia, a enciclopédia livre. Esta página foi editada pela última vez às 20h48min de 24 de novembro de 2019. Recuperada às 14h25min de 28 de Novembro de 2019.
  3. O Triunfo dos PorcosGeorge Orwell. Publicações Europa-América, Lda.. Sem data de Publicação. Recuperado a 29 de Novembro de 2019. Nota: É um pdf do romance publicado por Mkmouse, uma revista mensal brasileira.
  4. "O triunfo dos porcos". Carlos Garcez Osório. Aventar. Publicado a 21 de Novembro de 2018. Recuperado a 29 de Novembro de 2019. Nota: Como esta publicação é posterior à minha não foi a esta que fui buscar a imagem, foi a outra, mas já me não lembro a qual.
  5. "Da Destruição do Sistema de Ensino Estatal". Álvaro Aragão Athayde. Álvaro Aragão Athayde's Dropbox. Carregado na Dropbox às 16h31min de 29 de Novembro de 2019.




Etiqueta principal: Nomenklatura.
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20 de fevereiro de 2019

Centenário da Criação do Liceu Salvador Correia (ii)

PROGRAMA

Centenário da Criação Assinalado na UCCLA


Terá lugar no dia 23 de fevereiro, a Sessão Comemorativa do Centenário da Criação do Liceu Salvador Correia 1919 - 2019, a partir das 15 horas, no auditório da UCCLA, numa iniciativa da AAALSC-P (Associação dos Antigos Alunos do Liceu Salvador Correia - Portugal).

A sessão contará com a intervenção de antigos alunos do Liceu.

Programa


15:00
Dr. Vitor Ramalho
  • Mensagem de acolhimento e de boas vindas aos presentes
15:30
Eurico Neto
  • Breve descrição histórica da criação do Liceu
  • As três instalações onde funcionou
  • Os primeiros alunos e professores
  • Apresentação dos oradores
16:00
Manuel S. Fonseca
  • Evocação pessoalíssima e nostálgica;
  • Uma nostalgia pontuada a pequenas histórias e episódios;
  • Uma nostalgia plenamente consciente das contradições coloniais;
  • A beleza arquitectónica e a grandeza do todo com os campos, as barrocas nas traseiras, conferindo uma liberdade física enorme;
  • A biblioteca, a frequência mista de rapazes e raparigas;
  • A alegria do pensamento e da escrita: a descoberta do pensamento e do gosto pela filosofia e o gosto pela escrita nas aulas de literatura.

16:45Intervalo

17:15
Nicolau Santos
  • Evocação do Liceu Salvador Correia, através da declamação de três poemas de sua autoria: "Bilhete de Identidade"; "Salvador Correia"; "O meu país já não existe".
x
18:00
Justino Pinto de Andrade
  • Um sobrevoo ao processo de criação do ensino em Angola, destacando o papel dos Padres Jesuítas.
  • Destacar figuras históricas de Portugal na criação do ensino oficial em Angola, como, por exemplo, Inocêncio de Sousa Coutinho (correligionário do Marquês de Pombal que o envia para Angola como Governador) que funda o ensino técnico muito centrado na arte militar. Outros Governadores também nesta linha do ensino técnico de vertente militar. O papel de José Augusto Alves Roçadas na criação do Instituto Politécnico de Luanda (escola e ensino secundário). Chegado aí, entro na reivindicação da criação do Liceu de Luanda e o papel de Filomeno da Câmara.
  • A decisão da criação do Liceu Central de Luanda, por proposta de António Ferro.
  • Porquê Liceu Salvador Correia de Sá e Benevides?
  • Termino apresentando um resumo do perfil histórico de Salvador Correia de Sá, cujo nome foi dado ao nosso Querido Liceu.

19:00Encerramento da sessão, com os presentes a entoar o Hino dos Alunos do Liceu.




Morada
  • Avenida da Índia, n.º 110 (entre a Cordoaria Nacional e o Museu Nacional dos Coches), em Lisboa 
  • Autocarros: 714, 727 e 751 - Altinho, e 728 e 729 - Belém 
  • Comboio: Estação de Belém 
  • Elétrico: 15E - Altinho 
  • Coordenadas GPS: 38°41’46.9″N 9°11’52.4″W

Fontes
  1. Centenário da criação do Liceu Salvador Correia assinalado na UCCLAUnião das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), 05 de Fevereiro de 2019.
  2. Mensagem de correio electrónico de um membro da direcção da AAALSC-P (Associação dos Antigos Alunos do Liceu Salvador Correia - Portugal) com o Programa.

Etiqueta principal: História.
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16 de janeiro de 2019

Progresso





Origem da figura
  • Old Boys Network.


Etiqueta principal: Curtas.
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22 de novembro de 2018

Aconteceu no Brasil, não foi cá !

Aluno que processou Professor por lhe ter apreendido o Telemóvel na Sala de Aula perde causa na Justiça !!!



O juiz Eliezer Siqueira de Sousa Junior, da 1ª Vara Cível e Criminal de Tobias Barreto, no interior do Sergipe, Brasil, julgou improcedente um pedido de indemnização que um aluno pleiteava contra o professor que lhe tirou o telemóvel na sala de aula.

De acordo com os autos, o educador tomou o telemóvel do aluno, pois este estava a ouvir música com os fones de ouvido durante a aula.

O estudante foi representado por sua mãe, que pleiteou reparação por danos morais diante do “sentimento de impotência, revolta, além de um enorme desgaste físico e emocional”.

Na negativa, o juiz afirmou que “o professor é o indivíduo vocacionado para tirar outro indivíduo das trevas da ignorância, da escuridão, para as luzes do conhecimento, dignificando-o como pessoa que pensa e existe”. O magistrado solidarizou-se com o professor e disse que “ensinar era um sacerdócio e uma recompensa. Hoje, parece um carma”.

O juiz Eliezer Siqueira ainda considerou que o aluno violou uma norma do Conselho Municipal de Educação, que impede a utilização de telemóveis durante o horário escolar, além de desobedecer, reiteradamente, às instruções do professor.

Ainda considerou não ter havido abalo moral, já que o estudante não utiliza o telemóvel para trabalhar, estudar ou qualquer outra atividade edificante.

E declarou: “Julgar procedente esta demanda, é desferir uma bofetada na reserva moral e educacional deste país, privilegiando a alienação e a contra educação, as novelas, os realitys shows, a ostentação, o bullying intelectual, o ócio improdutivo, enfim, toda a massa intelectualmente improdutiva que vem assolando os lares do país, fazendo às vezes de educadores, ensinando falsos valores e implodindo a educação brasileira”.

Por fim, o juiz ainda faz uma homenagem ao professor. “No país que virou as costas para a Educação e que faz apologia ao hedonismo inconsequente, através de tantos expedientes alienantes, reverencio o verdadeiro HERÓI NACIONAL, que enfrenta todas as intempéries para exercer seu múnus com altivez de caráter e senso sacerdotal: O PROFESSOR."



Origem do texto
  • Desconhecido, recebido via Old Boys Network.

Origem da figura


Etiqueta principal: Ideologia.
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