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13 de maio de 2021

O que é, hoje, “ser extremista”?

 

Afirmação Paradoxal
Antítese e Paradoxo




Na acepção filosófica e política actual “ser extremista” é “não negociar”, “não pactuar”.

Num ambiente filosófico que afirma que “é absolutamente verdade que a verdade não existe” e que “é absolutamente verdade que tudo é relativo”.

Num ambiente político que afirma que “é absolutamente verdade que tudo é negociável” e que “é absolutamente verdade que tudo é redutível a dinheiro”.

Num tal ambiente filosófico e político “não pactuar”, “não negociar”, “afirmar algo e não o desafirmar”, “tomar uma posição e não a destomar”, é “ser extremista”.

Actualmente quem não for extremista negoceia, pactua, diz-se e desdiz-se, avança e recua, vende-se, sempre na maior das calmas e com a maior cara-de-pau.

Se o não fizer não singra na vida, é acusado de ser o responsável por todos os males do mundo, é ostracizado e é perseguido.









Etiqueta principal: Extremismo.

6 de maio de 2021

Era uma vez um Grão-Duque

Aleksandr Mikhailovich. Nós, os Romanov. Alma dos Livros, 2021.



Esta obra de Aleksandr Mikhailovich – que se fosse português se chamaria Alexandre Miguéis, Alexandre filho de Miguel – é, simultaneamente, várias coisas:

  1. É a sua auto-biografia.
  2. É a sua descrição da agonia e morte da Rússia Imperial.
  3. É a sua descrição da participação da Rússia na Guerra Russo-Japonesa de 1904-1905.
  4. É a sua descrição da participação da Rússia na Guerra Germano-Russo de 1914-1917.
  5. É a sua descrição da Revolução de Fevereiro (de 23 de Fevereiro a 3 de Março de 1917, no calendário juliano, de 08 a 16 de Março de 1917, no calendário gregoriano), e na Revolução Branca (fase da Revolução Russa que ocorreu de Março a Novembro de 1917).
  6. É a sua descrição das hostilidades entre 15 de Março de 1917, data da abdicação de Nicolau II da Rússia, e a sua saída da Rússia a bordo do contratorpedeiro britânico H.M.S. Forsythe, a 11 de Dezembro de 1918.
  7. É a sua descrição da sua participação na Conferência de Paz de Paris (1919–1920), aberta a 18 de Janeiro de 1919.
  8. É a sua descrição da entrega da Rússia a Lenine e a Trótski pelos Estados Unidos da América, França, Inglaterra e Itália.
  9. É, finalmente, a sua referência à necessidade de uma revolução espiritual e à Religião do Amor.

Written 13 years after the execution of the Tsar and his family this is one of the best histories I've read of the end of Imperial Russia.
Traduzindo Escrita 13 anos após a execução do Czar e da sua família, esta é uma das melhores histórias que li sobre o fim da Rússia Imperial.
This is the second time I’ve read the memoirs of GD Sandro, the first time through the collected works. Of all the GDs, Sandro remains the most accessible due to his writings. Whatever one thinks of the man, there is great value in these memoirs. I don’t quibble with the so-called and over-rated “truth”. This is clearly the “truth” as GD Sandro believed or wanted to believe which in itself is illuminating.
Traduzindo Esta é a segunda vez que leio as memórias do GD Sandro, a primeira vez nas Obras Coletadas. De todos os GDs, Sandro continua sendo o mais acessível devido aos seus escritos. O que quer que se pense do homem, há grande valor nestas memórias. Eu não questiono a assim chamada e tão superestimada “verdade”. Esta é claramente a “verdade” na qual o GD Sandro acreditava, ou queria acreditar, o que é, por si só, esclarecedor.

Em minha opinião esta obra é de leitura obrigatória para quem queira compreender a Guerra dos Impérios (1914-1945), a subsequente Guerra Fria (1945-1991), o actual conflito entre os Impérios Ocidentais, encabeçados pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos, e os Impérios Orientais, encabeçados pela Rússia e pela China.

E é-o tanto mais porque não é crível que os actuais dirigentes da Federação Russa a não conheçam e a não tenham lido e meditado… há muito tempo.


6 de setembro de 2020

Cidadania, Sectarismo e Bom Senso



A propósito da disciplina de Educação Para a Cidadania, ou Cidadania e Desenvolvimento, as fontes variam, e de dois alunos que, chumbados por faltas à dita disciplina, passaram, primeiro, e chumbaram, depois (por terem sido "despassados"), vai por aí uma grande polémica metendo comunicado públicos, abaixo assinados, artigos nos jornais, entrevistas nas televisões, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, a Constituição da República Portuguesa, leis várias, a Liberdade de Educação dos pais, ou das famílias, o Direito à Objecção de Consciência dos ditos pais, ou famílias (caso não concordem com os conteúdos das disciplinas, em geral, desta em particular), polémica, e assunto, sobre os quais pretendo também dizer umas coisinhas.

Entretanto, e dado que Isabel Stilwell já publicou no Jornal de Negócios um artigo sobre este tema, artigo que muito me agradou e com o qual concordo a quase 100%, vou começar por transcrever o dito artigo.


Eu também nunca teria ido à escola

Felizmente, os meus pais acreditavam em si próprios. No seu exemplo, e nos nossos neurónios. Acreditavam na força dos argumentos com que defendiam os seus valores, na fundamentação das suas convicções, e na nossa capacidade para aprender a esgrimir as nossas, mesmo em ambientes hostis.

Por Isabel Stilwell no Jornal de Negócios a 01 de Setembro de 2020 às 19:39

A notícia anda pelos jornais, pelas redes sociais com cartas abertas e petições, mas o essencial conta-se em poucas linhas: um pai impediu os dois filhos de 12 e 15 anos de frequentarem as aulas de Cidadania e Desenvolvimento, disciplina obrigatória. Faltas que a lei considera obrigarem o aluno a chumbar o ano. Neste caso dois, por uma série de peripécias, entre as quais o facto de a família ter recusado as tentativas da escola/agrupamento/ CPCJ/Ministério da Educação para encontrar uma solução. Foi-lhe proposto que substituíssem a frequência das aulas por trabalhos de projeto escolhendo, por exemplo, o tema da literacia financeira ou a declaração dos Direitos do Homem, mas o pai recusou, porque defende que o que está em causa é a disciplina em si, e o direito dos pais à “objeção de consciência”. Numa entrevista à revista Sábado afirma: “Não tem nada a ver com ideologia de género ou sexo. A mesma questão coloca-se em relação à solidariedade ou ao ambiente. São competências que entendemos que são competências dos pais, independentemente de estarmos a falar de ideologia de género, ambiente ou literacia financeira.”

O Ministério da Educação não teve outro remédio senão ser intransigente: sendo assim os alunos têm de chumbar, disse num despacho que uma providência cautelar entreposta pela família suspendeu. A guerra nos tribunais começou, e promete ser longa. Enquanto isto, toda a gente tem uma opinião. E eu não sou exceção.

Se o meu pai tivesse sido como este senhor, nunca me teria mandado à escola, ou pelo menos frequentar a disciplina de História, porque como historiador e inglês que era, discordava violentamente da forma como na escola portuguesa nos era ensinado o episódio do Ultimato. E tinha, sem dúvida nenhuma, recusado que eu continuasse no liceu nos anos quentes do pós-25 de Abril em que a ideologia entrava por todas as disciplinas, independentemente do nome. Católico convicto, não nos teria deixado pôr um pé numa sala de aula onde se dissesse que a “religião era o ópio do povo”. E se o meu pai fosse de uma etnia ou crença religiosa que defendesse que a escola não era para meninas, lá ficava eu em casa, porque a competência da minha mãe para os bordados era insuperável. Se alinhasse pelos criacionistas nunca teria estudado nem Ciências, nem Biologia, e caso fosse primo da Dona Branca, teria insistido em ser ele a “dar-me” literacia financeira.

Mas, felizmente, os meus pais acreditavam em si próprios. No seu exemplo, e nos nossos neurónios. Acreditavam na força dos argumentos com que defendiam os seus valores, na fundamentação das suas convicções, e na nossa capacidade para aprender a esgrimir as nossas, mesmo em ambientes hostis. Acreditavam, até, na nossa liberdade de escolher uma opinião diferente da sua. E tudo isto fora do horário escolar.

Porque sim, o que mais me confunde no histerismo de alguns pais — e nos movimentos e políticos que fazem destes casos bandeira — é a ideia que têm dos seus próprios filhos e dos adolescentes em geral, imaginando que precisam de ser defendidos ao limite (inclusivamente faltando às aulas) das “ideias perigosas”. Ideias que, num sopro, imaginam poder deitar por terra tudo aquilo que lhes ensinaram e que veem em casa, sejam sobre “sexo” ou sobre o “escândalo” de se entoar um cântico de missa na aula de música. Confunde-me que não desejem que os seus filhos, com o seu apoio, evidentemente, se treinem na escola a saber defender os seus pontos de vista. Sinceramente revelam muito pouca confiança nas suas “competências” para educar.

Porque se é verdade que o Estado não pode programar a educação de acordo com certa ideologia, filosofia ou estética, de modo a criar um pensamento único — e contra isso todos os protestos são bem-vindos — isso não significa que as ideologias, a filosofia ou a estética sejam postas fora dos conteúdos escolares. O que importa é que o sejam de uma forma aberta e plural de modo a fomentar o pensamento crítico. E o pensamento crítico só se forma se for exposto ao contraditório.

Nota: Não deixe de ler o Polígrafo sobre o “alerta” do deputado Nuno Melo, que nem acertou no nome da disciplina, chamando-a de “Sexualidade, Género e Interculturalidade”, as três palavrinhas que garantidamente inflamam os pais (às vezes com razão). [Nuno Melo: "Alunos chumbam porque não frequentam aulas de 'Sexualidade, Género e Interculturalidade'". Confirma-se?]



Tentações de Cristo
Por Botticelli, 1481-82, na Capela Sistina, no Vaticano.


Cidadania, Sectarismo e Bom Senso
católico do grego καθολικος (universal)
diabo do grego διάβολος (aquele que separa)
Mateus 4, 8-10
Em seguida, o diabo conduziu-o a um monte muito alto e, 
mostrando-lhe todos os reinos do mundo com a sua glória, disse-lhe: 
«Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares.» 
Respondeu-lhe Jesus: 
«Vai-te, Satanás, pois está escrito: 
“Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás culto.”»

um
Subscrevo a quase 100% o artigo de Isabel Stilwell. E só não o subscrevo a 100% porque não subscrevo a “dentadinha” no deputado Nuno Melo.

dois 
Que a disciplina de Educação Para a Cidadania, ou Cidadania e Desenvolvimento, as fontes variam, é de índole político-ideológica é, mas a disciplina de Organização Política e Administrativa da Nação, obrigatória entre 1936 e 1974, também o era, e não me consta que pais republicanos, socialistas, comunistas, tivessem invocado fosse o que fosse para evitar que os seus filhos a frequentassem.

três 
O que mais me impressiona na polémica é o sectarismo e falta de bom senso que a mesma revela. A ideia é tribalizar Portugal? Recuar aos saudosos tempos da República Afonsista, da Guerra dos Dois Irmãos, das Invasões Francesas?




Fontes e referências
  1. Cidadania e Educação: Seus reflexos na formação.”. Instituto Vida Cidadã. Sem data de publicação. Recuperado a 05 de Setembro de 2020 às 20:07 UTC+1.
  2. Eu também nunca teria ido à escola”. Isabel Stilwell. Jornal de Negócios. Publicado a 01 de Setembro de 2020 às 19:39.
  3. Tentação de Cristo”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 21h36min de 9 de abril de 2020.
  4. católico”. Wikcionário. Esta página foi editada pela última vez às 02h25min de 30 de abril de 2017.
  5. diabo”. Wikcionário. Esta página foi editada pela última vez às 08h09min de 30 de abril de 2020.
  6. Bíblia Sagrada”. Difusora Bíblica. Publicada a 13 de Maio de 2001.
  7. Cidadania”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 13h12min de 24 de junho de 2020.
  8. Educação para a Cidadania”. Direção-Geral da Educação (DGE). Sem data de publicação. Recuperado a 06 de Setembro de 2020 às 08:27 UTC+1.






Etiqueta principalPolítica à Portuguesa.

8 de julho de 2020

Agostinho da Silva - Das características dos portugueses

Alice Cruz e Agostinho da Silva



Alice Cruz
… das características portuguesas se destacavam o comerciar e o conversar e que isso nos levou longe no Mundo.


Agostinho da Silva
São Bernardo disse aos templários: «para que vocês deixem de combater os muçulmanos, o melhor é comerciar com eles», (…) a coisa é que saiu mal, (…) o que acabaria por tornar os templários em banqueiros (…), o que fez Dom Dinis também, que fez uma coisa muito interessante que foi a primeira nacionalização que houve em Portugal, nacionalizando o tesouro dos templários, fazendo ao mesmo tempo, a primeira privatização, já que os privou a eles de terem o tesouro, toda a nacionalização pode ser uma privatização ao mesmo tempo, não é?


Alice Cruz
O senhor professor acredita no Destino, no fado?


Agostinho da Silva
Pode ser que haja, pode ser que o destino seja ser livre.


Alice Cruz

… a Liberdade será deixar cada um ser aquilo que é, e deixar ser isso contagioso, como diz o senhor professor. Como é isso possível?


Agostinho da Silva
É preciso sobretudo ter como têm todos os portugueses, o sentido de intervalo entre os antípodas das leis.

A lei é feita para conceder o máximo de liberdade às pessoas, não destruindo relações possíveis …

Tudo o que veio contra (a minha liberdade) foi para favorecer.


Alice Cruz
O senhor professor tem vários filhos, oito, salvo erro. Como é a sua relação com eles?


Agostinho da Silva
Posso ter dito muita coisas erradas e muitas coisas certas, mas a relação foi sobretudo uma relação de liberdade completa, de eles fazerem e tomarem o caminho que lhes parecia mais interessante para a sua vida.

Não tenho saudades, as pessoas de quem eu gosto estão sempre comigo, como vou ter saudades deles? Mesmo que seja muita a distância. De modo que essa coisa de Saudade para mim não existe, sempre tenho andado no mundo, Brasil por exemplo, não tive saudades de Portugal, nem agora tenho do Brasil. A Saudade supõe ausência, se eu nunca estou ausente de mim, como vou ter Saudades?



Brasão Real de Portugal
Filipe I
Notar, em timbre, a Serpe Alada de Ofiússa.




Fontes
  1. Agostinho da Silva-Das características dos portugueses”. Canal do YouTube de Clavis Prophetarum. Publicado a 03 de Dezembro de 2007. Recuperado a 08 de Julho de 2020.
  2. File:Ornamented Royal Coat of Arms of Portugal (Philip I).svg”. Wikimedia Commons, the free media repository. This page was last edited on 17 February 2017, at 13:41. Retrieved on 8 July 2020, at 15:26 (UTC+01:00).
  3. Ofiússa”. Wikipédia, a enciclopédia livre. Esta página foi editada pela última vez às 21h50min de 7 de junho de 2019. Recuperada às 15h47min de 8 de julho de 2020 (UTC+01:00).







Etiqueta principal: Cultura Lusística.
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23 de maio de 2020

O Covid-19, a DGS e o Leviatã

Frontispício da edição original do Leviatã (1651)



Para quem ainda não tenha percebido, a Direcção Geral de Saúde (DGS, não confundir, não obstante as parecenças, com a DGS que sucedeu à Pide) é, de momento, o mais intrusivo e potencialmente totalitário instrumento de poder do Estado português. 



A procissão da Senhora dos Passos da Graça

A DGS chegou ao cúmulo de determinar, com aquela autoridade divina que recebeu do alto, os seis novos mandamentos da comunhão higiénica.

Por P. Gonçalo Portocarrero de Almada no Observador às 00:06 de 23 de Maio de 2020.

Em boa hora, a Direcção-Geral da Saúde, editou umas normas sanitárias a que muito sugestivamente apelidou Passos necessários para comungar. Este título parece inspirado na multisecular e veneranda procissão do Senhor dos Passos da Graça, que agora passa a ter, nos ditos Passos, uma versão feminina: a procissão da Senhora dos Passos da (Drª) Graça (Freitas).

Para quem ainda não tenha percebido, a Direcção Geral de Saúde (DGS, não confundir, não obstante as parecenças, com a DGS que sucedeu à Pide) é, de momento, o mais intrusivo e potencialmente totalitário instrumento de poder do Estado português. A DGS, não só impôs 78 regras a observar pelos banhistas nas praias, como diariamente faz um comunicado sobre o estado da nação, em que opina sobre todo o tipo de matérias, até sanitárias, de que aliás pouco sabe, como ficou provado quando, por ocasião das primeiras notícias sobre a actual pandemia, disse que o vírus não era transmissível entre seres humanos, nem provavelmente chegaria a Portugal … Infelizmente, a DGS, usurpando competências que são próprias e exclusivas da Santa Sé, da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e, mais propriamente, de cada bispo na sua diocese, decidiu resolver, por sua conta e risco, algumas questões de natureza litúrgica.

Com efeito, a DGS divulgou recentemente um conjunto de orientações para o culto católico. Algumas de estas regras receberam a denominação Oração Segura, ao estilo das operações da GNR, geralmente apelidadas com designações análogas, tipo Natal em segurançaPáscoa tranquilaFim-de-ano feliz, etc. Oração Segura não é, contudo, um nome apropriado, não só porque a oração é sempre segura – insegura é, pelo contrário, a falta de oração – mas também porque a oração, quando é individual, não implica qualquer risco de contágio.

A questão sanitária só se põe em relação ao culto público, sobretudo a Missa, que é, decerto, a acção litúrgica mais frequente e que mais pessoas reúne, todas as semanas, no nosso país. É óbvio que o risco de contágio existe e que, portanto, deve-se ser prudente na forma como se realizam essas liturgias, como já devidamente acautelou a CEP, sem necessidade de que a DGS viesse agora, com os Passos necessários para comungar, ensinar o Pai-nosso ao vigário, ou seja, aos senhores bispos e padres.

Por este andar, qualquer dia a DGS, tão zelosa no que respeita à saúde espiritual dos portugueses, edita normas sobre a Confissão inócua, para evitar que, com a absolvição dos pecados, se transmita o novo coronavírus. Com Solução final poderia estabelecer regras para a Unção dos doentes, quando administrada a pessoas em situação terminal. Casamento à linha permitiria os noivos católicos, colocados à distância sanitariamente prescrita, trocar as alianças através de uma cana de pesca de dois metros. Para o Baptismo fixe, a DGS poderia prescrever o uso de uma mangueira, que permitisse ao celebrante lançar, a dois metros de distância, um esguicho de água sobre o neófito, utilizando seus pais e padrinhos, por precaução, escafandro, ou a toilette de surf

Em relação à Eucaristia, que outra coisa não é do que o Corpo, Sangue, Alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, real, verdadeira e substancialmente presente, a DGS chegou ao cúmulo de decretar – como Deus, no monte Sinai, deu a Moisés os dez preceitos da Lei de Deus – os seis novos mandamentos da comunhão higiénica.

Estes Passos necessários para comungar são: “1. Manter dois metros de distância na fila; 2. Baixar a máscara duas pessoas antes da sua vez de comungar; 3. Higienizar as mãos com uma solução à base de álcool; 4. Receber a hóstia e levar de imediato à boca; 5. Voltar a colocar a máscara; 6. Higienizar as mãos com uma solução à base de álcool.

Para o cumprimento da primeira regra, que exige os dois metros de distância na fila da comunhão, a DGS poderia obrigar o uso de uma vara com esse cumprimento, pois nem sempre será fácil determinar, a olho nu, se a distância é de 1,99 ou 2,01 metros. Fiéis mais sofisticados poderiam até utilizar um mecanismo análogo ao das viaturas que, quando detectam a proximidade de um obstáculo, apitam.

A indicação para “baixar a máscara duas pessoas antes da sua vez de comungar” é confusa porque, desde que se forma a fila, quem estiver duas posições à frente, estará sempre “duas pessoas antes da sua vez de comungar”, como é óbvio, a não ser que alguma de essas duas pessoas entretanto desista, ou uma terceira se intrometa, dando o golpe. Mais do que “baixar a máscara”, teria sido mais correcto dizer que a mesma deve ser removida, total ou parcialmente, quando estiver a comungar a antepenúltima pessoa à sua frente na fila da comunhão, como se diria em português escorreito, em vez do que se escreveu na novilíngua sanitária, o DGSês.

A regra que obriga a “higienizar as mãos com uma solução à base de álcool” implica necessariamente que, antes da Comunhão, se proceda à lavagem das mãos, como fez Pôncio Pilatos. É muito salutar que só se comungue com as mãos limpas, mas não parece adequado que essa operação tenha lugar imediatamente antes de se receber a Sagrada Eucaristia. Se os fiéis já o tiverem feito no início da celebração, não necessitariam de o fazer neste momento, quando toda a sua atenção deve estar centrada na recepção iminente do próprio Jesus de Nazaré.

É de uma incrível ligeireza a forma como estes Passos necessários para comungar se referem à Sagrada Comunhão, que é o acto mais excelso que é dado a alguma criatura realizar. Comungar não é, como nestas instruções se diz, “receber a hóstia e levar de imediato à boca”, como quem consome um alimento qualquer, mas receber o próprio Deus, ainda que oculto sob a espécie do pão consagrado.

Quero crer que a DGS, com esta linguagem, que mais do que infeliz é indelicada, não teve o intuito de injuriar a fé eucarística dos católicos, mas a verdade é que utiliza termos que não são aceitáveis, porque ofendem a sensibilidade dos cristãos. Não se pede à DGS que faça um acto de fé na presença real de Jesus Cristo na Eucaristia, mas que respeite os milhões de católicos que nela crêem e se abstenha de dar palpites sobre o que manifestamente não sabe. O que tão desajeitadamente recomendou, podia e devia ter sido dito de forma muito mais simples e respeitosa: comungue imediatamente, sem mais.

Depois, a DGS manda “voltar a colocar a máscara”. Esta disparatada recomendação recorda uma orientação que era dada nos aviões da TAP. Ao dizer-se que, em caso de despressurização da cabine, as máscaras de oxigénio cairiam automaticamente à frente de cada passageiro, acrescentava-se depois, com um sorriso forçado, que cada um deveria ajustar a sua própria máscara e respirar “normalmente”. É fácil de imaginar a normalidade de uma tal situação, se calhar com o avião a cair em poços de ar, ou a pique … O mesmo se diga, mutatis mutandis, de repor a máscara depois de comungar: com certeza que qualquer fiel, com um mínimo de devoção, terá, nesse momento, coisas muito mais importantes em que pensar, do que na máscara…

A última regra é também, desgraçadamente, insultuosa para os fiéis: “higienizar as mãos com uma solução à base de álcool”. Com efeito, ao recomendar um segundo momento PP (Pôncio Pilatos), sugere-se que a Santíssima Eucaristia possa ser ocasião de contágio, pois imediatamente antes de a receber, os fiéis já tinham lavado as mãos.

Felizmente, como o povo é estúpido e os católicos ainda o são mais, cada um destes Passos da procissão da Senhora Graça é ilustrado com um pedagógico desenho, tal qual as instruções de segurança das companhias aéreas. Infelizmente, não dá para pintar, porque já estão coloridos. Não teria sido má ideia que os contornos das figuras aparecessem a tracejado e sem côr, para os coitadinhos dos católicos se entreterem a unir os traços e pintar. Fica a sugestão.

DGS_PassosComungar-724x1024

O Papa Francisco e a CEP têm pedido aos padres e leigos que acatem as normas sanitárias em vigor e assim têm feito, de forma aliás exemplar, não obstante a compreensível contrariedade dos que, por terem uma fé mais esclarecida e uma maior devoção, mais sofrem com esta penosa situação. Pede-se à DGS, e demais instituições do Estado, que respeitem também a Igreja católica, nomeadamente reconhecendo a sua justa autonomia em matéria litúrgica, e que se abstenham de publicar orientações que, obviamente, ofendem a liberdade da Igreja, bem como a fé, a inteligência e a sensibilidade dos fiéis.

Bob cartoon, May 23
Telegraph Cartoons – May 2020
May 22 2020






Etiqueta principal: Fascismo Pós-Moderno.
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10 de maio de 2020

¿De qué color es esta carpeta?




Um pequeno vídeo que ilustra, e explica, o que estamos vivendo com o Covid-19.

As Autoridades, os Científicos, os Jornais, as Rádios, as Televisões, repetem incessantemente que “morreram dez”, “morreram cem”, “morreram mil”, “morreram milhões”, e as pessoas acabam por aceitar, e repetir, essa “verdade”.

Em Portugal, e até à data, foram imputados ao Covid-19 cerca de cem óbitos por milhão de habitantes – imputados ao Covid-19, note-se –, o que significa que, imputados ao Covid-19, terão ocorrido cerca de mil óbitos.

É uma pandemia?

NÃO❗️

Se o fosse as notícias necrológicas seriam imensas.

Se o fosse todos teríamos um familiar, um amigo, um vizinho, que teria falecido com o Covid-19.

É isso que está a acontecer?

NÃO❗️

O COVID-19 É UM EMBUSTE ‼️


From Old Boys Network 




Coimbra, 08 de Maio de 2020, às 16:50 UTC.


— fim —





Fontes
  1. Texto e Vídeo: Old Boys Network.
  2. Vídeo: “De que color es esta carpeta”. Esteban Arredondo Youtube Channel. Publicado a 23 de Abril de 2020. Recuperado a 10 de Maio de 2020. 
  3. O vídeo foi extraido da série da televisão espanhola “Merlí: Sapere aude”.




Etiqueta principal: Fascismo Pós-Moderno.
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12 de abril de 2020

A Boa Nova é «Ressuscitou!»

Febo e Vénus
Apolo e Afrodite
Sol e Amor



Passado o sábado, Maria de Magdala, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram perfumes para ir embalsamá-lo. De manhã, ao nascer do sol, muito cedo, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro.

Diziam entre si: «Quem nos irá tirar a pedra da entrada do sepulcro?» Mas olharam e viram que a pedra tinha sido rolada para o lado; e era muito grande. Entrando no sepulcro, viram um jovem sentado à direita, vestido com uma túnica branca, e ficaram assustadas. 

Ele disse-lhes: «Não vos assusteis! Buscais a Jesus de Nazaré, o crucificado? Ressuscitou; não está aqui. Vede o lugar onde o tinham depositado. Ide, pois, e dizei aos seus discípulos e a Pedro: ‘Ele precede-vos a caminho da Galileia; lá o vereis, como vos tinha dito'.» Saíram, fugindo do sepulcro, pois estavam a tremer e fora de si. E não disseram nada a ninguém, porque tinham medo.

Tendo ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana, Jesus apareceu primeiramente a Maria de Magdala, da qual expulsara sete demónios. Ela foi anunciá-lo aos que tinham sido seus companheiros, que viviam em luto e em pranto. Mas eles, ouvindo dizer que Jesus estava vivo e fora visto por ela, não acreditaram.

Depois disto, Jesus apareceu com um aspecto diferente a dois deles que iam a caminho do campo. Eles voltaram para trás a fim de o anunciar aos restantes. E também não acreditaram neles. 

Apareceu, finalmente, aos próprios Onze quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração em não acreditarem naqueles que o tinham visto ressuscitado.






Fontes





Etiqueta principal: Páscoa da Ressurreição.
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5 de abril de 2020

O Covid-19, a Morte, a Mentira e a Verdade

Vérité sortant du puits
A Verdade saindo do poço
Jean-Léon Gérôme /
Óleo sobre tela
1896



¿ PORQUÊ ?

¿ Porquê o CoronaPânico ?



Em minha opinião porque a Morte foi enfiada no Armário.


Aliás não só a Morte, a Doença, a Pobreza, a Velhice, também.

A Pobreza, a Doença, Velhice, a Morte, foram postas no Armário.

E, como estavam no Armário ninguém as via, ninguém pensava nelas.


A Pobreza, a Doença, a Velhice, a Morte

¡ não existiam !





Aí chega o Coronavírus

… e a Morte sai do Armário aos gritos!



¡¡¡ PÂNICO GERAL !!!









Etiqueta principal: Fascismo Pós-Moderno.
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2 de abril de 2020

Tudo Muda · Todo Cambia

A Europa e o Magrebe no ano 450 da Era Comum.
Nesse ano, há 1570 anos na Península Ibérica existiam:
no oeste, o Reino Suevo,
no nordeste, o Reino Visigótico,
em toda a restante península, o Império Romano do Ocidente.
Rómulo Augusto, o último Imperador Romano do Ocidente, foi deposto em 476.






RECUANDO NO TEMPO
Esta animação mostra a evolução tectónica e paleogeográfica da Terra até há 540 milhões de anos. 
E também mostra as principais eras glaciares: há 20 mil, 300 milhões e 445 milhões de anos.



REGRESSANDO AO PRESENTE
Esta animação mostra a evolução tectónica e paleogeográfica da Terra desde há 540 milhões de anos.
E também mostra as principais eras glaciares há: 20 mil anos, 300 e 445 milhões de anos.



REGRESSANDO AO PRESENTE
MAS COM OS HEMISFÉRIOS SEPARADOS
Esta animação mostra a evolução tectónica e paleogeográfica da Terra desde há 540 milhões de anos.
E também mostra as principais eras glaciares há: 20 mil anos, 300 e 445 milhões de anos.



HISTÓRIA DA EUROPA
2500 ANOS EM 10 MINUTOS
A Europa é um continente situado no hemisfério norte do globo terrestre.
Ao norte do continente europeu situa-se o Oceano Glacial Ártico; ao sul os Mares Mediterrâneo, Negro e Cáspio, a leste os Montes Urais e a oeste o Oceano Atlântico. Este vídeo mostra as fronteiras e populações de cada país na Europa, para todos os anos desde 400 aC. Estados vassalos e colónias não são incluídos na contagem da população de um país.






tudo muda mas alguns querem que nada mude
querem que nada mude para não perderem o poder

e

estão na disposição de matar imensa gente
para se manterem no poder mais algum tempo

pois

são os eleitos
são os excepcionais
adonai deu-lhes o mundo






Todo Cambia
Julio Numhauser
Nueva versión con Julio y su hijo Maciel, en familia.



Todo Cambia
Julio Numhauser

Cambia lo superficial
Cambia también lo profundo
Cambia el modo de pensar
Cambia todo en este mundo
Cambia el clima con los años
Cambia el pastor su rebaño
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Cambia el mas fino brillante
De mano en mano su brillo
Cambia el nido el pajarillo
Cambia el sentir un amante
Cambia el rumbo el caminante
Aunque esto le cause daño
Y asi como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Cambia todo cambia
Cambia todo cambia

Cambia el sol en su carrera
Cuando la noche subsiste
Cambia la planta y se viste
De verde en la primavera
Cambia el pelaje la fiera
Cambia el cabello el anciano
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Pero no cambia mi amor
Por mas lejos que me encuentre
Ni el recuerdo ni el dolor
De mi pueblo y de mi gente
Y lo que cambió ayer
Tendrá que cambiar mañana
Así como cambio yo
En esta tierra lejana

Cambia todo cambia
Cambia todo cambia






Referência





Etiqueta principal: Fascismo Pós-Moderno.
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