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10 de junho de 2021

Activei a conta no VK

 

Captura de ecrã 2021-06-10, às 07.30.59

Criei uma conta no VK – uma rede social russa semelhante à rede americana Facebook – em Setembro de 2018, no mesmo mês em criei este blogue, e pela mesma razão: o ter sido expulso do Facebook, o ter sido descriado (um nelogismo criado a partir de criado), sendo que a descriação é um homicídio virtual e um damnatio memoriae real: os Administradores do Facebook matam (virtualmente) o utilizador e destroem-lhe todo o conteúdo já publicado, conteúdo que custou ao utilizador muito tempo e muito trabalho.

Criei a conta no VK mas acabei por não a activar.

Activei-a agora.





Referências
  1. A primeira publicação neste blogue: Um blogue? Porquê?
  2. A minha conta no VK: Álvaro Athayde






Etiqueta principal: Censura.

25 de abril de 2021

Liberdade, Liberdade

O abandono da Liberdade



Liberdade, Liberdade, 
Quem a tem chama-lhe sua, 
Já não tenho Liberdade, 
Nem de pôr o pé na rua.




O que mais me irrita é ouvir os Fascistas, os Social-Fascistas, os Ladrões, os Homicidas, os Saqueadores, os Genocidas, aos gritos de Liberdade! Liberdade!






Etiqueta principal: 25 de Abril.

18 de abril de 2021

Vai Maria vai, vai com as outras tomar a vacina!


Uma manada de herbívoros selvagens segue as trilhas ancestrais.

Os adultos percorrem os caminhos que aprenderam a percorrer quando eram jovens. Os jovens, que seguem na manada com os adultos, aprendem a percorrer os caminhos que percorrerão quando forem adultos.

Uma manada de herbívoros domesticados é conduzida pelos pastores.



Os Homo sapiens sapiens, a espécie humana, a nossa espécie, é uma espécie social que umas vezes se comporta como as manadas de herbívoros selvagens, outras como as manada de herbívoros domesticados, outras ainda como as alcateias de lobos, ou as matilhas de cães.







Etiqueta Principal: Fascismo Pós-Moderno.

6 de abril de 2021

Totalitarismo Sanitário?

Totalitarismo Sanitário?


Primeiro a transcrição de um artigo de Joana, a louca com juízo, depois um comentário sobre a Implantação do Totalitarismo Sanitário em Portugal.




Os monstros das bolachas

Por Joana Amaral Dias no Diário de Notícias às 00:14 de 04 de Abril de 2021.

Uma das consequências desta gestão da covid tingida pelo medo foi passarmos de um Estado de direito para um Estado policial prenhe de leis estúpidas e arbitrárias, que escancararam os portões para um abuso de poder que oprime e intimida.

Faz sentido, por exemplo, que não se possa caminhar sozinho na praia enquanto temos lojas de ferragens ou bricolage e supermercados a abarrotar de gente? Tem lógica vedar jardins públicos ou impedir desporto ao ar livre quando reforçar o sistema imunitário e ter baixo peso é essencial no combate a esta doença? Certo é que são cada vez mais comuns os teatros do absurdo, os relatos distópicos de pessoas autuadas por comerem gomas ou bolachas na rua, por almoçarem sós dentro do carro ou de cidadãos presos com teste PCR negativo, como no já famoso caso da advogada detida (ainda que com alta clínica) porque passou pelo escritório para levantar uns processos e trabalhar em casa. Já agora, se, por exemplo, compramos um pão ao postigo mas não o podemos comer à porta do estabelecimento, nem na rua, nem no carro... onde será que podemos "ingerir o alimento", para usar a terminologia da PSP? Podemos comer!? Acrescente-se a obrigatoriedade de apresentar um comprovativo de morada para quem for à rua praticar exercício ou passear o cão, ou some-se a cobrança imediata das coimas (com a chantagem de quem não liquidar na hora ter de mais tarde pagar as custas processuais - atacando o direito à impugnação), entre outras aleivosias, e o fascismo sanitário está montado.

O estado de emergência, como o próprio nome indica, não pode ser banalizado, não suspende a Constituição e tem que respeitar a proporcionalidade. Mais de um ano depois de excepções continuamente decretadas, estas multas de 200 a mil euros por infracções ridículas, num país com um salário mínimo de pouco mais de 600 euros, estupram qualquer uma dessas três prerrogativas. De resto, pode mesmo haver litigância não apenas contra o Estado que impõe este totalitarismo, como queixa do agente que age com prepotência, considerando que o acto é cometido a título doloso, distorcendo o espírito da lei, ignorando que em causa está reduzir a disseminação do vírus.

Além do mais, em saúde, como muitos estudos indicam, punir com coimas tem eficácia muito reduzida e raramente constitui motivação para mudar ou aderir a um comportamento. Aliás, pode até mesmo ser contraproducente, originando posturas defensivas e desafiantes. As coimas intimidam, geram gordas receitas, mas são estratégia que apenas residualmente promove as atitudes desejadas.

Eis o "novo normal", inaugurado com o 11 de Setembro: a troca de liberdade por segurança, um perigoso marcador do século XXI caracterizado por medo, desconfiança, delação, coacção, perseguição. Tudo o que devíamos rejeitar numa civilização. De resto, qualquer pessoa devia perceber que se agora acontece aos comedores de bolachas ou às idosas que vão à padaria, amanhã sucede-lhe a si próprio. É verdade que o medo da morte, a pobreza, a habituação através da dose "de 15 em 15 dias", mesmerizaram e anestesiaram a sociedade, criando uma certa indiferença a este Estado autoritário e repressor no qual ninguém votou. Mas, mesmo assim, não estará a ser fácil demais levarem-nos os nossos direitos, tão simples como tirar um doce a uma criança? Ou será uma goma?

Psicóloga clínica. Escreve de acordo com a antiga ortografia.




JAD - Joana Amaral Dias
MS - Mário Soares
FSC - Francisco Sá Carneiro
AC - António Costa
RR - Rui Rio
JS - Jerónimo de Sousa
FL - Francisco Louçã


Implantação do Totalitarismo Sanitário em Portugal

Mas que se passa?

Então Joana Amaral Dias não é "de esquerda"?

Passa-se o que o Diagrama de Nolan etiquetado acima mostra:

Joana Amaral Dias, que é Libertária e Psicóloga Clínica, apercebendo-se que as pessoas estão a ser manipuladas pelo Governo e pelos Meios de Comunicação Social ao serviço dos Estatistas António Costa, Rui Rio, Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã, passou-se dos carretos e resolveu intervir.




Fontes







Etiqueta Principal: Fascismo Pós-Moderno.

25 de fevereiro de 2021

O racismo do “activista político anti-racista” Mamadou Ba

Vamos aos cotas (kotas)…


A propósito da novela do “activismo anti-racista” do racista “activista político anti-racista” Mamadou Ba enviaram-me umas “coisinhas” e solicitaram-me que me pronunciasse.

Lá me pronunciei e aqui reproduzo as “coisinhas” que recebi e o meu pronunciamento.


Cromoidiotices

Na minha cidade natal, Malanje, além das cores do arco-íris, todos aprendíamos quase sem querer uma escala cromática referente à cor da pele daqueles que andavam à nossa volta. Era assim: preto tal e qual, preto fulo, mulato, cabrito, pardo, branco de segunda e branco tal e qual.

José Mena Abrantes • Rede Angola • 15.02.2014 • 16h22  original

Na minha cidade natal, Malanje, além das cores do arco-íris, todos aprendíamos quase sem querer uma escala cromática referente à cor da pele daqueles que andavam à nossa volta. Era assim: preto tal e qual, preto fulo, mulato, cabrito, pardo, branco de segunda e branco tal e qual.

Preto tal e qual era o filho de dois pretos tal e qual. Mulato era o filho do preto tal e qual com o branco tal e qual. O filho do mulato com o preto tal e qual era o preto fulo. Cabrito era o filho do mulato com o branco tal e qual. Cabrito com o branco tal e qual gerava o pardo. Sendo este já normalmente bem claro, filho dele com um branco tal e qual já dava origem ao branco de segunda.

Aqueles que já não se percebia muito bem onde se situavam eram agrupados sob o rótulo de “fronteiras perdidas”. O percurso de preto tal e qual para o branco tal e qual, com todas as suas variantes e matizes intermédias, era considerado melhoria da raça. O percurso inverso era considerado atraso da raça.

Por muito ténues que essas nuances possam parecer, elas eram altamente compreensíveis para a mentalidade reinante no período colonial e quase ninguém na cidade desconhecia, por exemplo, que eu era branco de segunda. Bem, alguns ainda confundiam as coisas e muitas vezes fui recebido na principal pastelaria da cidade ao som do provocador ‘méééé…’ feito pelo empregado recém-chegado das berças, convencido que eu era cabrito como a minha avó materna.

Com a proclamação da Independência, muitos de nós achámos que essa questão da cor da pele deixaria de ter qualquer importância, até porque os dirigentes do país libertado haviam inscrito entre os seus princípios maiores a ausência de qualquer discriminação de qualquer natureza. E assim convivemos civilizadamente durante alguns anos, tratando-nos por camaradas, aparentemente alheios ao rigor e esforço visual necessários para distinguir tantos e tão variados tons na epiderme dos nossos parceiros humanos.

Eis senão quando no horizonte de uma nova imprensa, dita independente, surgiram alguns mentecaptos apostados em definir (pre)conceitos mais conformes à sua mentalidade. Eles assumiam-se como os mais puros e genuínos representantes de uma “angolanidade” por eles inventada e, fingindo que isso nada tinha a ver com a cor da pele, hierarquizaram os angolanos em “autóctones” (os superiores) e “extra-africanos” (os inferiores), classificação essa que nos fazia regredir muito para além de tempos tidos como ultrapassados.

Quando julgávamos que mais nada nos podia surpreender a esse nível, uma insólita manchete foi publicada com grande relevo num semanário: “O dilema de Angola: pretos ao poder porque… os negros já lá estão!” (Folha 8, 15/6/2013). Ficámos sem perceber lá muito bem o que era aquilo. Sabíamos já, claro, que as almas bem pensantes que negam ser racistas evitam chamar pretos às pessoas pretas, preferindo defender sem qualquer sustentação científica uma diferença subtil segundo a qual “preto é cor, negro é raça”.

Essa não era, porém, a lógica do autor do tal texto. Para ele, negros são “os novos dirigentes instalados no poder, formados nas academias ocidentais, que renegam a sua cultura, língua, costumes, alimentação, religião e tradição”, e pretos “os que estão relegados para a mais ignóbil pobreza, miséria extrema, discriminação, etc.” (sic).

Para tentar esclarecer a suposta diferença entre duas cores iguais (ou antes, de duas “não cores”, já que ambos os termos se referem à ausência de qualquer cor), o articulista chega ao extremo de precisar o que cada um desses “descolorados” prefere comer: os negros “preferem cozido à portuguesa e comem funge apenas uma vez por semana, porque senão dormem”, e os pretos “comem pirão todos os dias e várias vezes ao dia e não dormem, pelo contrário, trabalham vigorosamente” (sic).

Se julgam que exagero e as coisas ficam por aqui, não se iludam, porque os mulatos que até agora conhecemos, e que são e sempre foram apenas mulatos, afinal podem aspirar também a outro estado. “Os mulatos patrióticos consideram-se pretos”, garante o tal editorial. Com tão delirante caleidoscópio, admito a minha derrota e prefiro decretar a minha total cegueira para todas as cores existentes.

E eu que cheguei a julgar atrasada e arrevesada a mentalidade colonial.




O meu pronunciamento


Li este artigo do Malangino José Mena Abrantes faz anos!

Chama Brancos de Segunda aos que conheci como Brancos de Benguela, mas fora isso 'tá tudo bastante bem.

Li, também faz anos, declarações de outro Malangino, João Cardona Gomes Cravinho, que contava ao estarrecido entrevistador que o avô, um Velho Colono, afirmava que não existiam filhos ilegítimos mas que podiam existir pais ilegítimos, como era o caso de David Livingstone, que se tinha farto de fazer filhos nas pretas mas nunca tinha perfilhado nem educado nenhum porque, segundo ele, David Livingstone, os ditos filhos eram filhos da Tentação, do Pecado, de Satanás.

O pai do Mamadou Ba deve ter sido um David Livingstone francês, pelo que temos de o compreender e aos problemas psicológicos que o afectam.

Temos de o compreender mas não temos de o aturar e, menos ainda, de lhe pagar para que bolse sobre nós o ódio que tem ao pai.

Curiosamente Joseph Arthur de Gobineau, mais conhecido por Conde de Gobineau, o Grande Apóstolo do Racismo Branco que tanto influenciou a Intelectualidade Portuguesa, muito particularmente Joaquim Pedro de Oliveira Martins, sofria de mal semelhante àquele de que Mamadou Ba e todos os filhos de David Livingstone sofrem, só que Arthur de Gobineau não odiava o pai, um branco tal e qual, mas a mãe, uma parda antilhana.

E há mais casos bem conhecidos e documentados de quem odeie os demais porque se odeia a si próprio.







Etiqueta principal: Racismo Negro.

23 de fevereiro de 2021

A “Bazuca” e a Escravidão por Dívida


Orçamento e Escravidão por Dívida


Uma imagem, um artigo, dois comentários.


artigo

O Jogo do Rapa

O governo já aprovou. Os “aliados” também. Ainda há margem para negociação e ajuste, mas o essencial está ali. Seguiu para o Parlamento, com cedências e compromissos assumidos. Como é hábito. Quem sempre protestou contra o facto de as negociações orçamentais serem feitas “nas costas dos deputados” está agora silencioso. É normal: as negociações parlamentares são precedidas ou seguidas de discussões a dois ou três, mais ou menos discretas. Só se queixa quem não faz parte dessas conversas.

António Barreto • Diário de Notícias • 16 de Outubro de 2016 - 00:00 • Original

Mais do que nunca, o Orçamento é objecto de luta intensa. As razões são evidentes. Primeiro, há o confronto entre governo e oposição. O dinheiro é pouco, a Europa está a ver, as agências de rating também, o endividamento continua a crescer, a economia estagna e o investimento reduz. Ora, as promessas de acabar com a austeridade e iniciar um novo ciclo de prosperidade eram muitas. Sem resultados visíveis. O que é preocupante.

Segundo, há a luta entre aliados. Os partidos que apoiam o governo têm de satisfazer clientes, não podem ficar de mãos a abanar. Entre estes, as negociações são mais duras do que as convencionais entre situação e oposição. O PCP e o Bloco têm de mostrar alguma coisa: taxas e sobretaxas, aumentos de pensões e de subsídios sociais. Seja o que for, mas que permita justificar a “paz social” que se vive nas escolas, nos hospitais, na administração e nos transportes públicos. O PCP e o Bloco abandonaram a rua, mas é preciso que tal não se perceba.

O Orçamento é a folha de contabilidade de mais de metade da economia portuguesa: competir por fatias de orçamento é lutar pela divisão de poder, pelos interesses das classes e pelos ganhos e perdas. Como pouca coisa vive fora do Orçamento, é o prato essencial. A maior parte dos grupos económicos depende das encomendas do Estado, dos investimentos públicos e dos fundos europeus. As obras também. Tal como o novo emprego. Subsídios, bolsas, pensões e benefícios dependem do Estado. As discussões que se conhecem e de que a imprensa se fez eco são relativas aos pagamentos ao Estado ou do Estado. Não há praticamente quem queira debater a economia, a actividade das empresas, os planos de investimento, as prioridades industriais e de serviços ou as condições de crédito à actividade económica. Nada disso parece ter qualquer importância! Como também não foram marcantes as discussões sobre o Serviço Nacional de Saúde ou o sistema público de educação. Na verdade, a discussão aproximou-se muito daquele antigo Jogo do Rapa, em que o pião ditava a sorte de cada jogador: Rapa, Deixa, Tira e Põe!

Como toda a gente sabe que a prosperidade não é possível para breve, que vai ser necessário fazer sacrifícios, que as ameaças de sanções e de cortes de fundos são reais e que o investimento continua a não dar sinais de vida, o que é mais interessante é ver que ninguém, da situação e da oposição, quer ficar na fotografia. Muito pelo contrário, a agitação é toda para culpar os outros do que vai correr mal.

O problema é que quanto maior for a economia no Orçamento, ou dele dependente, menores são o crescimento e a eficácia. Como menor é o investimento privado. É verdade que aumenta a capacidade de decisão política e que assim se consolida o velho lugar-comum do primado da política, isto é, da subordinação da economia à política. Convém no entanto recordar que alguns dos maiores desastres da humanidade, como a colectivização forçada soviética, a revolução cultural chinesa e a economia de guerra nazi são boas ilustrações desse princípio. Cá em Portugal, a ditadura, a Censura, a guerra em África, o analfabetismo persistente, o condicionamento industrial e a nacionalização de empresas são também, à nossa escala, bons exemplos da “política no posto de comando”. É bom recordar!


primeiro comentário

Escravidão por Dívida

Uma questão radical:

Será que o objectivo do Governo, ou de quem nele manda,
não é mesmo levar Portugal a um novo resgate?

Quem beneficiaria se Portugal fosse de novo resgatado?


segundo comentário

Política Primeiro

A “política no posto de comando” a “política primeiro”, «politique d'abord» no original, foi, e é, característico do Maurrasianismo (de Charles Maurras), do Nacionalismo Integral e do Integralismo Lusitano,  não do Marxismo (de Karl Marxe do Socialismo Científico, quer na sua versão Social-democrata quer na sua versão Comunista.

——————————


Bazuca e Escravidão por Dívida


Quanto está acima da linha acima foi publicado no meu descriado Facebook Profile Álvaro Aragão Athayde em 

numa data que não sei precisar, mas certamente posterior 16 de Outubro de 2016, a data do artigo de António Barreto que transcrevi e re-transcrevo.

O Facebook Profile foi descriado, quanto lá tinha sido publicado desapareceu, mas a minha pasta que continha as imagens e o rascunho não desapareceu, e foi a partir desse rascunho e dessas imagens que me foi possível reconstruir o que então publiquei e agora republico.

Na dita pasta estava ainda um gráfico sobre a Evolução Histórica da Dívida Pública de Portugal, gráfico que então não publiquei mas que agora vou publicar:

Dívida Pública Portuguesa 1850-2012
Do semanário “Expresso”, mas não consegui recuperar a hiperligação para o original.


Entretanto, e ao procurar a dita hiperligação, encontrei mais gráficos sobre a mesma questão, Evolução Histórica da Dívida Pública de Portugal:

Dívida Pública Portuguesa 1850-2010
O Ser, a Aldrabice e a Propaganda

Dívida Pública Portuguesa 1850-2018
A grande mentira


Lembrei-me da publicação “Orçamento e Escravidão por Dívida” e fui recuperá-la por causa da Bazuca que ai vem e tanto entusiasma o tanta gente.

A Bazuca é Dívida!

A Bazuca é Dívida, mais Dívida!!!

Parte dessa Dívida já foi contraída pela Comissão Europeia em nome dos Estados da União Europeia – logo de Portugal… também –, a restante será contraída pelos Portugueses – Estado, Empresas, Particulares – se para a contraírem tiverem crédito junto das competentes instituições: bancos, capitalistas, emprestadores, financiadores, como preferirem chamar-lhes







Etiqueta principal: Escravidão por Dívida.

22 de fevereiro de 2021

“Quinta dos Animais” ou “O Triunfo dos Porcos”

 


Li esta obra há muitos anos, há tantos anos que já nem sei, e não é que ao voltar a ser autorizada a venda de livros pelo nosso governo tive a grata surpresa de verificar que a Porto Editora a tinha reeditado em Janeiro de 2021?

Comprei-a como é evidente, até porque o exemplar que tinha lido também estava perdido há muitos anos, há tantos anos que também já nem sei.

Comprei-a, relia-a e recomendo vivamente a sua leitura, a todos. A Todos!

A Civis, Militares e Religiosos.

A Brancos, Pretos, Amarelos, Vermelhos e Riscados

A Esquerdistas, Direitistas, Centristas, Conservadores e Progressistas.

A Monárquicos, Republicanos, Católicos, Maçons, Democratas, Socialistas, Comunistas, Anarco-Sindicalistas, Nacional-Sindicalistas e etc. por aí fora.

Lede. Lede a fábula da Quinta dos Animais. Lede!







Etiqueta principal: Fascismo Pós-Moderno.

1 de fevereiro de 2021

Que probabilidade tenho de não morrer… 97,724% !!!


Suponhamos que me constipo, que fico com alguma dificuldade em respirar normalmente, que me assusto, Será covid?, que faço o teste e que dá positivo.

Que probabilidade tenho de morrer… de COVID-19?

Alguma terei… mas qual?

Como sou meio alérgico a médicos e a hospitais, resolvo calcular a dita probabilidade antes de ir a correr para o banco de urgências mais próximo.

Para efectuar o cálculo necessito de dois valores:

  1. O da confiabilidade do teste.
  2. O da probabilidade de uma pessoa morrer de COVID-19.

Para a confiabilidade do teste o melhor que encontrei foi um artigo da Deutsche Welle onde se afirma, cito: 

De acordo com as fabricantes, os testes (rápidos de antígenos) deverão ter 97% de precisão – mas isso só se aplica em condições ideais de laboratório. Em condições reais, a sensibilidade do teste estaria entre 80% e 90% – o que é bom, mas, ao mesmo tempo, isso significa que cerca de 20% dos infectados não são detectados e seguem adiante com a sensação enganosa de que o teste deu negativo, podendo infectar centenas de outras pessoas.

Afirma-se isto e dá-se a entender que os demais testes têm uma confiabilidade superior à dos testes rápidos de antígenos.

Não dispondo de mais informação decidi arbitrar ao teste que tinha realizado uma confiabilidade de 95%, isto é, de 0,95, menos 2% do que os fabricantes afirmam e mais 5% do que o máximo em condições reais.

Para a probabilidade de uma pessoa morrer de COVID-19 tomei como estimador o número de óbitos por cem habitantes, valor que pode ser calculado a partir dos dados em Worldometers.info

De 15-02-2020 a 31-01-2021 foram imputados, em Portugal, 12.482 (doze mil quatrocentos e oitenta e dois) óbitos ao COVID-19, sendo a população do país, em 2020, de 10.196.709 habitantes.

Logo, dividindo 12.482 por 10.196.709, obtenho um estimativa da dita probabilidade, 

  • 12.482 ÷ 10.196.709 = 0,001.224.120.449.059
  • aproximadamente 0,122 por cento.

Isto feito posso aplicar a fórmula que sumariza o Teorema de Bayes 

Usando os seguintes valores 

P(B|A) = 0,95
  P(A) = 0,001.224.120.449.059
  P(B) = 0,95 x 0,001.224.120.449.059 + 0,05 x 0,998.775.879.550.941
       = 0,001.162.914.426.606 + 0,049.938.793.977.547
       = 0,051.101.708.404.153

e efectuando o cálculo 

P(A|B) = [P(B|A) x P(A)] ÷ P(B)
       = (0,95 x 0,001.224.120.449.059) ÷ 0,051.101.708.404.153
       = 0,001.162.914.426.606 ÷ 0,051.101.708.404.153
       = 0,022.756.860.052.677
       = 2,275.686.005.267.665 por cento
       ≈ 2,276%

concluo que, sabendo que testei positivo ao COVID-19, tenho uma probabilidade de pouco mais de dois por cento de morrer do dito e uma probabilidade de pouco menos de noventa e oito por cento de não morrer do dito.


Tenho 97,724% de probabilidade de não morrer… de COVID-19!

Bem bom!!!








Etiqueta principal: Coronapânico.

31 de janeiro de 2021

Jovens Mabecos vs Velhas Hienas



JOVENS MABECOS VS VELHAS HIENAS

Nas redes sociais há um conjunto de investidores amadores que está a ditar as tendências de investimentos, com portugueses em cena.

O caso mais recente é o da GameStop. Mas há mais.







Etiqueta principal: Financismo.

28 de janeiro de 2021

O Actual PREC

 

Tomada de posse de Joe Biden e Kamala Harris.


O Actual Processo Revolucionário Em Curso, APREC, é liderado pelos Globalistas.

Os Globalistas são os adeptos do Globalismo, uma Ideologia.

O Globalismo foi magistralmente caracterizado por Zbigniew Brzezinski no seu livro Between Two Ages: America's Role in the Technetronic Era (1970), cito, 

Nation state as a fundamental unit of man’s organized life has ceased to be the principal creative force: International banks and multinational corporations are acting and planning in terms that are far in advance of the political concepts of the nation-state. 

ou, em português, 

O estado nação como unidade fundamental da vida organizada do homem deixou de ser a principal força criativa: Os bancos internacionais e corporações multinacionais estão actuando e planeando em termos que estão muito à frente dos conceitos políticos do estado-nação

O Objectivo Político dos Globalistas é a Tomada de Poder a Nível Mundial.





Etiqueta principal: Fascismo Pós-Moderno

26 de dezembro de 2020

Identidades e Poder

 


Um artigo de Nelson Faria, da Sociedade de Jesus, e um comentário meu.


Quem semeia identidades, colhe tempestades

Os interesses identitários estão a arrastar-nos para um estado de tempestade social. A necessária correção de trajetória advirá através da redescoberta do bem comum, e do restabelecer da confiança mútua.

Por P. Nelson Faria, sj em Ponto SJ a 21 de Dezembro de 2020.

Alegro-me com o momento atual de atenção generalizada à discriminação e às injustiças que assolam a nossa sociedade. Mas não resisto a franzir o sobrolho quando me encontro diante de comentários como “és homem, não entendes”, “por seres branco não compreendes”, ou ainda “se discordas és homófobo”. Naturalmente, pelo ódio e exclusão que já despoletam, perturbo-me mais quando escuto “volta para a tua terra”, “o lugar da mulher é na cozinha” ou “homossexualidade é perversão”. Contudo, creio que em todas elas encontramos um excesso de sentimento e um défice de razão.

Tem-se generalizado um tipo de discurso no espaço público em que o que releva não é a opinião, os valores e o caráter de alguém, mas sim a cor da sua pele, a sua orientação sexual, o seu género, ou a tradição religiosa a que pertence. Esta pulsão para identificar o sujeito com um coletivo é acompanhada por uma tendência em reduzir a complexidade das nossas relações em sociedade e toda a nossa história partilhada, a dois papéis sociais “todo-explicativos”: privilegiados e oprimidos. Isto é, em função do coletivo em que somos incluídos, somos opressores ou vítimas, e seremos julgados como tal.

Há uma degradação da nossa capacidade de pensar e sonhar juntos.

Abundam narrativas de vitimização em que o “nós” se restringe à “identidade de pertença”, seja ela ser homem ou mulher, ser nacional ou estrangeiro, ser branco ou negro, heterossexual ou LGBT+. Aparentemente, parece que nos esquecemos que, além das “identidades de pertença” – centradas no género, ideologia, nacionalidade, orientação sexual, ou sectarismos religiosos – existem também “comunidades de pertença” – como família, bairro, cidade, nação e, no seio da Igreja católica, paróquias. Nestas, a primeira pessoa do plural – “nós” – pode ser conjugada de forma a incluir outros que não se encontram dentro do meu campo de afinidades ideológicas, identitárias, étnicas ou religiosas.

Regresso ao ponto de partida: que da previsão constitucional que proíbe a discriminação em função da nacionalidade, sexo, raça, religião e orientação sexual, tenhamos passado a um estado de alerta social, é um grande feito e devemos louvá-lo. E muito há ainda por fazer para passar de um estado de alerta à efetiva correção das desigualdades. Contudo, na forma como debatemos, parece evidente que há uma degradação da nossa capacidade de pensar e sonhar juntos.

O semear constante dos interesses identitários no espaço público está a arrastar-nos para um estado de tempestade social em que as distintas identidades de pertença se fragmentam e se enquistam. Uma correção de trajetória é crucial, e creio que o poderemos fazer redescobrindo o bem comum e restabelecendo a confiança mútua.

Temos de ousar habitar um campo social em que outros existem, e em que o “nós” político é mais rico que os interesses da minha identidade de pertença.

Comecemos pelo bem comum. A deslocalização do centro da nossa atenção das comunidades em direção às identidades de pertença faz com que a atividade política negligencie o todo em função de fragmentos da sociedade. Este movimento de substituição tem um impacto claro na forma como analisamos a realidade: se o fragmento dita a forma como vejo o todo, o deslize em confundir “interesse de um segmento” com “interesse de todos” é previsível e, temo, inevitável.

Sendo indiscutível que há situações de injustiça que reclamam ações específicas e direcionadas, estas devem ser gizadas a partir de um pensamento que possibilite, ao mesmo tempo, a reparação da injustiça e a proposição de um caminho comum de realização pessoal e comunitário. O reconhecimento do “eu” é fundamental e deve ser preservado, mas quando sonhamos o destino dos nossos bairros, cidades, regiões e nações, quando discutimos temas como família e justiça social, temos de aprender a conjugar a primeira pessoa do plural.

Temos de ousar habitar um campo social em que outros existem, e em que o “nós” político é mais rico que os interesses da minha identidade de pertença. Devemos desejar integrar comunidades além do cluster identitário, e compreender que identidade é uma forma de fazer parte do todo. Urge que nos deixemos nortear pela vontade de construir um lugar onde talvez não estejamos de acordo em todas as matérias, mas em que possamos respeitosamente viver com o diferente, sem lhe negar dignidade nem horizonte de futuro.

Este retorcer da realidade lança-nos numa guerra de todos contra todos, pois a visão de fundo é a de que há inimigos partilhados, mas não um desiderato comum.

E isto traz-nos até ao segundo elemento da nossa correção de trajetória: o restabelecer da confiança mútua. A divisão redutora da sociedade e da nossa história a dois simples papéis – privilegiado ou oprimido – em função da nacionalidade, sexo, raça, religião e orientação sexual, torce a realidade. Dois exemplos: exigir uma distribuição da riqueza justa não nos pode levar a considerar todos os empresários como “exploradores”; que existam casos de marginalidade entre pessoas que não nasceram em Portugal, não justifica que todos os estrangeiros – ou uma nacionalidade específica – sejam apodados de criminosos. A narrativa redutora arrasta-nos inevitavelmente para o conflito.

Este retorcer da realidade lança-nos numa guerra de todos contra todos, pois a visão de fundo é a de que há inimigos partilhados, mas não um desiderato comum. O outro não deve ser o rival com quem nos digladiamos na arena, mas alguém com quem faço caminho, como numa corrida em que o pé esquerdo de um está atado ao pé direito do seguinte: só alcançaremos a meta ao pôr-nos de acordo sobre o objetivo comum e acertando passo.

Restabelecer a confiança mútua é exigente, pois implica uma conversão dos nossos hábitos de raciocínio. Há muitas razões para a rivalidade e para a suspeita, algumas delas baseadas na biografia de cada um de nós. Mas há que começar por reconhecer a nossa pertença mútua e a imprescindibilidade da colaboração. O ponto de partida não pode ser o conflito, mas a confiança.

Estabelecer relações de confiança mútua, em que se possa conjugar a primeira pessoa do plural de forma verdadeiramente inclusiva, apontando um bem comum, será tarefa inacabada, em constante devir e atualização. Sendo exigente e árduo, é também o único caminho que vale a pena seguir

Fotografia de Fares Hamouche – Unsplash

* Os jesuítas em Portugal assumem a gestão editorial do Ponto SJ, mas os textos de opinião vinculam apenas os seus autores.

Original aqui.


Identidades e Poder

O título do artigo, “Quem semeia identidades, colhe tempestades”, chamou-me a atenção: um Jesuíta a pegar na questão da Política de Identidades, deixa-me cá ir ler!

Mas, confesso-o humildemente, a primeira oração “Alegro-me com o momento atual de atenção generalizada à discriminação e às injustiças que assolam a nossa sociedade.” desacorçoou-me – lá vinham as pieguices dos padrecas! – mas li o artigo todo.

Lido o artigo que se me oferece dizer?

Pareceu-me que o autor ainda não percebeu:
  1. Que a Política de Identidades é uma variação do antiquíssimo Dividir para conquistar. Dividir para reinar.
  2. Que para o grupo, ou grupos, que estão tentando tomar o poder a nível planetário o bem comum coincide com o seu próprio bem.
  3. Que o conflito que o articulista parece estar interessado em evitar não é evitável porque já está em curso, já se combate. Já se combate de armas na mão.
  4. Que orações como aquela com que abre o artigo não lhe granjeiam simpatia mas desprezo: o desprezo que os fortes têm pelos fracos.
  5. Que a Constituição da República Portuguesa não garante nada a ninguém porque quem está tentando tomar o poder a cumpre, ou a incumpre, quando lhe convém, sem punição.

Sei que é inadequado pedir a um Brâmane que pegue em armas, essa é a função dos Xátrias, mas é adequado pedir-lhe que identifique as questões e que, clara e verdadeiramente, explique o que se passa, o que está em causa.


Seja como fôr, e pesem embora as criticas que fiz, acho que valeu, e vale, muito a pena ler o artigo.




Etiqueta principal: Política de Identidades.

14 de novembro de 2020

Azul = Bom ⩒ Vermelho = Mau

 




Trocos /premium

Longe de mim qualquer convicção íntima na fraude. Desconfio só da feroz unanimidade da linguagem do Bem e não consigo escapar ao exercício contra-factual de imaginar que sucederia se fosse ao contrário

Por Paulo Tunhas no Observador ás 07:37 de 12 de Novembro de  2020. Tem comentários.

Há uns dias, estava a jantar com a minha mulher numa esplanada quando um pedinte veio ter connosco, a requerer dinheiro para uma sopa. Enquanto a minha mulher lhe dava um euro (quantia que eu reservo para o círculo restrito dos meus pedintes pessoais), expliquei-lhe (e era verdade) que só tinha moedas das pequeninas e tirei do bolso do casaco uma incómoda mão-cheia de moedinhas número 1 do Tio Patinhas, que se avizinhavam certamente, em conjunto, do euro da concorrência conjugal. Era um negócio, pensei, que convinha aos dois. Pegou nelas e afastou-se, sem agradecer, e depois parou para analisar o conteúdo da oferta, deitando para o chão da rua as de 1 e 2 cêntimos.

Eis alguém que fez a celebrada escolha da qualidade, mesmo em circunstâncias adversas. Chapeau! Ainda nos ficámos a rir com a surpresa e, depois de jantarmos, apanhámos as moedas do chão, com rigores de protestantes weberianos habitados pelo espírito do capitalismo. Maldito capitalismo, capaz de tornar uma católica e um ateu servos inconscientes de Calvino… Mas se a coisa tivesse ficado por aqui, nada de mal se teria verdadeiramente passado. O problema veio quando, sem querer, descobri que eu próprio atiro frequentemente trocos para o chão. Não exactamente trocos em cêntimos, mas trocos em ideias. Apesar de saber bem que até as mais esdrúxulas ideias contêm em si uma via, mesmo minúscula, para a verdade, há vezes em que, para evitar que os bolsos do espírito se atafulhem com uma população largamente inútil, os esvazio dos trocos que o dia-a-dia perversamente nos faz acumular. Aquilo que, na passagem do século XIX para o século XX, se chamava economia do pensamento também passa por aqui.

Dou um exemplo. Estão certamente a par do recente milagre que transformou o mundo, anunciando a magnífica vitória do Bem sobre o Mal, da luz sobre as trevas. A nossa América, a América boa, a América eterna dos nossos sonhos e das nossas promessas, venceu a falsa América, a anti-América, a América dos nossos pesadelos e das nossas frustrações. Dito de outra maneira: uma criatura da luz chamada Joe Biden derrotou nas eleições um mafarrico cujo próprio nome, Donald Trump, causa repulsa e mal-estar em qualquer um que o demo não tenha já irremediavelmente possuído com os seus fétidos miasmas. Não há boca que não cante, como cantam os anjos, a irreprimível alegria de tão gloriosa vitória do solar amanhã que nos é prometido e as palavras fluem, melodiosas: decência, bondade, união, compreensão, diversidade e todos os outros vocábulos que, ainda que aquém do êxtase propriamente dito, o anunciam como uma certeza plena e inteira.

É verdade que o mafarrico ainda estrebucha e os seus servos gostam de lembrar episódios passados que apontam no sentido de pelo menos uma modesta aceitabilidade da verosimilhança da sua doutrina sobre a possibilidade de ter existido alguma fraude eleitoral em tudo isto. Recordam, por exemplo, o facto de gente insuspeita de qualquer simpatia pelos republicanos ter há anos emitido considerações favoráveis à supressão do voto por correspondência por este poder conduzir à fraude eleitoral. Ou que, em 2016, muitos suspeitaram que a votação de Trump fora (nomeadamente no Wisconsin, no Michigan e na Pensilvânia) o resultado de manipulações do voto electrónico – isto para não falar da tese do “conluio russo”. Ou que, no passado, a mafia do Illinois havia roubado a Nixon a presidência em benefício de Kennedy. Ou que a eleição senatorial da Pensilvânia, em 1994, fora anulada por causa de fraudes maciças organizadas pela campanha do democrata William Stevenson. Aos olhos dos servos de Trump, isto deveria permitir, sem dúvida, que se apontasse que as acusações do actual presidente dos Estados Unidos são, pelo menos presentemente, insubstanciadas – mas não que se decretasse que são indesmentivelmente falsas.

A visão maniqueísta das coisas e a desconsideração da experiência passada deveria pôr-nos um bocadinho de pé atrás. Longe de mim qualquer convicção íntima na fraude. Desconfio apenas da feroz unanimidade da linguagem do Bem e não consigo escapar ao exercício contra-factual de imaginar o que diriam os democratas e os seus delegados portugueses, entre outros, se Trump tivesse vencido Biden por tão exígua margem, e à última hora, em vários swing states. Um passarinho diz-me que estariam exactamente a defender, aplaudindo, que Biden fizesse o que Trump está a fazer. Se a isto acrescentarmos a ininterrupta campanha que os democratas e a sua máquina jornalística levaram durante quatro anos a cabo contra Trump, com uma parcialidade e uma violência inauditas, a desconfiança adensa-se e o grosso do argumentário aparece muito discutível, o contrário exacto de uma evidência indesmentível.

Por mim, vou ficar muito caladinho e a pensar em coisas mais elevadas enquanto os tribunais não tiverem feito o seu trabalho. Até aí, faço como o outro e lanço os trocos – a linguagem do Bem e as certezas espúrias — para o chão. Não por especial gosto de discordar ou por ser dotado de uma natureza desconfiada, juro. Gostava imenso de experimentar a beatitude que transparece do canto dos nossos anjos, americanos ou caseiros, e de ser habitado pela irreprimível certeza que partilham. E, em vez de atirar moedas para o chão, preferia responder como uma miúda que em Paris, há muito tempo, em frente a Beaubourg, me agradeceu o cigarro que me tinha pedido: Cool! É mesmo só que não acho essa gente nada cool.

original e comentários aqui




Azul = Bom Vermelho = Mau

Os Azuis são Bons, os Vermelhos são Maus e não existem senão estas duas hipóteses de se ser: 
— Ou se é Azul, ou se é Vermelho, ou se é Bom, ou se é Mau.

Em Lógica dizemos que estamos em presença de uma Disjunção Exclusiva – ou um, ou outro, mas não ambos, nem uma terceira hipótese – em Filosofia dizemos que estamos em presença de uma Mundivisão Dualista, em Teologia que estamos em presença de uma Religião Dualista.

E é esta Mundivisão-Religião Dualista que “the powers that be” nos querem enfiar pelas goelas abaixo!

Monismo & Dualismo, publicado a 29 de Setembro de 2018.






Etiqueta principal: Fascismo Pós-moderno.

18 de setembro de 2020

A camisa-de-onze-varas

ACORDAI
Música: Fernando Lopes-Graça
Letra: José Gomes Ferreira


Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!




Andando eu a arrumar livros e papéis encontrei, descobri, um texto de que já me não lembrava, um texto que escrevi e publiquei  em 2012, já lá vão 8 (oito) anos. 

Rascunhei-o nos dias 28 e 29 de Abril – versão v.0, manuscripta, terminada às 04:25 de 28, versão v.1, computatuscripta, terminada à 15:43 do mesmo dia, versão v.2, computatuscripta, terminada às 02:20 de 29 –, finalizei-o na Véspera de São João – versão v.2.F, computatuscripta, a final, a que disponibilizei na Dropboxterminada, às 21:35 de 23 de Junho de 2012 – e publiquei-o nessa mesma noite no Facebook, no meu perfil Álvaro Aragão Athayde. A que horas o publiquei não sei precisar porque o Facebook me descriou esse perfil (Um blogue? Porquê?).




Acordai!


Nós, portugueses, estamos metidos numa camisa-de-onze-varas…

Creio bem que já não há quem afirme o contrário!

E, estando-o, a nossa preocupação fundamental é, deverá ser, como é que vamos sair desta?

Como vamos nós portugueses superar esta tão badalada crise?

A primeira e fundamental questão é pois, em minha opinião, a questão de saber se queremos realmente superar a crise e, querendo-o, em que termos o queremos fazer.

Ou seja, a questão fundamental é O QUE É QUE NÓS QUEREMOS?

Eu, por mim, pessoal e familiarmente falando, quero sobreviver, continuando a ser quem sou.

Portanto, e concretizando:
  • Quero continuar a viver, quero continuar a falar português, quero continuar a poder comer joaquinzinhos e a beber vinho verde, quero continuar a dançar a chula e a cantar o fado, a dizer piropos e a fumar Definitivos, a afirmar que Camões é o máximo mas que Vieira não lhe fica atrás, a ler, no original, Herculano, Eça, Castro Alves, Jorge Amado, a declamar Bocage, Pessoa, Gedeão.
  • E quero ter filhos, netos e bisnetos que sigam nesta mesma linha.

Simples e consensual dir-me-ão...

Infelizmente não!

E não porque entre nós há quem não queira sobreviver, os suicidas, e quem queira sobreviver mas mudando de cultura, os arrependidos.

Os suicidas não se afirmam, infelizmente, como suicidas. Os suicidas defendem e realizam,
em nome de grandes princípios, politicas que desencorajam, ou impedem, a natural reprodução humana. E fazem-no, fundamentalmente, desencorajando ou impedindo as mulheres de terem filhos.

Notem que eu não tenho nada contra a libertação da mulher, nem contra a igualdade de género, tenho, isso sim, contra a utilização destas bandeiras com o objectivo de reduzir a natalidade e, por essa via, promover a extinção do grupo.

Se não houver filhos não há netos e, como todos envelhecemos e acabamos por morrer, o não haver filhos nem netos acarreta que iremos diminuindo, diminuindo, e, quando morrer o último, acaba-se.

Morreu o bicho, acabou a peçonha!

Os arrependidos, que também não se afirmam como arrependidos, defendem e realizam, igualmente em nome de altíssimos ideais, políticas culturais que têm em vista, por um lado, desencorajar ou impedir as manifestações que no seu entender são retrógradas ou impróprias e, por outro, encorajar e realizar as que consideram correctas e progressistas.

Quem se não lembra do que aconteceu com o fado nos idos do PREC?

O fado foi oficialmente declarado, pelos autodenominados progressistas, como sendo uma manifestação fascista!

Era a teoria dos três efes: Fado, Fátima e Futebol. As três manifestações máximas do fascismo. As três a serem proscritas, perseguidas, eliminadas para todo o sempre.

Tudo para o bem e o progresso do povo.

Hoje, como é sabido, o fado foi proposto a Património da Humanidade, o futebol é motivo de orgulho nacional e Fátima lá continua...

Os arrependidos também nos costumam brindar com largas laudas ao progresso, ao desenvolvimento, à necessidade de imitarmos o que de verdadeiramente extraordinário se faz nos países que consideram desenvolvidos e progressistas.

Notem que, como no caso anterior, nada tenho nada contra o desenvolvimento, nem contra o progresso. Mas, também como no caso anterior, sou contra facto de estas bandeiras serem usadas para nos levar a macaquear outros países, e a importar, de forma mais ou menos acrítica, toda e qualquer novidade, supostamente extraordinária, que por lá surja!

Recusando eu o partido dos portugueses suicidas e também o partido dos portugueses arrependidos, declaro-me, oficialmente, aqui e agora, militante do partido dos portugueses entusiastas.

Eu quero ser português! Eu gosto de ser português!

Eu quero comer carne de porco à alentejana, beber cartaxol, dançar o vira, cantar o Zeca, declamar a Natália, ler o Mia Couto!

O meu partido é, como diria um certo militante do Partido Comunista Português, o partido do nosso povo!

Bom, já estou a ver muito camarada com os cabelos em pé!

E estão-no porque, supostamente, o meu discurso é um discurso direitista, ultranacionalista, fascista mesmo...

A esses camaradas só lhes digo uma palavra: ACORDAI !

Fernando Lopes-Graça
Acordai!

Acordai e olhai em volta.

O desenvolvimento, o internacionalismo, o futuro, o progresso, já não passam por Milão, por Viena, por Paris, ou por Berlim. Há anos que já não passam...

O desenvolvimento, o internacionalismo, o futuro, o progresso, passam hoje por Brasília, Moscovo, Deli, Pequim, Pretória.

Passam, ainda, por Washington, Tóquio, Londres e suas filhas, ou irmãs: Camberra, Otava, Wellington.

Passarão, dentro de não muito tempo, por Bogotá, Caracas, Luanda, Maputo, México, Teerão.

O Mundo mudou... A Europa já era!

E a isso acresce que a Europa está novamente em guerra intestina. Alemanha, França, Itália disputam-se o comando do efémero Império do bárbaro Carlos Magno.

As Espanhas em geral, Portugal em particular, nunca integraram tal império. Estávamos, à época, em outro campeonato. E em outro campeonato estivemos até há muito pouco tempo.

A Grã-Bretanha também nunca integrou o bárbaro Império... e já começou a desacoplar. Docemente, que a nave é grande...

A minha posição não é pois fascista, nem ultranacionalista, nem direitista sequer. A minha posição é, simplesmente, realista.

Sou português, quero continuar a sê-lo, quero que os meus filhos e netos o sejam. E não quero que nos vejamos envolvidos na disputa da herança de Carlos Magno.

Estes são, a meu ver, os reais interesses do nosso povo.

Repito pois a palavra que acima disse, palavra que o Fernando Lopes Graça melhor e antes já disse: ACORDAI !




Fontes






Etiqueta principal: Fascismo Pós-Moderno.