A propósito da novela do “activismo anti-racista” do racista “activista político anti-racista” Mamadou Ba enviaram-me umas “coisinhas” e solicitaram-me que me pronunciasse.
Lá me pronunciei e aqui reproduzo as “coisinhas” que recebi e o meu pronunciamento.
Cromoidiotices
Na minha cidade natal, Malanje, além das cores do arco-íris, todos aprendíamos quase sem querer uma escala cromática referente à cor da pele daqueles que andavam à nossa volta. Era assim: preto tal e qual, preto fulo, mulato, cabrito, pardo, branco de segunda e branco tal e qual.
José Mena Abrantes • Rede Angola • 15.02.2014 • 16h22•original
Na minha cidade natal, Malanje, além das cores do arco-íris, todos aprendíamos quase sem querer uma escala cromática referente à cor da pele daqueles que andavam à nossa volta. Era assim: preto tal e qual, preto fulo, mulato, cabrito, pardo, branco de segunda e branco tal e qual.
Preto tal e qual era o filho de dois pretos tal e qual. Mulato era o filho do preto tal e qual com o branco tal e qual. O filho do mulato com o preto tal e qual era o preto fulo. Cabrito era o filho do mulato com o branco tal e qual. Cabrito com o branco tal e qual gerava o pardo. Sendo este já normalmente bem claro, filho dele com um branco tal e qual já dava origem ao branco de segunda.
Aqueles que já não se percebia muito bem onde se situavam eram agrupados sob o rótulo de “fronteiras perdidas”. O percurso de preto tal e qual para o branco tal e qual, com todas as suas variantes e matizes intermédias, era considerado melhoria da raça. O percurso inverso era considerado atraso da raça.
Por muito ténues que essas nuances possam parecer, elas eram altamente compreensíveis para a mentalidade reinante no período colonial e quase ninguém na cidade desconhecia, por exemplo, que eu era branco de segunda. Bem, alguns ainda confundiam as coisas e muitas vezes fui recebido na principal pastelaria da cidade ao som do provocador ‘méééé…’ feito pelo empregado recém-chegado das berças, convencido que eu era cabrito como a minha avó materna.
Com a proclamação da Independência, muitos de nós achámos que essa questão da cor da pele deixaria de ter qualquer importância, até porque os dirigentes do país libertado haviam inscrito entre os seus princípios maiores a ausência de qualquer discriminação de qualquer natureza. E assim convivemos civilizadamente durante alguns anos, tratando-nos por camaradas, aparentemente alheios ao rigor e esforço visual necessários para distinguir tantos e tão variados tons na epiderme dos nossos parceiros humanos.
Eis senão quando no horizonte de uma nova imprensa, dita independente, surgiram alguns mentecaptos apostados em definir (pre)conceitos mais conformes à sua mentalidade. Eles assumiam-se como os mais puros e genuínos representantes de uma “angolanidade” por eles inventada e, fingindo que isso nada tinha a ver com a cor da pele, hierarquizaram os angolanos em “autóctones” (os superiores) e “extra-africanos” (os inferiores), classificação essa que nos fazia regredir muito para além de tempos tidos como ultrapassados.
Quando julgávamos que mais nada nos podia surpreender a esse nível, uma insólita manchete foi publicada com grande relevo num semanário: “O dilema de Angola: pretos ao poder porque… os negros já lá estão!” (Folha 8, 15/6/2013). Ficámos sem perceber lá muito bem o que era aquilo. Sabíamos já, claro, que as almas bem pensantes que negam ser racistas evitam chamar pretos às pessoas pretas, preferindo defender sem qualquer sustentação científica uma diferença subtil segundo a qual “preto é cor, negro é raça”.
Essa não era, porém, a lógica do autor do tal texto. Para ele, negros são “os novos dirigentes instalados no poder, formados nas academias ocidentais, que renegam a sua cultura, língua, costumes, alimentação, religião e tradição”, e pretos “os que estão relegados para a mais ignóbil pobreza, miséria extrema, discriminação, etc.” (sic).
Para tentar esclarecer a suposta diferença entre duas cores iguais (ou antes, de duas “não cores”, já que ambos os termos se referem à ausência de qualquer cor), o articulista chega ao extremo de precisar o que cada um desses “descolorados” prefere comer: os negros “preferem cozido à portuguesa e comem funge apenas uma vez por semana, porque senão dormem”, e os pretos “comem pirão todos os dias e várias vezes ao dia e não dormem, pelo contrário, trabalham vigorosamente” (sic).
Se julgam que exagero e as coisas ficam por aqui, não se iludam, porque os mulatos que até agora conhecemos, e que são e sempre foram apenas mulatos, afinal podem aspirar também a outro estado. “Os mulatos patrióticos consideram-se pretos”, garante o tal editorial. Com tão delirante caleidoscópio, admito a minha derrota e prefiro decretar a minha total cegueira para todas as cores existentes.
E eu que cheguei a julgar atrasada e arrevesada a mentalidade colonial.
O meu pronunciamento
Li este artigo do Malangino José Mena Abrantes faz anos!
Chama Brancos de Segunda aos que conheci como Brancos de Benguela, mas fora isso 'tá tudo bastante bem.
Li, também faz anos, declarações de outro Malangino, João Cardona Gomes Cravinho, que contava ao estarrecido entrevistador que o avô, um Velho Colono, afirmava que não existiam filhos ilegítimos mas que podiam existir pais ilegítimos, como era o caso de David Livingstone, que se tinha farto de fazer filhos nas pretas mas nunca tinha perfilhado nem educado nenhum porque, segundo ele, David Livingstone, os ditos filhos eram filhos da Tentação, do Pecado, de Satanás.
O pai do Mamadou Ba deve ter sido um David Livingstone francês, pelo que temos de o compreender e aos problemas psicológicos que o afectam.
Temos de o compreender mas não temos de o aturar e, menos ainda, de lhe pagar para que bolse sobre nós o ódio que tem ao pai.
Curiosamente Joseph Arthur de Gobineau, mais conhecido por Conde de Gobineau, o Grande Apóstolo do Racismo Branco que tanto influenciou a Intelectualidade Portuguesa, muito particularmente Joaquim Pedro de Oliveira Martins, sofria de mal semelhante àquele de que Mamadou Ba e todos os filhos de David Livingstone sofrem, só que Arthur de Gobineau não odiava o pai, um branco tal e qual, mas a mãe, uma parda antilhana.
E há mais casos bem conhecidos e documentados de quem odeie os demais porque se odeia a si próprio.
Por causa do Incidente no Cafunfo, das notáveis declarações que, a propósito do dito, Susete Antão expendeu no programa Política no Feminino, emitido pela Televisão Pública de Angola (TPA) no dia 6 de Fevereiro de 2021, e das ainda mais notáveis reacções às ditas opiniões.
Mas vamos aos factos primeiro, depois aos meus comentários.
Suzete Antão é a branca à esquerda da apresentadora, que se volta para ela no minuto 1:29:56.
As demais são mestiças, todas, incluindo a mais escura.
O programa foi para o ar no sábado, e na segunda-feira Graça Campos, também mestiço, publicou dois artigos no Correio Angolense, que transcreverei.
Trabalho inacabado
Graça Campos • Correio Angolense • Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2021 • Original
A nossa meio compatriota Susete Antão, a quem o MPLA incumbiu de classificar os angolanos por percentagens, não completou o frete.
No raciocínio que defendeu sexta-feira no Política no Feminino, Susete Antão deixou claro que o líder da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, não é 100% angolano porque também é titular de nacionalidade portuguesa – é público que o homem já renunciou à nacionalidade lusa.
Ela própria também meia angolana, já que metade da costela é portuguesa, Susete Antão não explicou em que percentagem os mestiços, descendentes directos de brancos portugueses e outros, são angolanos.
Para a completa clarificação do assunto, faz-se urgente que a nossa meia compatriota, que anda fugida de Portugal, explique em que percentagem auxiliares do Titular do Poder Executivo como Carolina Cerqueira (ministra de Estado para os Assuntos Sociais), Francisco Queirós (ministro da Justiça e dos Direitos Humanos), Marcy Lopes (ministro da Administração e Reforma do Estado), Luísa Grilo (ministra da Educação), Teresa Dias (ministra da Administração Pública, Emprego e Segurança Social), Diamantino de Azevedo (ministro dos Recursos Minerais e Petróleos), Manuel Tavares (ministro das Obras Públicas e Ordenamento do Território) são angolanos e portugueses. O mesmo é extensivo para os oficiais generais das Forças Armadas Angolanas e da Polícia Nacional.
De acordo com os critérios da meia compatriota, os únicos casos que não se prestam a dúvidas serão os dos ministros da Energia e Águas e do Comércio e Indústria. João Baptista Borges e Victor Fernandes têm dupla nacionalidade: lusa e angolana. Portanto, são metade aqui e metade lá.
Como o Bureau Político bem diz no seu comunicado, “queremos” saber quem são os “cidadãos estrangeiros” que, “sem escrúpulos executam uma agenda política contrária aos interesses de Angola e dos angolanos”.
Para a plena divisão de águas, é preciso que Susete Antão e quem a industriou terminem o que (mal) começaram.
Os cidadãos precisam de ter certezas sobre os seus governantes. Precisam de saber em quê percentagem ministro tal é 100% angolano, ministro y é 53% português, e ministro x é 25% zairense, etc. etc.
Quando demanda um serviço público, o cidadão tem de saber por quem será atendido. Se por um igual, um meio angolano, um maioritariamente português e por aí adiante. Para facilitar a tarefa, é melhor que a sem hora Susete Antão comece já a providenciar adesivos e pulseiras que classifiquem os angolanos por percentagem da sua originalidade.
《Meio angolanos》– a última criação do MPLA
A nova categoria de cidadãos, uma “homenagem” a ADC, prova que o líder da UNITA está a ser uma incômoda pedra no sapato dos “camaradas”
Graça Campos • Correio Angolense • Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2021 • Original
Em 1975, quando “desembarcou” nas cidades, que muitos dos seus membros desconheciam por completo, o MPLA trouxe um discurso inovador. Em oposição aos seus dois inimigos, UNITA e FNLA, que eram movimentos de matriz tribalista e racista, o regionalismo e por aí adiante. Marido de uma branca portuguesa e pai de filhos mestiços, Agostinho Neto liderou a luta contra o que então eram consideradas taras do colonialismo. Em várias oportunidades, Neto citou o seu próprio caso pessoal para justificar a sua rejeição ao racismo e outros comportamentos indecentes.
Quem já cá andava naqueles tempos, há de lembrar-se que todos os comícios do MPLA terminavam, invariavelmente, com um exaltado ABAIXO O IMPERIALISMO! E terminavam com ruidosos e inflamados ABAIXO O RACISMO, ABAIXO O TRIBALISMO e ABAIXO O REGIONALISMO!
Com José Eduardo, que desposou em primeiras núpcias a caucasiana Tatiana Kukanova, o MPLA manteve o discurso antirracista, antitribalista e antirregionalista. Com actos concretos, José Eduardo dos Santos mostrou que também era avesso à xenofobia, irmã gémea do racismo. Ele teve no Governo, nas Forças Armadas e no seu próprio gabinete descendentes de estrangeiros, nomeadamente são-tomenses e cabo-verdianos. Assunção dos Anjos, descendente de são-tomenses, foi director do seu gabinete; Aldemiro da Conceição, descendente de são-tomense, foi quase tudo na Presidência de JES (assessor de imprensa, chefe do Gabinete de Quadros, etc., etc.); Licínio Tavares, descendente de são-tomenses, ficou à testa do Ministério dos Transportes durante “séculos”; João Baptista de Matos, descendente de cabo-verdianos, foi o mais notável cabo de guerra de Angola e foi sob o seu comando que as FAA partiram a espinha dorsal da UNITA, quando lhe tomaram as praças principais, Bailundo e Andulo, nomeadamente; Francisco Furtado, descendente de cabo-verdianos, foi CEMG das FAA; António Furtado, descendente de cabo-verdianos, foi governador do Banco Nacional de Angola; Ângelo da Veiga, descendente de cabo-verdianos, foi ministro do Interior.
A falta de soluções para as carentes carências das populações tem vindo, a introduzir, lentamente, no léxico político angolano conceitos e expressões prenunciadores do desabamento de todo o edifício antirracista, antitribalista, antirregionalista e antixenófobo que o MPLA se esforçou, e muito, por construir ao longo dos anos.
O discurso pró-racista e pró-xenófobo foi inicialmente introduzido nas redes sociais por presumíveis militantes do MPLA e tinha um alvo concreto: o actual presidente da UNITA, Adalberto da Costa Júnior.
Mas aquilo que parecia ser apenas linguagem de roqueiros desesperados, de pessoas fanatizadas, foi ganhando “status” e na sexta-feira passada foi oficialmente absorvida pela direção do MPLA.
Ao mencionar, no seu comunicado, “líderes políticos sem escrúpulos, que afinal são cidadãos estrangeiros”, o MPLA subscreveu publicamente o discurso xenófobo.
Depois de, basicamente, haver fracassado, de modo clamoroso, em todos compromissos que assumiu com os angolanos, vemos, agora, rendido ao discurso soez e rasteiro da xenofobia.
Depois de, basicamente, haver fracassado, de modo clamoroso, em todos compromissos que assumiu com os angolanos, vemos, agora, rendido ao discurso soez e rasteiro da xenofobia.
Encorajado pelo comunicado do BP do MPLA daquela mesma sexta-feira, uma estreante do programa Política no Feminino, da Televisão Pública de Angola, permitiu-se criar uma nova categoria de angolanos: meio angolanos. E ilustrou o conceito com o líder da UNITA, que, na opinião dessa iluminada, não é 100% angolano.
De acordo com a criadora do novo conceito, Adalberto da Costa Júnior não é 100% angolano porque também foi detentor de cidadania lusa. Sintomaticamente, a “inventora” do conceito de meio angolano é ela própria também uma meia angolana, pois, embora tenha nascido em Angola, viveu e cresceu em Portugal, de onde só fugiu por causa de um cabeludo processo judicial que tem à perna.
Na sexta-feira, tivemos na TPA um exemplo concreto do roto que aponta o dedo ao esfarrapado. Uma cidadã de tez branca, descendente de portugueses, a negar a Adalberto Costa Jr. a condição de ser integralmente angolano!
A adesão do MPLA a esse discurso xenófobo significa que ele procura, ingloriamente, que todos os angolanos cerrem fileiras contra o líder da UNITA. O MPLA procura que todos os angolanos transfiram para Adalberto da Costa Jr. o mesmo ódio, a mesma raiva, o mesmo desprezo que tinham de e por Jonas Savimbi.
Esse é um exercício inglório: Savimbi era odiado porque era o líder de uma guerra que não poupava ninguém; Savimbi foi odiado porque semeou a dor e o luto em muitas famílias angolanas; Jonas Savimbi foi execrado porque praticou ou mandou prática actos demoníacos. É de todo impossível transferir para Adalberto Costa Jr. as “virtudes” que fizeram de Savimbi um verdadeiro monstro.
Os jovens angolanos que hoje estão na faixa etária dos 20 e 30 anos – e que representam cerca de metade de eleitores – não identificam Adalberto Costa Jr. com a guerra; nunca o viram fardado e com arma a tiracolo.
A juventude hoje não vê em AC Jr. o “líder sem escrúpulos”, que “executa uma agenda política contrária aos interesses Angola e dos angolanos”.
Os jovens hoje vêm Adalberto da Costa Jr. alguém que tem um discurso contrário às tergiversações e lugares comuns do MPLA. Um discurso oco e sem consequências.
Nesta altura do campeonato um discurso vindo do MPLA que “exorta aos seus militantes, simpatizantes e amigos do Partido, aos angolanos de Cabinda ao Cunene, a defenderem a unidade e reconciliação nacional e a se manterem confiantes nas medidas que o Executivo angolano liderado pelo Camarada Presidente João Lourenço vem tomando em prol do desenvolvimento político, económico e social do país” comove quem?
Quem neste momento toma a peito a ladainha do MPLA de que “Queremos uma Angola onde impere um verdadeiro Estado Democrático de Direito, onde prevaleça o primado da lei, onde se respeitem as instituições do Estado, onde se respeitem os símbolos nacionais e os mais nobres valores da cultura e da história do país”?
Como diz a Lei de Murfy, com o MPLA “Nada está tão mau que não possa piorar”.
A assunção do discurso xenófobo é a prova de que a casa desabou.
Como sempre reclamou para si a condição de “força dirigente da Nação”, o MPLA não pode levar a mal que os angolanos lhe sigam o exemplo e queiram identificar, entre os governantes, quem, afinal, “são cidadãos estrangeiros e por isso executam uma agenda política contrária aos interesses de Angola e dos angolanos”.
É lícito incluir entre os “estrangeiros sem escrúpulos”, por terem dupla nacionalidade, os ministros da Energia e Águas e do Comércio e Indústria? À luz dos novos conceitos, como devemos olhar para João Baptista Borges e Victor Fernandes?
É preciso clarificar discurso. O MPLA, que, empurrado pelo desespero, agora subscreve discursos que antes abominava, que abra o jogo.
O “meio angolano” pode ou não ser governante neste país? Quem não é 100% angolano, fugida da justiça, pode ir à televisão pública dizer quem é mais ou menos angolano?
É preciso clarificar discurso. O MPLA, que, empurrado pelo desespero, subescreve, agora, discursos que antes abominava, que abra o jogo.
O “meio angolano” pode ou não ser governante neste país? Quem não é 100% angolano, fugida da justiça, pode ir à televisão pública dizer quem é mais ou menos angolano?
E, por fim, porque razão o MPLA se tornou tão mau a fazer um comunicado e a fazer leituras sobre a situação do país?
Em definitivo, o MPLA dos ladrões que afundaram este país, foi substituído por um MPLA medíocre do ponto de vista intelectual.
Qualquer tolice e disparate vai parar aos seus comunicados e qualquer arrivista e oportunista é cooptada para falar por si.
Naquele secretariado do Bureau Político está reunida a “nata” da fraqueza intelectual.
MPLA, quem te viu e quem te vê…
Imbróglios angolanos: Quem é que é angolano afinal?
Em 1957, tinha eu dez anos e frequentava o primeiro ano do liceu, no Salvador Correia, em Luanda, tinha Mocidade Portuguesa aos sábados à tarde, na parada do liceu.
A parada do liceu era por trás do ginásio, do lado do Rádio Clube de Angola, do lado da Rua do Dr. Luiz Carriço, actualmente Rua Salvador Allende, e, como a Mocidade era na época, obrigatória, lá ia eu para a Mocidade marchar.
Marchar, fazer ordem unida.
Esquerda, volver, direita volver, marcar passo, em freente marche!
Um, dois, esquerdo, direito.
Um, dois, esquerdo, direito.
E quem dava as ordens?
O Comandante de Falange.
E o Comandante de Falange era branco?
Não, era mestiço.
E como se chamava o Comandante de Falange?
Henrique Teles Carreira (1933-2000), mais conhecido por Iko Carreira.
Mas já me despistei, não era disto que eu queria falar!
Eu queria falar do imbróglio do Quem é que é angolano afinal?
Um preto do mato, que nem fala nem entende o portugês, é angolano?
E se não for do mato, for da cidade, mas não falar nem entender o português?
E se, sendo do mato ou da cidade, falar e entender o português?
E se for um mucancala, o povo a quem os pretos roubaram a terra?
E se for um mestiço?
E se for um cabeça-de-pungo?
E se for um macópio, ou um xicoronho?
O que é preocupante no discurso da branca de segunda Susete Antão, discurso que Graça Campos afirma ter sido encomendado pelo Bureau Político do MPLA-Lourenço-Bornito, é a Carcamanização de Angola, o Discurso Racista que caracterizou as Colonizações Holandesa, Britânica e Alemã, em África e não só.
E é preocupante porque, mostra-o a história, após a palavra vem a acção.