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25 de fevereiro de 2021

O racismo do “activista político anti-racista” Mamadou Ba

Vamos aos cotas (kotas)…


A propósito da novela do “activismo anti-racista” do racista “activista político anti-racista” Mamadou Ba enviaram-me umas “coisinhas” e solicitaram-me que me pronunciasse.

Lá me pronunciei e aqui reproduzo as “coisinhas” que recebi e o meu pronunciamento.


Cromoidiotices

Na minha cidade natal, Malanje, além das cores do arco-íris, todos aprendíamos quase sem querer uma escala cromática referente à cor da pele daqueles que andavam à nossa volta. Era assim: preto tal e qual, preto fulo, mulato, cabrito, pardo, branco de segunda e branco tal e qual.

José Mena Abrantes • Rede Angola • 15.02.2014 • 16h22  original

Na minha cidade natal, Malanje, além das cores do arco-íris, todos aprendíamos quase sem querer uma escala cromática referente à cor da pele daqueles que andavam à nossa volta. Era assim: preto tal e qual, preto fulo, mulato, cabrito, pardo, branco de segunda e branco tal e qual.

Preto tal e qual era o filho de dois pretos tal e qual. Mulato era o filho do preto tal e qual com o branco tal e qual. O filho do mulato com o preto tal e qual era o preto fulo. Cabrito era o filho do mulato com o branco tal e qual. Cabrito com o branco tal e qual gerava o pardo. Sendo este já normalmente bem claro, filho dele com um branco tal e qual já dava origem ao branco de segunda.

Aqueles que já não se percebia muito bem onde se situavam eram agrupados sob o rótulo de “fronteiras perdidas”. O percurso de preto tal e qual para o branco tal e qual, com todas as suas variantes e matizes intermédias, era considerado melhoria da raça. O percurso inverso era considerado atraso da raça.

Por muito ténues que essas nuances possam parecer, elas eram altamente compreensíveis para a mentalidade reinante no período colonial e quase ninguém na cidade desconhecia, por exemplo, que eu era branco de segunda. Bem, alguns ainda confundiam as coisas e muitas vezes fui recebido na principal pastelaria da cidade ao som do provocador ‘méééé…’ feito pelo empregado recém-chegado das berças, convencido que eu era cabrito como a minha avó materna.

Com a proclamação da Independência, muitos de nós achámos que essa questão da cor da pele deixaria de ter qualquer importância, até porque os dirigentes do país libertado haviam inscrito entre os seus princípios maiores a ausência de qualquer discriminação de qualquer natureza. E assim convivemos civilizadamente durante alguns anos, tratando-nos por camaradas, aparentemente alheios ao rigor e esforço visual necessários para distinguir tantos e tão variados tons na epiderme dos nossos parceiros humanos.

Eis senão quando no horizonte de uma nova imprensa, dita independente, surgiram alguns mentecaptos apostados em definir (pre)conceitos mais conformes à sua mentalidade. Eles assumiam-se como os mais puros e genuínos representantes de uma “angolanidade” por eles inventada e, fingindo que isso nada tinha a ver com a cor da pele, hierarquizaram os angolanos em “autóctones” (os superiores) e “extra-africanos” (os inferiores), classificação essa que nos fazia regredir muito para além de tempos tidos como ultrapassados.

Quando julgávamos que mais nada nos podia surpreender a esse nível, uma insólita manchete foi publicada com grande relevo num semanário: “O dilema de Angola: pretos ao poder porque… os negros já lá estão!” (Folha 8, 15/6/2013). Ficámos sem perceber lá muito bem o que era aquilo. Sabíamos já, claro, que as almas bem pensantes que negam ser racistas evitam chamar pretos às pessoas pretas, preferindo defender sem qualquer sustentação científica uma diferença subtil segundo a qual “preto é cor, negro é raça”.

Essa não era, porém, a lógica do autor do tal texto. Para ele, negros são “os novos dirigentes instalados no poder, formados nas academias ocidentais, que renegam a sua cultura, língua, costumes, alimentação, religião e tradição”, e pretos “os que estão relegados para a mais ignóbil pobreza, miséria extrema, discriminação, etc.” (sic).

Para tentar esclarecer a suposta diferença entre duas cores iguais (ou antes, de duas “não cores”, já que ambos os termos se referem à ausência de qualquer cor), o articulista chega ao extremo de precisar o que cada um desses “descolorados” prefere comer: os negros “preferem cozido à portuguesa e comem funge apenas uma vez por semana, porque senão dormem”, e os pretos “comem pirão todos os dias e várias vezes ao dia e não dormem, pelo contrário, trabalham vigorosamente” (sic).

Se julgam que exagero e as coisas ficam por aqui, não se iludam, porque os mulatos que até agora conhecemos, e que são e sempre foram apenas mulatos, afinal podem aspirar também a outro estado. “Os mulatos patrióticos consideram-se pretos”, garante o tal editorial. Com tão delirante caleidoscópio, admito a minha derrota e prefiro decretar a minha total cegueira para todas as cores existentes.

E eu que cheguei a julgar atrasada e arrevesada a mentalidade colonial.




O meu pronunciamento


Li este artigo do Malangino José Mena Abrantes faz anos!

Chama Brancos de Segunda aos que conheci como Brancos de Benguela, mas fora isso 'tá tudo bastante bem.

Li, também faz anos, declarações de outro Malangino, João Cardona Gomes Cravinho, que contava ao estarrecido entrevistador que o avô, um Velho Colono, afirmava que não existiam filhos ilegítimos mas que podiam existir pais ilegítimos, como era o caso de David Livingstone, que se tinha farto de fazer filhos nas pretas mas nunca tinha perfilhado nem educado nenhum porque, segundo ele, David Livingstone, os ditos filhos eram filhos da Tentação, do Pecado, de Satanás.

O pai do Mamadou Ba deve ter sido um David Livingstone francês, pelo que temos de o compreender e aos problemas psicológicos que o afectam.

Temos de o compreender mas não temos de o aturar e, menos ainda, de lhe pagar para que bolse sobre nós o ódio que tem ao pai.

Curiosamente Joseph Arthur de Gobineau, mais conhecido por Conde de Gobineau, o Grande Apóstolo do Racismo Branco que tanto influenciou a Intelectualidade Portuguesa, muito particularmente Joaquim Pedro de Oliveira Martins, sofria de mal semelhante àquele de que Mamadou Ba e todos os filhos de David Livingstone sofrem, só que Arthur de Gobineau não odiava o pai, um branco tal e qual, mas a mãe, uma parda antilhana.

E há mais casos bem conhecidos e documentados de quem odeie os demais porque se odeia a si próprio.







Etiqueta principal: Racismo Negro.

26 de dezembro de 2020

Identidades e Poder

 


Um artigo de Nelson Faria, da Sociedade de Jesus, e um comentário meu.


Quem semeia identidades, colhe tempestades

Os interesses identitários estão a arrastar-nos para um estado de tempestade social. A necessária correção de trajetória advirá através da redescoberta do bem comum, e do restabelecer da confiança mútua.

Por P. Nelson Faria, sj em Ponto SJ a 21 de Dezembro de 2020.

Alegro-me com o momento atual de atenção generalizada à discriminação e às injustiças que assolam a nossa sociedade. Mas não resisto a franzir o sobrolho quando me encontro diante de comentários como “és homem, não entendes”, “por seres branco não compreendes”, ou ainda “se discordas és homófobo”. Naturalmente, pelo ódio e exclusão que já despoletam, perturbo-me mais quando escuto “volta para a tua terra”, “o lugar da mulher é na cozinha” ou “homossexualidade é perversão”. Contudo, creio que em todas elas encontramos um excesso de sentimento e um défice de razão.

Tem-se generalizado um tipo de discurso no espaço público em que o que releva não é a opinião, os valores e o caráter de alguém, mas sim a cor da sua pele, a sua orientação sexual, o seu género, ou a tradição religiosa a que pertence. Esta pulsão para identificar o sujeito com um coletivo é acompanhada por uma tendência em reduzir a complexidade das nossas relações em sociedade e toda a nossa história partilhada, a dois papéis sociais “todo-explicativos”: privilegiados e oprimidos. Isto é, em função do coletivo em que somos incluídos, somos opressores ou vítimas, e seremos julgados como tal.

Há uma degradação da nossa capacidade de pensar e sonhar juntos.

Abundam narrativas de vitimização em que o “nós” se restringe à “identidade de pertença”, seja ela ser homem ou mulher, ser nacional ou estrangeiro, ser branco ou negro, heterossexual ou LGBT+. Aparentemente, parece que nos esquecemos que, além das “identidades de pertença” – centradas no género, ideologia, nacionalidade, orientação sexual, ou sectarismos religiosos – existem também “comunidades de pertença” – como família, bairro, cidade, nação e, no seio da Igreja católica, paróquias. Nestas, a primeira pessoa do plural – “nós” – pode ser conjugada de forma a incluir outros que não se encontram dentro do meu campo de afinidades ideológicas, identitárias, étnicas ou religiosas.

Regresso ao ponto de partida: que da previsão constitucional que proíbe a discriminação em função da nacionalidade, sexo, raça, religião e orientação sexual, tenhamos passado a um estado de alerta social, é um grande feito e devemos louvá-lo. E muito há ainda por fazer para passar de um estado de alerta à efetiva correção das desigualdades. Contudo, na forma como debatemos, parece evidente que há uma degradação da nossa capacidade de pensar e sonhar juntos.

O semear constante dos interesses identitários no espaço público está a arrastar-nos para um estado de tempestade social em que as distintas identidades de pertença se fragmentam e se enquistam. Uma correção de trajetória é crucial, e creio que o poderemos fazer redescobrindo o bem comum e restabelecendo a confiança mútua.

Temos de ousar habitar um campo social em que outros existem, e em que o “nós” político é mais rico que os interesses da minha identidade de pertença.

Comecemos pelo bem comum. A deslocalização do centro da nossa atenção das comunidades em direção às identidades de pertença faz com que a atividade política negligencie o todo em função de fragmentos da sociedade. Este movimento de substituição tem um impacto claro na forma como analisamos a realidade: se o fragmento dita a forma como vejo o todo, o deslize em confundir “interesse de um segmento” com “interesse de todos” é previsível e, temo, inevitável.

Sendo indiscutível que há situações de injustiça que reclamam ações específicas e direcionadas, estas devem ser gizadas a partir de um pensamento que possibilite, ao mesmo tempo, a reparação da injustiça e a proposição de um caminho comum de realização pessoal e comunitário. O reconhecimento do “eu” é fundamental e deve ser preservado, mas quando sonhamos o destino dos nossos bairros, cidades, regiões e nações, quando discutimos temas como família e justiça social, temos de aprender a conjugar a primeira pessoa do plural.

Temos de ousar habitar um campo social em que outros existem, e em que o “nós” político é mais rico que os interesses da minha identidade de pertença. Devemos desejar integrar comunidades além do cluster identitário, e compreender que identidade é uma forma de fazer parte do todo. Urge que nos deixemos nortear pela vontade de construir um lugar onde talvez não estejamos de acordo em todas as matérias, mas em que possamos respeitosamente viver com o diferente, sem lhe negar dignidade nem horizonte de futuro.

Este retorcer da realidade lança-nos numa guerra de todos contra todos, pois a visão de fundo é a de que há inimigos partilhados, mas não um desiderato comum.

E isto traz-nos até ao segundo elemento da nossa correção de trajetória: o restabelecer da confiança mútua. A divisão redutora da sociedade e da nossa história a dois simples papéis – privilegiado ou oprimido – em função da nacionalidade, sexo, raça, religião e orientação sexual, torce a realidade. Dois exemplos: exigir uma distribuição da riqueza justa não nos pode levar a considerar todos os empresários como “exploradores”; que existam casos de marginalidade entre pessoas que não nasceram em Portugal, não justifica que todos os estrangeiros – ou uma nacionalidade específica – sejam apodados de criminosos. A narrativa redutora arrasta-nos inevitavelmente para o conflito.

Este retorcer da realidade lança-nos numa guerra de todos contra todos, pois a visão de fundo é a de que há inimigos partilhados, mas não um desiderato comum. O outro não deve ser o rival com quem nos digladiamos na arena, mas alguém com quem faço caminho, como numa corrida em que o pé esquerdo de um está atado ao pé direito do seguinte: só alcançaremos a meta ao pôr-nos de acordo sobre o objetivo comum e acertando passo.

Restabelecer a confiança mútua é exigente, pois implica uma conversão dos nossos hábitos de raciocínio. Há muitas razões para a rivalidade e para a suspeita, algumas delas baseadas na biografia de cada um de nós. Mas há que começar por reconhecer a nossa pertença mútua e a imprescindibilidade da colaboração. O ponto de partida não pode ser o conflito, mas a confiança.

Estabelecer relações de confiança mútua, em que se possa conjugar a primeira pessoa do plural de forma verdadeiramente inclusiva, apontando um bem comum, será tarefa inacabada, em constante devir e atualização. Sendo exigente e árduo, é também o único caminho que vale a pena seguir

Fotografia de Fares Hamouche – Unsplash

* Os jesuítas em Portugal assumem a gestão editorial do Ponto SJ, mas os textos de opinião vinculam apenas os seus autores.

Original aqui.


Identidades e Poder

O título do artigo, “Quem semeia identidades, colhe tempestades”, chamou-me a atenção: um Jesuíta a pegar na questão da Política de Identidades, deixa-me cá ir ler!

Mas, confesso-o humildemente, a primeira oração “Alegro-me com o momento atual de atenção generalizada à discriminação e às injustiças que assolam a nossa sociedade.” desacorçoou-me – lá vinham as pieguices dos padrecas! – mas li o artigo todo.

Lido o artigo que se me oferece dizer?

Pareceu-me que o autor ainda não percebeu:
  1. Que a Política de Identidades é uma variação do antiquíssimo Dividir para conquistar. Dividir para reinar.
  2. Que para o grupo, ou grupos, que estão tentando tomar o poder a nível planetário o bem comum coincide com o seu próprio bem.
  3. Que o conflito que o articulista parece estar interessado em evitar não é evitável porque já está em curso, já se combate. Já se combate de armas na mão.
  4. Que orações como aquela com que abre o artigo não lhe granjeiam simpatia mas desprezo: o desprezo que os fortes têm pelos fracos.
  5. Que a Constituição da República Portuguesa não garante nada a ninguém porque quem está tentando tomar o poder a cumpre, ou a incumpre, quando lhe convém, sem punição.

Sei que é inadequado pedir a um Brâmane que pegue em armas, essa é a função dos Xátrias, mas é adequado pedir-lhe que identifique as questões e que, clara e verdadeiramente, explique o que se passa, o que está em causa.


Seja como fôr, e pesem embora as criticas que fiz, acho que valeu, e vale, muito a pena ler o artigo.




Etiqueta principal: Política de Identidades.

29 de fevereiro de 2020

A Manipulação das Massas




O mais recente livro de Douglas Murray tem por título, em inglês, The Madness of Crowds: Gender, Identity, Morality (published September 17th 2019) e, em português, A Insanidade das Massas: Como a opinião e a histeria envenenam a nossa sociedade (publicado em fevereiro 2020), mas mais correcto, por mais descritivo, seria que o seu título fosse: A Manipulação das Massas: Como, a mando de quem os controla, os meios de comunicação de massa empresarias atomizam as sociedades para melhor as dominarem.



Transcrevo seguidamente, e em primeiro lugar, o que está escrito na Contracapa da edição em português, depois, e em segundo lugar, o Sumário da obra:

SEXUALIDADE, GÉNERO, TECNOLOGIA E RAÇA
Neste seu novo livro, Douglas Murray analisa os assuntos mais fraturantes do século XXI, revelando as novas guerra culturais que acontecem nas empresas, nas universidades, nas escolas e dentro das nossas casas, em nome da justiça social e das políticas de identidade. 
Vivemos numa era em que as noções de religião e ideologia política colapsaram. No seu lugar emergiu um desejo cego de corrigir o que está errado e uma militância de identidade, ambos potenciados pelas redes sociais. A agenda acabou dominada por um conjunto restrito de interesses enquanto a sociedade se torna cada vez mais tribal — e, como o autor mostra, as baixas estão a aumentar. 
Nenhum leitor, de qualquer quadrante político, pode ignorar este livro provocativo que procura dar sentido à discussão sobre os temas mais complicados do momento. A Insanidade das Massas termina com um impressionante apelo à liberdade de expressão, aos valores comuns e à sanidade numa era de histeria. 

Introdução 
Capítulo Um – Gay
Interlúdio – As Fundações Marxistas 
Capítulo Dois – Mulheres
Interlúdio – O Impacto da Tecnologia 
Capítulo Três – Raça
Interlúdio – Sobre o Perdão 
Capítulo Quarto – Trans 
Conclusão 
 
Agradecimentos 
Notas 
Índice Remissivo



É facto que Douglas Murray se debruça fundamentalmente sobre a situação nos Estados Brancos, Anglo-Saxões e Puritanos (BRASP), em inglês dos White, Anglo-Saxon and Puritan (WASP) States, particularmente sobre a situação nos Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e nos Estados Unidos da América.

Mas também é facto que Douglas Murray considera que esses dois estados são “O Mundo”, em inglês “The World”.

E ainda é facto que em Portugal, no Brasil, nos PALOPs, uma parte importante das Elites Culturais, Económico-Financeiras, Mediáticas, Militares, Políticas, partilha da opinião de Douglas Murray: 
“O Mundo” é “O Ocidente” 
e o seu Caudilho são os Estados Unidos da América.

É por isso que me parece prudente ler esta obra de Douglas Murray…





Fontes
  1. Douglas Murray”. Wikipedia, la enciclopedia libre. Esta página se editó por última vez el 24 feb 2020 a las 19:42. Recuperada a las 20:20 el 29 de febrero de 2020
  2. The Madness of Crowds: Gender, Identity, Morality. Douglas Murray. Goodreads. No publication date. Retrieved at 20:30 on February 29, 2020.
  3. A Insanidade das Massas: Como a opinião e a histeria envenenam a nossa sociedade. Douglas Murray. Goodreads. Sem data de publicação. Recuperada às 20:40 de 29 de fevereiro de 2020.


Etiqueta principal: Fascismo Pós-Moderno.
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29 de setembro de 2019

Woman Power

Woman Power 
Sandro Botticelli

Woman Power 
Yoko Ono

Woman Power 
Amor Electro

Woman Power 
Gigliola Cinquetti

Woman Power 
Yasmine

Woman Power 
Deolinda

Woman Power 
Tiago Bettencourt

Woman Power 
Sara Tavares e "Ala dos Namorados"



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Etiqueta principal: Feminismo.
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11 de fevereiro de 2019

Fernando Pessoa, o escravocrata racista

Luzia Moniz (imagem Angop)



Um artigo de Luzia Moniz, publicado no Jornal de Angola e republicado por G. Patissa no blogue Angola, Debates & Ideias, e um comentário de Álvaro Aragão Athayde, publicado no referido blogue.



CPLP escolhe
escravocrata racista para projecto juvenil

Aos 28 anos escreveu: “A escravatura é lógica e legítima; um zulu (negro da África do Sul) ou um landim (moçambicano) não representa coisa alguma de útil neste mundo. Civilizá-lo, quer religiosamente, quer de outra forma qualquer, é querer-lhe dar aquilo que ele não pode ter.

Por Luzia Moniz no Jornal de Angola a 10 de Fevereiro, 2019

O legítimo é obrigá-lo, visto que não é gente, a servir aos fins da civilização. Escravizá-lo é que é lógico. O degenerado conceito igualitário, com que o cristianismo envenenou os nossos conceitos sociais, prejudicou, porém, esta lógica atitude”.

Em 1917, aos 29 anos continua: “A escravatura é a lei da vida, e não há outra lei, porque esta tem que cumprir-se, sem revolta possível. Uns nascem escravos, e a outros a escravidão é dada.”

Aos 40 anos consolida a sua ideologia racista, escrevendo: “Ninguém ainda provou que a abolição da escravatura fosse um bem social”. E ainda: “Quem nos diz que a escravatura não seja uma lei natural da vida das sociedades sãs”?

Fernando Pessoa, dono desse ignóbil pensamento, é a figura escolhida pela CPLP para patrono de um projecto de intercâmbio universitário no Espaço de Língua Portuguesa. Essa iniciativa, cópia do programa europeu Erasmus, visa a educação, formação e mobilidade de jovens do espaço de língua portuguesa, oferecendo-lhes oportunidades de estudo, aquisição de experiência e voluntariado por um período curto num dos países da CPLP à sua escolha. Que Portugal, país onde a mentalidade esclavagista fascista ainda é dominante, tenha escolhido promover, branquear essa figura sinistra não me espanta. Agora, o que verdadeiramente me deixa perplexa é a aceitação pelos países africanos, as vítimas da escravatura.

Se foi para a isso que Portugal fez a guerra para assumir o secretariado executivo da CPLP, tudo indica que a coisa começa mal.

Denunciei isso mesmo, esta quarta-feira, na Assembleia da República de Portugal, durante a cerimónia de abertura do ano da CPLP para a Juventude, onde estavam deputados portugueses, governantes dos Estados da CPLP, jovens, activistas, intelectuais e académicos afro-descendentes, brasileiros, portugueses e africanos.

Não sei se Pessoa é ou não bom poeta. Isso pouco interessa para o caso. A minha inquietação é o uso da CPLP para branquear o pensamento de um acérrimo defensor do mais hediondo crime contra a Humanidade: a escravatura.

Atribuir o seu nome a um projecto que envolve jovens, descendentes dos escravizados, configura um insulto fascista.

Na AR alguém, para tentar justificar o injustificável, alegou que as convicções esclavagistas fascistas de Pessoa reflectem o pensamento da sua época, ignorando que, por exemplo, Eça de Queirós, contemporâneo de Pessoa, era contra a Escravatura e que, quando Pessoa escreve tais alarvidades, já a escravatura tinha sido abolida oficialmente. Outros diziam que precisamos de olhar para o futuro, esquecendo o passado. Como se Pessoa fosse futuro. Pessoa representa o que é preciso combater hoje para defender o futuro. Como construir um futuro salutar sem olhar para os erros do passado?

E se nos cingirmos apenas ao “pensamento da época”, qualquer dia temos o nome de outro colonialista-fascista António de Oliveira Salazar atribuído ao Conselho de Finanças da CPLP, com o argumento de que “tinha as contas em ordem” e de que foi “fascista à época”.

Se se pretende criar uma comunidade envolvendo as populações e não se limitando aos políticos, mais ou menos distraídos, é imperativo que o nome de Fernando Pessoa não figure em projectos comuns. Em sua substituição, sugeri Mário Pinto de Andrade, académico, um dos mais brilhantes intelectuais do espaço de língua portuguesa. Angolano que iniciou o seu percurso académico em Angola, passando por Portugal antes de ser ministro da Informação e Cultura na Guiné Bissau, que teve passaporte cabo-verdiano e deu aulas em Moçambique.

Espera-se dos países africanos membros que revertam essa situação, opondo-se ao nome de Fernando Pessoa, mesmo que com esse digno gesto se crie um novo irritante. Os irmãos de Cabo verde, que neste momento presidem a CPLP, têm uma responsabilidade acrescida nesta questão. Se Portugal olha para a CPLP como um instrumento de dominação dos outros, cabe-nos a nós, africanos, impedir que isso aconteça.



Emigre para os EUA, cara Luzia Moniz

Por Álvaro Aragão Athayde em Angola, Debates & Ideias a 11 de Fevereiro de 2019, às 00:33 

Que Luzia Moniz afirme, cito Não sei se Pessoa é ou não bom poeta. Isso pouco interessa para o caso., diz quanto necessita de ser dito.

Recomendo vivamente a Luzia Moniz que emigre para os Estados Unidos da América onde, estou certo, se sentirá menos descriminada.



Fontes
  1. "CPLP escolhe escravocrata racista para projecto juvenil", Luzia Moniz, Jornal de Angola a 10 de Fevereiro, 2019.
  2. "Luzia Moniz contesta figura de Pessoa | CPLP escolhe escravocrata racista para projecto juvenil", G. Patissa, Angola Debates e Ideias, 10 de Fevereiro, 2019.


Etiqueta principal: Pós-Neocolonialismo.
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