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18 de abril de 2021

Vai Maria vai, vai com as outras tomar a vacina!


Uma manada de herbívoros selvagens segue as trilhas ancestrais.

Os adultos percorrem os caminhos que aprenderam a percorrer quando eram jovens. Os jovens, que seguem na manada com os adultos, aprendem a percorrer os caminhos que percorrerão quando forem adultos.

Uma manada de herbívoros domesticados é conduzida pelos pastores.



Os Homo sapiens sapiens, a espécie humana, a nossa espécie, é uma espécie social que umas vezes se comporta como as manadas de herbívoros selvagens, outras como as manada de herbívoros domesticados, outras ainda como as alcateias de lobos, ou as matilhas de cães.







Etiqueta Principal: Fascismo Pós-Moderno.

28 de março de 2021

Mentiras e Verdades


É mais fácil enganar as pessoas do que desenganá-las.

Porquê?

Saber não sei, mas suspeito.

Suspeito, estou mesmo praticamente certo, que ter de reconhecer que fomos enganado é desagradável, desagradabilíssimo, por vezes traumatizante.

Os exemplos clássicos são dois:

  1. O do cônjuge enganado.
  2. O do conto do vigário.

Ter de reconhecer que fomos enganados afecta imenso a boa imagem que gostamos de ter dos outros e de nós próprios, o que nos leva a evitar reconhecê-lo, mesmo quando o engano é por demais evidente.

Na prática acabamos por não ter remédio senão reconhecê-lo se, e quando, os prejuízos que o engano nos causa atingem níveis inaceitáveis. Níveis inaceitáveis em termos materiais, em termos morais (ou espirituais), ou em ambos os termos. Até lá estamos em negação: Não! Não acredito!




Terraplanistas são eles

A “ciência” viu-se apropriada por devotos da virologia de veterinários, da fancaria das TVs e da hipocondria do inquilino de Belém. Isto é, por místicos que não fazem a mínima ideia do que é a ciência.

Por Alberto Gonçalves no Observador às 00:09 de 27 de  Março de 2021.

Antes da Covid, o “argumento” mais revelador da falta de argumentos e de neurónios de quem o utilizava era o da Rennie. Quando alguém confrontava um palerma com alguma coisa que lhe desagradasse, o palerma respondia imediatamente: “Toma Rennie que isso passa”, e a seguir retirava-se triunfante e seguro de que ganhara o debate. Num país cujo serviço de saúde não colapsasse à primeira oportunidade, o palerma ganharia a avaliação de uma junta de psiquiatras, mas esse é outro ponto. Aqui, o ponto é o recuso ao refluxo gástrico, vulgo azia, para encerrar uma discussão. Às vezes, o Kompensan substituía a Rennie, embora não houvesse massa encefálica que substituísse o ar morno na caixa craniana dessa gente. Bons tempos.

Em tempos de Covid, e contra todas as expectativas, o nível da “argumentação” conseguiu baixar. Hoje, a turba indistinta do “fique em casa”, do “confinamento” eterno e das máscaras permanentes é tão desprovida de razão que faz o pessoal da Rennie parecer sofisticado por comparação. O caso é particularmente irónico na medida em que, no lugar dos antiácidos, a nova estirpe de magos da retórica invoca a ciência. Ou melhor, aquilo que julga ser ciência, na verdade umas curvas estatísticas apresentadas em reuniões no Infarmed por matemáticos e veterinários desejosos de agradar ao governo. Não importa que as curvas sejam inúteis a descrever o presente e desastrosas a prever o futuro. Não importa que ninguém perceba a sensatez de trucidar uma economia débil a partir de curvas mal amanhadas. E não importa que as curvas se limitem a confirmar as conclusões previamente tomadas pelo dr. Costa e pelo prof. Marcelo: manter os cidadãos em clausura parcial, rebentar com a iniciativa privada e produzir mais dependência face ao Estado e às quadrilhas que o controlam. Importa que, na cabeça dos tontos, as curvas e as desumanas restrições que delas “decorrem” são “ciência”. E importa sobretudo que, armados com solenidade “científica”, os tontos se sentem habilitados a insultar e perseguir quem deles discorda.

Quem sugerir que o estado de emergência não é adequado para lidar com uma doença que quase só afecta gravemente velhos é “negacionista”. Quem lembrar que teria sido decente proteger os velhos, em alternativa a prender a população em peso, é “terraplanista”. Quem notar que a evolução da Covid  não depende exclusivamente de “confinamentos” e regras abstrusas é “medieval”. Quem inventariar os países e as regiões em que a falta de “confinamento” e de regras abstrusas coabita com o decréscimo nos infectados e nos mortos é “conspiracionista”. Quem insiste em conviver com familiares e amigos é “bolsonarista”. Quem repara que o Brasil tem menos mortos “com” ou “de” Covid do que Portugal é “primitivo”. Quem não respeita as normas decretadas por governantes que não se dão ao respeito – nem respeitam as próprias normas – é “fascista”. Quem questiona a prepotência é “nazi”. Quem não sai de casa sem se disfarçar de iraniana ou assaltante de bancos é “anti-social”. Quem não reduz a vastidão do universo a um vírus é “inconsciente”. Quem recorda que a existência implica sempre riscos é “criminoso”. Quem previne que esta demência colectiva terá consequências muito feias para todos, excepto para os irresponsáveis que a provocaram, é “assassino” e indigno de merecer o proverbial ventilador no dia em que precisar de um.

Estamos nisto. É, literalmente, o mundo ao contrário. De repente, a “ciência” viu-se apropriada por devotos da virologia de veterinários, da fancaria dos telejornais e da hipocondria do inquilino de Belém. Ou seja, por místicos que não fazem a mínima ideia do que é a ciência. Boa parte destes “cientistas” instantâneos até se diz de esquerda, o que os coloca logo no mesmo campeonato da credibilidade de astrólogos, cartomantes, homeopatas e cultores do Feng Shui. Muitos não sabem ler uma tabela estatística. Muitos são incapazes de alinhavar uma frase sem dois erros ortográficos e três de sintaxe. Muitos julgam que Steinmetz é um defesa do Dortmund. Mas nenhum abdica de uma ideia infantil acerca do que é ciência para fundamentar o seu dogmatismo.

Em circunstâncias normais, não custaria deixar os fanáticos a berrar sozinhos e assistir de bancada ao espectáculo. Afinal, há certa graça em ver em acção as principais características do método científico: a intolerância, a fúria e a vontade de enfiar blasfemos na cadeia ou na fogueira. A chatice é que as circunstâncias não são normais, e estes adeptos do pensamento mágico (sem a parte do pensamento) não contam apenas com a força da cegueira, que já é bastante. Para azar dos que prezam a civilização, os fanáticos contam com a força literal, a dos senhores que legislam alucinações e a da polícia que as executa. A boçalidade, enfim, tomou por completo o poder, através dos que o ocupam e através dos que os apoiam. Salvo milagre, os factos estão condenados a subjugar-se a indivíduos que enchem a boca com ciência como antes a enchiam com liberdade, embora desconheçam a primeira e detestem a segunda. Terraplanistas, negacionistas e primitivos são eles.

Original e comentários aqui.

Os comentários podem ser lidos pelos não assinantes e é extremamente instrutivo lê-los.










Etiqueta PrincipalGuerra Cultural.

22 de fevereiro de 2021

“Quinta dos Animais” ou “O Triunfo dos Porcos”

 


Li esta obra há muitos anos, há tantos anos que já nem sei, e não é que ao voltar a ser autorizada a venda de livros pelo nosso governo tive a grata surpresa de verificar que a Porto Editora a tinha reeditado em Janeiro de 2021?

Comprei-a como é evidente, até porque o exemplar que tinha lido também estava perdido há muitos anos, há tantos anos que também já nem sei.

Comprei-a, relia-a e recomendo vivamente a sua leitura, a todos. A Todos!

A Civis, Militares e Religiosos.

A Brancos, Pretos, Amarelos, Vermelhos e Riscados

A Esquerdistas, Direitistas, Centristas, Conservadores e Progressistas.

A Monárquicos, Republicanos, Católicos, Maçons, Democratas, Socialistas, Comunistas, Anarco-Sindicalistas, Nacional-Sindicalistas e etc. por aí fora.

Lede. Lede a fábula da Quinta dos Animais. Lede!







Etiqueta principal: Fascismo Pós-Moderno.

11 de outubro de 2019

Não sei nem quero saber.

Na cervejaria o engravatadinho e o desengravatadinho conversam.


Hierarquia das Necessidades, de Maslow.


Jacques Brel chante Les Bourgeois.



Fontes
  1. Old Boy Network.
  2. "Hierarquia de necessidades de Maslow". Wikipédia, a enciclopédia livre. Esta página foi editada pela última vez às 02h21min de 12 de julho de 2019. Recuperada às 21h49min de 11 de outubro de 2019.
  3. "Jacques Brel : Les Bourgeois". alainlebest1. YouTube. Publicado 11/05/2007. Recuperado 11/10/2019.


Etiqueta principal: Política à Portuguesa.
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22 de dezembro de 2018

Oligarquia

a palavra oligarquia tem origem grega, e significa literalmente, governo de poucos
os gregos inventaram tal termo para designar uma forma distorcida, degenerada e negativa de aristocracia.


Um artigo de João Miguel Tavares e um comentário de Álvaro Aragão Athayde.


artigo

Freitas do Amaral loves Ricardo Salgado

Por João Miguel Tavares no Público a 22 de Dezembro de 2018, ás 06:32

Os senhores de colete amarelo, que ontem se manifestaram pelo país a atravessar passadeiras com grande empenho, fartaram-se de resmungar diante das câmaras de televisão acerca dos políticos e do tamanho da Assembleia da República – mas para quem quer realmente perceber Portugal, os jornais continuam a ser bastante mais úteis do que as manifestações. Há, aliás, textos que explicam um regime inteiro, e um desses textos foi publicado por Diogo Freitas do Amaral no PÚBLICO de quarta-feira. Chamava-se “BES e GES – um só responsável? Novos ataques a Ricardo Salgado”, e lê-lo com alguma atenção é perceber como é que Salgado foi possível, como é que a queda do BES foi possível, como é que Sócrates foi possível, como é que a bancarrota foi possível, como é que Zeinal Bava foi possível, como é que a queda da PT foi possível, e por aí fora. E tudo foi possível, em primeiro lugar, por causa da cupidez dos próprios; e, em segundo lugar, por causa de políticos – melhor: de senadores – como Diogo Freitas do Amaral.

A teoria de Freitas do Amaral é fácil de resumir em três pontos. 1) Ricardo Salgado não fez tudo sozinho. 2) Há mais responsáveis pela queda do BES, incluindo o governador do Banco de Portugal e Passos Coelho, que o queria substituir por José Maria Ricciardi (porque é que não o substituiu, então, é mistério que fica por explicar). 3) Se o governo da altura tivesse dado uma mãozinha, o banco ainda aí estaria, todo forte e viçoso. A interligar os vários pontos estão duas ou três teorias da conspiração delirantes, mais aquele provérbio português que é sempre piamente evocado nestas situações: não se bate em quem está no chão. Devo dizer que me apetece sempre bater em quem nestes contextos diz que não se bate em quem está no chão. Para Salgado, o chão, no presente, é uns motoristas, umas secretárias, umas assessoras e talvez umas empregadas a menos. Já o chão, para mim, é o Linhó.

Contaram-me que Ricardo Salgado, após sair do BES, instalou o seu gabinete (coitadinho) no Hotel Palácio do Estoril, onde todos os dias era servido por um funcionário do hotel que tinha perdido as suas poupanças na queda do banco. Estar no chão, para os Salgados e os Sócrates desta vida, é andar dez e 15 e 20 anos a lutar na justiça, continuando a almoçar em restaurantes Michelin e a fazer férias em hotéis de cinco estrelas. Tudo isso graças a leis que políticos como Freitas do Amaral fizeram, e à forma como advogados pagos com dinheiro tantas vezes adquirido de forma ilegal conseguem multiplicar as manobras dilatórias, até ao ponto de os clientes já estarem demasiado velhos ou demasiado doentes para ir para a cadeia.

Ricardo Salgado não é, com certeza, o único responsável pela queda do BES. Mas é o maior. E a quilométrica distância de todos os outros. Ele era – mesmo – o Dono Disto Tudo, e entre redes financeiras, redes políticas e redes familiares, tinha meio país na mão. Como eu não conseguia explicar o despropósito do texto de Freitas do Amaral, fui à Wikipédia. No capítulo “família” encontrei isto: “Filho de Duarte Pinto de Carvalho Freitas do Amaral e de sua mulher, Maria Filomena de Campos Trocado, sobrinha-bisneta do 1.º Barão da Póvoa de Varzim. Casou em Sintra, a 31 de Julho de 1965, com Maria José Salgado Sarmento de Matos, escritora, com o pseudónimo de Maria Roma, sobrinha paterna de Henrique Roma Machado Cardoso Salgado e prima-irmã do banqueiro Ricardo Salgado.” Bendita Wikipédia, que nos ensina tantas coisas.


comentário

O que acho e não acho normal

Por Álvaro Aragão Athayde em coisas & loisas a 22 de Dezembro de 2018, ás 14:07

Acho normal que uma pessoa defenda um familiar que considera estar sendo injustamente acusado, ou vítima de um linchamento mediático.

Não acho normal que o faça sem assumir claramente que é isso que está fazendo.

Acontece que foi exactamente isso que Diogo Freitas do Amaral e Miguel Sousa Tavares fizeram.

Os gregos que inventaram o termo oligarquia para designar uma forma distorcida, degenerada e negativa de aristocracia estavam cheios de razão, os melhores não fazem coisas destas.

Quanto ao resto… 

[1] Acho que João Miguel Tavares está cheio de razão quando afirma que o Sistema Ultra-Garantístico vigente tem como consequência que, na prática, exite uma Justiça para Ricos e uma Justiça para Pobres.

[2] Acho que João Miguel Tavares faz mal em embarcar na onda do linchamento mediático de Ricardo Salgado.

[3] Acho que o ambiente de denúncia institucionalizada e de linchamento mediático em que vivemos é, esse sim, Uma Questão de Civilização.



Origem da figura


Referências
  1. Oligarquia - Sociologia, em LinkedIn SlideShare.
  2. Oligarquia, da Wikipédia, a enciclopédia livre.


Etiqueta principal: Política.
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