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14 de novembro de 2020

Azul = Bom ⩒ Vermelho = Mau

 




Trocos /premium

Longe de mim qualquer convicção íntima na fraude. Desconfio só da feroz unanimidade da linguagem do Bem e não consigo escapar ao exercício contra-factual de imaginar que sucederia se fosse ao contrário

Por Paulo Tunhas no Observador ás 07:37 de 12 de Novembro de  2020. Tem comentários.

Há uns dias, estava a jantar com a minha mulher numa esplanada quando um pedinte veio ter connosco, a requerer dinheiro para uma sopa. Enquanto a minha mulher lhe dava um euro (quantia que eu reservo para o círculo restrito dos meus pedintes pessoais), expliquei-lhe (e era verdade) que só tinha moedas das pequeninas e tirei do bolso do casaco uma incómoda mão-cheia de moedinhas número 1 do Tio Patinhas, que se avizinhavam certamente, em conjunto, do euro da concorrência conjugal. Era um negócio, pensei, que convinha aos dois. Pegou nelas e afastou-se, sem agradecer, e depois parou para analisar o conteúdo da oferta, deitando para o chão da rua as de 1 e 2 cêntimos.

Eis alguém que fez a celebrada escolha da qualidade, mesmo em circunstâncias adversas. Chapeau! Ainda nos ficámos a rir com a surpresa e, depois de jantarmos, apanhámos as moedas do chão, com rigores de protestantes weberianos habitados pelo espírito do capitalismo. Maldito capitalismo, capaz de tornar uma católica e um ateu servos inconscientes de Calvino… Mas se a coisa tivesse ficado por aqui, nada de mal se teria verdadeiramente passado. O problema veio quando, sem querer, descobri que eu próprio atiro frequentemente trocos para o chão. Não exactamente trocos em cêntimos, mas trocos em ideias. Apesar de saber bem que até as mais esdrúxulas ideias contêm em si uma via, mesmo minúscula, para a verdade, há vezes em que, para evitar que os bolsos do espírito se atafulhem com uma população largamente inútil, os esvazio dos trocos que o dia-a-dia perversamente nos faz acumular. Aquilo que, na passagem do século XIX para o século XX, se chamava economia do pensamento também passa por aqui.

Dou um exemplo. Estão certamente a par do recente milagre que transformou o mundo, anunciando a magnífica vitória do Bem sobre o Mal, da luz sobre as trevas. A nossa América, a América boa, a América eterna dos nossos sonhos e das nossas promessas, venceu a falsa América, a anti-América, a América dos nossos pesadelos e das nossas frustrações. Dito de outra maneira: uma criatura da luz chamada Joe Biden derrotou nas eleições um mafarrico cujo próprio nome, Donald Trump, causa repulsa e mal-estar em qualquer um que o demo não tenha já irremediavelmente possuído com os seus fétidos miasmas. Não há boca que não cante, como cantam os anjos, a irreprimível alegria de tão gloriosa vitória do solar amanhã que nos é prometido e as palavras fluem, melodiosas: decência, bondade, união, compreensão, diversidade e todos os outros vocábulos que, ainda que aquém do êxtase propriamente dito, o anunciam como uma certeza plena e inteira.

É verdade que o mafarrico ainda estrebucha e os seus servos gostam de lembrar episódios passados que apontam no sentido de pelo menos uma modesta aceitabilidade da verosimilhança da sua doutrina sobre a possibilidade de ter existido alguma fraude eleitoral em tudo isto. Recordam, por exemplo, o facto de gente insuspeita de qualquer simpatia pelos republicanos ter há anos emitido considerações favoráveis à supressão do voto por correspondência por este poder conduzir à fraude eleitoral. Ou que, em 2016, muitos suspeitaram que a votação de Trump fora (nomeadamente no Wisconsin, no Michigan e na Pensilvânia) o resultado de manipulações do voto electrónico – isto para não falar da tese do “conluio russo”. Ou que, no passado, a mafia do Illinois havia roubado a Nixon a presidência em benefício de Kennedy. Ou que a eleição senatorial da Pensilvânia, em 1994, fora anulada por causa de fraudes maciças organizadas pela campanha do democrata William Stevenson. Aos olhos dos servos de Trump, isto deveria permitir, sem dúvida, que se apontasse que as acusações do actual presidente dos Estados Unidos são, pelo menos presentemente, insubstanciadas – mas não que se decretasse que são indesmentivelmente falsas.

A visão maniqueísta das coisas e a desconsideração da experiência passada deveria pôr-nos um bocadinho de pé atrás. Longe de mim qualquer convicção íntima na fraude. Desconfio apenas da feroz unanimidade da linguagem do Bem e não consigo escapar ao exercício contra-factual de imaginar o que diriam os democratas e os seus delegados portugueses, entre outros, se Trump tivesse vencido Biden por tão exígua margem, e à última hora, em vários swing states. Um passarinho diz-me que estariam exactamente a defender, aplaudindo, que Biden fizesse o que Trump está a fazer. Se a isto acrescentarmos a ininterrupta campanha que os democratas e a sua máquina jornalística levaram durante quatro anos a cabo contra Trump, com uma parcialidade e uma violência inauditas, a desconfiança adensa-se e o grosso do argumentário aparece muito discutível, o contrário exacto de uma evidência indesmentível.

Por mim, vou ficar muito caladinho e a pensar em coisas mais elevadas enquanto os tribunais não tiverem feito o seu trabalho. Até aí, faço como o outro e lanço os trocos – a linguagem do Bem e as certezas espúrias — para o chão. Não por especial gosto de discordar ou por ser dotado de uma natureza desconfiada, juro. Gostava imenso de experimentar a beatitude que transparece do canto dos nossos anjos, americanos ou caseiros, e de ser habitado pela irreprimível certeza que partilham. E, em vez de atirar moedas para o chão, preferia responder como uma miúda que em Paris, há muito tempo, em frente a Beaubourg, me agradeceu o cigarro que me tinha pedido: Cool! É mesmo só que não acho essa gente nada cool.

original e comentários aqui




Azul = Bom Vermelho = Mau

Os Azuis são Bons, os Vermelhos são Maus e não existem senão estas duas hipóteses de se ser: 
— Ou se é Azul, ou se é Vermelho, ou se é Bom, ou se é Mau.

Em Lógica dizemos que estamos em presença de uma Disjunção Exclusiva – ou um, ou outro, mas não ambos, nem uma terceira hipótese – em Filosofia dizemos que estamos em presença de uma Mundivisão Dualista, em Teologia que estamos em presença de uma Religião Dualista.

E é esta Mundivisão-Religião Dualista que “the powers that be” nos querem enfiar pelas goelas abaixo!

Monismo & Dualismo, publicado a 29 de Setembro de 2018.






Etiqueta principal: Fascismo Pós-moderno.

6 de fevereiro de 2020

Caminante no hay camino


Caminante no hay camino,
de Antonio Machado

/
LAURA DI VERSO
  / 
El camino fue una referencia constante en la poesía del autor de Campos de Castilla. Camino como concepto del gran viaje, de toda la vida consumida, de la que ha quedado atrás. Caminante, no hay camino, de Antonio Machado, incluido en Proverbios y cantares, revindica el camino como presente, recordando ese pasado, pero evitando que nos obsesione, ni él ni el futuro, a la hora de marcar nuestro destino.

Proverbios y cantares (XXIX)

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.

Caminante no hay camino, Joan Manuel Serrat 

Todo pasa y todo queda
Pero lo nuestro es pasar
Pasar haciendo caminos
Caminos sobre la mar
Nunca perseguí la gloria
Ni dejar en la memoria
De los hombres mi canción
Yo amo los mundos sutiles
Ingrávidos y gentiles
Como pompas de jabón
Me gusta verlos pintarse de sol y grana
Volar bajo el cielo azul
Temblar súbitamente y quebrarse
Nunca perseguí la gloria
Caminante son tus huellas el camino y nada más
Caminante, no hay camino se hace camino al andar
Al andar se hace camino
Y al volver la vista atrás
Se ve la senda que nunca
Se ha de volver a pisar
Caminante no hay camino sino estelas en la mar
Hace algún tiempo en ese lugar
Donde hoy los bosques se visten de espinos
Se oyó la voz de un poeta gritar
Caminante no hay camino, se hace camino al andar
Golpe a golpe, verso a verso
Murió el poeta lejos del hogar
Le cubre el polvo de un país vecino
Al alejarse, le vieron llorar
Caminante, no hay camino, se hace camino al andar
Golpe a golpe, verso a verso
Cuando el jilguero no puede cantar
Cuando el poeta es un peregrino
Cuando de nada nos sirve rezar
Caminante no hay camino, se hace camino al andar
Golpe a golpe y verso a verso
Y golpe a golpe, vero a verso
Y golpe a golpe, verso a verso





Fonte




Etiqueta principal: Tradição Hispânica.
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6 de novembro de 2018

Caçadora

Escultura Diana Caçadora McCartan (32 cm).



caçadora
(bruno caliman / césar lemos)

hoje foi declarada
temporada de caça
tô saindo de casa
eu vou

vermelho na roupa
pimenta na boca
tô de redea solta
eu tô

montada, armada
tô pronta pra caçada
mirando, acertando
essa noite eu só quero ser

caçadora de beijos
eu vou matar o meu desejo
hoje eu vou beijar você
vou devorar você

eu jogo o laço
eu puxo  o laço
eu vou puxando até chegar no seu abraço

eu jogo o laço
eu puxo  o laço
eu vou puxando até chegar na
temporada de caça



Referências
  1. Diana (mitologia) – Wikipédia, a enciclopédia livre.
  2. ÁrtemisWikipédia, a enciclopédia livre.
  3. Templo de ÁrtemisWikipédia, a enciclopédia livre.

Origem da imagem


Etiqueta principal: Música.
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3 de novembro de 2018

O filho é da mãe? … ou do pai?






O lado lógico

Num julgamento de divórcio, o casal briga pela guarda do único filho.

A mãe, muito emocionada, tenta defender a sua posição:
  • Meritíssimo Juiz... Esta criança foi gerada dentro de mim.... Carreguei ela durante nove meses... Ela saiu do meu ventre... Eu mereço ficar com ela!
O juiz, emocionado e quase convencido, passa a palavra ao marido, ao engenheiro, que resolve usar o seu lado lógico:
  • Senhor Juiz, tenho apenas uma pergunta: Quando eu coloco uma moeda em uma máquina de refrigerantes, a latinha que sai é minha… ou da máquina?



Origens do texto e da imagem


Etiqueta principal: Curtas.
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30 de outubro de 2018

JEWS · MONEY · RACE



As palavras jews (“judeus”), money, (“dinheiro”), race (raça) – ou outras delas derivadas, ou com elas estreitamente relacionadas – aparecem e reaparecem com extrema frequência nas publicações em Língua Inglesa, especialmente nas com origem Britânica, ou Estadunidense.

Porque será?



Etiqueta principal: Ideologia.
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