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21 de março de 2021

Assobia para o lado



assobia para o lado


Saúde e dinheiro para gastos, tesão

Pouco mais importa como brinda o meu amigo João

Com esse brinde eu começo uma canção

Que não prescinde uma certa reflexão


Em menos de nada, a gente já foi boy

Tenta ser o Winnie em vez de quereres ser o cowboy

Escolhe bem as tuas guerras, o que não te mada moi

Ambição é boa, mas quando cega, destrói (No doubt)


Quem te fala não sabe nada, mas vai a meio do caminho

Não vale a pena fazê-lo sozinho

De que serve a jornada se não partilhas a chegada

Bem regada com o teu vizinho


Ouve o meu conselho, se tiveres pra aí virado

Verdadeiro sucesso é amar e ser amado

Se disserem o contrário não fiques preocupado

Nã, assobia para o lado


Assobia para o lado

Assobia para o lado

Assobia para o lado


Eu só quero tar tranquilo, rodeado de algumas coisas

Que preciso para ter a minha paz

Pra quê andar atrás daquilo que não controlo

Quando na verdade o essêncial satisfaz


A maioria não está necessáriamente certa

Questiona o que te dizem, mantém-te alerta

Não tenhas medo arriscar a vida é uma oferta

Mas essa porta, não fica para sempre aberta


Não percas muito tempo a pensar no que vão dizer

Por aí, na dúvida sorri

Respeita a vontade que pulsa dentro de ti

Para viveres em pleno a passagem por aqui


Ouve o meu conselho se tiveres pra aí virado

Não precisas de luz pra te sentires realizado

Se disserem o contrário não fiques preocupado

Nã, nã, assobia para o lado


Assobia para o lado

Assobia para o lado

Assobia para o lado


Ma' nada

Assobia para o lado


Assobia para o lado

Assobia para o lado


Há sempre um mano enjoado

No caminho pra'o trabalho

No trânsito parado

Aquele tipo mal educado

Que nunca sorri ou responde

Quando é cumprimentado

Esquece!

Não te rales muito bro

Preocupa-te com aquilo

Que é realmente importante

Quanto ao resto, sabes...

Assobia para o lado

Assobia para o lado




Há nos confins da Ibéria um povo





Fontes
  1. O Tuga e o Confinamento. Old Boys Network. WhatsApp Image 2021-03-16 at 21.21.56.
  2. Carlão - Assobia Para O LadoCarlão Oficial. YouTube. 13/03/2020. 
  3. Letras - Carlão - Assobia para o Lado. Musixmatch. 16 de março de 2021.
  4. Caixa “Toma”. MRBP.CER.0375© Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa. Sem data.
  5. Há nos confins da Ibéria um povo… Citador. Sem data.






Etiqueta PrincipalGuerra Cultural.

2 de março de 2021

Os quiduxos das mamãs

Copinho de leite para o mano mais fofo e queriducho




Sou um tipo muito atado,
Ando mal-habituado,
A fazer só o que quero,
Tenho tudo, nunca espero.
A mamã é uma querida,
Lava a roupa, dá comida,
Faz de mim um incapaz,

Mas eu sou um bom rapaz,
Bom rapaz!

Apesar de ter escolha,
Não saio da minha bolha.
Estou tranquilo, estou tão bem,
Ao colo da minha mãe,
Que eu adoro, que me adora,
Que me liga de hora a hora,
Porque eu sou um incapaz.

Mas eu sou um bom rapaz,
Bom rapaz!

Acho que já sou capaz,
De fazer o que a mãe faz,
Mas é perfeito assim!
A Mamã faz por mim,
Tudo o que eu deixo para trás,
Como se eu fosse um incapaz!

Bom rapaz!
Bom rapaz!

Quando esbanjo o meu dinheiro,
Ela parte o mealheiro,
Sou o seu filho adorado,
Não quer ver-me atrapalhado.

Saio à rua,
Ela faz figas,
Liga aflita p’rás amigas,
Porque eu sou um incapaz,

Mas eu sou um bom rapaz!
Bom rapaz!

Deixa-me a roupa dobrada, p’ra eu vestir de madrugada e prepara-me a marmita com iogurte e uma barrita para, ao meio da manhã, eu me lembrar da mamã que alimenta o incapaz.

Mas eu sou um bom rapaz,
Bom Rapaz!

Acho que já sou capaz,
De fazer o que a mãe faz,
Mas é perfeito assim!
A Mamã faz por mim.

Tudo o que eu deixo para trás,
Como se eu fosse um incapaz!
Bom rapaz! Bom rapaz!




Os quiduxos das mamãs…

… têm uma certa tendência a “jogar do outro lado”, o que é complicado para as eventuais sensorte e, também, a alaparem-se nas tetas da política, o que é complicado para todas as, e todos os, sem-sorte.







Etiqueta principal: Caricatura Política.

24 de janeiro de 2021

O Rapaz da Camisola Verde











O Rapaz da Camisola Verde
De mãos nos bolso e de olhar distante,
Jeito de marinheiro ou de soldado,
Era um rapaz de camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Perguntei-lhe quem era e ele me disse
“Sou do monte, Senhor, e um seu criado”.
Pobre rapaz de camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Porque me assaltam turvos pensamentos?
Na minha frente estava um condenado.
Vai-te, rapaz da camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Ouvindo-me, quedou-se o bravo moço,
Indiferente à raiva do meu brado,
E ali ficou de camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Soube depois ali que se perdera
Esse que só eu pudera ter salvado.
Ai do rapaz da camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Ai do rapaz da camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
in






Etiqueta principal: Trovadorismo.

18 de setembro de 2020

A camisa-de-onze-varas

ACORDAI
Música: Fernando Lopes-Graça
Letra: José Gomes Ferreira


Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!




Andando eu a arrumar livros e papéis encontrei, descobri, um texto de que já me não lembrava, um texto que escrevi e publiquei  em 2012, já lá vão 8 (oito) anos. 

Rascunhei-o nos dias 28 e 29 de Abril – versão v.0, manuscripta, terminada às 04:25 de 28, versão v.1, computatuscripta, terminada à 15:43 do mesmo dia, versão v.2, computatuscripta, terminada às 02:20 de 29 –, finalizei-o na Véspera de São João – versão v.2.F, computatuscripta, a final, a que disponibilizei na Dropboxterminada, às 21:35 de 23 de Junho de 2012 – e publiquei-o nessa mesma noite no Facebook, no meu perfil Álvaro Aragão Athayde. A que horas o publiquei não sei precisar porque o Facebook me descriou esse perfil (Um blogue? Porquê?).




Acordai!


Nós, portugueses, estamos metidos numa camisa-de-onze-varas…

Creio bem que já não há quem afirme o contrário!

E, estando-o, a nossa preocupação fundamental é, deverá ser, como é que vamos sair desta?

Como vamos nós portugueses superar esta tão badalada crise?

A primeira e fundamental questão é pois, em minha opinião, a questão de saber se queremos realmente superar a crise e, querendo-o, em que termos o queremos fazer.

Ou seja, a questão fundamental é O QUE É QUE NÓS QUEREMOS?

Eu, por mim, pessoal e familiarmente falando, quero sobreviver, continuando a ser quem sou.

Portanto, e concretizando:
  • Quero continuar a viver, quero continuar a falar português, quero continuar a poder comer joaquinzinhos e a beber vinho verde, quero continuar a dançar a chula e a cantar o fado, a dizer piropos e a fumar Definitivos, a afirmar que Camões é o máximo mas que Vieira não lhe fica atrás, a ler, no original, Herculano, Eça, Castro Alves, Jorge Amado, a declamar Bocage, Pessoa, Gedeão.
  • E quero ter filhos, netos e bisnetos que sigam nesta mesma linha.

Simples e consensual dir-me-ão...

Infelizmente não!

E não porque entre nós há quem não queira sobreviver, os suicidas, e quem queira sobreviver mas mudando de cultura, os arrependidos.

Os suicidas não se afirmam, infelizmente, como suicidas. Os suicidas defendem e realizam,
em nome de grandes princípios, politicas que desencorajam, ou impedem, a natural reprodução humana. E fazem-no, fundamentalmente, desencorajando ou impedindo as mulheres de terem filhos.

Notem que eu não tenho nada contra a libertação da mulher, nem contra a igualdade de género, tenho, isso sim, contra a utilização destas bandeiras com o objectivo de reduzir a natalidade e, por essa via, promover a extinção do grupo.

Se não houver filhos não há netos e, como todos envelhecemos e acabamos por morrer, o não haver filhos nem netos acarreta que iremos diminuindo, diminuindo, e, quando morrer o último, acaba-se.

Morreu o bicho, acabou a peçonha!

Os arrependidos, que também não se afirmam como arrependidos, defendem e realizam, igualmente em nome de altíssimos ideais, políticas culturais que têm em vista, por um lado, desencorajar ou impedir as manifestações que no seu entender são retrógradas ou impróprias e, por outro, encorajar e realizar as que consideram correctas e progressistas.

Quem se não lembra do que aconteceu com o fado nos idos do PREC?

O fado foi oficialmente declarado, pelos autodenominados progressistas, como sendo uma manifestação fascista!

Era a teoria dos três efes: Fado, Fátima e Futebol. As três manifestações máximas do fascismo. As três a serem proscritas, perseguidas, eliminadas para todo o sempre.

Tudo para o bem e o progresso do povo.

Hoje, como é sabido, o fado foi proposto a Património da Humanidade, o futebol é motivo de orgulho nacional e Fátima lá continua...

Os arrependidos também nos costumam brindar com largas laudas ao progresso, ao desenvolvimento, à necessidade de imitarmos o que de verdadeiramente extraordinário se faz nos países que consideram desenvolvidos e progressistas.

Notem que, como no caso anterior, nada tenho nada contra o desenvolvimento, nem contra o progresso. Mas, também como no caso anterior, sou contra facto de estas bandeiras serem usadas para nos levar a macaquear outros países, e a importar, de forma mais ou menos acrítica, toda e qualquer novidade, supostamente extraordinária, que por lá surja!

Recusando eu o partido dos portugueses suicidas e também o partido dos portugueses arrependidos, declaro-me, oficialmente, aqui e agora, militante do partido dos portugueses entusiastas.

Eu quero ser português! Eu gosto de ser português!

Eu quero comer carne de porco à alentejana, beber cartaxol, dançar o vira, cantar o Zeca, declamar a Natália, ler o Mia Couto!

O meu partido é, como diria um certo militante do Partido Comunista Português, o partido do nosso povo!

Bom, já estou a ver muito camarada com os cabelos em pé!

E estão-no porque, supostamente, o meu discurso é um discurso direitista, ultranacionalista, fascista mesmo...

A esses camaradas só lhes digo uma palavra: ACORDAI !

Fernando Lopes-Graça
Acordai!

Acordai e olhai em volta.

O desenvolvimento, o internacionalismo, o futuro, o progresso, já não passam por Milão, por Viena, por Paris, ou por Berlim. Há anos que já não passam...

O desenvolvimento, o internacionalismo, o futuro, o progresso, passam hoje por Brasília, Moscovo, Deli, Pequim, Pretória.

Passam, ainda, por Washington, Tóquio, Londres e suas filhas, ou irmãs: Camberra, Otava, Wellington.

Passarão, dentro de não muito tempo, por Bogotá, Caracas, Luanda, Maputo, México, Teerão.

O Mundo mudou... A Europa já era!

E a isso acresce que a Europa está novamente em guerra intestina. Alemanha, França, Itália disputam-se o comando do efémero Império do bárbaro Carlos Magno.

As Espanhas em geral, Portugal em particular, nunca integraram tal império. Estávamos, à época, em outro campeonato. E em outro campeonato estivemos até há muito pouco tempo.

A Grã-Bretanha também nunca integrou o bárbaro Império... e já começou a desacoplar. Docemente, que a nave é grande...

A minha posição não é pois fascista, nem ultranacionalista, nem direitista sequer. A minha posição é, simplesmente, realista.

Sou português, quero continuar a sê-lo, quero que os meus filhos e netos o sejam. E não quero que nos vejamos envolvidos na disputa da herança de Carlos Magno.

Estes são, a meu ver, os reais interesses do nosso povo.

Repito pois a palavra que acima disse, palavra que o Fernando Lopes Graça melhor e antes já disse: ACORDAI !




Fontes






Etiqueta principal: Fascismo Pós-Moderno.

2 de abril de 2020

Tudo Muda · Todo Cambia

A Europa e o Magrebe no ano 450 da Era Comum.
Nesse ano, há 1570 anos na Península Ibérica existiam:
no oeste, o Reino Suevo,
no nordeste, o Reino Visigótico,
em toda a restante península, o Império Romano do Ocidente.
Rómulo Augusto, o último Imperador Romano do Ocidente, foi deposto em 476.






RECUANDO NO TEMPO
Esta animação mostra a evolução tectónica e paleogeográfica da Terra até há 540 milhões de anos. 
E também mostra as principais eras glaciares: há 20 mil, 300 milhões e 445 milhões de anos.



REGRESSANDO AO PRESENTE
Esta animação mostra a evolução tectónica e paleogeográfica da Terra desde há 540 milhões de anos.
E também mostra as principais eras glaciares há: 20 mil anos, 300 e 445 milhões de anos.



REGRESSANDO AO PRESENTE
MAS COM OS HEMISFÉRIOS SEPARADOS
Esta animação mostra a evolução tectónica e paleogeográfica da Terra desde há 540 milhões de anos.
E também mostra as principais eras glaciares há: 20 mil anos, 300 e 445 milhões de anos.



HISTÓRIA DA EUROPA
2500 ANOS EM 10 MINUTOS
A Europa é um continente situado no hemisfério norte do globo terrestre.
Ao norte do continente europeu situa-se o Oceano Glacial Ártico; ao sul os Mares Mediterrâneo, Negro e Cáspio, a leste os Montes Urais e a oeste o Oceano Atlântico. Este vídeo mostra as fronteiras e populações de cada país na Europa, para todos os anos desde 400 aC. Estados vassalos e colónias não são incluídos na contagem da população de um país.






tudo muda mas alguns querem que nada mude
querem que nada mude para não perderem o poder

e

estão na disposição de matar imensa gente
para se manterem no poder mais algum tempo

pois

são os eleitos
são os excepcionais
adonai deu-lhes o mundo






Todo Cambia
Julio Numhauser
Nueva versión con Julio y su hijo Maciel, en familia.



Todo Cambia
Julio Numhauser

Cambia lo superficial
Cambia también lo profundo
Cambia el modo de pensar
Cambia todo en este mundo
Cambia el clima con los años
Cambia el pastor su rebaño
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Cambia el mas fino brillante
De mano en mano su brillo
Cambia el nido el pajarillo
Cambia el sentir un amante
Cambia el rumbo el caminante
Aunque esto le cause daño
Y asi como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Cambia todo cambia
Cambia todo cambia

Cambia el sol en su carrera
Cuando la noche subsiste
Cambia la planta y se viste
De verde en la primavera
Cambia el pelaje la fiera
Cambia el cabello el anciano
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Pero no cambia mi amor
Por mas lejos que me encuentre
Ni el recuerdo ni el dolor
De mi pueblo y de mi gente
Y lo que cambió ayer
Tendrá que cambiar mañana
Así como cambio yo
En esta tierra lejana

Cambia todo cambia
Cambia todo cambia






Referência





Etiqueta principal: Fascismo Pós-Moderno.
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24 de março de 2020

Sabedoria



Cinco Quadras do António Aleixo

Acho uma moral ruim
trazer o vulgo enganado:
mandarem fazer assim
e eles fazerem assado.
Sou um dos membros malditos
dessa falsa sociedade
que, baseada nos mitos,
pode roubar à vontade.
 
Esses por quem não te interessas
produzem quanto consomes:
vivem das tuas promessas
ganhando o pão que tu comes.
Não me deem mais desgostos
porque sei raciocinar...
Só os burros estão dispostos
a sofrer sem protestar!
 
Esta mascarada enorme
com que o mundo nos aldraba,
dura enquanto o povo dorme,
quando ele acordar, acaba.



Fontes
  • Imagem “Roubada” a Anabela C. Cabral.
  •  Texto  Pensador.





Etiqueta principal: Fascismo Pós-Moderno.
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19 de março de 2020

“A Água”, segundo Bocage


A Água



Manuel Maria Barbosa du Bocage








Meus senhores eu sou a água
que lava a cara, que lava os olhos
que lava a rata e os entrefolhos
que lava a nabiça e os agriões
que lava a piça e os colhões
que lava as damas e o que está vago
pois lava as mamas e por onde cago.

Meus senhores aqui está a água
que rega a salsa e o rabanete
que lava a língua a quem faz minete
que lava o chibo mesmo da raspa
tira o cheiro a bacalhau rasca
que bebe o homem, que bebe o cão
que lava a cona e o berbigão.

Meus senhores aqui está a água
que lava os olhos e os grelinhos
que lava a cona e os paninhos
que lava o sangue das grandes lutas
que lava sérias e lava putas
apaga o lume e o borralho
e que lava as guelrras ao caralho

Meus senhores aqui está a água
que rega rosas e manjericos
que lava o bidé, que lava penicos
tira mau cheiro das algibeiras
dá de beber ás fressureiras
lava a tromba a qualquer fantoche e
lava a boca depois de um broche

Recebido de um Kamarada Setubalense em tempos de Coronavirus e de Açambarcamento de Papel Higiénico.
Coimbra, Portugal, 2020-03-17.




Etiqueta principal: Poesias Eróticas, Burlescas & Satíricas.
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6 de fevereiro de 2020

Caminante no hay camino


Caminante no hay camino,
de Antonio Machado

/
LAURA DI VERSO
  / 
El camino fue una referencia constante en la poesía del autor de Campos de Castilla. Camino como concepto del gran viaje, de toda la vida consumida, de la que ha quedado atrás. Caminante, no hay camino, de Antonio Machado, incluido en Proverbios y cantares, revindica el camino como presente, recordando ese pasado, pero evitando que nos obsesione, ni él ni el futuro, a la hora de marcar nuestro destino.

Proverbios y cantares (XXIX)

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.

Caminante no hay camino, Joan Manuel Serrat 

Todo pasa y todo queda
Pero lo nuestro es pasar
Pasar haciendo caminos
Caminos sobre la mar
Nunca perseguí la gloria
Ni dejar en la memoria
De los hombres mi canción
Yo amo los mundos sutiles
Ingrávidos y gentiles
Como pompas de jabón
Me gusta verlos pintarse de sol y grana
Volar bajo el cielo azul
Temblar súbitamente y quebrarse
Nunca perseguí la gloria
Caminante son tus huellas el camino y nada más
Caminante, no hay camino se hace camino al andar
Al andar se hace camino
Y al volver la vista atrás
Se ve la senda que nunca
Se ha de volver a pisar
Caminante no hay camino sino estelas en la mar
Hace algún tiempo en ese lugar
Donde hoy los bosques se visten de espinos
Se oyó la voz de un poeta gritar
Caminante no hay camino, se hace camino al andar
Golpe a golpe, verso a verso
Murió el poeta lejos del hogar
Le cubre el polvo de un país vecino
Al alejarse, le vieron llorar
Caminante, no hay camino, se hace camino al andar
Golpe a golpe, verso a verso
Cuando el jilguero no puede cantar
Cuando el poeta es un peregrino
Cuando de nada nos sirve rezar
Caminante no hay camino, se hace camino al andar
Golpe a golpe y verso a verso
Y golpe a golpe, vero a verso
Y golpe a golpe, verso a verso





Fonte




Etiqueta principal: Tradição Hispânica.
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10 de novembro de 2019

Ariano Suassuna


A CHEGADA DE ARIANO SUASSUNA NO CÉU

poema
A Chegada de Ariano Suassuna ao Céu
de
Klévisson Viana e Bule-Bule

declamado
por
Rolando Boldrin


Nos palcos do firmamento
Jesus concebeu um plano
De montar um espetáculo
Para Deus Pai Soberano
E, ao lembrar de um dramaturgo,
Mandou buscar Ariano.

Jesus mandou-lhe um convite,
Mas Ariano não leu.
Estava noutro idioma,
Ele num canto esqueceu,
Nem sequer observou
Quem foi que lhe escreveu.

Depois de um tempo, mandou
Uma segunda missiva.
A secretária do artista
Logo a dita carta arquiva,
Dizendo: — Viagem longa
A meu mestre não cativa.

Jesus sem ter a resposta
Disse torcendo o bigode:
— Eu vejo que Suassuna
É teimoso igual a um bode.
Não pode, mas ele pensa
Que é soberano e pode!

Jesus, já perdendo a calma,
Apelou pra outro suporte.
Para cumprir a missão,
Autorizou Dona Morte:
— Vá buscar o escritor,
Mas vê se não erra o corte!

A morte veio ao País
Como turista estrangeiro,
Achando que o Brasil
Era só Rio de Janeiro.
No rastro de Suassuna,
Sobrou pra Ubaldo Ribeiro.

Porém, antes de encontrá-lo,
Sofreu um constrangimento
Passando em Copacabana,
Um malfazejo elemento
Assaltou ela levando
Sua foice e documento.

A morte ficou sem rumo
E murmurou dessa vez:
— Pra não perder a viagem
Vou vender meu picinez
Para comprar outra foice
Na loja de algum chinês.

Por um e noventa e nove
A dita foice comprou.
Passando a mão pelo aço,
Viu que ela enferrujou
E disse: — Vai essa mesma,
Pois comprar outra eu não vou!

A morte saiu bolando,
Sem direção e sem tino,
Perguntando a um e a outro
Pelo escritor nordestino,
Obteve informação,
Gratificando um menino.

Ao encontrar João Ubaldo,
Viu naufragar o seu plano,
Se lembrando da imagem
Disse: — Aqui há um engano.
Perguntou para João
Onde é que estava Ariano.

Nessa hora João Ubaldo,
Quase ficando maluco,
Tomou um susto arretado,
Quando ali tocou um cuco,
Mas, gaguejando, falou:
—Ele mora em Pernambuco!

A morte disse: — Danou-se
Dinheiro não tenho mais
Para viajar tão longe,
Mas Ariano é sagaz.
Escapou mais uma vez,
Vai você mesmo, rapaz!

Quando chegou lá no Céu
Com o escritor baiano,
Cristo lhe deu uma bronca:
— Já foi baldado o meu plano.
Pedi um da Paraíba
E você trouxe um baiano.

João Ubaldo é talentoso,
Porém não escreve tudo.
“Viva o Povo Brasileiro”
É sua obra de estudo,
Mas quero peça de humor,
Que o Céu tá muito sisudo.

Foi consultar os arquivos
Pra ressuscitar João,
Mas achou desnecessário,
Pois já era ocasião
Pra ele vir prestar contas
Ali na Santa Mansão.

Jesus olhou para a Morte
E disse assim: — Serafina,
Vejo não és mais a mesma.
Tu já foste mais malina,
Tá com pena ou tá com medo,
Responda logo, menina?!

— Jesus, eu vou lhe falar
Que preciso de dinheiro.
Ariano mora bem
No Nordeste brasileiro.
Disse o Cristo: —Tenho pressa,
Passe lá no financeiro!

— Só faço que é pra o Senhor.
Pra outro, juro não ia.
Ele que se conformasse
Com o escritor da Bahia.
Se dependesse de mim,
Ariano não morria.

A morte na internet
Comprou passagem barata.
Quase morria de susto
Naquela viagem ingrata.
De vez em quando dizia:
— Eita que viagem chata!

Uma aeromoça lhe trouxe
Duas barras de cereais.
Diz ela: — Estou de regime.
Por favor, não traga mais,
Porque se vier eu como,
Meu apetite é voraz!

Quando chegou no Recife,
Ficou ela de plantão
Na porta de Ariano
Com sua foice na mão,
Resmungando: — Qualquer hora
Ele cai no alçapão!

A morte colonizada,
Pensando em lhe agradar,
Uma faixa com uma frase
Ela mandou preparar,
Dizendo: “Welcome Ariano”,
Mas ele não quis entrar.

Vendo a tal faixa, Ariano
Ficou muito revoltado.
Começou a passar mal,
Pediu pra ser internado
E a morte foi lhe seguindo
Para ver o resultado.

Eu não sei se Ariano
Morreu de raiva ou de medo.
Que era contra estrangeirismos,
Isso nunca foi segredo.
Certo é que a morte o matou
Sem lhe tocar com um dedo.

Chegou no Céu Ariano,
Tava a porta escancarada.
São Pedro quando o avistou
Resmungando na calçada,
Correu logo pra o portão,
Louvando a sua chegada.

Um anjinho de recado
Foi chamar o Soberano,
Dizendo: – O Senhor agora
Vai concretizar seu plano.
São Pedro mandou dizer
Que aqui chegou Ariano.

Jesus saiu apressado,
Apertando o nó da manta
E disse assim: — Vou lembrar
Dessa data como santa
Que a arte de Ariano
Em toda parte ela encanta.

São Pedro lá no portão
Recebeu bem Ariano,
Que chegou meio areado,
Meio confuso e sem plano.
Ao perceber que morreu,
Se valeu do Soberano.

Com um chapelão de palha
Chegou Ascenso Ferreira,
O grande Câmara Cascudo,
Zé Pacheco e Zé Limeira.
João Firmino Cabral
Veio engrossar a fileira.

E o próprio João Ubaldo
(Que foi pra lá por engano)
Veio de braços abertos
Para abraçar Ariano.
E esse falou: – Ubaldo,
Morrer não tava em meu plano!

Logo chegou Jorge Amado
E o ator Paulo Goulart.
Veio também Chico Anysio
Que começou a contar
Uma anedota engraçada
Descontraindo o lugar.



Me dê Sua Tristeza, Que lhe Dou Minha Alegria
em
Homenagem a Ariano Suassuna

no
Canal de TV da Universidade de Brasília
em
Julho de 2014








Fontes
  1. “A Chegada de Ariano Suassuna no Céu”, poema declamado por Rolando Boldrin”. Pensar Contemporâneo. Sem data de publicação. Recuperado a 09 de Novembro de 2019, às 19.16.
  2. "Poema “A Chegada de Suassuna no Céu” recitado por Rolando Boldrin". Sr. Brasil. YouTube. Publicado a 06 de Março de 2016. Recuperado a 09 de Novembro de 2019.
  3. Especial: Homenagem a Ariano Suassuna”. UnBTV. YouTube. Publicado a 24 de Julho de 2014. Recuperado a 09 de Novembro de 2019.
  4. Ariano Suassuna”. Wikipédia, a enciclopédia livre. Esta página foi editada pela última vez às 20h53min de 27 de julho de 2019. Esta página foi editada pela última vez às 20h5omin de 11 de outubro de 2019.
  5. Romance da Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-volta”. Amazon Brazil. Sem data de publicação. Recuperado a 09 de Novembro de 2019, às 20:57.



Etiqueta principal: Cultura Brasileira.
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