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25 de abril de 2021

Liberdade, Liberdade

O abandono da Liberdade



Liberdade, Liberdade, 
Quem a tem chama-lhe sua, 
Já não tenho Liberdade, 
Nem de pôr o pé na rua.




O que mais me irrita é ouvir os Fascistas, os Social-Fascistas, os Ladrões, os Homicidas, os Saqueadores, os Genocidas, aos gritos de Liberdade! Liberdade!






Etiqueta principal: 25 de Abril.

21 de março de 2021

Assobia para o lado



assobia para o lado


Saúde e dinheiro para gastos, tesão

Pouco mais importa como brinda o meu amigo João

Com esse brinde eu começo uma canção

Que não prescinde uma certa reflexão


Em menos de nada, a gente já foi boy

Tenta ser o Winnie em vez de quereres ser o cowboy

Escolhe bem as tuas guerras, o que não te mada moi

Ambição é boa, mas quando cega, destrói (No doubt)


Quem te fala não sabe nada, mas vai a meio do caminho

Não vale a pena fazê-lo sozinho

De que serve a jornada se não partilhas a chegada

Bem regada com o teu vizinho


Ouve o meu conselho, se tiveres pra aí virado

Verdadeiro sucesso é amar e ser amado

Se disserem o contrário não fiques preocupado

Nã, assobia para o lado


Assobia para o lado

Assobia para o lado

Assobia para o lado


Eu só quero tar tranquilo, rodeado de algumas coisas

Que preciso para ter a minha paz

Pra quê andar atrás daquilo que não controlo

Quando na verdade o essêncial satisfaz


A maioria não está necessáriamente certa

Questiona o que te dizem, mantém-te alerta

Não tenhas medo arriscar a vida é uma oferta

Mas essa porta, não fica para sempre aberta


Não percas muito tempo a pensar no que vão dizer

Por aí, na dúvida sorri

Respeita a vontade que pulsa dentro de ti

Para viveres em pleno a passagem por aqui


Ouve o meu conselho se tiveres pra aí virado

Não precisas de luz pra te sentires realizado

Se disserem o contrário não fiques preocupado

Nã, nã, assobia para o lado


Assobia para o lado

Assobia para o lado

Assobia para o lado


Ma' nada

Assobia para o lado


Assobia para o lado

Assobia para o lado


Há sempre um mano enjoado

No caminho pra'o trabalho

No trânsito parado

Aquele tipo mal educado

Que nunca sorri ou responde

Quando é cumprimentado

Esquece!

Não te rales muito bro

Preocupa-te com aquilo

Que é realmente importante

Quanto ao resto, sabes...

Assobia para o lado

Assobia para o lado




Há nos confins da Ibéria um povo





Fontes
  1. O Tuga e o Confinamento. Old Boys Network. WhatsApp Image 2021-03-16 at 21.21.56.
  2. Carlão - Assobia Para O LadoCarlão Oficial. YouTube. 13/03/2020. 
  3. Letras - Carlão - Assobia para o Lado. Musixmatch. 16 de março de 2021.
  4. Caixa “Toma”. MRBP.CER.0375© Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa. Sem data.
  5. Há nos confins da Ibéria um povo… Citador. Sem data.






Etiqueta PrincipalGuerra Cultural.

19 de março de 2021

No politicamente correcto…

doutrinação


No políticamente correcto o Brasil está anos luz à frente de Portugal como facilmente se constata lendo o artigo de título O Marxismo cultural e a nossa violência Quotidiana, artigo de onde foi retirada a caricatura acima, artigo que foi publicado no dia 14 de Maio de 2014, já lá vão quase 7 (sete) anos.


Observatório da população em 
cargos de gestão do pensamento neutro e inclusivo
Para uma educação neutra, as identidades nacionais devem ser substituídas por uma humanidade global, fluída, indistinta, volátil, inclusiva. Bandeiras, só talvez a do arco-íris.

Por Jaime Nogueira Pinto no Observador às 06:50 de 19 de Março de 2021. Original aqui.

Em 2003, quando ainda a procissão e o milénio iam no adro, Anthony Browne, um licenciado em Matemática por Cambridge, escritor, jornalista e colaborador do Times, publicou The Retreat of Reason – Political Correctness and the Corruption of Public Debate in Modern Britain.  E a título de exemplo, começava por denunciar a cortina de silêncio com que, por puro pudor e paternalismo ideológico, a imprensa britânica tinha velado a incidência de HIV nas comunidades de migrantes africanos. E isso era só um vislumbre: a Grã-Bretanha, que “durante séculos tinha sido um farol da liberdade de pensamento, de credo e de expressão”, via agora “a sua vida intelectual e política acorrentada”, com “vastas áreas de conhecimento” excluídas do debate pelos novos moralistas.

Browne resumia depois a Longa Marcha do marxismo cultural, da escola de Frankfurt à contracultura euro-americana dos anos 60, e daí até à hegemonia académica, sobretudo nas Ciências Sociais e, mais especificamente, nos “Estudos” sectoriais, que as universidades norte-americanas irradiavam para o mundo.

E os “Estudos”, pós-coloniais, feministas, interseccionais, proto-LGBTQ+ – que, no seu melhor, começaram por ser sedutoras “paranóias de tipo interpretativo” com “a força e a estreiteza da loucura” (para usar a definição de Pessoa do “critério psicológico de Freud”), capazes de nos alertarem para realidades encobertas, de acordarem outros sentidos nas obras literárias, historiográficas ou filosóficas, de abrirem caminhos e campos de investigação e de criaram novas oportunidades de trabalho –  foram tomados de assalto por zelotas.

Aconteceu também que o zelo destes zelotas, com o seu vocabulário esotérico (tanto mais complexo, sofisticado e “científico” na forma, quanto mais oco, medíocre e manipulador no conteúdo), se foi sobrepondo a tudo o resto… E foi seduzindo fundações burguesas e governos que, quais aristocratas francesas acarinhando nos seus salões as iluminadas ideias que haviam de cortar o pescoço aos seus filhos e netos, se foram rendendo ao charme discreto dos novos “sábios dos oprimidos”.

E assim os “Estudos” cresceram e multiplicaram-se, enchendo e dominando a academia e reinando sobre todos os animais exóticos da terra. E desdobraram-se em Centros, Fóruns, Iniciativas e Observatórios, subjugando aqui, domesticando ali, preservando acolá, mas observando sempre.

E eis que, em incansável demanda por opressores e oprimidos, por macro e micro agressões, por visões alternativas e por subvenções, os zelotas que, do alto dos seus observatórios de marfim, tinham começado por promover a nova moral, passaram a perseguir os recalcitrantes – passados, presentes e futuros. Cada tique de linguagem, cada acto, palavra ou omissão, cada desvio do pensamento correcto, neutro e inclusivo, cada cisco, por mais ínfimo, no olho de um “opressor”, ou de um autor consagrado ou de uma figura histórica celebrada, era escrupulosamente observado, pesado, medido, condenado. E não se pense que os “oprimidos” conheciam melhor sorte: a eles também se exigia que não saíssem do redil e que se cingissem à identidade em que os novos moralistas os encurralavam… É que se não parassem quietos e se não se deixassem ficar oprimidos como lhes competia, se começassem a pensar e a reivindicar individualidades e especificidades, como é que queriam que os detentores da nova verdade e da nova moral os libertassem, lhes arranjassem subsídios e empregos nos Centros, Fóruns, Iniciativas e Observatórios que eles controlavam e os sustentam?

“Pensamento correcto” foi uma expressão abundantemente usada pelos partidos comunistas nos anos 20 e 30; Mao Tsé-Tung repetiu-a incessantemente nos seus escritos. Correcto, era todo o pensamento que estava de acordo com a linha do Partido ou que batia certo com as categorias históricas e sociopolíticas cientificamente estipuladas pelo Grande Timoneiro. Fora dessa correcção, não podia haver pensamento – mas não deixava de haver consequências.


Do pensamento correcto ao pensamento neutro e inclusivo

Dir-se-á que agora, com o actual “pensamento neutro e inclusivo”, que actua essencialmente no condicionamento da linguagem, não há consequências. Ou não as haverá tão imediatamente brutais e fatais. Mas não deixa de haver supressão do pensamento “incorrecto”, ou seja, inibição do pensamento. E se a nova ortodoxia parece não aspirar já a um tradicional “assalto ao poder”, é só porque a influência constante e progressiva nas mentalidades, traduzida depois em leis e regulamentos, tornou o velho “assalto” irrelevante.

Fora do discurso consentido, todo o discurso poderá facilmente ser denunciado como “discurso de ódio”, ao sabor do zelo e da criatividade dos sacerdotes do novo credo e do seu Index. Acresce que esta ortodoxia é tendencialmente elitista, acarinhando os magos e desprezando os pastores, procurando colonizar preferencialmente, por doutrinação ou pressão, as elites funcionais – ou, para usar uma linguagem mais consentânea, “a população em cargos académicos, artísticos, mediáticos e empresariais”.

Mas se a resistência vem das maiorias que o pensamento “neutro e inclusivo” discrimina, como as classes médias profissionais, as massas populares e religiosas e o grosso da população “binária”; vem também das minorias que o mesmo pensamento cristaliza.


Portugal no bom caminho

É por isso que consideram urgente domar a linguagem e explicar ao povo e às crianças o novo credo. Para uma educação neutra, as identidades nacionais devem então ser substituídas por uma humanidade global, fluída, indistinta, volátil, inclusiva. Bandeiras, só talvez a do arco-íris, devendo a História nacional ser reavaliada à luz do que foram “verdadeiramente” os “chamados Descobrimentos”: nada mais do que uma empresa comercial lucrativa, racista, esclavagista e exploradora dos povos africanos e ameríndios.

E estamos no bom caminho: temos uma investigadora que quer anexar notas pedagógicas anti-racistas aos Maias de Eça de Queiroz, um deputado que quer destruir o Padrão dos Descobrimentos, uns anónimos que acham que vandalizar a estátua do Padre António Vieira é lutar contra o racismo, e um Conselho Económico e Social que acha fundamental para a nossa economia e para a nossa sociedade que se adopte uma nova linguagem. Não restam dúvidas: entre a profunda ignorância de quem aparentemente pertence à “população com baixa visão” mas que frequentemente descobrimos como parte da “população em cargos de gestão”, estamos mesmo no bom caminho.

São tempos estranhos para a razão e para o senso comum, sob estas acometidas orwellianas, tão apartadas de qualquer visão minimamente realista da natureza humana, da criatividade humana e do pensamento e da acção humana que têm tudo para acabar mal.

Segundo o novo código de Hollywood, para que um filme se candidate aos Óscares, deverá agora ter “pelo menos um actor ou uma actriz principais de etnias sub-representadas” (asiática, hispânica, afroamericana, nativa-americana); e o elenco secundário terá de ter, “pelo menos, 30% de mulheres, LGBTQ+ ou pessoas com incapacidade”, que deverão “estar também representadas, de alguma forma, no argumento”. Enfim, perante esta sua sequela gramsciana, empalidece, acabrunhado, o realismo socialista da Rússia de Estaline (que sempre tinha Dziga Vertov e Sergei Eisenstein).

É todo um novo catecismo laico, mas promovido com fúrias de Torquemada. Aplicou-se, consciente ou inconscientemente, um princípio de desconstrução marxista, que passou da “classe social” para outras determinantes. Onde, na Vulgata, havia Burgueses e Proletários, Exploradores e Explorados, Patrões e Trabalhadores, há agora o mais fluído binómio Opressor-Oprimido – ainda que com categorias igualmente inflexíveis, de raça, de género, de comportamento social e político.

E tal como Marx, Engels, Lenine e Trotsky, que não eram propriamente proletários, adoptaram “a teoria do Partido como vanguarda da classe operária” para puderem liderar a revolução, também  os pioneiros da Correcção Política, que, na sua maioria, também não são propriamente “oprimidos de origem”, adoptam agora a teoria da vanguarda para poderem guiar e pastorear convenientemente os “novos proletários”. E assim como Marx e Engels sofriam com a adesão dos operários franceses e alemães ao bonapartismo ou ao socialismo patriótico, também os novos comissários políticos sofrem com os  trânsfugas das modernas massas “minoritárias” ou “oprimidas”  e sabem que não as podem deixar ao abandono. Têm de ser educadas e controladas. E, para isso, lá estão os capatazes, os quadros médios vigilantes, na Academia, no jornal ou na estação televisiva, prontos a seguir, por convicção, ignorância, ou dependência, a “linha geral” e correcta, a linha do Partido, e a punir os oposicionistas e os desviacionistas.

Para singrar neste mundo “neutro e inclusivo” há inúmeros filões a explorar, e as figuras e os escritores de outras épocas abrem toda uma vasta gama de apetecíveis e subsidiáveis possibilidades. E se ao ler Eça somos imediatamente confrontados com a ausência – e a necessidade, e a urgência – de notas pedagógicas anti-racistas, o mundo machista de Camilo, por exemplo, pleno de “discurso de ódio” contra “brasileiros”, de mulheres que acabam em conventos por paixões contrariadas, ou, pior ainda, que casam, têm filhos e estão contentes, afigura-se ainda mais necessitado de delações censórias. E Camões, e Gil Vicente, que riqueza para denúncias!

Lorena Germán, presidente do National Council of English Teatcher’s Comittee Against Racism and Bias in Teaching of English é um exemplo a seguir. À semelhança de Mao, que não gostava de Shakespeare ou o achava impróprio para as massas e por isso o proibiu durante a Revolução Cultural, Germán também não morre de amores pelo Bardo. Ou melhor, concede que “como qualquer outro dramaturgo” Shakespeare até terá um certo “mérito literário”, mas nada que ofusque a abjecta demonstração de “supremacia branca e colonialista” que os seus textos, e a importância que se lhes dá, exalam. E a violência, a misoginia e o racismo que descortina em Shakespeare, levam a professora a sugerir que se celebrem nas salas de aula “as vozes dos marginalizados”, até para mostrar aos estudantes “uma sociedade melhor”. Defende ainda que “é imperativo corrigir a mensagem que os educadores e os sistemas escolares dão às crianças”: Haverá uma linguagem “superior”? E qual deverá ser ela?  Quais são as histórias verdadeiramente “universais”? Que História devemos transportar para o futuro?


Cancelar Shakespeare

Shakespeare não será, evidentemente, um dos eleitos, uma das vozes a transportar para o futuro.  Até porque está longe de reunir os requisitos da nova linguagem e do novo pensamento neutro e inclusivo. É difícil encontrar um escritor onde a Humanidade, na sua grandeza e miséria, nos limites do sublime e da queda, no elenco dos sentimentos e dos sentidos, seja tão intrincada e completamente recriada – e isso, não só não é bom para as massas, como é, claramente, demais para a simplista e maniqueísta neutralização do pensamento que nos deverá guiar.

Mas haverá palavras “neutras” para falar de paixão mais inclusivas do que as que Shakespeare usou em Romeu e Julieta? Será só de “branquitude” que nos fala quando disseca os caminhos da tragédia, da ambição e do poder em Júlio César? Ou quando nos confronta com o ressentimento, a malevolência e o ciúme, em Otelo? Sim, Otelo, o “Mouro”, ou o “Negro” de Veneza, o condotiere mercenário, integrado por Desdémona, mas olhado sempre como um “cristão-novo” pelos patrícios. E a revolta das “minorias”, não estará lá na tirada defensiva de Shylock, no Mercador de Veneza, ou na sombra de Caliban, na Tempestade? Pouco importa: deixámos de precisar de Shakespeare, que só por preconceito e por imposição racista resistiu a séculos de leitura; o que o mundo e os estudantes agora precisam, o que todos nós precisamos agora, e urgentemente, é de linguagem neutra e inclusiva.

Marx era um grande leitor e admirador de Shakespeare, lia-o aos filhos e a família chamava-lhe “O Mouro”, por causa da sua obsessão por Otelo. Via em Shylock o retrato do explorador e Timon de Atenas serviu-lhe de ponto de partida para uma reflexão sobre os paradigmas do ouro e do dinheiro. Mas isso eram outros tempos, tempos opressores, em que “a cultura” era mais depressa valorizada do que cancelada, e em que o pensamento não era ainda suficientemente neutro e inclusivo.

Felizmente, e para desgosto das Lorenas Germáns deste mundo, não são só as “maiorias opressoras” que reagem… Alguns dos mais qualificados membros pensantes das “minorias oprimidas” também fogem ao espartilho imposto, resistindo ainda e sempre à neutralização do pensamento.

A grande poetiza negra americana, Maya Angelou, estava bem ciente que Shakespeare era branco, inglês e do Renascimento, mas, recordando a sua própria condição marginal na Carolina do Norte dos meados do século XX, escreveu a propósito do Soneto 29 (aquele que começa “When, in disgrace with fortune and men’s eyes / I all alone beweep my outcast state”):

Shakespeare escreveu-o para mim, esta é a condição da mulher negra. Claro, Shakespeare era uma mulher negra. Percebo-o bem. Ninguém mais o sabe, mas eu sei que Shakespeare era uma “mulher negra”.

Estamos com ela. Resistimos e vamos resistir à neutralização do pensamento. Pelas maiorias e pelas minorias.







Etiqueta Principal: Guerra Cultural.

19 de outubro de 2019

“Weaponizing History” ou “Da História como Arma”

Um dos relevos internos do Arco de Tito, em Roma, mostrando a Menorá do Templo de Herodes I, o Idumeo, em Jerusalém, destruído no ano 70.
Ao que dizem essa Menorá terá sido vista pela última vez na Toledo Visigótica, não se sabendo se foi derretida, se foi enterrada, se foi arrebatada, como Elias o foi.


A história foi transformada numa arma (history has been weaponized), arma que é usada para conquistar mentes, não para conquistar terras.

Mas a conquista de terras continua a ser o objectivo último a atingir, o que mudou foi o método usado para alcançar esse objectivo último.

Se se conquistarem, ou confundirem, as mentes dos que povoam as terras a serem conquistadas é possível:
  • Conseguir que os mesmos se submetam voluntariamente.
  • Conseguir que os mesmos fiquem tão confusos, tão divididos, tão animicamente derrotados, que sejam incapazes de reagir a um ataque.

De que estão, sempre estiveram, do lado errado da história?

E há melhor método do que convencê-los de que são um lixo histórico?

Junto dois artigos sobre o tema.



Washington as a Farmer at Mount Vernon(Primary Title). Junius Brutus Stearns, American, 1810 - 1885 (Artist). Date: 1851.

Weaponizing History

By readerjohn at War Correspondence ن on August 26, 2019

[H]istory is increasingly employed as a simple bludgeon, which picks its targets mechanically—often based on little more than a popular cliché—and strikes.
The best example may be the evergreen argumentum ad Hitlerum … The detention centers on America’s southern border should be called “concentration camps,” according to Rep. Alexandria Ocasio-Cortez. When questioned, the young, irrepressible Democrat advised Americans: “This is an opportunity for us to talk about how we learn from our history.” But that history isn’t ours. By invoking such an emotionally laden term, she was playing on a potent theme, but in a way that underscored the limited range of her historical reference, as well as the public’s.
A more disturbing example is the pell-mell rush to pass judgment against heroes of the past and tear down or rename the monuments to them … Are we really so faint of heart that we can no longer bear to allow the honoring of great men of the past who fail in some respects to meet our current specifications?
… [T]he transformation of history into a weapon depends upon a brutal simplification of the historical record. Such is the approach of the New York Times’s audacious “1619 Project,” which argues “that nearly everything that has made America exceptional grew out of slavery.”
The weaponizing of history corresponds invariably with a remarkable hostility to history. Its practitioners are content to slice a single fact out of a web of details, then repeat that fact with the stubbornness of protesters who have memorized a chant.
… Once history becomes a club, it quickly loses its credibility as history. The grossly exaggerated claims of the Times’s “1619 Project” are likely to bring on just such discredit.
… Our task is to recover the humane insight of Herbert Butterfield, who taught that the historian should be a “recording angel” rather than a “hanging judge”—let alone a summary executioner.

Wilfred M. McClay, The Weaponization of History.

Although McClay’s examples are from the Left, this is a game anyone can play, and we have been. Mark Bauerlein of First Things (which has been making high-stakes wagers with its credibility lately), for instance, very recently interviewed the old-but-still-irrepressible David Horowitz, who flung around “communist” with reckless abandon and referred to Dostoyevsy in The Brothers Karamazov writing a “damning portrait of the Roman Church” and its indulgences.

Entropy lives! (And kills.)



Engaging Africa: Washington and the Fall of Portugal's Colonial Empire.
Witney W. Schneidman. University Press Of America (2004).

Salazar e a lobotomia dos povos

E não é possível continuar a tratar hoje sociedades inteiras, para mais envelhecidas, como se se tratasse de um bando infantil, irresponsável, incapaz de pensar por si mesmo.

Por Gabriel Mithá Ribeiro no Observador a 19 de Outubro de 2019

Não existe dignidade humana sem memória, tal como não existe consciência sem memória. Ambas sustentam a moral e, em particular, a moral social, isto é, os princípios que orientam e regulam a vida quotidiana sem os quais as sociedades não são viáveis.
Todavia, antes de tudo o resto está o pressuposto de a memória apenas ser verdadeiramente humana quando é ambivalente e complexa e, para que assim seja, as sociedades devem permitir e incentivar o alargamento dos campos de significação, o inverso do afunilamento da memória em determinados núcleos ou determinados sentidos impostos por tutelas políticas, culturais, religiosas, institucionais.
Os que protegem os indivíduos de se auto confrontarem com a complexidade e ambivalência das suas memórias individuais ou coletivas – por exemplo, impondo que se preserve apenas a dimensão negativa das memórias de um dado ciclo histórico e interditando a dimensão contrária, ou o inverso – podem propalar a sua luta no caminho da virtude, porém o que estará em causa é um caso em que o manifesto (o acidente) contraria o latente (a substância), o doublespeak magistralmente tipificado por George Orwell.
Esse doublespeak é o instrumento que impõe, pela sua natureza, formas agressivas de violência contra a dignidade mais elementar da condição humana, uma vez que fica apenas admitida meia-memória, meia-consciência, meio-ser humano. É quase só a isso que fica reduzida a condenação da existência, em Portugal, de um Museu de Salazar ou a imposição de condicionamentos apriorísticos, sempre pela esquerda, dos conteúdos de um Museu Interpretativo do Estado Novo.
Tal violência psicológica imposta por uma elite circunscrita a toda uma sociedade, ou conjunto de sociedades, fica ainda mais ostensiva num contexto em que o Parlamento Europeu, no passado dia 19 de setembro, equiparou o comunismo ao nazismo. Ainda que tal condenação chegue com décadas de atraso, ela força a que se repense o lugar histórico do Estado Novo na identidade portuguesa, ou na identidade dos povos do antigo império ultramarino.
Que se saiba, não existem suportes teóricos, conceptuais ou evidências históricas que alguma vez possam equiparar Salazar e o seu regime a Hitler e ao nazismo, ou a Estaline e ao comunismo, e foi sobretudo o comunismo o alvo da repressão política durante o salazarismo. Isso é bem mais do que um mero detalhe, trata-se de matéria substantiva.
Jamais estará em causa o branqueamento de uma indiscutível ditadura e da sua violência, a de Salazar, todavia isso é tão importante quanto a necessidade de recusar a falsificação da natureza dessa mesma ditadura, atitude que se arrasta desde 1974, assim como importa recusar a sua desinserção do contexto histórico do avanço do comunismo.
Se os resistentes comunistas foram inegáveis vítimas do regime, a situação não difere do sofrimento de milhões de indivíduos comuns que, em África e em Portugal, se viram arrastados na enxurrada de uma descolonização para a qual não foram consultados. Até agora, as mortes e as perdas irreparáveis (morais e materiais) dos últimos continuam a ser tratadas como lixo humano escondido debaixo do tapete.
Essa tipologia de relação patológica com o passado histórico prolonga no presente consequências sociais desumanas.
Veja-se como académicos, escritores, músicos, artistas, políticos, entre outros da elite de esquerda há décadas impõem ao senso comum, de forma obsessiva e por diversas vias, olhares que obliteram certas dimensões da memória social. Do alto do seu narcisismo, as mentes tutelares de esquerda determinam que aquela época histórica é boa, aquela outra é má; naquele período histórico só permitimos que se procure o negativo, mas naquele outro só admitimos a preservação da memória do que foi positivo; este ditador e a sua violência são legítimos, porém aquele ditador e a sua violência têm de ser diabolizados.
Tal gestão da memória social e, portanto, da condição humana torna impossível a racionalização dessa mesma memória social, o que impede a maturidade moral, intelectual e identitária das sociedades por elas mesmas. É o que acontece a qualquer indivíduo a quem os que o tutelam inibem ou interditam a liberdade da sua relação íntima com as suas próprias memórias. Na matéria, não existe descontinuidade entre o indivíduo e o coletivo, isto é, o caminho para o desequilíbrio mental é substantivamente o mesmo.
Salvo raríssimas exceções, sabemos que a vida vivida torna impossível dissociar o favorável do desfavorável, sendo que um e outro se explicam entre si no seu próprio contexto. Não podemos exigir o mesmo amor ao próximo como a si mesmo a um padre na sua paróquia de todos os dias e a um militar em situação de confronto armado. É por isso que truncar um dos extremos da memória coloca em causa a capacidade do sujeito (individual ou coletivo) de lidar de forma saudável com a sua própria consciência.
E não é possível continuar a tratar hoje sociedades inteiras, para mais envelhecidas, como se se tratasse de um bando infantil, irresponsável, incapaz de pensar por si mesmo.
Dada a relevância do Estado Novo (1926/1933-1974) para a identidade atual dos portugueses ou, no mesmo ciclo histórico, da colonização portuguesa para os povos africanos saídos do antigo império, truncar o lado positivo desse legado histórico para impor no presente a fixação do olhar no lado negativo constitui não apenas a imposição do desvio funcional depressivo da memória, como ainda um atropelo grosseiro à mais elementar dignidade humana.
A propósito, Carlos Amaral Dias, psicanalista português, escreveu: «[Wilfred] Bion [psicanalista britânico] diz que um paciente chega a análise com seis factos [problemas], cada um com uma versão, e está verdadeiramente em análise no momento em que passa a ter seis versões para cada facto – expandiu o campo da significação» (Freud para além de Freud, 2000, p.147). Ou seja, a sanidade mental da espécie é tanto mais reforçada quanto mais as sociedades expandem os campos de significação que atribuem ao seu passado, o que no exemplo aqui equacionado remete para o Estado Novo incluindo a colonização portuguesa em África.
Assim sendo, por que carga d’água um eventual Museu de Salazar tem de estar centrado em aspetos negativos da sua época, inegáveis, mas que, como qualquer época, nunca se resumiu a tal dimensão. É fácil antecipar que os iluminados que impõem essa representação do passado imporão, no futuro, que um eventual Museu da III República Portuguesa (iniciada em 1974) tenha de ser centrado em aspetos positivos inegáveis, porém os negativos também o são. Guerras civis devastadoras deixadas na África pós-colonial, três bancarrotas, mortes por incúria do estado e dos seus governantes, degradação das instituições (justiça, ensino, família, segurança, obras públicas, entre outras) – nada disso existiu na atual III República? É por isso que vamos denegrir a época histórica da democracia?
Portugal é apenas uma variante, no Ocidente, de um programa progressista-esquerdista de eugenia da memória social, a versão cultural da lobotomia que deveria integrar, tal como a lobotomia neurocirúrgica, o cardápio de crimes contra a integridade mental (e física) do ser humano.
Não temos todos a obrigação moral e cívica de recusar este destino ou, no mínimo, de o questionarmos?

Fontes
  1. Arco de Tito”. Wikipédia, a enciclopédia livre. Esta página foi editada pela última vez às 00h57min de 23 de março de 2019. Recuperada às 18h14min de 19 de outubro de 2019.
  2. The Weaponization of History”. Wilfred M. McClay. Wall Street Journal. Published on August 26, 2019. Retrieved on October 19, 2019.
  3. Weaponizing History”. readerjohn. War Correspondence ن. Published on August 26, 2019. Retrieved on October 19, 2019.
  4. Engaging Africa: Washington and the Fall of Portugal's Colonial Empire. Witney W. Schneidman. University Press Of America (January 29, 2004). ISBN-13: 978-0761828129. Retrieved on October 19, 2019.
  5. Salazar e a lobotomia dos povos”. Gabriel Mithá Ribeiro. Observador. Publicado a 19 de Outubro de 2019, às 00:14. Recuperado a 19 de Outubro de 2019, às 22:21.

Etiqueta principal: Weaponizing History.
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30 de janeiro de 2019

Racismo Português




Não me envergonhe, dr. António Costa!!!

Por Camilo Lourenço no Jornal de Negócios a 27 de Janeiro de 2019 às 21:30

Portugal não é um país racista; é um país onde, isoladamente, acontecem casos de racismo. Aliás, seria estranho qualificar de racista um país que tem governantes oriundos das ex-colónias (já olharam para a ascendência de Marcelo?), o primeiro negro (Mário Coluna) a capitanear uma seleção europeia e um negro como militar mais condecorado da sua História…

Há uns anos recebi uma chamada da jornalista Fernanda Câncio que, a propósito da ascensão de António Costa, queria falar sobre goeses em destaque na sociedade portuguesa. Antes de continuar, fica o esclarecimento: eu sou um produto do Império, filho de pai branco (Benedita, Portugal) e mãe indiana (Pangim, Goa).

O meu pai foi fazer serviço militar para a antiga Índia portuguesa e casou-se por lá (a diferença entre mim e António Costa é que ele é filho de pai goês e de mãe branca). Quando a União Indiana invadiu Goa, o meu pai fez parte do grupo de 800 militares presos num campo de concentração, de onde seria mais tarde recambiado para a "metrópole"… e de onde seguiu para Moçambique, para combater o terrorismo.

Voltemos à conversa: a certa altura, a Fernanda perguntou-me pelo racismo em Portugal e se não era afetado por ele. Expliquei-lhe que salvo casos isolados, em finais dos anos 70 quando regressei à "metrópole" (por causa de uma descolonização vergonhosa que só a Esquerda chama de "exemplar"), não sabia o que era racismo. Julgo que lhe expliquei também que esporadicamente ainda sou mimoseado com expressões racistas, maioritariamente vindas de radicais de esquerda, quando escrevo textos críticos no "Negócios" ou no FB. Mas como a Fernanda insistia no racismo (pareceu-me que acreditava ser Portugal um país racista), expliquei-lhe que uma coisa é racismo como política ou como problema endémico da sociedade e outra, totalmente diferente, o comportamento isolado de algumas pessoas (a quem chamo de energúmenos).

Nunca percebi se a Fernanda chegou a publicar alguma coisa, mas vou repetir o que lhe disse então: Portugal não é um país racista; é um país onde, isoladamente, acontecem casos de racismo. Aliás, seria estranho qualificar de racista um país que tem governantes oriundos das ex-colónias (já olharam para a ascendência de Marcelo?), o primeiro negro (Mário Coluna) a capitanear uma seleção europeia e um negro como militar mais condecorado da sua História…


Marcelino da Mata, fardado.

Voltando ao meu pai, com quem desde cedo comecei a discutir a inevitabilidade da independência das colónias, ele costumava lembrar-me que Goa fora a única colónia a ter um vice-rei (o Brasil teve Rei, mas fugido de Lisboa…). E dizia que o melhor exemplo de que Portugal não discriminava as colónias, e quem lá vivia, era o investimento que lá fazia: ainda hoje quem vai a Maputo, 43 anos depois da independência, fica pasmado a olhar para uma cidade e um modo de vida muito à frente de Lisboa ou de outra cidade portuguesa da época…

Quando ouvi o primeiro-ministro responder a Assunção Cristas com referências à cor da pele, fiquei estupefacto: o político que não teve problemas em chegar a ministro, a líder do PS e a primeiro-ministro inventa discriminação racial? Porquê? Por recalcamento? Para se fazer de coitadinho e capitalizar o voto da extrema-esquerda, que precisa de causas novas para ser notícia? Lamentável. António Costa é o melhor exemplo de que isso não existe. Tem críticos a chamar-lhe "chamuça", "indiano" ou "caneco" (como se chamava em Moçambique aos oriundos de Goa) em tom depreciativo? Sim, mas são casos isolados.

Não há coisa pior numa sociedade do que inventar "causas" que não têm qualquer correspondência com o sentir coletivo. António Costa, o homem que tem o PS e o país rendido a seus pés, não pode cair nessa esparrela. É por isso que deve um pedido de desculpas ao país.

Para o final fica um pedido: não volte a fazer aquela figura. Já me chega a vergonha que me fez sentir no debate quinzenal.




Sinalização da Própria Virtude

Por Álvaro Aragão Athayde em coisas & loisas a 30 de Janeiro de 2019 às 15:38.

O texto de Camilo Loureço, que acima transcrevi, e o de Gabriel Mithá Ribeiro, de que abaixo forneço referência, destacam-se entre todos os que li sobre este tema por os autores não fazerem Sinalização da Própria Virtude (Virtue Signalling), isto é, não afirmarem algo do tipo “Eu não sou Racista… mas Portugal é Racista.”

Parece-me evidente que o Bloco de Esquerda e a Ala Esquerda do Partido Socialista, grupos que representam em Portugal a Esquerda Cultural, Esquerda Identitária, Marxismo Cultural, ou Nova Esquerda, estão empenhadíssimos em convencer o Mundo, e Portugal, de que Portugal é Racista.

Porque será?



Origem do texto

Origem da fotografia

Referências
  1. Costa ‘caneco’”, Gabriel Mithá Ribeiro, Observador, 26 de Janeiro de 2019 às 00:03.
  2. Jamaica. “Câmaras comunistas não querem o ónus de deitar barracas abaixo””, Sónia Simões, Observador, 29 de Janeiro de 2019.
  3. Virtue signalling”, Urban Dictionary.
  4. "A esquerda “identitária” diz adeus a Marx", José Pacheco Pereira, Público,  26 de Janeiro de 2019 às 06:45.
  5. "Nova Esquerda", Wikipédia, a enciclopédia livre.
  6. "Rudi Dutschke", Wikipedia, the free encyclopedia.


Etiqueta principal: Política.
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9 de novembro de 2018

Rewriting the History

Rewriting the History.



The most effective way to destroy people is to deny and obliterate their own understanding of their history.
George Orwell, from Rewriting History Quotes (18 quotes) – Goodreads.



Referências
  1. rewriting history – Urban Dictionary.
  2. rewrite history – The Free Dictionary.
  3. Rewriting history: a brief history – The Spectator.
  4. Rewriting History Quotes (18 quotes) – Goodreads.
  5. Historical negationism – Wikipedia, the free encyclopedia.

Origem da imagem
  • Old Boys Network.


Etiqueta principal: Curtas.
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