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23 de fevereiro de 2021

A “Bazuca” e a Escravidão por Dívida


Orçamento e Escravidão por Dívida


Uma imagem, um artigo, dois comentários.


artigo

O Jogo do Rapa

O governo já aprovou. Os “aliados” também. Ainda há margem para negociação e ajuste, mas o essencial está ali. Seguiu para o Parlamento, com cedências e compromissos assumidos. Como é hábito. Quem sempre protestou contra o facto de as negociações orçamentais serem feitas “nas costas dos deputados” está agora silencioso. É normal: as negociações parlamentares são precedidas ou seguidas de discussões a dois ou três, mais ou menos discretas. Só se queixa quem não faz parte dessas conversas.

António Barreto • Diário de Notícias • 16 de Outubro de 2016 - 00:00 • Original

Mais do que nunca, o Orçamento é objecto de luta intensa. As razões são evidentes. Primeiro, há o confronto entre governo e oposição. O dinheiro é pouco, a Europa está a ver, as agências de rating também, o endividamento continua a crescer, a economia estagna e o investimento reduz. Ora, as promessas de acabar com a austeridade e iniciar um novo ciclo de prosperidade eram muitas. Sem resultados visíveis. O que é preocupante.

Segundo, há a luta entre aliados. Os partidos que apoiam o governo têm de satisfazer clientes, não podem ficar de mãos a abanar. Entre estes, as negociações são mais duras do que as convencionais entre situação e oposição. O PCP e o Bloco têm de mostrar alguma coisa: taxas e sobretaxas, aumentos de pensões e de subsídios sociais. Seja o que for, mas que permita justificar a “paz social” que se vive nas escolas, nos hospitais, na administração e nos transportes públicos. O PCP e o Bloco abandonaram a rua, mas é preciso que tal não se perceba.

O Orçamento é a folha de contabilidade de mais de metade da economia portuguesa: competir por fatias de orçamento é lutar pela divisão de poder, pelos interesses das classes e pelos ganhos e perdas. Como pouca coisa vive fora do Orçamento, é o prato essencial. A maior parte dos grupos económicos depende das encomendas do Estado, dos investimentos públicos e dos fundos europeus. As obras também. Tal como o novo emprego. Subsídios, bolsas, pensões e benefícios dependem do Estado. As discussões que se conhecem e de que a imprensa se fez eco são relativas aos pagamentos ao Estado ou do Estado. Não há praticamente quem queira debater a economia, a actividade das empresas, os planos de investimento, as prioridades industriais e de serviços ou as condições de crédito à actividade económica. Nada disso parece ter qualquer importância! Como também não foram marcantes as discussões sobre o Serviço Nacional de Saúde ou o sistema público de educação. Na verdade, a discussão aproximou-se muito daquele antigo Jogo do Rapa, em que o pião ditava a sorte de cada jogador: Rapa, Deixa, Tira e Põe!

Como toda a gente sabe que a prosperidade não é possível para breve, que vai ser necessário fazer sacrifícios, que as ameaças de sanções e de cortes de fundos são reais e que o investimento continua a não dar sinais de vida, o que é mais interessante é ver que ninguém, da situação e da oposição, quer ficar na fotografia. Muito pelo contrário, a agitação é toda para culpar os outros do que vai correr mal.

O problema é que quanto maior for a economia no Orçamento, ou dele dependente, menores são o crescimento e a eficácia. Como menor é o investimento privado. É verdade que aumenta a capacidade de decisão política e que assim se consolida o velho lugar-comum do primado da política, isto é, da subordinação da economia à política. Convém no entanto recordar que alguns dos maiores desastres da humanidade, como a colectivização forçada soviética, a revolução cultural chinesa e a economia de guerra nazi são boas ilustrações desse princípio. Cá em Portugal, a ditadura, a Censura, a guerra em África, o analfabetismo persistente, o condicionamento industrial e a nacionalização de empresas são também, à nossa escala, bons exemplos da “política no posto de comando”. É bom recordar!


primeiro comentário

Escravidão por Dívida

Uma questão radical:

Será que o objectivo do Governo, ou de quem nele manda,
não é mesmo levar Portugal a um novo resgate?

Quem beneficiaria se Portugal fosse de novo resgatado?


segundo comentário

Política Primeiro

A “política no posto de comando” a “política primeiro”, «politique d'abord» no original, foi, e é, característico do Maurrasianismo (de Charles Maurras), do Nacionalismo Integral e do Integralismo Lusitano,  não do Marxismo (de Karl Marxe do Socialismo Científico, quer na sua versão Social-democrata quer na sua versão Comunista.

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Bazuca e Escravidão por Dívida


Quanto está acima da linha acima foi publicado no meu descriado Facebook Profile Álvaro Aragão Athayde em 

numa data que não sei precisar, mas certamente posterior 16 de Outubro de 2016, a data do artigo de António Barreto que transcrevi e re-transcrevo.

O Facebook Profile foi descriado, quanto lá tinha sido publicado desapareceu, mas a minha pasta que continha as imagens e o rascunho não desapareceu, e foi a partir desse rascunho e dessas imagens que me foi possível reconstruir o que então publiquei e agora republico.

Na dita pasta estava ainda um gráfico sobre a Evolução Histórica da Dívida Pública de Portugal, gráfico que então não publiquei mas que agora vou publicar:

Dívida Pública Portuguesa 1850-2012
Do semanário “Expresso”, mas não consegui recuperar a hiperligação para o original.


Entretanto, e ao procurar a dita hiperligação, encontrei mais gráficos sobre a mesma questão, Evolução Histórica da Dívida Pública de Portugal:

Dívida Pública Portuguesa 1850-2010
O Ser, a Aldrabice e a Propaganda

Dívida Pública Portuguesa 1850-2018
A grande mentira


Lembrei-me da publicação “Orçamento e Escravidão por Dívida” e fui recuperá-la por causa da Bazuca que ai vem e tanto entusiasma o tanta gente.

A Bazuca é Dívida!

A Bazuca é Dívida, mais Dívida!!!

Parte dessa Dívida já foi contraída pela Comissão Europeia em nome dos Estados da União Europeia – logo de Portugal… também –, a restante será contraída pelos Portugueses – Estado, Empresas, Particulares – se para a contraírem tiverem crédito junto das competentes instituições: bancos, capitalistas, emprestadores, financiadores, como preferirem chamar-lhes







Etiqueta principal: Escravidão por Dívida.

19 de outubro de 2019

“Weaponizing History” ou “Da História como Arma”

Um dos relevos internos do Arco de Tito, em Roma, mostrando a Menorá do Templo de Herodes I, o Idumeo, em Jerusalém, destruído no ano 70.
Ao que dizem essa Menorá terá sido vista pela última vez na Toledo Visigótica, não se sabendo se foi derretida, se foi enterrada, se foi arrebatada, como Elias o foi.


A história foi transformada numa arma (history has been weaponized), arma que é usada para conquistar mentes, não para conquistar terras.

Mas a conquista de terras continua a ser o objectivo último a atingir, o que mudou foi o método usado para alcançar esse objectivo último.

Se se conquistarem, ou confundirem, as mentes dos que povoam as terras a serem conquistadas é possível:
  • Conseguir que os mesmos se submetam voluntariamente.
  • Conseguir que os mesmos fiquem tão confusos, tão divididos, tão animicamente derrotados, que sejam incapazes de reagir a um ataque.

De que estão, sempre estiveram, do lado errado da história?

E há melhor método do que convencê-los de que são um lixo histórico?

Junto dois artigos sobre o tema.



Washington as a Farmer at Mount Vernon(Primary Title). Junius Brutus Stearns, American, 1810 - 1885 (Artist). Date: 1851.

Weaponizing History

By readerjohn at War Correspondence ن on August 26, 2019

[H]istory is increasingly employed as a simple bludgeon, which picks its targets mechanically—often based on little more than a popular cliché—and strikes.
The best example may be the evergreen argumentum ad Hitlerum … The detention centers on America’s southern border should be called “concentration camps,” according to Rep. Alexandria Ocasio-Cortez. When questioned, the young, irrepressible Democrat advised Americans: “This is an opportunity for us to talk about how we learn from our history.” But that history isn’t ours. By invoking such an emotionally laden term, she was playing on a potent theme, but in a way that underscored the limited range of her historical reference, as well as the public’s.
A more disturbing example is the pell-mell rush to pass judgment against heroes of the past and tear down or rename the monuments to them … Are we really so faint of heart that we can no longer bear to allow the honoring of great men of the past who fail in some respects to meet our current specifications?
… [T]he transformation of history into a weapon depends upon a brutal simplification of the historical record. Such is the approach of the New York Times’s audacious “1619 Project,” which argues “that nearly everything that has made America exceptional grew out of slavery.”
The weaponizing of history corresponds invariably with a remarkable hostility to history. Its practitioners are content to slice a single fact out of a web of details, then repeat that fact with the stubbornness of protesters who have memorized a chant.
… Once history becomes a club, it quickly loses its credibility as history. The grossly exaggerated claims of the Times’s “1619 Project” are likely to bring on just such discredit.
… Our task is to recover the humane insight of Herbert Butterfield, who taught that the historian should be a “recording angel” rather than a “hanging judge”—let alone a summary executioner.

Wilfred M. McClay, The Weaponization of History.

Although McClay’s examples are from the Left, this is a game anyone can play, and we have been. Mark Bauerlein of First Things (which has been making high-stakes wagers with its credibility lately), for instance, very recently interviewed the old-but-still-irrepressible David Horowitz, who flung around “communist” with reckless abandon and referred to Dostoyevsy in The Brothers Karamazov writing a “damning portrait of the Roman Church” and its indulgences.

Entropy lives! (And kills.)



Engaging Africa: Washington and the Fall of Portugal's Colonial Empire.
Witney W. Schneidman. University Press Of America (2004).

Salazar e a lobotomia dos povos

E não é possível continuar a tratar hoje sociedades inteiras, para mais envelhecidas, como se se tratasse de um bando infantil, irresponsável, incapaz de pensar por si mesmo.

Por Gabriel Mithá Ribeiro no Observador a 19 de Outubro de 2019

Não existe dignidade humana sem memória, tal como não existe consciência sem memória. Ambas sustentam a moral e, em particular, a moral social, isto é, os princípios que orientam e regulam a vida quotidiana sem os quais as sociedades não são viáveis.
Todavia, antes de tudo o resto está o pressuposto de a memória apenas ser verdadeiramente humana quando é ambivalente e complexa e, para que assim seja, as sociedades devem permitir e incentivar o alargamento dos campos de significação, o inverso do afunilamento da memória em determinados núcleos ou determinados sentidos impostos por tutelas políticas, culturais, religiosas, institucionais.
Os que protegem os indivíduos de se auto confrontarem com a complexidade e ambivalência das suas memórias individuais ou coletivas – por exemplo, impondo que se preserve apenas a dimensão negativa das memórias de um dado ciclo histórico e interditando a dimensão contrária, ou o inverso – podem propalar a sua luta no caminho da virtude, porém o que estará em causa é um caso em que o manifesto (o acidente) contraria o latente (a substância), o doublespeak magistralmente tipificado por George Orwell.
Esse doublespeak é o instrumento que impõe, pela sua natureza, formas agressivas de violência contra a dignidade mais elementar da condição humana, uma vez que fica apenas admitida meia-memória, meia-consciência, meio-ser humano. É quase só a isso que fica reduzida a condenação da existência, em Portugal, de um Museu de Salazar ou a imposição de condicionamentos apriorísticos, sempre pela esquerda, dos conteúdos de um Museu Interpretativo do Estado Novo.
Tal violência psicológica imposta por uma elite circunscrita a toda uma sociedade, ou conjunto de sociedades, fica ainda mais ostensiva num contexto em que o Parlamento Europeu, no passado dia 19 de setembro, equiparou o comunismo ao nazismo. Ainda que tal condenação chegue com décadas de atraso, ela força a que se repense o lugar histórico do Estado Novo na identidade portuguesa, ou na identidade dos povos do antigo império ultramarino.
Que se saiba, não existem suportes teóricos, conceptuais ou evidências históricas que alguma vez possam equiparar Salazar e o seu regime a Hitler e ao nazismo, ou a Estaline e ao comunismo, e foi sobretudo o comunismo o alvo da repressão política durante o salazarismo. Isso é bem mais do que um mero detalhe, trata-se de matéria substantiva.
Jamais estará em causa o branqueamento de uma indiscutível ditadura e da sua violência, a de Salazar, todavia isso é tão importante quanto a necessidade de recusar a falsificação da natureza dessa mesma ditadura, atitude que se arrasta desde 1974, assim como importa recusar a sua desinserção do contexto histórico do avanço do comunismo.
Se os resistentes comunistas foram inegáveis vítimas do regime, a situação não difere do sofrimento de milhões de indivíduos comuns que, em África e em Portugal, se viram arrastados na enxurrada de uma descolonização para a qual não foram consultados. Até agora, as mortes e as perdas irreparáveis (morais e materiais) dos últimos continuam a ser tratadas como lixo humano escondido debaixo do tapete.
Essa tipologia de relação patológica com o passado histórico prolonga no presente consequências sociais desumanas.
Veja-se como académicos, escritores, músicos, artistas, políticos, entre outros da elite de esquerda há décadas impõem ao senso comum, de forma obsessiva e por diversas vias, olhares que obliteram certas dimensões da memória social. Do alto do seu narcisismo, as mentes tutelares de esquerda determinam que aquela época histórica é boa, aquela outra é má; naquele período histórico só permitimos que se procure o negativo, mas naquele outro só admitimos a preservação da memória do que foi positivo; este ditador e a sua violência são legítimos, porém aquele ditador e a sua violência têm de ser diabolizados.
Tal gestão da memória social e, portanto, da condição humana torna impossível a racionalização dessa mesma memória social, o que impede a maturidade moral, intelectual e identitária das sociedades por elas mesmas. É o que acontece a qualquer indivíduo a quem os que o tutelam inibem ou interditam a liberdade da sua relação íntima com as suas próprias memórias. Na matéria, não existe descontinuidade entre o indivíduo e o coletivo, isto é, o caminho para o desequilíbrio mental é substantivamente o mesmo.
Salvo raríssimas exceções, sabemos que a vida vivida torna impossível dissociar o favorável do desfavorável, sendo que um e outro se explicam entre si no seu próprio contexto. Não podemos exigir o mesmo amor ao próximo como a si mesmo a um padre na sua paróquia de todos os dias e a um militar em situação de confronto armado. É por isso que truncar um dos extremos da memória coloca em causa a capacidade do sujeito (individual ou coletivo) de lidar de forma saudável com a sua própria consciência.
E não é possível continuar a tratar hoje sociedades inteiras, para mais envelhecidas, como se se tratasse de um bando infantil, irresponsável, incapaz de pensar por si mesmo.
Dada a relevância do Estado Novo (1926/1933-1974) para a identidade atual dos portugueses ou, no mesmo ciclo histórico, da colonização portuguesa para os povos africanos saídos do antigo império, truncar o lado positivo desse legado histórico para impor no presente a fixação do olhar no lado negativo constitui não apenas a imposição do desvio funcional depressivo da memória, como ainda um atropelo grosseiro à mais elementar dignidade humana.
A propósito, Carlos Amaral Dias, psicanalista português, escreveu: «[Wilfred] Bion [psicanalista britânico] diz que um paciente chega a análise com seis factos [problemas], cada um com uma versão, e está verdadeiramente em análise no momento em que passa a ter seis versões para cada facto – expandiu o campo da significação» (Freud para além de Freud, 2000, p.147). Ou seja, a sanidade mental da espécie é tanto mais reforçada quanto mais as sociedades expandem os campos de significação que atribuem ao seu passado, o que no exemplo aqui equacionado remete para o Estado Novo incluindo a colonização portuguesa em África.
Assim sendo, por que carga d’água um eventual Museu de Salazar tem de estar centrado em aspetos negativos da sua época, inegáveis, mas que, como qualquer época, nunca se resumiu a tal dimensão. É fácil antecipar que os iluminados que impõem essa representação do passado imporão, no futuro, que um eventual Museu da III República Portuguesa (iniciada em 1974) tenha de ser centrado em aspetos positivos inegáveis, porém os negativos também o são. Guerras civis devastadoras deixadas na África pós-colonial, três bancarrotas, mortes por incúria do estado e dos seus governantes, degradação das instituições (justiça, ensino, família, segurança, obras públicas, entre outras) – nada disso existiu na atual III República? É por isso que vamos denegrir a época histórica da democracia?
Portugal é apenas uma variante, no Ocidente, de um programa progressista-esquerdista de eugenia da memória social, a versão cultural da lobotomia que deveria integrar, tal como a lobotomia neurocirúrgica, o cardápio de crimes contra a integridade mental (e física) do ser humano.
Não temos todos a obrigação moral e cívica de recusar este destino ou, no mínimo, de o questionarmos?

Fontes
  1. Arco de Tito”. Wikipédia, a enciclopédia livre. Esta página foi editada pela última vez às 00h57min de 23 de março de 2019. Recuperada às 18h14min de 19 de outubro de 2019.
  2. The Weaponization of History”. Wilfred M. McClay. Wall Street Journal. Published on August 26, 2019. Retrieved on October 19, 2019.
  3. Weaponizing History”. readerjohn. War Correspondence ن. Published on August 26, 2019. Retrieved on October 19, 2019.
  4. Engaging Africa: Washington and the Fall of Portugal's Colonial Empire. Witney W. Schneidman. University Press Of America (January 29, 2004). ISBN-13: 978-0761828129. Retrieved on October 19, 2019.
  5. Salazar e a lobotomia dos povos”. Gabriel Mithá Ribeiro. Observador. Publicado a 19 de Outubro de 2019, às 00:14. Recuperado a 19 de Outubro de 2019, às 22:21.

Etiqueta principal: Weaponizing History.
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20 de janeiro de 2019

ASCUNO, o novo nome da CENSURA




O novo nome da CENSURA é ASCUNO, acrónimo de Autoridade de Segurança Cultural e NoticiosaA missão da Autoridade de Segurança Cultural e Noticiosa, ASCUNO, é dar cumprimento à legislação que vai ser publicada tendo em vista a “regulação da selva das redes sociais” para “não nos deixarmos render ao império das teorias conspirativas”, reforçar o “no nosso instinto vital democrático” e, também, a “nossa capacidade de resistir à toxicodependência mediática e de distinguir o verdadeiro do falso”.


E se Trump for mesmo um espião russo?

Não têm fim os hipotéticos cenários para as teorias da conspiração veiculadas pelas redes sociais.

Por Vicente Jorge Silva no PÚBLICO a 20 de Janeiro de 2019 às 08:00.

Trump espião russo? Salvini e Orbán marionetas de Putin ou o “Brexit” um cenário montado por Moscovo com o objectivo de lançar o caos na Europa? Já agora, Rio e Montenegro agentes de Costa para enfraquecer o PSD e dar ao PS a maioria absoluta? Não têm fim os hipotéticos cenários para as teorias da conspiração veiculadas pelas redes sociais e devoradas pelas multidões de novos toxicodependentes que as consomem e propagam. Vivemos num mundo onde parece cada vez mais difícil distinguir entre as fake news e as notícias verdadeiras, tal é a escorregadia opacidade que se instalou entre a verdade e a mentira.

Retomemos então a hipótese de Trump ser um espião russo, aprisionado nas malhas da submissão a Moscovo desde os tempos em que se envolveu em negócios imobiliários, concursos de misses e televisão ou aventuras sexuais na Rússia. Se tivermos em conta o padrão de comportamento de Trump, a desafiar permanentemente os limites da verosimilhança (ou da anedota delirante), essa hipótese acaba por aparecer como credível – sem esquecer o que se sabe das suas embaraçosas relações com Putin.

Aliás, no início da semana passada o New York Times referia que a guerra que Trump trava pela sua sobrevivência política faz com que o shutdown mais longo da história americana pareça reduzir-se a uma questão menor – sendo o pano de fundo dessa guerra os laços altamente comprometedores do Presidente americano com Moscovo.

Paradoxalmente, o raríssimo desmentido feito anteontem pelo procurador especial Robert Mueller a uma nova notícia que envolvia Trump nesse enredo mais parecia uma manobra táctica para mostrar a independência de julgamento do procurador (encarregado do inquérito às suspeitas de interferência russa na campanha presidencial a favor do candidato republicano) do que um efectivo desmentido.

Ora, se o próprio Presidente da maior potência global – apesar de se tratar de uma personagem tão inverosímil como Trump, o que já diz muito sobre o estado a que o mundo chegou – pode estar refém da sua dependência em relação à Rússia, isso não legitimará as teorias de conspiração que hoje tendem a propagar-se por meio das redes sociais? Por outro lado, quando os tenores do populismo através do mundo – e da Europa – se permitem espalhar aos quatro ventos as mais grosseiras distorções da verdade factual e são acolhidos por multidões de fiéis sedentos dessas mistificações, isso não será também um sinal de que as democracias estão em risco?

Num estudo da Universidade de Cambridge referido pelo Expresso em Novembro passado e na penúltima edição do magazine francês Obs, os dados recolhidos em nove países, incluindo Portugal, revelam uma inquietante vulnerabilidade às fake news e teorias conspirativas, que evoluíram de uma questão marginal para um fenómeno mainstream – segundo um dos autores do estudo, Hugo Leal. Curiosamente, Portugal é o país menos receptivo a essas teorias (onde predomina o tema migratório), embora seja aquele onde mais se acredita que um grupo secreto governa o mundo (42 por cento das opiniões) e que haverá sempre uma elite a sobrepor-se ao poder dos eleitos.

A velha sentença de Churchill – segundo a qual a democracia é um regime péssimo mas todos os outros são piores – nunca terá sido tão pertinente como agora. Ora, para além da necessária regulação da selva das redes sociais, a única verdadeira solução para não nos deixarmos render ao império das teorias conspirativas está em nós, no nosso instinto vital democrático, na nossa capacidade de resistir à toxicodependência mediática e de distinguir o verdadeiro do falso. O que é, convenhamos, cada vez mais problemático, quando as duas dimensões se misturam e a irrealidade de Trump ser um espião russo se pode revelar simplesmente…real.


Origem dos textos
  1. E se Trump for mesmo um espião russo? no Público.
  2. Álvaro Aragão Athayde em coisas & loisas.

Origem da figura


Etiqueta principal: Política.
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6 de janeiro de 2019

Conquista pela Dívida

There are two ways to conquer and enslave a country.
One is by the sword. The other is by debt.


Existem duas formas de conquistar e escravizar um país.
Uma é pela espada. A outra é por dívida.



Existem duas formas de conquistar e escravizar um país. 
Uma é pela espada. A outra é por dívida.

¡ só que a primeira forma procede de fora para dentro 
e a segunda de dentro para fora !

E se é relativamente fácil apercebermo-nos de que estamos ameaçados de ser conquistados pela espada é relativamente difícil apercebermo-nos de que estamos ameaçados de ser conquistados pela dívida.


A estratégia da conquista pela dívida consiste em convencer os governos do país a ser conquistado, bem como as demais pessoas individuais e colectivas desse país, a contraírem dívidas. 
Convencê-los a contraírem dívidas, de preferência elevadas, de preferência em bancos, ou em moeda, estrangeira.




O Bloco quer voltar a salvar bancos?

Agora vamos às perguntinhas de algibeira: 
Quem acha que vai acudir aos bancos?

Por Camilo Lourenço no Jornal de Negócios a 01 de Janeiro de 2019 às 21:30

Conquista e escravidão por dívida.

O Bloco de Esquerda quer que a entrega de casas aos bancos (que as tenham financiado) salde a dívida das famílias.

A solução permite que quem não queira continuar a pagar a hipoteca relativa ao imóvel que comprou, possa entregar esse imóvel ao banco e não ficar a dever nada.

Imaginemos a seguinte situação: você comprou uma casa por 150 mil euros. Entretanto o valor de mercado desse imóvel caiu para 130 mil euros. Você, porque ficou desempregado ou porque vai mudar de cidade (ou outra razão qualquer), devolve-o ao banco. Este, por causa da desvalorização, fica com uma dívida “extra” de 20 mil euros. 

Imagine agora esta situação multiplicada por dezenas de milhar de casos, com valores muito superiores ao considerado neste exemplo. A conclusão é óbvia, mesmo para quem não tenha feito um curso de Economia: os bancos vão registar menos-valias colossais. Com a consequente necessidade de constituirem provisões e aumentos de capital. Ao mesmo tempo passarão a estar na mira das agências de rating, com os inevitáveis downgrades

Agora vamos às perguntinhas de algibeira: quem acha que vai acudir aos bancos? Lembra-se dos milhares de milhões que os contribuintes tiveram de injectar nos bancos a seguir a 2011? Pois, é o que poderá acontecer se a proposta do Bloco for para a frente.

Os meses que antecedem as eleições são sempre de eleitoralismo barato. Mas a proposta do Bloco é mais do que isso: é eleitoralismo rasca, incompreensível num partido que está sempre a gritar que não está disposto a salvar bancos… mas faz exatamente o contrário.

Fim do artigo “O Bloco quer voltar a salvar bancos?”



Notícia da proposta do Bloco de Esquerda
Origem do artigo “O Bloco quer voltar a salvar bancos?”
Origem das imagens
  1. John Adams Debt and Sword Poster” from Zazzle; Product ID: 228813180084462145; Created on: June 23, 2012 at 22:47.
  2. A dívida como instrumento de conquista colonial do Egito” em Esquerda.net a 28 de Julho de 2016 às 00:41.
Referências e Bibliografia
  1. There are two ways to conquer and enslave a country. One is by the sword. The other is by debt.” from John Adams Quotes on Economy.
  2. John Adams” from Wikipedia, the free encyclopedia.
  3. Enslaved by Debt” from  Rock The Capital on July 20, 2011 at 14:38.
  4. Beyond the Greek Impasse” from Stratfor Worldview on Jun 30, 2015 at 08:00 GMT.
  5. The Absurdity of Student Loan Debt” from Medium on June 14, 2018.
  6. Debt bondage” from Wikipedia, the free encyclopedia
  7. A dívida como instrumento de conquista colonial do Egito” em Esquerda.net a 28 de Julho de 2016 às 00:41. 
  8. Como evoluiu o mercado automóvel desde 1974?” no Jornal de Negócios a 04 de janeiro de 2019 às 15:40.
Este texto em "pdf"

Etiqueta principal: Política.
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31 de outubro de 2018

Falsidade Ideológica





Luís Marques Mendes vai substituir António Vitorino na presidência da mesa da assembleia-geral do Banco Caixa Geral, filial da Caixa Geral de Depósitos em Angola.

Entram na política pobres, saem da política ricos…

Mas, confesso, isso até nem me incomoda muito.

O que me incomoda, e muito, é a falsidade, o dizerem uma coisa e fazerem outra.

E infelizmente não são só estes dois, nem só os partidos deste dois



Referência
“Competência” e “visibilidade” levam Marques Mendes para CGD em Angola – Correio da Manhã.

Origem da imagem
“Falsidade Ideológica” – Entropia Social.


Etiqueta principal: Política.
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