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5 de novembro de 2019

Leviatã ou O Estado Deus-e-Pai

Leviatã
ou
A Matéria, Palavra e Poder de um Governo Eclesiástico e Civil



José Manuel Fernandes publicou no Observador, no passado dia 03 de Novembro de 2019, um artigo intitulado “Se isto não é um pesadelo, o que será um pesadelo?“, que abaixo transcrevo.

Nesse artigo, e a propósito do actual governo Costa II, José Manuel Fernandes descreve o Sistema Político que o Partido Socialista tem vindo a tentar implantar em Portugal.

Descreve-o mas, curiosamente, não o identifica, não o chama pelo seu nome próprio, pese embora o mesmo tenha sido descrito por Thomas Hobbes na sua famosa obra de Leviatã, publicada em 1651.

Nestes Sistemas Políticos quem manda é a Clero do Leviatã, d’O Estado Deus-e-Pai, clero essa que na defunta União Soviética era conhecido por Nomenklatura.



Se isto não é um pesadelo, o que será um pesadelo?

O gigantismo do governo é uma decorrência da natureza deste PS, e o mais assustador é a que a sua forma de pensar é mesmo a que lhes convém para, sem problemas de consciência, tomarem conta disto tudo.

Por José Manuel Fernandes no Observador a 03 de Novembro de 2019, às 19:57.

Nunca Portugal teve um governo com tantos ministros (19). Nunca um governo de Portugal teve tantos membros (70, contando com o primeiro ministro). Nunca houve tantos ministérios com tão bizarros nomes (“Economia e da Transição Digital”, “Ambiente e Ação Climática”, “Modernização do Estado e da Administração Pública”, “Coesão Territorial”). E nunca tantas secretarias de Estado se atropelaram a fazer mais ou menos a mesma coisa (a lista é tão longa que poupo os leitores).

Tem lógica? Tem: quando não se sabe como resolver um problema, cria-se um grupo de trabalho, depois uma comissão eventual, a seguir uma secretaria de Estado, por fim um Ministério. É o princípio da entropia das organizações, de que Portugal há muito é refém e o PS, no que ao Estado diz respeito, sumo sacerdote.

O enorme Governo que temos – e que não há-de ser o maior de António Costa, esperem só pela próxima remodelação e vão ver como ele crescerá ainda mais… – é o corolário de um programa – o programa do PS é mesmo mandar no país, porque é assim que acha que deve ser – e de uma necessidade – a de dar emprego aos seus militantes e às clientelas. E se esta necessidade é comum a todos os partidos de poder em Portugal, que estão cada vez mais transformados em partidos de clientelas, o que distingue o PS é mesmo a sua ideia de que é o Estado, e o Estado comandado pelo PS, que resolve os problemas do país.

Este Verão, António Barreto, que conhece bem o PS, num texto importante sobre o programa eleitoral do partido, não hesitava em escrever que os socialistas estão “a viver o seu momento mais estatal, dirigista e centralizador de sempre”, dando “sinais de regresso a uma das suas origens, a mais estatizante e jacobina”. Em concreto, através daquele programa o PS propunha-se “enquadrar, comandar, dirigir, orientar e, numa palavra, fazer”. Mais: o PS “não quer deixar fazer, não deseja que outros façam, quer fazer”, e o que ele não fizer, “proíbe ou dificulta”.

Basta ver que palavras são mais vezes usadas no Programa do Governo. Ora bem, “reforçar” surge à frente (242 vezes), logo seguida por “promover” (192 vezes). A palavra “plano” é usada nada menos de 99 vezes, um pouco menos que a palavra “criar” (118 vezes). Não restam dúvidas: o Governo propõe-se fazer – nunca se propõe permitir que façam.

Como o Programa de Governo é uma reprodução quase fiel do programa eleitoral, com um ou outro retoque cosmético para fingir que se agrada à extrema-esquerda (e é mesmo só fingir, pois os pontos que retirou do programa, como a reforma das leis eleitorais, eram inexequíveis sem o apoio do PSD, e este não está pelos ajustes no horizonte deste legislatura), os pecados de Agosto são os pecados de Outubro.

Basta fazer um exercício simples, daqueles que permitem detectar tiques de linguagem, e ficamos sem dúvidas. Basta ver, por exemplo, que palavras são mais vezes usadas no Programa do Governo. Ora bem, “reforçar” surge à frente (242 vezes), logo seguida por “promover” (192 vezes). A palavra “plano” é usada nada menos de 99 vezes, um pouco menos que a palavra “criar” (118 vezes) e que a palavra “garantir” (100 vezes).

Não restam dúvidas: o Governo propõe-se fazer – nunca se propõe permitir que façam.

O Governo, para usar o provérbio chinês, só pensa em pescar, nunca imagina que pode ser útil ensinar a pescar. Ou simplesmente deixar pescar livremente.

O Governo faz exactamente o contrário do que John Kennedy propôs aos americanos no seu famoso discurso de tomado de posse: “ask not what your country can do for you — ask what you can do for your country”. Não perguntem o que o país pode fazer por vocês, interroguem-se sobre o que podem fazer pelo país.

Mas não, não é esta a visão de Portugal, nem do Estado, nem dos portugueses que o PS tem. A sua visão é mesmo a de cidadãos enquadrados pelo Estado, orientados pelo Estado, dependentes do Estado – na sua linguagem, “protegidos pelo Estado”, a que chamam “social”.

O PS, este PS, e António Costa, acreditam mesmo que é assim que vão trazer mais prosperidade ao país. Na sua intervenção no debate do Programa do Governo um dos poucos (o único?) ministro com alguma experiência no sector privado, Siza Vieira, assegurava que Portugal tinha progredido quando tinha tido “planos industriais”. Ouvia-se e era como se tivéssemos regressado aos “planos de fomento” do salazarismo. Só que nunca foram eles que fizeram o país dar saltos em frente – isso aconteceu quando o país foi confrontado com choques externos: a entrada na EFTA que permitiu a mais frutífera das expansões económicas nas décadas de 1960/1970; depois a entrada a CEE, o único período em que voltámos a ter taxas de crescimento realmente notáveis, no final da década de 1980; por fim o mais recente choque sofrido pela economia portuguesa, a crise de 2009/2013, também permitiu uma alteração estrutural da nossa economia, que se virou para os mercados externos (em 2008 as exportações valiam 28% do PIB, em 2018 já valiam 44%).

Não houve aqui qualquer plano, a longa mão do Estado não andou por aqui (a não ser a atrapalhar). Houve foi muita iniciativa privada. Houve empresários que tiveram de encontrar soluções para negócios que já não estavam a dar. Houve capacidade de aproveitar as oportunidades. Houve muito cerrar dos dentes. E felizmente houve menos Estado do que hoje se quer ter. Na década de 1960. Na década de 1980. E nos anos “neoliberais” da troika.

Mas não é este o país com que o PS sonha, porque neste país ele só vê defeitos. E por isso passa a vida a criar novos regulamentos, a tratar de ter bem controladas as entidades reguladoras e a procurar que tudo passe pelo gabinete de um ministro ou de um secretário de Estado.

Há décadas que este modelo não funciona. Se funcionasse Portugal não estaria a perder posições no ranking da riqueza dos países europeus. No entanto insistimos no mesmo modelo. Porquê, se insanidade é continuar a fazer sempre a mesma coisa e esperar conseguir resultados diferentes? Porque a fé no Estado parece ilimitada.

Há décadas que os socialistas acham que é assim – criando mais regras, mais organismos, mais secretarias de Estado, por fim mais ministérios – que se consegue criar os instrumentos do crescimento. Orientar o crescimento. E prescientemente dizer aos investidores onde devem investir – ou então complicar-lhes a vida se acharem que querem investir onde não devem.

Há décadas que este modelo não funciona. Se funcionasse Portugal não estaria a perder posições no ranking da riqueza dos países europeus – hoje só temos oito países da Europa mais pobres do que nós, se mantivermos o actual diferencial de crescimento para os nossos parceiros em 2025 só teremos quatro países atrás de nós (a Bulgária, a Croácia, a Roménia e eventualmente a Grécia).

No entanto insistimos no mesmo modelo. Porquê, se insanidade é continuar a fazer sempre a mesma coisa e esperar conseguir resultados diferentes? Porque a fé no Estado parece ilimitada, ou não tivesse António Costa promovido Alexandra Leitão a ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública.

Perguntar-se-á de novo a que propósito, já que no Ministério da Educação não se conhece o balanço qualitativo da sua actuação. É verdade: acabou com quantos contratos de associação pôde, nesse processo fazendo com que vários colégios privados que tinham prestado bons serviços às populações fechassem. Ficaram os alunos melhor servidos? Poupou o Estado dinheiro? Ninguém sabe, porventura nunca ninguém saberá porque não interessa saber.

O princípio ideológico da ministra é que o Estado faz sempre melhor – o que é mais ou menos sinónimo de “o PS faz sempre melhor”. Por isso só imagina um Estado ainda mais presente nas nossas vidas. Por isso mesmo disse, numa entrevista ao Público, que “há zonas do país onde a presença do Estado não se faz sentir como devia, no bom sentido. As pessoas sentem que o Estado só chega lá através da autarquia local, da escola ou de um centro de saúde.” A minha pergunta é: mas necessita mesmo o Estado de estar mais presente, porventura para além daquilo que diz respeito ao essencial, que é a segurança das populações, e que é também aquilo onde mais falha?

A resposta – a tétrica resposta – é que o Estado é um monstro que ganhou vida própria, como até a ministra implicitamente reconhece a certa altura (“temos ministérios sectoriais e os serviços que também têm os seus interesses”). Pior: a visão deste PS é a de achar que, com a ajuda da revolução digital, vai por fim cumprir o sonho tipicamente estalinista do “planeamento centralizado quer do recrutamento, quer das promoções”, um pesadelo orwelliano que diz bem da matriz intrinsecamente estatista e jacobina daqueles que nos governam. O sonho de controlar tudo. Tudo, mesmo tudo.

Regresso assim aonde comecei: o gigantismo deste governo não é um acaso nem é fruto da acomodação de conveniências. O gigantismo deste governo é uma decorrência da natureza deste PS, e o que é mais assustador é a que a forma de pensar dos socialistas é exactamente aquela que lhes convém para, sem problemas de consciência, tomarem conta disto tudo.

Se isto não é um pesadelo, não sei o que é um pesadelo.




Etiqueta principal: Cesaropapismo.
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29 de junho de 2019

O rei serve o reino ou o reino o rei?

Filipe de Áustria, o quarto de seu nome em Castela, o terceiro em Portugal.



A transcrição de um artigo da Deputada Inês Domingos, publicado no Observador a 26 de Junho de 2019, a transcrição do meu comentário ao dito artigo, algumas imagens e as fontes.



Quando são os cidadãos que incomodam o Estado

Por Inês Domingos no Observador a 26 de Junho de 2019, às 00:11.

O PS está a inverter até o objetivo do Estado, que deve ser servir os cidadãos. A cada passagem pelo Governo aprofunda uma antes nova polis, em que os cidadãos servem o Estado e para engordar o Estado

Esta semana a secretária de Estado da Justiça causou uma pequena agitação por ter justificado que os atrasos nos serviços do cartão de cidadão “também são o resultado de […] a generalidade dos cidadãos optar, sistematicamente, por se dirigir aos mesmos serviços, à mesma hora – antes da abertura do atendimento ao público”.

Mas a indignação só é possível para quem não tenha ainda entendido como esta geringonça está a tentar reverter mais do que as políticas e reformas do anterior Governo. Está a inverter até o objetivo do Estado, que deve ser servir os cidadãos. O Partido Socialista apoiado pelas esquerdas, aprofunda, a cada passagem pelo Governo, uma forma especial de polis, em que os cidadãos servem o Estado e servem para engordar o Estado.

Esta visão está por todo lado. Na saúde não interessa que as (poucas) PPPs que existem tenham obtido bons resultados com custos baixos. Não interessa que os cidadãos sejam bem atendidos e tratados. O que interessa é preservar os hospitais e os profissionais de saúde exclusivamente na esfera do setor público. Na educação a geringonça acabou mesmo com escolas que tinham contrato de associação. Escolas de excelência que serviam populações com rendimentos mais baixos foram obrigadas a fechar porque, para esta maioria, o ensino público só pode ser prestado em edifícios que pertencem ao Estado, por professores que pertencem à Administração Pública. Não pode haver nada fora do controlo do Estado.

E quando alguma coisa corre mal, a culpa é do setor privado. Primeiro porque ideologicamente esta esquerda vê a iniciativa privada como um pacto mefistofélico, mas também porque fora da Administração Pública acaba por ser mais difícil controlar os descontentamentos e as inquietações.

Os problemas nos serviços de identificação civil são, nesta perspetiva, um desafio adicional para o Governo. É que não dá para culpar a iniciativa privada porque a emissão de cartões de cidadão e passaportes é um monopólio do Estado. Mas também não dá para confessar que há um efeito da redução dos horários para 35 horas, porque isso seria reconhecer que muitas das reversões deste Governo têm de facto um impacto negativo na vida das pessoas.

Sacode-se então a água do capote para cima dos cidadãos, que têm a ousadia de incomodar os serviços e aparecer à porta antes da hora estipulada, na esperança de poderem apanhar uma senha que em poucas horas esgota. Ou porque imprudentemente não marcaram uma hora com antecedência para serem atendidos, o que neste momento tem um prazo de espera de quatro meses. Isto para aceder a um serviço, não porque o desejem, mas porque a ele são obrigados por lei.

Esta situação serviria seguramente para inspirar uma obra maior de Kafka mas infelizmente é apenas mais um episódio da insuficiência de um Estado que exige tudo aos cidadãos mas que os serve muito mal.

Deputada do PSD



Margarida de Sabóia, Duquesa de Mantua e Monferrato, Vice-Rainha de Portugal (1634–1640).



O rei serve o reino ou o reino o rei?

Por Álvaro Aragão Athayde no Observador a 29 de Junho de 2019, às 07:12.

O rei serve o reino ou o reino o rei?

A Deputada Inês Domingos foi ao cerne da questão!

Será que o PS e os Governos do PS estão ao serviço de Portugal e dos Portugueses?

Ou será que Portugal e os Portugueses estão ao serviço dos Governos do PS, do próprio PS e daqueles a quem os militantes e dirigentes do PS servem?

E o que se diz do PS diz-se do CDS-PP, do PPD-PSD, do PCP, do BE, de qualquer partido: 
  • Estão ao serviço de Portugal e dos Portugueses?
  • Ou estão ao serviço dos seus militantes, dirigentes e daqueles a quem os seus militantes e dirigentes servem?


Fontes
  1. Quando são os cidadãos que incomodam o Estado”. Inês Domingos. Observador. Publicado a 26 de Junho de 2019, às 00:11. Recuperado a 29 de Junho de 2019, às 10:43. 
  2. Felipe IV de España”. Wikipedia. Esta página se editó por última vez el 20 jun 2019 a las 08:32. Recuperada el 29 jun 2019 a las 08:32.
  3. Margarita de Saboya”. Wikipedia. Esta página se editó por última vez el 8 abr 2019 a las 21:33. Recuperada el 29 jun 2019 a las 12:15.

Referências
  • Res publica”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 23h12min de 14 de setembro de 2017. Recuperada às 12h39min de 29 de junho de 2019.

Etiqueta principal: Política.
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19 de junho de 2019

A futebolização da política

FC Porto versus S.L. Benfica



Todos sabemos que se é do PS como se é do S.L. Benfica, do PPD-PSD como do FC Porto, do CDS-PP como do Sporting CP, do PCP como do S.C. Braga, do BE como do Vitória F.C..

E também todos sabemos que para os sócios e adeptos desses clubes (militantes e votantes desses partidos) o que importa é ganhar.

Ganhar, ganhar, ganhar a qualquer preço.

Só que isso tem custos, custos sobre que se debruçam os dois textos que na sequência transcrevo.



Direita e esquerda

Podem repetir-se as eleições que a resposta do eleitorado será sempre a mesma, porque o que lhe é apresentado para escolher também será sempre o mesmo.

Por Joaquim Aguiar no Jornal de Negócios a 17 de Junho de 2019 às 21:50


A FRASE...

"Sim, PS acumula e acumulará 'poucochinhos', mas vão chegar enquanto a direita insistir em não mudar de vida e de siglas."

— Nuno Garoupa, Público, 7 de Junho de 2019


A ANÁLISE...

Direita e esquerda são classificações significativas de possibilidades políticas distintas quando o que distingue estes dois espaços, nos partidos e no eleitorado, são propostas bem diferenciadas. Quando esta diferenciação existe, quando o sistema político está polarizado e oferece alternativas claras, o eleitorado pode cumprir a sua função essencial que é afastar os que falham sem ser preciso recorrer à violência ou ao golpe militar. Mas quando as diferenciações espaciais dos diferentes partidos não decorrem de diferenças programáticas e estratégicas claras, mas são apenas a diferenciação entre beneficiários de políticas distributivas, a diferença entre esquerda e direita deixa de ser política, deixa de ser sobre a evolução que conduz do passado para o futuro e que faz do presente o momento da decisão, para passar a ser uma disputa entre grupos de interesses que tem como único limite a viabilidade financeira – isto é, a bancarrota ou o abandono de políticas, a desistência do investimento e da modernização e a extinção de serviços por impossibilidade de financiamento.

Nestas condições, direita e esquerda não são identificações de políticas alternativas que o eleitorado possa escolher em cada oportunidade eleitoral, mantendo essa escolha ou corrigindo o erro na eleição seguinte. Podem repetir-se as eleições que a resposta do eleitorado será sempre a mesma, porque o que lhe é apresentado para escolher também será sempre o mesmo. Não é por falta de oposição a quem está no poder que acontece esta eterna repetição do mesmo. É porque quem se opõe aos que estão a exercer o poder porque impõem cortes vai depois exercer o poder impondo cativações onde antes estavam cortes. E tem de ser assim porque a realidade efectiva das coisas que impunha os cortes continua a ser a mesma que impõe as cativações.

É isto a crise da política, na direita e na esquerda. Porque a política ou é a mudança da realidade efectiva das coisas ou não é política, é o jogo dos interesses enquanto houver alguma coisa (cada vez menos) para distribuir.

Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.




Este livro 
quer ajudar Portugal a sair do “desgoverno”

André Corrêa d’Almeida fala num “tribalismo político” que impede a “colaboração entre forças partidárias” no sentido dos “consensos necessários para a modernização e a reforma do sistema”.

Por Maria João Lopes no Público a 16 de Junho de 2019 às 12:41


“Porque não consegue Portugal ter autodeterminação para conduzir o seu próprio destino, para se governar a si próprio e para renovar as suas instituições políticas através de um processo legislativo criativo interno próprio?” Esta é apenas uma das perguntas feitas por André Corrêa d'Almeida no livro que coordenou, Reforma do Sistema Parlamentar em Portugal. Análises e Instrumentos para um Diálogo Urgente, e que acaba de ser lançado pela editora Principia.

O professor adjunto na Columbia University em Nova Iorque, onde lidera programas na área do desenvolvimento sustentável, questiona-se ainda: “Porque é que a regra ao longo deste período de mais de quatro décadas (…) tem sido a da desgovernação, quer na sua componente despesista insustentável, quer na ausência de autonomia e inovação institucional interna capaz de desbloquear os factores de atraso do país?”

Para André Corrêa d'Almeida, licenciado em Economia pela Universidade Nova e doutorado em Políticas Públicas pela Universidade do Colorado, EUA, “o problema é apartidário”, é “do sistema parlamentar como um todo e não de aspectos isolados, tais como o funcionamento dos partidos políticos ou a qualidade dos deputados”, até porque, escreve, estes “vão e vêm desde 1976 e os resultados no essencial não mudam, o desgoverno mantém-se como regra”.

O objectivo desta investigação, que durou seis anos e que reúne contributos de outros especialistas, é “oferecer instrumentos de reflexão e trabalho para colaboração interpartidária em torno do desenho e da implementação de novas configurações e novos consensos para o sistema parlamentar português”.

A obra inclui também textos de deputados de diferentes partidos, como a centrista Ana Rita Bessa, a bloquista Sandra Cunha, o social-democrata Ricardo Baptista Leite, o comunista António Filipe, André Silva (do PAN) e também do eurodeputado socialista, Carlos Zorrinho.

André Silva, por exemplo, avança com “uma solução possível” – a “criação de um círculo para todo o território, que daria a todos os eleitores, independentemente da sua localização geográfica, igual peso numérico e igual valor”.

Mais críticos são os textos de António Filipe e, sobretudo, de Carlos Zorrinho que, embora elogiando os objectivos da obra, deixam claro em que pontos se afastam da visão do coordenador.

O deputado do PCP não compartilha “o juízo crítico sobre o funcionamento do sistema político português resultante da Constituição de 1976”, não defende “alterações profundas do sistema eleitoral” e não acredita que “os problemas que afectam o sistema político português, e que eventuais decepções com o funcionamento da democracia ou com a governação do país, sejam alteráveis por via da alteração do sistema eleitoral.”

Apesar de admitir que há “problemas” que devem ser debatidos, António Filipe entende que “a alteração do sistema político não deve ser vista como um passe de mágica que permitiria corrigir as deficiências que são apontadas, com ou sem razão, ao funcionamento da democracia”.

Já o socialista Carlos Zorrinho discorda “de muitos” dos “postulados” enunciados por André Corrêa d’Almeida “sobre o percurso da democracia portuguesa”, considera que usa “uma matriz redutora de análise, confundindo sucesso com equilíbrio das contas públicas” e sublinha que as intervenções externas em Portugal “constituíram sempre momentos de grande desânimo nacional”.

Zorrinho defende “um sistema eleitoral que combine os círculos uninominais com um círculo nacional de restos” e também entende que “a reforma do sistema eleitoral” é “uma condição prévia para o sucesso de uma reforma do sistema parlamentar em Portugal”.


Manifestação de desgovernação

Mas o que escreve, afinal, André Corrêa d’Almeida? Que “o novo sistema parlamentar instaurado em 1976 foi até hoje incapaz de gerar, num ano apenas que fosse, mais receitas do que despesas”, que “esta manifestação de desgovernação incapaz de produzir políticas sustentáveis é ainda mais grave quando dá indícios de ser um fenómeno em aceleração”, e que “as únicas vezes em que esta desgovernação pareceu, na altura, querer inverter-se coincidiram sempre com intervenções exteriores na gestão do país”.

O coordenador da obra considera ainda que, “desde o dia em que a nova Constituição entrou em vigor, em Abril de 1976, que as principais inovações institucionais em Portugal têm tido origem no exterior do país” – refere as negociações para adesão à Comunidade Económica Europeia, a integração plena na CEE, a adesão ao euro, e a entrada em circulação da nova moeda única.

André Corrêa d’Almeida nota que “é sabido que o período pós-sucessivas intervenções de FMI, Comissão Europeia (CE) e BCE foi sempre caracterizado por alguma recuperação económico-financeira, apesar dos grandes custos sociais de ajustamento associados”, mas “uma vez concluídos estes programas, logo o sistema volta ao seu estado ‘normal’ de desgovernação”.

Para este académico, “mais do que sinal de esperança, estas intervenções demonstram, se ainda restassem dúvidas, que existem do ponto de vista técnico boas práticas (regras) de governo”. Lembra que “algumas dessas boas práticas até foram publicadas pelo FMI” e que “há muito que são conhecidas” entre “académicos, políticos, intelectuais, jornalistas, empreendedores e outros cidadãos portugueses bem informados”. Porém, alerta: “o mundo das ideias parece correr em paralelo ao mundo dos decisores políticos; não se tocam”. Ou, “são tangentes; tocam-se muito raramente”.

O investigador defende que “o grande desafio” passa por “novas formas de diálogo, colaboração interpartidária, confiança recíproca, consensos e acção colectiva capazes de criar, implementar e fiscalizar novas formas de gestão do Estado, em geral, e do sistema parlamentar, em particular, que sejam capazes de inovar”. E deixa o aviso: “É claro que tudo isto desafia a clausura do tribalismo partidário que caracteriza o actual sistema parlamentar”.


Consensos

Entre Junho e Agosto de 2013, André Corrêa d’Almeida recolheu a opinião de aproximadamente um milhar de portugueses, a viver em 59 países, sobre as instituições portuguesas, e anotou os aspectos que apresentavam maior consenso para uma eventual reforma. No topo, com 91,3%, surge a ideia de “não permitir que deputado(a)s acumulem cargos profissionais”. Uma percentagem idêntica (91%) concorda que “o país não consegue governar-se a si próprio”. Entre outros dados, alterar o sistema de financiamento dos partidos políticos reuniu 86,7%; reduzir o número de deputado(a)s eleitos para a Assembleia da República obteve 85,4%; aumentar penalizações individuais por más decisões políticas 85%; e atribuir aos tribunais maiores poderes para investigar a actividade política alcançou 81,7.

André Corrêa d’Almeida lançou outro inquérito a 49 deputados da Assembleia da República e oito do Parlamento Europeu, “com o objectivo de testar diferenças/semelhanças interpartidárias” sobre o tema da alteração da lei eleitoral e concluiu que “há mais a unir os partidos políticos do que a separá-los”.

Sobre a fórmula de conversão de votos em mandatos, apenas 23% defendem que se mantenha o sistema actual. Entre os que defendem mudanças (75%), a prioridade vai para a introdução de um sistema de voto misto (60%).

Outros dados: 47% defendem que se utilize os actos eleitorais para, em simultâneo, se referendar, com mais regularidade, propostas legislativas. Dois em cada três (63%) defendem eleições primárias abertas a militantes e simpatizantes do respectivo partido.

Na conclusão, Instrumentos para um diálogo urgente e uma visão comum do futuro, André Corrêa d’Almeida escreve que “não é por divergência ideológica sobre os assuntos que os acordos necessários a uma reforma do sistema parlamentar em Portugal não são alcançados, nem sequer tentados, nem “por falta de ideias ou conhecimento técnicos”. O que “tem causado o imobilismo institucional” são, nota, “processos de diálogo e negociações mal estruturados, falta de compromisso para o diálogo, bem como falta de confiança mútua entre os decisores políticos, que em conjunto exacerbam a actual polarização política”.

“Encerrar o estado de guerra e iniciar urgentemente um processo colectivo de definição e interpretação de um destino comum para o país é absolutamente crítico para a sobrevivência do Estado de Direito em Portugal”, lê-se.

André Corrêa d’Almeida sublinha que “três em cada quatro deputados querem que o sistema eleitoral da Assembleia da República se altere, mas nenhuma alteração substantiva foi alguma vez introduzida nos últimos 40 anos” e frisa que “o imobilismo institucional do sistema parlamentar em Portugal, de que a lei eleitoral é apenas um exemplo, é insustentável”.

O coordenador fala num “tribalismo político que impede o desenvolvimento e a institucionalização de uma ética política e de uma cultura de colaboração entre forças partidárias capazes de desbloquear as barreiras aos consensos necessários para a modernização e a reforma do sistema”.

Ao PÚBLICO, adiantou ainda o que pensa sobre propostas como as do líder do PSD, Rui Rio – que defende a redução de deputados através da representação dos votos brancos e nulos – ou do centrista José Ribeiro e Castro, para quem “o voto em branco também elege” uma “cadeira vazia”.

Corrêa d’Almeida admite que estas ideias possam “estimular o diálogo”, mas coloca ressalvas: “Se o objectivo é castigar os partidos políticos, por reduzir o número de candidatos eleitos e mostrar cadeiras vazias ao povo, para gáudio dos que se abstiveram, estar-se-ia a descredibilizar o sistema ainda mais”, diz, acrescentando que também se penalizam os partidos de menor expressão.

Para este investigador, “o diálogo, trabalho e caminho têm de ser outros”, têm de passar pelo “recrutamento e selecção dos candidatos”, pela “possibilidade de candidaturas extra-partidárias”, pela “formação e ética dos eleitos”, e por um “regime de incompatibilidades e impedimentos que verdadeiramente expurgue conflitos de interesse, no sentido de uma ética reconciliatória” para “desbloquear os principais factores institucionais de atraso, actualmente mais visíveis do que nunca”.



Fontes
  1. FC Porto - Benfica e todos os outros jogos às 20h15 de domingo”. Visão. Publicado a 26.04.2010 às 13h18. Recuperado a 19.06.2019 às 10h01. 
  2. Direita e esquerda”. Joaquim Aguiar. Jornal de Negócios. Publicado a 17 de Junho de 2019 às 21:50. Recuperado a 19 de Junho de 2019 às 13:53.
  3. Este livro quer ajudar Portugal a sair do “desgoverno””. Maria João Lopes. Público. Publicado a 16 de Junho de 2019, 12:41. Recuperado a 19 de Junho de 2019 às 13:53.

Referências

Etiqueta principal: Política.
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30 de novembro de 2018

Questões Orçamentais

Portugal: Carga Fiscal em 2017.



Acompanhei de longe, muito de longe, o debate e aprovação do Orçamento de Estado Português para 2019.

E conclui…

Que os impostos só deveriam poder ser alterados de cinco em cinco anos!

Cada cinco anos o Executivo em Funções proporia um Plano Fiscal Quinquenal, plano que seria discutido e aprovado pelo Legislativo em Funções, promulgado pelo Chefe de Estado em Funções, publicado no Jornal Oficial e executado, ao longo do quinquénio. pelos Executivos em Funções.

E durante os cinco anos de vigência do Plano Fiscal Quinquenal os Executivos em Funções executariam o Plano Fiscal Quinquenal aprovado, os Legislativos em Funções fiscalizariam a dita execução, e os impostos não sofreriam modificações!

Este seria o Grande Princípio, princípio que poderemos designar de Princípio da Estabilidade Fiscal.

Depois, e sem negar nem ofender o Princípio da Estabilidade Fiscal, poder-se-ia introduzir uma cláusula de salvaguarda: permitir-se-ia a Revisão Extraordinária do Plano Fiscal  Quinquenal caso ocorressem eventos realmente extraordinários, eventos que tornassem obsoleto o Plano Fiscal em execução.

Suponho que não necessito de explicar em detalhe porquê cheguei a esta conclusão…



Origem do texto
  • Álvaro Aragão Athayde em coisas & loisas.


Origem da figura


Referências
  1. Os 10 Melhores Estados Para Estabilidade Fiscal em pt.RipleyBelieves.com.
  2. Os 10 Piores Estados Para Estabilidade Fiscal em pt.RipleyBelieves.com.


Etiqueta principal: Política.
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24 de novembro de 2018

Desastre em Borba

Desastre em Borba


From: Alfa 
To: Beta 
Date: terça, 20/11/2018 à(s) 17:17 
Subject: Ministério Público abre inquérito a queda de estrada em Borba 

Beta, 
Viste esta notícia e as fotos aéreas? Dá-me a impressão de que a estrada estava sobre um “muro” entre dois enormes buracos. Como é possível? 
Abraço, 
Alfa 
Ministério Público abre inquérito a queda de estrada em Borba 


From: Beta 
To: Alfa 
Date: terça, 20/11/2018 à(s) 23:35 
Subject: Re: Ministério Público abre inquérito a queda de estrada em Borba 

Olá, Beta 

Como calculas não sabia nada disto de Borba e até admito já ter andado levianamente  nesse trecho, precisamente quando acompanhei a Gama a visitas a pedreiras em Borba, Vila Viçosa e Alpalhão. 

Eu desconfio, talvez sem razão, que as pedreiras se foram aproximando da estrada… e quem vê a cara não vê o coração e com tanta rocha à volta houve, creio, o errado pensamento de que pisavam rocha, i.e. risco zero. 

A Gama telefonou para um amigo na Universidade de Évora, ex-aluno, que lhe disse que havia dois Relatórios chamando a atenção para perigo, mas eu estou careca de ouvir falar de Relatórios que dizem que Monchique pode arder, que o movimento de uns blocos do quebra-mar Oeste de Sines merecia atenção, que retirar a areia próximo de Entre-os-Rios fazia perigar a fundação, que árvores apodrecem disfarçadamente e ao cair matam, que banqueiros em roda livre são criminosos, etc. 

Quero dizer, após os factos há sempre quem tenha salvaguardado a consciência ou, em brasileiro, tirado o cu da recta, porque escreveram qualquer coisa, qualquer merda de um “I told you so”. Lutarem, ao ter obtido esses dados, para que algo se faça, é que vejo pouco. 

A seguir todos pedem responsabilidades, aos técnicos anónimos, aos autarcas e ao Estado e aventam mil teorias de corrupção. 

Eu olho para trás e vejo o quê: os técnicos experientes e muito mal pagos do Estado (falo de engenheiros e alguns economistas) foram impedidos de fazer projeto para o Estado porque prejudicaria as empresas privadas (um pouco como médicos exercendo em hospital público), deixaram de fazer fiscalização porque quebrariam a Ética retirando mercado aos privados e o Estado mediocrizou. 

E eu julgo isto: os portugueses adoram criticar funcionários públicos, exceto no dia que lambem as botas do professor que lhes admita ilegalmente um filho, do médico que atenda um familiar não inscrito e passe umas receitas “irregulares”, do administrativo que o coloque à frente da fila. 

E aplaudem cortes nos Serviços do Estado, sejam  nas Obras Públicas, na Saúde Pública, na Segurança, ou na Educação … desde que haja mais auxiliares nas escolas, mais capacidade para aceitar alunos deficientes dos mais variados graus, menores filas para as cirurgias, mais apoio para os campeonatos de surf e badmington, muito apoio para a cultura e eliminação da corrupção. E aplaudem cursos mais curtos, menos exames, maior percentagem de canudos inúteis para brandir nas estatísticas. E protestam com as consequências. 

Como eliminar a corrupção se não há mais técnicos experientes na Administração, se não sabem fazer Projeto e portanto não sabem fazer Cadernos de Encargos, só os copiam e mal, porque são feitos em Escritórios de Advocacia, Se nem fiscalizar sabem. Se é nas entrelinhas dos CE que se escondem as maracotaias e se a fiscalização se entrega a privados, contratados por incompetentes. Se os incompetentes acabam por ser vulneráveis a uns almoços, umas caixas de whisky e a umas “viagens de estudo”, para não tocar nos Laboratórios Médicos, é de admirar? 

Então deixa-me terminar a minha bílis: cansei do Ministério Público, voraz conjunto de abutres inimputáveis. Cansei de Magistrados acumuladores de privilégios mais ou menos flagrantemente anti-éticos, provenientes de uma massa de medíocres e incultos formandos do Centro de Estudos Judiciários a fazerem greve o Espírito Santo saberá porquê. Ontem vi umas imagens de um mini-plenário de Lisboa, quero esquecer. 

E aí está a Quadratura do Círculo: desmoralização e desguarnecimento de quadros técnicos, cultura de tirar o supradito da recta, orçamentos em que obras “invisíveis” [reforçar fundações ou quebra-mares, olhar muros de suporte (passo em Caxias a rezar o Credo), restaurar vias férreas e veículos e FAZER MANUTENÇÃO] não atraem apoio do nosso superficial eleitorado, menos ainda dos mui ilustres Advogados da nossa AR, e não permitem, de facto e em geral, evitar estas tragédias. 

Às vezes sim. Um Autarca atento, com dois Técnicos capazes e amantes da terra, capazes de ouvirem e lerem um ou outro Relatório e de mandarem fazer estudos e se empenharem mais acima podem ter resultados. Ou não, mas neste caso, podem interditar estradas, proibir o funcionamento de fábricas, ser profilácticos e irem à luta. 

Será que todas as nossas barragens estão mesmo seguras? Será que podem atingir a cota máxima? E não atingindo … isso chegará? 

O Mineiro Alves diz coisas. Os Bastonários dizem coisas, mas a realidade, quanto a mim, exigiria Associações de Técnicos com intervenção política séria, apartidária nas propostas técnicas, não estes Grémios com microfone perto da boca. O LNEC saberia, mas foi aburguesado e remetido à função de se auto-financiar e a espasmos de pouca relevância. Sabe mas não pode. A OE é uma instituição irrelevante em questões sérias que resolveu aceitar os engenheiros com apenas 3 anos de formação para enfraquecer a Ordem dos Engenheiros Técnicos: tamanho é poder e idiotice não conhece limites na instrução! 

Neste quadro, … gerimos o quotidiano: culpamos as vítimas, exigimos responsabilidades, queremos menos funcionários públicos e temos sorte mesmo que o 1.º ministro seja bunda-mole, sem a qual não seria 1.º ministro. 

Não respondi, pois não? Aquela estrada devia estar interdita há anos. A exploração daquelas pedreiras devia estar limitada desde o início. A colocação de grandes superfícies na estrada Borba-Vila Viçosa só não causou mais vítimas porque Deus deixou recentemente de ser brasileiro, mas gosta da lusofonia e está temporariamente por estas bandas.

Beta 


From: Alfa 
To: Old Boys 
Date: terça, 20/11/2018, às 23:52 
Subject: Fwd: Ministério Público abre inquérito a queda de estrada em Borba 

Excertos de uma mensagem de um engenheiro civil, catedrático jubilado, com enorme experiência profissional, e que curiosamente chegou a trabalhar com o meu pai. 

Alfa 



Origem do Texto
  • Alfa e Beta em Old Boys Network.


Origem da Imagem



Etigueta Principal: Engenharia.
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31 de outubro de 2018

Falsidade Ideológica





Luís Marques Mendes vai substituir António Vitorino na presidência da mesa da assembleia-geral do Banco Caixa Geral, filial da Caixa Geral de Depósitos em Angola.

Entram na política pobres, saem da política ricos…

Mas, confesso, isso até nem me incomoda muito.

O que me incomoda, e muito, é a falsidade, o dizerem uma coisa e fazerem outra.

E infelizmente não são só estes dois, nem só os partidos deste dois



Referência
“Competência” e “visibilidade” levam Marques Mendes para CGD em Angola – Correio da Manhã.

Origem da imagem
“Falsidade Ideológica” – Entropia Social.


Etiqueta principal: Política.
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29 de outubro de 2018

Brasil – Presidenciais 2018


Estados  &  Regiões
Mapa político-administrativo do Brasil – Wikipédia.

PSL = Bolsonaro  &  PT = Haddad
Presidenciais de 2018 no Brasil: Quem ganhou em cada estado – Gazeta do Povo.

Verde = Bolsonaro  &  Vermelho = Haddad
Presidenciais de 2018 no Brasil: Votação presidencial nos municípios – Valor Económico.

Roxo = Bolsonaro  &  Vermelho = Haddad

Presidenciais de 2018 no Brasil: Como o Brasil votou no segundo turno – Nexo Jornal.

Regiões  versus  Votações

Estados e Regiões (Wikipédia) versus Como o Brasil Votou (Nexo Jornal).

Observando os mapas é por demais evidente que: 
  • Votaram maioritariamente Haddad as Regiões Norte (≈18 Mhab) e Nordeste (≈57 Mhab).
  • Votaram maioritariamente Bolsonoro as Regiões Centro-Oeste (≈16 Mhab), Sudeste (≈85 Mhab) – com excepção do Estado de Minas Gerais (≈29 Mhab) que está partido ao meio – e Sul (≈29 Mhab).
Ora, e curiosamente, a população das regiões que votaram Haddad e Bolsonaro têm ascendências distintas, de épocas distintas: 
  • O Brasil que votou Haddad é, por assim dizer, o Brasil Tradicional, o Brasil do Estado (1549 – 1815), do Reino (1815 – 1822/1825) e do Império (1822/1825 – 1889) e a sua população é, maioritariamente, de ascendência Ameríndia, Portuguesa, Sefardim e Africana (de Línguas Nigero-Congolesas, principalmente de Línguas Bantas).
  • O Brasil que votou Bolsonaro é, por assim dizer, o Brasil Industrial, o Brasil da República Velha (1889 – 1930), da Era Vargas (1930 – 1946), da República Populista (1946 – 1964), da Ditadura Militar (1964 – 1985) e da actual Nova República (1985) e a sua população é, maioritariamente, de ascendência Portuguesa, Castelhana, Italiana, Alemã e Asquenazim.
Parece-me pois que a fractura Bolsonaro-Haddad é muito mais uma Fractura Cultural (descendente de meridionais versus descendentes de setentrionais) do que uma Fractura Económica (possidentes versus não-possidentes) ou uma Fractura Política (autoritários versus libertários ou inigualitários versus igualitários).

28 de outubro de 2018

A “esquerda” reaccionária


Arnaldo Matos arrasa o Bloco de Esquerda – Portugal Glorioso.



João Miguel Tavares afirma "a esquerda tornou-se profundamente conservadora" e eu discordo!

A “esquerda” é, e sempre foi, profundamente reaccionária.

A “esquerda” quer, e sempre quis, regressar a um tempo que, nunca tendo existido, a “esquerda” imagina que existiu.

Mas primeiro o artigo, depois o comentário.


O ARTIGO

A esquerda chamou os fascistas; os fascistas vieram


O tema da “culpa da esquerda” é absolutamente essencial para explicar a ascensão de figuras como Jair Bolsonaro.

Por João Miguel Tavares no Público a 25 de Outubro de 2018 às 6:28


Durante vários anos, eu fui fascista. De vez em quando ainda sou. Aliás, ali entre 2011 e 2015, tive imensa companhia. Foi o tempo em que Passos Coelho era fascista. Angela Merkel era fascista. Rui Ramos era fascista. José Manuel Fernandes era fascista. Helena Matos era fascista. Henrique Raposo era fascista. Éramos todos fascistas e, a bem dizer, consoante os dias, e os assuntos em discussão, continuamos a sê-lo. Ser fascista é a profissão de acesso mais fácil em Portugal – basta defender com algum fervor posições que a esquerda não gosta. Menos Estado? Fascista. Crítica aos delírios verbais das políticas de identidade? Fascista. Delação premiada para combater a corrupção? Fascista.

Tal como na fábula do pastor e do lobo, tantas vezes a esquerda gritou pelo fascismo, que o fascismo finalmente apareceu. Não é o fascismo dos anos 30, com certeza, mas muitas das suas características estão lá – o mesmo amor pela autoridade, o mesmo ódio ao outro, o mesmo culto da violência, o mesmo desprezo pelas minorias, o mesmo desrespeito pelos contrapesos democráticos, a mesma devoção às personalidades messiânicas. É aquilo a que a língua inglesa chama “self-fulfilling prophecy”, uma profecia que acaba por se cumprir porque o seu obsessivo anúncio ajudou, e muito, a que ela viesse a concretizar-se. E é nesse sentido que o tema da “culpa da esquerda” é absolutamente essencial para explicar a ascensão de figuras como Jair Bolsonaro, pois ele é o produto desta nova configuração do mundo: a esquerda tornou-se profundamente conservadora, recusando qualquer mudança no statu quo; e esta nova direita, de Trump, Bolsonaro ou Duterte, ocupou o espaço revolucionário, anunciando mudanças radicais e o combate aos interesses instalados.

Não ver isto, ou não admitir isto, é circular pelo espaço público com duas palas nos olhos, actividade a que vejo demasiada gente dedicada. Leio articulistas portugueses comovidos sobre a importância de manter o Brasil democrático ao mesmo tempo que nos seus textos continuam a classificar Lula da Silva como um preso político e a destituição de Dilma como um golpe de Estado. Vejo gente convencida de que o Brasil só caiu nas mãos de Bolsonaro por causa das fake news, como se mais de 50 milhões de brasileiros estivessem hipnotizados pelo WhatsApp, quando os únicos grupos que apoiam maioritariamente o PT são os mais pobres e os menos instruídos. Assisto aos clamores para que Fernando Henrique Cardoso tome uma posição pró-Haddad, como se algum brasileiro, nesta altura do campeonato, fosse alterar o seu sentido de voto por causa dos conselhos de um membro da sua elite política.


O COMENTÁRIO

A “esquerda” reaccionária


A “esquerda” é, e sempre foi, profundamente reaccionária.

Por Álvaro Aragão Athayde em coisas & loisas a 28 de Outubro de 2018 às 1:55


João Miguel Tavares afirma "a esquerda tornou-se profundamente conservadora" e eu discordo!

A “esquerda” é, e sempre foi, profundamente reaccionária.

A “esquerda” quer, e sempre quis, regressar a um tempo que, nunca tendo existido, a “esquerda” imagina que existiu.

A “esquerda” quer A REVOLUÇÃO que a “esquerda” acha que Francisco da Costa Gomes, o Chico Rolha, e Álvaro Barreirinhas Cunhal, o Cavalo Branco, trariam em 1975, no 25 de Novembro.

Trairam A REVOLUÇÃO em 1975, no 25 de Novembro, o primeiro, o Chico Rolha, quando disse ao segundo para mandar recolher a betoneiras do Jota Pimenta, e o segundo, o Cavalo Branco, quando as mandou recolher.

A “esquerda” imagina que vai conseguir realizar hoje, no tempo da decepcion e das fakes news dos Neocons, Neolibs, Liberal Internationalists, Liberal Hawks, Pro-War Leftists, Anti-Germans, etc., A REVOLUÇÃO que em 1975 Costa Gomes, Cunhal e Suslov falharam em 1975.

Entretanto, e como sempre tem acontecido, enquanto a profetizada Sociedade Sem Classes não chega a “esquerda” defende as Conquistas De Abril e aproveita-se das Contradições do Capitalismo .



Referências
  1. A esquerda chamou os fascistas; os fascistas vieram – Público.
  2. Francisco da Costa Gomes | Wikipédia, a enciclopédia livre.
  3. Álvaro Cunhal | Wikipédia, a enciclopédia livre.
  4. Morreu o construtor do “Pois, pois Jota Pimenta” – Observador.
  5. neocon – Urban Dictionary.
  6. neolib – Urban Dictionary.
  7. Neoconservatism | Wikipedia, the free encyclopedia.
  8. Neoliberalism | Wikipedia, the free encyclopedia.
  9. Neoliberalism (international relations) | Wikipedia, the free encyclopedia.
  10. Liberal internationalism | Wikipedia, the free encyclopedia.
  11. Liberal hawk | Wikipedia, the free encyclopedia.
  12. Pro-war Left | Wikipedia, the free encyclopedia.
  13. Anti-Germans (political current) | Wikipedia, the free encyclopedia.
  14. Mikhail Suslov | Wikipedia, the free encyclopedia.
  15. Sociedade sem classes | Wikipédia, a enciclopédia livre.
  16. Trabalhadores. Conheça as conquistas de abril – Sol.
  17. Contradições do Capitalismo – Passei Direto.

Origem das imagens
  • Arnaldo Matos arrasa o Bloco de Esquerda – Portugal Glorioso.

Etiqueta principal: Portugal.
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