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24 de agosto de 2020

António Gil: A Grande Macaquice de Imitação




Há macro-factos e micro-factos. Não é por achar que a “crise do corona” foi cavalgada com propósitos MUITO EVIDENTES que vou dizer que TODAS as medidas adoptadas por diversos governos foram motivadas por mais um (grande) estouro da bolha financeira, pelo programa de Davos do ‘’Grande Reinício Económico’’, pela Falsa Agenda Verde ou pelo Último Estertor do Globalismo Ocidental. 

Não, há coisas que resultaram apenas da macaquice de imitação. Seguem-se algumas delas:

Um mistério durante meses é como  tantos governos em tantos lugares diferentes da terra adoptaram políticas absurdas iguais ou muito semelhantes, não importa o nível de ameaça do vírus nem as evidências firmes de que as intervenções tivessem alguma esperança de ser eficazes. 

No decorrer de duas semanas, as liberdades tradicionais foram eliminadas em quase todos os países desenvolvidos. Mesmo algumas políticas mais tolas replicaram-se viralmente numa série de países. 

Por exemplo, experimentar roupas em lojas da Europa, no Texas, em Melbourne, em Londres ou Kalamazoo. 

Por essa altura já se sabia que era pouco provável que o COV-SARS-2 fosse amante da moda. Foi um exagero misterioso porque as pessoas continuaram a tocar em embalagens, teclados de multibanco e muitas outras coisas. 

Mas em roupas não se podia…prontuuus, ficámos assim, sem mais explicações. Curiosamente logo a seguir muita gente acreditou que um pedaço minúsculo de tecido nas fuças podia salvá-las do vírus. É de loucos, não é?  

Em seguida, houve a confusão interior/exterior. Primeiro, todos foram forçados a entrar em espaços fechados e muitas pessoas foram presas por estarem ao ar livre. 

Mais tarde, quando os restaurantes começaram a abrir, as pessoas não tinham permissão para entrar, mas podiam comer suas refeições ao ar livre, se esplanadas houvesse. Deveríamos acreditar que o vírus viveu do lado no exterior por um tempo, mas depois buscou o aconchego de um tecto? 

Ah e os toques de recolher? Muitos países os adoptaram, apesar da completa ausência de evidências de que a propagação do vírus tem hora, como se diz que a brincadeira tem: pelas regras dir-se-ia que o vírus prefere a vida nocturna.

Ou será que o verdadeiro ponto era parar com a folia e tudo o que reunisse as pessoas de uma forma divertida? Foi como se vários governos decidissem no mesmo dia que o COVID-19 se espalhava por meio de sorrisos, beijos e diversão, então foi preciso banir tudo isso.

Em Lisboa, Sydney , Los Angeles, Detroit, Miami e tantas outras cidades é preciso usar uma máscara quando entras num restaurante, mas não quando te sentas para comer. 

E essa regra do metro e meio também é bizarra porque parece sugerir que se duas pessoas se aproximam demais uma da outra o vírus vem logo, todo guloso. Pelo menos as pessoas parecem acreditar nisso. 

A Austrália, à sua maneira, até criou um slogan e um jingle para acompanhá-lo. “ Ficarmos longe mantém-nos juntos ”, diz o Orwell, perdão, a Victoria. 

Em muitos países também, duas semanas de quarentena são exigidas para quem chega de longe, embora o período de incubação do vírus não seja tão longo. O  período médio é de 6 dias , talvez, que é o que se esperaria de um coronavírus. 

Ah, também não se pode borrifar um perfume para experimentá-lo, porque certamente isso espalha COVID-19 que por outro lado morre inapelavelmente com outros produtos à base de álcool e éter. Nenhum fragmento de evidência de que haja alguma verdade nisso. Esta medida parece completamente sorteada de entre um lote arbitrário delas…mas foi amplamente imposta. 

A proibição de encontros com mais de 50 pessoas ao ar livre e 25 dentro de casa, o encerrar de ginásios num momento em que as pessoas precisam de exercício físico, o encerrar de teatros e pistas de dança, mas a manutenção de lojas grandes – essas políticas são tão omnipresentes e nenhuma ciência as apoia – seria impossível justificá-las. 

O pior caso foi o encerramento de escolas. Eles foram fechadas ao mesmo tempo em todo o mundo, apesar das evidências disponíveis desde pelo menos janeiro de que a ameaça às crianças é quase zero. Sim, elas adquirem COVID-19 quase inteiramente assintomático, o que significa que não ficam “doentes” no sentido antiquado do termo. Além do mais, é altamente improvável que eles o espalhem para adultos precisamente porque não apresentam sintomas. Isso é  amplamente admitido. 

Mesmo assim, os governos decidiram infernizar a vida das crianças por um período inteiro. 

E tudo isso parece estranhamente suspeito. Todos esses países e estados implementaram esse show de palhaço obrigatório ao mesmo tempo.

Nos Estados Unidos, foi fascinante de ver. As paralisações aconteceram em todo o país. No Nordeste, o vírus já se espalhara amplamente para a imunidade de grupo. O Sul fechou ao mesmo tempo, mas o vírus ainda nem estava lá. Quando o vírus chegou, a maioria dos estados do Sul já tinham reaberto. O vírus  não parece importar-se com nada disso, de qualquer maneira. 

Como expliquei noutros posts, podemos buscar razões no colapso financeiro e na necessidade de injectar dinheiro em todas essas coisas grandes demais para falirem.

Tantos governos no mundo perderem ao mesmo tempo toda a noção e abolirem as liberdades do povo de forma tão cruel, enquanto pisavam as respectivas constituições e leis, deve ter uma explicação e eu até admito que nem todas as medidas tiveram motivações muito profundas, ou sequer reflectidas. 

Como não devemos porém sobrestimar a inteligência de muitos governantes tenho de aceitar que em muitos casos foram apenas macaquinhos de imitação.  

Pode ter começado por um governador ou estadista esgrouviado que por uma obsessão pessoal qualquer inventou algo num pânico louco sendo, em seguida, imitado por outros que queriam dar a impressão que estavam a fazer algo contra o vírus. 

A teoria do comprometimento.

Pete Earle parece explicar por que o rigor persiste, mesmo na falta de evidências de que eles fazem qualquer coisa para suprimir o vírus. 

Mas como podemos explicar a imposição de tantas regras igualmente ridículas ao mesmo tempo em tantas partes do globo? 

Convido-vos  a examinar um estudo muito interessante publicado pela National Academy of Sciences (EUA):  Explicando a difusão homogénea das intervenções não farmacêuticas COVID-19 em países heterogéneos.

Um título mais claro poderia ser: como tantos governos se comportaram tão estupidamente ao mesmo tempo. A teoria que eles postulam parece altamente realista para mim: 
« Analisamos a adoção de intervenções não farmacêuticas nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) durante a fase inicial da pandemia da doença coronavírus 2019 (COVID-19). 

 Dada a complexidade associada às decisões de pandemia, os governos enfrentaram o dilema de como agir rapidamente quando seus principais processos de tomada de decisão são baseados em deliberações que equilibram considerações políticas. 
 Os nossos resultados mostram que, em tempos de crise severa, os  governos seguem o exemplo de outros e baseiam suas decisões no que outros países fazem. Os governos em países com uma estrutura democrática mais forte são mais lentos para reagir diante da pandemia, mas são mais sensíveis à influência de outros países. Fornecemos ideias para pesquisas sobre difusão de políticas internacionais e pesquisas sobre as consequências políticas da pandemia COVID-19. »

Isto parece encaixar-se com o que tenho visto anedoticamente. 

Os maduros no comando são, em sua maioria, advogados especializados em vigarizar eleitores. E as “autoridades de saúde pública” que os aconselham podem obter credenciais na área sem nunca terem estudado grande coisa, muito menos medicina prática. Então o que eles fazem? Eles copiam outros governos, como forma de encobrir sua ignorância. 

Como diz o estudo:
« Embora o nosso artigo não possa julgar qual seria o momento de adopção “óptimo” para qualquer país, segue-se, a partir de nossas descobertas do que parece ser  uma imitação internacional  de adopções de intervenção, que alguns países podem ter adoptado medidas restritivas antes do necessário. 
 Se for esse o caso, esses países podem ter incorrido em custos sociais e económicos excessivamente altos e podem ter problemas para sustentar essas restrições pelo tempo necessário devido à fadiga do bloqueio. »

Ou seja: os confinamentos, bloqueios e medidas de restrição impostas não eram ciência. Era mais do tipo: macaco faz o que vê os outros macacos fazerem. As experiências de psicologia social  sobre conformidade  ajudam a explicar isso melhor do que qualquer outra coisa. Eles viram alguns governos a fazer coisas e decidiram fazê-las também, como uma forma de se certificarem de que evitam riscos políticos, independentemente do custo. 

Tudo isso só aumenta o respeito pelos governos do mundo que não fecharam negócios e escolas, não impuseram máscaras e não promoveram à maluca essa dança kabuki de distanciamento social para sempre. Vêm à mente Coreia do Sul, Uruguai, Dakota do Sul, Suécia, Taiwan e (sim até) a Bielo-Rússia. É necessário um nível incomum e raro de incredulidade para evitar esse tipo de mentalidade de rebanho.



Comentários no Facebook
Guardado.
     Carlos Ataide • 22 de Agosto às 21:02

Quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto, caro Antonio Gil. 
No caso das "medidas" a cada nível da “máquina burocrática” o irresponsável responsável acrescenta-lhe mais uma, para que não possa ser acusado de irresponsabilidade. 
Depois há outra questão, independente da anterior, porque é que as pessoas aceitam submeter-se?
     Duarte Pacheco Pereira • 23 de Agosto ás 08:27

Vou levar, caro Antonio Gil.
     Duarte Pacheco Pereira • 23 de Agosto ás 08:27




Fonte







Etiqueta principal: Fascismo pós-moderno.


22 de junho de 2020

Corrupção e Democracia


Vilipendiar a Corrupção
e
Enaltecer a Democracia
é
Ignorância ou Hipocrisia



A Democracia é 
  • o governo dos acordos, 
  • o governo dos negócios, 
  • o governo do toma-lá-dá-cá, 
  • o governo dos comerciantes e dos banqueiros, 
  • o governo daqueles que têm no “ganho” a primeira prioridade.



Nas Democracias Ocidentais tudo se compra, tudo se vende, e quem não tem algo para vender, ou dinheiro para comprar, está fora dos mercados, não existe.



Digo isto com algum desgôsto …

Fiquei contente com o 25 de Abril de 1974 (25A), tal como todos os da minha geração, íamos – finalmente! – poder participar no governo da república , tudo iria deixar de ser “só como eles queriam”, nós teríamos uma “palavra a dizer”.

Ó ilusões da juventude …



Dizem-nos que temos mais liberdade de expressão do que antes do 25A … – mentira! – tal como então não podemos tocar nos “assuntos tabú”.

Dizem-nos que temos mais liberdade política do que antes do 25A … – mentira! – tal como então podemos plebiscitar “os escolhidos”.

Mas, ao contrário do que acontecia antes do 25 de Abril, não sabemos quem manda, quem “realmente manda”, pelo que corremos um risco que então não corriamos, o risco de pisar, inadvertidamente, “o risco”.



E este desabafo vai-me custar, como é hábito, o ser etiquetado de “comunista”, por uns, de “fascista”, por outros, ou, talvez, quem sabe, de “populista”, “putinista”,  “racista”, “trumpista”, etiquetas hoje bem mais na moda.




Fonte da imagem






Etiqueta principal: Corrupção.
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5 de novembro de 2019

Leviatã ou O Estado Deus-e-Pai

Leviatã
ou
A Matéria, Palavra e Poder de um Governo Eclesiástico e Civil



José Manuel Fernandes publicou no Observador, no passado dia 03 de Novembro de 2019, um artigo intitulado “Se isto não é um pesadelo, o que será um pesadelo?“, que abaixo transcrevo.

Nesse artigo, e a propósito do actual governo Costa II, José Manuel Fernandes descreve o Sistema Político que o Partido Socialista tem vindo a tentar implantar em Portugal.

Descreve-o mas, curiosamente, não o identifica, não o chama pelo seu nome próprio, pese embora o mesmo tenha sido descrito por Thomas Hobbes na sua famosa obra de Leviatã, publicada em 1651.

Nestes Sistemas Políticos quem manda é a Clero do Leviatã, d’O Estado Deus-e-Pai, clero essa que na defunta União Soviética era conhecido por Nomenklatura.



Se isto não é um pesadelo, o que será um pesadelo?

O gigantismo do governo é uma decorrência da natureza deste PS, e o mais assustador é a que a sua forma de pensar é mesmo a que lhes convém para, sem problemas de consciência, tomarem conta disto tudo.

Por José Manuel Fernandes no Observador a 03 de Novembro de 2019, às 19:57.

Nunca Portugal teve um governo com tantos ministros (19). Nunca um governo de Portugal teve tantos membros (70, contando com o primeiro ministro). Nunca houve tantos ministérios com tão bizarros nomes (“Economia e da Transição Digital”, “Ambiente e Ação Climática”, “Modernização do Estado e da Administração Pública”, “Coesão Territorial”). E nunca tantas secretarias de Estado se atropelaram a fazer mais ou menos a mesma coisa (a lista é tão longa que poupo os leitores).

Tem lógica? Tem: quando não se sabe como resolver um problema, cria-se um grupo de trabalho, depois uma comissão eventual, a seguir uma secretaria de Estado, por fim um Ministério. É o princípio da entropia das organizações, de que Portugal há muito é refém e o PS, no que ao Estado diz respeito, sumo sacerdote.

O enorme Governo que temos – e que não há-de ser o maior de António Costa, esperem só pela próxima remodelação e vão ver como ele crescerá ainda mais… – é o corolário de um programa – o programa do PS é mesmo mandar no país, porque é assim que acha que deve ser – e de uma necessidade – a de dar emprego aos seus militantes e às clientelas. E se esta necessidade é comum a todos os partidos de poder em Portugal, que estão cada vez mais transformados em partidos de clientelas, o que distingue o PS é mesmo a sua ideia de que é o Estado, e o Estado comandado pelo PS, que resolve os problemas do país.

Este Verão, António Barreto, que conhece bem o PS, num texto importante sobre o programa eleitoral do partido, não hesitava em escrever que os socialistas estão “a viver o seu momento mais estatal, dirigista e centralizador de sempre”, dando “sinais de regresso a uma das suas origens, a mais estatizante e jacobina”. Em concreto, através daquele programa o PS propunha-se “enquadrar, comandar, dirigir, orientar e, numa palavra, fazer”. Mais: o PS “não quer deixar fazer, não deseja que outros façam, quer fazer”, e o que ele não fizer, “proíbe ou dificulta”.

Basta ver que palavras são mais vezes usadas no Programa do Governo. Ora bem, “reforçar” surge à frente (242 vezes), logo seguida por “promover” (192 vezes). A palavra “plano” é usada nada menos de 99 vezes, um pouco menos que a palavra “criar” (118 vezes). Não restam dúvidas: o Governo propõe-se fazer – nunca se propõe permitir que façam.

Como o Programa de Governo é uma reprodução quase fiel do programa eleitoral, com um ou outro retoque cosmético para fingir que se agrada à extrema-esquerda (e é mesmo só fingir, pois os pontos que retirou do programa, como a reforma das leis eleitorais, eram inexequíveis sem o apoio do PSD, e este não está pelos ajustes no horizonte deste legislatura), os pecados de Agosto são os pecados de Outubro.

Basta fazer um exercício simples, daqueles que permitem detectar tiques de linguagem, e ficamos sem dúvidas. Basta ver, por exemplo, que palavras são mais vezes usadas no Programa do Governo. Ora bem, “reforçar” surge à frente (242 vezes), logo seguida por “promover” (192 vezes). A palavra “plano” é usada nada menos de 99 vezes, um pouco menos que a palavra “criar” (118 vezes) e que a palavra “garantir” (100 vezes).

Não restam dúvidas: o Governo propõe-se fazer – nunca se propõe permitir que façam.

O Governo, para usar o provérbio chinês, só pensa em pescar, nunca imagina que pode ser útil ensinar a pescar. Ou simplesmente deixar pescar livremente.

O Governo faz exactamente o contrário do que John Kennedy propôs aos americanos no seu famoso discurso de tomado de posse: “ask not what your country can do for you — ask what you can do for your country”. Não perguntem o que o país pode fazer por vocês, interroguem-se sobre o que podem fazer pelo país.

Mas não, não é esta a visão de Portugal, nem do Estado, nem dos portugueses que o PS tem. A sua visão é mesmo a de cidadãos enquadrados pelo Estado, orientados pelo Estado, dependentes do Estado – na sua linguagem, “protegidos pelo Estado”, a que chamam “social”.

O PS, este PS, e António Costa, acreditam mesmo que é assim que vão trazer mais prosperidade ao país. Na sua intervenção no debate do Programa do Governo um dos poucos (o único?) ministro com alguma experiência no sector privado, Siza Vieira, assegurava que Portugal tinha progredido quando tinha tido “planos industriais”. Ouvia-se e era como se tivéssemos regressado aos “planos de fomento” do salazarismo. Só que nunca foram eles que fizeram o país dar saltos em frente – isso aconteceu quando o país foi confrontado com choques externos: a entrada na EFTA que permitiu a mais frutífera das expansões económicas nas décadas de 1960/1970; depois a entrada a CEE, o único período em que voltámos a ter taxas de crescimento realmente notáveis, no final da década de 1980; por fim o mais recente choque sofrido pela economia portuguesa, a crise de 2009/2013, também permitiu uma alteração estrutural da nossa economia, que se virou para os mercados externos (em 2008 as exportações valiam 28% do PIB, em 2018 já valiam 44%).

Não houve aqui qualquer plano, a longa mão do Estado não andou por aqui (a não ser a atrapalhar). Houve foi muita iniciativa privada. Houve empresários que tiveram de encontrar soluções para negócios que já não estavam a dar. Houve capacidade de aproveitar as oportunidades. Houve muito cerrar dos dentes. E felizmente houve menos Estado do que hoje se quer ter. Na década de 1960. Na década de 1980. E nos anos “neoliberais” da troika.

Mas não é este o país com que o PS sonha, porque neste país ele só vê defeitos. E por isso passa a vida a criar novos regulamentos, a tratar de ter bem controladas as entidades reguladoras e a procurar que tudo passe pelo gabinete de um ministro ou de um secretário de Estado.

Há décadas que este modelo não funciona. Se funcionasse Portugal não estaria a perder posições no ranking da riqueza dos países europeus. No entanto insistimos no mesmo modelo. Porquê, se insanidade é continuar a fazer sempre a mesma coisa e esperar conseguir resultados diferentes? Porque a fé no Estado parece ilimitada.

Há décadas que os socialistas acham que é assim – criando mais regras, mais organismos, mais secretarias de Estado, por fim mais ministérios – que se consegue criar os instrumentos do crescimento. Orientar o crescimento. E prescientemente dizer aos investidores onde devem investir – ou então complicar-lhes a vida se acharem que querem investir onde não devem.

Há décadas que este modelo não funciona. Se funcionasse Portugal não estaria a perder posições no ranking da riqueza dos países europeus – hoje só temos oito países da Europa mais pobres do que nós, se mantivermos o actual diferencial de crescimento para os nossos parceiros em 2025 só teremos quatro países atrás de nós (a Bulgária, a Croácia, a Roménia e eventualmente a Grécia).

No entanto insistimos no mesmo modelo. Porquê, se insanidade é continuar a fazer sempre a mesma coisa e esperar conseguir resultados diferentes? Porque a fé no Estado parece ilimitada, ou não tivesse António Costa promovido Alexandra Leitão a ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública.

Perguntar-se-á de novo a que propósito, já que no Ministério da Educação não se conhece o balanço qualitativo da sua actuação. É verdade: acabou com quantos contratos de associação pôde, nesse processo fazendo com que vários colégios privados que tinham prestado bons serviços às populações fechassem. Ficaram os alunos melhor servidos? Poupou o Estado dinheiro? Ninguém sabe, porventura nunca ninguém saberá porque não interessa saber.

O princípio ideológico da ministra é que o Estado faz sempre melhor – o que é mais ou menos sinónimo de “o PS faz sempre melhor”. Por isso só imagina um Estado ainda mais presente nas nossas vidas. Por isso mesmo disse, numa entrevista ao Público, que “há zonas do país onde a presença do Estado não se faz sentir como devia, no bom sentido. As pessoas sentem que o Estado só chega lá através da autarquia local, da escola ou de um centro de saúde.” A minha pergunta é: mas necessita mesmo o Estado de estar mais presente, porventura para além daquilo que diz respeito ao essencial, que é a segurança das populações, e que é também aquilo onde mais falha?

A resposta – a tétrica resposta – é que o Estado é um monstro que ganhou vida própria, como até a ministra implicitamente reconhece a certa altura (“temos ministérios sectoriais e os serviços que também têm os seus interesses”). Pior: a visão deste PS é a de achar que, com a ajuda da revolução digital, vai por fim cumprir o sonho tipicamente estalinista do “planeamento centralizado quer do recrutamento, quer das promoções”, um pesadelo orwelliano que diz bem da matriz intrinsecamente estatista e jacobina daqueles que nos governam. O sonho de controlar tudo. Tudo, mesmo tudo.

Regresso assim aonde comecei: o gigantismo deste governo não é um acaso nem é fruto da acomodação de conveniências. O gigantismo deste governo é uma decorrência da natureza deste PS, e o que é mais assustador é a que a forma de pensar dos socialistas é exactamente aquela que lhes convém para, sem problemas de consciência, tomarem conta disto tudo.

Se isto não é um pesadelo, não sei o que é um pesadelo.




Etiqueta principal: Cesaropapismo.
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29 de junho de 2019

O rei serve o reino ou o reino o rei?

Filipe de Áustria, o quarto de seu nome em Castela, o terceiro em Portugal.



A transcrição de um artigo da Deputada Inês Domingos, publicado no Observador a 26 de Junho de 2019, a transcrição do meu comentário ao dito artigo, algumas imagens e as fontes.



Quando são os cidadãos que incomodam o Estado

Por Inês Domingos no Observador a 26 de Junho de 2019, às 00:11.

O PS está a inverter até o objetivo do Estado, que deve ser servir os cidadãos. A cada passagem pelo Governo aprofunda uma antes nova polis, em que os cidadãos servem o Estado e para engordar o Estado

Esta semana a secretária de Estado da Justiça causou uma pequena agitação por ter justificado que os atrasos nos serviços do cartão de cidadão “também são o resultado de […] a generalidade dos cidadãos optar, sistematicamente, por se dirigir aos mesmos serviços, à mesma hora – antes da abertura do atendimento ao público”.

Mas a indignação só é possível para quem não tenha ainda entendido como esta geringonça está a tentar reverter mais do que as políticas e reformas do anterior Governo. Está a inverter até o objetivo do Estado, que deve ser servir os cidadãos. O Partido Socialista apoiado pelas esquerdas, aprofunda, a cada passagem pelo Governo, uma forma especial de polis, em que os cidadãos servem o Estado e servem para engordar o Estado.

Esta visão está por todo lado. Na saúde não interessa que as (poucas) PPPs que existem tenham obtido bons resultados com custos baixos. Não interessa que os cidadãos sejam bem atendidos e tratados. O que interessa é preservar os hospitais e os profissionais de saúde exclusivamente na esfera do setor público. Na educação a geringonça acabou mesmo com escolas que tinham contrato de associação. Escolas de excelência que serviam populações com rendimentos mais baixos foram obrigadas a fechar porque, para esta maioria, o ensino público só pode ser prestado em edifícios que pertencem ao Estado, por professores que pertencem à Administração Pública. Não pode haver nada fora do controlo do Estado.

E quando alguma coisa corre mal, a culpa é do setor privado. Primeiro porque ideologicamente esta esquerda vê a iniciativa privada como um pacto mefistofélico, mas também porque fora da Administração Pública acaba por ser mais difícil controlar os descontentamentos e as inquietações.

Os problemas nos serviços de identificação civil são, nesta perspetiva, um desafio adicional para o Governo. É que não dá para culpar a iniciativa privada porque a emissão de cartões de cidadão e passaportes é um monopólio do Estado. Mas também não dá para confessar que há um efeito da redução dos horários para 35 horas, porque isso seria reconhecer que muitas das reversões deste Governo têm de facto um impacto negativo na vida das pessoas.

Sacode-se então a água do capote para cima dos cidadãos, que têm a ousadia de incomodar os serviços e aparecer à porta antes da hora estipulada, na esperança de poderem apanhar uma senha que em poucas horas esgota. Ou porque imprudentemente não marcaram uma hora com antecedência para serem atendidos, o que neste momento tem um prazo de espera de quatro meses. Isto para aceder a um serviço, não porque o desejem, mas porque a ele são obrigados por lei.

Esta situação serviria seguramente para inspirar uma obra maior de Kafka mas infelizmente é apenas mais um episódio da insuficiência de um Estado que exige tudo aos cidadãos mas que os serve muito mal.

Deputada do PSD



Margarida de Sabóia, Duquesa de Mantua e Monferrato, Vice-Rainha de Portugal (1634–1640).



O rei serve o reino ou o reino o rei?

Por Álvaro Aragão Athayde no Observador a 29 de Junho de 2019, às 07:12.

O rei serve o reino ou o reino o rei?

A Deputada Inês Domingos foi ao cerne da questão!

Será que o PS e os Governos do PS estão ao serviço de Portugal e dos Portugueses?

Ou será que Portugal e os Portugueses estão ao serviço dos Governos do PS, do próprio PS e daqueles a quem os militantes e dirigentes do PS servem?

E o que se diz do PS diz-se do CDS-PP, do PPD-PSD, do PCP, do BE, de qualquer partido: 
  • Estão ao serviço de Portugal e dos Portugueses?
  • Ou estão ao serviço dos seus militantes, dirigentes e daqueles a quem os seus militantes e dirigentes servem?


Fontes
  1. Quando são os cidadãos que incomodam o Estado”. Inês Domingos. Observador. Publicado a 26 de Junho de 2019, às 00:11. Recuperado a 29 de Junho de 2019, às 10:43. 
  2. Felipe IV de España”. Wikipedia. Esta página se editó por última vez el 20 jun 2019 a las 08:32. Recuperada el 29 jun 2019 a las 08:32.
  3. Margarita de Saboya”. Wikipedia. Esta página se editó por última vez el 8 abr 2019 a las 21:33. Recuperada el 29 jun 2019 a las 12:15.

Referências
  • Res publica”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 23h12min de 14 de setembro de 2017. Recuperada às 12h39min de 29 de junho de 2019.

Etiqueta principal: Política.
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24 de novembro de 2018

Desastre em Borba

Desastre em Borba


From: Alfa 
To: Beta 
Date: terça, 20/11/2018 à(s) 17:17 
Subject: Ministério Público abre inquérito a queda de estrada em Borba 

Beta, 
Viste esta notícia e as fotos aéreas? Dá-me a impressão de que a estrada estava sobre um “muro” entre dois enormes buracos. Como é possível? 
Abraço, 
Alfa 
Ministério Público abre inquérito a queda de estrada em Borba 


From: Beta 
To: Alfa 
Date: terça, 20/11/2018 à(s) 23:35 
Subject: Re: Ministério Público abre inquérito a queda de estrada em Borba 

Olá, Beta 

Como calculas não sabia nada disto de Borba e até admito já ter andado levianamente  nesse trecho, precisamente quando acompanhei a Gama a visitas a pedreiras em Borba, Vila Viçosa e Alpalhão. 

Eu desconfio, talvez sem razão, que as pedreiras se foram aproximando da estrada… e quem vê a cara não vê o coração e com tanta rocha à volta houve, creio, o errado pensamento de que pisavam rocha, i.e. risco zero. 

A Gama telefonou para um amigo na Universidade de Évora, ex-aluno, que lhe disse que havia dois Relatórios chamando a atenção para perigo, mas eu estou careca de ouvir falar de Relatórios que dizem que Monchique pode arder, que o movimento de uns blocos do quebra-mar Oeste de Sines merecia atenção, que retirar a areia próximo de Entre-os-Rios fazia perigar a fundação, que árvores apodrecem disfarçadamente e ao cair matam, que banqueiros em roda livre são criminosos, etc. 

Quero dizer, após os factos há sempre quem tenha salvaguardado a consciência ou, em brasileiro, tirado o cu da recta, porque escreveram qualquer coisa, qualquer merda de um “I told you so”. Lutarem, ao ter obtido esses dados, para que algo se faça, é que vejo pouco. 

A seguir todos pedem responsabilidades, aos técnicos anónimos, aos autarcas e ao Estado e aventam mil teorias de corrupção. 

Eu olho para trás e vejo o quê: os técnicos experientes e muito mal pagos do Estado (falo de engenheiros e alguns economistas) foram impedidos de fazer projeto para o Estado porque prejudicaria as empresas privadas (um pouco como médicos exercendo em hospital público), deixaram de fazer fiscalização porque quebrariam a Ética retirando mercado aos privados e o Estado mediocrizou. 

E eu julgo isto: os portugueses adoram criticar funcionários públicos, exceto no dia que lambem as botas do professor que lhes admita ilegalmente um filho, do médico que atenda um familiar não inscrito e passe umas receitas “irregulares”, do administrativo que o coloque à frente da fila. 

E aplaudem cortes nos Serviços do Estado, sejam  nas Obras Públicas, na Saúde Pública, na Segurança, ou na Educação … desde que haja mais auxiliares nas escolas, mais capacidade para aceitar alunos deficientes dos mais variados graus, menores filas para as cirurgias, mais apoio para os campeonatos de surf e badmington, muito apoio para a cultura e eliminação da corrupção. E aplaudem cursos mais curtos, menos exames, maior percentagem de canudos inúteis para brandir nas estatísticas. E protestam com as consequências. 

Como eliminar a corrupção se não há mais técnicos experientes na Administração, se não sabem fazer Projeto e portanto não sabem fazer Cadernos de Encargos, só os copiam e mal, porque são feitos em Escritórios de Advocacia, Se nem fiscalizar sabem. Se é nas entrelinhas dos CE que se escondem as maracotaias e se a fiscalização se entrega a privados, contratados por incompetentes. Se os incompetentes acabam por ser vulneráveis a uns almoços, umas caixas de whisky e a umas “viagens de estudo”, para não tocar nos Laboratórios Médicos, é de admirar? 

Então deixa-me terminar a minha bílis: cansei do Ministério Público, voraz conjunto de abutres inimputáveis. Cansei de Magistrados acumuladores de privilégios mais ou menos flagrantemente anti-éticos, provenientes de uma massa de medíocres e incultos formandos do Centro de Estudos Judiciários a fazerem greve o Espírito Santo saberá porquê. Ontem vi umas imagens de um mini-plenário de Lisboa, quero esquecer. 

E aí está a Quadratura do Círculo: desmoralização e desguarnecimento de quadros técnicos, cultura de tirar o supradito da recta, orçamentos em que obras “invisíveis” [reforçar fundações ou quebra-mares, olhar muros de suporte (passo em Caxias a rezar o Credo), restaurar vias férreas e veículos e FAZER MANUTENÇÃO] não atraem apoio do nosso superficial eleitorado, menos ainda dos mui ilustres Advogados da nossa AR, e não permitem, de facto e em geral, evitar estas tragédias. 

Às vezes sim. Um Autarca atento, com dois Técnicos capazes e amantes da terra, capazes de ouvirem e lerem um ou outro Relatório e de mandarem fazer estudos e se empenharem mais acima podem ter resultados. Ou não, mas neste caso, podem interditar estradas, proibir o funcionamento de fábricas, ser profilácticos e irem à luta. 

Será que todas as nossas barragens estão mesmo seguras? Será que podem atingir a cota máxima? E não atingindo … isso chegará? 

O Mineiro Alves diz coisas. Os Bastonários dizem coisas, mas a realidade, quanto a mim, exigiria Associações de Técnicos com intervenção política séria, apartidária nas propostas técnicas, não estes Grémios com microfone perto da boca. O LNEC saberia, mas foi aburguesado e remetido à função de se auto-financiar e a espasmos de pouca relevância. Sabe mas não pode. A OE é uma instituição irrelevante em questões sérias que resolveu aceitar os engenheiros com apenas 3 anos de formação para enfraquecer a Ordem dos Engenheiros Técnicos: tamanho é poder e idiotice não conhece limites na instrução! 

Neste quadro, … gerimos o quotidiano: culpamos as vítimas, exigimos responsabilidades, queremos menos funcionários públicos e temos sorte mesmo que o 1.º ministro seja bunda-mole, sem a qual não seria 1.º ministro. 

Não respondi, pois não? Aquela estrada devia estar interdita há anos. A exploração daquelas pedreiras devia estar limitada desde o início. A colocação de grandes superfícies na estrada Borba-Vila Viçosa só não causou mais vítimas porque Deus deixou recentemente de ser brasileiro, mas gosta da lusofonia e está temporariamente por estas bandas.

Beta 


From: Alfa 
To: Old Boys 
Date: terça, 20/11/2018, às 23:52 
Subject: Fwd: Ministério Público abre inquérito a queda de estrada em Borba 

Excertos de uma mensagem de um engenheiro civil, catedrático jubilado, com enorme experiência profissional, e que curiosamente chegou a trabalhar com o meu pai. 

Alfa 



Origem do Texto
  • Alfa e Beta em Old Boys Network.


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Etigueta Principal: Engenharia.
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