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5 de março de 2021

Covid, Ciência e Charlatanisse

Como reconhecer um charlatão


Uma imagem, uma referência, um artigo, um comentário, duas referências.


Não há “evidência científica”

Talvez esta pandemia pudesse, se as pessoas ao menos parassem para pensar, trazer-nos alguns ensinamentos. Sobre, por um lado, a eficácia da ciência. E, por outro, os seus limites.

Paulo Tunhas • Observador • 04 mar 2021, 00:09 • Original e comentários aqui

Em memória de Fernando Gil

Sou provavelmente a última pessoa a ter vocação para protestar contra a introdução em português de galicismos ou anglicismos em nome da pureza da língua. Falta-me, por assim dizer, o gosto. Em primeiro lugar, porque protestar é geralmente inútil, e, como muitas coisas inúteis, tende para o ridículo. Em segundo, porque a apropriação de vocábulos estrangeiros é um dos meios através dos quais a língua evolui. Em terceiro, porque eu próprio me sirvo deles quando tal me parece necessário. Por exemplo, uso a palavra “pervasivo” (do inglês pervasive) porque o mais pacato “invasivo” não transmite, parece-me, a ideia de uma infiltração generalizada que ocorre simultaneamente em todos os lugares. É um caso entre muitos. Há, é verdade, vá lá Deus saber porquê, galicismos que me irritam, como, por exemplo, “massivo”, mas não atribuo a essa irritação grande importância. E há, sobretudo, liberdades que têm outra dimensão, porque vão contra o que se poderia chamar a lógica da língua e, em consequência, introduzem nela confusões desnecessárias.

Por estes dias, por causa da Covid, toda a gente que aparece na televisão ou escreve nos jornais anda constantemente com a “evidência científica” na boca. Ora, acontece que tal coisa não existe. Ou melhor: não existe em português. Existe, sem dúvida, em inglês, onde, a partir do fim século XVII – é visível, creio que pela primeira vez, no Ensaio sobre o entendimento humano de Locke –, se cria a expressão self-evidence para designar aquilo que é patente, que salta aos olhos, deixando progressivamente evidence (que aparece no século XIV) com o sentido de indício que aponta para uma prova, de indício probatório. Em português, no entanto, as coisas passam-se diferentemente: “evidência” mantém o sentido da evidentia latina, tradução oferecida por Cícero da enargeia grega, significando algo que se confunde com um sentimento em que o subjectivo aspira a transcender-se em objectivo: o sentimento de algo tão perspícuo que, por definição, dispensa a prova. E, exactamente por “evidência” manter em português tal significado, a expressão, cada vez mais corrente, “auto-evidente” é o paradigma da redundância: “evidente” é já, pela sua própria natureza, “auto“.

Por isso, quando, por exemplo, as pessoas do Ministério da Saúde, falam de “evidência científica”, presumindo que pretendem falar em português e que se encontram habilitadas para o exercício, estão a falar de uma coisa que não existe. A ciência não lida, senão indirectamente, na reflexão que sobre ela se faz, com a evidência: lida com provas e indícios probatórios. Não há “presente evidência científica”: há indícios probatórios – num sentido mais forte, provas – que, a uma dada altura, legitimam uma maior ou menor confiança em certas hipóteses, numa escala de graus de assentimento complexa e extensa. Nada disso tem algo a ver com a evidência, embora o cientista possa perfeitamente experimentar um sentimento de evidência por relação à sua própria teoria, o que é sem dúvida interessante e importante – mas é outra questão.

Esta conversa da “evidência científica” anda muito ligada a um outro fenómeno contemporâneo, o da crença maciça na existência de um bloco inamovível chamado “ciência”, em torno do qual se mobilizam, agonisticamente, defensores e adversários. No seu aspecto mais cómico, tal atitude manifesta-se no título de um artigo publicado no mês passado no Público por Gabriel Leite Mota, que se apresenta como “doutorado em economia da felicidade”: “Acreditem na ciência, porra!”. Não duvido, é claro, que o autor tenha conseguido realizar o célebre “corte epistemológico” que nos permitiria transitar de uma concepção ideológica para uma concepção verdadeiramente científica da felicidade, apoiada nas suas determinantes económicas (a menos que se trate de uma concepção científica da economia apoiada nas suas determinantes felicitárias, se a inovação terminológica me é permitida). Não duvido, como disse, embora a tal “economia da felicidade”, que preside talvez à decisão do Governo, contestada por Francisco Assis, de lançar uma Lotaria Instantânea (vulgo “raspadinhas”) do Património Cultural, não apareça espontaneamente ao comum dos mortais como a base mais segura para a defesa da atitude científica. O problema é que a injunção “Acreditem na ciência!” (o “porra!” pode ser posto na conta de um subtil efeito estilístico, preferível ao mais ameaçador “senão…”) ilustra algo próximo daquilo que os filósofos chamam uma auto-contradição performativa: só é possível ser proferida a partir de um ponto de vista que em si desmente aquilo que se propõe defender. A ciência não é matéria de obrigações impostas.

A verdade é que esta atitude anda muito próxima da da nossa querida Greta Thunberg (por onde anda ela?) e dos muitos milhões que, inspirados pelo seu exemplo, por esse mundo fora desfilavam aos gritos de “Estamos do lado da ciência” contra o “aquecimento global”. Não pretendo de modo algum que não haja indícios probatórios a favor de causas antropogénicas do “aquecimento global”. O que quero dizer é que, como é frequente nas controvérsias científicas mais impuras (a “impureza” é sempre uma questão de grau), a presença de elementos políticos e ideológicos na controvérsia tende a inflectir esta na direcção de uma postura agonística em que as partes deixam de se ouvir uma à outra. Tecnicamente, passa-se da controvérsia ao diferendo, tal como Jean-François Lyotard o concebia. Não é um desenvolvimento natural nas controvérsias da ciência, que tendem a terminar com um acordo (que não se reduz a um mero “consenso científico”, ao contrário do que a moda presente interesseiramente nos quer fazer crer), embora em política ocorra com mais frequência. E, voltamos aqui ao princípio, os indícios probatórios, em virtude da passionalidade do conflito, aparecem magicamente transformados em evidências, no sentido português da palavra. Quer dizer: algo que salta aos olhos – que fura os olhos, como dizem os franceses – e que só um cego não vê. Neste sentido, derivado e corrompido, há, de facto, “evidências científicas”: falsas evidências falsamente científicas.

Somando tudo, talvez esta pandemia pudesse, se as pessoas ao menos parassem para pensar, trazer-nos alguns ensinamentos. Sobre, por um lado, a eficácia da ciência, que, através do trabalho desenvolvido nas farmacêuticas, descobriu, num tempo verdadeiramente muito curto, vacinas contra o vírus. E sobre, por outro lado, os seus limites, patentes nos problemas com os modelos matemáticos usados nas estratégias de combate à pandemia. Se se parasse para pensar, talvez a confiança (como coisa distinta da crença) na ciência se desenvolvesse, e talvez também a sanguínea certeza na fiabilidade dos modelos matemáticos que sustentam as previsões do “aquecimento global” (muito mais problemáticos do que os outros) se atenuasse um pouco, dando lugar a uma conversa mais racional. Mas é sem dúvida esperar demais. Como é que meio mundo conseguiria viver sem o prazer sublime de se dirigir aos restantes três quartos com uma frase que invariavelmente começa com: “A ciência diz…”?



Covid, Ciência e Charlatanisse

Quando lerem, ou ouvirem, alguém falar em 

  • Evidência científica,
  • Prova científica,
  • Verdade científica,

desconsiderem de imediato, não é Ciência, é Pseudo-Ciência, Charlatanice.



A Ciência e o Método científico na Wikipédia.







Etiqueta principal: Pseudo-Ciência.

17 de junho de 2020

No tempo em que os medicamentos falavam

hidroxicloroquina
dexametasona



Hidroxicloroquina
Olá a todos! Sejam bem-vindos a mais um encontro de “Medicamentos que supostamente curam a COVID-19 mas afinal não”. Espero que estejam todos bem desde a semana passada. Vejo que temos aqui uma cara nova. Como te chamas?

Dexametasona
Chamo-me Dexametasona. Mas podem chamar-me Dexa.

Hidroxicloroquina
Olá, Dexa. O meu nome é Hidroxicloroquina. Sou a responsável deste grupo de fármacos. Nós aqui somos uma democracia e eu apenas sirvo de moderadora. Portanto, podes dizer tudo aquilo que quiseres, ok?

Dexametasona
OK.

Hidroxicloroquina
Muito bem. Queres-nos falar um pouco mais sobre ti?

Dexametasona
Eu… Eu sou um corticóide. Sirvo para muita coisa, nomeadamente para ser administrada nos doentes com lesões medulares ou tumores intracranianos. E, pelos vistos, também sirvo para curar a COVID-19. 

Ibuprofeno
Coitada, esta ainda está em negação. 

Hidroxicloroquina
Ibuprofeno, não sejas assim para a Dexa. Lembras-te quando cá chegaste? Numa semana tratavas a COVID-19, na semana a seguir já te associavas à maior taxa de mortalidade… Lembras-te de como isso te mexeu com a cabeça? Tem um bocadinho de respeito, por favor. Dexa, podes continuar, por favor.

Dexametasona
Aparentemente, um estudo de Oxford disse que eu tenho capacidade para melhorar a taxa de mortalidade dos doentes com COVID-19. Logicamente, toda a gente correu para a farmácia para me comprar, esgotaram o meu stock e faltei aos doentes que realmente precisavam de mim. Sinto-me muito culpada. 

Perindopril
· Colocando o braço à volta da Dexametasona.
Ó minha querida, não penses mais nisso. Também andaram a dizer que eu, os meus irmãos e os meus primos curávamos a doença, porque inibíamos o receptor pelo qual o vírus entra no pneumócito. Até se deram ao trabalho de aerossolizar uns infelizes de uns primos meus. No fim, não deu em nada.

Valsartan
· A cochichar com o Irbesartan.
Olha, o Perindopril já lhe está a arrastar a asa…

Perindopril
Já te disseram que tens um terminal OH lindo?

Hidroxicloroquina
Perindopril, já chega! Larga a miúda. Não vês que ela acabou de chegar aqui? Não vês que está confusa? Deixa-a respirar, se faz favor.

Perindopril
· A afastar-se enquanto pisca o olho à Dexametasona.
Se algum dia precisares que baixe a sistólica de algum dos teus doentes, dá-me um toque…

Hidroxicloroquina
Tens de desculpar aqui o pinga-amor do Perindopril. Nunca mais foi o mesmo desde que a Remdesivir saiu do grupo, depois daquele estudo da NEJM que mostrou que afinal reduzia mesmo a duração da doença…

Dexametasona
Não há problema. Eu agora só queria saber o que vai ser de mim.

Hidroxicloroquina
Olha, querida, eu vou-te explicar o que se vai passar de seguida. Vais estar nas bocas do mundo, vais aparecer nos telejornais, em artigos nas redes sociais… Vais ter meio mundo a falar de ti e o outro meio mundo louco à porta das farmácias para te comprar. Vais ser uma espécie de Beatle da Farmacologia. Toda a gente vai depositar a esperança em ti. Vais-te sentir muito especial…

Dexametasona
Mas… Mas isso é bom, certo?

Hidroxicloroquina
Lembra-te, fofinha, quanto mais alta é a subida, mais brusca é a queda. Com o tempo, vão sair estudos que demonstram que afinal não és assim tão boa. Alguns até vão dizer que aumentas a mortalidade. E, de repente, todas as pessoas que te idolatravam vão-se esquecer de ti. Vais voltar a tratar edemas cerebrais num ápice. Mas não te preocupes. Eu, o Ibuprofeno, o Perindopril e os restantes medicamentos vamos estar aqui para te apoiar.

Os medicamentos aproximaram-se todos da Dexametasona e abraçaram-na, fazendo-a sentir um bocadinho mais segura. 
Lá fora, a cebola, o alho, a sálvia e uma série de produtos homeopáticos batiam à porta e gritavam “Deixem-nos entrar!”. Coisa que nunca aconteceu porque, como não são medicamentos, o lugar deles é na rua, à chuva.




Fontes
  1. Imagems: Internet.
  2.   Texto: Old Boys Network.







Etiqueta principal: Covid-19.
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7 de junho de 2020

As Máscara Sociais não fazem bem… e FAZEM MAL !!!

“Only a few know about the Side Effects”
“Só uns poucos conhecem os efeitos colaterais”



Bases científicas 
sobre o uso de máscaras 
para proteção individual e social

As máscaras são para ser usadas por pessoas doentes em contacto com pessoas saudáveis, pelos cuidadores de pessoas doentes e por quem desinfeta zonas hospitalares referenciadas, por mais ninguém.

Por Gabriel Branco
Diretor do Servico de Neurorradiologia do Hospital Egas Moniz, 
no Observador a 06 de Junho de 2020, às 00:06. • Tem comentários.

A população em geral tem sido aconselhada ou obrigada por Lei a usar máscaras que cobrem a boca e nariz, sem que as autoridades responsáveis por essas sugestões ou ordens tenham fundamentado de forma clara as provas da eficácia dessa prática, no que se refere à prevenção de doença respiratória viral.

Parece ser útil no interesse da saúde pública conhecer os dados científicos disponíveis sobre a eficácia dos diversos de tipo de máscaras na proteção contra estes agentes.

Existem basicamente 3 tipos de máscaras:

1. Máscara têxtil reutilizável após lavagem;

2. Máscara de tipo cirúrgico, de elásticos ou atilhos;

3. Máscara filtro respiratório, designadas P1 a P3;

As máscaras cirúrgicas foram concebidas para proteger o campo operatório, filtrando 95% das bactérias expiradas, por reterem partículas a partir de 1000 nm. Não foram concebidas como filtros respiratórios de proteção individual.

A letra P é uma abreviatura de FFP (Filtering Face Piece); estas são as únicas máscaras que podem ser consideradas como filtros respiratórios. A maior parte das máscaras FFP contêm um filtro plástico central, mas muitas máscaras correntemente em uso em Portugal, com código KN300, não têm esse componente, embora possam ser classificadas como P1 ou P2.

Nos EUA a sigla N95 é equivalente a P2 ou P3 na Europa. Os números 95 e 300 significam que há uma capacidade de filtrar 95% ou mais de partículas de dimensão igual ou superior a 300 nm.

Revendo a literatura científica, devemos considerar a superioridade dos RCT sobre os artigos gerais. RCT são Estudos Randomizados Controlados e representam o grau de prova máxima que é possível obter em ciências médicas e biologia.

Especificamente sobre a proteção de máscaras contra os vírus da gripe, destaca-se um grande artigo de revisão crítica sobre a eficácia das máscaras, cuja conclusão passo a citar: “Nenhum dos estudos estabeleceu uma relação conclusiva entre o uso de máscara/respirador e a proteção contra a infeção por gripe (influenza): Influenza Journal (DOI:10.1111/j1750-2659.2011.00307.x)

A eficácia da máscara cirúrgica é definitivamente colocada em causa num RCT de boa qualidade, que compara a eficácia da máscara cirúrgica com os filtros respiratórios: A cluster randomized clinical trial comparing fit-tested and non fit-tested N95 respirators to medical masks to prevent respiratory virus infection in health care workers. Influenza and Other Respiratory Viruses (DOI:10.1111/j.1750-2659.2010.00198.x)

De facto, olhando para as especificações técnicas dos fabricantes de máscaras não é surpreendente a falta de provas científicas sobre a eficácia das máscaras das doenças tipo gripal. O Ortomixovirus, que é o agente da gripe A (influenza nos EUA) tem dimensão de 180 nm, portanto abaixo da capacidade filtrante das máscaras. O diâmetro do Coronavirus é de apenas 80 a 120 nm, o que o torna ainda mais difícil de filtrar que o Ortomixovirus.

Para além disso o Ortomixovirus tem tendência para formar aglomerados filamentosos, o que motiva a formação de partículas maiores, enquanto esse fenómeno não se verifica tanto nos Coronavirus.

Quanto às máscaras têxteis, o seu uso não só não protege como agrava o risco de infeção viral: A cluster randomized trial of cloth masks compared with medical masks in healthcare workers. (BJM Open 2015;5:e006577.doi:10.1136/bmjopen-2014006577).

Ou seja, a utilização de máscaras têxteis no âmbito da prevenção de doença respiratória viral é prejudicial, pelo que a sua circulação deveria ser proibida.

Assim, a Organização Mundial da Saude (OMS) publicou em 6 de Abril de 2020 uma reavaliação sobre o uso das máscaras de proteção individual, sobre o assunto específico do Coronavirus. E concluiu: “as máscaras continuam a estar recomendadas apenas para certos grupos específicos – doentes infetados com o SARS-Cov-2, pessoas com sintomas, cuidadores ou profissionais de saúde em contacto com doentes infetados ou suspeitos.”

Nos estudos científicos as máscaras cirúrgicas são utilizadas por um máximo de 4h. O uso continuado de máscaras, sobretudo em exercício, reduz a oxigenação e aumenta a taxa de CO2. A acumulação de humidade e a concentração de partículas captadas do ar disponibiliza na máscara um maior número de agentes nocivos ao utilizador, portanto confere um risco maior de infeção do que o da respiração livre.

Não é assim compreensível a posição da DGS e do Governo português, que emitem ordens sobre o uso de máscaras contra os dados científicos, mas também contra as próprias diretrizes da OMS, o que constitui um atentado contra a saúde pública.

As máscaras são para ser usadas por pessoas doentes em contacto com pessoas saudáveis, pelos cuidadores de pessoas doentes e por quem desinfeta zonas hospitalares referenciadas, por mais ninguém.

Não há qualquer indicação para o uso generalizado de máscaras em pessoas saudáveis na comunidade, podendo mesmo ser afirmado com propriedade, que o seu uso acarreta riscos tangíveis.



The solution !!!
A solução !!!




Fontes
  1. "“Only a few know about the Side Effects”". Dr. Rashid Buttar. "Be Inspired"'s YouTube Channel. Published on May 28, 2020. Retrieved on June 07, 2020. 
  2. "Bases científicas sobre o uso de máscaras para proteção individual e social". Gabriel Branco. Observador. Publicado a 06 de Junho de 2020, às 00:06. Recuperado a 07 de Junho de 2020, às 14:50. 
  3. The solution!”. Vishnupada Das. Old Boys Network. Received on June 07, 2020 at 15:55. 






Etiqueta principal: Fascismo Pós-Moderno
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23 de maio de 2020

O Covid-19, a DGS e o Leviatã

Frontispício da edição original do Leviatã (1651)



Para quem ainda não tenha percebido, a Direcção Geral de Saúde (DGS, não confundir, não obstante as parecenças, com a DGS que sucedeu à Pide) é, de momento, o mais intrusivo e potencialmente totalitário instrumento de poder do Estado português. 



A procissão da Senhora dos Passos da Graça

A DGS chegou ao cúmulo de determinar, com aquela autoridade divina que recebeu do alto, os seis novos mandamentos da comunhão higiénica.

Por P. Gonçalo Portocarrero de Almada no Observador às 00:06 de 23 de Maio de 2020.

Em boa hora, a Direcção-Geral da Saúde, editou umas normas sanitárias a que muito sugestivamente apelidou Passos necessários para comungar. Este título parece inspirado na multisecular e veneranda procissão do Senhor dos Passos da Graça, que agora passa a ter, nos ditos Passos, uma versão feminina: a procissão da Senhora dos Passos da (Drª) Graça (Freitas).

Para quem ainda não tenha percebido, a Direcção Geral de Saúde (DGS, não confundir, não obstante as parecenças, com a DGS que sucedeu à Pide) é, de momento, o mais intrusivo e potencialmente totalitário instrumento de poder do Estado português. A DGS, não só impôs 78 regras a observar pelos banhistas nas praias, como diariamente faz um comunicado sobre o estado da nação, em que opina sobre todo o tipo de matérias, até sanitárias, de que aliás pouco sabe, como ficou provado quando, por ocasião das primeiras notícias sobre a actual pandemia, disse que o vírus não era transmissível entre seres humanos, nem provavelmente chegaria a Portugal … Infelizmente, a DGS, usurpando competências que são próprias e exclusivas da Santa Sé, da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e, mais propriamente, de cada bispo na sua diocese, decidiu resolver, por sua conta e risco, algumas questões de natureza litúrgica.

Com efeito, a DGS divulgou recentemente um conjunto de orientações para o culto católico. Algumas de estas regras receberam a denominação Oração Segura, ao estilo das operações da GNR, geralmente apelidadas com designações análogas, tipo Natal em segurançaPáscoa tranquilaFim-de-ano feliz, etc. Oração Segura não é, contudo, um nome apropriado, não só porque a oração é sempre segura – insegura é, pelo contrário, a falta de oração – mas também porque a oração, quando é individual, não implica qualquer risco de contágio.

A questão sanitária só se põe em relação ao culto público, sobretudo a Missa, que é, decerto, a acção litúrgica mais frequente e que mais pessoas reúne, todas as semanas, no nosso país. É óbvio que o risco de contágio existe e que, portanto, deve-se ser prudente na forma como se realizam essas liturgias, como já devidamente acautelou a CEP, sem necessidade de que a DGS viesse agora, com os Passos necessários para comungar, ensinar o Pai-nosso ao vigário, ou seja, aos senhores bispos e padres.

Por este andar, qualquer dia a DGS, tão zelosa no que respeita à saúde espiritual dos portugueses, edita normas sobre a Confissão inócua, para evitar que, com a absolvição dos pecados, se transmita o novo coronavírus. Com Solução final poderia estabelecer regras para a Unção dos doentes, quando administrada a pessoas em situação terminal. Casamento à linha permitiria os noivos católicos, colocados à distância sanitariamente prescrita, trocar as alianças através de uma cana de pesca de dois metros. Para o Baptismo fixe, a DGS poderia prescrever o uso de uma mangueira, que permitisse ao celebrante lançar, a dois metros de distância, um esguicho de água sobre o neófito, utilizando seus pais e padrinhos, por precaução, escafandro, ou a toilette de surf

Em relação à Eucaristia, que outra coisa não é do que o Corpo, Sangue, Alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, real, verdadeira e substancialmente presente, a DGS chegou ao cúmulo de decretar – como Deus, no monte Sinai, deu a Moisés os dez preceitos da Lei de Deus – os seis novos mandamentos da comunhão higiénica.

Estes Passos necessários para comungar são: “1. Manter dois metros de distância na fila; 2. Baixar a máscara duas pessoas antes da sua vez de comungar; 3. Higienizar as mãos com uma solução à base de álcool; 4. Receber a hóstia e levar de imediato à boca; 5. Voltar a colocar a máscara; 6. Higienizar as mãos com uma solução à base de álcool.

Para o cumprimento da primeira regra, que exige os dois metros de distância na fila da comunhão, a DGS poderia obrigar o uso de uma vara com esse cumprimento, pois nem sempre será fácil determinar, a olho nu, se a distância é de 1,99 ou 2,01 metros. Fiéis mais sofisticados poderiam até utilizar um mecanismo análogo ao das viaturas que, quando detectam a proximidade de um obstáculo, apitam.

A indicação para “baixar a máscara duas pessoas antes da sua vez de comungar” é confusa porque, desde que se forma a fila, quem estiver duas posições à frente, estará sempre “duas pessoas antes da sua vez de comungar”, como é óbvio, a não ser que alguma de essas duas pessoas entretanto desista, ou uma terceira se intrometa, dando o golpe. Mais do que “baixar a máscara”, teria sido mais correcto dizer que a mesma deve ser removida, total ou parcialmente, quando estiver a comungar a antepenúltima pessoa à sua frente na fila da comunhão, como se diria em português escorreito, em vez do que se escreveu na novilíngua sanitária, o DGSês.

A regra que obriga a “higienizar as mãos com uma solução à base de álcool” implica necessariamente que, antes da Comunhão, se proceda à lavagem das mãos, como fez Pôncio Pilatos. É muito salutar que só se comungue com as mãos limpas, mas não parece adequado que essa operação tenha lugar imediatamente antes de se receber a Sagrada Eucaristia. Se os fiéis já o tiverem feito no início da celebração, não necessitariam de o fazer neste momento, quando toda a sua atenção deve estar centrada na recepção iminente do próprio Jesus de Nazaré.

É de uma incrível ligeireza a forma como estes Passos necessários para comungar se referem à Sagrada Comunhão, que é o acto mais excelso que é dado a alguma criatura realizar. Comungar não é, como nestas instruções se diz, “receber a hóstia e levar de imediato à boca”, como quem consome um alimento qualquer, mas receber o próprio Deus, ainda que oculto sob a espécie do pão consagrado.

Quero crer que a DGS, com esta linguagem, que mais do que infeliz é indelicada, não teve o intuito de injuriar a fé eucarística dos católicos, mas a verdade é que utiliza termos que não são aceitáveis, porque ofendem a sensibilidade dos cristãos. Não se pede à DGS que faça um acto de fé na presença real de Jesus Cristo na Eucaristia, mas que respeite os milhões de católicos que nela crêem e se abstenha de dar palpites sobre o que manifestamente não sabe. O que tão desajeitadamente recomendou, podia e devia ter sido dito de forma muito mais simples e respeitosa: comungue imediatamente, sem mais.

Depois, a DGS manda “voltar a colocar a máscara”. Esta disparatada recomendação recorda uma orientação que era dada nos aviões da TAP. Ao dizer-se que, em caso de despressurização da cabine, as máscaras de oxigénio cairiam automaticamente à frente de cada passageiro, acrescentava-se depois, com um sorriso forçado, que cada um deveria ajustar a sua própria máscara e respirar “normalmente”. É fácil de imaginar a normalidade de uma tal situação, se calhar com o avião a cair em poços de ar, ou a pique … O mesmo se diga, mutatis mutandis, de repor a máscara depois de comungar: com certeza que qualquer fiel, com um mínimo de devoção, terá, nesse momento, coisas muito mais importantes em que pensar, do que na máscara…

A última regra é também, desgraçadamente, insultuosa para os fiéis: “higienizar as mãos com uma solução à base de álcool”. Com efeito, ao recomendar um segundo momento PP (Pôncio Pilatos), sugere-se que a Santíssima Eucaristia possa ser ocasião de contágio, pois imediatamente antes de a receber, os fiéis já tinham lavado as mãos.

Felizmente, como o povo é estúpido e os católicos ainda o são mais, cada um destes Passos da procissão da Senhora Graça é ilustrado com um pedagógico desenho, tal qual as instruções de segurança das companhias aéreas. Infelizmente, não dá para pintar, porque já estão coloridos. Não teria sido má ideia que os contornos das figuras aparecessem a tracejado e sem côr, para os coitadinhos dos católicos se entreterem a unir os traços e pintar. Fica a sugestão.

DGS_PassosComungar-724x1024

O Papa Francisco e a CEP têm pedido aos padres e leigos que acatem as normas sanitárias em vigor e assim têm feito, de forma aliás exemplar, não obstante a compreensível contrariedade dos que, por terem uma fé mais esclarecida e uma maior devoção, mais sofrem com esta penosa situação. Pede-se à DGS, e demais instituições do Estado, que respeitem também a Igreja católica, nomeadamente reconhecendo a sua justa autonomia em matéria litúrgica, e que se abstenham de publicar orientações que, obviamente, ofendem a liberdade da Igreja, bem como a fé, a inteligência e a sensibilidade dos fiéis.

Bob cartoon, May 23
Telegraph Cartoons – May 2020
May 22 2020






Etiqueta principal: Fascismo Pós-Moderno.
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10 de maio de 2020

¿De qué color es esta carpeta?




Um pequeno vídeo que ilustra, e explica, o que estamos vivendo com o Covid-19.

As Autoridades, os Científicos, os Jornais, as Rádios, as Televisões, repetem incessantemente que “morreram dez”, “morreram cem”, “morreram mil”, “morreram milhões”, e as pessoas acabam por aceitar, e repetir, essa “verdade”.

Em Portugal, e até à data, foram imputados ao Covid-19 cerca de cem óbitos por milhão de habitantes – imputados ao Covid-19, note-se –, o que significa que, imputados ao Covid-19, terão ocorrido cerca de mil óbitos.

É uma pandemia?

NÃO❗️

Se o fosse as notícias necrológicas seriam imensas.

Se o fosse todos teríamos um familiar, um amigo, um vizinho, que teria falecido com o Covid-19.

É isso que está a acontecer?

NÃO❗️

O COVID-19 É UM EMBUSTE ‼️


From Old Boys Network 




Coimbra, 08 de Maio de 2020, às 16:50 UTC.


— fim —





Fontes
  1. Texto e Vídeo: Old Boys Network.
  2. Vídeo: “De que color es esta carpeta”. Esteban Arredondo Youtube Channel. Publicado a 23 de Abril de 2020. Recuperado a 10 de Maio de 2020. 
  3. O vídeo foi extraido da série da televisão espanhola “Merlí: Sapere aude”.




Etiqueta principal: Fascismo Pós-Moderno.
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12 de abril de 2020

A Boa Nova é «Ressuscitou!»

Febo e Vénus
Apolo e Afrodite
Sol e Amor



Passado o sábado, Maria de Magdala, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram perfumes para ir embalsamá-lo. De manhã, ao nascer do sol, muito cedo, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro.

Diziam entre si: «Quem nos irá tirar a pedra da entrada do sepulcro?» Mas olharam e viram que a pedra tinha sido rolada para o lado; e era muito grande. Entrando no sepulcro, viram um jovem sentado à direita, vestido com uma túnica branca, e ficaram assustadas. 

Ele disse-lhes: «Não vos assusteis! Buscais a Jesus de Nazaré, o crucificado? Ressuscitou; não está aqui. Vede o lugar onde o tinham depositado. Ide, pois, e dizei aos seus discípulos e a Pedro: ‘Ele precede-vos a caminho da Galileia; lá o vereis, como vos tinha dito'.» Saíram, fugindo do sepulcro, pois estavam a tremer e fora de si. E não disseram nada a ninguém, porque tinham medo.

Tendo ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana, Jesus apareceu primeiramente a Maria de Magdala, da qual expulsara sete demónios. Ela foi anunciá-lo aos que tinham sido seus companheiros, que viviam em luto e em pranto. Mas eles, ouvindo dizer que Jesus estava vivo e fora visto por ela, não acreditaram.

Depois disto, Jesus apareceu com um aspecto diferente a dois deles que iam a caminho do campo. Eles voltaram para trás a fim de o anunciar aos restantes. E também não acreditaram neles. 

Apareceu, finalmente, aos próprios Onze quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração em não acreditarem naqueles que o tinham visto ressuscitado.






Fontes





Etiqueta principal: Páscoa da Ressurreição.
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5 de abril de 2020

O Covid-19, a Morte, a Mentira e a Verdade

Vérité sortant du puits
A Verdade saindo do poço
Jean-Léon Gérôme /
Óleo sobre tela
1896



¿ PORQUÊ ?

¿ Porquê o CoronaPânico ?



Em minha opinião porque a Morte foi enfiada no Armário.


Aliás não só a Morte, a Doença, a Pobreza, a Velhice, também.

A Pobreza, a Doença, Velhice, a Morte, foram postas no Armário.

E, como estavam no Armário ninguém as via, ninguém pensava nelas.


A Pobreza, a Doença, a Velhice, a Morte

¡ não existiam !





Aí chega o Coronavírus

… e a Morte sai do Armário aos gritos!



¡¡¡ PÂNICO GERAL !!!









Etiqueta principal: Fascismo Pós-Moderno.
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2 de abril de 2020

Tudo Muda · Todo Cambia

A Europa e o Magrebe no ano 450 da Era Comum.
Nesse ano, há 1570 anos na Península Ibérica existiam:
no oeste, o Reino Suevo,
no nordeste, o Reino Visigótico,
em toda a restante península, o Império Romano do Ocidente.
Rómulo Augusto, o último Imperador Romano do Ocidente, foi deposto em 476.






RECUANDO NO TEMPO
Esta animação mostra a evolução tectónica e paleogeográfica da Terra até há 540 milhões de anos. 
E também mostra as principais eras glaciares: há 20 mil, 300 milhões e 445 milhões de anos.



REGRESSANDO AO PRESENTE
Esta animação mostra a evolução tectónica e paleogeográfica da Terra desde há 540 milhões de anos.
E também mostra as principais eras glaciares há: 20 mil anos, 300 e 445 milhões de anos.



REGRESSANDO AO PRESENTE
MAS COM OS HEMISFÉRIOS SEPARADOS
Esta animação mostra a evolução tectónica e paleogeográfica da Terra desde há 540 milhões de anos.
E também mostra as principais eras glaciares há: 20 mil anos, 300 e 445 milhões de anos.



HISTÓRIA DA EUROPA
2500 ANOS EM 10 MINUTOS
A Europa é um continente situado no hemisfério norte do globo terrestre.
Ao norte do continente europeu situa-se o Oceano Glacial Ártico; ao sul os Mares Mediterrâneo, Negro e Cáspio, a leste os Montes Urais e a oeste o Oceano Atlântico. Este vídeo mostra as fronteiras e populações de cada país na Europa, para todos os anos desde 400 aC. Estados vassalos e colónias não são incluídos na contagem da população de um país.






tudo muda mas alguns querem que nada mude
querem que nada mude para não perderem o poder

e

estão na disposição de matar imensa gente
para se manterem no poder mais algum tempo

pois

são os eleitos
são os excepcionais
adonai deu-lhes o mundo






Todo Cambia
Julio Numhauser
Nueva versión con Julio y su hijo Maciel, en familia.



Todo Cambia
Julio Numhauser

Cambia lo superficial
Cambia también lo profundo
Cambia el modo de pensar
Cambia todo en este mundo
Cambia el clima con los años
Cambia el pastor su rebaño
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Cambia el mas fino brillante
De mano en mano su brillo
Cambia el nido el pajarillo
Cambia el sentir un amante
Cambia el rumbo el caminante
Aunque esto le cause daño
Y asi como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Cambia todo cambia
Cambia todo cambia

Cambia el sol en su carrera
Cuando la noche subsiste
Cambia la planta y se viste
De verde en la primavera
Cambia el pelaje la fiera
Cambia el cabello el anciano
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Pero no cambia mi amor
Por mas lejos que me encuentre
Ni el recuerdo ni el dolor
De mi pueblo y de mi gente
Y lo que cambió ayer
Tendrá que cambiar mañana
Así como cambio yo
En esta tierra lejana

Cambia todo cambia
Cambia todo cambia






Referência





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