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29 de outubro de 2018

Brasil – Presidenciais 2018


Estados  &  Regiões
Mapa político-administrativo do Brasil – Wikipédia.

PSL = Bolsonaro  &  PT = Haddad
Presidenciais de 2018 no Brasil: Quem ganhou em cada estado – Gazeta do Povo.

Verde = Bolsonaro  &  Vermelho = Haddad
Presidenciais de 2018 no Brasil: Votação presidencial nos municípios – Valor Económico.

Roxo = Bolsonaro  &  Vermelho = Haddad

Presidenciais de 2018 no Brasil: Como o Brasil votou no segundo turno – Nexo Jornal.

Regiões  versus  Votações

Estados e Regiões (Wikipédia) versus Como o Brasil Votou (Nexo Jornal).

Observando os mapas é por demais evidente que: 
  • Votaram maioritariamente Haddad as Regiões Norte (≈18 Mhab) e Nordeste (≈57 Mhab).
  • Votaram maioritariamente Bolsonoro as Regiões Centro-Oeste (≈16 Mhab), Sudeste (≈85 Mhab) – com excepção do Estado de Minas Gerais (≈29 Mhab) que está partido ao meio – e Sul (≈29 Mhab).
Ora, e curiosamente, a população das regiões que votaram Haddad e Bolsonaro têm ascendências distintas, de épocas distintas: 
  • O Brasil que votou Haddad é, por assim dizer, o Brasil Tradicional, o Brasil do Estado (1549 – 1815), do Reino (1815 – 1822/1825) e do Império (1822/1825 – 1889) e a sua população é, maioritariamente, de ascendência Ameríndia, Portuguesa, Sefardim e Africana (de Línguas Nigero-Congolesas, principalmente de Línguas Bantas).
  • O Brasil que votou Bolsonaro é, por assim dizer, o Brasil Industrial, o Brasil da República Velha (1889 – 1930), da Era Vargas (1930 – 1946), da República Populista (1946 – 1964), da Ditadura Militar (1964 – 1985) e da actual Nova República (1985) e a sua população é, maioritariamente, de ascendência Portuguesa, Castelhana, Italiana, Alemã e Asquenazim.
Parece-me pois que a fractura Bolsonaro-Haddad é muito mais uma Fractura Cultural (descendente de meridionais versus descendentes de setentrionais) do que uma Fractura Económica (possidentes versus não-possidentes) ou uma Fractura Política (autoritários versus libertários ou inigualitários versus igualitários).

28 de outubro de 2018

A “esquerda” reaccionária


Arnaldo Matos arrasa o Bloco de Esquerda – Portugal Glorioso.



João Miguel Tavares afirma "a esquerda tornou-se profundamente conservadora" e eu discordo!

A “esquerda” é, e sempre foi, profundamente reaccionária.

A “esquerda” quer, e sempre quis, regressar a um tempo que, nunca tendo existido, a “esquerda” imagina que existiu.

Mas primeiro o artigo, depois o comentário.


O ARTIGO

A esquerda chamou os fascistas; os fascistas vieram


O tema da “culpa da esquerda” é absolutamente essencial para explicar a ascensão de figuras como Jair Bolsonaro.

Por João Miguel Tavares no Público a 25 de Outubro de 2018 às 6:28


Durante vários anos, eu fui fascista. De vez em quando ainda sou. Aliás, ali entre 2011 e 2015, tive imensa companhia. Foi o tempo em que Passos Coelho era fascista. Angela Merkel era fascista. Rui Ramos era fascista. José Manuel Fernandes era fascista. Helena Matos era fascista. Henrique Raposo era fascista. Éramos todos fascistas e, a bem dizer, consoante os dias, e os assuntos em discussão, continuamos a sê-lo. Ser fascista é a profissão de acesso mais fácil em Portugal – basta defender com algum fervor posições que a esquerda não gosta. Menos Estado? Fascista. Crítica aos delírios verbais das políticas de identidade? Fascista. Delação premiada para combater a corrupção? Fascista.

Tal como na fábula do pastor e do lobo, tantas vezes a esquerda gritou pelo fascismo, que o fascismo finalmente apareceu. Não é o fascismo dos anos 30, com certeza, mas muitas das suas características estão lá – o mesmo amor pela autoridade, o mesmo ódio ao outro, o mesmo culto da violência, o mesmo desprezo pelas minorias, o mesmo desrespeito pelos contrapesos democráticos, a mesma devoção às personalidades messiânicas. É aquilo a que a língua inglesa chama “self-fulfilling prophecy”, uma profecia que acaba por se cumprir porque o seu obsessivo anúncio ajudou, e muito, a que ela viesse a concretizar-se. E é nesse sentido que o tema da “culpa da esquerda” é absolutamente essencial para explicar a ascensão de figuras como Jair Bolsonaro, pois ele é o produto desta nova configuração do mundo: a esquerda tornou-se profundamente conservadora, recusando qualquer mudança no statu quo; e esta nova direita, de Trump, Bolsonaro ou Duterte, ocupou o espaço revolucionário, anunciando mudanças radicais e o combate aos interesses instalados.

Não ver isto, ou não admitir isto, é circular pelo espaço público com duas palas nos olhos, actividade a que vejo demasiada gente dedicada. Leio articulistas portugueses comovidos sobre a importância de manter o Brasil democrático ao mesmo tempo que nos seus textos continuam a classificar Lula da Silva como um preso político e a destituição de Dilma como um golpe de Estado. Vejo gente convencida de que o Brasil só caiu nas mãos de Bolsonaro por causa das fake news, como se mais de 50 milhões de brasileiros estivessem hipnotizados pelo WhatsApp, quando os únicos grupos que apoiam maioritariamente o PT são os mais pobres e os menos instruídos. Assisto aos clamores para que Fernando Henrique Cardoso tome uma posição pró-Haddad, como se algum brasileiro, nesta altura do campeonato, fosse alterar o seu sentido de voto por causa dos conselhos de um membro da sua elite política.


O COMENTÁRIO

A “esquerda” reaccionária


A “esquerda” é, e sempre foi, profundamente reaccionária.

Por Álvaro Aragão Athayde em coisas & loisas a 28 de Outubro de 2018 às 1:55


João Miguel Tavares afirma "a esquerda tornou-se profundamente conservadora" e eu discordo!

A “esquerda” é, e sempre foi, profundamente reaccionária.

A “esquerda” quer, e sempre quis, regressar a um tempo que, nunca tendo existido, a “esquerda” imagina que existiu.

A “esquerda” quer A REVOLUÇÃO que a “esquerda” acha que Francisco da Costa Gomes, o Chico Rolha, e Álvaro Barreirinhas Cunhal, o Cavalo Branco, trariam em 1975, no 25 de Novembro.

Trairam A REVOLUÇÃO em 1975, no 25 de Novembro, o primeiro, o Chico Rolha, quando disse ao segundo para mandar recolher a betoneiras do Jota Pimenta, e o segundo, o Cavalo Branco, quando as mandou recolher.

A “esquerda” imagina que vai conseguir realizar hoje, no tempo da decepcion e das fakes news dos Neocons, Neolibs, Liberal Internationalists, Liberal Hawks, Pro-War Leftists, Anti-Germans, etc., A REVOLUÇÃO que em 1975 Costa Gomes, Cunhal e Suslov falharam em 1975.

Entretanto, e como sempre tem acontecido, enquanto a profetizada Sociedade Sem Classes não chega a “esquerda” defende as Conquistas De Abril e aproveita-se das Contradições do Capitalismo .



Referências
  1. A esquerda chamou os fascistas; os fascistas vieram – Público.
  2. Francisco da Costa Gomes | Wikipédia, a enciclopédia livre.
  3. Álvaro Cunhal | Wikipédia, a enciclopédia livre.
  4. Morreu o construtor do “Pois, pois Jota Pimenta” – Observador.
  5. neocon – Urban Dictionary.
  6. neolib – Urban Dictionary.
  7. Neoconservatism | Wikipedia, the free encyclopedia.
  8. Neoliberalism | Wikipedia, the free encyclopedia.
  9. Neoliberalism (international relations) | Wikipedia, the free encyclopedia.
  10. Liberal internationalism | Wikipedia, the free encyclopedia.
  11. Liberal hawk | Wikipedia, the free encyclopedia.
  12. Pro-war Left | Wikipedia, the free encyclopedia.
  13. Anti-Germans (political current) | Wikipedia, the free encyclopedia.
  14. Mikhail Suslov | Wikipedia, the free encyclopedia.
  15. Sociedade sem classes | Wikipédia, a enciclopédia livre.
  16. Trabalhadores. Conheça as conquistas de abril – Sol.
  17. Contradições do Capitalismo – Passei Direto.

Origem das imagens
  • Arnaldo Matos arrasa o Bloco de Esquerda – Portugal Glorioso.

Etiqueta principal: Portugal.
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