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31 de julho de 2021

A nossa idemocracia

Charge – Democracia


A Constituição da República Portuguesa de 1976 é uma constituição idemocrática, isto é, não democrática, porque, com excepção do Presidente da República, os eleitos não representam os cidadãos eleitores mas os dirigentes partidários.

E os dirigentes partidários representam, por sua vez, os interesses dos seus patrocinadores, patrocinadores que podem ser, e são, organizações económicas, financeiras, ideológicas, políticas, religiosas, quer nacionais e quer estrangeiras.


É mau?

É, e muito.


Pode ser corrigido?

Pode, e facilmente.


Basta que o país seja dividido em duzentos círculos uninominais, de cinquenta mil habitantes cada, e que qualquer cidadão eleitor se possa candidatar a representar os habitantes de um círculo desde que a sua declaração de candidatura seja subscrita por mil cidadãos eleitores residentes no círculo.


Este sistema acaba com os partidos?

Não.

Este sistema retira aos partidos o Monopólio da Representação Política que a Constituição da República Portuguesa de 1976 lhes ortougou.


Este sistema aproxima os eleitos dos eleitores e vice-versa?

Parece-me evidente que sim.


Este sistema torna a Constituição da República Portuguesa de 1976 mais democrática?

Parece-me evidente que sim.


Este sistema prejudica os dirigentes e quadros dos partidos políticos e quantos esperam a dar-se bem na vida por estarem nas boas graças dos ditos dirigentes e quadros dos partidos políticos?

Parece-me evidente que sim.


Isso é bom?

Parece-me evidente que sim.








Etiqueta principalIdemocracia.

19 de janeiro de 2020

Joacine Katar Moreira e o “LIVRE”

Joacine Katar defende-se do Próprio Partido Livre a querer remover do Parlamento.
Portugal Insólito @ YouTube
18-01-2020



Esta tragicomédia é importantíssima porque põe a nu a Natureza Oligárquica da III República Portuguesa.

A pergunta é:
A Eleita Joacine representa os Cidadãos que a elegeram ou representa a Oligarquia Partidária que a nomeou e, evidentemente, os Financiadores da dita Oligarquia Partidária?
Já tínhamos visto este filme duas vezes:
  • Quando António Costa ficou com o Grupo Parlamentar nomeado por António José Seguro.
  • Quando Rui Rio ficou com o Grupo Parlamentar nomeado por Pedro Passos Coelho.
Já tínhamos visto este filme duas vezes mas, como os Eleitos eram muitos… foi possível chutar a questão para fora de vista.

Mas como desta vez a Eleita é só uma, e como foi eleita porque era a Joacine, não porque era do Livre, …

… não dá para chutar a questão para fora de vista!

O erro de Rui Tavares, e de quem está por trás de Rui Tavares, foi o terem avaliado mal Joacine Elysees Katar Tavares Moreira.

Pensaram que a Joacine seria facilmente manipulável, que desempenharia o seu papel sem reflautir, que seria uma “boa menina”.

Enganaram-se.

E este erro na avaliação de Joacine deriva, em minha opinião, de algo que muitas vezes é designado por racismo que que não é racismo, é só incompreensão de uma diferença antropo-psico-sociológica:
Os cidadãos portugueses de origem continental, os metropolitanos, e os cidadãos portugueses de origem não-continental, os ultramarinos, vêm o mundo e a vida de formas diferentes e, por isso, têm, em circunstâncias iguais ou semelhantes, comportamentos diferentes.
Primeiro: mas não será mesmo racismo?

Em minha opinião os casos de Almada Negreiros, Fernando Pessoa e Natália Correia demonstram bem que não.

Quais são então as diferenças?

São várias, por exemplo: 
  • Os metropolitanos são mais reverentes e obrigados, os ultramarinos mais irreverentes e desobrigados.
  • Os metropolitanos são mais dos punhos de renda, os ultramarinos mais das botas cardadas.
  • Os metropolitanos são mais do veneno, os ultramarinos mais da catana.
  • Os metropolitanos são mais salão, os ultramarinos mais do sertão.
Vê-se aliás bem no vídeo que Joacine, considerando-se injustiçada e desconsiderada, se ofendeu, se irritou… e partiu para o ataque.

Partiu para o ataque na hora, não foi para casa pensar se isso seria, ou não, conveniente.



Manifesto anti Dantas recitado por José de Almada Negreiros
Audio Braille @YouTube
07-04-2017



Referências
  1. Joacine Katar Moreira”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  2. LIVRE (partido político)”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  3. Tragicomédia”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  4. Oligarquia”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  5. Terceira República Portuguesa”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  6. António Costa”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  7. António José Seguro”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  8. Rui Rio”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  9. Pedro Passos Coelho”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  10. Rui Tavares”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  11. Áreas de estudo em antropologia”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  12. Almada Negreiros”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  13. Fernando Pessoa”. Wikipédia, a enciclopédia livre.
  14. Natália Correia”. Wikipédia, a enciclopédia livre.



Etiqueta principal: III República Portuguesa.
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28 de novembro de 2019

Chumbar ou não chumbar?

A propósito da actual polémica sobre a momentosa questão em epígrafe, Chumbar ou não chumbar?, lembrei-me de algo que a 3 de Abril de 2018 publiquei no meu descriado Facebook Profile "Álvaro Aragão Athayde".



Da Destruição do Sistema de Ensino Estatal

Nomenklatura, uma Classe de Funcionários Partidários Medíocres


O Sistema de Ensino Estatal tem vindo a ser destruído.

O Sistema de Ensino Estatal tem vindo a ser sistemática e propositadamente destruído.

O sistemática e propositadamente destruído pelos que afirmam ser De Esquerda, não pelos que afirmam ser De Direita.


Porquê???

A meu ver porque é a única forma de os Medíocres Filhos do 25 de Abril se perpetuarem no poder.

Se compararmos os próceres do 25 de Abril com os do 5 de OutubroMário Soares com Afonso Costa, Sá Carneiro com Brito Camacho, por exemplo – é mais que evidente que os segundos são muito melhores que os primeiros.

E se compararmos as primeiras, segundas e terceiras figuras da III e da I Repúblicas a diferença é, digamos assim, verdadeiramente assustadora.

O Pessoal Político da III República é, estatisticamente falando, medíocre ou mau, encontrando-se no entanto, como sempre acontece, alguns Diamantes no meio do Lixo.

Como pode então a Nomenklatura Abrilista, uma Classe de Funcionários Partidários Medíocres, perpetuar-se no poder e, o que é mais importante, transmitir esse poder aos seus descendentes?

Simples!

Destruindo o Sistema de Ensino Estatal e enviando os filhos para Escolas de Elite Não-Estatais – na sua maioria Católicas ou Estrangeiras –, escolas a que só tem acesso quem tem dinheiro e influência.

Um verdadeiro Ovo de Colombo!!!


Álvaro Athayde em Coimbra, a 3 de Abril de 2018.



Referências
  1. "Chumbar ou não chumbar?". Joana Mortágua. ionline. Publicado a 28 de Novembro de 2019. Recuperado a 28 de Novembro de 2019.
  2. "O Triunfo dos Porcos". Wikipédia, a enciclopédia livre. Esta página foi editada pela última vez às 20h48min de 24 de novembro de 2019. Recuperada às 14h25min de 28 de Novembro de 2019.
  3. O Triunfo dos PorcosGeorge Orwell. Publicações Europa-América, Lda.. Sem data de Publicação. Recuperado a 29 de Novembro de 2019. Nota: É um pdf do romance publicado por Mkmouse, uma revista mensal brasileira.
  4. "O triunfo dos porcos". Carlos Garcez Osório. Aventar. Publicado a 21 de Novembro de 2018. Recuperado a 29 de Novembro de 2019. Nota: Como esta publicação é posterior à minha não foi a esta que fui buscar a imagem, foi a outra, mas já me não lembro a qual.
  5. "Da Destruição do Sistema de Ensino Estatal". Álvaro Aragão Athayde. Álvaro Aragão Athayde's Dropbox. Carregado na Dropbox às 16h31min de 29 de Novembro de 2019.




Etiqueta principal: Nomenklatura.
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16 de maio de 2019

Descondecoração de Joe Berardo

“Eu, pessoalmente, não tenho dívidas”, garante Joe Berardo aos deputados.


Se Joe Berardo for descondecorado quem é que fica mal?

Joe Berardo, que aceitou as condecorações que lhe foram concedidas pelas “autoridades competentes”, ou as “autoridades competentes” que concederam as condecorações a Joe Berardo?

Este afã de descondecorar, desdotourar, desenterrar, prende-se, a meu ver, com a ideia, claramente mágica, de que se alterarmos a narrativa oficial sobre o passado alteramos o próprio passado.



Fontes

Referências
  1. Joe Berardo”. Wikipédia. Publicado às 12:24 de 15 de Maio de 2019. Recuperado às 13:58 de 16 de Maio de 2019.
  2. Joe Berardo”. Wikipedia. Published 16 May 2019, at 10:58 (UTC). Published 16 May 2019, at 13:01 (UTC).
  3. A vida íntima de Joe Berardo, o excêntrico e ex-playboy casado com separação de bens há 50 anos”. Flash!. Publicado às 07:00 15 de Maio de 2019. Recuperado às 14:06 16 de Maio de 2019.

Etiqueta principal: Curtas.
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26 de fevereiro de 2019

Fidalguia Socialista, Republicana e Laica… Nobreza?




Como todos sabemos:

  1. A palavra “Fidalguia” designa o conjunto dos fidalgos e a palavra “fidalgo” designa os filhos-de-algo, isto é, os filhos de pessoas que são algo, que são importantes, que são poderosas.
  2. A palavra “Nobreza” designa o conjunto dos nobres e a palavra “nobre” designa, não os filhos-de-algo, isto é, os filhos de pessoas que são algo, que são importantes, que são poderosas, mas as pessoas que possuem um determinado conjunto de qualidades tidas por próprias dos nobres, por exemplo: bondade; coragem; desprendimento; distinção; estoicismo; excelência; generosidade; gentileza; honra; integridade; lealdade; lhaneza; mérito; serenidade; virtude.
  3. A palavra “Aristocracia” (derivada do Grego “ἀριστοκρατία”, transliteração latina (t.l.) “aristokratía”, de “ἄριστος”, t.l. “aristos”, que significa o melhor, e “κράτος”, t.l. “kratos”, que significa poder, força) é uma forma de governo que coloca o poder nas mãos dos melhores.
  4. Há quem considere que a palavra “fidalgo” é sinónima da palavra “nobre”, que a palavra “Fidalguia” é sinónima da palavra “Nobreza” e que a  palavra “Aristocracia” é uma forma de governo que coloca o poder nas mãos dos fidalgos, ou dos nobres, sejam, ou não, eles os melhores.

Entretanto, e como também todos sabemos:

  1. Os filhos de pessoas que são algo, que são importantes, que são poderosas, podem, ou não, possuir o conjunto de qualidades tidas por próprias dos nobres e, caso as não possuam, são depreciativa e jocosamente designados pela palavra “fidalgote”, não pela palavra “fidalgo”, ou pela palavra “senhorito”, não pela palavra “senhor”.
  2. Os Ingleses afirmam que “it takes three generations to make a gentleman”, em português “leva três gerações para fazer um cavalheiro”, um fidalgo, e os Portugueses, quando afirmam que “avô pobre, pai rico, filho nobre, neto pobre” demonstram bem serem mais exigentes que os Ingleses no que a fidalguias concerne.

E, perguntará o leitor, a que propósito vem tudo isto?

Vem a propósito de um artigo de João Miguel Tavares hoje publicado, artigo que abaixo transcrevo.


O país dos filhinhos do papá existe mesmo – e é feio

Em Portugal, são demasiados casos, demasiados exemplos, demasiados filhos, demasiados amigos, para que tantos “filhos de” e “filhas de” sejam os mais competentes do país em tantos lugares distintos.

Por João Miguel Tavares no Público a 26 de Fevereiro de 2019, às 06:15

As inúmeras reacções a desculpar o problema dos cruzamentos familiares no actual governo, inclusivamente por parte de pessoas que tenho por sérias e inteligentes, demonstram bem o caminho que este país ainda tem de trilhar para adquirir uma cultura cívica minimamente decente. A ingenuidade (para utilizar uma palavra simpática) com que o argumento da competência foi invocado para justificar as opções de António Costa – a saber: não interessa se são filhos, pais, irmãos, maridos ou mulheres, o que interessa é se são competentes ou não – deixa-me absolutamente estupefacto, porque é demasiado básico, vulgar e terceiro-mundista. O problema não está, nem nunca esteve, na competência das pessoas envolvidas. Está, como sempre esteve, na sua proximidade.

Quem reflecte sobre relações e hierarquias sociais já compreendeu, há milénios, que a proximidade familiar pode atrapalhar a tomada das melhores decisões, devido a interesses secundários que se intrometem. Não é por acaso que as sociedades mais desenvolvidas do planeta são aquelas em que as instituições melhor resistem às tentações endogâmicas. O conceito de conflito de interesses não depende da inteligência, da competência ou da seriedade dos envolvidos – ele precede tudo isso. E precede-o não só para evitar que relações íntimas se cruzem com as decisões políticas, mas também porque a nomeação de amigos ou familiares para cargos poderosos e de difícil acesso transmite uma péssima imagem para uma sociedade que se quer meritocrática. O que diz é isto: não basta seres bom; precisas ser bem.

Não deveria ser necessário migrar da província para a capital, ou viver fora de grandes centros urbanos, para perceber o quanto a sociedade portuguesa é sufocada por um pequena elite que se vai perpetuando nos lugares mais elevados de poder, e que à boa maneira aristocrática consegue que os privilégios passem de pais para filhos ou circulem entre grupos de amigos próximos. A promoção dos “filhos de”, como muito bem sabe quem lá anda, é constante nas faculdades de Medicina, nos hospitais, nas faculdades de Direito, nos escritórios de advogados. Ainda há poucos dias foi noticiado que o PS propôs para o Tribunal Constitucional a jurista Mariana Canotilho. Filha de quem? Do professor José Gomes Canotilho, claro está.

Isso não significa, como é óbvio, que Mariana Canotilho não possa ser extremamente competente como juíza. Tal como Mariana Vieira da Silva poderá certamente vir a revelar-se muito competente como ministra. Só que, em Portugal, são demasiados casos, demasiados exemplos, demasiados filhos, demasiados amigos, para que tantos “filhos de” e “filhas de” sejam os mais competentes do país em tantos lugares distintos. Tamanha excelência geneticamente concentrada não só é coisa estatisticamente improvável, por melhores que sejam os papás e a educação que deram aos seus meninos, como, ainda que fossem, de facto, as pessoas mais competentes de Portugal, o problema que acima assinalei persistiria: o miúdo nascido numa família modesta do Alandroal iria sempre sentir que o seu elevador iria ficar encravado nos andares mais altos do país, por falta de lubrificação social. E com razão.

O que acabo de dizer deveria ser perfeitamente pacífico e consensual. Os problemas da endogamia portuguesa estão detectados há muito, e há vasta literatura sobre o tema. Se já nem isto causa um genuíno sobressalto cívico, então o país ainda está mais sonâmbulo do que eu pensava.

Jornalista

Estes artigo está aberto e comentado


Fontes
  1. “Sou socialista, republicano e laico” in “Mário Soares”. Wikiquote. Esta página foi editada pela última vez às 21h42min de 7 de janeiro de 2017. Página visitada a 26 de Fevereiro de 2019, às 14:48.
  2. The Gentleman and the Lady” in MELANIE, Lilia. "English 40.4: The Nineteenth Century British Novel". Brooklyn College English Department. No publication date. Retrieved on February 26, 2019 at 17:21.
  3. it takes three generations to make a gentleman” in “Proverbs new dictionary”. Academic Dictionaries and Encyclopedias. No publication date. Retrieved on February 26, 2019 at 18:33.
  4. DEY, Atanu. “The Cycle of Wealth and Poverty”. Atanu Dey on India's Development. Published on August 23, 2015. Retrieved on February 26, 2019 at 18:40.
  5. TAVARES, João Miguel. “O país dos filhinhos do papá existe mesmo – e é feio”. Público. Publicado a a 26 de Fevereiro de 2019, às 06:15.

Referências



Etiqueta principal: Política.
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20 de janeiro de 2019

ASCUNO, o novo nome da CENSURA




O novo nome da CENSURA é ASCUNO, acrónimo de Autoridade de Segurança Cultural e NoticiosaA missão da Autoridade de Segurança Cultural e Noticiosa, ASCUNO, é dar cumprimento à legislação que vai ser publicada tendo em vista a “regulação da selva das redes sociais” para “não nos deixarmos render ao império das teorias conspirativas”, reforçar o “no nosso instinto vital democrático” e, também, a “nossa capacidade de resistir à toxicodependência mediática e de distinguir o verdadeiro do falso”.


E se Trump for mesmo um espião russo?

Não têm fim os hipotéticos cenários para as teorias da conspiração veiculadas pelas redes sociais.

Por Vicente Jorge Silva no PÚBLICO a 20 de Janeiro de 2019 às 08:00.

Trump espião russo? Salvini e Orbán marionetas de Putin ou o “Brexit” um cenário montado por Moscovo com o objectivo de lançar o caos na Europa? Já agora, Rio e Montenegro agentes de Costa para enfraquecer o PSD e dar ao PS a maioria absoluta? Não têm fim os hipotéticos cenários para as teorias da conspiração veiculadas pelas redes sociais e devoradas pelas multidões de novos toxicodependentes que as consomem e propagam. Vivemos num mundo onde parece cada vez mais difícil distinguir entre as fake news e as notícias verdadeiras, tal é a escorregadia opacidade que se instalou entre a verdade e a mentira.

Retomemos então a hipótese de Trump ser um espião russo, aprisionado nas malhas da submissão a Moscovo desde os tempos em que se envolveu em negócios imobiliários, concursos de misses e televisão ou aventuras sexuais na Rússia. Se tivermos em conta o padrão de comportamento de Trump, a desafiar permanentemente os limites da verosimilhança (ou da anedota delirante), essa hipótese acaba por aparecer como credível – sem esquecer o que se sabe das suas embaraçosas relações com Putin.

Aliás, no início da semana passada o New York Times referia que a guerra que Trump trava pela sua sobrevivência política faz com que o shutdown mais longo da história americana pareça reduzir-se a uma questão menor – sendo o pano de fundo dessa guerra os laços altamente comprometedores do Presidente americano com Moscovo.

Paradoxalmente, o raríssimo desmentido feito anteontem pelo procurador especial Robert Mueller a uma nova notícia que envolvia Trump nesse enredo mais parecia uma manobra táctica para mostrar a independência de julgamento do procurador (encarregado do inquérito às suspeitas de interferência russa na campanha presidencial a favor do candidato republicano) do que um efectivo desmentido.

Ora, se o próprio Presidente da maior potência global – apesar de se tratar de uma personagem tão inverosímil como Trump, o que já diz muito sobre o estado a que o mundo chegou – pode estar refém da sua dependência em relação à Rússia, isso não legitimará as teorias de conspiração que hoje tendem a propagar-se por meio das redes sociais? Por outro lado, quando os tenores do populismo através do mundo – e da Europa – se permitem espalhar aos quatro ventos as mais grosseiras distorções da verdade factual e são acolhidos por multidões de fiéis sedentos dessas mistificações, isso não será também um sinal de que as democracias estão em risco?

Num estudo da Universidade de Cambridge referido pelo Expresso em Novembro passado e na penúltima edição do magazine francês Obs, os dados recolhidos em nove países, incluindo Portugal, revelam uma inquietante vulnerabilidade às fake news e teorias conspirativas, que evoluíram de uma questão marginal para um fenómeno mainstream – segundo um dos autores do estudo, Hugo Leal. Curiosamente, Portugal é o país menos receptivo a essas teorias (onde predomina o tema migratório), embora seja aquele onde mais se acredita que um grupo secreto governa o mundo (42 por cento das opiniões) e que haverá sempre uma elite a sobrepor-se ao poder dos eleitos.

A velha sentença de Churchill – segundo a qual a democracia é um regime péssimo mas todos os outros são piores – nunca terá sido tão pertinente como agora. Ora, para além da necessária regulação da selva das redes sociais, a única verdadeira solução para não nos deixarmos render ao império das teorias conspirativas está em nós, no nosso instinto vital democrático, na nossa capacidade de resistir à toxicodependência mediática e de distinguir o verdadeiro do falso. O que é, convenhamos, cada vez mais problemático, quando as duas dimensões se misturam e a irrealidade de Trump ser um espião russo se pode revelar simplesmente…real.


Origem dos textos
  1. E se Trump for mesmo um espião russo? no Público.
  2. Álvaro Aragão Athayde em coisas & loisas.

Origem da figura


Etiqueta principal: Política.
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31 de outubro de 2018

Falsidade Ideológica





Luís Marques Mendes vai substituir António Vitorino na presidência da mesa da assembleia-geral do Banco Caixa Geral, filial da Caixa Geral de Depósitos em Angola.

Entram na política pobres, saem da política ricos…

Mas, confesso, isso até nem me incomoda muito.

O que me incomoda, e muito, é a falsidade, o dizerem uma coisa e fazerem outra.

E infelizmente não são só estes dois, nem só os partidos deste dois



Referência
“Competência” e “visibilidade” levam Marques Mendes para CGD em Angola – Correio da Manhã.

Origem da imagem
“Falsidade Ideológica” – Entropia Social.


Etiqueta principal: Política.
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