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10 de março de 2019

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, …



Humor
Se olharmos do ângulo adequado, é sempre possível sorrir. Que “as coisas nunca estiveram tão más como agora” é uma afirmação do tempo dos avós dos nossos avós cansada e gasta de tão repetida a propósito da Escola, Ciência, Economia, Cultura, Justiça, Saúde,..., de tudo quanto é português. O certo é que já é possível ver entre nós “O Último Tango de Fermat”, “Flatland” e “Aquele Espermatozóide é Meu”. E, mal ou bem, já todos vão para a Escola embora saiam de lá sem gostar de ler os jornais uns, outros incapazes de os entenderem (dizem as estatísticas).
Em jeito de graça, termino com três perguntas dedicadas a literatos e a todos os que abominam a Matemática. A graça é para ser saboreada também por filósofos e sociólogos sobretudo os que não cessam de falar no Teorema de Gödel ou na Teoria dos Quanta. E, claro, ninguém os proíbe de achar piada nem de rirem como fazem todos os que entenderam.
PerguntaQuando se aplicou pela primeira vez o Teorema de Banach-Tarski?
RespostaHá cerca de 2.000 anos no milagre da multiplicação dos pães. Se dúvidas havia, ficou definitivamente demonstrado que os ramos mais abstractos da Matemática têm aplicações (úteis e pacíficas) de fazer luzir o olho aos empresários obcecados com a produtividade.
PerguntaQuantas carreiras de autocarros há em Telavive?
RespostaUm amigo meu, matemático, que visitou Telavive disse-me que viu, para seu espanto, um autocarro com as letras hebraicas א0 (alefa e zero) no local onde se costuma pôr o número da carreira. Nunca pensara que a cidade estivesse tão bem servida em matéria de transportes públicos que os inteiros não bastassem para numerar os veículos!
No regresso da viagem, deu conta, como exemplo a seguir, ao Presidente da autarquia. Nunca recebeu resposta mas todos os vereadores, numa reunião dedicada aos transportes, riram a bom rir.
PerguntaQuem teve pela primeira vez a percepção do conceito de segunda derivada?
Resposta. Luís de Camões quando escreveu (atente-se no último verso):
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, 
Muda-se o ser, muda-se a confiança; 
Todo o mundo é composto de mudança, 
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades, 
Diferentes em tudo da esperança; 
Do mal ficam as mágoas na lembrança, 
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto, 
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia, 
Outra mudança faz de mor espanto: 
Que não se muda já como soía.


Fontes
  1. "London New Mayor". Old Boy Network. Recebido a 09 de Março de 2019, às 23:08.
  2. "Como vai a Ciência entre nós". Graciano de Oliveira. Gazeta de Matemática, n.º 147, pág. 16, 01 de Julho de 2014. Recuperado a 10 de Março de 2019.


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