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9 de agosto de 2021

Guerra Colonial ou Guerra do Ultramar?

Comandos Africanos: “Os portugueses traíram-nos, fomos abandonados sem piedade”


Mas não é a mesma guerra?

Então porque fazem uns tanta questão em chamar-lhe Guerra Colonial e outros em chamar-lhe Guerra do Ultramar?

Porquê?

Porque estão em jogo a legitimidade do Golpe Militar de 25 de Abril de 1974, bem como a legitimidade da Terceira República Portuguesa de que o dito golpe foi acto fundador.

Vejamos…

Se os territórios eram colónias, território estrangeiro a explorar enquanto tal fôr vantajoso para a metrópole, a vender, trocar, dar, abandonar, quando tal exploração deixar de ser vantajosa pata a metrópole, o Golpe Militar e a Terceira República estão legitimados: não era do interesse dos portugueses stricto sensu que Portugal continuasse sendo uma potência colonial.

Mas se os territórios eram território nacional, não colónias, tese defendida pelo General José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos, pelo Doutor António de Oliveira Salazar, por muitos outros, o Golpe Militar e a Terceira República estão deslegitimados: era do interesse dos portugueses lato sensu que Portugal continuasse sendo uma potência multicontinental, multirracial e multicultural.



Portugueses stricto sensu Os portugueses nascidos na Península Ibérica e, vá lá, nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, que são suficientemente brancos para não serem considerados pretos como o são os cabo-verdianos e os são-tomenses.

Portugueses lato sensu Os portugueses nascidos em qualquer parte do mundo, sejam brancos, pretos, indianos, chineses, timores, mestiços.








Etiqueta principal: Guerra do Ultramar.

10 de dezembro de 2020

Black Friday

 

Cruzamento do Polo Norte
Luanda no Tempo do Colono



Black Friday, ou Conversas de Kotas


O Primeiro Kota recebeu o vídeo infra de outros Kotas e partilhou-o, sem comentários, com o Segundo Kota.

A partilha deu origem à conversa reproduzida abaixo do vídeo.




Segundo Kota
Então o Black Friday, agora, é contra os pretos? 
Se calhar há pretos q não gostam de o ser…! Como aquele jogador do Paris Sain Germain q, se fosse louro, tb achava q era racismo o arbitro dizer: “Aquele louro.”
Só pode ser complexo!
Há psiquiatras, minha gente!

Primeiro Kota
Há pretos que não gostam de o ser sim, que se detestam. 
E há também outros que foram maltratados e estão ressentidos.
Agora temos de ver que cultura e que pretos estão em causa.
No EUA há racismo descoberto contra pretos que não são pretos.
Em França há racismo encoberto contra pretos que são pretos.
Em Portugal e no Brasil preto rico, ou doutor, é branco. 
Em Angola depende, em Moçambique não sei.
Para os Franceses, os Ingleses, os Americanos, bem como para os pretos por eles educados, a ideia de que “preto rico, ou doutor, é branco” é inconcebível. Coisa de mentes pervertidas, diabólicas.

Segundo Kota
Não entrando na discussão das categorias dos pretos e falando de Angola, estás-te a referir a quê, qd dizes q a negritude depende… depende de quê?

Primeiro Kota
Depende da cultura.

Em Angola tens:
1.
Os Pretos Tribais, em pretéritos séculos chamados de Pretos Descalços, que não falavam o Português, só uma língua Banto
2.
Os Pretos Calçados, mais recentemente chamados de Assimilados, que falavam o Português e uma língua Banto.
3.
Os Mestiços – do Preto Velho ao Branco de Benguela – que falavam o Português e, raramente, uma língua Banto.
4.
Os Brancos de Segunda – de primeira geração, segunda geração, terceira geração, etc. – que falavam o Português e, raramente, uma língua Banto.
5.
Os Velhos Colonos – que não tinham nascido em Angola mas para lá tinham emigrado e, muitas vezes, cafrealizado – que falavam o Português e, raramente, uma língua Banto.

Os Mulatos e os Brancos de Segunda eram Filhos da Terra, por oposição aos Filhos do Reino, uma categoria que existiu, e existe, do Japão ao Maranhão.

Os Filhos da Terra educados sempre estiveram, e estão, no patamar em que os Filhos do Reino estavam, e estão.

Tens um exemplo recente em Francisca Van Dunem, actual Ministra da Justiça, e um exemplo antigo em Alexandre de Gusmão, Escrivão da Puridade de Dom João V.

As Colonizações Holandesa, Britânica, Francesa, Alemã, não tiveram nada de semelhante, nem sequer com os ‘Colonials’, o Britânicos Brancos nascidos no Ultramar (‘Overseas’).

Os Espanhóis misturam-se mas mantiveram sempre a primazia dos Nascidos nas Europas, par várias razões a menor das quais não terá sido os ‘Estatutos de Limpieza de Sangre’ que vigoraram em todo o Império Espanhol mas nunca no Reino de Portugal e no seu Império. 

Nem no tempo dos Filipes os ‘Estatutos de Limpieza de Sangre’ que vigoraram no Reino de Portugal e no seu Império!

A situação em Angola é uma situação que suponho única por duas razões:
1.
A Elite no Poder é constituída por Mestiços e Brancos de Segunda.
2.
A Guerra Colonial e as duas Guerras Civis extinguiram praticamente os Pretos Descalços, ou Pretos Tribais, actualmente já só há, ou quase só há, Pretos Calçados, Mestiços, Brancos de Segunda e Velhos Colonos.

E isso nota-se bem nos desprezo com que os angolanos se referem aos Zairenses e aos Sul-Africanos, que apelidam de Pretos, dessa forma tornando claro que não se consideram a si próprios como Pretos. 

Não se consideram a si próprios como Pretos Descalços, Pretos Burros, Pretos Selvagens.

Segundo Kota
Então não depende…
Bem me parecia!
😘


Quando partilhou o vídeo supra o Primeiro Kota partilhou também o vídeo infra, que o Segundo Kota comentou escrevendo:
Já o 2.° vídeo tem muita piada...!
Mas não havia uma rábula de um dos humoristas portugueses, daqueles clássicos, q é muito parecida?
Mas q está muito bem apanhada, está!
😘








Etiqueta principal: Angola.
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24 de novembro de 2019

História de Angola e de Portugal: LAD e LIS, 2.º Sem. '75

Cerimónia da Independência de Angola
11 de Novembro de 1975



História de Angola e de Portugal

Luanda e Lisboa no Segundo Semestre de 1975



Carlos Athayde partilhou, às 00:26 de 14 de Novembro de 2019, um texto de José Luís da Costa Sousa que José Lemos tinha publicado às 08:51 de 12 de Novembro de 2019.

Seguem-se a partilha de Carlos Athayde, o texto de José Lemos e os comentários na partilha de Carlos Athayde.
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CARLOS ATHAYDE
14 de novembro de 2019 às 00:26 ·
·
E Esta ... as memórias pessoais a falar...😎
Ainda faltam mais testemunhos de quem viveu e processionais estes acontecimento do passado. 👌👍🍀
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·
JOSÉ LEMOS
12 de novembro de 2019 às 08:51 · 
·
ANGOLA vs PORTUGAL vs URSS e CIA,
Tudo gente sem vergonha.

Retirado,

45 ANOS DEPOIS DA NEOCOLONIZAÇÃO DE ANGOLA PELA URRS... permito-me contar umas histórias por mim vividas durante a descolonização.... que são vergonhas ... que a História para sempre escondeu e esconderá.

Ago75, o MPLA tinha em curso a acção militar de expulsão do FNLA de Luanda, que gerou uns milhares de FNLA´s refugiados junto do Palácio do Governador/Alto Comissário, cargo na altura desempenhado pelo General Silva Cardoso, da Força Aérea Portuguesa.

Era eu então o Comandante Militar da Segurança do Palácio do Governador, dispondo para o efeito duma Companhia de Paraquedistas.

O MPLA comemorava a euforia psicopata da vitória em curso contra o FNLA e sua expulsão de Luanda (de 31Jul a 08Ago75) e à qual se seguiu de imediato a expulsão da UNITA (de 09Ago a 15Ago75)

O recolher era obrigatório, a morte e o terror tinham-se instalado e generalizado na cidade.

Os incontáveis mortos, dos massacres ocorridos nesses dias em Luanda, eram carregados em viaturas militares portuguesas e enterrados, por uma escavadora, em valas comuns, algures para os lados do campo de golfe.

Havia centenas de prisioneiros, brancos e negros, feitos pelo MPLA e detidos na Praça de Touros, no Morro da Luz, etc… onde eram torturados e assassinados, diariamente.

Eu próprio entreguei, por três vezes, ao Capitão Fernandes, da Força Aérea, Oficial de Ligação com o Alto Comissário, a lista exaustiva desses prisioneiros (cerca de 300), a pedido directo dos seus familiares, que em copiosas lágrimas de mortes adivinhadas, me pediram que acompanhasse, pessoalmente, o caso.

Assim fiz, de forma muito empenhada, até dias antes da Independência; todas as semanas vinham os seus familiares saber de decisões, e do Gabinete do Alto Comissário sempre me deram desculpas de engana tolos, pois, quer Luanda, quer Lisboa, não exigiram ao MPLA a libertação dos portugueses, tudo ainda sob soberania de Portugal.

Portugal abandonou-os lá à sua sorte e morte, mesmo depois da independência, por ordem vinda de Lisboa que, segundo o Capitão Fernandes, os apodavam de reaccionários e, como tal, potencialmente perigosos no regresso a Portugal

Um ano depois os prisioneiros feitos sob soberania portuguesa pelo MPLA, ainda lá estavam nas masmorras.

Fora da capital, o MPLA estava a ficar sob forte pressão militar em duas frentes, os Sul-africanos a Sul e o FNLA a Norte.

O dia da Independência aproximava-se e o controle militar e político de Luanda e do Governo de Transição eram fundamentais ao MPLA, para este justificar ser o único recipiente formal da Independência, como foi.

Apesar das vitórias em Luanda, com o apoio informal de Portugal, o potencial militar do MPLA, face à situação geral, não garantia que mantivesse Luanda até 11Nov75, dia da Independência.

O MPLA precisava de urgentes reforços militares de Cuba, braço armado da URSS; navios cubanos, com armamento e militares a bordo, em espera já nos limites das águas territoriais de Angola, aguardavam a oportunidade política e a ordem para os desembarcarem.

O ambiente em torno do Palácio do Governador era caos e drama.

O MPLA e o seu “poder popular”, varriam a cidade, continuamente, a altas velocidades em jeeps de caixa aberta, com metralhadoras fixas instaladas e abarrotados de “criminosos” armados com RPG´s, Kalashnikov´s e PPSH´s, etc…, fitas vermelhas nas acéfalas testas de Rambos negros, drogados, a maioria mercenários estrangeiros dos países vizinhos, urrando incessantemente “Vitória é Certa” e em busca de FNLA´s, que abatiam no acto.

Os dois milhares de militantes do FNLA, refugiados em torno do Palácio, à minha responsabilidade, aguardavam em terror a prometida evacuação para o Norte, a partir da Base Aérea nr 9 e da Base Naval na Ilha.

Ninguém das altas instâncias fez nada nesse sentido, excepto promessas de evacuações, pois havia riscos que não queriam assumir; tive eu, responsável da segurança do Palácio e dos refugiados, de ir solicitar viaturas ao exército, (ao ainda Coronel Firmino Miguel), nomear motoristas paraquedistas para o efeito e, dado o elevado risco de ataques do MPLA nas muitas travessias da cidade, eu comandei sempre as escoltas a estes movimentos; senti que não devia exigir riscos aos paraquedistas, que eu também não corresse.

Num destes dias, 14Ago75, todas as autoridades político militares portuguesas estavam reunidas no Palácio: - o Alto Comissário, General Silva Cardoso, o General Paraquedista H. Almendra, então Cmdt Militar da Defesa de Luanda, o General Valente, Cmdt da Região Aérea de Angola e o General Ferreira de Macedo, ex Cmdt da Zona Militar Leste, etc…

O “Descolonizador Mor do MFA”, Major Melo Antunes, Ministro sem Pasta, chegava nessa noite, vindo de Portugal, em missão urgente, o que significava algo de extraordinário.

Jornalistas e serviços secretos de muitas nacionalidades, agitados e nervosos, amontoavam-se à volta do Palácio, e adivinhavam ou sabiam de novidades.

Naquele dia de manhã, um providencial jornalista Brasileiro ao serviço da Reuters, claramente agente da CIA, pediu para falar comigo, alegando um assunto urgente e grave, para a segurança do Palácio.

Disse-me que, fontes muito fidedignas, lhe tinham passado a seguinte e inacreditável informação: -

“Hoje o MPLA, apoiado por forças do Exército e da Marinha Portuguesa, com a colaboração dum General do Exército Português já aqui presente no Palácio, que identificou pelo nome, vão à noite tomar de assalto o Palácio, deter o Alto Comissário, mais o General Cmdt Militar de Luanda e os militares portugueses que se opuserem, para o MPLA declarar, unilateralmente, a Independência, assumir o Poder e, afastado o governo Português, o MPLA pedir de imediato o apoio militar dos Cubanos"

Inocente eu de políticas, achei a história fantasiosa, reflectindo uma traição entre militares portugueses, que a ética e camaradagem militar não me permitiam acreditar ser possível; agradeci e nada fiz.

Passada uma hora, insistiu de novo em falar comigo e disse-me ter confirmado a informação (com a Reuters, disse), e que eu a devia tomar muito a sério; ele estava totalmente convicto do que me informava.

Pelo sim pelo não, reforcei a defesa do Palácio com mais 2 Pelotões de Para-quedistas, vindos do BCP 21.

Horas depois, 3:00 PM, o Sargento Paraquedista responsável pela segurança externa do Palácio, um minhoto duro, reportou-me que duas “Chaimites” da Polícia Militar portuguesa, tinham tentado penetrar a linha de segurança exterior e que, só depois de impedidas pela ameaça das armas paraquedistas recuaram... sem dizerem nada.

Estranhei, dei mais credibilidade à informação do jornalista, reforcei seriamente o efectivo com mais uma Companhia de Paraquedistas do BCP 21 e tornei, absolutamente rigorosas, as ordens para impedir, por todos os meios, a aproximação do Palácio, a quaisquer militares portugueses do Exército, Marinha e do MPLA.

Na descolonização de Angola, só mesmo a Força Aérea Portuguesa (FAP) foi sempre integra e leal a Portugal e aos militares portugueses, até ao fim.

Pedi para falar com o General Valente, Cmdt da Força Aérea em Angola, presente no Palácio, informei-o da situação, disse-me não acreditar, foi falar com o Alto Comissário e veio reafirmar-me, mais tarde, ser tudo especulação.

Entretanto e pela 3ª vez, a Polícia Militar portuguesa, desta feita, com sete viaturas e sob comando dum Capitão meu camarada da Academia, voltaram a tentar penetrar a defesa afastada exterior ao Palácio, mas, de novo impedidos pela ameaça séria das armas paraquedistas, recuaram.

Os militares do MPLA circulavam louca e raivosamente em torno da área do Palácio, ao largo.

Já sem quaisquer dúvidas, contactei de novo com o General Valente, e requeri ordens claras para defender ou não o Palácio, face à informação do Jornalista Brasileiro, que referia conivências entre alguns militares Portugueses e o MPLA e considerando os incidentes ocorridos aqui relatados com o Exército Português.

Foi o próprio General paraquedista Heitor H. Almendra que, pouco depois, veio reconfirmar-me no Jardim do Palácio, as ordens de defesa intransigente do Palácio, contra quem quer que fosse.

Já noite, subitamente, do exterior foram disparados tiros contra as sentinelas paraquedistas, sem as atingirem.

O dispositivo de defesa que eu tinha montado, reagiu de imediato e em força; tinha sido fogo de reconhecimento para testar a defesa.

Logo a seguir aos tiros, o primeiro elemento a sair do interior do Palácio, muito tenso e alarmado, foi o General do Exército, exactamente aquele que o jornalista me tinha nomeado como estando conivente com o MPLA, na execução de tal plano.

Visivelmente perturbado e zangado, o General interpelou-me de forma agressiva acerca do porquê de tal aparato de defesa, dizendo-me-: "Nunca vi para-quedistas tão nervosos; ao que respondi que não, não estavam nervosos, apenas prevenidos "

Depois de alguns desenvolvimentos, nada mais aconteceu; a determinação da defesa teria abortado o plano e isto, graças á informação do jornalista Brasileiro.

Cerca da meia-noite, chegou o Ministro sem Pasta e Executivo Mor da Descolonização, o Major Melo Antunes, que fez uma breve reunião no Palácio e foi encontrar-se de imediato, à 1:00 hora da noite, com o Dr. Agostinho Neto, na sua residência do Futungo de Belas, o que por si só diz da urgência dos assuntos a decidir.

Vinha validar e gerir as consequências da expulsão do FNLA e da UNITA de Luanda e deste golpe planeado, mas falhado e, acordar a entrada das tropas Cubanas em Angola.

Este sinistro Major, alma negra da revolução, foi sempre o omnipresente e omnipotente executor e condutor pró URSS da descolonização, armadilhando-a onde foi preciso para o efeito, por vezes, sem conhecimento do Presidente Spínola e dos Governos anteriores ao 28Set74, mas depois dessa data, sempre em sintonia com o Presidente Costa Gomes e com o PM Vasco Gonçalves, ambos afins e serafins obcecados do PCP/URSS.

Mais tarde Melo Antunes diria, cinicamente, que tinha sido “a descolonização possível, mas exemplar”

Tempos depois, onze da noite em Luanda, seguindo eu de carro mais a minha mulher, para um Hotel a caminho do BCP 21, onde eu estava instalado, encontrei-me frente a frente, na recta da Corimba, junto das bombas de gasolina da Sonangol, com uma coluna de umas 30 viaturas militares com Cubanos. (oficialmente não estavam e nem podiam estar ainda dentro de Angola!)

Deslocavam-se a coberto da noite e do recolher obrigatório, que eu não tinha respeitado; vinham da barra do Kwanza em direcção a Luanda e estavam a abastecer-se naquelas bombas.

Surpreendido e confuso parei, por sorte estava fardado, saí da viatura e identifiquei-me aos dois militares que se me dirigiram, um MPLA e outro Cubano; mandaram-me seguir, sem nada mais dizerem.

Portugal traiu assim, politicamente e de facto, os acordos de Alvor, assinados com os três movimentos, em benefício exclusivo do MPLA e da URSS.

Uns seis meses mais tarde em 76, já em Portugal, encontrei-me num juramento de bandeira em Tancos, com o Snr General Valente da FAP, com o qual tinha dialogado no Palácio em Luanda no decurso deste episódio e, que lá me tinha garantido, convicto, que a história do jornalista não tinha fundamento.

O General Valente dirigiu-se-me então, por sua iniciativa, no Clube de Oficiais do Regimento de Para-quedistas e, sem eu nada perguntar, em privado, disse-me: - “O Costa Sousa lembra-se daquele incidente em Luanda no Palácio?”

Respondi que sim e o General continuou: - “Pois eu confirmei já, aqui em Portugal, que de facto, aquele plano de assalto e tomada do Palácio existiu, tinha a intenção de declararem a Independência de Angola, era para executar e só falhou, pela resistência inesperada lá instalada”.

Caso o milagroso e misterioso jornalista Brasileiro, não me tivesse alertado para o traiçoeiro e criminoso projecto de Lisboa e do MPLA, paraquedistas portugueses poderiam ter sido mortos e presos por outros militares portugueses e pelo MPLA, tudo em nome da (in)dependência pró URSS, hoje já pró USA, de Angola.

Eram estes então os representantes do poder político em Portugal! Gentes desqualificadas, patriótica, ética, cívica e moralmente, sem quaisquer valores a não serem os dos seus egos e ambições pessoais, mais uns tantos inocentes úteis, crentes em idealismos utópicos, hoje enterrados nos cemitérios da História.

Tais gentes colocaram, muitas e variadas vezes, os portugueses, militares e civis, em situações de confrontação militar iminente entre si, como neste caso aqui reportado e também no 11Mar75, no 28Set74, no 25Nov75, tudo em defesa dos interesses anti Portugal da URSS e dos seus próprios oportunismos e ambições.

Este episódio, entre muitos outros, ilustra bem a irresponsabilidade duma descolonização anti africana e antiportuguesa, precipitada, feita sob ordens e pressão da URSS e não só, e que conduziu ao longo destas mais de quatro décadas, milhões de seres humanos à morte pela guerra, fome, doença e ao não futuro.

Um ideal político, por si só não é bom, sê-lo-á sim se, na prática, dele resultar mais felicidade e melhor viver para o povo a que se destina; não foi o caso.

Muitas das vezes o ideal ou as ideias são o pior inimigo dum povo, pois são apenas uma mistificação política e uma máscara de algo muito pior; foi o caso.

Enfim, misérias daquilo que foi o agonizar dum Portugal, que era até então grande, prestigiado, respeitado e sobretudo invejado nas suas riquezas ultramarinas, que se foram para terceiros, que não para os africanos.

“Os Países também se abatem e morrem” Aconteceu-nos.

PS. Angola, factos da sua Independência neocolonial

“Havia tantos Navios Cubanos ancorados na Baía de Luanda, que o Presidente Agostinho Neto, ao contá-los da sua janela, sentiu um estremecimento de pudor, próprio do seu carácter”

“Não é justo, disse ele a um funcionário amigo, por este caminho, Cuba vai arruinar-se”

Agostinho Neto, tendo dito isto, pelos vistos era um inocente, pouco iluminado pela inteligência e ignorante das coisas políticas reais, que não das etílicas.

No dia 26Jul75, já depois de Cuba ter recebido o 1º pedido de apoio militar do MPLA, feito em Maio de 75, Fidel Castro pediu a Otelo Saraiva de Carvalho, em Havana, que Portugal autorizasse a entrada de reforços militares Cubanos em Angola, ao que este respondeu afirmativamente.

Os navios Cubanos, com reforços militares para o MPLA em Angola, foram o “Vietnam Heróico”, que fundeou em Porto Amboim a 4 de outubro de 75, às 6:30 hrs da manhã, o “Coral Island” que chegou no dia 7 de outubro 75 e o “La Plata” a 11 de outubro 75 em Ponta Negra.

Chegaram sem licença e sem oposição de ninguém, mais de um mês antes da Independência.

E nos dias 7, 8 e 9Nov75, antes da independência a 11Nov, chegaram também durante a noite, ao aeroporto de Luanda, vários aviões militares Cubanos, com muito mais tropas e armamentos!

Angola era já terra sob pesada ocupação militar Cubana, braço armado da potência Neocolonizadora, a URSS, quando, a 11 novembro de 75, proclama e iça a Bandeira da sua Independência neocolonial!

Cuba, em nome e como máscara da URSS, tinha-se já substituído a Portugal!

José Luís da Costa Sousa 
Capitão Paraquedista (presente na descolonização de Angola)
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ORIGINAL https://www.facebook.com/herminio.lemos/posts/3060805160613746
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COMENTÁRIOS NA PARTILHA DE CARLOS ATHAYDE
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DUARTE PACHECO PEREIRA 
14 de novembro de 2019 às 16:03 ·
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A verdade é como o azeite, caro Carlos Athayde, vem sempre à superfície.

Foi por essas e por outras que a chegada dos Paraquedistas do Almendra a Lisboa "virou o jogo" em Portugal.

E nem precisaram de actuar, os Comandos do Jaime Neves, na sua quase totalidade veteranos já desmobilizados que regressaram ao activo, resolveram a questão limpamente.

Os Fusos não saíram, ao contrário do que tinham prometido, e o General Francisco da Costa Gomes, Presidente da República e Chefe do Estado-Maior General, após avaliação da situação aconselhou o Dr. Álvaro Barreirinhas Cunhal a mandar recolher o seu pessoal, conselho que este seguiu.

Assim se evitou a Guerra Civil e assim Costa Gomes e Cunhal são réus de "Traír a Revolução" no dizer da quase totalidade dos Bloquistas, de alguns Comunistas e de alguns Socialistas.
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CARLOS ATHAYDE
14 de novembro de 2019 às 19:44 ·
Carlos Athayde –> Duarte Pacheco Pereira Pois... Pois...
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ORIGINAL https://www.facebook.com/carlos.athayde.5/posts/2375921512537142
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FOTOGRAFIA
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“Cerimonia da Independência de Angola - 11 de Novembro de 1975”. Jesus Manolo Manolo. Flickr. Publicada a 22 de Março de 2008. Recuperada a 23 de Novembro de 2019. [https://www.flickr.com/photos/moitas61yahoocombr/2352218397/in/photostream/]

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Fonte
  • Old Boys Network. Recebido às 18:54 de 23 de Novembro de 2019.



Etiqueta Principal: História.
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12 de novembro de 2019

Retornados

Lisboa, Cais de Alcântara 1975.
in
Testemunho de quem deixou Angola - Rede Angola - Notícias independentes sobre Angola


Será possível que, algum dia, os retornados voltem a ter (ou a receber uma compensação monetária) por tudo o que perderam no Ultramar?

Não.

Os Retornados foram, são os que ainda são vivos, Refugiados de Guerra, fugiram para não serem mortos aplicando o velho ditado Que vão os anéis, que fiquem os dedos.

Acresce que a grande maioria era gente modesta —funcionários públicos, artífices, pequenos agricultores, pequenos comerciantes— que nem perderam muito porque não tinham muito.

Quem realmente tinha muito, tipo Diamang e Gulf Oil em Angola, limitou-se a deixar de pagar em Lisboa, ao Governo de Marcelo Caetano, e começar a pagar em Luanda, ao Governo de Agostinho Neto.

Referências
  1. Blogue Bravos “Retornados”, Refugiados, Deslocados, Espoliados…
  2. Livro A Sombra do Imbondeiro - Estórias e Memórias de África
  3. Livro O Último Ano em Luanda
  4. Livro Mais um Dia de Vida
  5. Livro O Retorno
  6. Livro Homens de Pó
  7. Livro Os Retornados Mudaram Portugal


Quora pergunta

Quora respostas
  1. resposta de Álvaro Aragão Athayde, abaixo transcrita.
  2. resposta de Canis Pugnax.
  3. Os comentários de Álvaro Aragão Athayde à resposta de Canis Pugnax e as respostas deste último.



Etiqueta principal: Retornados.
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7 de outubro de 2019

De Portugal, da “Descolonização Exemplar” e dos PALPs

Figura 1 - Simulambuco, Cabinda, República de Angola.


Pergunta:

Resposta:


Não vou responder directamente à sua pergunta, caro Joao Vicente, mas vou-lhe dar umas dicas.

Já teve notícia do Tratado de Simulambuco, assinado na localidade de Simulambuco, a 1 de Fevereiro de 1885, pelo representante de Portugal, Guilherme Augusto de Brito Capello, então capitão tenente da Armada e comandante da corveta “Rainha de Portugal”, e pelos príncipes, chefes e oficiais do reino de Negoio, Cacongo e Loango?


Figura 2 - Reinos de Loango, Cacongo, Negoio, Congo, Angola, Matamba e Benguela cerca de 1770. Angola e Benguela eram reinos da Coroa de Portugal. Os restantes eram independentes mas, normalmente, aliados de Portugal.

Pelo Tratado de Simulambuco os Barões de Cabinda colocaram-se sob protecção do Rei de Portugal, na época Dom Luís I, e furtaram-se a serem "comidos" pelos Belgas, ou pelos Franceses.

O Muatiânvua fez, aliás, o mesmo.

A presença de Portugal em África poupou aos povos das dita "Colónias Portuguesas" o serem disputados pelas Grandes Potências: Inglaterra e França, primeiro, as duas anteriores e a Alemanha, depois.

Portugal era uma Pequena Potência, que garantia a Ordem e a Liberdade de Comércio nas suas colónias, bens intangíveis de as Grandes Potências beneficiavam… sem gastarem uma libra, um franco, um marco.

No fim da Guerra dos Trinta e Um Anos (1914–1945) a Alemanha estava derrotada, e ocupada, a França derrotada, mas não ocupada, a Inglaterra vitoriosa, mas na bancarrota, e as novas Grandes Potências – EUA e URSS – resolveram que também queriam ter Fazendas em África.

Portugal aguentou, aguentou, aguentou, e, em 1974–75, retirou.

E quando Portugal retirou os territórios entraram a ser disputados entre os EUA e a URSS, primeiro, entre a América, a China e a Rússia, depois.

E a disputa foi sangrenta!

Depois temos a propaganda:
  1. Salazar era mau, pior que um lacrau.
  2. O Estado Novo era Fascista, Nazi mesmo.
  3. Os Portugueses era Colonialistas, Escravistas, Racistas, Mata-Pretos.
  4. E por aí fora.
Em termos práticos Portugal serviu de escudo aos territórios e às suas populações durante mais ou menos um século.

Foram tudo rosas?

Não foram!

Mas se comparar com o que o Rei Leopoldo II, e os Belgas, fizeram no Congo, ou com o Genocídio dos Hererós e Namaquas na Damaralândia… foi o céu!



Fontes das ilustrações
  1. Tratado de Simulambuco, Parte 2”. João Cláudio Macosso. YouTube. Publicada a 29 de Março de 2019. Recuperada a 05 de Outubro de 2019. 
  2. Kingdom of Kongo”. GlobalSecurity.org. Sem data de publicação. Recuperada a 07 de Outubro de 2019. 


Etiqueta principal: História.
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2 de abril de 2019

Foli é Ritmo. Tudo é Ritmo.

FOLI (não há movimento sem ritmo) 
versão original de Thomas Roebers e Floris Leeuwenberg.


Foli é Ritmo.
Tudo é Foli, tudo é Ritmo.


Dedicado ao povo de Baro. Por favor partilhe.

A vida tem um ritmo, está em constante movimento.
A palavra para ritmo (usada pelas tribos de mandingas) é FOLI.
É uma palavra que abrange muito mais do que tocar bateria, dançar ou tanger.
Encontramo-la em toda a parte na vida diária.
Neste filme não apenas ouvirá e sentirá o ritmo, vê-lo-á.
É uma mistura extraordinária de imagem e som que 
alimenta os sentidos e nos lembra a todos 
como ele é essencial.


FOLI (there is no movement without rhythm)
original version by Thomas Roebers and Floris Leeuwenberg.


Os Mandingas são um dos grupos etno-linguísticos da Guiné-Bissau (oficialmente República da Guiné-Bissau), antiga Guiné Portuguesa (oficialmente Província Ultramarina da Guiné da República Portuguesa), estando, actualmente, o seu número estimado em cerca de duzentos mil, 13% da população daquele estado.


É curiosa a semelhança entre as palavra “foli” e “folia”.

Um Mapa da África Ocidental
mostrando os Povos Mandinga, línguas e influência (1906).

Os contactos dos povos da Diocese da Hispânia (298–409) com os povos do Alto Níger são muito antigos, anteriores à data da criação dessa Diocese Romana, e prolongaram-se, sem qualquer interrupção, até aos dias de hoje.

Atlas Catalão atribuído a Abraão CresquesDetalhe da Folha 6 mostrando Mansa Musa, Imperador do Mali, um mandinga, sentado num trono e segurando uma moeda de ouro (1375).


Fontes
  1. FOLI (there is no movement without rhythm) original version by Thomas Roebers and Floris Leeuwenberg”. Thomas Roebers. YouTube. Publicado a 25/10/2010. Recuperado a 02/04/2019.
  2. Mandinka people”. Wikipedia. This page was last edited on 26 March 2019, at 09:46 (UTC). Retrieved on 02 April 2019, at 15:26 (UTC).
  3. Demografia da Guiné-Bissau”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 23h32min de 12 de novembro de 2017. Recuperada às 15h41min de 02 de abril de 2019

Referências
  1. Diocese da Hispânia”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 23h50min de 13 de julho de 2017. Recuperada às 16h01min de 02 de abril de 2019.
  2. Historia de Marruecos: Dinastía almorávide (c. 1060-1147)”. Wikipédia. Esta página se editó por última vez el 9 ene 2019 a las 15:55. Recuperada el 2 abril 2019 a las 16:10.
  3. Império do Gana”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 16h15min de 19 de março de 2019. Recuperada às 16h26min de 02 de abril de 2019.
  4. Império do Mali”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 14h48min de 4 de março de 2019. Recuperada às 16h29min de 02 de abril de 2019.
  5. Mansa Musa”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 00h58min de 2 de março de 2019. Recuperada às 16h33min de 02 de abril de 2019.
  6. Abraão Cresques”. Wikipédia. Esta página foi editada pela última vez às 10h19min de 13 de abril de 2018. Recuperada às 16h40min de 02 de abril de 2019.

Observações
  • Primeira versão publicada, às 18:15 de 15-11-2017, no descriado Facebook Profile “Álvaro Aragão Athayde”.



Etiqueta principal: Ritmo.
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30 de março de 2019

Goa e Portugal: Um passado sem futuro?



A conferência Goa e Portugal: Um passado sem futuro?, proferida por Jason Keith Fernandes – um Cidadão da República da Índia, nascido em Goa e educado na Índia, que descobriu que era, também, Português –, foi muito interessante.

A conferência foi video-gravada e espero que a gravação seja brevemente publicada, a fim de que possa ser visualizada por quem não teve oportunidade de assistir à conferência ao vivo.

Jason Keith Fernandes, na conferência.

Em termos breves, e pelo que percebi, Jason Keith Fernandes discorda frontalmente da «teologia que afirma que o colonizado é obrigado a odiar o colonizador» e, considera, também, que:
  1. O facto de a República da Índia obrigar os Luso-Indianos a optar entre a Cidadania Indiana e a Cidadania Portuguesa é uma forma de violência.
  2. O facto de a República Portuguesa não proteger os interesses dos Cidadãos Portugueses de Origem Luso-Indiana residentes na Grande-Bretanha é uma forma de racismo.
Vários outros pontos foram tratados, ou aflorados, mas os acima mencionados pareceram-me ser os que mais mobilizavam, e preocupavam, Jason Keith Fernandes.

Igrejas da Velha Goa / Old Goa Churches
Património português na Índia - Recordação de uma visita à Velha Goa em Janeiro de 2014.



Fontes
  1. Goa e Portugal: um passado sem futuro?”. Nova Portugalidade. Sem data de publicação. Recuperado a 29 de Março de 2019.
  2. Jason Keith Fernandes, na conferência”. Nova Portugalidade. Publicada a 29 de Março de 2019, às 20:12. Recuperado a 29 de Março de 2019, às 22:01.
  3. "Em campo pelos nossos irmãos de Goa". Nova Portugalidade. Publicada a 29 de Março de 2019, às 23:31. Recuperado a 29 de Março de 2019, às 23:50.

Referências
  1. Jason Keith Fernandes”. CEI-IUL. Sem data de publicação. Recuperado a 29 de Março de 2019.
  2. Jason Keith Fernandes”. CRIA. Sem data de publicação. Recuperado a 29 de Março de 2019.
  3. Jason Keith Fernandes”. Google Scholar. No publication date. Retrieved on March 29, 2019.
  4. Jason Keith Fernandes”. Linkedin. No publication date. Retrieved on March 29, 2019.
  5. Jason Keith Fernandes”. Facebook. No publication date. Retrieved on March 29, 2019.
  6. Notes of an Itinerant Mendicant”. Blogger. First post on December 29, 2006, at 05:20 AM. Retrieved on March 29, 2019, at 22.43.
  7. Os perigos de abraçar a Índia”. Jason Keith Fernandes. Público. Publicado a 05 de Janeiro de 2018, às 07:25. Recuperado a 29 de Março de 2019, às 22:54.
  8. "Igrejas da Velha Goa / Old Goa Churches". António Rovisco. YouTube. Publicado a 11/05/2014. Recuoerado a 30/03/2019. 



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