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9 de novembro de 2019

A Nova Esquerda, o Poder e a Banalidade do Mal

APÓS AS LEGISLATIVAS EM PORTUGAL
Uma nova esquerda emerge na Europa


Diário

Bem sei que a cultura republicana está a desaparecer perante a cultura identitária mas, para a minha idade, um cidadão continua a ser uma entidade abstracta, sem saias, sem cor e sem gaguez. Todo este espectáculo me repugna e me enfurece.


2 de Novembro
O programa do governo desapareceu sob as saias do assessor de Joacine e a política desapareceu sob a pessoa de Joacine ela própria. Bem sei que a cultura republicana está a desaparecer perante a cultura identitária mas, para a minha idade, um cidadão continua a ser uma entidade abstracta, sem saias, sem cor e sem gaguez. Todo este espectáculo me repugna e me enfurece.
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Quem leu as dezenas de artigos de propaganda que Rui Tavares escreveu tentando convencer as pessoas que o partido, absurdamente chamado Livre, era a esquerda europeia não pode deixar de ficar embasbacado. O submundo das querelas radicais continua a fervilhar como uma infecção, mesmo quando nós não damos por isso.

3 de Novembro
O debate entre os chefes dos partidos espanhóis foi surpreendentemente calmo e bem-educado. Deu muito a pensar à direita. E muitíssimo mais à esquerda. O Podemos atacou constantemente o PSOE pela simples razão de que quer ir para o governo com ele e o PSOE não quer (e não só por causa das divergências a respeito da Catalunha).

Em Portugal acontece exactamente a mesma coisa: o Bloco quer uma aliança, como eles dizem, “estável” e “a prazo” com o PS, isto é, para a legislatura, e o PS não quer.

O que Pedro Sánchez e António Costa temem acima de tudo é que a social-democracia europeia, vigente nos seus partidos, seja invadida e substituída pelos radicais à sua esquerda. Não sei bem o que se passa em Espanha. Em Portugal é óbvio que não há nenhuma diferença entre a direcção do Bloco e a esquerda do PS. Por isso Costa promoveu a direita do partido e a gente da sua confiança, e deixou Pedro Nuno Santos dependente da sua graça pessoal. Infelizmente, com o tempo, suspeito que o Podemos e o Bloco vão ganhar: o radicalismo urbano tendeu sempre a chegar às últimas consequências.

6 de Novembro
Duas técnicas da Segurança Social, seja isso o que for, estão acusadas de tirar duas filhas à mãe. Essa mãe era vítima de violência doméstica e fez, em protesto, vinte e seis dias de greve de fome (vinte e cinco chegam para matar o adulto médio) e ainda hoje só pode ver as filhas duas vezes por semana: aparentemente, o grande crime dela, que não se provou, foi ter abandonado a criança mais velha, de quatro anos, num café.

Uma pessoa pasma que dois funcionários administrativos – é isso que em última análise as duas “técnicas” são – possam separar uma família ao seu arbítrio pelo simples exercício de um poder que o Estado lhes conferiu. Mas podem. O jornalismo que por aí se esfalfa a examinar a justiça portuguesa nunca deu por esta barbaridade, que se instalou calada e burocraticamente. Quando a descobri, num noticiário da SIC, tremi de medo. Um dia destes aparece-me um “técnico” em casa, com um papel na mão, declara-me incapaz e mete-me num asilo; nenhum dos nossos políticos vai achar que se tratou de uma violação dos direitos do homem. A Constituição que se lixe.



Meu Comentário

Na Crónica de Vasco Pulido Valente no PÚBLICO a 09 de Novembro de 2019, às 12:58.

Só não percebe quem não quer perceber.

Por ordem cronológia: Leviatã por Thomas Hobbes, A Revolução Permanente por Leão Trotski, Hegemonia Cultural por Antonio Gramsci, O Homem Unidimensional por Herbert Marcuse e A Banalidade do Mal por Hannah Arendt.

Bom, e já agora, de George Orwell O Triunfo dos Porcos e Mil Novecentos e Oitenta e Quatro.




Etiqueta principal: Nova Esquerda.
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7 de novembro de 2019

Voe para longe nas asas do vento



Natasha Morozova canta Voe para longe nas asas do vento das Danças Polovetsianas da ópera Príncipe Igor de Aleksandr Borodin.



Escrava
Voe para longe nas asas do vento 
Para a sua terra, para a sua música, 
Lá, onde cantava livremente, 
Onde era tão livre como nós.
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Lá, sob um céu pesado, 
O ar está cheio de felicidade, 
E, embaladas pelo rumor do mar, 
As montanhas dormitam sob nuvens; 


Невольницы
Улетай на крыльях ветра
Ты в край родной, родная песня наша,
Туда, где мы тебя свободно пели,
Где было так привольно нам с тобою.
x
Там, под знойным небом,
Негой воздух полон,
Там под говор моря
Дремлют горы в облаках;

Там так ярко солнце светит,
Родные горы светом заливая,
В долинах пышно розы расцветают,
И соловьи поют в лесах зеленых,
И сладкий виноград растет.

Там тебе привольней, песня,
Ты туда и улетай.


polovtsian dances



Fontes e Referências
  1. Natasha Morozova “Fly away on the wings of the wind””. Morozushka. YouTube. Published on 31 March 2014. Retrieved on 6 September 2019.
  2. Polovtsian Dances”. Wikipedia, the free encyclopedia. This page was last edited on 6 September 2019, at 20:45 (UTC). Retrieved on 7 September 2019, at 13:08 (UTC).
  3. Prince Igor”. Wikipedia, the free encyclopedia. This page was last edited on 6 September 2019, at 15:06 (UTC). Retrieved on 7 September 2019, at 13:10 (UTC).
  4. Alexander Borodin”. Wikipedia, the free encyclopedia. This page was last edited on 2 November 2019, at 02:11 (UTC). Retrieved on 7 September 2019, at 13:12 (UTC).
  5. Natasha Morozova Biography”. Jango. No publication date. Retrieved on 7 September 2019.
  6. Polovtsian Dances”. NOVAT. Published on 2019. Retrieved on 7 September 2019, at 13:23 (UTC).



Etiqueta principal: Música Russa.
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6 de novembro de 2019

Morenas e Morenos

Recanto das Letras
 > Textos > Poesias > Quadras > Morena Linda dos Lábios de Mel!



CLARO QUE NÃO !!!

Todos iguais, normalizados, como as porcas e os parafusos?

E já agora…

As porcas também seriam normalizadas, ficariam iguais aos parafusos?

Imaginem só o tédio que não seria!





Etiqueta principal: Racismo.
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5 de novembro de 2019

Leviatã ou O Estado Deus-e-Pai

Leviatã
ou
A Matéria, Palavra e Poder de um Governo Eclesiástico e Civil



José Manuel Fernandes publicou no Observador, no passado dia 03 de Novembro de 2019, um artigo intitulado “Se isto não é um pesadelo, o que será um pesadelo?“, que abaixo transcrevo.

Nesse artigo, e a propósito do actual governo Costa II, José Manuel Fernandes descreve o Sistema Político que o Partido Socialista tem vindo a tentar implantar em Portugal.

Descreve-o mas, curiosamente, não o identifica, não o chama pelo seu nome próprio, pese embora o mesmo tenha sido descrito por Thomas Hobbes na sua famosa obra de Leviatã, publicada em 1651.

Nestes Sistemas Políticos quem manda é a Clero do Leviatã, d’O Estado Deus-e-Pai, clero essa que na defunta União Soviética era conhecido por Nomenklatura.



Se isto não é um pesadelo, o que será um pesadelo?

O gigantismo do governo é uma decorrência da natureza deste PS, e o mais assustador é a que a sua forma de pensar é mesmo a que lhes convém para, sem problemas de consciência, tomarem conta disto tudo.

Por José Manuel Fernandes no Observador a 03 de Novembro de 2019, às 19:57.

Nunca Portugal teve um governo com tantos ministros (19). Nunca um governo de Portugal teve tantos membros (70, contando com o primeiro ministro). Nunca houve tantos ministérios com tão bizarros nomes (“Economia e da Transição Digital”, “Ambiente e Ação Climática”, “Modernização do Estado e da Administração Pública”, “Coesão Territorial”). E nunca tantas secretarias de Estado se atropelaram a fazer mais ou menos a mesma coisa (a lista é tão longa que poupo os leitores).

Tem lógica? Tem: quando não se sabe como resolver um problema, cria-se um grupo de trabalho, depois uma comissão eventual, a seguir uma secretaria de Estado, por fim um Ministério. É o princípio da entropia das organizações, de que Portugal há muito é refém e o PS, no que ao Estado diz respeito, sumo sacerdote.

O enorme Governo que temos – e que não há-de ser o maior de António Costa, esperem só pela próxima remodelação e vão ver como ele crescerá ainda mais… – é o corolário de um programa – o programa do PS é mesmo mandar no país, porque é assim que acha que deve ser – e de uma necessidade – a de dar emprego aos seus militantes e às clientelas. E se esta necessidade é comum a todos os partidos de poder em Portugal, que estão cada vez mais transformados em partidos de clientelas, o que distingue o PS é mesmo a sua ideia de que é o Estado, e o Estado comandado pelo PS, que resolve os problemas do país.

Este Verão, António Barreto, que conhece bem o PS, num texto importante sobre o programa eleitoral do partido, não hesitava em escrever que os socialistas estão “a viver o seu momento mais estatal, dirigista e centralizador de sempre”, dando “sinais de regresso a uma das suas origens, a mais estatizante e jacobina”. Em concreto, através daquele programa o PS propunha-se “enquadrar, comandar, dirigir, orientar e, numa palavra, fazer”. Mais: o PS “não quer deixar fazer, não deseja que outros façam, quer fazer”, e o que ele não fizer, “proíbe ou dificulta”.

Basta ver que palavras são mais vezes usadas no Programa do Governo. Ora bem, “reforçar” surge à frente (242 vezes), logo seguida por “promover” (192 vezes). A palavra “plano” é usada nada menos de 99 vezes, um pouco menos que a palavra “criar” (118 vezes). Não restam dúvidas: o Governo propõe-se fazer – nunca se propõe permitir que façam.

Como o Programa de Governo é uma reprodução quase fiel do programa eleitoral, com um ou outro retoque cosmético para fingir que se agrada à extrema-esquerda (e é mesmo só fingir, pois os pontos que retirou do programa, como a reforma das leis eleitorais, eram inexequíveis sem o apoio do PSD, e este não está pelos ajustes no horizonte deste legislatura), os pecados de Agosto são os pecados de Outubro.

Basta fazer um exercício simples, daqueles que permitem detectar tiques de linguagem, e ficamos sem dúvidas. Basta ver, por exemplo, que palavras são mais vezes usadas no Programa do Governo. Ora bem, “reforçar” surge à frente (242 vezes), logo seguida por “promover” (192 vezes). A palavra “plano” é usada nada menos de 99 vezes, um pouco menos que a palavra “criar” (118 vezes) e que a palavra “garantir” (100 vezes).

Não restam dúvidas: o Governo propõe-se fazer – nunca se propõe permitir que façam.

O Governo, para usar o provérbio chinês, só pensa em pescar, nunca imagina que pode ser útil ensinar a pescar. Ou simplesmente deixar pescar livremente.

O Governo faz exactamente o contrário do que John Kennedy propôs aos americanos no seu famoso discurso de tomado de posse: “ask not what your country can do for you — ask what you can do for your country”. Não perguntem o que o país pode fazer por vocês, interroguem-se sobre o que podem fazer pelo país.

Mas não, não é esta a visão de Portugal, nem do Estado, nem dos portugueses que o PS tem. A sua visão é mesmo a de cidadãos enquadrados pelo Estado, orientados pelo Estado, dependentes do Estado – na sua linguagem, “protegidos pelo Estado”, a que chamam “social”.

O PS, este PS, e António Costa, acreditam mesmo que é assim que vão trazer mais prosperidade ao país. Na sua intervenção no debate do Programa do Governo um dos poucos (o único?) ministro com alguma experiência no sector privado, Siza Vieira, assegurava que Portugal tinha progredido quando tinha tido “planos industriais”. Ouvia-se e era como se tivéssemos regressado aos “planos de fomento” do salazarismo. Só que nunca foram eles que fizeram o país dar saltos em frente – isso aconteceu quando o país foi confrontado com choques externos: a entrada na EFTA que permitiu a mais frutífera das expansões económicas nas décadas de 1960/1970; depois a entrada a CEE, o único período em que voltámos a ter taxas de crescimento realmente notáveis, no final da década de 1980; por fim o mais recente choque sofrido pela economia portuguesa, a crise de 2009/2013, também permitiu uma alteração estrutural da nossa economia, que se virou para os mercados externos (em 2008 as exportações valiam 28% do PIB, em 2018 já valiam 44%).

Não houve aqui qualquer plano, a longa mão do Estado não andou por aqui (a não ser a atrapalhar). Houve foi muita iniciativa privada. Houve empresários que tiveram de encontrar soluções para negócios que já não estavam a dar. Houve capacidade de aproveitar as oportunidades. Houve muito cerrar dos dentes. E felizmente houve menos Estado do que hoje se quer ter. Na década de 1960. Na década de 1980. E nos anos “neoliberais” da troika.

Mas não é este o país com que o PS sonha, porque neste país ele só vê defeitos. E por isso passa a vida a criar novos regulamentos, a tratar de ter bem controladas as entidades reguladoras e a procurar que tudo passe pelo gabinete de um ministro ou de um secretário de Estado.

Há décadas que este modelo não funciona. Se funcionasse Portugal não estaria a perder posições no ranking da riqueza dos países europeus. No entanto insistimos no mesmo modelo. Porquê, se insanidade é continuar a fazer sempre a mesma coisa e esperar conseguir resultados diferentes? Porque a fé no Estado parece ilimitada.

Há décadas que os socialistas acham que é assim – criando mais regras, mais organismos, mais secretarias de Estado, por fim mais ministérios – que se consegue criar os instrumentos do crescimento. Orientar o crescimento. E prescientemente dizer aos investidores onde devem investir – ou então complicar-lhes a vida se acharem que querem investir onde não devem.

Há décadas que este modelo não funciona. Se funcionasse Portugal não estaria a perder posições no ranking da riqueza dos países europeus – hoje só temos oito países da Europa mais pobres do que nós, se mantivermos o actual diferencial de crescimento para os nossos parceiros em 2025 só teremos quatro países atrás de nós (a Bulgária, a Croácia, a Roménia e eventualmente a Grécia).

No entanto insistimos no mesmo modelo. Porquê, se insanidade é continuar a fazer sempre a mesma coisa e esperar conseguir resultados diferentes? Porque a fé no Estado parece ilimitada, ou não tivesse António Costa promovido Alexandra Leitão a ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública.

Perguntar-se-á de novo a que propósito, já que no Ministério da Educação não se conhece o balanço qualitativo da sua actuação. É verdade: acabou com quantos contratos de associação pôde, nesse processo fazendo com que vários colégios privados que tinham prestado bons serviços às populações fechassem. Ficaram os alunos melhor servidos? Poupou o Estado dinheiro? Ninguém sabe, porventura nunca ninguém saberá porque não interessa saber.

O princípio ideológico da ministra é que o Estado faz sempre melhor – o que é mais ou menos sinónimo de “o PS faz sempre melhor”. Por isso só imagina um Estado ainda mais presente nas nossas vidas. Por isso mesmo disse, numa entrevista ao Público, que “há zonas do país onde a presença do Estado não se faz sentir como devia, no bom sentido. As pessoas sentem que o Estado só chega lá através da autarquia local, da escola ou de um centro de saúde.” A minha pergunta é: mas necessita mesmo o Estado de estar mais presente, porventura para além daquilo que diz respeito ao essencial, que é a segurança das populações, e que é também aquilo onde mais falha?

A resposta – a tétrica resposta – é que o Estado é um monstro que ganhou vida própria, como até a ministra implicitamente reconhece a certa altura (“temos ministérios sectoriais e os serviços que também têm os seus interesses”). Pior: a visão deste PS é a de achar que, com a ajuda da revolução digital, vai por fim cumprir o sonho tipicamente estalinista do “planeamento centralizado quer do recrutamento, quer das promoções”, um pesadelo orwelliano que diz bem da matriz intrinsecamente estatista e jacobina daqueles que nos governam. O sonho de controlar tudo. Tudo, mesmo tudo.

Regresso assim aonde comecei: o gigantismo deste governo não é um acaso nem é fruto da acomodação de conveniências. O gigantismo deste governo é uma decorrência da natureza deste PS, e o que é mais assustador é a que a forma de pensar dos socialistas é exactamente aquela que lhes convém para, sem problemas de consciência, tomarem conta disto tudo.

Se isto não é um pesadelo, não sei o que é um pesadelo.




Etiqueta principal: Cesaropapismo.
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4 de novembro de 2019

Antes Dela Dizer Que Sim


LETRA

Ele não sabe o nome dela,
Tem medo de perguntar,
Ela é como atriz de novela,
Que ele gosta de ver sonhar.

Ela não sabe o nome dele,
Tem medo de perguntar,
E se as promessas coradas,
Foram bebida a falar.

Ele quer mais,
Ela também,
Talvez por isso nesse dia,
Ele foi vê-la à luz do dia.

Ele gosta das formas dela,
Ela diz que ele tem bom ar,
O mundo finge não saber,
Que ele não é rapaz de fiar.

Ela tem um novo sorriso,
Mas medo de o partilhar,
Ele gosta mais do que é preciso,
De a desafiar.

Ele que sabia de cor,
As moças mais fáceis,
Engates mais rascas.

Ela que ficava em casa fechada,
Com medo de ser,
Só mais um rabo de saias.

refrão

Ele agora diz que a ama,
Dormem juntos só a dormir,
Gosta dela de pijama,
E ela de o corrigir.
Ela agora diz que o ama,
Dormem juntos só a dormir,
Gosta dele desarmado,
E ele de a ver despir.

E as velhinhas na cidade,
Sussuram no meu tempo não era assim,
Oh onde já se viu dois enamorados,
Com cara de parvos,
Antes dela dizer que sim.

Mas ele ainda se lembra,
De descer aquelas escadas,
Ganhar coragem, perguntar,
E como raio tu te chamas.
Ela fingiu-se de irritada,
Ofendida pela trama,
Reuniu coragem pro amar,
Perguntou e tu como raio te chamas.

refrão

Ele agora diz que a ama,
Dormem juntos só a dormir,
Gosta dela de pijama,
E ela de o corrigir.
Ela agora diz que o ama,
Dormem juntos só a dormir,
Gosta dele desarmado,
E ele de a ver despir.

E as velhinhas na cidade,
Sussuram no meu tempo não era assim,
Oh onde já se viu dois enamorados,
Com cara de parvos,
Antes dela dizer que sim.




Etiqueta principal: Cantiga de Amigo.
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1 de novembro de 2019

Lisboa Luso-Africana

lisboa mulata
dead combo


Fui ontem almoçar ao Centro Comercial Colombo e o que vi foi:

  • Uma avançadíssima miscegenação cultural.
  • Uma avançada miscegenação racial.

Há outras zonas de Lisboa e arredores onde se pode notar o mesmo embora, talvez, não de forma tão evidentíssima.

Dado que 
  1. Os Trabalhadores Cabo-Verdianos e suas Famílias começaram a ser importados para à Metrópole no início da década de 1950;
  2. Entre 1974 e 1977 choveram em Portugal Continental para cima de um milhão de Retornados;
  3. Bem mais de metade dos Retornados eram Mestiços, ou Pretos, de Língua Portuguesa;
o processo é irreversível.

Os actuais Discípulos Portugueses de Arthur de Gobineau e de Joaquim Pedro de Oliveira Martins – Confessos ou Inconfessos, de Esquerda ou de Direita – bem que podem chorar, gritar, escoucear: Portugal não é, nunca foi, nunca será Branco, Ariano.

Ou, usando a formulação bem mais diplomática do Doutor António de Oliveira Salazar: Portugal não é um País Europeu e tende cada vez mais a sê-lo cada vez menos.

Entretanto há um ponto que importa muito sublinhar: Nem os Pretos são, necessariamente, Africanos, nem os Brancos são, necessariamente, Europeus.

Exemplifico: Os “Pretos da Amadora” são Europeus, os “Brancos da Huíla”, os Chicoronhos, são Africanos..



Etiqueta principal: Portugal.
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24 de outubro de 2019

O que interessa são os "interesses", não as "ideologias"!



Como o que faz mover o mundo são os “interesses”, não as “ideologias”, o que interessa é saber quais são os “interesses” dos partidos políticos, ou daqueles que as ditos representam, não é saber quais são as “ideologias” que afirmam serem as suas.


Seguem-se o artigo "Partidos a esquadro e regra?", da autoria de José Miguel Júdice (originalmente publicado no Jornal de Negócios a 23 de Outubro de 2019) e o comentário ao dito artigo "O que interessa são os “interesses”!", da minha autoria (originalmente publicado neste blogue a 24 de Outubro de 2019).



Partidos a esquadro e regra?


A minha tese é que seria mais sensato que os dirigentes partidários da direita passassem a gostar mais dos seus eleitores e com isso a falarem para o que eles querem e não para o que acham que os eleitores devem querer. Talvez isso reduza a abstenção.

Por José Miguel Júdice no Jornal de Negócios a 23 de outubro de 2019.

Em Portugal há uma tendência cuja genética ainda não descobri: quando se pretende contrariar uma tese ou teoria, raras vezes se refere o autor ou autores da teoria criticada. O mundo não acabará por causa disso, mas torna o debate mais difícil. É que a reação natural de quem defendeu algo diferente costuma ser ficar calado, até pelo receio tão português de se pensar que se responder se estará a pôr nos bicos dos pés.

Vem isto a propósito de um artigo de Adolfo Mesquita Nunes, que responde a uma tese segundo a qual, e cito, "o sistema [político-partidário] tem de rearranjar-se para que cada partido represente uma homogénea e estanque família ideológica", no fundo e à direita, "os liberais...na IL, os nacionalistas no Chega, os conservadores no CDS e os sociais-democratas no PSD".

Admito que não estivesse a pensar em mim quando escreveu. Seja como for, gostosamente enfio a carapuça, até porque admiro o autor. Mas não a enfio até ao ponto de tapar os olhos.

Por isso tenho de afirmar que (i) não acho que "o sistema tem de rearranjar-se", e (ii) não acho que cada partido tenha de representar "uma homogénea e estanque família ideológica".

Por isso nada tenho a dizer contra as razões organizadas (a regra e esquadro…) por Mesquita Nunes para recusar a minha tese. Apenas tenho de revelar que essa não é a minha tese…

E depois deste aviso, vamos ao que interessa. Há 40 anos que os partidos da direita portuguesa têm sido mais capazes de colaborar serenamente entre si do que cada um deles aceitar a sua diversidade interna: as guerras de tendências, as ostracizações de colegas de partido, as "fake news" para os sangrar, as "fatwa" destinadas a destruir a legitimidade dos que pensam diferente da ortodoxia do momento, dariam um texto com dezenas de páginas.

Sendo assim, dois tipos de edifício político parecem possíveis e nenhum deles exige instrumentos geométricos para ser construído: (a) os partidos diluem ainda mais a sua identidade, reforçam o seu atual "patchwork" ideológico e vão continuar todos a lutar por um mesmo eleitorado mítico, ou (b) os partidos assumem uma matriz ideológica básica, admitem as naturais nuances que Mesquita Nunes parece achar que eu recusaria, mas vão dirigir-se preferencialmente a certos e diversos eleitorados.

E parece que tenho razão em concreto: veja-se (i) no PSD a guerra evidente entre "verdadeiros sociais-democratas" e todos os outros apodados de "liberais", e (ii) no CDS a guerra ainda intestina entre "conservadores" e "liberais".

Aliás tudo é ainda pior: conheço ainda razoavelmente bem o PSD para achar que a matriz sociológica conservadora é nela dominante, e curiosamente não vai a combate…

A minha tese é que seria mais sensato que os dirigentes partidários da direita passassem a gostar mais dos seus eleitores e com isso a falarem para o que eles querem e não para o que acham que os eleitores devem querer. Talvez isso reduza a abstenção.

Se isso acontecer, será ainda mais evidente que o PSD é um partido tendencialmente social e de centro-direita e o CDS é um partido tendencialmente conservador e de direita. Agora chegam ao mercado um partido que será provavelmente de direita radical ou extrema, populista e antissistémico (o Chega) e um partido (Iniciativa Liberal) que pretende ocupar o espaço liberal que desde 1974 não foi ocupado (a ponto de alguns politólogos, sabe Deus a razão, acharem que não tem hipótese em Portugal).

A história da direita em Portugal foi sempre a da ilusão dos "liberais" em conquistarem o PSD e/ou o CDS e, não o conseguindo, acabarem irrelevantes. O meu querido e saudoso amigo Francisco Lucas Pires, quer no CDS quer depois no PSD, é um "óbvio ululante" exemplo desta minha tese. Ele foi o mais liberal dos políticos portugueses. E, curiosamente, um dos mais populares no seu tempo… antes de aceitar o presente envenenado de Amaro da Costa para passar a vice-presidente do CDS e ser "normalizado".

Gostaria que o mesmo não acontecesse a Adolfo Mesquita Nunes, a António Pires de Lima e a muitos outros que no CDS e PSD se sentiriam melhor com eles do que com Rui Rio ou Xicão.

Claro que posso estar errado e, no início de 2020, os liberais de cada um dos partidos ganharem aos outros. Pode ser. Mas servirá para alguma coisa?



We have no eternal allies, and we have no perpetual enemies. Our interests are eternal and perpetual, and those interests it is our duty to follow.
Henry Temple, 3rd Viscount Palmerston, speech to the House of Commons (1 March 1848).


O que interessa são os “interesses”!


Como o que faz mover o mundo são os “interesses”, não as “ideologias”, o que interessa é saber quais são os “interesses” das direcções dos partidos políticos, ou daqueles que as ditas direcções representam, não é saber quais são as “ideologias” que essas direcções afirmam serem as suas. 

Por Álvaro Aragão Athayde no blogue coisas & loisas a 24 de Outubro de 2019.

A famosa frase que Henry Temple, 3.º Visconde Palmerston, proferiu no seu discurso na Câmara dos Comuns, a 1 de Março de 1848, 
We have no eternal allies, and we have no perpetual enemies. Our interests are eternal and perpetual, and those interests it is our duty to follow.
ou, traduzindo, 
Nós não temos nem aliados eternos, nem inimigos perpétuos. Os nossos interesses é que são eternos e perpétuos, e é esses interesses que temos o dever de prosseguir.
é válida quer para as pessoas individuais quer para as pessoas colectivas. 

Tal como o Reino Unido não tem, segundo Lord Palmerston, nem aliados eternos, nem inimigos perpétuos, nem nenhum outro estado os tem, mas tem interesses que são eternos e perpétuos, tal como os demais estados os têm, o mesmo acontece com todos nós, pessoas singulares, e o mesmo acontece com as pessoas colectivas que não são estados, como é o caso das agremiações religiosas, das empresas económico-financeiras, dos clubes desportivos e recreativos, dos partidos políticos, das demais pessoas colectivas de direito privado, ou de direito público, e, inclusive, das pessoas colectivas que actualmente não são sequer reconhecidas, como é o caso das linhagens familiares.

Logo o que importa não é saber quais são as “ideologias” que os partidos políticos, ou as suas direcções, afirmam serem as suas.

E menos ainda importa saber quais são as “ideologias” que os comentadores, ou os polítólogos, juram serem as deste, ou daquele, partido político.

O que importa, o que realmente importa, é saber quais são os “interesses” que os partidos políticos, ou suas direcções, consideram ser os seus interesses eternos e perpétuos.

As “ideologias” são camisas, labitas, que se escolhem, vestem, despem, conforme for mais conveniente.

E se não existir uma “ideologia” adequada à circunstância, ao momento, inventa-se uma nova, qual o problema?

É certo que muitas pessoas singulares, e não muitas pessoas colectivas, sacrificam a “satisfação imediata” de muitos dos seus interesses à “satisfação mediata” desses, ou de outros, interesses – algo que uns vêm como altruísmo e outros vêm como parvoísmo – mas o facto é que sacrificar a satisfação imediata de alguns interesses à sua satisfação mediata desses, ou de outros, interesses, não significa que os ditos interesses não existam, que não sejam importantes, ou que não sejam prosseguidos.

Pessoas singulares que investem em filhos em lugar de investirem em carros, ou em viagens a Cancun, estão a cuidar bem, inteligentemente, dos seus próprios interesses. Quando forem velhos os investimentos que fizeram em carros, ou em viagens a Cancun, não lhe serão de utilidade alguma, mas os que fizeram em filhos poderão sê-lo.







Fontes
  1. Esquerda, direita, liberal e conservador”. Juliana Bezerra. diferenca.com. Sem data de publicação. Recuperado a 24 de Outubro de 2019, às 13:08.
  2. Partidos a esquadro e regra?”. José Miguel Júdice. Jornal de Negócios. Publicado a 23 de Outubro de 2019, às 09:30. Recuperado a 23 de Outubro de 2019, às 23:30.
  3. Henry Temple, 3rd Viscount Palmerston”. Wikiquote. This page was last edited on 1 May 2019, at 22:42. Retrieved on 24 October 2019, at 14:26.
  4. E. O. Wilson”. Wikipedia, the free encyclopedia. This page was last edited on 30 September 2019, at 06:21 (UTC). Retrieved on 24 October 2019, at 19:17 (UTC+1).

Etiqueta principal: Politeias.
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