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28 de janeiro de 2021

O Actual PREC

 

Tomada de posse de Joe Biden e Kamala Harris.


O Actual Processo Revolucionário Em Curso, APREC, é liderado pelos Globalistas.

Os Globalistas são os adeptos do Globalismo, uma Ideologia.

O Globalismo foi magistralmente caracterizado por Zbigniew Brzezinski no seu livro Between Two Ages: America's Role in the Technetronic Era (1970), cito, 

Nation state as a fundamental unit of man’s organized life has ceased to be the principal creative force: International banks and multinational corporations are acting and planning in terms that are far in advance of the political concepts of the nation-state. 

ou, em português, 

O estado nação como unidade fundamental da vida organizada do homem deixou de ser a principal força criativa: Os bancos internacionais e corporações multinacionais estão actuando e planeando em termos que estão muito à frente dos conceitos políticos do estado-nação

O Objectivo Político dos Globalistas é a Tomada de Poder a Nível Mundial.





Etiqueta principal: Fascismo Pós-Moderno

25 de janeiro de 2021

Eleições Presidenciais Portuguesas de 2021

 


Nova configuração politico-partidária.

Ao centro o Centrão — PS, PPD-PSD, CDS-PP — que votou em Marcelo Rebelo de Sousa.

À esquerda do Centrão a Ala BE do PS, que votou em Ana Gomes.

À direita do Centrão um heterogéneo grupo de Descontentes com “O Estado a que Isto Chegou”, que votou André Ventura.

Depois os “pequeninos”, que têm boa imprensa se vistos pelo proprietários dos meios de comunicação social como sendo “de esquerda”, mas que são isso mesmo, “pequeninos”, alguns possivelmente em vias de o virem a ser ainda mais.

Como evoluirá esta nova configuração?

Tudo depende de o Partido CHEGA se conseguir institucionalizar, conseguir eleger alguns autarcas e, também, mais alguns deputados (actualmente tem um só deputado, André Ventura).

Aguardemos.




Etiqueta principal: Política Portuguesa.

24 de janeiro de 2021

O Rapaz da Camisola Verde











O Rapaz da Camisola Verde
De mãos nos bolso e de olhar distante,
Jeito de marinheiro ou de soldado,
Era um rapaz de camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Perguntei-lhe quem era e ele me disse
“Sou do monte, Senhor, e um seu criado”.
Pobre rapaz de camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Porque me assaltam turvos pensamentos?
Na minha frente estava um condenado.
Vai-te, rapaz da camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Ouvindo-me, quedou-se o bravo moço,
Indiferente à raiva do meu brado,
E ali ficou de camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Soube depois ali que se perdera
Esse que só eu pudera ter salvado.
Ai do rapaz da camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Ai do rapaz da camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
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Etiqueta principal: Trovadorismo.

23 de janeiro de 2021

A Igualdade é Antinatural

 

Old Boys Netwk
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Como não existem duas pessoas, duas pedras, duas porcas, iguais, a igualdade não é natural, tem de ser fabricada, fabricada como as porcas normalizadas o são.

Mas mesmo as porcas normalizadas, fabricadas para serem todas iguais, que à primeira vista até parecem ser todas iguais, não o são!


Porcas sextavadas DIN 934 / DIN EN ISO 4032 / DIN EN 24032


São intermutáveis, mas não são iguais.

E é por isso que A Igualdade é Antinatural.

Como a igualdade é antinatural, tendo de ser fabricada, forçada, todas as tentativas de criar Sociedades de Iguais têm resultado, num primeiro tempo, na criação de Sociedades de Desiguais com duas classes:

  1. A classe dos Iguais;
  2. A classe dos Guardiões da Igualdade da Igualdade dos Iguais;

    sendo os Iguais iguais porque os Guardiões da Igualdade da Igualdade dos Iguais os forçam a ser iguais.

    Ou seja, dito de outra maneira, todas as tentativas de criar Sociedades de Iguais têm resultado, num primeiro tempo, na criação de Sociedades de Desiguais com duas classes:

    1. A classe dos Iguais, dos Servos.
    2. A classe dos Guardiões da Igualdade dos Iguais, dos Senhores.

    Tem-se verificado que todas as tentativas de criar Sociedades de Iguais têm falhado por um dos dois seguintes processos:

    1. Os Senhores não se consideram iguais aos Servos, assumem-se como Desiguais, como Senhores, e a experiência falha.
    2. Os Senhores consideram-se iguais aos Servos assumem-se como Iguais, como Servos, a sociedade colapsa e a experiência falha.

    No primeiro caso a tentativa de criar uma Sociedade de Iguais falha mas os Desiguais dispõem dos meios necessários para garantir que a Sociedade de Desiguais que dirigem sobreviva.

    No segundo caso a tentativa de criar uma Sociedade de Iguais falha mas os Iguais não dispõem dos meios necessários para garantir que a Sociedade de Iguais que não dirigem sobreviva.





    Etiqueta principal: Bolshevismo Pós-moderno.

    17 de janeiro de 2021

    Só existe o que passa na TêVê⁉️


    O Observador publicou um artigo com piada só que anónimo, o que também tem piada, mas que, sendo /premium só pode ser lido pelos assinantes, o que tem menos piada. 

    Como sou assinante pude lê-lo, mas para o poder comentar aqui terei que o transcrever, o que farei na sequência.


    Os passados da cabeça  /premium

    O ministro da Economia manda esvaziar prateleiras de supermercados; a ministra da Saúde quer confiscar empresas; do ministério da Justiça saem documentos manipulados… e nós a ver cornos no Capitólio.

    17 jan 2021, 00:11

    As cirurgias aos doentes com cancro são adiadas (ainda mais) e os computadores prometidos aos alunos em Março do ano passado  nunca chegaram. Mas o que leva os portugueses a manifestar-se? A vinda de Marine Le Pen a Lisboa.

    Portugal é um país literalmente passado da cabeça: quanto mais a nossa vida se agrava e o regime se esboroa, mais nos indignamos com o longínquo e nos tornamos indiferentes ao que nos toca.

    Assim, fazem-se manifestações porque uma dirigente política francesa vem a Lisboa mas caso alguém se manifeste por aquilo que está a acontecer neste país ou nesta mesma cidade de Lisboa, logo se vê oportunamente rodeado de suspeições várias como aconteceu a Ljubomir Stanisic aquando dos protestos dos proprietários de restaurantes.

    O nosso corpo está aqui mas o cérebro está onde o leva a agenda mediatico-socialista (eu sei que estas duas palavras se tormaram sinónimas mas mesmo assim insisto no pleonasmo). Todos os dias gente que a si mesma atribui certificados de democrata discute como ilegalizar aqueles que eles definem como fascistas. Simultaneamente medidas em catadupa normalizam o que é próprio das ditaduras. Agora dá-se como certo que os velhos residentes em lares ilegais não terão o seu voto recolhido. Quando nos passou pela cabeça que em Portugal se inibiria o direito de voto a alguém em função da natureza da sua residência? Nunca, claro. Nós somos uma república. Estamos imbuídos dos princípios da igualdade, da solidariedade… Para lá do óbvio – não foram os velhos que escolheram ir para um lar ilegal, eles foram para lares ilegais porque não existem outros (e vão continuar sem existir porque deste modo a Segurança Social poupa o financiamento que teria de lhes garantir caso os legalizasse) – não se pode aceitar que a natureza da residência defina quem pode ou não votar. Indignações com este grave precedente? Os constitucionalistas que tanto constitucionalizam a propósito dos direitos adquiridos não têm agora nada a dizer? Ora, ora quem se pode preocupar com os votos dos velhos instalados em lares ilegais quando Marine Le Pen veio almoçar a Portugal? Isso sim é que é preocupante!

    Disseram-nos que Portugal era um milagre e a nossa cabeça passou-se com tanta alegria. Depois do milagre da descrispação, do milagre do dinheiro para as reposições, do milagre do futebol, do milagre do Festival da Eurovisão, éramos outro milagre no combate ao Covid.Todos os dias a nossa cabeça partia à descoberta dos falhanços em geografias políticas rigorosamente seleccionadas. Um dia, no meio de mais umas notícias sobre o horror do Covid nos EUA e do desastre da estratégia seguida pelos suecos, descobrimos que o inferno era aqui. E o país o que discute? Manaus. Sim, Manaus. Porquê Manaus no Brasil e não a Bélgica, país onde o número de mortos ultrapassa tudo o que se pode imaginar? Ou com a Argentina, o país que uma “quarentena eterna” não salvou do Covid mas garantiu a fome (sim, na Argentina outrora grande potência agrícola, agora existe fome)? Ora, porque como toda a gente sabe a culpa das consequências do Covid no Brasil é de Bolsonaro. Já a culpa das consequências do mesmo Covid pelo mundo varia em função da simpatia ou do respeitinho que esses governos têm ou impõem nas redacções e organizações internacionais. No topo da tabela da desresponsabilização está o governo de Portugal, país onde a culpa dos maus números é sempre do portugueses que não cumprem como deviam as sábias instruções do seu governo. Portugal, recordo, é o país em que não se conhece um caso de contágio por Covid em nada que resulte da responsabilidade do Governo, como são os transportes públicos cheios e as filas resultantes da imposição de horários reduzidos nos supermercados mas em que, dos parques infantis aos passeios ao ar livre, se considera perigoso tudo o que não seja ficar encerrado em casa.

    Em conclusão, os governos de esquerda terão sempre um Manaus para entreter a cabeça dos portugueses. E quanto pior as coisas correrem em Portugal mais vamos andar empenhados em apedrejar o ódio de estimação do momento e mais tempo vamos gastar em combates que nada têm a ver com a nossa vida presente.

    Pode o Governo, numa espécie de treino antecipado para a Venezuela que seremos, mandar, em nome da regulação da concorrência, esvaziar prateleiras de supermercados e interferir desastradamente nas taxas cobradas pelas empresas de distribuição pois grupos como o agora nomeado para combater o racismo inventarão todos os dias um caso para  gerar comoções e fúrias.

    Pode o procurador José Guerra manter-se no cargo apesar das evidentes falhas no seu curriculum e das ainda mais evidentes tentativas do ministério da Justiça para as esconder que ninguém perguntará o porquê de tanta manobra pois esgotaremos a nossa indignação com a morte dos veados numa herdade. Ou dos cães num canil. Ou dos ursos lá longe.

    Pode a ministra Temido continuar a privar milhares de portugueses de tratamentos médicos unicamente por razões ideológicas pois o foco das nossas preocupações estará no combate ao heteropatriarcado. Ou no combate ao que designam como alterações climáticas.

    Pode António Costa acusar quem o critica de liderar uma “campanha internacional contra Portugal” …

    Podem o que quiserem porque nós estaremos sempre com a cabeça longe. Enquanto não se perceber isto não se percebe porque razão está antecipadamente derrotado o espaço da direita mesmo quando ganha.

    Nunca nos passou pela cabeça que viesse a ser assim. Mas é assim que é.

    Fim do artigo Os passados da cabeça  /premium, original aqui.


    Só existe o que passa na TêVê⁉️

    Afirma o ilustre e anónimo autor, ou autora, nos tempos que correm há sempre que respeitar o politicamente correcto! Repito, afirma o ilustre e anónimo autor, ou autora, cito:

    Portugal é um país literalmente passado da cabeça: quanto mais a nossa vida se agrava e o regime se esboroa, mais nos indignamos com o longínquo e nos tornamos indiferentes ao que nos toca.


    Mas quem são os “nós” do mais nos indignamos !?

    Eu não pertenço ao tal "nós" e a manif à cause de Marine Le Pen teve a presença de meia dúzia de pessoas a quem, suponho, ninguém pediu a identificação. E teve, também, uma ampla e entusiástica cobertura mediática.

    Quem se indignou então?

    Que há muitos passados da cabeça há, mas os mais passados da cabeça são os que acreditam que só existe o que passa na TêVê.






    Etiqueta principal: Política à Portuguesa.

    14 de janeiro de 2021

    Espanha de 1930, América de 2020





    Pío Moa: “Largo Caballero y Alcalá Zamora acabaron con la República”




    A actual situação na América só me faz lembrar a situação em Espanha na década de 1930.

    Outro lugar, outro tempo, mas quase que as mesmas forças espirituais em confronto.

    Só espero a história se repita mesmo como farsa, e não como uma grande tragédia, tal como aconteceu com O 18 de Brumário de Louis Bonaparte, pese embora Karl Marx não o tenha nem visto nem previsto.






    Etiqueta principal: Bolshevismo Pós-moderno.

    26 de dezembro de 2020

    Identidades e Poder

     


    Um artigo de Nelson Faria, da Sociedade de Jesus, e um comentário meu.


    Quem semeia identidades, colhe tempestades

    Os interesses identitários estão a arrastar-nos para um estado de tempestade social. A necessária correção de trajetória advirá através da redescoberta do bem comum, e do restabelecer da confiança mútua.

    Por P. Nelson Faria, sj em Ponto SJ a 21 de Dezembro de 2020.

    Alegro-me com o momento atual de atenção generalizada à discriminação e às injustiças que assolam a nossa sociedade. Mas não resisto a franzir o sobrolho quando me encontro diante de comentários como “és homem, não entendes”, “por seres branco não compreendes”, ou ainda “se discordas és homófobo”. Naturalmente, pelo ódio e exclusão que já despoletam, perturbo-me mais quando escuto “volta para a tua terra”, “o lugar da mulher é na cozinha” ou “homossexualidade é perversão”. Contudo, creio que em todas elas encontramos um excesso de sentimento e um défice de razão.

    Tem-se generalizado um tipo de discurso no espaço público em que o que releva não é a opinião, os valores e o caráter de alguém, mas sim a cor da sua pele, a sua orientação sexual, o seu género, ou a tradição religiosa a que pertence. Esta pulsão para identificar o sujeito com um coletivo é acompanhada por uma tendência em reduzir a complexidade das nossas relações em sociedade e toda a nossa história partilhada, a dois papéis sociais “todo-explicativos”: privilegiados e oprimidos. Isto é, em função do coletivo em que somos incluídos, somos opressores ou vítimas, e seremos julgados como tal.

    Há uma degradação da nossa capacidade de pensar e sonhar juntos.

    Abundam narrativas de vitimização em que o “nós” se restringe à “identidade de pertença”, seja ela ser homem ou mulher, ser nacional ou estrangeiro, ser branco ou negro, heterossexual ou LGBT+. Aparentemente, parece que nos esquecemos que, além das “identidades de pertença” – centradas no género, ideologia, nacionalidade, orientação sexual, ou sectarismos religiosos – existem também “comunidades de pertença” – como família, bairro, cidade, nação e, no seio da Igreja católica, paróquias. Nestas, a primeira pessoa do plural – “nós” – pode ser conjugada de forma a incluir outros que não se encontram dentro do meu campo de afinidades ideológicas, identitárias, étnicas ou religiosas.

    Regresso ao ponto de partida: que da previsão constitucional que proíbe a discriminação em função da nacionalidade, sexo, raça, religião e orientação sexual, tenhamos passado a um estado de alerta social, é um grande feito e devemos louvá-lo. E muito há ainda por fazer para passar de um estado de alerta à efetiva correção das desigualdades. Contudo, na forma como debatemos, parece evidente que há uma degradação da nossa capacidade de pensar e sonhar juntos.

    O semear constante dos interesses identitários no espaço público está a arrastar-nos para um estado de tempestade social em que as distintas identidades de pertença se fragmentam e se enquistam. Uma correção de trajetória é crucial, e creio que o poderemos fazer redescobrindo o bem comum e restabelecendo a confiança mútua.

    Temos de ousar habitar um campo social em que outros existem, e em que o “nós” político é mais rico que os interesses da minha identidade de pertença.

    Comecemos pelo bem comum. A deslocalização do centro da nossa atenção das comunidades em direção às identidades de pertença faz com que a atividade política negligencie o todo em função de fragmentos da sociedade. Este movimento de substituição tem um impacto claro na forma como analisamos a realidade: se o fragmento dita a forma como vejo o todo, o deslize em confundir “interesse de um segmento” com “interesse de todos” é previsível e, temo, inevitável.

    Sendo indiscutível que há situações de injustiça que reclamam ações específicas e direcionadas, estas devem ser gizadas a partir de um pensamento que possibilite, ao mesmo tempo, a reparação da injustiça e a proposição de um caminho comum de realização pessoal e comunitário. O reconhecimento do “eu” é fundamental e deve ser preservado, mas quando sonhamos o destino dos nossos bairros, cidades, regiões e nações, quando discutimos temas como família e justiça social, temos de aprender a conjugar a primeira pessoa do plural.

    Temos de ousar habitar um campo social em que outros existem, e em que o “nós” político é mais rico que os interesses da minha identidade de pertença. Devemos desejar integrar comunidades além do cluster identitário, e compreender que identidade é uma forma de fazer parte do todo. Urge que nos deixemos nortear pela vontade de construir um lugar onde talvez não estejamos de acordo em todas as matérias, mas em que possamos respeitosamente viver com o diferente, sem lhe negar dignidade nem horizonte de futuro.

    Este retorcer da realidade lança-nos numa guerra de todos contra todos, pois a visão de fundo é a de que há inimigos partilhados, mas não um desiderato comum.

    E isto traz-nos até ao segundo elemento da nossa correção de trajetória: o restabelecer da confiança mútua. A divisão redutora da sociedade e da nossa história a dois simples papéis – privilegiado ou oprimido – em função da nacionalidade, sexo, raça, religião e orientação sexual, torce a realidade. Dois exemplos: exigir uma distribuição da riqueza justa não nos pode levar a considerar todos os empresários como “exploradores”; que existam casos de marginalidade entre pessoas que não nasceram em Portugal, não justifica que todos os estrangeiros – ou uma nacionalidade específica – sejam apodados de criminosos. A narrativa redutora arrasta-nos inevitavelmente para o conflito.

    Este retorcer da realidade lança-nos numa guerra de todos contra todos, pois a visão de fundo é a de que há inimigos partilhados, mas não um desiderato comum. O outro não deve ser o rival com quem nos digladiamos na arena, mas alguém com quem faço caminho, como numa corrida em que o pé esquerdo de um está atado ao pé direito do seguinte: só alcançaremos a meta ao pôr-nos de acordo sobre o objetivo comum e acertando passo.

    Restabelecer a confiança mútua é exigente, pois implica uma conversão dos nossos hábitos de raciocínio. Há muitas razões para a rivalidade e para a suspeita, algumas delas baseadas na biografia de cada um de nós. Mas há que começar por reconhecer a nossa pertença mútua e a imprescindibilidade da colaboração. O ponto de partida não pode ser o conflito, mas a confiança.

    Estabelecer relações de confiança mútua, em que se possa conjugar a primeira pessoa do plural de forma verdadeiramente inclusiva, apontando um bem comum, será tarefa inacabada, em constante devir e atualização. Sendo exigente e árduo, é também o único caminho que vale a pena seguir

    Fotografia de Fares Hamouche – Unsplash

    * Os jesuítas em Portugal assumem a gestão editorial do Ponto SJ, mas os textos de opinião vinculam apenas os seus autores.

    Original aqui.


    Identidades e Poder

    O título do artigo, “Quem semeia identidades, colhe tempestades”, chamou-me a atenção: um Jesuíta a pegar na questão da Política de Identidades, deixa-me cá ir ler!

    Mas, confesso-o humildemente, a primeira oração “Alegro-me com o momento atual de atenção generalizada à discriminação e às injustiças que assolam a nossa sociedade.” desacorçoou-me – lá vinham as pieguices dos padrecas! – mas li o artigo todo.

    Lido o artigo que se me oferece dizer?

    Pareceu-me que o autor ainda não percebeu:
    1. Que a Política de Identidades é uma variação do antiquíssimo Dividir para conquistar. Dividir para reinar.
    2. Que para o grupo, ou grupos, que estão tentando tomar o poder a nível planetário o bem comum coincide com o seu próprio bem.
    3. Que o conflito que o articulista parece estar interessado em evitar não é evitável porque já está em curso, já se combate. Já se combate de armas na mão.
    4. Que orações como aquela com que abre o artigo não lhe granjeiam simpatia mas desprezo: o desprezo que os fortes têm pelos fracos.
    5. Que a Constituição da República Portuguesa não garante nada a ninguém porque quem está tentando tomar o poder a cumpre, ou a incumpre, quando lhe convém, sem punição.

    Sei que é inadequado pedir a um Brâmane que pegue em armas, essa é a função dos Xátrias, mas é adequado pedir-lhe que identifique as questões e que, clara e verdadeiramente, explique o que se passa, o que está em causa.


    Seja como fôr, e pesem embora as criticas que fiz, acho que valeu, e vale, muito a pena ler o artigo.




    Etiqueta principal: Política de Identidades.